quinta-feira, setembro 25, 2003

Confusão, o blog central diz que não perdeu nada mas os links para os arquivos tem que ser refeitos, a ver vamos, que de momento alguns foram passear. Se alguém os vir a passar, digam-lhes para voltar a casa
Obrigado
oh meu amor hoje amado
amanhã ver-te-ei nos braços de outro
os teus beijos não serão meus
o lençol em que te deitas
não o pûs eu a lavar
O teu sorriso
já não sou eu que o rio
o copo em que bebes
não é o meu
Oh meu amor ontem amado
não te vejo
oh meu amor amanhã amado
já te conheço o rosto
na pupila do coração

(este poema é uma variante do um poema do Poeta Khill Gibran, que uma vez eu fiz , o original, num programa de televisão)

Senhora das cumeadas
deixa-me estar em teu vale
pai, estás aí
sim
o que se passa
nada
nada como
passa-se só o que há a passar
mas eu não vejo nada
sim mas sentes
o quê?
o tédio
e o vento a agitar
o tédio
e a beleza a passar
o tédio
e o amor a dar a dar
o tédio

se a vida é mudança
deveriam os excêntricos
ser acarinhados em vez de batidos
porquê?
porque os excêntricos são imprevisíveis
como a própria mudança e por isso
mais aptos a com ela dançar
Mas tem problema
se são imprevisíveis
não se conseguem dominar
pois não
exactamente como a mudança
Pai, muda o filme que este está em reprise contínua
Lisboa 2005

Hoje, a convite da minha avó, fui passear ao Rossio, ouvir um jardim sonoro interpretando ao vivo Bach. Naquela praça sem carros desde há já alguns anos, fazia todo o calor deste verão. A minha avó começou a sentir-se mal e dirigimo-nos de imediato para a Casa do Cidadão, a antiga Loja do cidadão. A avó repousou-se na cadeira biomédica que, através de um conjunto de sensores, de imediato procedeu ao diagnóstico da situação. On line no ecrã à sua frente, uma médica tranquilizava-a dizendo-lhe que era só uma quebra de tensão, prescrevendo as necessárias precauções, e marcando, ali naquele momento, uma consulta no dia seguinte no hospital. Mentalmente tomei nota de na próxima vez que fosse à loja da Fátima Lopes em Paris de não me esquecer de comprar aquele tailleur, que tinha saído na última colecção. A avó já viu este tailleur, da Fátima Lopes, gosta, olhe que lhe ficava muito bem, disse-lhe ao mostrar-lhe no meu telemóvel a respectiva fotografia tridimensional. É bonito sim, mas não sei se me ficará bem, respondeu-me. Não se preocupe, que vamos já ver e, dizendo isto, modelei em 3D em tempo real a avó. Depois, foi só colocar o figurino na avó, como se de um espelho se tratasse e aí, ela disse, é muito bonito e fica-me mesmo bem. Deixe-me então oferecê-lo. Sabe avó, é que este tailleur incorpora as mais avançadas tecnologias bio médicas desenvolvidas em parceria entre diversas Universidades e Empresas e a família ficava muito mais tranquila sabendo que a avó estaria sempre monitorizada no plano da sua saúde.

Com tudo isto e porque me tinha esquecida da carga, fiquei sem o telemóvel. Ao sair-mos da Casa do Cidadão, dirigi-me a um daqueles postos videofone públicos que hoje se encontram em todo o mundo e marquei a viajem e estadia das férias da avó na nova estância submarina das Sete Cidades, aquela que dá para a Atlântida.

Ao voltarmos a casa no Smart a hidrogénio, último modelo desenvolvido pela Universidade Técnica de Lisboa em colaboração com a Mercedes Daimler, nos meus óculos de sol, apareceu-me uma mensagem , informando, aqueles que no projecto tinham colaborado, que o excelente concerto das Ruínas do Carmo, de ontem, conduzido pela belíssima voz de Teresa Salgueiro comemorativo da Paz entre Israel e Palestina, tinha sido visto por 200 milhões de pessoas no mundo inteiro. Tinha sido uma operação que integrara a RTP, a PT, RDP, e outras Entidades, diversas plataformas e tecnologias, desde televisão hertziana digital, cabo, Banda Larga, SMS e outras novidades móveis. Um sucesso, terminava o relatório, informando que em virtude de o Evento ter promovido a Imagem de Portugal, hoje, os operadores turísticos globais, tinham esgotado a oferta durante esta época de veraneio. Hoje, vou dormir contente. A avó pediu para passar no cemitério onde o avô repousava e na campa, a imagem em plasma tridimensional do avô, dizia à minha avó o quanto a amava. É que ele, tinha passado muito tempo no seu pc, a criar as suas mensagens para o futuro. Estranho mesmo, foi a forma de ele terminar a mensagem, quando me deu os parabéns pelo recente sucesso. Como é que ele sabia, fiquei eu a pensar, a relembrar-me que o meu avô era um homem de muitos recursos.

Tem um senão esta breve estória. É que tudo isto é tecnologicamente possível hoje.
estória da outra face do olhar

No balcão os flamingos e os jovens corvos enredam-se no baile dos risos e dos movimentos enervados que transcendem os próprios gestos, a anunciar como que o desejo da futura cúpula. Ele estava como que hipnotizado nos risos gorgolojantes, não sabendo rigorosamente do que se tratava. Um dos jovens corvos inclina-se e chama-o para próximo de si, para onde estás a olhar e ele a tentar pensar supreso na pergunta, que não sei, sei vagamente da direcção e é tudo, mais nada e mesmo antes de o poder verbalizar, chega a estalada à cara, como um peso real que não era o seu. Os Flamingos espantados, afivelam caras de negação ao corvo, enquanto que ele deu consigo a levantar-se do seu banco e a tentar atravessar os animais de permeio, que entretanto por ele tinham reagido. Deixa-o que ele é um animal porreiro, e ele face aquela muralha de corpos entretanto formada, resolveu sentar-se de novo como se nada se tivesse passado e a realidade é que pouco se tinha passado, só uma estalada, uma pequena marca do chamado real e isso o que era...não justificaria nenhuma acção de retorno, dou-lhe uma estalada, para quê, para andar-mos todos ao estaladão. Passados muitos anos o corvo veio habitar no prédio dele e quando se encontravam diariamente no café, ele pensava que estranho corvo é este, que afivela uma qualquer culpa no olhar ao cruzar o meu, e só passado outros tantos anos, já o corvo não era seu vizinho outra vez, que ele então percebeu que o corvo, era o mesmo daquele balcão. Consta que ele não era assim tão distraído com algumas outras coisas...