segunda-feira, outubro 13, 2003

caiu uma nuvem sobre Portugal com esta Libertação, todos opinam e ninguém parece saber ao certo nada, as leituras são multiplas, algumas delas laminares, como mais um criminoso que se escapa, quando chegar ao julgamento já não há nenhum e por ai fora. Até houve um momento em que momentâneamente os blogs deixaram de ser escritos e vi muitos a tentar descodificar o que sentiam.
No dia seguinte, naquele segundo dia de Paz, daquela Paz que trás um dia de verão com o seu calor e a sua luz, aliada ao cheiro da humidade outonal que já se faz sentir e que de manhã provoca uma névoa esbranquiçada, que tudo torna surreal e dôce.

No café tudo e todos estavam ao ralenti, as conversas habitualmente ruidosas, corriam baixinho, quase sussurantes, pois os bébes dormiam nas suas cadeirinhas, na mesa do lado. Emocionalmente foi como entrar num lugar Sagrado, aqueles locais onde a nossa frequência emocional se estabiliza e se aquieta numa mais baixa frequência.

aquele rapaz faz-me lembrar um seminarista
pois, um tudo nada balofo de carnes brancas
daqueles que estão sempre na iminência de suar nas brincadeiras mais ousadas
olhos pequeninos, dificeis de serem observados, porque pouco se dão a observar, já tinha também reparado, um olhar muitas vezes para baixo, ou um olhar como quem olha em frente quem está de frente, mas desfocado interiormente, que faz parecer a quem o vê, que é visto, amparado pelo olhar do outro, o que fala, o que sustêm, embora aqui seja a ilusão de que se trata, uma daquelas pequenas ilusões, do primeiro grau da magia, o mais baixo e o mais vil-mente usado.

Bolas quem te ouça falar, fica com a ideia que não gostas do homem e que estás mesmo a pintá-lo para melhor o servir à-forca-salvo-seja. Não, estou unicamente a dizer-te um pouco daquilo que vejo nele e em tantos outros tantas vezes, mas atenção não estou a julgá-lo, não quero julgá-lo, ele ainda não foi julgado e como tal imponho-me olhar sobre ele com neutralidade, mas isto não me faz esquecer o que nele vejo e mais, digo-te, ainda bem que não me compete tal decisão que será difícil de decidir, ou por outras palavras pesada, tal é o tamanho da tenda de circo montada à sua volta.