quarta-feira, outubro 15, 2003

No terceiro dia de verão, este era o guião da rodagem do dia

Saira do tribunal em liberdade e paradoxo do paradoxo tinha que voltar de novo à prisão para recolher as suas coisas. Cá fora as famílias e os amigos e a combinação, depois mais tarde em casa, estão todos convidados, que eu agora quero ir passear, ver a cidade, sentir a vida, os electricos a passar, as pessoas a andar, sim as pessoas a andar para onde querem, essa coisa espantosa e depois fazer muito, muito amor com a minha namorada, um amor muito tempo, muito tempo, a pretender uma impossibilidade, repôr a enorme ausência do corpo dela. Foi sobretudo a vida que lhe faltára, o podê-la confirmar de viva mão e viva voz, como um corpo de uma forma orgânica no seu infinito baile, assim caminhou a pé desde a Boa-hora, ao pé do rio, até a um dos cimos da cidade, por detrás do jardim do principe inglês, dirigiu-se á entrada, com um curioso pensamento na cabeça a bailar, que é com quem quer dizer, dificil de apagar, daqueles a quem dizemos schiuu, mas que teimosamente teimam em se infiltrar e que simplesmente era, será que se eu entrar deixam-me sair? tipo se a ordem do tribunal não tinha ainda chegado ou qualquer coisa no género. Mas não, fora recebido como quem já sabia, pegara as suas coisas, na ala já todo o mundo sabia, eram gritos e adeuses e desejos de felicidade, retribuidos e adeus de novo na rua.

irra isto parece um guião psicológico de um filme de autor português, daqueles que ninguém vê!!! devia ter ido trabalhar para a padaria em vez de ser assistente de realização, como é que isto se filma...


sim as sociedades tem de se proteger, mas nestes domínios proteger é sobretudo não deixar que aconteça, porque quando aconteçe as consequências não se removem, por isso a verdadeira protecção deveria ser fundada preferencialmente aí.
Oh Lírio branco do Campo, deixa que combinemos com a mestria da paletas de todas as cores, a sabedoria e a compaixão, ensina-nos e vê-la-nos o Caminho


mais tarde no café o mesmo casal de outrora, a conversa continuava, parecendo ter retomado no mesmo ponto do dia anterior às mesmas cinco horas da tarde


Sabes, sendo seminarista como se afigura, pressinto-lhe uma energia secreta, daquelas que se aloja nos corações daqueles a quem em pequeno se dá pouco espaço, uma forma de contrabalanço da rigidez imposta, uma porta de brincar, um gargalhar. O que é que estás para aì a dizer, sabes lá tu se foi essa a situação do homem, pois não sei, estou só para aqui a imaginar, mas segue-me o raciocínio e vê lá se não é possivel esta leitura. Algo que hoje em adulto lhe é visível de quem muito bem pode encaixar aquelas transcrições de excertos de gravações que apareceram, aquela forma de falar, de tratamento inter pares, os pás, uma certa familariedade que permite às vezes um certo rodopio de animo, a tal energia secreta.

Sim mas aquilo não tinha pés nem cabeça, não serviam para deduzir acusações daquela natureza, eventualmente só no campo da obstrução ou perturbação...
Sim, nem pés nem cabeça têm essas coisas, de andar por aí nos jornais ou televisões, pois como disseste não servem para estabelecer qualquer dedução que aponte para o crime, é por não terem sentido que não deveriam andar por aí, porque se não tem sentido lógico naõ quer dizer que não actue, que existam outros sentidos a ela colados.É por isso que eu acredito na inteligência da investigação, uma suspeita de envolvimento em 15 crimes, são muitos, tem que estar bem fundamentado, não corresponderá à imberbe ficção que os medias retrataram.

Olha querido, pára lá um bocadinho
Sim querida
Quero o divórcio, és um chato estás sempre a falar, não me deixas falar e no fundo, bem no fundo estás sempre a julgá-lo, a pintá-lo com uma ficção na qual tu escolhes as próprias cores, sempre tons negros carregados.
É verdade, isso que dizes, mas eu sei que sou um chato, que falo de mais, que te escuto de menos, não , não estou a julgar ninguém, estou só a pensar.