segunda-feira, novembro 03, 2003

Voltei, sem ter partido, estando este tempo todo no pc do lado a preparar um projecto que conclui na 6ª feira. Mais uma candidatura e sempre a mesma dúvida, valerá a pena? Vale sempre a pena quando a Alma não é pequena, respondo-me a mim mesmo. O problema é que havia um país onde as coisas não eram geralmente julgadas pelo seu mérito, mas mais pelas amizades e pelos interesses a que chamam de favores de Amizade, como se a Amizade pudesse ser interesseira, embora muitos assim se disfarcem. Comigo passam-se sempre coisas bizarras nos concursos, desde quase sempre, é um enorme rol que parece dizer-me pimpampum, vê lá se te chegas a um lado, se te pões debaixo de um certo chapéu, como que a tentar impor-me a impossibilidade de andar sozinho à chuva neste mundo. Era um país que habitava dentro de outro país onde se dizia à boca cheia e ao pontapé, que ele, o outro, sempre o outro, que é só o nosso igual, põe a fasquia do desejo e do pensamento demasiado alta. Como uma monumental feira das vaidades, um julgamento perpétuo das intenções alheias, um viver sem viver, pois quem assim se ocupa, não lhe resta tempo para viver a sua vida. Era um país do bota abaixo, tão baixo, que ficou mesmo sem bota, sem sapateiro e dinheiro para comprar uma nova. Era um país do nivelar por baixo, sempre por baixo, com medo das alturas e das recompensas celestiais, pai se subo muito alto até ao Sol o que acontece? Derrete-se a cera? não meu filho, depende da qualidade das abelhas, que é como quem diz das suas Obras.

Contudo fazer um projecto é como desenhar uma rota, inventar um caminho e depois é como sempre uma questão comigo mesmo, saber se o faço o melhor que sei, ou se vou por um atalho qualquer, ou se tento apagar ali um bocadinho onde não sei que devo apagar e coisas no género.

Estou contente!
Ah, como é bom sentir a inteligência do que se constrói. Como é bom fazer a Terra e o Ceú moverem-se a partir de um pequenino pontinho, as faíscas a saltar, os mecanismos a enredarem-se, como a visão se amplia, como ela sai de fora do tempo e do espaço.