domingo, novembro 09, 2003

Querida Neyza que me deixas recados do outro lado do Atlântico, aqui te saudo o regresso às artes de blogar nesse espaço que não é espaço pois é todo o espaço, está em todo o lado, é o próprio espaço. Clube das almas inquietas, a lembrar o dos poetas mortos, mas morta não estás tu, trús trús, vivinha da silva, bem sei que momentaneamente constipada, no encontro daqueles que querem algo mais do correr dos dias. Dizes-me que a minha contabilidade dos últimos posts è amarga embora por amor e talvez assim seja e avisas-me para não deixar que me roubem o humor, como se fosse possivel alguém roubar o humor a outro, somos nós próprios que às vezes o perdemos ou, é ele que nos perde?
Produtividade tem a ver com a capacidade de organizar o trabalho e isso pode-se aprender como tudo, especialmente se formos despertados para esta consciência.

Organizar é planear, e as ideias do planeamento são basicamente as mesmas, clareza na definição das intenções, dos porquês das coisas, dos objectivos, o que se quer alcançar, clareza na construção dos métodos de executar, como se faz e porque assim se faz e avaliação do impacto face aos resultados desejados.

Planeamento é Desejar, coisa boa, que os que para ele estão despertos e sabem do seu impacto nas coisas do Mundo.

Recordo-me há mais ou menos quinze anos atrás, quando comecei a trabalhar com outras pessoas, que falar de tarefas ou calendarização era como falar chinês. Grosso modo as pessoas não tinham ideia do que seria uma tarefa, quanto mais do que era o planear, para não falar num cronograma, pedras do caminho e por ai fora.

Nunca vi o trabalho como trabalho. Tudo isto se prende com a forma de ver aquilo que se faz ou não se faz. Sempre dei conta de mim a dizer ao outro que não trabalhava, utilizava mais a palavra criar e ficava a ver a leitura de pedantismo que o outro expressava, mesmo quando não o expressava, como quem diz, quem é este para se por de fora desta prisão que nos prende a todos, criar, como se ele criasse alguma coisa, como se fosse um demiurgo, esta era já também a minha dúvida.

Quase sempre soube o que me propunha fazer no plano da das coisas concretas, talvez por isso, nunca me pareceu o trabalho, uma prisão, um fardo que se tem de carregar. É uma questão de gostar do que se quer fazer e por isso desejar fazê-lo, mais uma Aventura, cheia de Surpresas pelo Caminho, Riquezas para Mim mesmo e para os Outros. E depois, não é bom andar entretido com aquilo de que se gosta?
Uma boa reunião portuguesa é aquela em que há tempo para relaxar, brincar, promover a troca dos afectos e das histórias pessoais, aquelas tão bem preparadas por todos, que de repente acabam sem dar mesmo a ideia de terem começado. Uma sensação de tempo bem aproveitado e quente de afectos, que mais se pode querer…