domingo, novembro 30, 2003

Acreditar uma coisa é como entende-la e william Blake a recordar que uma imagem passivel de ser acreditada, é sempre uma imagem da Verdade
como cascatas epifânicas
Desculpem amiguinhos, mas não há nenhuma competição em curso, nenhum prémio a conquistar, ou a partilhar, não há um Mim em detrimento alheio, ou vice-versa imaginado, não me peçam para participar num jogo de damas que eu visualizo em três jogadas. O jogo é só meu e por mais estranho que te possa parecer, ele é o mesmo que o teu, mas jogado comigo mesmo
Tudo tem seu nome, tudo fala o seu dizer. Chegas-te dizendo, eu sou o melhor, sou muito bom, já toquei para dois Coliseus cheios e o meu pensar a acrescentar, de quê, de cristãos prontos a morrer na boca do Leão? Não, respondias-me a Mim-Mesmo, ou melhor eras só o meu pensamento falado, confrontando-me com uma já conhecida máscara de mim. Foste ou És, eis a minha questão, da qual tu como interprete me encenas.
Linda a história do julgamento alheio, estou farto dos homens disparas-te, perdão minha querida senhora, que errei na resposta que ouviste, mas queres ouvir o que se lhe segue, é que ainda não acabei, mas quem és tu para te pores assim jangada, por ventura nunca te enganaste no julgar alheio? Queres ouvir, aquilo que a consciência do errar me eleva? E antes só posso pedir-te desculpa pelo falho apresentar, e tu, que também tinhas que pedir desculpas e eu a insistir, primeiro as minhas, porque é, foi, essa a ordem das coisas, depois as tuas. Que belo começo de diálogo, cada um como cada qual a pedir desculpa ao outro, mano a mano no humano, num menos belo humano, sem convite ao novo recomeço.
Já há muito que os pássaros daquela praça ao lado da praça com rio ao fundo, não me relembravam o acordar. É aqui que a minha cidade acorda, pela segunda vez. Como um bailado estelar de todas as estrelas, um trinado sonoro , eu a olhar. Gemem ou gritam ou disparam os sons da harmonia, que importa se só eu e eles lhes damos o sentido. E eu em baixo, pequenino do tamanho de Mim a ver todo aquele rodopiar como um Mar. Todas as Arvores são nesse instante , seu ninho comum. Depois do acordar, depois da função feita, as pombas descem no arrulhar de um qualquer silêncio, como pontos infinitos do mesmo diálogo, meus irmãos. Depois combinam o chegar do silêncio, a partida e o NovoVoltar. Oh como é bom por vós ser beijado, espantado ao vosso entendimento do silêncio em seu tempo. Porquê não pousaram em mim como quem me encontrava, não fizemos ainda a secreta aliança.
Não têm ainda a curvatura retesada e única de um mesmo Arco, ou sou eu que não a tem?.
São andorinhas apardaladas que comigo se cruzam ao meu andar, Eu vejo, e cego-me a ver
Quando não vejo


Ama-me de olhos bem abertos, por todos os poros da pele de teu corpo, onde eu te escreverei o Desejo e seu Irmão Amor. Ama-me através de todos os cheiros, Lambuza-me de chantily e põe por cima a mais preciosa cereja, a tua casa, a casa da mesma Alma, Teu Nome. Penetra-me como que me rasga sem fim, de mim, dissolve-me pelo teu toque pesado, presente e possante, arranca-me o coração para eu o continuar ver, a bater, como cavalo branco em louco galope na tua mão e assim saber, que continuo a viver, depois com minhas unhas arrancarei à tua pele parada, as penas de tuas Asas, no mundo o silêncio da grande harmonia.