segunda-feira, dezembro 01, 2003

Oh amiguinhos, não, que eu não sou um macaquinho e embora eles sejam meus irmãos também, isto não é nenhum jardim zoológico, nem eu um animal exótico de se olhar. Bem sei que vêem à cidade ver as vistas,tal e qual como eu, cheios de amendoins imaginados em vossos bolsinhos, como quem trás projecções de alimentar alheios, que mais não é do que fome própria, mas para alimentar algo, é necessário que outra fome alheia se Expresse, que eu macaquinho de mim, quando tenho fome, subo ao balcão, com quem sobe à Arvore e apanho os meus próprios amendoins, e amiguinhos há amendoins que cheguem para todos, de todas as formas e cores. Lembram-se do velho e grande gorila, nosso primo do Zoo de Lisboa, aquele que dentro das suas grades que nós lhe demos, enlouqueceu, fazia sempre um mesmo movimento circular, com um mesmo olhar, uma mania depressiva era o seu estar e seu olhar, era um pedido de ajuda como que intrigado, porque é que me meteram aqui, e eu a um dia a ver, jurei-me a mim mesmo nunca mais lá voltar, depois esqueci-me da jura e quando lá voltei fui de novo com ele falar, afinal ele continuava lá preso em seu pequeno aparente espaço e eu aqui com muito mais por onde andar, como macaquear.