domingo, dezembro 07, 2003

Há um Bairro da Minha Cidade
Que é o Meu sem o Ser
Onde o Arquitecto
Invisível
Seduzido pela Luz
Do Rio- Mar
Que Se Estendia
A Seus Pés
No Alto daquela Colina
Onde o Rio do Oriente
Desagua no Mar Ocidental

Nesse
Instante
De Primavera
Outrora
A Fogo e Água
Imprimiu
Esse Eterno Vento
Do Eterno Passar
Em Todo o Futuro
Que Havia de Vir
Visão de Lisboa em princípios de Dezembro de 2003

Ni no ni, ni no ni, ni no ni, abram alas que nós os acéfalos, estamos vendo o fogo purificador que tudo dissolve a rastilhar toda a minha cidade que é do tamanho do Mundo Todo. Deixam passar os carros de bombeiros de brincar que estão a fingir que os vão apagar, pois é de brincar que se trata, eles a sério no seu brincar, acéfalos como nós deleitam-se na chegada do Novo Tempo.

Os primeiros bonecos de palha neste fingir a arder, são os que têm cabeças e que pomposamente se chamam e são chamados de intelectuais, vêem-se ao longe porque se movem sempre de lentinho, não por possuírem a sensibilidade de não magoar as flores, como quando por exemplo se lhes espirra de perto ao por elas passar, mas pesados de referência e memorias alheias, mais outras alheias e ainda mais outras, tantas, que nem vêem o próprio pé, por isso caminham devagar, embora talvez seja mais correcto dizer, que não se movem, estão como parados mortos vivos no meio das suas vidas.

São pesados, ao que consta andam sempre cheios de livros alheios nos fundos dos bolos e a agravar seu peso levam os pequeninos que eles próprios escreveram, e este, eles próprios é toda uma outra a história a ser bem contada, mas que agora não vai aqui caber, e talvez seja desejada para outras núpcias. Dito isto e passando à frente, a ideia nuclear que aqui quero expressar é, quem têm muito peso não anda, não voa, não faz de vela que move o barco comum, etc e tal.

Mas contudo, o problema prático, no sentido em que nos afecta a todos os que aqui vivemos, é que esses meninos estiveram e estão instalados nas cadeiras comunicantes, que é outra forma de dizer, nalguns dos púlpitos de hoje e basicamente para reduzir caminho, que esta visão já se afigura de negritude neste ponto da sua narrativa, pois, quem não vive, comunica o quê? A morte, só pode, não é?

Mas é da Morte Séria, daquela que se Morre Mesmo, porque há alguns que Morrem Verdadeiramente, há para alguns, ainda, infelizmente, uma morte real, não aquela do doce morrer em vida, na própria vida, aquela que está casada com a própria vida e que por isso não existe, autonomamente dela, Quanto muito teria que lhe chamar vida e morte ou então pôr um travessão a ligar as duas que são uma mesma, Vida-Morte.

Contudo o pequeno grande pormenor, como lhe chamam os bichinhos, é que tal visão, não deixa como qualquer outra, de ter repercussões no chamado real quotidiano, por assim suavemente dizer, muito infecundas, e quando as coisas são infecundas, não fundem, não fazem nascer o novo, o almejado, estão a ver a correspondente imagem da sexualidade, coiso na coisa, ou coiso no coiso ou coisa na coisa, ou por debaixo das axilas, ou em cima de o dedo do pé, que segundo me consta e pelo que me é dado a perceber, acontece de infinitas maneiras, encaixe, pinote e Novo= pum, igual por exemplo a bebés cá fora no chamado real quotidiano que é o campo dos trabalhos humanos (esta parte e para ser interpretada a rir, se fazem favor).

Ni no ni , ni no, ni , deixem passar os soldadinhos da paz, alegres vão leves, a cantar e a rir, sempre a correr, o fogo na água a deitar, ni, non, ni, ni,no nó.

(continua no próximo episódio, espero eu de que)