terça-feira, dezembro 23, 2003

Querida, há uma lógica interna que não ó é, é simultaneamente externa, pois não há diferença entre os dois, essa lógica é passível de ser encontrada, quebrando os múltiplos pensamentos que nos fazem, quase a cada segundo, cada pulsar, bailar a nossa cabeça, assim parece-me ser necessário quebrar os caleidoscópios, para encontrar aquilo a que chamas lógica, e encontrar o pensamento parado, que se esconde por detrás da múltipla reflexão, imagem pura no meio dos três glaciares imóveis. Como se quebram os pensamentos, isolando-Os, pensando-Os, compreendendo-Os e integrando-Os para depois deles nos "livramo-mo-Nús" e encontrar o único que afinal é um mesmo


A imagem pura dos três casais, dos seis corpos
Enrolados em si, contra contra o mi de uma parede escura, que desenhava o corredor
Diálogos intermitentes

Procurando energia?
A energia não se procura
Simplesmente está
Em todo o lado
Por toda a parte
Existe em todas as formas
Feitios e cores
A energia não se preocupa
Que a gente a Busque
A energia Dá-se

Nas Horas
Em que se Sabe
Encontrá-la
Já reparaste quantos pensamentos se pensam dentro da cabeça a cada instante?

Já sentiste a enorme dificuldade em parar aquilo que parece um infinito carrossel, do qual muitas vezes suspeitamos que não haja um condutor, tal é a sua errância?

Já reparaste como o próprio corpo, os encadeia, quando sentados a olhar-mo-nos, o joelho cansado, ou o que for, nós surge no pensamento a reclamar sobre a dor da quietude em que o pusemos e dessa forma se torna ele próprio pensamento que interrompe o que na tela estava projectado?

Já reparaste quando sentado olho para dentro de mim, que o filme que projecto na minha tela é feito de múltiplos e consecutivos curtíssimos planos montados, que pela sua breve duração só restam como impressão quase subliminar?

Já reparaste com os aparentes sons externos, os movimentos, nos atraem os pensamentos, os fazem bailar nas sequências em que eles próprios se encadeiam

Já reparas-te que muitas dessas imagens, fragmentos, esparsos instantes, vieram de fora de ti, como quando caminhas entre odores, entre homens ou nas flores?