sexta-feira, abril 30, 2004

pequeno enigma não muito enigmático, espero eu de que….hihihi

porque se ria de si como um cavalo o narrador do circo?

Quem acertar leva um beijo virtual
Beijos virtuais, o que é isso?
Oh são beijos como os outros
Dependem da mesma vontade
Só que tocam
Os outros lábios
Sem tocar
Mas mesmo assim
Tocam mesmo

( campanha promocional de primavera ao blog, hihihih )
Houvera um reino outrora, onde residia um carpinteiro que gostava muito de madeira.
Desde muito pequenino que se tornou hábil e imaginativo esse carpinteiro. Tão o era, que coube a ele, inventar a plaina, sim ouvis-te bem, é a história do carpinteiro que inventou a plaina, a única, a verdadeira,

hiiiii, hiiiii, hiiiii como um cavalo arir de si mesmo, fazia o narrador do circo o começo do narrar a história, em sua tenda de animais amestrados

A plaina que ele inventou era aquilo que mais tarde se convencionou chamar por plaina sapato, tal era o seu tipo, embora nem saltos altos usasse nem conste que trincava as pérolas, mas contudo, sapato, tem a ver com o coração desta história (espero eu de que… que só agora, o escrevi, hihihi), mas virá sem dúvida mais tarde na acção.

Uma plaina sapato assemelha-se a um paralelepípedo rectangular e aquele que ele inventou, foi feito em madeira rija que ele com a paciência que um gato em seu lento bigode, a cofiar faz, alisou, contra uma pedra dura que tinha ali à sua mão em seu próprio quintal.

Duas lâminas de metal
Então lhe colocou
Uma lisa como sola
Outra Biselada
Como Cunha
Em
Ângulo
Dispôs

Assim Anelado
Com a Plaina
Em Sua Mão
A Madeira
Que Sua Mão
Outrora
Directamente
Afagara

Não Mais
Era Sua
Própria Mão

Interposto Por Ele
Em Seu Próprio Criar
Assim se deu
A distração

Aiii, fez o carpinteiro na mão, quando a primeira farpa molecular, eu explico-te, mas olha que é a brincar, é mesmo a brincar, por isso não te zangues, uma farpa molecular, dizia eu, é um conjunto de moléquinhas muito pequeninas todas juntinhas com muita vontade de estarem juntas, por isso assim estão, e parecem-nos sólidas ao ver e ao tacto, embora assim não o sejam.

Aiiii, fazia o carpinteiro e um pouco de sangue pingava da farpa cravada em sua carne, tal alto gritava que apareceu um seu amigo que lhe fez um curativo e lhe pôs uma ligadura e a quem ele convidou para jantar.

O carpinteiro, que não te tinha dito ainda, porque o domador dos leões não mo comunicara ainda, gostava particularmente de fazer bancos mesas e camas.

No dia da invenção, estava a fazer um banco para a mesa da sua cozinha, pois esperava um hóspede e só tinha um.

Assim, ferido e com menos força, lá teve que penar por acabar antes da chegada do convidado, o banco, que ficou por assim dizer um pouco tosco, com arestas mais ou menos cortantes e pior que isso, sabes, isto confidenciou-me o domador dos leões, ficou coxo, assim passará balouçante e desconfortável, o carpinteiro, seu jantar.

No dia seguinte para sua grande tristeza, pois ansiava fazer uma cama para sua amada, realizou, que tinha primeiro que refazer o banco, pois ele assim não prestava, não servia bem seu fim por natureza destinado.

Também esqueci de te dizer, mas digo-te agora, e esta quem me contou, foi um macaco a passar, que este reino era o das moléculas gasosas, assim eram elas leves, bastava uma breve brisa e lá se alegrava seu bailar, estás a vê-las, ali ao fundo, veem para cá, são como borboletas brancas e de todas as cores vivas de tua infância

Agora, imagina lá o estrago de um agrupamento de moléculas sólidas constituídas como uma farpa, que como tal eram e assim se apresentavam, assim aprendeu na carne o carpinteiro inventor, quão frágil sua própria carne o é e quão fácil é ficar em dor.

Dor, sai da minha mão, falava para ela de manhã depois do pequeno-almoço o carpinteiro com sua mão e pensando como seus pregos, ia pregando ferrugento a quem ao lado ia a passar, isto não mais, não, como resolver, que a plaina sapato mais parece a plaina navalha e eu, a minha mão, não quero cortar, mais, não. Por outro lado, as pernas do meu banco têm que ser bem torneadas, equilibradas em sua altura e lisas, para não farparem, minhas calças ou meu corpo ao sentar.

Mas gostava muito o carpinteiro de seu pensar, não que ele acreditasse piamente dito, que o pensamento fosse seu, mas assim abreviando a coisa, lá ia ele puxando pelo fio dos pensamentos, vendo que precisava de melhorar sua protecção da plaina sapato, que ela própria se tornasse redonda como as pernas do banco que ele desejava fazer, isto para já não falar da almejada cama com sua amada, onde não poderia haver nenhuma farpa e teria que ser muito forte e estável para aguentar o que desejava.

Ora dilema complexo, diria mesmo quase convexo, de difícil verso, a plaina sapato que inventara, destinava-se a cortar a mais forte madeira, teria que ser simultaneamente radiante de energia e penetrante em sistema alheio, sem que a energia que gerava se voltasse contra ele e de novo o magoasse, um assim dizer, encaixe do concavo com o convexo

Onde portanto por a protecção, no dentro ou no fora, filosofava já o carpinteiro realizando, que aquilo tinha muitos aparentes níveis possíveis, e dizendo-se é no dentro que me dói, é lá que a ponho e pensava de seguida se ponho a protecção em mim, tenho que afastar a plaina e a farpa não mais tão bem cortar, mas eu quero tirar da madeira a farpa, quero a madeira arredondar, forjar

Já o carpinteiro vagueava e derivava como as pequenas nuvens que nesse céu se encontravam, a farpa de fora ou a farpa de dentro, atiro uma farpa para fora, à farpa que me furou, ou, deito mesmo todas as farpas fora. E onde estão as farpas, uma tenho cravada na mão, e outra na concha de minha mão, tal flecha pronta a lançar para fora, espera ai, e se vai, macaco a passar e se o macaco foi o que me mordeu a mão, merece, não merece uma farpa de retorno

Aqui, vem o porteiro que me informa que o circo já acabou e que não está mais ninguém na sala, o final da história, queres saber, pois não sei, só conheço os rumores

Há quem diga que ele inventou uma luva, outros disseram que ouviram contar que ele teria desenvolvido com seu engenho uma nova plaina com que construiu um leito ao seu Amor, com mais e maior engenho, melhor vendo com os óculos que de seguida inventou e portanto sem mais se magoar, outros ainda ouviram por um cigano que vinha montado num burro que aquilo a uma dada altura ficou uma grande salada, parece que o carpinteiro terá inventado uma maneira de por as moléculas duras moles e as moles duras, que tudo aquilo se mexia como uma nuvem ao fundo e diziam mais, que quando alguém lá por baixo adormecia encostada a uma árvore, tinha sonhos doces, que persistiam ao acordar, outros ainda lá se deitavam e deleitavam na esperança de engravidar, dizem que então corria leite de mel nas arvores e na terra.

Ainda ontem um menino a passar trazia consigo em sua mão um bocado de madeira, dizia que ele desaparecera sem desaparecer, umas vezes aparecia como madeira, outras igual ao que fora e que nunca mais se houvera falar de farpas, que seu coração não endurecera como a sua madeira amada, pois a ela, mole se apresentara e que foi seu engenho, o tanto que fez, que lhe trouxe, a amada, e torneado, torneador, madeira amado, sapato casado, de adiante, se chamou.
A propósito do comentário que me deixou a marta ataca, a quem eu espero de coração que não ataque ninguém nem a ela mesma, e seguro me fico de que tal não aconteça, pois suas palavras são da sua essência feminina que ela mesma faz destilar pelo crivo do seu Coração

Eu nem sei se mudar é crescer
Pois pode ser também decrescer
Ou outra direcção qualquer
Mudar é seguramente mudar
E um deixar ser para de novo ser
Um novo antigo ser
È como mudar a casca e o sumo
Às vezes pensa-se que já se mudou
Mas depois descobre-se que ainda não se mudou
Outras vezes não se sabe da porta do quarto
E outras nem do quarto

No chaveiro de mim
Trago as chaves
Experimento
Uma a uma
Até a fechadura
Abrir

Umas vezes
Estou cansado
Outras não

Mas não me deixo
A tristeza sorrir

Da porrada da vida
Que também sou eu
Nada encontro
Em meu coração
Nenhum bater
Nenhum tal desejar
Só mesmo o afastar
Sem esquecer
A minha e a tua dor

Pois se a paz prefiro
Nela a chave
Vou achar

O que é certo
O que é errado

Escuta dentro de ti
hehehe, belos textos na Pedra e a Espada, sobretudo o mais acima, se lá forem rápido, hehehe