quarta-feira, junho 16, 2004

Que Fazer

O Que
Sempre
Fiz

Criar

Crio
De
Mim
Para
Te
Dar

Crio
Porque

Posso

Sei
Criar

Só Crio
Porque
Eu
Existo
E
Tu
Existes

Mas
Não
Sou

Eu
Que
Crio

Tudo
Cria
Tudo
Me
Cria


Minhas
Amarras
Velhas
Cortar

Aprontar
O Novo
Velejar

Saber
Como
Me Dar
Como
O Dar
Como
O Melhor
O Dar

À Luz
Do
Que
Sei
E
Não
Sei

Servir


Com
Todos
Com
Quem
Me
Encontrar


AMOR
AMOR
AMOR



O Homem na praia sentado, viveu já o fim da sua história no ponto onde hoje se encontra a Vida, a Vida que o Tem, a Sua Própria Vida, a sua Oportunidade de Realização.

Recorda no outro dia ter subido à Cidade que se deita no Mondego, Bela Coimbra que começou a conhecer num tempo em que ainda não existiam auto estradas e as estradas então passavam pelas próprias cidades. Princípio de uma Bela História de Amor que por diversas vezes lá o levava.

Local, onde Foi Vivido Outrora o Amor, Um Grande Amor com um Fim Trágico, na quintas das lágrimas, são chorados, onde outrora se Amaram, que ensombrou em seu ver, seu reino, que começou pelo Valor e por um Dote de Amor. Por isso sempre soubera que o Amor habitava seu país desde sempre, desde a sua Fundação, pois Foi Assim Fundado.

Recorda uma conversa que falava do uau da nossa vida, do anseio que todos temos por um uau na nossa vida e ficara a relembrar o que sobre estas matérias sabia, pois foram diversas, os uaus que lhe apareciam e que se os uaus que lhe apareciam, apareciam, a coisa não era só dele, era mais da Vida, que parecia nessas situações encenar uma resposta.

A Vida tinha tido muitos uaus e ele suspeitava que poderia ter muitos mais, mas qualquer coisa, de um certo uau capital, superior, que ela lhe transmitira mais no sentir do que nas palavras, lhe ficara a vibrar dentro de si quando voltava a sua cidade. Aquilo batia certo

Aquilo acordara-lhe memórias de sua diferenciação, ou, do seu disso sentir, mas se alguns já o tinham isso feito sentir, já o tinham feito sentir como diferente, de que o destino dele era diferenciado, aquilo na altura não lhe fizera muito sentido, pois não se conhecia, nesse tempo infante ainda a si e ao destino que lhe fora fadado

Fora na praia que lhe aparecera o seu final provisório, que por outro lado ele sabia ser definitivo, pois era por assim dizer, uma consciência daquilo que sempre soubera de si, daquilo que ele era, daquilo que o movia.

Expressava-se, expressara-se, por assim dizer, noutro nível da sua consciência. O homem dera a volta ao tempo e ao mundo e curiosamente a coisa começara a clarificar-se pelo seu fim. Coisa estranha, mas sabia ele que a Vida era muitas vezes assim que se lhe apresentava, muitas foram as vezes que as histórias, mesmo antes de serem histórias, já de alguma forma indicavam, evocavam, revelavam, seu fim

Fora Uma Jovem Mulher que lhe Trouxera a Chave, e ele por isso lhe estava reconhecido, alias, ela sem o saber, trouxera-lhe até mais de que uma, mas houve uma que remetia ao núcleo de si e da sua vida, já por diversas vezes lhe tinha saltado ao seu caminho, diversas vezes o caminho e os outros caminhantes, já o tinham confrontado com ela, e contudo a chave era na forma de uma pergunta, cuja resposta, ela e ele ficaram fieis depositários


Na areia desenhara-se na borda da rebentação e de seu pés, duas figuras, dois desenhos, lado a lado

Num desenho, sete anéis em círculo se dispunham

No outro desenho, sete anéis em círculo se dispunham

E a pergunta que trouxera a onda do mar que os desenhara, era, o que faz o Oitavo Anel, o Amor, O Poder do Amor, de Que forma se Põem com os Outros sete.

Num dos lados, o Oitavo se pôs ligando-se e ligando os Outro Sete, Assim se Unindo e Unindo os Anéis, sem os prender, sabendo que o que os liga, sempre os trás ligados, mesmo nos momentos em que disso parecem se esquecer.

No outro dos lados, o Oitavo se pôs de outra forma e veio o mar lambê-lo para mais não se ver.

Assim se passou com o homem em seu centro, no centro das imagens e com sua Bela Amiga Tágide Por Companhia.

Oh Bela Tágide, Eu Te Agradeço, Minha Porta Está Sempre Aberta Para Ti

Sabe o homem que esta história, como algumas outras se lhe apresentou com um fim, um fim que ele entendia provisório, pois o núcleo de seus escritos e as suas vivências, que lhe apareceram, não estava ainda concluídas, escritas, sentia dentro de si, até uma certa impaciência sua conhecida desde longa data, mas sabia, que mesmo quando assim sentia, só havia uma coisa a fazer, meter as mãos à obra, sendo a obra o que ia como tal aparecendo, pois sabia também outra coisa mais, essa impaciência, essa ânsia, só se resolvia assim.

O homem avaliava um sentido uno dentro daquilo, que lhe re confirmava o que sempre soubera, que por isso lhe validava a nova, antiga forma de andar, que sobre ela já tinha algumas ideias, mas precisava de um bocado mais de tempo, precisava de apurar aquela imensa sopa, com um certo açucarado.

E depois aquilo apresentara uma estrutura, da qual ele não queria fugir. Havia Retribuições e Honras a fazer, a diversos Mestres e outras coisas que tal.

E contudo estava como sempre preparado para a acção, pois a acção era basicamente a sua vida até então e continuaria a ser, só os planos de sua intervenção poderiam ser distintos, quanto distinto podia ser o plano de intervenção de um Homem.

O Homem basicamente sempre fora um Servidor. Uma das questões que trazia em si, ainda em Coimbra o confessara, era perceber de que melhor forma se podia por a jeito, para o fazer, qual a melhor forma de o fazer, pois o que hoje sabia de si mesmo, das suas qualidades, dos seus defeitos, das suas múltiplas competências, do seu saber, já lhe criara desde muito um impasse naquilo que se convenciona chamar de carreira, mas que ele gostava de designar por Criar.

O que trazia dentro de si era já muito maior, o que sabia, ultrapassava os domínios onde se expressara até então e aquilo criara-lhe um problema de aplicação, pois seu domínio, o espaço se estendera.

O Homem sabe de uma forma bastante aproximado quem é, sabe do que o move e o que o faz mover e como não é invisível, também outros o conhecem. E numa relação, como em tudo, é necessário que ela se estabeleça, mas o Homem até tem uma certa vergonha de isto assim dizer, pois parece-lhe que poderá ser interpretado como presunção, que ele não tem, nem trás em si e diz isto no seu único jeito humilde, olhando o chão, com os olhos no chão.

O Homem sabe que Pode Servir de formas que sejam mais actuantes no Mundo, no sentido de resolver os problemas de Todos, do Todo e acrescentava neste ponto, que não pode dizer em rigor que sabe, o que ele pode dizer em rigor e que sabe como saber, sabe como navegar, e quem está à sua volta, como ele próprio sabe de si mesmo, saberá avaliar as suas capacidades de navegação, pois essa demonstração não tem faltado.

O que o Homem poderá contribuir é para a criação de uma forma horizontal, que intervenha no real e resolva o que houver a resolver. E que nada disto, neste ponto especifico do seu dizer, se apresenta de carácter ou natureza metafísica, aquilo parece-lhe basicamente, coisas muito simples de fazer, é começar por um lado e ir até ao fim

É evidente que uma ideia desta natureza, corresponde a uma coisa que ainda não existe, mas que a existir, se moverá inevitavelmente no contexto político, aqui entendido em seu sentido mais lato, a gestão da casa, vista como coisa Una e Harmoniosamente Comunicante entre as partes.

E decorrente disso e da sua natureza, ela só terá sentido se acordado entre todas as partes e esta é a falha no seu plano, não depende só da sua Vontade.

E depois pensa o Homem, que não se pede a um Príncipe que peça, pois são os Reis que devem dar, mesmo que suas ambas naturezas, sejam na essência a mesma, Servir. É esse o Papel dos Pais e os Príncipes são geralmente filhos, não sendo contudo este seu caso.

Depois uma aventura desta natureza, necessita de todos dentro das naus, os Pais, os Filhos, Os Netos, os Avoengos e Igrejos de preferência também.

E contudo um príncipe só se torna príncipe quando é reconhecido por seus pares, pois uma missão desta natureza precisa de franquear todas as portas que se necessitar de abrir.

E depois é estranho, este príncipe, é assim uma espécie de anacoreta, mas foi o que se arranjou na lista, foi o que o menu trouxe, nada nesse campo, portanto, a fazer.

Talvez se assim acontecesse, lhe dessem de novo o forte que lhe deram no passado, na altura de umas determinadas invasões estrangeiras, pois recentemente soubera que seu último nome sobre o penúltimo se pusera, pois todos tratavam seu antepassado como o Fernandes do Forte, assim lhe nascera um Nome, num tempo Outrora. Quanto ao sangue sabia de cruzamentos vários, um dos quais com um certo Rei da Índia

Concluía o Homem depois de ler o que escrevera. Se os planos dos Homens tem por vezes falhas, tal felizmente não costuma acontecer com a Vida, e por tudo o que tinha reflectido, chegara a provisória impressão de que se calhar as coisas se apresentariam de uma outra maneira, pois maneira era também chamar de forma horizontal a uma forma que se definia também pelo reconhecimento de uma certa vertical.



Aquele Homem à noite ao luar, entre duas arvores, realizara no somatório da descida ao seu Interior, As Imagens da Alma do Mundo Que lhe Apareceram até esse momento da suas vida, As Imagens que se Tornaram Suas Imagens, e o Seu Ser, a Sua Vontade.

Depois descera de encontro à sua própria fonte, despira todos os seus fatos e deixara a agua correr, tirar-lhe todas as peles até ficar nu e assim reconhecer a sua original natureza, muitos anos lhe levara essa busca e agora, naquele momento ao luar, sob o marulhar, segredaram-lhe as ondas do gentil mar, tu És um Criador, Cria. Imagina o Querer, o Teu Querer e Cria, Constrói, Faz, Mostra o Fazer, Ensina a Fazer, Ajuda a Compor


Naquele diálogo mudo e nocturno respondia então o Homem à gentil onda do Mar
Sabes minha amiga onda que me sussurras as verdades eternas, o ir e o voltar, o tornar a ir e o tornar a voltar, isso sei-o desde muito cedo, que sou um criador, e que um criador cria, com o que tem, ou junta à mão, um criador cria com qualquer coisa, porque qualquer coisa para um criador é sempre um pedaço de uma mesma coisa, e por isso pode representá-la inteira.