terça-feira, setembro 14, 2004

Sempre
Escrevi
Cartas
De
Amor
Toda
Minha
Vida
Tem
Sido
Dar
É
Criando
E
Dando
Que
Sou
Feliz


Numa
Página
Da
Minha
Vida
Fundei
A
Latina
Europa
Assim
A
Crismei
A
Empresa
Com
Um
Amigo
Que
Depois
Perdi
Sem O
Perder

Salve
Amigo
Hoje
Distante
Perto
Em
Meu
Coração


Meus
Projectos
Não
Eram
Financeiros
Eram
Cartas
De
Amor
Embora
Jovem
Na
Altura
Assim
Também
O
Pensasse
Que
Amor
Poderia
Ser
Compatível
Com
Fortuna

Pois
No
Mundo
Em
Redor
Vi
Sempre
As
Duas
Coisas


Como
95%
Do
Nosso
Tecido
Empresarial
Esta
Empresa
Não
Passou
De
Pequena
Empresa

Criador
E
Dinheiro
Foi
Velha
Equação

Dinheiro
É

Símbolo
De
Produção
Então
Se
Produzo
Porque
Não
O
Posso
Ter

Não

Aqui
Contradição

O
Dinheiro
É
O
Que
Com
Ele
Se
Faz

Como
Tudo
Aliás


Sobre
O
Valor
Da
Minha
Própria
Produção
Sempre
Pensei
Que
Cultura
Deveria
Ser
Grátis

Velha
Trato
Com
Outro
Amigo

Que
Não

Que
As
Gentes

Dão
Valor
Ao
Que
É
Caro
Esta
Era
Sua
Opinião

E
Eu
Olha
Que
Não

Cultura
Devia
Ser
Investimento
Visto
Na
Óptica
Do
Aprender
Tornar
Acessível
A
Mais
O
Saber

Melhor
Crescer
E
Do
Melhor
Viver

Trigo
Limpo
Em
Televisão
Pública
A
Única
Para
Quem
A
Empresa
Criou
Pois
Dinheiro
Comum
Deve
Ser
Mais
Cuidado
Mais
Reprodutor

Assim
A
Empresa
Tinha
Preços
Baixos

Tão
Baixos
Que
O
Chamado
Mercado
Perante
Tal
Baixeza
De
Preços
Versus
Qualidade
Se
Assustou

Sendo
Que
A
Qualidade
Avalia-a
O
Alheio
E
Que
As
Trovas
Do
Sopro
De
Novo
Trás
De
Volta
Onde
Partiu

Quando
O
Sopro
Se
Faz

Por
Isso
O
Posso
Saber

Por
Isso
O
Sei

Assim
O
Recebo
Assim
Recebe
Quem

Pois
Quem
Ama

E
Recebe

Estava
Em
Jogo
A
Mais
Valia
E
Sua
Definição

E
Contudo
Mais
Valia
Vale
A
Todos
Deve
Valer
A
Todos
Pois
Sózinho
Não

Mais
Valia
Nem
Mercado
Haveria
Não

O
Que
Não
É
A
Situação





Decisões

Pressupostos

Há um ano que não tiro salário da empresa e em contrapartida vou entregá-lo ao Estado em suaves prestações mensais através do plano Mateus. Tomei na altura esta medida conjuntamente com outras de redução de custos, na esperança de assim manter a empresa até que melhores dias aparecessem.

Foi também o fim das reservas financeiras investidas na criação de um novo projecto de inovação, que se constitui uma nova janela para o mundo, como o provam os visitantes de países oriundos de mais de 14 países, da música portuguesa em banda larga.

Tem sido dura a crise no meu sector, houve muitas empresas que não resistiram, existem muitos jovens com formação técnica nestas áreas, que se encontram sem fonte de rendimento e o trabalho não tem abundado. Salvo uma Honrosa excepção, e porque as pessoas e as empresas não tinham dinheiro, os prazos de pagamento dilatam-se e quando o dinheiro chega, já se foi.

Durante o seu primeiro ano foram disponibilizadas ouvidas e vistas cerca de 40 bandas e intérpretes portugueses.


Porque está a empresa no plano Mateus?

Pelos Mistérios da Vida, e a necessidade de criação de um quadro de recuperação da situação da dívida tributária acumulado por muitas das pequenas e médias empresas e individuais, que o plano era, como resposta ao contra ciclo que na altura se viveu.

Mas a Latina Europa, não foi só pela razão da circunstância económica, aí parar.
Para isso contribuíram alguns factores mais. Minha não vontade e consequente ignorância nos assuntos contabilísticos, minha confiança mal depositada em mãos alheias e diferentemente ignorantes, e mais do que pelas razões apresentadas, andar Entretido em fazer os programas e séries, com muitos, muitos mais, mulheres e homens, a quem a todos, hoje aqui também, publicamente, mais uma vez agradeço.


Em princípio da década de 90 foi feita uma auditoria externa à empresa que deu conta da existência de verbas não justificadas. No seguimento disso foram dadas instruções a quem tinha responsabilidade executiva nestas matérias, pessoas e entidades, para a correcção e assim foi acordado. Em 1998, quando de novo eu próprio averiguei, não só não tinham sido corrigidas como tinham aumentado muito consideravelmente.

Enviei cerca de 70 cartas com a informação do que não se encontrava justificado, com extractos pedindo verificação e que caso concordasse com o dos próprios, então retornassem os justificativos à empresa. Funcionou com cerca de 15%.

Também podia ter ido resolver este assunto em tribunal, mas no caso dos tribunais com a empresa da qual eu sou sócio gerente, em meu ver, as coisas acontecem de duas formas. Os processos contra a empresa resolvem-se em máximo dois anos. A única queixa que a empresa tem, mantém-se em aberto há 10 anos e portanto seria necessário, fazê-lo de novo.

Equipamento propriedade da empresa e removido dela, e uma sociedade participada, que deixou de existir, da qual foi levado o equipamento que estava a ser ainda pago e que eu na qualidade de fiador, tive como era obrigação, de pagar, minha triste sina no dinheiro e nas coisas materiais, mais uma vez.

Nova auditoria, mudança de contabilidade, pareceres técnicos que me aconselharam o que foi feito, que a única solução seria eu assumir, como sócio gerente essa dívida, o que fiz.

Curiosamente ou não nesse ano a empresa e eu próprio fomos auditados pelas finanças, por denúncia anónima, mas ainda bem, foi forma de saber que as contas estão certas.

Por toda esta experiência pesadamente adquirida, é que tenho pensado e comunicado um conjunto de ideias que permitam que estas situações sejam mais difíceis de tornar a acontecer para quem vem à frente. Aqui fica referência a que creio ser mais significativa e que poderá contribuir para melhorar as coisas.

Eu por mim, tinha gostado ao longo deste tempo todo de que a gestão contabilística fosse por exemplo feita pelas próprias finanças, se elas o pudessem fazer, assim, quem é mais empreendedor que empresário, só se preocuparia com o que tem de se preocupar e talvez as receitas fiscais dessa forma aumentassem. Teria sido para mim a Paz, neste trajecto, ao contrário do que senti e do alto preço que paguei nestes domínios para criar o que criei.

Honro minha Mãe e meu Pai, pela educação que me deram e que me leva a ser responsável de meus actos e das suas consequências, a assumir a responsabilidade dos meus erros, e sei que mais pesado assim anda meu coração, pois pesa-me mais dever a todos, que a um. Se o tivesse, já o tinha pago.

E assim todos os meses sem falha me dirijo à repartição das finanças para entregar a prestação. Sempre que houve folga financeira, ela foi entregue como amortizações maiores.


A Vida faz o Homem e o Homem faz a Vida e cada um tem seu sentido. Agradeço à
Vida me ter assim Ensinado o rigor necessário que é preciso ter nestas matérias do dinheiro com os outros homens e só posso agradecer o Ensino do Rigor nestas matérias e o Homem que me tornei. Olhando para trás, para meus desejos e sonhos materiais, que ridículo, só poeira, só poeiras da ilusão da juventude.


Nos últimos dois anos desenvolvi em parceria com outra empresa, um projecto para banda larga que traduzia uma antiga ideia sobre a evolução tecnológica neste domínio.

Canal Zero, o primeiro conceito de televisão on-line com música nacional, na senda de um compromisso que sempre assumi, da sua divulgação, bem como perante outras disciplinas ou áreas, da nossa criação, Portuguesa e de Portugal.

Mais uma vez, fiz com o dinheiro que tinha ganho, o que sempre fiz, gastá-lo em equipamentos, investir em projectos e o mesmo fez a outra empresa.

Não tenho casa própria nem ando a comprar uma, como muitos outros criadores da minha geração, alguns, porque outros, bastantes mais numerosos em meu ver, não, mas tenho um projecto que tem uma natureza empresarial.

Um investimento num novo projecto e na inovação, num país, onde a pequena empresa se vê em dificuldades para viver, num mundo que também não vive desafogado, quanto mais, para fazer investigação.

E a não consequente criação de produtos tecnológicos inovadores, capazes de criar mais valias por comercialização ao nível mundial, pois como sabemos pouco se pensa aqui ainda nesse sentido e consequente pouco ainda se faz.

Num país, onde projectos de inovação, são olhados como objectos estranhos, de serem enquadrados no real, num mundo, onde fazem falta muitos que andem para a frente de forma, que o que, se deseja do futuro, se torne presente, um mundo melhor, uma melhor humanidade.

Aqui ainda não compensa, nem se torna viável, a antecipação, em termos produtivos mas é aqui, que neste momento estou. E compensar em termos estritos financeiros é no mínimo, tornar viável a actividade produtiva.

Como um Amiga me disse outrora, o Paulo é dos que paga para trabalhar, eu estremunhado perante tal dizer, o que queria dizer, pedi-lhe então para me explicar e aquilo começava a fazer sentido.

Num país onde também muito de bom se fez nestes domínios, nomeadamente no campo da formação, onde se deu, nesta última década, um pulo visível. Há uma nova geração mais preparada, cheia de energia, com muitos conhecimentos num mundo que torna a informação cada vez mais acessível, embora se saiba que acesso à informação não se traduz necessariamente em saber, nem o mesmo se passa sobre critério de maior quantidade. Geração rasca, chamou-lhes, outrora um par.

E o que vemos muitas vezes, a esbater seu brilho pela forma como temos a casa organizada, como se em vez de os tornarmos maiores, os tornássemos mais pequenos.

Era preciso ser um bocado mais corajoso que hoje para arriscar ser empresário, ainda bem, quer dizer que as coisas estão melhores e o dinheiro está mais barato, num pais onde todos perderam poder de compra na troca da moeda, pois diz o povo, que esta moeda é mais fraca, dá para menos.

E depois, fruto da ignorância e do obscurantismo, muitos aqui se dividem em dicotomias primárias de empregado versus patrão, em vez de versos, com em vez de versus, assim se viabiliza a queixa e o eterno queixar, existe outrem em quem podemos descarregar, alguém que personificará o mau da fita.

Foram muitos os jovens da minha geração com espírito de andar, de inovar, de criar, que formaram projectos empresariais, porque este é o modelo dominante que enquadra a produção cultural no país. Segundo recente sondagem a maior parte deles prevê encerrar suas empresas dentro de três anos e fico a pensar que isto traduz um decréscimo significativo de receitas fiscais, no cenário de despezismos, ineficácia em muitas das vezes e elevada evasão.

Esses jovens, hoje homens de meia-idade, não se retirarão do modelo produtivo, pois necessitam de ganhar dinheiro para viver, assim encontrarão outras formas de produzir, sem as estruturas que vinham de trás, num tempo em que pensávamos suas escalas, seu ser, sua comunicação, como viáveis.

Resumidamente vão diminuir em muito os empresários, os que empreendem, sendo ou não sendo criadores, mas num país em que 95% do tecido empresarial português é constituído, essencialmente por pequenas e médias empresas, geralmente os que empreendem, são geralmente ou estão implicados na criação e produção dos seus próprios produtos. Como consequência haverá menos emprego, pois se reduzirá o número de empregadores.

A tendência será aumentar, a realidade já existente, para a concentração da produção em grandes empresas e grupos, e um conjunto de prestadores de serviços em título individual, ou micro empresas altamente especializadas, pela diferenciação das suas ideias.

A imensa maioria, a não especializada, ficará integrada em grandes empresas, se o cenário for de estabilidade económica e no desemprego quando ele, não o é.

Se assim as coisas se apresentarem, será necessário alterar profundamente os conceitos e as praticas da solidariedade social, num modelo de segurança social com sérias questões de viabilidade financeira já, e pela frente, e num pais com a pirâmide vida invertida, a necessitar de novos povoamentos e recuperações do interior, que por consequência da concentração no litoral, contribui em muito para desertificação de grande parte do país.

Muitas outras considerações se seguiriam nestes domínios mas não cabem agora aqui.

Assim, parece que a ideia, que eu tinha da possibilidade de juntar criação, produção, dinheiro, e empresa, não funcionou lá muito bem, e recordo-me que no tempo em que apareceram, os leasings tinham juros na ordem dos 24/ 27% ano.

E Assim sendo, aqui escrevo a minha decisão de encerrar o projecto Latina Europa.

Sei, por experiência própria que para começar algo de novo é necessário, primeiro cortar com o velho, não me decido enquanto balancear entre o conhecido e o que não se pode ainda conhecer por não ter saído do conhecido.

Sei
Que
Vou
Continuar
A
Escrever-Vos
Cartas
De
Amor
Pois
Essa
É
Razão
Da
Minha
Vida

Não sei o que farei, nem importa, se calhar farei milimétricamente o mesmo, de uma outra maneira

Pois sei, que já fiz muitas coisas na vida, já tirei bicas, servi em restaurantes, já cuidei de crianças, já fui jardineiro, já fiz vindimas, já foi estudante e sempre serei, já fui mecânico, já trabalhei na construção, já dei aulas, já escrevi muita coisa, já pensei quando sei pensar, já fui funcionário por três vezes, doces e amargas lições, e assim dito e sendo do que já me aconteceu, não me preocupa o que mais serei, no plano da actividade produtiva, ou em qualquer outro, pois a Vida Tem Sido Também Gentil Para comigo.

Duas promessas ficam, uma relacionada com o Canal Zero, que obteve 1 ovo dos quatro que necessitava para se desenvolver, já por barra curta, mas que permitirá manter e um pouco desenvolver a janela que é enquanto durar e talvez nesse entretanto, as coisas se alterem. A ver vou se assim é possivel.

Salvaguardar à memória da criação artística em diversas áreas que esta casa produtora sempre acompanhou ao longo dos anos e que são 13 000 horas de imagem.
Como saberão já houve tempos em que me apeteceu queimá-la no terreiro do paço, mas a responsabilidade da memória, sempre falou e fala mais alto, e ainda bem que assim foi. Como vou ainda ver.

Em termos práticos, talvez tivesse sido melhor a fogueira, pois aqui parece às vezes nas vezes, que só dando um murro na mesa, nos levam a sério, coisa improvável e impossível para quem É Gentil Por Natureza, por muito bruto que vos pareça.

É que me subiu a memória do Senhor Subtil, entrincheirado numa casa de banho da RTP, ou aquele outro Senhor que se pôs em cima de um guindaste enquanto não lhe fizessem justiça.

Abro as Alas que eu quero passar, A Vida Me Chama, A Ela Me Entrego.

Oh, meu primeiro carro, eu o refiz, e recebi de uma Senhora um capot de 4L com um belíssimo e expressivo dragão verde, que deitava fogo da boca, dizendo, il ne faut pas avaler toute q´on dit.

O meu ultimo carro, um mercedes, grande navio de solidez para grandes viagens físicas, que eu não venho fazendo, mas gastador de gasolina a um nível que minha consciência não me permite mais com ele andar. Está à venda, eu ando com um fiat 500 a cair, mas que ainda anda, é pequenino como eu, gasta muito pouco, tem catalizador e estaciona-se facilmente.

Para ser franco, gostava mesmo nem de precisar de ter dinheiro nenhum e depois a Vida, decidiu-me mostrar de perto como é pouco, no plano material das coisas, o que hoje necessito.

E O que For de Ser Há-de Ser
Eu Me Entrego à Vida como Sempre
Eu Me Entrego Ao Amor Como Sempre

Eu Vos Amo mais do que Vós pensais, e esta é a maior tragédia da Vida, já António Botto, muito bem o explicava em suas cartas que lhe foram devolvidas.

Também sei hoje mais algumas coisas, por isso devo ter aumentado minha ignorância, pois se, como dizia o Poeta, viajar é Perder Países, e quanto mais sei, menos sei, mais sou.

E se tiver que andar rápido haverá outros carros, outras estradas da minha imaginação, ou da criação da Vida.

Não há culpa, não há acusação, a ninguém, a nada, só perdão e cicatrizes que eu quero manter fechadas, há plena aceitação de uma nova etapa no Caminho.


Honro O Mestre Que Deu.