segunda-feira, novembro 29, 2004


Tinha acabado de consultar o seu horóscopo e lá dera conta da preciosa informação. Não se preocupe, que a situação material está preta, mas vem ajuda em seu caminho.

Telefonara-lhe o jovem e marcara encontro com ele, jovem bem apresentado, com boa educação e um negócio de representação, explicara que por iniciativa própria, se tinha dirigido a quem de direito dentro dessa organização e que o Senhor de um outro país, por o ter bem apreciado, lhe dera aquela oportunidade de trabalhar. Reconhecera-se no outro homem, até na análise do jovem que se apresentava diante de si., pois sempre apreciara e apoiara os que eram jovens e empreendedores, sempre se sentira naturalmente atraído para isso, pois esses são os que transportam as mais elevadas chamas, aquelas que chamam o carinho e o amor.

E sabendo que a chama estava em todos, todas a transportavam e transportam, uns trazem-na mais acesa que outros, mas que todos a podem acender.

Sabendo ele em seu intimo, desde sempre, que todos são artistas, porque a Vida é o Artista que a faz, são, os artistas que nela participam. Todos tem em si a Arte, Todas a Vivem, Todos A Expressam e depois uns são mais reconhecidos que outros, uns podem viver de acordo com esse estatuto e outros ainda, a maior parte, dos que expressa a arte, não.

Olhara o catálogo dos produtos e começara por lhe dizer que havia produtos que ele não gostava e outros que sim. Explicou-lhe de seguida, que em seu ver, havia produtos que ele não queria e portanto não poderia vir a ajudar a vender, e que deviam ser, então, separados.

Depois inventou ali na frente do jovem, diversos caminhos, passíveis formas de concretizar o negócio, a venda da mercadoria, e por assim foram andando, até ao dia que pelos seus contactos, seriam os produtos apresentados a um eventual comprador.

Na véspera teve uma intensa intuição de que algo não estava bem, liga-lhe a confirmar, a saber dele sem sucesso, e quando se dirige para se encontrar com o jovem para depois seguirem os dois para a reunião, é informado por uma colaboradora do jovem, que ele estava no hospital pois tinha tido um problema de saúde, que ela ainda não sabia, os contornos.

Sentiu dentro de si uma inquietação que lhe dizia para ir ter com o rapaz, pois não sabia se ele precisa de auxilio e assim deixando os documentos na portaria lá se dirigiu ao hospital.

Enquanto vai no carro, desfila-se a si mesmo na consciência profunda das questões que estão envolvidas naquele momento da sua vida, da sua relação com o mundo, da sua acção, e dos valores que estão associados às questões das materialidades dos corpos, a comida, a roupa, os negócios, os dinheiros.

Chega ao hospital, procura-o, e afinal a informação era errada, ele não se encontrava lá.

Seu ser era a enorme compaixão que seu corpo luminoso naquele momento gerava, uma compaixão de compreensão, da profunda dor de todos, que se encontrava ali a seu lado, naquela urgência, nas pessoas que chegavam nas macas, da criança que chorava e que ele com o toque e a voz, acalmou.

Parado defronte ao hospital, ia rezando dentro de si ao Pai, para que curasse aquelas gentes e todas as gentes doentes no mundo, que havia muita dor no mundo e pressentia naquele momento, dentro de si, que as razões que ali o tinham levado eram as mesmas e uma outra, diferente daquela que à primeira vista, ele poderia ter pensado.

Como sempre que se anda na vida, começa-se num ponto, com uma certa intenção e depois, vão-se encontrando outros pontos pelo caminho, onde estão as pessoas e os aconteceres, e a riqueza deste, deriva da nossa capacidade de abertura, aceitação, compreensão e integração do que se apresenta, do que vivemos e do como o vivemos.

Subira de repente ao céu. Decidira dentro de si mesmo que as coisas não se podiam passar assim no mundo como se vinham a apresentar. A ascensão dentro de si operara-se mais uma vez pela sua acção, e fora-lhe claro que o Amor era a sua opção, que o Amor, a vontade de curar era superior a qualquer materialidade, qualquer negócio, qualquer dinheiro.

Perguntara muito, quem para além dos homens apresentava e fazia viver aos homens a divisão, as guerras, as maldades à solta no mundo, perguntara dentro de si, inquirindo quem era aquela força, que se manifestava naquele plano e disposto a terminar a sua acção. Como seu Mestre, caído, se disse e lhe disse, isto para mim é a sério, se perecer meu corpo, que pereça, pois a isto estou eu disposto, se eu poder com o meu desaparecimento resolver estas questões, não hesitarei em fazê-lo, olha dentro de mim, e vê como te falo verdade, se meu corpo se tiver que ir nesta batalha, que se vá, assim me entrego Mestre, pois esse é meu sentido nesta vida e estou a sério, promessa é par cumprir.

Depois voltara de novo à terra, e todas as sensações que vinha a sentir nos últimos dias com os seus semelhantes, que com ele interagiam de formas não usuais e estranhas, voltaram pouco a pouco à normalidade.

Chorara muito nesses dias, bálsamo dos céus que lhe desfazia todos os nós do coração e demorou seu próprio tempo a perceber que se encontrava vivo em corpo aqui. Chorava muito nesses dias por si e por todos os outros, por ver o estado do mundo, por ver todas as violências e maldades que naquela altura se expressavam em níveis como nunca antes se dera conta de existir. Chorava em si também o céu, chorava o céu, lágrimas vermelhas de sangue que pingavam de cima para a terra.


Já há tempo que as questões do rendimento bailavam dentro de si. Quer fechar a sua empresa, mas encontra-se difícil de o fazer, pois parece que o dinheiro não abunda e que não é altura de grandes investimentos.

Por outro lado tem gasto o seu dinheiro, como sempre o fez, na prossecução dos seus projectos e está cansado das regras e das posturas que o tentam a si e a muitos outros diminuir em vida.

Acabara de receber por e mail uma ideia nova para ele, que fizesse uma greve de fome.

Pedindo uma indemnização simbólica por cada ano afectado, e mais algum, para poder comprar um T2, esses eram os termos da ideia, associado a um outro mais político, que reclamava do poder às estruturas básicas da governação no país.

Pesa a ideia em sua consciência, e depois de pesada, contada e medida esta lhe diz, não, não vou pedir uma indemnização, não vou apresentar uma reclamação, tudo isto assim aconteceu e se assim foi, foi para aprender, que assim é injusto para muitos, assim o aprendeste no teu próprio corpo e agora, vê lá, o que queres fazer, vê lá se queres, mudar estes estados das coisas mal feitas em estados de coisas bem feitas, o que se tornara para ele, a segunda e decorrente questão.

Há uns meses atrás, quando andava em sua cidade e ao ser confrontado com uma das muitas situações de miséria humana, decidira a sua consciência, começar a analisar em detalhe a sua relação com o seu próprio rendimento e sua redistribuição em relação aos outros, um bocado em síncrono com os tempos, pois muitos falavam da necessidade de existirem maiores receitas que permitissem resolver problemas como a fome e a miséria.

Esta era para ele, uma questão complexa, primeiro, porque achava que não eram recolhidas todas as receitas devidas e depois, porque não estava seguro, que a forma de se as usar, não fosse em muitas vezes incorrecta, ou mal administrada.

E assim vendo, nem mesmo podia saber em rigor se não existia dinheiro para as coisas que ele e muitos outros achavam de prioridade tratar.

Ainda recentemente, lera uma sugestão da criação de mais um imposto sobre bens culturais para resolver o problema da fome que atravessa o país.

Naquela altura, naquela vivência específica que ocorrera, começou a germinar dentro de si, uma nova postura face a essa questão e que se traduzia, naquilo que ele decidira começar a fazer, relativamente a si mesmo.

Pensou, se o mundo é maior do que eu, se eu só, só sou um, e ao meu lado estão muitos mais que um, então pelos menos será justo, perguntava-se a si mesmo, dar mais ao mundo e aos outros do que a mim mesmo e definiu como metro que mediria daí em diante, o que recebia e o que dava, como 50 mais um para os outros, o todo, e o restante para si. Parecia-lhe a melhor equação a onde tinha chegado, pois tinha obrigações como todos, e precisava de algum rendimento para viver e criar seu filho.

E depois fizera as contas decorrentes, somara o irc ao que daria por administração directa da sua vontade e de repente realizara, que o remanescente era muito curto, para viver. Mas só o saberia, se o experimentasse, pois pensar e fazer contas é uma coisa, e viver é toda uma outra e embora as primeiras se encontrem na segunda.

A situação em que se encontrava face a este novo paradigma que elegera para si mesmo, face a estas matérias, estava por assim dizer em banho-maria, pois está sem rendimentos há muito tempo e tem pouco mais de uma centena de euros na carteira. Não tinha ainda dado os passos necessários, para poder ter de novo rendimentos.

Também sabia certo e seguro em seu coração, que o dinheiro para si mesmo, para a sua vida, nunca seria a primeira e a mais importante das coisas. Também sabia que para ele o mais importante era Ajudar.

Diziam dele que ele tem o toque de Midas, não no sentido original da história, mas num sentido que lhe era atribuído a ele, por via da sua imaginação, o ser capaz, de com pouco fazer muito, o que o levara por vezes a contrapor a brincar, a quem isto lhe dizia, que era mais da natureza do milagre da multiplicação dos pães. O dinheiro custava a ganhar, era sempre pouco e portanto convinha fazer rendê-lo o mais possível, sem sacrificar as intenções e as formas do que se fazia, mas era um facto que se pensasse também e simultaneamente este aspecto com os outros, as coisas tendiam para uma economia.

Também pensava que se tivesse muito dinheiro, saberia onde o aplicar.

Já não fazia ao homem, que tinha sido também um produtor a definição de um lucro, num mundo onde na maior parte das vezes, nem critério de definição de lucro existia, pois cada um, safava-se como podia, o que nas mais das vezes, se traduzia na ânsia e concretização do maior lucro possível, geralmente com suas capacidades de prestidigitação e as amizades de negócios.

E contudo o lucro, a margem do ganho, nunca lhe parecera uma coisa transcendente de ser calculada.

Relembrava o que sabia sobre isto.

Custos de produção. Custo de pessoal, custos dos equipamentos produtivos, custos produtivos e depois a percentagem de mais valia em correlação com a necessidade e limites feitos pelo próprio mercado, nas vezes em que o mercado, verdadeiramente ditava estas regras, o que na sua terra nem sempre era o caso.

E já aqui a coisa também se complicava, pois quase sempre trabalhara para o assim escrever, domínio público, e aí, cada vez mais, à medida que ia crescendo, lhe parecia sem nexo, não existirem ideias e acordos claros nestas matérias, que fossem acessíveis a todos os que fazem negócios com a coisa pública, pois aqui, trata-se do dinheiro de todos e não só do que empreende.

Não lhe passava pela cabeça, limitar a quem quer que fosse, ganhar o que quisesse e o que fosse capaz, tão-somente das regras e práticas que achava necessárias a partir da forma e o jeito com que gastamos o dinheiro, enquanto colectivo e a situação estava preta, bastava-lhe olhar a forma como viviam os mais idosos no seu país.

E o país estava necessitado de muitas receitas.

No sítio onde o homem estava, a água já tinha sido cortada e ele antevia que mais tarde ou mais cedo lhe viessem a cortar a electricidade e consequentemente sabia, que a sua vida ia mudar em breve de forma radical.

Depois conseguira falar ao telefone com o jovem e soube que ele se encontrava bem. Escreveu-lhe as suas considerações, desejando-lhe saúde e sucesso nos seus negócios e até agora, não omais o viu em corpo.



Decidiu fazer uma experiência, na actividade de escrita que então fazia, colocar o seu nib on line e ver se haveria pessoas que se interessassem em mantê-la e a si que a escrevia.


E o autor deste conto, decidiu fazer o mesmo, a ver.

Nib: 003300000001146598693 BCP


Ficou a pensar que se a coisa funcionasse, até podia ser que desse para resolver alguns problemas do Mundo. Talvez criar a UPA, União dos Portugueses em Acção, a tal União do Bem querer e do Bem Fazer, que diversas vezes falava, o Império do Espírito Santo, o único Império que conta, que sempre contou, o Impérito do Espirito, o Quinto.

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