quinta-feira, junho 30, 2005

Imagem do Solstício e de um sobressalto de ânimo


O éter
Transportou
A
Meu
Ouvir
Um
Sobressalto
De
Ânimo

Uma
Voz
Ecoou
Belas
Palavras
Voaram
Asas
Feitas
Pássaros

Belas
Porque
Verdadeiras

Belas
Porque
Certeiras

Em
Seu
Incompleto
Certo

Se
Certo
É
Palavra
Que
Se
Faz
Que
Se
Torna
Que
Age

Era
O
Tom
Do
Sopro
Do
Ânimo
Sobressalto

Um
Certo
Sobressalto
Crescente
Visível
Nos
Últimos
Tempos
Entre
Suas
Gentes

Como
Lua
Redonda
Cheia
Prenhe
Do
Sonho
De
Uma
Vida
Melhor
Mais
Feliz
Mais
Irmã
Entre
Homens

Disse
Da
Ausência
Dos
Riscos
Traços
De
Actos
Que
Desenham
As
Necessárias
Figuras

Relembrando
Que
Os livros
Estão
Todos
Escritos
Lidos
Conhecidos

Que

Falta
Acção
E
Agir

O ânimo
Voou
O ânimo
Se elevou
Na voz
Daquele
Homem

Era
Voz
Pai
Que
Exorta
Pares
E
Filhos
Ao
Correcto
Ser
E
Agir

Meu
Ouvir
Ansiou
Meu
Olhar
Ver
Em
Seu
Rosto
Aquele
Preciso
Precioso
Tom

Tom
Veemente
De
Quem
Tem
O
Coração
Acertado
Aquele
Que
Faz
Acertar
As
Palavras

Coração
Luminoso
Que
Guia
Coração
Branco
Que trás
Em Si
Todas
As Cores
Equilibradas
Em seu
Belo
Rigor

Aquele
Homem
De Alma Grande
Espírito
Que a Ela
Se liga
Fios Prateados
Que Levam
Á Fonte

Se

Conhecemos
O
Mar
Inteiro

Se
As
Cartas
Estão
Desenhadas

Porque
Não
Partem
Então
Dos
Cais
As
Naves

Risco
São
Dias
Das
Gentes
Sem
Medos
Dos
Riscos
E
Seus
Rabiscos

Se
Se
Sabe
Como

Porque
Se
Não
O
Faz

Falta Vontade
Falta Ousar
Falta Animar
Falta Amar

Pequeninos
Pela preguiça
Nos tornamos

Pequeninos
Pelo pouco
Contento
Nos tornamos

Pequeninos
Pelo desamor
Nos tornamos

Pequeninos
Pela monotonia
Nos tornamos

Pequeninos
Pela tristeza
Nos tornamos

Pequeninos
Pela apatia
Nos tornamos

Pequeninos
Pela
Incerteza
Nos tornamos

Pequeninos
Pela mentira
Nos tornamos

Pequeninos
Pela hipocrisia
Nos tornamos

Pequeninos
Pela dor
Nos tornamos

Pequeninos
E sem valor
Nos tornamos
Pequeninos

Nós
Os
Grandes
Infinitos
Em
Corpos
Agora
Finitos
No
Mesmo
Corpo
Eterno

Oh
Homem
Amado
Amante
Abraço
Abraça
Forte
A
Verdade
Do
Coração


Pais
Filhos
Hajam

Bem
Hajam

Ou mal

A
Cada
Um
O
Escolher
E
A
Consequência
Da
Escolha

Do
Escolhido
A
Cada
Passo

Um
De
Cada
Vez

Pois

Assim
Andamos


Não há mais Homens assim?

Porque é que Homens que simbolizam o que simbolizam, endossados e suportados por muitos em amor e que tem estes sobressaltos de ânimo, não são suficientes para mudar a realidade em sentido mais certo?
…..


Falou o Presidente em seu puro sobressalto de ânimo dos carros que se vendem com prestações escondidas de ofertas que o não são, de quão mais fácil é viver do pequeno crédito, do que criar e implementar capital de risco, do que apoiar decididamente de forma a fazer uma inversão e produzir um resultado, uma verdadeira mudança, as empresas, os projectos e que em seu entender era dessa forma, o caminho necessário.


Falou o Presidente da necessidade de acordar de uma vez por todas as prioridades essenciais e de sobre elas aplicar os novos fundos estruturais.

Talvez como em parte disse, educação desde seu início, o pré-escolar

Talvez tirar a fome a quem a tem
Talvez saúde
Talvez justiça
Talvez riqueza


Talvez ante de o começar a gastar, rever tudo que tem a ver com a atribuição dos ditos, dos critérios, dos destinatários que se elegem, da avaliação, do controlo e da fiscalização, levar a estas matérias as básicas justiças.

Falou o Senhor Presidente do Meu País, e voltaram imagens recentes de outros automóveis.

Vrummmm, vrummmm, ronronava baixinho invisível, relógio suíço o motor, 500 cavalos vapor, potente curvilíneo prateado, estonteante coupé parado desencapotado, no sinal fechado de uma arquitectura, lugar novo-rico de pedaço de cidade.

A Senhora com filho de dois anos à ilharga, dirigiu seus passos ao condutor de cabeça ao sol, vento e ar, mão direita estendida, o narrador a observar, a ouvir, o que não podia deixar de ouvir.

Já o homem em voz alta para atravessar a distância, tom de voz autoritário que pretendia fazer a Senhora arrepiar caminho, breve hesitação no estender abrir da mão direita, as palavras a dizerem com o olhar, o que é que essa criança está fazer aqui para em crescendo, que não devia.

Eram certas as palavras, não o tom, mas onde poderia aquela mãe deixar a criança, era a pergunta que ecoara no narrador, também sabendo que muitas vezes os filhos são usados como instrumentos de mais fácil compaixão.

O homem do carro espada não deu moeda, deu sermão.

Cresciam nos semáforos o número de pessoas a pedir, muitas delas estrangeiras a reforçar o tom que pairava nessa cidade de um certo racismo latente, fruto de acontecimentos recentes e de sua interpretação pelas gentes.

Num outro carro parado no semáforo, o filho em seu banco inquiriu o pai.
Pai, tu tens pouco dinheiro, porque dás?

Porque ainda tenho algum como vês, podemos comer, ter um tecto, deslocar-nos e também como vês existem outros bem piores que eu e tu e enquanto puder ajudar, ajudo.

…..

O homem estranhara que ninguém durante a campanha eleitoral tivesse apresentado um plano que acabasse com a fome de que padeciam de acordo com um estudo que pouco antes fora apresentado, 200 mil almas lusas. Os dias passavam, os meses também, e ele ainda não sabia da existência de um plano nem da sua execução e cada vez, andava mais desgosto em si, no seu país, por não ver o feito.

Dava-lhe vergonha em sua cara desmotivada, esperança que se esfarrapava no fiar dos dias e dos passos. Perguntava-se muitas vezes como podiam viver 20% das suas Gentes com menos de dois euros por dia. Este dado implicava a existência de um outro rosto do país que quase ninguém via, quase ninguém conhecia, que não aparecia nas televisões.

O país onde o homem vivia, estava a morrer, tinha a pirâmide de vida invertido. Eram mais os que desapareciam que os que nasciam. Sempre lhe parecera que uma componente da estratégia de sobrevivência passaria por uma captação inteligente de Gentes que viessem de outros lados, com outras competências que fizessem mais falta ou que se tornassem complementares, que renovassem o sangue, que eventualmente o ampliassem.

O país onde o homem vivera já fora um país de grande imigração. Gentes do campo, habitantes da raia, partiam de Portugal, abandonavam seus lugares de nascença, seus familiares por razões de necessidade, de sobrevivência, de um sonho de uma vida melhor. Sempre foram muito apreciados nos limites de quem aprecia uma mão-de-obra manual, analfabeta, como íntegros, confiáveis e que levavam o trabalho a sério.

Comiam na mais das vezes batatas com batatas e enviavam dinheiro para os parentes na terra, para a banca, e no final das suas vidas construíam a casa do sonho na sua aldeia.
Casas com azulejos de todas as impensáveis cores e motivos, e outros curiosos pormenores arquitectónicos.

Terras inteiras eram habitadas por gentes muito crescidas e muito jovens. A geração do meio, a força na flor da idade, aquele que constrói a mudança no presente, era a que se ia embora. Assim as terras ficavam paradas no tempo, pois lhe faltavam os braços firmes e fortes que fazem as velas mexer.

Quando um homem proporciona uma melhor qualidade de vida, uma nova possibilidade, mesmo quando é um el dorado à proporção e medida do tacho das batatas, o homem ajudado se bem formado em seu coração o que faz? Agradece, e sua forma de agradecer é fazer o trabalho bem feito, assim mostra seu respeito e seu agradecimento. Motivação e comportamento básico dos homens, não?

E homem bem formado se ajudado e se menos analfabeto, ou mais ganancioso, pede mais e por vezes trabalha melhor, outras nem por isso.

O homem fizera recentemente mudanças. Uma equipe de países do leste da Europa. Homens novos, com físico para a tarefa e um cuidado no fazer e na forma de fazer, misto de gentileza e cuidado no trato dos objectos na forma de utilizar a força física, revelavam um certo grau de educação, Perguntara a um, qual era a sua formação, engenheiro mecânico, depois perguntou-lhe se gostava de Portugal, respondeu que não.

Recordava-se de ver noutro dia uma Senhora na televisão, que parecia nas palavras que dizia, uma caçadora de cabeças, estavam as palavras na parte da forma da vida e do viver, das qualidades, das regalias e das ofertas, quando a legenda a identificou como ministra dos negócios estrangeiros do Canada.

Estupefacto em seu pensar, ao ver como eram diferentes as condições e como uma figura com aquele valor simbólico actuava daquela maneira, que revelava quão sério se entendia a questão, pois não era só o seu país que estava a morrer, nem a questão se esgotava hoje nessa fronteira, pois trás dentro de si, a tão necessária criação de riqueza e da reunião dos homens com saber para tal.

O homem perguntava em seu interior se outros homens concordariam que a integração não tem sido a melhor, pois é grande o fosso do real, em educação, seu acesso e resultado, em rendimento, em segregação, em exploração e abusos vários, de vários poderes ao longo dos tempos, sobre aqueles que se constituem minorias.

Dizia o Embaixador no jornal, que o que se passara no dia de Portugal, era a ponta de um iceberg profundo e segundo o homem entendera, podia-se dizer que existia uma geração que não pensava que roubar, era mal feito.

Uma geração tem todas as cores, não se limita a algumas, a vida não se encontra compartimentada, todos os que vivem por assim dizer numa mesma geração trazem um olhar com o mesmo território do espaço-tempo onde habitam e uma mesma fronteira, aquela que se passa nos dias, e o vaso infinito da consciência até onde cada um por si e pelas circunstâncias da vida vai.

Para uma geração emergente, parece que os valores se inverteram, que a regra deixou de ser regra e regra que deixa ser regra, não é mais régua, é régua que se encontra mal medida, pois seu resultado, foi o deixar de ser regra e valores não se incutem em doses instantâneas como os pudim flans. Foi regra que parou no tempo, não se soube adaptar ou foram os tempos, os agires, que furaram e furam a regra, situação de dois pesos e duas medidas, para ser mais preciso, diversos pesos e diversas medidas.

Este é um mundo que predominantemente ainda não dá condições para que cada ser venha a ser o que é, com condições ambientais que favoreçam esse desabrochar, esse crescer. E quando não se sabe quem se é, ou se sabe de forma incipiente ou confusa, mais dependentes estamos das imagens que no dia a dia vivemos. E que imagens são essas?

Imagem fracturada, como rachada, entre o que se de diz dever fazer e o que é feito.

Um elástico que se torna tenso na diferença entre seus extremos, os que tem muito e os muitos que tem muito pouco, muitas vezes visto por muitos a ser construído na prática do furar das regras, ou de qualquer tipo de benesses, ou dos direitos adquiridos seja em nome da revolução ou em nome da carestia de vida e do viver. E o futuro? Falou-se recentemente em mais 200 mil desempregados no próximo ano e as coisas parecem que tendem a complicar-se, roubando um pouco mais de esperança.

Diz a constituição Portuguesa que todos os cidadãos são iguais e ao contrário do que se costuma ouvir dizer quando se diz, mas parece que alguns são mais iguais do que outros, talvez seja melhor dizer, que parece que há alguns que se tornam mais diferentes face à regra e que parece que existe uma falência real nos dias de velar para que todos sejam efectivamente iguais nas suas diferenças individuais, para que a vida se viva assim, desta maneira, pois parece certo poder extrapolar que quem faz da contra regra, a regra, é porque não acredita que pode sobreviver na regra, tom de certo nível de desespero, também.

Valores vivem-se e é nesse confronto entre as nossas intenções, os actos e as suas consequências, no acordado no espaço interpessoal, que eles se constroem.

Vivem-se é um verbo de implicações profundas pois de certa maneira é o que existe que condiciona o que vem e o que chega é o fruto do que se semeou, imagem da profunda relação entre o que chamamos passado e o que chamamos futuro, pois um e o outro sempre mutuamente se espelham e a tanto o semear, como o cuidar e fazer crescer, como o colher é processo continuo até ao fim que não é fim do cesto, aquele que se diz, que até ao lavar dos cestos é vindima, talvez até ao infinito e mais além, dizem hoje os novos super heróis dos meninos e das meninas, que hoje o são, mais crescidos, amanhã.


Pensava e pensava o homem, porque razão não se resolvera ainda o problema da fome dos que tinham fome. Que medo o impediria. Que a solução colidisse com o sistema de mercado e produtivo? Porque não se inventara uma logística que resolvesse o problema, que desse de comer a quem dele necessita e não tem possibilidades da sua angariação. Pessoas crescidas, que vivem isoladas, sozinhas, imagina ele assim o rosto de muitos com fome e aquilo punha-o ainda mais triste, pois sempre achara da forma que a vida do homem era, os mais crescidos precisavam sempre de mais cuidados à medida em que cresciam.

Que hoje duzentos mil e para o ano quatrocentos mil, e depois o mercado e a produção, na balança do todo, País?

Nenhum homem, sabia o homem em seu coração poderia querer, que um outro passasse fome. Nenhum homem, sabia o homem em seu coração pode ser indiferente à fome e à miséria de um outro, pois nesse ser, nesse ver, nesse almejar, os homens eram profundamente iguais, como eram iguais nos medos que os possuíam e que os travavam por vezes, na melhor acção, no fazer mais bem feito.

Descendo nas camadas do medo, como nos mostra a cebola em seu ser, de como as coisas estão dentro umas das outras. De como quem vive do sistema produtivo, vive cada vez pior em piores condições, que o sistema produtivo não colmata o que é necessário e que sendo estes, dois lados de uma mesma equação, parece inevitável concluir no observar, que a fractura tenderá a se agravar, a se estender, com as consequentes faltas de equilíbrio, por outro modo de escrever, em desequilíbrios mais instáveis

Poderemos então concluir que, se o que definimos por mercado e produção, não se adaptar o mais rapidamente possível a esta realidade, o que implica não ignorá-la, nem dela ter medo, confiante que se encontrará um caminho de harmonia, que preserve o de que bom tem, mas o adapte aos sinais do mundo de hoje tal como ele está, pelo contrário, se fracturarão ainda mais, as coisas.

Educar para quê?

Educar para que cada um se torne o que é, acreditando que a riqueza de cada um, quando se realiza na sua natureza, é o melhor garante de um mundo melhor e mais solidário e não confundir individualização com sinónimo de individualismo, do não considerar a existência dos outros, pois é sempre o contrário que acontece quando um homem se individualiza.

Educar na percepção que educar é mais acompanhar que conduzir, pois o desejo e a vontade de aprender funda-se em quem a tem, e nem tanto na condução de quem conduz.

Educar para a liberdade de ser, do ser, do ser completo, do ser realizado que se realiza, responsável, livre, liberto e libertador, do ser que é, porque sabe o que ser, é.

Educar com uma consciência holística, de como o corpo humano se torna maior no mundo de hoje, com e pela consciência de que tudo é co-dependente e em permanente interacção, pois somos o ar que respiramos, a terra que nos acolhe e nutre, a agua que bebemos, o fogo que nos alumia.

Educar pelo Amor, Amor em Amor para Amar.

Aprender, aprendendo, como cunhou João dos Santos e integrando, porque aprender é também discriminar e integrar, separar e unir, conhecer, compreender, saber.

Às vezes o que não se conhece, assusta. Assim acontece com o que está ao longe, com o que está separado, isolado, marginalizado, vivendo em guetos. Não nos libertaremos da factura do que vem de trás, mas podemos cuidar melhor do agora para a frente.

Talvez com uma vivência de educação de abertura e tolerância, convívio diário e verdadeira integração a começar no pré-escolar, um pouco ao jeito daquela que se fez quando se juntaram os meninos e as meninas no liceu. E uma rede de transportes, pois os sítios de viver são muito separados, distantes e distintos.

Poderá e deverá o estado, promover activamente e implementar uma solução desta natureza, que tenha impacto na próxima geração ao nível da igualdade e de integração, porque hoje se acha necessário assim começar a caminhar?


As pessoas e o mundo salvam-se pelo conhecimento e conhecer é saber como uma coisa é, e se apresenta, implica intenção de descobrir a sua natureza e para isso, não se a confunde. O que o exemplo proferido pelo Presidente Jorge Sampaio sobre automóveis revela e denuncia é que a, mentira parece ser por vezes a regra, e conhecer é sempre uma aproximação à verdade, mesmo sabendo que ela continuamente muda e se transforma e que por vezes se apresenta de forma fugidia como o nadar de uma enguia e que se actuar de acordo com a mentira e o engano deliberado, não se obtêm o bom resultado. ~

A verdade tem sempre um lado de coisa prática, da forma de agir, da forma como actuamos no dia a dia a cada momento em cada situação, se a procuramos porque a temos como estandarte ou se aceitamos meias verdades, meias ocultas, sobras variadas de diversos sabores, tão tentadores nas suas aparências, daquilo que não são.

E se o exemplo é real e verdadeiro, não será pelo menos um caso de direito do consumidor e eventualmente também na alçada das leis que regulam a concorrência?

Recordo na televisão noutro dia como de forma igual dois representantes dos dois partidos que vão governando Portugal, responderam ao que Saldanha Sanches tinha declarado sobre a corrupção de uma forma genérica, expondo seus mecanismos em alguns dos seus territórios de existência. Que ele não o deveria ter dito, que se assim era, tinha que o provar, e parece que um dos lados da equação será esse mesmo, a dificuldade de investigar, de esclarecer, de aclarear, de provar, de assacar as responsabilidades, pois corrupção assenta na mentira, pratica a ocultação, é coisa dissimulada, corrompe explorando as inseguranças básicas dos homens, acendendo-lhes às vis vontades e desejos, tende ao secretismo.

Parece ao atender das coisas, que os homens já não podem expor o seu pensar sem serem coagidos a não fazê-lo e quando isto assim se manifesta, ao nível individual da consciência do homem, da liberdade de pensar da forma que achar, de o exprimir, de o comunicar, parece-me que o Estado de Direito está por um fio.

E tudo isto se passa numa Europa sem fronteiras de todos os cidadãos, num momento em que se percebeu que as ideias e os modelos propostos pelo sistema político e as formas de governar que as Gentes elegem, não são por elas aceites, porque neles não se reconhecem. Uma Europa que não se entende, que não se conhece entre si, que não consegue acordar princípios e objectivos que os cidadãos aceitem, que vão de encontro as suas vontades, quais, então se perguntará. As de cada um no respeito das outras, de mãos dadas em ajuda e ajudar ou de costas voltadas? Que princípios nos unem para aquém e além das diferenças, que princípios nos podem fazer unir, porquê é que queremos nos unir, para quê nos unimos?

Um acordo para Portugal, a construção de uma ideia, uma navegação, uma forma de navegar, implica um acordo entre todos, a participação de todos em sentidos tornados e feitos comuns, não é coisa que se faça só por uma maioria num período de 4 anos.

E no caso de por artes que desconheço, este texto for parar ao olhar do Presidente, uma pergunta lhe deixaria. Como em seu entender corporizar este ânimo, como lhe dar corpo nos dias?

o homem estava seguro que os banqueiros do seu país não são facínoras, nem assassinos nem os contratam para mandar matar alguém. Mas a história popular que corre nas trovas do vento que por vezes sopra no país, conta que cada vez que um ministro intenta medidas que são consideradas como prejudiciais aos grandes detentores dos poderes económicos, eles, o convidam para um almoço e dizem-lhe que não o pode fazer e oferecem-lhe um emprego pós ministro ou outra regalia material qualquer.

Não podia o homem também acreditar, que os homens que servem o bem público, quaisquer que sejam, assim se comportem, pois são homens com a necessária inteligência de perceberem, que a vida não é isso, nem homem inteligente, que acredita em si e na sua força, no seu saber e no seu agir, assim aceita.



…..



Quando dois seres se amam em amor, o amor como que vai lançando convites e desafios, pois o amor almeja sempre melhor amar. O amor muda, o amor transforma, o amor cria e os seres com ele e nele vão pelos dias. O amor entre dois seres é de certa forma olhado, como uma escada, e o amor desafia e prova os seres que se amam a subi-la na perfeição que aperfeiçoa, o amor. Muitos chegam a um mesmo degrau ou quase, e saltam para outra escada, de novo a subir. Alguns até parecem que não passarão do mesmo, o de sempre, degrau. Depois ouve-se que o amor acaba, quando o que acaba são as relações entre os seres e geralmente começam outras, umas, mesmo antes das primeiras acabarem.

O amor e quem ama tudo pode compreender e perdoar, mas não pode mudar a direcção do coração de quem decide partir juntando-se a um outro, este é o limite de quem ama.

De igual modo compreender e perdoar é diferente de aceitar, pois pode-se compreender e perdoar, mas não poder aceitar o convívio com certos agires. Assim continua nas vezes o amor à distância, e amor à distância é sempre o mesmo amor, pois o amor não tem distância, habita dentro de nós, de quem ama.

Quando uma família se quebra, são diversos os corações que se quebram, o próprio coração que a família é, o coração do homem e da mulher que se amam e o coração dos filhos quando os há. Corações de filhos são corações simultaneamente muito fortes e muito frágeis e criança tem muitas vezes dificuldade de perceber o que se está a passar, pela consciência ainda limitada que tem, da complexidade da relação de amor entre um homem e uma mulher.

Quando uma família se quebra há muito a perceber, a entende a compor a curar com o consequente trabalho que é necessário para isso fazer. Em meu entender, nem mãe, nem pai, nem filho, foram feitos para viverem separados, o que não obsta a que assim, infelizmente, por vezes aconteça.

Não peço à vida que me alivie o fardo, mais que me fortaleça os músculos das costas.

Os corações são instrumentos muito sensíveis, às vezes as rachas podem quase quebrá-los, por isso devemos ser sempre leais ao nosso coração e tratar os outros com clareza. Mas nem sempre em todas as circunstâncias, assim acontece. Quando uma relação acaba é como morrer, pois é de fim que se fala, como da morte se fala em fim. Quem continua a amar tem então que sangrar o seu coração, compreender toda a dor e de novo colar o coração de forma a continuar a amar. Demora o seu tempo, doí, mas é dor que pode ser útil, pois se aprende também com os tombos, e sabendo que é melhor aprender com saltos limpos e sem queda, nas vezes que a arte de quem se ama, assim o faz, assim o cria, assim cria o amor, pelo amor assim é criado.

Sem verdade és perdedor



Bela Senhora
Da lua cheia
Senhora de mim
Trás o Amor
Até mim

Bela
Senhora
Da
Lua
Cheia
De
Amor

Ao
Amor
Por
Ti
A
Ti
Me
Entrego

Te
Peço
Teu
Regaço
Te
Dou
O
Meu


Na tapada duas aves selvagens anunciam o fim do renascimento da primavera e o verão quente dos amores quentes de verão, em seus volteios e piares de acasalamento, revelando seu voo pelos bicos, desenhando apertadas e bruscas curvas rente às copas das árvores. Sempre, fugazes e rápidos, entretidos em suas vidas, em si mesmos.

No meu rádio roda a bela voz doce da bela Adriana Partipim Calcanhoto.

Pim

Fico Assim Com Você


Avião com asa, fogueira com brasa Sou eu assim com você


Sarava