terça-feira, outubro 11, 2005

Ao Senhor Kofi Annam

Querido Senhor

Aqui deixo meus votos que sua estadia entre nós seja suave e delicada à sua própria imagem que sempre me devolveu o reflexo de um homem de bem, que age em acerto do seu coração em verdade e cuja acção tem sido em meu ver e olhar de louvar.

Aqui deixo meus votos de que a doçura de seu olhar e voz levante de novo a confiança e a alegria no mundo à imagem da jam session que na casa de todos me lembro de ver, que Portugal lhe estenda o tapete inteiro da paixão das rosas do belo florir, que sejam atapetados os passos daqueles que aqui falarem, fizerem e selarem a paz.

Pois dela anda muito necessitado o mundo, pois sem ela, não se pode compor e prosseguir o caminho já desenhado e em parte iniciado.

O momento da vida do mundo em que hoje vivemos é muito luminoso e muito negro, o abismo sob os passos do homem grande e a ponte estreita, é momento de aunar com a única coisa que auna, o Amor, Portugal dele é Vassalo.

Ao seu dispor no que poder ajudar, bem Haja, quem bem Age.

com meu cumprimentar em amor


.....


o texto que se segue estende-se por diversos posts, pois foi-me impossivel postá-lo inteiro.
é a primeira parte de um texto maior, que aborda alguns problemas e os males que em meu ver daí resultam, no espaço interpessoal, na forma como vivemos o amor restrito nas nosas relações de amor, das familias, das crianças. outra parte será uma carta a Portugal. As publicarei a estas ou a outras à medida em que as concluir, se entretanto não se modificarem em suas escritas.

no entretanto da escrita, creio que surgira uma carta aberta aos Poetas.


.....
Make War history




Mãe
Rainha
Rainha
Mãe

Mãe
De
Tudo
E
Todos

De
Teu
Vaso
Vimos

Dele
Nascemos
Por
Amor
De
Ti

Mãe
Que
És
O
Coração

Que
Me
O
Dás

Ainda
Em
Teu
Útero
Na
Tua
Terra
Por
Ti
Caminhei








Cego
À
Luz
Externa

Luminosa
Luminoso
Em
Teu
Ventre
Tudo
Por
Ti
Sabia


Sabia
Eu
Que
Era
Vós

Sabia
Eu
Que
Não

O
Era

Sabia
Do
Amor
Que
Me
Cuidava

Em
Tua
Agua
Santa
Me
Trazias
Teus
Passos

Meu
Primeiro
Doce
Embalo


E
O
Amor
Cuidava
Como
Sempre
Cuida

O
Fio
Era
Fadado

Eu
Sem
O
Ver


Em
Suave

Alva
E
Cinza
Mesclada
Em
Preta
Linha
Mantida
O
Burro
Tecido


Montada
De
Cavaleiro
Do
Gentil
Amante
Ser

Rosa
Rubro
Em
Seu
Peito
A
Bater

Ritmo
E
Balanço
De
Si
Brilho
Da
Estrela
Do
Amor
E
Sua
Vontade


Olhos
De
Burro
Dois
Quadrados
De
Preta
Cor
Ser


Lábios
De
Burro
Vermelho
Crescente
Sorriso
Seu
Para
Cimo
Virado






Cor
Da
Rosa
Que
O
Entreteceu

No
Rubro
Em
Que
O
Teceu

Rosa
Das
Rosa
Que
O
Enterneceu

Nobre
Senhora
Coração
De
Mãe
Que
O
Fez
Teceu
Fadou
E
Deu

Dedos
Que
Sagraram
O
Amor
Antes
De
Seu
Aqui
Ser




Menino
E
Burro
Nasceram
Num
Dia
De
Primavera
De
Outrora

Gémeos
Irmãos
Da
Vida
Pela
Vida
Se
Tornaram

Coração
Rosa
Rubro

Flor
Agua
Leite

Vaso
Teu

Amor


Mãe
Rainha
Rainha
Mãe

Eu
Te
Saúdo
E
Respeito



Senhora
Que
Crias
Que
Sustentas
Que
Amparas

Teu
Olhar
Compaixão
Teu
Olhar
Perdão

Teu
Ser
Eu
Sou

O
Amor
Amado
Amante

Mãe
Rainha
Rainha
Mãe
Revela
Ilumina
E
Alumia
O
Coração
De
Todos
Teus
Filhos

Mãe
Rainha
Rainha
Mãe

Salva
Que
És
Salva
E
Salvas

Salva
Que
Eu
Te
Salvo
Pois
Tu
O
És


O
Crescente
Prumo
Da
Face
Do
Burro
Para
O
Cimo
Virado
É
Sorriso
A
Sorrir

Outro
É
O
Crescente
Da
Linha
Da
Dor

Para
Baixo
Desenhado
Para
A
Dor
É
Voltado


Nossa
Senhora
Da
Ajuda
1864
António
Manuel
Fonseca
Seu
Pintor
Segunda
Imagem
Do
Segundo


Ajuda
Ajudai
Senhora
Que
São
Ais

É
Sangue
O
Que
Se

O
Que
Se
Escuta
O
Mando
Do
Coração
De
Muitos

Razões
Nas
Aparências
Distintas

Todas
Sempre
Ao
Lado
E
Contra
Teu
Amor


É
Mentira
E
Mentir

É
Hipocrisia
Mascara
Mascarilha
Dança
Macabra
Do
Horror
Do
Terror
Do
Terror
Do
Horror
Rima
Provada
Do
Circulo
Fechado

Múltiplas
Mascaras
Múltiplas
Partilhas
De
Um
Mesmo
Negro
Na
Vida
Luz

É
Mal
Na
Intenção
Agir

Teu
Amor
É
Leal
Teu
Amor
É
Verdade
Teu
Amor
Comigo
Caminha


Teu
Amor
De
Mãe
De
Esposa
De
Filha
É
Amor
Que
Cuida
Como
O
Amor


É

Teu
Amor
De
Mãe

É
Teu
Amor
De
Esposa

É
Teu
Amor
De
Filha

É
Amor
Em
Suas
Pétalas


É
Amor
Da
Vida
Não
Da
Morte
À
Mão
Dos
Teus
Filhos
Que
Assim
Te
Ofendem

Mãe
Mãe
Santa
Reconhecida
Mãe
Mãe
Da
Vida
Mãe
Vida
Que
Dás
Vida

Tu
A
Levas
No
Corpo
De
Novo
Em



Porque
O
Consentes
Assim
A
Teus
Filhos


Espírito
E
Alma
Eterna
Sob
O
Céu
Sob
A
Terra

Um
No
Outro
O
Outro
No
Um

Um
Mesmo
Múltiplo
E
Infinito
Em
Seu
Eterno
Belo

Mãe
Santa
Faz
Verter
Sobre
Todos
Teus
Filhos
Teu
Doce
Vaso
De
Amor

Mãe
Santa
Faz
Correr
Teu
Doce
Mel
Suave
Cuidado
Suave
Curar
Suave
Alma
Almarejar
Almeja
O
Que
Te
Respira

Que
Te
Inspire
A
Ternura

O
Ternurar
Ser

E
Acontecer

Mãe
Santa
Recorda
Todos
Os
Seres
O
Amor

A
Paz
Do
Amor

O
Amor
Que
É
Paz

O
Amor
Que
Faz
Paz

O
Amor
Que
Se
Faz
Paz


Mãe
Esposa
E
Filha
Recorda
Te
Porque
Estás
Esquecida
De
Ti


Mãe
Esposa
E
Filha
O
Que
Te
Dói

Dividida
Estás
Ou
Estamos

Oh
Senhora
Meus
Braços
Meus
Abraços
Meu
Regaço
Meu
Cuidar



Para
Ti
Senhora
Baloiço
E
Baloiçar

Aconchego
Aconchegante
Belo
Dançar

Alegria
Desejo
Quente
Ronronar

Verdade
Verdadinha

Deus
Da
Vida
Vivida

Deus
Do
Amor
Leal
Do
Coração
E
Mente

Deus
Do
Riso
E
Do
Sério
Transparentes

Deus
Das
Dádivas
Do
Dar

Deus
Das
Dádivas
De
Amor


Deus
Das
Dádivas
Do
Ajudar


Deus
Das
Dádivas
Da
Confiança

Homem
Mulher
Dínamo
Do
Amor

Vão
Pisando
O
Chão
Como
Levitando
São
Leves
Como
A
Brisa
Luminosos
Como
Raios
De
Sol
Espalham
A
Alegria
Riem
A
Felicidade



Seus
Pés
Seus
Olhos
Atentos
Estão
À
Vida

À
Morte
Matada
À
Miséria
À
Dor
À
Ignorância

E
Cuidam
O
Jardim
Sem
Nunca
Perder
O
Riso
E
O
Belo

Sem
Nunca
Toldar
O
Olhar
Do
Coração
Que
Bate
Em
Seu
Peito

Pois
Assim
Fazem
A
Vida
E
O
Viver


Oh
Rosa
A
Florir
Vida
Em
Verdade
Verdadinha
Verdadeira

Tudo
Nu
E
Tapado

Nada
Nu
Nem
Vestido


Pétala
A
Abrir
Mel
Que
Jorra
A
Jorrar

No
Céu
Nossa
Senhora
Em
Cimo
De
Um
Crescente
Para
Baixo
Desenha
Sua
Curva
O
Redondo
Do
Mundo
Redondo

Uno
Mundo


Por
Cima
Do
Redondo
Mundo


Lâmina
Que
Esmaga
E
Corta
A
Serpente
Em
Cima
Do
Mundo
Rodeada
De
Faces
Dos
Anjos
No
Céu


O
Cristo
O
Mestre

É
Uno
E
Múltiplo

Desce
Sob
Quem
A
Ele
Sobe

Escada
Para
Todos
Aberta

Chamo-O
Cristo
Mas
Trago
Em
Mim
Sua
Face
Mais
Antiga
No
Tempo
Em
Que
Os
Homens
A
Que
Ele
Subiam
Por
Outros
Nomes
Dum
Mesmo
Nome
O
Chamavam


Conheço-O
O
Mestre
Por
Muitos
Nomes
Alegria
E
Sofrer

No
Tempo
Sem
Tempo
Infinito


Vivo
Nele
Ele
Em
Mim
Ele
Vive
Em
Mim
Eu
Vivo
Nele


Na
Memoria
Das
Aguas
Do
Coração
Outra
Imagem


Nossa
Senhora
Radiante
No
Céu
Resplandecente


Sustenta
A
Criança
O
Crescente
A
Subir
Como
A
Sorrir
Nossa
Senhora
Sua
Mãe

Por
Ele
Sustentada
Contente
A
Sorrir


E
Eis
Aqui
A
Questão

A
Escolha
O
Fazer


Mata
A
Cobra


Dança
A
Cobra
Amansa
O
Dragão
Coroa
O
Menino
Imperador

Ou
Ainda

Foge
Da
Cobra
E
Do
Dragão



Das
Três
Uma
Te
Cabe
Escolher


O
Divino
Desenha
O
Homem
Faz
Dele
Sua
Pena

O
Homem
Pena
E
Se
Alegra
À
Medida
Do
Coração
Bem
Medido

Todos
Os
Seres
E
O
Divino
São
Um

E
Falta
Juntar
Um
Crescente
Com
O
Decrescente
Para
A

O
Vaso
De
Novo
Constelar
A
Vesica
Desvelar



Se
Múltiplas
São
As
Dimensões
Da
Vida
Do
Ser
Do
Vaso
Divino
Que
Tudo
E
Nada
Tem

O
Mal
A
Besta
Tenta
A
Travessia
Como
Um
Único
Anel
Atravessando
Todas
Elas
Pois
Todas
Elas
São
Num
Mesmo

Da
Mesma
Forma
Que
Belo
Se
Exprime
Em
Gotas
Únicas
Que
Pingam
Verdadeiro
Ouro
Num
Mesmo
Azul
Onde
Moram
As
Infinitas
Cores
De
Um
Mesmo
Papel
De
Um
Lápis
De
Uma
Mesma
Luz
Que
Faz
Ao
Desenhador
Aparecido
Aparecer
O
Desenho


O
Belo
Contem
O
Bom

O
Bom
É
O
Belo

Cada
Gota
É
Uma
Gota
Ao
Lado
De
Uma
Outra
Gota
Igual
E
Distinta




Em Campo de Ourique no quinto andar vejo parado o por do sol, observo as nuvens em suas formas. O céu é cor de chumbo parado como o tempo quente que atenua os movimentos perturbadores, o tempo como que se distende e alonga numa paragem de imensas quietudes, espaços onde habita o vaso que contem e transporta as cores das múltiplas e infinitas possibilidades do semear e das sementes de amor. Vaso da semente fértil, infinitamente fértil da vida e do amor, sangue rubro da vida que o alimenta e que o cuida.

O ar está por sua vez parado pesado, a vida pareceu de repente pôr-se toda de mansinho, aquietou-se e é paz que se sente. Raro, porque o tornamos raro momento, o sentir da paz num mundo onde tudo se vê a caminhar cego às cegas e conduzido em muitas vezes por cegos e é tão grande a cegueira, que tudo tenderá a se normalizar à sua verdadeira dimensão, tão pequenos e tão grandes somos, tão arrogantes nos tornamos. Arrogância que nas vezes trás a perda e a perca, pois quando os homens tendem a andar em bicos de pés, a tentarem parecer maiores do que na realidade são, deixam nas vezes de reparar nas pedras do caminho e dessa forma cegos por si mesmos, se dá a queda, se dão as quedas e os homens nas vezes caem, os próprios ou outros que então se fazem cair.

Ontem o ar de Lisboa encheu-se do fumo trazido pelos incêndios que lavram pelo país e o ar estava pesado criando para alguns dificuldades em respirar. E a imagem já tem alguns verões, quando em França se foram numa anormal vaga de calor, muitos. Depois ouve-se dizer que é só um episódio isolado, mais um, que é assim a vida, que é assim a natureza e suas cíclicas expressões.

Não ouço contudo ninguém dizer ou falar de pontos críticos nos sistemas, onde quando se chega à bordinha, ou se está em cima mesmo no meio, naqueles equilíbrios precários, ou quando é chegada a hora daquilo tudo balançar, pois nas vezes, passa-se um ponto que não têm retorno e acontece uma grande reviravolta, e as asneiras tendem cada vez mais a apresentar uma pesada factura. Ninguém consegue mesmo analisar no seu todo um sistema com este grau de complexidade.

Um sentir de uma quase falência geral das coisas, dos sistemas de organizar a realidade, dos métodos, da suas forma de organização, de uma complexidade decorrente da enorme especialização que se torna por vezes o entrave, imensa torre de babel cega e cegante em que nós próprios nos enredamos.

Naquela quietude do fim de tarde, até o espírito e o ar se encontraram por momentos parados, o fumo dos incêndios também e assim os meios aéreos nem puderam actuar. Este ano há mais, mas pelo ar que se aquietou, não puderam actuar, a relembrar que a resposta depois, depois do ter acontecido, nem sempre se pode fazer, mesmo quando os meios existem, pois não domina o homem comum o vento e ar, e simultaneamente continuamos a envenená-lo e a nós mesmos, pois eu sem ar não sou na forma que aqui hoje me encontro, ou na água, minha mãe que em seu ventre me embalou, meu corpo que por ela e com ela se criou.

Depois imagino os verões que virão, como o ar se pode vir a tornar para muitos irrespirável, como as catástrofes naturais se poderão vir a suceder. Olho o mundo e vejo tanto em volta para resolver, para compor, e o relógio que bate apressado, cada vez mais apressado, cada vez mais o grito da vida e dos seres, um imenso pedido de socorro, vasto e de passada muito larga, que cobre a terra toda, que teima em cair em saco roto aos ouvidos desatentos, às vistas curtas sem capacidade de intelegir a consequência dos actos em tempo mais largo. Tanto por compor, e tanto terror e horror a descompor.

Ano após ano, verão após verão, repete-se o mesmo sem nunca se conseguir por de pé uma politica eficiente nestas matérias e vejo mais uma vez pedaços de ideias alheias agarrados ao vento, por quem devia governar, metades de soluções adiadas e os falsos louros nas cabeças de alguns.

Enganam-se, pois metades nunca é o todo, é buscar o alheio ainda por cima de forma torta faz mais torto a quem assim o faz e por vezes faz o torto a outro que se encontra a seu lado e todos os seres tem uma espinha vertebral que lhes permite andar com o coração direito, basta querer, ousar ser pelo coração, em vez do negro ladrão.

Recordo menino de pedir a meus pais para ficar acordado a ver a chegada dos homens à lua, recordo-me menino maravilhado por ver todo aquele engenho dos homens no mundo onde nascera e onde crescia, era tanto o saber dos grandes, tantas as coisas que se podiam fazer, fronteira aberta que nega a própria ideia de fronteira, mais certo dizer, caminho infinito para o homem percorrer se antes não der por sua conta e mão cabo dele próprio, o homem a crescer como sempre cresceu, mais crescido, com cada vez maior capacidade para o bem e para o mal ser e agir.

Não recordo de adormecer, meu corpo menino não teve força para vencer o sono, mas recordo a segunda vez de olhos abertos a transmissão em directo, imagem dentro do módulo, da janela do módulo a ver a lua, eu por todo aquele engenho, por todo aquele saber, por todo aquele agir onde via também a coragem, maravilhado, deslumbrado a poder ver ao perto a lua que sempre vira ao longe, uma primeira vez fora daqui na bela lua, na lua bela.

Que admiração de menino por todos aqueles homens, por todas aquelas técnicas e tecnologias, estrada aberta no antigo sempre presente sonho do voar, do subir ao céu, a expansão do homem pelo céu, o chamado das suas irmãs estrelas, o desbravar das novas fronteiras, o conhecer e o saber que por vezes a terra feia se apresenta, não digna do que associamos ao céu para além das nuvens, esquecendo nas vezes que o céu e a terra habitam um mesmo lugar que é só um lugar.
.
Em dia recente menino mais crescido meu coração se apertou ao ver as imagens do sucesso da destruição parcelar de um asteróide à distância para segundo informaram estudar o momento primevo da criação do cosmos na perspectiva do big-bang.

E o coração me disse, como é que o homem ainda não percebeu esta elementar questão, porque a esquece em sua acção, que não há nenhum caminho para o conhecimento que passe ou se baseie na destruição seja do que for, porque ainda não a enterrou de vez esta sua forma de agir.

Depois acrescentou o coração qual é o cientista que pode ter a certeza, que as por assim escrever, menos duzentas gramas com que o asteróide ficou em sua massa não irá alterar todo o sistema gravitacional como o conhecemos, mas a ciência sempre justifica o correr dos riscos que corre, até os calcula percentualmente para decidir moralmente sobre o grau e peso do risco, pois estas noções são da consciência dos homens, é lá que se passa em primeira instância esta conversa, dentro da consciência de cada um, dentro de cada um, dependendo de sua vista, carácter e vontade.

E rematou o maior estremeção o coração contraído pela súbita visão da facilidade com que os homens acendem paus de fósforo onde nas vezes se queimam, no mesmo momento em que outra nave, com a diferença de ser tripulada, de levar mulheres e homens a bordo, se encontrava com problemas por aparente razão semelhante à que fez explodir a anterior.

Sossegou por fim o coração os homens que se desassossegam com a continua, permanente, que é outra forma de dizer infinita, co-relação entre todas as partes do todo, nas formas que por vezes os homens como parte se põem no todo.

Sossegou por fim o coração os homens, que vós sois eternos e mesmo que não o vivas, viverão teus filhos e os filhos de teus filhos, sobre uns a consequência do teu acto hoje, que na altura achaste sem consequência, cego no ver ao longe, um longe que é sempre um mesmo, um mesmo perto, mesmo. Não se ponham mais pequeninos do que são, pensam largo ao largo, não se ponham maiores do que são ao pensar-se maiores do que a própria vida e seus tempos.


Espíritos ufanos ufanados danados cheios de ar de nadas, cheios de si, balõezinhos pequeninos de todas as cores, asfixiando nas diferentes pressões pelo ar vão meu bem, vão, ai, ai, amor, ai, ai meu amor, socorro meu bem estou perdido estou cego no meio do ar, nem pés na terra nem coração a alunar. Jóias têm em seus anéis de pesados ouro doirados sem o ser, tijolos vários de diversos poderes da família das diversas prepotências, mãe e filha de todas as arrogâncias, das falsas seguranças das matérias várias, dos múltiplos ancoradouros e barcos da frota das ilusões. Argamassa que em desespero tentam os tijolos colar, muros muretes improváveis castelos de papel a quem um pequeno lobo mau com um sopro derruba, atentai que bestas à solta no mundo há muitas, dragões de todas as espécies feitios e famílias, poderosos poderes que se exprimem num instante, um breve sopro de uma bala a silvar o céu entre o homem que a atira e o que a recebe até a bomba da foice larga e súbita que muitos leva de cada vez, grande carroça da morte que pinga o sangue das multidões.

E a Lei da Vida, a Lei da Luz, A Lei da Verdade, A Lei do Coração É Assim Quebrada.

Não matarás, não farás a guerra pois as guerras sempre matam. Não se entorna fora do coração o sangue entre os homens por mão dos homens, este não é seu terreno, mas sim do Divino, que não mata, transforma, sempre o faz, como Ele o É.

Corre
Antiga
Aliança
Secreta
No
Tempo

Entre
Reino
Unido
Dupla
Cruz
Dos
Oito
Raios
Do
Mestre

Com
O
Tempo
O
Templo
Reunido
E
Hoje
Fendido

E
O
Reino
De
Portugal
Com
Escudo
E
Elmo
Fendidos


Tem
Maior
Peso
O
Peso
Da
História
Que
Os
Nomes
De
Agora



Pois
Nomes
De
Agora
São

Sempre
Se
Vão


Um
Cálice
Uma
Espada
Entre
Os
Dois
Se
Olvidou

Velada
Ao
Olhar
Humano


Não ouviram os homens no templo a palavra que apreciava a decisão relembrando a lei, breve estremeção em suas faces sorridentes, tão sorridentes como em corpos de jovens adolescentes balouçados apanhados em falta, um breve surpresa que logo se dissolveu na confiança inflada que aparentavam ter, daquela feita de certezas que quase pareciam divinas sem o ser.


Segunda
Fonte
Do
Grande
Mal
È
Mentira
E
Mentir

Se
À
Morte
Assim
Se
Conduz

Mentira
Montada
Na
Morte

Torna
Maior
Seu
Efeito
Mais
Potente
Seu
Destruir


Da mentira, nascem as arrogâncias e as prepotências de todas as formas e feitios, assim agindo se faz sempre mal, assim se faz crescer no vaso as forças que em seu centro se agrupam e assim adquirem maior peso, mais densificadas se tornam, mais quentes, mais prontas e eclodir as intolerâncias, as desgraças, a morte matada, o sangue, a dor, imensa dor do rio sempre a crescer.

No outro lado do mesmo vaso, a Luz a escurecer, simples questão de massa e acumulo, a alegria a felicidade da vida das Gentes que se vai, que se esvai no passar das horas, que perdem assim seus significados, a Luz brilha menos, a vida se enfraquece, se muito grande for o dano, pode mesmo acabar como noutras alturas já acabou a fazer crer em histórias e escritos antigos.

Sempre achei estranho aquele argumento adulto de que a imaginação dos antigos, seria mais por assim escrever primária e fantasiosa em comparação com o mundo adulto onde como adultos que se pensam, vivem os de hoje que assim e de outros mil modos tão grande se consideram, ou que era mera expressão de uma maior ignorância e menor saber daquele tempo e daqueles homens, pois homens são sempre homens, inteiros como todo o ser e todo o conhecimento reside dentro de si ao seu alcance, desde que o queira alcançar.

Sempre se considerou grande o homem em relação à mãe terra que o faz nascer, que o acolhe, o nutre e abriga e onde em parte descansa, sempre se considerou grande o homem em relação aos seus irmão animais, se pensarmos que tudo o que foi criado e é criado, vive e é vivo, tem razão e direito à existência.

Sempre se considerou o homem alto como a mais alta girafa, a girafa que teria que ter o tamanho da terra inteira, desde pequeno esmaga na mesma proporção as formigas, tão grande a mãe, tão pequeno o homem, visto do céu, uns pontinhos ali e acolá, tão arrogante se põem.

Pai, ainda agora mal fiz em meu recente agir, ao arrancar os espinheiros, e sabia o que estava a fazer, pois mesmo uma planta com espinhos tem seu direito a existir.

Falei Contigo antes do o fazer, pedi-Te para ser apressado porque outros valores mais alto se levantavam e Tu mo deixaste assim fazer, mas eu sei que é por estas e por outras, de se considerarem uns mais importantes que outros, ou que os fins justificam todos os meios, que a bilha que vai à fonte nas vezes se quebra e eu que sou conhecedor do mecanismo e do método do regulador do vaso, pagarei em retribuição pelo meu próprio corpo a pela regra do vaso.

Cada vez que minto, tenho sempre o caminho de compor, nas vezes e na limitação das vezes em que ainda existe o tempo de o fazer e sabendo que a mentira e o mentir enfunam nas vezes as Gentes. O caminho é claro, pedir desculpa e corrigir, ou corrigir pedindo desculpa, esperar que o outro aceite, e se não aceitar também não mal faz, porque é no coração de cada um que a vida se vê e vive ou não, é nele que se escolhe o viver e o modo como se vive.

Pai, Meu Pai, Tu És Pai, Eu Sou Pai, E os Pais Cuidam dos Filhos Todos e todos os dias meus pés param, minhas mãos recolhem e guardam pequenas pequeníssimas penas nas calçadas, mas uma planta é tão importante quanto eu e mesmo sabendo que eu as como e que um dia assim não o será. Só te posso louvar e agradecer que elas existam, que sirvam de alimento para mim, que seu sacrifício me revela seu valor, seu amor por mim, meu amor por elas. Tu sabes como eu aprecio o cheiro das flores em meu passar, como por ele me deixo inebriar, como em menino provei à boca muitas de suas pétalas e folhas, Tu sabes como eu me deleito a apreciá-las com o olhar, como aquele caracol que na verde habita.

Pai, Meu Pai, todos mentem por vezes e eu já me perguntei outrora se poderia haver mesmo boas razões para o fazer, pois até, não saber uma coisa, pode ser de certa forma visto como uma mentira, e o é, face à natureza que então não se conhece, mas que se pensa conhecer. Uma certeza no ar, que não se sustenta no em verdade conhecer e que assim se passa nas vezes a outro que por sua vez em sua cegueira pela indicação pode cair. Situação de cego que conduz cego, pois cego que vê mais do que conduzir, indica, indica ao outro que é nele mesmo que reside o caminho para conhecer, para saber a natureza das coisas, e que as indicações alheias, podem por vezes ser perigosas se substituírem o pensar do próprio face à situação, que nunca é a mesma que o da indicação, viveu

Minha Mãe, Eu Sou Pai, e Mães e Pais cuidam dos Filhos Todos, assim iguais somos em nossas imperfeições, em nossas cegueiras quando disso é o caso e quando disso se trata, feitos e guiados pela luz e caminhando em esperança para a luz, grande é o combate, grande a vitória na fé.

Minha Mãe, Mãe do Pai, Filha do Pai e Esposa do Pai. Não é por seres Tu, que És Todo e Parte, a razão por que assim falo, pois falam os homens do peso e das cores variáveis da mentira, da morte que se sabe e não se diz ao que vai morrer, das mentiras pequenas e brancas, como se tal cor a ela pudesse estar associada, que umas não fazem mal, outras pouco mal, e outras muito mal, mas antes do mal feito no mundo e no outro, existe sempre o mal feito a nós próprios, assim nos escurecemos, e perdemos o brilho da estrela que cada um é e trás dentro de si, assim caminhamos mais rápido e mais pesados e tristes para fora dos nossos corpos, assim se vivificam nas vezes frequentes as desordens internas a que chamamos doenças mesmo antes de se tornarem externas, quando a dor de um outro se torna também a nossa.

Depois o cancro da mentira se instala dentro do que mente e se espalha cortando os fios interiores que ligam todos os seres a seu coração, ao coração, entupindo vasos e artérias. A face da cara de quem assim age, sai-lhes pelos olhos a alma, torna-se a face o esgar do que já não são, do que não mais sabem, imagem deformada de aleijados que assim se tornaram e assim se tornam, e assim de torto em torto seria, se Deus não tivesse por eles infinita compaixão e misericórdia e não lhes apresentasse seu espelho e seu rosto corrector.

Depois do estrago interior no quem assim prefere agir, cria-se na vez o cancro exterior, aquele que afecta o mundo e os outros.

Mentir cria e indica mal direcção ou direcção errada, o que tem consequências sobre outro

Mentir magoa e mais magoa quando o que é alvo da mentira a descobre, destino inevitável de todas as mentiras.

Mentir é um vampiro psíquico que drena o sangue dos corações que então se escoa e os deixa exangues, quando se racham e se quebram vítimas da mentira alheia.

Mentir ataca e corrói a confiança, não permite a lealdade, e fura o vaso da vida de onde a vida deve jorrar e não esvair.

Mentir apoia-se no auto ilusão por parte do que mente que é mais poderoso ou melhor do que o outro a seu lado, que seus pés são maiores do que o outro e assim se aumentam montando-o e contudo tudo cai, por fim assim, um dia.

Mentir apoia-se na fraqueza congénita, em todas as inseguranças, em todas as faltas de confiança, no medo de não sobreviver, de não acreditar que a vida sem verdade é para perder e que os homens que assim agem se tornam perdedores e que quando assim acontece se tornam e fazem a dor, pois perda e dor estão associados no acto como na palavra que o nomeia.


Mentir debilita o carácter da mesma forma que a verdade o alimenta e fortalece. Pois mentir é ir-se perdendo de si mesmo aos poucos, esquecendo-se pedaço a pedaço, quem começou aqui a ser, quais seus sonhos puros e íntimos do segredo da infância. Assim se vê alguns passar como robots, concentrados em si, fechados ao que está à volta, aos outras, às possíveis interacções que só verdadeiramente se dão quando os corações se encontram num mesmo espaço próximo. Medos estampados nas faces, bengalas e muletas várias, desde o walkman ao telemóvel do último grito, a orelha cibernética. Medo do encontro, medo do que o encontro pode trazer, medo de se dar, medo de se expor, medo de tomar a iniciativa que o coração naquele momento lhe ditava

Mentir insufla os egos e os homens que estão tortos como decrépitos ramos podres que espelham e espalham a podridão na satisfação podre e perversa de se sentirem mais inteligentes do que o outro, de que lhe conseguiram dar a volta, bela piada para contar ao café com o bando de amigos machos, com quem ainda medem os feitos das suas sexualidades predatórias, apostas de adolescência como na caça de homens grandes de agora, que assim se fazem pequeninos. Homens sátiros, que no meio de uma reunião formal se revelam, numa saída sexual de conteúdo e tom completamente despropositado, labaredas súbitas de fogo que se desprendem e que revelam seus verdadeiros espíritos, e labaredas tem por qualidade incendiarem os campos, o redor onde vivem também os outros. Homens da conjura continua, do falsificar das pequenas realidades, da troca de acordos e posições por sms com as caras e mãos por cima da mesa, espiões de todo o tipo e de tudo, entretidos e presos, por necessidade vital de ar para respirar de assim fazerem seus dias em atmosferas envenenadas e envenadoras que poluem e ofuscam quem a seu lado por instantes vai.
Não ocorre a via da frontalidade, de deixar as mentiras, as hipocrisias, as montagens e os cenários, as incriminações, na hora, no momento do viver.
Recorda que a simplicidade, que é essencial ao bom resultado é a verdadeira beleza, que a beleza é sempre simples, quanto mais bela mais simples, que o belo é também face do acerto e o feio o desacerto.

Alguém dirá que ainda não despertou para as consequências no mundo, dos agires assim?

Mentir semeia os ventos da desconfiança e as sementes da discórdia e o único caminho para corrigir, passa sempre por emendá-la, da mesma forma que quantos mais andares se construírem sobre um edifico que cuja fundação se encontre em falso, maior é o perigo dele ruir.

E por debaixo e antes e depois da mentira existe a cegueira, a ignorância dupla, a de não saber porque não se conhece a verdadeira natureza das coisas e assim errar a sua manipulação, e a outra bem pior que corre como velha hipoteca no presente dos homens, passada de geração em geração de mão em mão, que é de se achar que a ignorância trás melhores resultados que a sabedoria e os todos os projectos de controlo de homens pelos homens que recorrem a este comprovado mecanismo, mantendo muitos homens cegos quando se podia curar.

E antes da cegueira de perceber que a via do confronto é sempre em si mesma, mais danosa que qualquer outra que por ele não passe, há a cegueira que é sempre projectiva de não saber como em seu coração a através dele construir um caminho diferente noutra direcção, as marcas dos medos e dos sustos, o medo, o medo que se torna carne e pele, enraizado nas mil formas que se exprimem no viver, o medo a acordar os mecanismos de autodefesa, o medo aparentemente suprimido nas pílulas de todas as cores que nos dão para as dores das Almas e que dão homens de espírito apático e pouco brilho no olhar, sem fome de beijos e da carne da Rosa abraçar.





Terceira
Fonte
Do
Maior
Mal
É
A


Agida

O
Coração
É
Um
Pêndulo
Que
Dilata
E
Contrai

A
Cada
Dilatar
Leva
Em
Si
Uma
Intenção
Que
Então
Espalha
Pelo
Uni
Verso


Em
Cada
Contrair
Trás
Em
Si
Uma
Impressão


Um
Bater
Em
Constante
Circulo
E
Ciclo

Independente
De
Seu
Dono
Seus
Agires
Ele
Trás
Sempre
Em
Si
Uma
Intenção
O
Pulsar
Amor
E
A
Impressão
Impressa
Do
Bem
Ou
Mal
Fazer




Má-fé contra outro ou algo, usar em proveito próprio a ignorância alheia em detrimento do desvelar, do ensinar, usar o outro para seus propósitos não revelados, é má fé, pretender o bem e fazer o mal, seja por frente, ou pelas costas, ou nem pretender nem visar o bem, e ser mau e fazer o mal, porque acha que tem direito a isso, que é mais esperto, que a vida e o viver são para ser vividos assim, cegos, cegada, ceguinhos, vistas tortas, narizes grandinhos tão fechadinhos ao sabor do cheirar


A mentira conduz sempre um outro erradamente, com suas consequências, a mentira mais tarde ou mais cedo mágoa, mas sempre magoa. A mentira, o mal agir, deve ser corrigido, quando dele nos damos conta. Ao faze-lo, tudo de novo se pode começar a compor, parece mesmo ser regra básica para o novo semear e o novo fazer crescer.

Na faculdade de direito onde há tanto tempo não entrava como diferente estava, assim ia vendo, enquanto recordava dias mais quentes de assembleias com jovens em cima das mesas a falar e confrontos quase a estalar, uns a saírem noutro dia pelos vidros partidos da cantina velha da universidade. Durão Barroso e Santana Lopes em cima de uma mesa, cercados, todos à espera da faísca que pretextasse o início da vingança, pois em dia anterior tinha sido seu grupo a bater, jovens armados de paus, de matracas e correntes escondidas por debaixo de roupas grandes e quentes em quente dia de verão. Eram assim esses dias, num armavam cilada em Coimbra, no outro, a resposta dos que se ponham como outros em Lisboa.

Fora ter com seu amigo Miguel Portas pois ali lhe dera ele encontro e assim entrou no colóquio que sabia vagamente ser sobre a Europa.


Em seu fim falava-se mais uma vez da opinião que cada representante das forças politicas que aí se encontravam, pensava que deveria ser o quadro e método das tomadas de decisão cada vez mais agitado em sua cadeira ao ver que as opiniões continuavam a não se entender. O tempo passava medido em anos, e a questão básica do necessário acordo sobre a forma de decidir, ainda não tinha sido feita nem parecia haver bom fim à vista.

A Europa não deixava de funcionar, as decisões não deixavam de ser tomadas, mas quando faltam os sólidos acordos e claras visões na raiz dos primeiros acordos e metas tornadas comuns, a governação tende a ser mais como os bombeiros, a ser reactiva, a de ir apagar quando o que se necessita é pensar agua em avanço e fazer com que ela exista em cada dia, que possa continuar a existir.

O absurdo que tudo se tornara, não existia acordo sobre questões angulares, sólidas partilhas e acordos que possibilitam e proporcionam o bom erigir, a encruzilhada com divórcio à vista entre as Gentes, o sistema e os actores políticos e as bombas lá fora a explodir, naquele momento tinham acabado de explodir as da segunda vaga em Londres desta vez antes de serem usadas para ceifar mais vidas.

Relembrou então, que no seu país, nem a pergunta sobre a adesão à comunidade europeia tinha sido feita. No outro dia aparecera uma, se é que se pode chamar de uma, pois a pergunta deu azo a todo um debate filosófico, seria uma, seriam duas, seriam três.

E porque era assim, porque a forma de perguntar assenta sempre de certa maneira no que está assentado pelos homens, que quando os tijolos não foram bem colocados, as perguntas também se tornam assim, tem que escrever estranhas curvas para acompanhar a realidade e o problema é que as respostas acompanham a natureza das perguntas e assim se torna e tornamos a realidade, curvada sobre a sua própria curva, assim se fazem duas imagens de uma só, o rachar, a sobreposição inexacta, a peça que falta no puzzle pois parece ter distinto recorte, esquizofrenia, outro seu nome.

Pois é, mas ninguém se lembrara que quando se consulta com toda a complexa mecânica de um referendo, se podem colocar mais que uma pergunta, talvez mesmo um rol de perguntas que atravessassem outras áreas e desideratos das governações, mas quem governa acha na maior parte dos casos que não tem nada a perguntar directamente às Gentes, pois o sistema desenhado, delega as Gentes na sua representação.

Depois não se lembrara ninguém de sugerir que se aproveitasse para fazer a pergunta, aquela que inicialmente não foi feita, pois sem correcção do erro a continuidade das construções, tendem ao periclitante e por vezes ao desabar. É sempre tempo de corrigir enquanto há o tempo de o fazer e esta é a única via possível de acordo com a lei do coração e do amor, a validade do tarde ou atrasado e do nunca.

A imagem sobre a qual já diversas vezes escrevera e que tão bem se desvelava na prática do método de Hont em Portugal, das incongruências resultantes, de um homem ser menos que um voto e outro mais, no computo final, aquele que decide as votações.

Cada homem um voto e se um país assenta numa noção de agrupamento de homens, por extensão cada um, um voto, pois enquanto assim não o for, enquanto houver variações à volta, estão criadas as condições para um se pôr mais grande de que outro pelas mil razões que sempre assim acontecem, isto enquanto houver fronteiras ou de novo elas voltarem em sítios onde já não existiam.

Ou continuaremos a pensar que é possível uma união, que ela assenta no desiderato da solidariedade e do bem agir no mundo, do bom agir, do desenvolvimento individual e colectivo em liberdade e em respeito profundo e integral pela diversidade, pelo que se apresenta diferente, em coexistência pacífica com as vidas e os dias em paz caminhando, caminhando em comunhão com a Terra que nos acolhe, em paz também com todos os outros seres.

Muitos são os países europeus com história de impérios e colónias. Todos os que a tem, tem hoje dentro de suas fronteiras número significativos de homens que vem desses territórios, antes eram trazidos à força, e a forca, os castigos corporais, os abusos, a tortura, fizeram em tempos idos os dias.

Grosso modo as integrações não tem sido as melhores e a prova disso são as tensões entre diversos grupos, um racismo vário em múltiplas cores e nuances que se manifesta ainda nos dias.

Se rebentarem bombas em sequência nalgumas capitais europeias, podem vir a gerar-se motins que rapidamente poderiam assumir proporções assustadoras tornando-se de certa forma como guerras civis.

Mais uma vez se estica os dois pólos do elástico entre liberdade e segurança do homem e parece que ninguém vê ou quer pensar que a resistência de um elástico tem seu limite e que depois se quebra e volta a bater nos dedos de quem o segura e nada mais segura.

O medo impele num primeiro gesto o fechar das fronteiras que não fecha nada como depois se averiguou, revelando que a tampa da caixa de Pandora se tinha agora tornado mais aberta, que se abrira um novo patamar que alguns já tinham equacionado e avisado os homens para o que poderia vir a ser os por assim escrever novos perfis do terror, pois a expressão do terror, tem mecanismos próprios que extravasam em larga medida o homem que directamente lhe dá seu corpo, dá o seu e os de muitos outros, à morte.

O medo impele ao controlo, registo e manutenção por largo período de vida, das comunicações individuais dos cidadãos nos suportes que muitos e cada vez mais usam e tudo aquilo que normalmente é volátil se fixa, se fixa também um enorme potencial de fazer dano, de qualquer um que queira com mal intenção atingir um outro e que aí teria um largo caldeirão cheio de potenciais setas e balas se desse modo o quiser usar, pois tudo serve para inventar, para atacar um homem, para o denegrir, para limitar seu agir no mundo e as provas truncadas ajudam à festa.

A psicose securitária, que depois do sangue correr mais uma vez se tenta implementar, fala da instalação das câmaras, que é já uma velha prática em muitas se não todas cidades europeias como em França, ou Inglaterra e assim pensam outros homens instalar novas câmaras em novas cidades, mas não existe câmara que avise antecipadamente, as câmaras registam e depois do acontecer permitem as buscas e a reconstituição e futuras prevenções, mais no inicio do processo, está sempre a desgraça acontecida primeiro.

Cada vez mais a vida dos homens sujeita a continua vigilância, nem restam as casas, pois existe hoje tecnologia que vê através das paredes e regista o som do que se passa. O que antes era da esfera privada de um homem e da sua vida, passa hoje ao domínio e ao eventual escrutínio público, passível de ser feitos por muitos com acesso a conhecimento tecnológico para o fazer, como se uma brincadeira de crianças se tratasse, pois se o homem tende para a perfeição, muito do humano feito pelo homem é imperfeito, e assim são também todas as aplicações.

Cada vez mais, o que era efémero, deixará assim, traço, memória e pode tornar-se caldeirão alimentado que alimentará as maldades dos que agem mal intencionados.
O conflito e suas regras, seu modo de acontecer, é sempre um mesmo independentemente da escala em que se processa ou onde se observar.

Todo o bem e o mal começa dentro de cada um, e a sua expressão transporta-se e actua no espaço interpessoal que antes de mais é espaço. Todo o bem e o mal residem dentro de um ser da mesma forma que habitam o que lhe é externo em diferentes expressões e manifestações. Todas as acções são energia, todas as acções são sistemas organizados e organizadores, pressupõem uma organização própria interna e por esta razão tenho de o inscrever de imediato num mesmo clube, o da vida e dos que vivem e sujeito por analogia à vontade mesmo que não a conheça porque não a sei conhecer, ou mesmo por nem tal possibilidade ter sido ainda pensada ou reconhecida.

A energia tem a misteriosa qualidade de se poder transportar de um local a outro em grandes velocidades, uma espécie de dom da ubiquidade assim vem alguns homens, porque outros poderão dizer tratar-se de que a energia é una e o que se vê não é seu movimento, mas o avivar de uma valência complementar ou equivalência, que se manifesta e habita num aparente outro lugar no mesmo único lugar pois se não, nem vista era, coisas separadas ou coisas dentro de coisas sem fim tanto na direcção do mais pequeno como do maior

Sempre a mesma questão de querer pôr um finito no infinito, onde se põem a fronteira que divide, que marca e define um território e depois um outro ao lado e depois nas vezes uma imensa confusão, uma conversa de surdos, que nas suas especializações se tornam cegos à grande pintura e ao Pintor, mais uma vez visível no aparecimento do novo planeta e a discussão sobre os limites da galáxia e bem sei que é preciso nomear.

Deixando para trás a ideia que as coisas invisíveis aos olhos não existem, no vaso que é a própria vida, as intenções em pensamento que se constelam como pensado e através do pensado são sistemas energéticos que activam outros em outros lugares, através de diversas malhas que é por vezes como se chama à Alma do Mundo e que as conduzem e dirigem, umas internas, no seio da terra Mãe, outras nas Aguas, outras no Fogo, no Ar e no Espírito que Nos envolve e no qual Existimos e Somos.

Uma dor é sentida no corpo como uma contracção, como que o corpo se contrai ao sentir a dor, refluxo de si mesmo que o faz mais pequeno, o torna mais vulnerável, mais pequeno se torna o fio que a liga à fonte, mais pequena a fonte se torna por cada um, mais o vaso se desequilibra. A dor mina a luz, diminui seu brilho e as trevas se estendem cobrindo maior extensão do Sol.

O homem olhava o vaso invisível e observava a mancha das trevas que se estendia sobre o disco solar, ocultando mais de dois terços da Luz, como eclipse parecia, depois o círculo doirado radiante, filamento da vida de novo se reconstituía à volta do informe ainda não criado, contendo o caos.

Um homem num determinado momento do espaço e do tempo toma a decisão de se fazer a si e a outros rebentar com um colete bomba que tem em si. Entre a tomada da decisão, do sair de sua casa até ao momento do seu acontecer, muitas coisas se passam, muitas coisas estão sempre a acontecer, muitas interacções entre os seres para alem das palavras dadas e mesmo as não dadas, expressam uma contínua correlação emocional.

Até ao momento em que a acciona o homem que a transporta pode mudar de ideias e dessa forma não transpor a fatal fronteira do matar e neste caso morrer.

Talvez um sorriso, uma conversa, uma palavra que naquele momento ouviria se tivesse sido proferida poderia alterar radicalmente o curso do acontecimento, poderia levar a não carregar no botão da mesma forma que um ambiente em tensão mais facilmente contribuiria para a sua concretização.

Pouco tempo depois das primeiras bombas em Londres, as Gentes no metro de Lisboa cruzavam os braços nas posturas de seus corpos, posições que expressavam defensiva, receio, seus olhos, seu olhar e suas expressões variam o redor em múltiplas desconfianças, uma ténue paranóia colectiva pintava subterraneamente todo aquele ar e espaço, infiltrava-se em cada um, o clima aquecia a convidar sorrateiramente o aparecer da faísca que ateia o fogo, daquele que destrói. De certa forma o medo é não local e instantâneo e atravessa ou faz emergir um mesmo sinal num outro local, num outro ponto.


Subindo a rua a Senhora da tabacaria faz-lhe sinais de certa agitação como que a chamá-lo pedindo sua ajuda. Quando entrou reparou nos dois jovens que poderiam ser romenos em redor de uma carta de gelados fazendo-se valentemente a eles e parecendo não ter o dinheiro para tal desejo concretizar.

A Senhora tinha-se assustado com eles, com seu aspecto e com seu estar, dentro de si caíra naquele momento uma gota de agua de medo que regou aquela semente que mora num quarto do coração do homem correndo e crescendo a preocupação, assim rápida como sempre germina a semente que dá pelo mesmo nome da agua negra que o transporta, medo.

O homem que percebera aquilo no olhar dela a indicá-los, dirigiu-se a eles e entabulou com eles uma conversa que os aproximou, dizia a Senhora no fim que tinha aprendido como a fala e o falar quando se trás o medo dentro de nós, ou quando ele aparece, é nas vezes forma de o sossegar, de o manter em rédea curta, naquele ponto necessário, que se passado tem o poder de o concretizar, ou ajudar à sua concretização. Assim nas vezes se desmonta a tensão, os momentos tensos, assim nas vezes se obsta à violência.


No dia das segundas bombas, quando se dirigia para seu encontro, logo na primeira esquina um vizinho visivelmente exaltado, vociferava contra um outro ausente, entremeado de ameaças, bem aquele jeito português meio catártico de balão que pelas palavras esvazia sua inicial intenção nas vezes em que assim é, noutras a engrenar o ar necessário ao fazer o mal feito, a ganhar balanço para o fazer. Disse-lhe depois de o ir ouvindo para ter calma e que as coisas não se resolviam daquele jeito ouvindo como resposta, quando um homem tem razão face a determinadas circunstâncias, e lá foi indo em seus passos descendo para o jardim da estrela cheirando o belo cheiro das flores vermelhas ao lado do muro.

Descendo a rua, reparou em três operários que se encontravam a desmontar um andaime de quatro andares, assente sobre rodas, um dele em cima dele e um pequeno arame torcido em suspensão se arqueava do seu bordo para um qualquer ponto de ancoragem no telhado. Parara um instante a olhar o eminente perigo, avisou em voz e foi agraciado em má educação, a gente sabe, nós é que sabemos, respondia ríspido um, enquanto ele continuava descendo a avenida, só estava a avisar-vos e quem avisa amigo é

Ao balcão do café do rato o homem em pé acompanhado pelos seus ouvintes relatava seus feitos, cervejas na mão da tarde que corria no silêncio de todos os que escutavam. Elevado seu tom de voz como que a sacudir o medo que fazia em propagação o silêncio da escuta no redor, narrava de ter batido com um ferro em cima do capo do carro de um vizinho que ele apanhara em acto menos próprio. Não ficavam por ali as coisas, como que explodiam suas palavras explodindo em fogo que alastrava o redor, a emoção da guerra e do medo que relatava, assim alimentava a fogueira das paixões tortas, como se seu contar naquelas palavras e naquele tom de herói auto glorificado, ciente dos seus grandes feitos, lhe fornecesse a energia para o novo combate que anunciava em suas ameaças, bebia aquela precisa coragem que parece coragem mas não o é pois se funda na violência, faz nascer as violências que ficavam também a habitar aquele espaço para além da sua partida. Ficaram os dois homens por detrás do balcão a falar de sinais de trânsito fechados, facas que surgem para os assaltar, medo, medos, expressão do susto e do medo e ele comendo sua sandes de ovo pensava em seus botões como se desenvolveria a história, pois a promessa de novos confrontos ali pela boca e palavras do outro se engrenara, rezava a Deus para que não, para que assim não acontecesse.

Mais uma vez meu coração rasgado, cada vez que uma bomba rebenta o coração rasga-se mais um bocadinho. Estas na cidade onde nasci acertaram-me em cheio num cheio muito, muito próximo.

Acabara de escrever no dia 8 de Julho. Estou triste e de luto. Ainda ontem celebrei o País e as Gentes onde nasci, ainda ontem a minha escrita rezava à paz e hoje recomeçou a dança das bombas nas capitais da Europa. As bombas quando explodem são sempre certas em seu fim, e lá se foram de seu corpo as gentes desprevenidas que andam numa cidade na aparência em paz, até ao momento que ela explode.

Um manto de dor e tristeza desce sobre muitos corações, daqueles que os amam, e de todos os seres do mundo que trazem seus corações afinados, que sabem que a violência é ciclo fechado que provoca sempre mais e mais violência, que a dor é por vezes a pedra que funda a revolta.

Estas quatro bombas que por serem quatro revelam a intenção de continuidade, acertaram também em cheio no coração da intenção que milhões expressaram de fazer da miséria, história, daquela que não volta mais e que está em cima de uma mesa onde se sentam os que representam as mais poderosas nações humanas.

Uma pergunta fica, a quem isso interessa?

Só três dias depois consegui saber que as propostas tinham sido aprovadas mas que estavam ainda sujeitas a aprovação rectificativa por parte do FMI. Melhor seria combater a dor e a impotência que sempre se sente nestas alturas e pensar já num novo G8 +1, talvez o G9, um grito do humano, da humanidade.

Madona em palco a perguntar à assistência se queriam fazer uma revolução, se estavam prontos para uma revolução e uma outra Madona que desapareceu dos olhos públicos de braço dado com um outro quadro de nome, o grito, sinal do espírito do tempo, que nos grita que a Mãe é roubada, destruída, partida e coração rachado em tremenda dor, Mãe que grita em tremenda dor se assim se juntar as duas palavras que a arte e o artista nos deixaram e que agora se esconderam.

Londres, minha cidade natal onde pouco tempo sempre vivi, mas onde sempre em casa me sinto, Londres das Gentes educadas, do toque e da troca inteligentes nas ruas onde às mulheres se diz hi love, de uma inteligência à solta que se usa, da boa disposição e leve humor, Londres onde até há bem pouco tempo os policias andavam desarmados.


A senhora sem rosto era a face da senhora a sofrer, por se apresentar coberta não tinha dessa forma único rosto, era a face de mãe, é face da mãe, era a face da mãe de todas as mães que sofrem, era a mesma face da mãe de Madrid que disse e falou e deixou dito, isto assim não pode ser, uma mesma mãe em faces distintas, Cristo, Cristificada, Cruxificada, rosto único velado e rosto e face de todos. Toda a dor é a dor de todos, uma imensa dor que clama a paz, que diz não às mortes matadas, que clama a mudança do ser e do com outro estar. Hoje é dia de corpo grande, grandes se tornaram os corpos no mesmo corpo, acção e reacção de tornou mais próxima, mais imediata, causa efeito e consequência mais rápido se unem, as setas viajam mais rápidas em sua volta ao mundo em seu retorno e retornar. O mundo é redondo, tudo o que de um ponto parte a ele de novo chega.


Não
Desistam
Bravos
Seres
Em
Ser

Nem
Na
Hora
Mais
Negra
Da
Esperança
Mais
Afundada
Nem
Na
Da
Alegria
E
Da
Inocência
Roubada
Nem
Na
Da
Maior
Dor




Não
Fechais
Os
Olhos
Ao
Visto
E
Ao
Ver

Não
Enganeis
Vossos
Corações


O
Momento
É
Duro
Maior
A
Alegria
Em
Seu
Mudar
O
Mal
E
O
Medo
Vencer


Não
Perdeis
A
Esperança
Pois
Certo
Estão
Os
Corações
Acertados

Não
Vos
Deixai
Corroer
Pela
Impotência
Sentir

Mais
Negra
É
A
Hora
Antes
Do
Novo
Alvorecer

A
Acção
É
Correcta
Pois
Vai
De
Encontro
Às
Causas


Não
Desmereceis
Mesmo
Quando
O
Mar
Do
Sangue
Tudo
Parece
Ser


Não
Perdeis
A
Esperança

Amor
Amado
A
Paz
Criar


Caminhava pela cidade em companhia de uma mulher que acabara de conhecer.

Conversavam sobre o estado mundo quando ela lhe perguntou em seu entender qual seria o maior problema que teriam pela frente. Disse-lhe então, que ao contrário do que parecera até então, mais grave do que a expressão dos actos de terror que entrarão na vida dos homens de uma outra maneira a partir de 2001, poderia vir a ser o problema da água e outras questões de natureza ambiental, mas quando acabou de o dizer sentiu dentro de si uma conhecida pausa que lhe dizia em seu coração profundo, que as coisas não seriam no imediato como acabara de dizer.


Londres, 7 de Julho de 2005

Seu coração chorou durante o dia por diversas vezes e a tristeza desceu sobre ele e saiu para a rua vestido mais uma vez de preto, de luto, em sinal de luto pelos que morreram. Eram duas a forma do choro em seu olhar, em seus olhos, duas emoções que o homem podia reconhecer dentro de si.

A primeira, a da dor, a dor do ver mais uma vez as vidas a perderem-se desta maneira, o sentir da dor dos que ficam feridos e o imenso manto de dor que nestas situações se estende e cobre de repente o mundo todo, dor de todos os que tem dor no coração quando vêem a vida a ser desta forma ceifada pelas mãos dos próprios homens. Dor dos que ficaram e perdem o convívio em corpo com os que amam.

Estupefacção, o primeiro não se querer acreditar, como, como é isto possível, assim não aconteceu, não pode ter acontecido, a lembrança do último beijo de despedida dado antes de sair pela porta da casa nesse dia, o arrufo que no ar ficou, ou a zanga que já não se pode resolver mais em corpo, as promessas de amor que sabemos por vezes estarem dentro de nós e que ainda ao outro não expressámos, aquelas que ainda não foram sonhadas, que se sonhou fazer e que não mais se faz, o recado que ficou para ser dito mais tarde.

O tempo que se distende e pára, o silêncio do espelho que nasce e se instala e cresce imenso do não querer acreditar que trás em sua mão, a angústia do não saber ao certo dos primeiros instantes, a espera e o começo da mudez absurda, o mundo de cada um de repente, num só breve instante por um breve sopro de mal, de pernas para ar, a vida começa então a ser diferente, tudo parece o exacto mesmo, mas já não é, como se de repente cenário perdesse toda a cor, como se o tempo não existisse mais, pois foram cortadas linhas de vida e o tempo se expressa em vida, a vida expressa o tempo, que a vida tem.

Omnipresente se torna e densifica em cena a ausência construída passo a passo pela memória do que se viveu e daquilo que não se pode mais viver na forma em que aqui vivemos, tudo tende então a perder o sentido, um vazio estupefacto se instala dentro dos corações, o vazio, o esvaziamento do vaso do amor, as sombras e trevas da tristeza que tentam cobrir o coração sol pela sombra que lhe criam à volta, quando a ele se tentam enrolar, convite estendido ao desâmino da alma, do espírito, do corpo, a não mais se importar perante a ausência dos sentidos, que nessas horas a realidade brutal na expressão do seu terror, nos desvela.

É triste, sempre muito triste ver um corpo de onde a vida partiu e o espírito se foi, um corpo retalhado pela violência, um vazio, um vácuo, acreditem em quem já viu a consequência das bombas ao perto do seu ouvir, da sua vista e do seu tocar, do seu ajudar.

Depois das dores nascem nas vezes, estranhos porquês, porque foi ele e não eu, porquê naquilo preciso momento da nossa vida, balanços que se fazem em horas de mudanças de estado, porque não lhe disse para não ir se de alguma forma o intui, porque apanhou aquele preciso e não outro a seguir, se nos tivéssemos demorado mais um bocadinho, juntos, porque não o prendi um instante mais em meus beijos.

Em vezes assim, estranhas culpas nascem por vezes como lianas que se entrelaçam no coração, que o apertam dificultando seu regular em harmonia bater, das lianas entrelaçadas nascem sementes de culpa que quando crescem formam como que crostas à volta do coração e assim lhe põem o peso, quando leveza é sua verdadeira natureza, a leveza do seu alegre bater, do alegre bater da própria vida.

Cada um se olha ao espelho, cada um nestes momentos se obriga ao confrontar da sua consciência com a vida e a morte, que são dois lados de uma mesma moeda contínua e uma ausência se funda no coração de quem ainda fica. Uma ausência para todo o sempre enquanto os passos aqui nos levam, existem uns que se mudam, que de repente parecem passar a ser outros, de afáveis e alegres se tornam nas vezes sorumbáticos e tristes com o peso da ausência dos que são queridos.

Daqui deste longe perto onde me encontro, só posso rezar pela cura dos ainda feridos, pelo alívio das dores dos que ficaram oferecendo em silêncio o carinho e o colo do coração, e pedindo que os que estão ao perto dos que sofrem a paciência, a esperança, a caridade e a fé.

A dor trás por vezes consigo o susto e o medo, a dor estende-se por vezes até ao medo, o sentir estende-se num mesmo campo negro, aonde a dor, o medo e a violência, nas vezes, como resposta cresce, vivifica e vive, sendo que aí, a vida que se vive é a morte, não a vida.

Não se pode prever, nas vezes, o quando, mas já se tinha previsto e anunciado a inevitabilidade de seu acontecer.

E os homens dos poderes terrenos a repetir, que não se deixarão vencer pelo medo, que o seu modelo de vida e do viver não se alterará, mas não alteraram no entretanto as razões que levam a tal acontecer.

Já por diversas vezes o disse e mais que o dizer, a minha vida, meus passos e meu agir o demonstra, que para quem é Fiel de Amor, toda a expressão de vida é sagrada e portanto sou claramente contra todo o acto que a ameaça, a fira ou a destrua.


O que se passa em verdade é uma guerra, uma guerra diferente das que conhecíamos até então na forma do seu acontecer, pois se o mundo se torna global, tudo o que nele habita também não escapará a esta realidade que sempre foi a realidade, uma das diferenças reside em que a percepção e vivência do uno e da permanente co-relação entre tudo e todos se torna mais evidente no mundo hoje chamado da globalização. E as bombas vêm sempre acompanhadas de uma exigência de retirada das tropas que quase nenhum país fez e mesmo aqueles que com o passar do tempo assim o pretendem já não sabem mais como o fazer, pois uma vez começada mais difícil se torna seu acabar e esta parece um puzzle, que há medida em que se encontram as peças se percebe também que faltam algumas e que outras que inicialmente pareciam de fácil encaixe, afinal se revelaram de ângulos demasiados agudos, como se a um novo desenho pertencessem, peças novas e terríveis no desenho invisível do puzzle e da caixa aberta.

Por esta razão e por todas as outras é que não se deve guerrear, que guerrear é acto cada vez mais perigoso, pois a co-relação entre as peças se torna mais rápida, mais extensa sobre a extensão da mesma única terra, porque a capacidade do homem para o bem e para o mal aumenta na proporção em que ele cresce, que seu conhecer, seu saber, seus agires, suas técnicas e tecnologias o aumentam e aumentam o poder do seu fazer.

As guerras nunca foram limpas nem cirúrgicas e hoje se tornam definitivamente não locais, respigam dor, violência e morte em todos os cantos. Nesta já se foram mais de 100 mil civis, nesta se viu a mão aberta dos cincos sentidos do homem cortada de seu corpo que desaparecia no abismo da cratera no local onde se busca o alimento. Imagem que grita que esta é a via do desamor, do não alimento, que assim não se consegue alimentar e de quão distante por vezes se encontra o homem de si mesmo, de como cego vai tornando seus sentidos e sentir no resguardo de numa sala aparentemente inviolável num outro lado do mundo que lhe dá a errada sensação de estar a salvo, de certa maneira calçar as luvas de um cirurgião, mas um cirurgião de sangue e sangrento.

Por isso quando ouço alguém em nome de muitos pelos sistemas democráticos, que assim o endossam, dizer que o terror não vai mudar nossa forma de viver e de agir fico triste e preocupado e a pena se torna maior. Não pelo terror, que nunca será razão superior à esperança e ao amor da mesma forma que a vida encerra em si mesma uma direcção, que tudo que ela cria e cuida tem em si a semente do belo que é vida e viver amável em amor e que sendo esta sua natureza prima, um dia pelo engenho criativo do coração dos homens não haverá mais terror, porque suas causas se tornarão por todos conhecidas e destituídas no mundo e o terror é coisa dos homens, passa-se na vida que eles vivem quando alguém assim decide viver por múltiplas dores, razões e pretextos.

E o terror é uno também à sua própria medida que é sempre a medida e à medida do coração de cada um individualmente, terror expressa-se, manifestasse nos agires dos homens, entre eles e por vezes vivesse-o nos espaços íntimos das relações, das famílias, nos empregos, nas relações de trabalho, num autocarro à hora de ponta, num mal-estar, numa irritação, numa vontade de reparação por uma qualquer coisa muitas das vezes de lena caprina, de importância ínfima.

A emoção do terror como todas as outras emoções que nascem e cavalgam nas vezes o coração do homem estendem-se pela atmosfera invisível.

A emoção do terror preenche todos os lugares do lugar. Quando muito se acumula, a malha que religa em permanência o corpo da terra que é o mesmo que o do homem e de tudo o que é, a faz aparecer como instantânea em todo o local, assim a emoção se torna uma mesma num mesmo tempo.

O vaso da vida torna-se negro, aguas negras sulforosas se agitam à superfície agitada, determinados momentos de tensão insolúvel entre o lago e o pico são então cuspidos como lava que queima e queima muitos. Os homens são movidos pela alma do mundo e os pedaços de lava podem cair sobre qualquer um como muitas vezes demonstra a vida dos tristes exemplos nas vezes em que aquilo que começa por uma simples troca de palavras e emoções acaba por vezes em morte matada. Nas vezes é mais simples matar que acordar e cuidar.

Quando muita dor, muito terror, muito horror se acumulam, as trevas estendem-se tapando o sol, nesses momentos nos dias dos homens irrompem epidemias colectivas que por vezes conduzidas descambaram em funestas guerras de carácter mundial.

Esta guerra que vivemos decidida pelos governantes de um país e por ele conduzida em aliança com outros já se passa à escala global e assim sendo tem um carácter mundial embora ainda de morticínio muito menor que as que antes se caracterizaram por mundiais, mas não é difícil de ver um pouco mais ao longe como é que rapidamente se podem assim tornar.

Não só o horror, que é, o que é sentido em consequência dos actos de terror contribui para a densificação das trevas, outras negras emoções como o medo que o horror alimenta e a dor de muitos, trazem suas partes, suas quotas.

O vaso da vida é a própria vida, tem a dimensão infinita da vida e nele tudo está, tudo contém, nele tudo se cria e nele habita também seu irmão o incriado.

É a mão do homem que cria, que do incriado cria o criado no sentido que seu coração na condução do seu agir lhe dá. Só que o homem, cada um homem não habita sozinho neste mundo e fora dele, habita com outros iguais e diferentes e é participado por tudo e todos, da mesma forma participará em tudo e em todos pois uma relação tem sempre no mínimo dois lados e o todo e o tudo é em parte visível, parte ocultada, que o todo se encontra nas partes, que a parte está no todo.

Já se a mão do homem é verdadeiramente só a mão do homem, é toda outra questão, depende da forma como homem vê a vida e do tamanho que o homem se vê, mas não será difícil imaginar-te com o mesmo corpo que a terra, que a terra e teu corpo são um e não dois como até aqui tens andando a ver, pois é verdade dizer que um não existe sem o outro e até se poderia suspeitar com alguma propriedade que o seu contrário será também verdadeiro, pois quando daqui me vou em corpo me findou também este mundo. Posso ainda acrescentar por mistura do sempre misturado que o céu envolve e está casado com a terra, que a terra está casada com o céu, que o que se passa em cima é como o que se passa em baixo, que o que se passa em baixo é como o que se passa em cima, que céu, terra e tu és de certa forma uma mesma coisa, ou entidade, se preferires assim.

E se assim o é, também no outro lado do mesmo ser, existe um outro distinto pensar, da diferença entre um e outro, pois a regra dominante da acção dos homens, tem sido afirmar essa diferença como forma de poder ter com a terra uma relação não de mãe, de pai e de filho, mas de superioridade. Na mesma, vê a relação com o céu é o ar que lhe alimenta a vida, quando se relaciona com o seu corpo maior, dividindo-o em quotas que se põem a trocar, como se o ar fosse divisível e tivesse fronteiras ou passível de as ter e sujeitar-se aos mecanismos produtivos e financeiros criados e vividos pelos homens. É quase como dizer, eu tenho este pedaço do mesmo pulmão que todos tem, para destruir.

Visão, acordos e agires comuns sobre estas matérias estão muito atrasados, no entender de alguns demasiado atrasados para os indícios de ruptura que se vem a manifestar com maior frequência, como que alarme a soar perante a aproximação de situação critica.

Os chamados actos da natureza, tem que ser de certa forma entendidos também como actos do homem pois o homem e a natureza, a natureza e o homem são um só, ou restará ainda alguma dúvida da interdependência entre a vida do homem, seu agir e um certo desregular da terra e do céu.

Mas a natureza do homem terra, da terra homem, não é só analógica no plano físico, pois conhecemos no homem e através dele, diversas outras capacidades que de certa forma, então, se encontrarão expressas no seu outro lado, e acrescentando o seguinte fio do pensar, que a terra também terá um lado de consciência, uma linguagem que apreenda e expresse essa mesma consciência, um sentir emocional, um espírito, uma Alma

Ao olhar a terra e vê-la a sentir dor, ao ser envenenada, a sofrer, a ser mutilada e destruída, vejo suas reacções, seu agitar, suas fúrias, seu protesto, seu aviso, que alimentam os ventos dos ciclones da mesma forma que o meu ou teu estado de espírito nos passos de cada dia influenciam em suas partes a pressão atmosférica, pois para ela concorrerão de uma certa forma, peso e medida, todas as pressões e sistemas de pressão que existem.

O homem tem vindo a desenvolver um colectivo agir que se pauta dominantemente por uma tremenda arrogância face à terra e ao universo é este seu lado do corpo que lhe lhes está gritar e abrir os olhos, pois no outro extremo do paradoxo tem o mesmo homem mais do nunca os meios para criar com o seu lado terra, com esta parte de seu corpo, uma melhor relação mais saudável, menos autofágica ou nada autofágica, mais seu contrário, o da protecção do Ser e dos Seres, do alimento e do bem alimentar.

O Tsunami do Natal passado levou daqui muitos de juntos dos seus queridos
Escrever uma carta aos que partiram ao olhar dos que ficaram, teria também que dizer, que partiram num tempo dos homens onde muitos outros aparentes valores se sobreponham aos básicos como o cuidar, o cuidar da vida.

No tempo das comunicações globais, da imagem não local, instantâneas, moveis, das imensas tecnologias que lhe dão suporte, embora tentado pela vontade humana, não se conseguiu avisar a tempo e em escala útil, o maremoto que detectado lá vinha.

O saber e o ter os meios para o fazer na mão dos homens, mas um sistema de aviso global ainda não fora implementado pois os homens andavam ocupados com outros assuntos como guerras e guerrear, problemas de toda a ordem nas diferentes áreas da vida.

Terrível imagem que no Mundo se expressou do imenso desperdício da vida que acontece às mãos humanas que aqui ainda ficaram, quando não se cuida o que em verdade é necessário cuidar e se tem os meios para isso, imagem de um tempo onde parece que os pilares se inverteram e mais não se sabe como caminhar, porque e para quê, caminhar.

Terrível herança que ficou em nossa mãos de actuar para que assim não aconteça mais.

Como terríveis são outras heranças que transportamos e deixamos a nossos filhos no domínio do chamado ambiente, das políticas de recursos, da criação e uso da energia, da imensa miséria e dor no mundo, das doenças, das mudanças climatéricas, das políticas e das ideias de produção e lazer, do que o homem é, de como o homem de acordo com a sua natureza quer viver.

O mundo sempre foi redondo e uno e o homem também e em certa medida e ver, o homem é o mundo, o mundo é o homem, seu corpo, um mesmo e o relembrar desta memória que habita a todos é tomar consciência de si como parte e todo.

É isto que basicamente o homem faz em sua vida, idealiza, constrói em consonância com esta percepção e assim seu pequeno corpo se torna maior, cada vez mais, ocupa maior espaço dentro do uno mundo que ele anda a aunar.

Quanto maior o numero de ligações, maior o potencial do diverso se exprimir manifestando-se, e da mesma forma que o homem que vai em si e consigo encontrado é religado pelo amor e religa ele mesmo o amor, o que vai em desencontro, trás o caos ao mundo, o mesmo mundo onde os dois habitamos, eu e tu que lês.

Maior número de ligações implica novas claras ideias, novas formas e estruturas de decidir no plano mundial, novos acordos sobre os métodos de decisão e aqui está o terreno do problema que ainda agora se encontrava em cima da mesa, na percepção de que era necessário reformular a ONU, em palavras dos seus próprios representantes, e os importantes compromissos da agenda do milénio em vias de se tornarem vãs promessas incumpridas em seus previstos e acordados prazos.

Mais grave foi a via da repressão aprovada tendo no outro prato da balança menos reforçado, os acordos para a não proliferação das armas nucleares e da agenda do desarmamento, o que parece dar triste corpo às intenções que alguns países anunciaram sobre as suas novas ideias de utilização de bombas nucleares de fraca potência em determinados contextos, outros que as guerras a que chamam ainda de convencionais. Muito perigo poderá vir por aí, um novo patamar de perigo, perigo radioactivo, daqueles onde a dor se entranha por muito tempo na vida de muitos através das gerações.

Chamo via que abre o caminho a repressão porque ainda não está consensualizado entre os homens a própria noção de terror e sendo assim é previsível que o que venha a ser considerado por uns como incitamento ao terror, por outros venha a ser que não e o poder mais uma vez se concentra para o ataque preventivo, mais um só anel, os governos, o poderão actuar.

O terror está dentro de todos os homens. Uma caixa que deve estar sempre fechada, que o susto, o medo e dor tentam sempre abrir. O que irá fazer aquela nação, guerra a todo o terror. O terror grassa nas nossas casas, Londres demonstrou-o de forma sinistra, gentes que lá nasceram e cresceram, integradas nas suas comunidades, na nossa comunidade.
Terror e horror é também um jovem que com uma espingarda automática entra numa escola e mata quem lhe aparece à frente.

Reza a história dos tempos anteriores a grandes conflitos de grandes proporções que esta via que é uma resposta ao real medo que trás muitos assustados, chega muito rapidamente ao julgamento do espírito e do pensar dos homens e tende a coibir a expressão do distinto, as forças militares e para militares em suas vestes mais uma vez nas ruas das nossas cidades, imagem de um estado policial cada vez mais policial, porque a consequência dos actos que os homem trazem em seus dias, o levam por cegueira, medo, susto e ódio a assim se policia e restringe a vida das Gentes.A vida tende a ser um constante andar em medo e sobressalto, assim perdem as gentes no passar dos dias os motivos e a alegria em seu viver, assim se semeiam as sementes das discórdias e os ventos das revoltas e da violência.

Em Londres, o medo, a dor, o susto e a resposta levou à morte um inocente, ordem para matar nas forças da ordem é um patamar que põem em alto risco a vida de qualquer um e certo será que ninguém deseja viver num mundo onde os dias e o viver assim decorra. E esta realidade em Londres, é desde muito tempo vivência quotidiana em muitas cidades em muitos locais do mesmo mundo.

Foi expresso o desejo de uma nova carta de direitos humanos, uma carta que se preocupasse menos com os direitos dos suspeitos e dos acusados, que desse mais campo de manobra às acções policiais e mais uma vez uma fronteira que deve ser inviolável encontra-se em risco de ser ultrapassada, pois é de direito assegurar a protecção dos mais fracos ou dos que assim se apresentam face às envergaduras de quem se põem seu encalço e que até ser condenado um homem deve ser visto e tratado como inocente. Este é a porta aberta para os abusos, para a limitação ou mesmo, o retirar das liberdades básicas dos homens.

Sendo assim, decorrerá uma pergunta.

O terror, o horror, leva ao cerceamento da liberdade do homem, à sua sujeição a sistemas de controlo, policiais, tecnológicos, jurídicos, cada vez mais lhe podem cercear a existência e sua liberdade de ser.

Se virmos quem interpreta este caminho como resposta, veremos uma estranha afinidade e concordância entre a causa primeira e a consequência que daí deriva que fecha da mesma forma o mesmo circulo, torna-se a outra metade que o completa, o anel das trevas que se fecha, atravessando se estende prendendo pelo pescoço e coração os homens no ciclo do inferno do horror, pois horror é viver com medo, horror é não poder ser livre, horror é não poder ser o que se é, horror é não poder viver em paz com alegria, horror é não poder viver em amor.

O horror está em todos os lugares, o horror vive-se nos dias dos homens de hoje na forma como os deixam andar, entranha-se em todas as áreas do viver, em todos os espaços até os aparentemente íntimos. Agir em terror e criar horror é fácil, pois é fácil levantar a voz mesmo quando não se tem nenhuma razão para o fazer e assim se quer mostrar ou fazer crer a um outro que somos maiores e mais fortes.

Nestas alturas é dito mais uma vez que não mudaremos a nossa forma de viver, que as democracias não se deixarão intimidar pelo terror, que a liberdade dos cidadãos será mantida, mas o que em meu ver é necessário e nunca como consequência da intimidação, é efectivamente mudar a forma de algumas coisas que fazemos no viver, como não permitir e acabar de vez com as guerras, pois é um facto que estas guerras ao contrário do que por vezes se diz afecta em muito as liberdades individuais das Gentes.
Porque não sujeitá-la a voto e referendo popular, a não ser nos casos de invasão, pelo menos enquanto existirem armas e guerreiros daqueles que fazem as guerras e o guerrear.

Dizem-me desde pequenino que o sonho de uma paz entre todos e tudo com tudo e todos lá dentro é impossível, pois essa é a natureza humana e portanto sempre assim será. Bem sei que chegar a este patamar de paz, tem muitas dificuldades pelo caminho, umas de carácter económico e produtivo, pois são fortes e importantes no xadrez económico as indústrias de guerra, outras porque o lastro é já pesado de mais, outras ainda perguntam como se acabariam de vez com os braços de ferro e suas necessárias demonstrações de poder militar mesmo que seja só exibido em plano teórico ou dissuasor como por vezes se diz.

Eu gostaria mesmo, era que a nossa vida e o nosso viver mudasse nestas matérias no sentido claro e límpido da clara medida da paz, pois creio que só em paz, em vontade de paz, em atitude de paz se poderá diminuir no tempo o nível da expressão actual dos actos de terror e sobretudo não os agravar.

Como eu gostaria de viver num país, num mundo em que todos acordassem a via da paz, em que por exemplo os homens que ocupam cargos políticos revelassem aos olhos públicos as suas posições sobre esta matéria, que compromissos apresentariam aos ouvidos das Gentes, até onde iriam as suas juras de lutar pela paz, de tentar sempre optar pela paz, de agir no sentido de travar todas as guerras no mesmo mundo numa Europa também una.

Nós somos os últimos dos homens do tempo cego das guerras, onde os homens em suas formas de viver faziam ainda a guerra, na força da morte matada assentavam ainda seus arraiais, num tempo onde poucos decidiam sobre muitos, onde poucos justificavam pela ilusão e pela mentira as opções de guerra e as impunham sem consulta prévia aos outros.

Nós somos do tempo cego em que as guerras e o guerrear já não conheciam fronteiras, já não distinguia mais locais nem homens, tempo em que a sombra se espalhava e repartia como negro pão sempre multiplicado.

Nós somos os últimos dos homens do tempo cego em que uns se punham maiores que outros, uns aquém e alem de seus tamanhos em cada uma das suas únicas expressões

Nós somos os últimos do tempo cego dos homens em que homens irmãos se sobrepõem a Deus e seus desígnios, pois a Vida só por Ele deve ser levada, na excepção de cada um com Ele, mas nunca válido por extensão a um outro.

Nós somos os últimos do tempo cego onde homens falam do sucesso ou ineficácia das acções contando o número de corpos que se foram, dos danos em vida chamados friamente de colaterais.

Homens que se trazem esquecido, que se esquecerão que são na essência e substância semelhantes e que fazer correr o sangue alheio e fazer correr o seu próprio sangue, pois todo ele é um mesmo, precioso néctar da vida e do viver e que se o vaso é na certa medida límpido de ver um mesmo, suas veias, seu líquido, sua quantidade, sua qualidade será uma mesma também.

Destruir uma parte é contribuir para destruição do todo, pois o todo está inteiro em cada parte que o constitui e quanto mais se destrói, mais se forma a destruição, maiores se tornam seus terríveis poderes que crescem e se agrupam como nuvens carregadas das múltiplas dores que cobrem e reduzem a luz, em seu estender vivificam então as sombras.

Nós somos os últimos do tempo cego dos homens que se perderam do reconhecer da verdade confinados pelas múltiplas máscaras que alguns decidem afivelar em seus dias desde o levantar ao deitar, mascara que oculta e não deixa bem ver a face do ser que naquele instante se exprime e assim é, separado de si próprio pela própria mascara que o vela ao outro e antes a si mesmo. Fractura do ser total, do ser múltiplo que a vida é, que é cada um em seu viver, lente errada que tudo ou em parte desfoca, ponte da errada atrofia que força sua existência e seu exprimir, interpondo os falsos espaços entre o que é e o que parece, espaços ubíquos que se transformam em rede de fina malha que como a teia que a aranha faz, com que apanha e prende os homens nesses espaços de confusão.

Nós somos os últimos do tempo dos homens que não enfunavam a vela da verdade do coração, que faziam parar o moinho por cima do imenso abismo que o mal agido de uns assim no mundo fazia, expectativa da permanente queda no cais do visível do invisível, do subtil que o compõem, pois não existe nenhum dois que não esteja no um, pois é o um, múltiplo e infinito.

Abismo das guerras mundiais, dos cataclismos, dos aviões que são lançados contra as pessoas, das crianças mortas, das crianças que morrem por falta de alimento, da falta da saúde, das epidemias das aves que por todo o lado voam, da miséria, do trabalho infantil, das crianças da minha rua que se sentam cá fora à porta de casa ouvindo lá dentro os pais em seus amores e suas violências, do tempo de trabalho a aumentar, da falta de animo e do acreditar, das crianças com vidas de adulto, das estações alteradas, do degelo das calotes, da poluição global, do buraco do ozono, do envenenamento e escassez da agua, do ar irrespirável, da criança de braços estendidos pedindo a ajuda num autocarro explodido, dos soldados crianças, das crianças com pernas desfeitas pelas minas, das espécies animais que desaparecem, da desertificação que cresce, das bombas nucleares, das bombas em regular cadencia de fatalidade que nos pretendem fazer crer que sempre assim será, que as guerras tem que se fazer e manter.

Pois tudo isto está em parte visível e outra não visível, olhando o abismo vê-se a extensão do nível do que ainda não está expresso, substanciado, mas que poderá vir a estar se não arrepiarmos o passo em questões angulares, como a tolerância, o respeito integral da vida e do viver e assim conseguir ter o tempo calma em paz para cuidar do que necessita urgente cuidar. Porventura será pouco? Quanto mais aqui faltará


Seremos nós os últimos do tempo dos homens cegos e da cegueira de todos os medos, de todas as arrogâncias, de todas as hipocrisias, de todas as mentiras e de todas as ilusões, pais e mães de todas as dores da alma do mundo que se exprimem em seu corpo e plano físico, pois são criados os corpos pelo espírito e pela alma.

Seremos nós em verdade os últimos, seremos nós os pais que transportamos esta herança que nos foi transmitida ou a que lhe irá por fim, ou passaremos de novo o facho da violência e da morte, grande como nunca foi crescendo seu imenso fogo, seu queimar, sobre a cabeça de nossos filhos, se antes não destruirmos toda a vida.

Seremos nós em verdade os últimos do tempo em que os homens guerreavam, em que se matavam a si mesmos destruindo seu lar, a mãe terra, e predador de muitos, dele próprio, de outro homem irmão aos irmãos animais.


Nós somos os primeiros homens do novo tempo do amor da paz da abundância da calma e do doce, da alegria, porque assim o decidimos e vamos cada um em si mesmo.

Propensão tem o ser em seu conhecer para elevar a fasquia, nunca tanto se estendeu seu poder para o bem e o mal agir e para as infinitas entre eles cambiantes, nunca o vaso da vida se encontrou tão ligado de tantas formas e feitios, nunca sua malha esteve tão apertada, a frequência se acelera, os sistemas tornam-se mais breves pois a mutação acelera-se, e tudo necessita de revisão urgente tendo por norte os fluidos, a agua, o deslizar, o nadar, o de preferência navegar a afundar.

A atentar no caminho em que vimos, todas as cidades terão seu auge do horror pelo terror. Consequência da guerra e da mentira que leva as guerras, todas se transformarão num mesmo corpo de dor, um corpo que se assim for será negro e pesado e cheio de dor, quando devíamos fazer seu contrário, um corpo de paz, de luz, de alegria, do viver.

A atentar no caminho em que vimos grandes serão os memoriais gravados em pedra e aço, longas as listas de nomes que um dia nossos filhos lembrarão não esquecendo, o que a cegueira provoca e conduz, chorarão seus corações como hoje o nosso chora, como chora hoje o coração da alma do mundo pela estupidez cega e cegante e seu triste dano.

Mais de um ano passado e as mães de Beslan continuam sem saber como aconteceu, o mais belo e mais precioso bem do amor, as novas vidas a serem ceifadas daquela forma barbara, tremenda imagem do mundo que nele circulou, que nunca sairá da memória dos que a viram, imagem do mundo que grita ilustrando, até onde os modos de viver se encontram desregulados, tremenda estupefacção, ao ver o seu acontecer, sinal de aviso, pois se aconteceu, poderá de novo acontecer e nunca esquecendo que as guerras sempre mataram também as crianças.

As faces de suas mães recentemente foram de novo vistas, era visível a marca da imensa dor que se manterá por todos os seus próprios tempos e o longe do mundo de hoje é sempre um perto como sempre o foi. Aqui na minha rua comentavam na semana passada que não quiseram informar os pais das causas da morte de um jovem na casa dos vinte que aparecera morto debaixo de um prédio. Crueldade que fere um direito moral de quem perde um outro. Nesta semana no autocarro a caminho dos arredores da minha cidade, tão diferentes os dias das mesmas gentes, os prédios são todos mais ou menos iguais, sem mármores ou sinais de riqueza, as estradas que mapeiam o espaço as mesmas, na paragem do autocarro, um pequeno cartaz impresso em impressora mostrava o rosto de um outro jovem que fora morto dizendo, vamos finalmente ver quem o matou no tribunal.

O belo, o humano, é um mesmo independentemente do corpo e da cor em que se abriga, da diferença do uso, do costume e do pensar ou sentir, visível àqueles que caminham nos dias de olhos límpidos, na reta medida do seu tamanho, nem mais nem menos, um fio que a todos é comum, que a todos e tudo atravessa, e o belo se exprime sempre numa das suas múltiplas facetas mesmos em dias cinzentos em que os homens carregam em si pesadas e escuras nuvens.

Tempo ouve em que eu pequenino calhou por obra de meu pai escutar o tema Old Man River cantado pela voz de Paul Robson e de por ela e ele me apaixonar. A enorme beleza daquela voz ao interpretar aquele tema desvelava também a beleza do homem que a transportava. Pois era a voz de um homem que entendera o sofrimento e o sofrer para além do seu próprio tempo como homem, que para o entender, o saber, de alguma forma o vivera ou vivia, voz cava profunda que das profundezas da alma se eleva, voz de imensa saudade, de imensa tristeza, de imenso credo e futuro, no não esquecer das memórias, que o tempo de hoje é também o tempo das memórias que nos habitam, nas quais habitamos.

E é assim que os meninos cedo aprendem que o belo está em todos, que todos são belos a sua maneira, que a beleza é que os faz irmãos, pois se aquela voz tinha uma precisa e certa cor, não era negra a voz, mas sim o homem onde ela habitava e como poderá existe diferença se a beleza é uma mesma, capaz por todos de ser reconhecida quando se exprime.

Se fundou a nação por desejo de autonomia, por desejo de maior e novo modelo de liberdade individual e a nação cresceu no espaço de outros homens que lá se encontravam e a lei da diferença da força das armas, a intriga entre homens e grupos a favor de interesses de quem assim age e a diferença dos modos de viver e ver, na mais das vezes foi imposta, povos quase inteiros foram dizimados, os poucos restantes a reservas confinados, estupefacção suprema do índio sábio que da terra não conhecia fronteiras nem posse dela, ficar confinado a um pequeno pedaço. Sabiam muito os índios, achavam que a terra era sua irmã, que eles eram irmãos e filhos dela e dos astros e assim de acordo a tratavam

Corre uma secreta veia de arrogância que se baseia na invenção da diferença, de que uns são para trabalhar para outros que se consideram superiores e deles se fizeram donos e com a passar das águas tudo aquilo que começara em cada um, se estendera como fina malha atravessando toda a nação, seus distintos planos, sua produção, sua riqueza e os que a detêm e que nas vezes agem como gananciosos, os cruéis que fazem apanágio do seu direito de a exercer, e um dia a revolta, uma ideia de maior igualdade estala a nação em duas numa guerra civil.

E só nos anos 60 ou finais de 50 é que foi permitido o ingresso de um estudante negro numa universidade na vossa nação e mais uma vez foi acendido violento fogo em seu acontecer e a porta foi aberta como sempre o é quando é certa porta independentemente do fogo à sua volta. No outro dia foi de novo acusado um responsável do k.k.k. por um crime de décadas atrás o que relembra que as contas são sempre permanentes, que a sede e a concretização da justiça aumenta no mundo, e o que ontem é neste plano do viver e da vida dos homens, não é o hoje nem o amanhã, que o tenha presente quem por esta via vai.

A nação é grande na escala do mundo, à sua medida grande, grande o número de suas interacções e dependências, grande a sua exposição, por isso alguns nas vezes com ela se pretenderão medir.

Esta nação é hoje considerada por muitos como a mais poderosa do tempo em que vivem, seu comércio estende-se por toda a terra e atrás e dentro do comércio vem sempre um modo de vida, uma forma de viver que também se espalha, uma indústria de entretimento que modeliza comportamentos e valores desde a infância no mundo inteiro e assim sendo, se esta importância tem, parece que traria em si alguma justeza o dizer, que todos os cidadãos do mundo lá pudessem votar se assim o quisessem.

Há vinte anos atrás eram poucas as capitais europeias que tinham casas de hamburgers, hoje todas terão até aos urais e mais além, e quem lá hoje come são os jovens com pouco dinheiro, porque é barato, sem se ter em conta as consequências de fazer daquele tipo de alimentação um hábito. Em sua outra faceta, é uma comida barata que permite a muitas famílias sobreviver.

É tendência e fito da vida a ignorância decrescer no mundo e os consumidores cada vez mais informados por consequência mais exigentes se tornam. Na complexidade do mundo das formas de fazer, nos objectos que consumimos a consciência cada vez mais clara sobre os processos as intenções, as consequências do que se faz e como se faz pesam cada vez mais na escolha. Pesará cada vez mais o grau de aferição da sua amizade, entendendo aqui amizade como ecológica, financeira, politica, de pensamento, de valores e sua concordância com os actos, até ao fim sem fim das cambiantes da amizade.

Vai grande o rol de guerras que esta nação fez, de países que invadiu ou pretendeu invadir.

No terrível dia da grande morte às mãos humanas que se abateu em Nova York no símbolo do comercio, do sistema financeiro, das crenças de tamanho, no café da rua alguém perfeitamente igual e comum a muitos proferiu, é bem feito, estão sempre a meter-se a jeito, um dia iriam pagá-las e foi nesse preciso momento que eu soube que o mundo tinha entrado num outro momento da sua existência, uma tampa de uma velha caixa aberta tinha-se aberto um bom bocado mais com violência e o abismo que se abrira pelas mãos dos homens avizinhava-se negro na grande extensão que se estendia.

No café ao olhar a televisão, meus olhos não acreditavam no que viam, diziam-lhe, que é isto, um anúncio, uma reportagem sobre um novo filme para lentamente se dar conta que aquilo que estava ver era a sério, estava-se a passar, a acontecer.

Aquele outro homem vagamente conhecido, que via às vezes na rua a dar o braço ao andar de seu pai, simpático, bem disposto a quem provavelmente aquela nação não teria feito nenhum mal directo, revelava naquelas palavras uma imagem do ódio que se vive no mundo. Uma imagem que não é daquele homem preciso, uma imagem de quem aquele homem em suas palavras fizera eco.

No café o homem vira o horror, as pessoas a saltar das janelas, algumas abrindo as pastas executivas na esperança até ao fim que lhe servisse de para quedas e que os salvassem, imagem que fala também da esperança, da esperança que o homem transporta dentro de si até ao seu fim aqui, mesmo nos momentos que enfrenta a irremediável morte à mão de outros homens.

O nível de ódio no mundo era muito elevado, era a fala da imagem no seu todo e o ódio como todas as coisas que são sempre multidimensionais, inclui o que faz odiar e o que odeia e ele só para quando um, para, que a cadeia só se quebra quando os dois se modificam, transformam seu sentir, e que um nível de ódio elevado sempre respinga muito.

Foi nesse dia que o homem que vira e ouvira o dito, começou a sentir dentro de si a necessidade de uma mudança, um compromisso começara a crescer em seu coração, ao ver as nuvens carregadas que se perfilhavam no horizonte.

A América é muito grande e nós somos hoje muito mais americanos do que a primeira vista podemos desatentamente supor e por isso mais do que nunca quando se ouve isto dizer temos que acrescentar

Oh América, grande América, América do grande sonho da liberdade individual de todos os seres, do correspondente respeito necessário, pois não existe liberdade do ser possível se nele não assentar.

Oh América, grande América da grande tentação de pôr o freio em muito mundo, em Deus, nós confiamos. Mas Deus não é freio nem mando, Deus é liberdade, Deus é infinita paciência, infinita misericórdia, Deus é espera e esperar e sempre espera, pois Deus e em Deus não existe o tempo nem a pressa que os homens fazem no tempo.

Em Deus, nós confiamos impresso nas verdes folhas daquilo que por vezes mais afasta os homens de Deus e se assim o é, deverão aqueles que nele crêem, perguntar-se o porquê, pois Deus e homem não são distantes nem distintos e tudo o que se faz na forma como se faz, tudo conta, nada sobra ao resultado e o mesmo é válido para o que não se faz, como numa subtracção.

E no erro e no errar nem o homem necessita de Deus, tal é por vezes tão próprio errado seu ser e agir e então Deus ao longe, posto ao longe pelos próprios homens seus filhos chora e deles se apieda, canta-lhes baixinho a canção da memória suave e doce do principio que é a origem, na esperança que de novo o ouçam e reconheçam, se eles assim o quiserem, sem nada forçar, pois Deus é amor e amor não força, oferece só e não obriga a aceitar, sua mão eternamente estendida.

Oh América dos grandes feitos do conhecimento e da aventura humana, oh América que muitas vezes se vê no espelho de si mesma imagem das virtudes da perfeição, bandeira da justiça humana entre os homens.

Oh América de dois pesos e múltiplas medidas, o furacão foi pelo engenho dos homens conhecido antes de seu chegar e não se actuou na medida certa, na certa medida e as consequências mais uma vez à vista.

Oh América, paladina da acção muitas vezes justificada pela verdade e pela solidariedade humana, pela intenção do bom, do melhor e do mais justo. Oh América que se debate e vive entre os extremos, onde recentemente um Senhor dizia na tv que se tinham os meios para assassinar o presidente de um outro país não bem visto, que o deveriam fazer e que recusou em situação de dor, de desespero e impotência, a ajuda daqueles que considera inimigo.

Oh América que a muitos no mundo acudis, se vê o ser em sua próprio casa incapaz, alguns a discutir, o olho da tragédia a acontecer, se justo ou não seria o ajudar entre irmãos e a realidade mais uma vez superou os mais negros cálculos, o calculo da segurança das infra-estruturas, os diques que se pensavam aguentar e que afinal não, uma semana de reacção para começar a ajudar, milhares de pessoas presas e abandonadas no meio das aguas se se pudesse chamar agua à mistura que aconteceu, gente pobre, gentes que não tiveram nem dinheiro para sair do local na hora dos avisos, e uma cidade igual às outras que conhecemos com uma vida igual à vida de outras cidades, de repente vira a selva humana, o salve-se quem puder, os bandos armados, as pilhagens, os que aproveitam a miséria, as desgraças, a carne em sangue e ferida como abutres, a imagem que se espelha no mundo de quão frágil é a vida do homem organizada em sociedade, de como o homem é frágil no conjunto das forças da terra e do cosmo e que todos os equilíbrios que permitem o homem viver com outro ao lado, ao lado de um outro não são mais de que frágeis rosas, importante seu cuidar, a atender como agora ficou mais uma vez expresso, se esboroam e esfarelam como castelo de cartas frágil de papel, nas alturas que o vento sopra mais alto.

Oh América tão grande e poderosa e tão pequena, imagem de cada um de nós nas opções que fazemos e na forma como vamos em nossos andares. América dos extremismos, do muito rico, do maior glamour, do mundo do espectáculo e da fantasia, do modelo quase mundial de entretimento, das poderosas indústrias, dos grandes mecanismos de produção dos muitos muito pobres, da enorme violência, do enorme número de armas de fogo, dos muitos que não tem acesso à saúde porque não a podem pagar, terreno fértil a tornar facilmente os homens capazes de actos de terror.

Oh América que agora precisou de ajuda e teve-a de muitos, terrível vossa dor, clara a imagem que mesmo os grandes e poderosos se vem nas vezes como os necessitados. O mundo está todo dependente uns dos outros, seja ao nível das relações entre os homens, seja ao nível das nações.

Oh América que estender uma mão não se pode fazer com uma arma na outra.

Extremismos são extremos, imagens de situações onde os contrastes muito contrastam, onde são muito profundos em sua expressão e quando o elástico do conviver assim se estica, a iminência do seu quebrar se faz com frequência presença nas horas dos dias dos homens.
Na topografia destas duas catástrofes naturais, como lhe chamam alguns homens é visível uma mesma cartografia. Em ambos os sítios do mundo onde acontecerem, se sobrepora à muito tempo atrás, o meio ver e a consequente arrogância dos homens, pois são zonas conhecidas onde se manifestam ao longo dos tempos estes fenómenos e em ambas o homem disso se esqueceu, numa transformou a sua própria protecção pessoal, os pântanos, em espaço que ocupou para viver, na outra, os mangais que os protegiam deram lugar às praias e infra estruturas de turismo.