segunda-feira, janeiro 08, 2007

Quadrantontem, que é antes de transantontem, depois de antesdeontem a seguir a ontem e depois de hoje, não sei se reparaste na noite, era mansa como teus olhos verdes fundos e tudo estava quieto envolto, não se mexia nem a mais pequena das folhas do mar e no largo do Adamastor, por um momento era só eu e o universo e a outra margem envolta em neblina que não me deixava ver teus contornos, meus olhos buscavam-te no céu, tudo quieto como amor mansinho de toda aquela atmosfera e o halo grande da Lua aparecera de novo no céu, redondo como as noites redondas em que me anicho em teus braços e encosto meu corpo ao teu e adormeço no cheiro de teus cabelos, que espero já tenham de novo crescido e que são os mais belos a meu olhar e assim cheiro algas e sonho com conchas do mar onde gosto de poisar as mãos e os lábios e mesmo antes de o escrever, mostras-me Tu as conchas doiradas dos peixinhos do mar e no outro dia, falei-Te eu de como igual a Ti ia, como poderia ser diferente se em mim Inteira habitas.

Coisa estranha aconteceu, o halo ao aparecer, era aberto e desenhava uma foice e eu espantado a olhar me disse a mim mesmo será que fecha e se torna um circulo perfeito como o Amor? E sim, se fechou e chegara entretanto um bando de jovens de diversas linguas que me deve ter visto de pescoço virado para o céu e iam namorando entre si e ouço um a dizer ao mesmo tempo que fotografava a foice, that must be the end of the world, sorrindo e brincando.

No dia seguinte no correio da manhã, meus olhos poisam na reprodução de um quadro de uma Bela Senhora a quem eu trago desde muitas luas em Amor, com um outra Senhora de face zangada com uma foice na mão, um tríptico que vai estar exposto em Lisboa e que se chama Vanitas e assim se fechou a imagem circular da Vanitas ao Redondo Amor em duplo circulo de lua e céu.

E na cedo manhã do dia seguinte aos dias seguintes sem dias que vem antes e depois de eu contigo adormeçer minhas mãos nas conchas do mar, cheguei ao jardim das necessidades e olhei o horizonte branco da neblina que a ponte toda cobria e quando estou a ver se a via, destapou por um instante o cimo do pilar que desenha um x e voltou a fechar, uma pomba a passar bateu as palmas das asas como quem me dizia, estás acordado e a ver, bravo, e eu sorri-lhe em seu passar e aproximo-me da amurada onde tantas vezes poisam meus braços e cruzo os pés e olhei a pedra onde me apoiara e sabes o que vi? Um veleiro gravado na pedra por mão humana com dois curiosos pormenores, entre o mastro e o convés, uma enorme pedra fazia como uma cruz num circulo e à frente do veleiro, gravado pelos elementos na pedra onde tudo aquilo assentava, uma onda, uma onda gigante e olhei de novo a ponte que naquele preciso instante se desvelou outra vez por um momento o x do pilar e se tornou a ocultar. Na rua em frente ao palácio, um belo carro alemão, preto com estofos beje e umas grandes folhas lá dentro, como um imenso selvagem arranjo floral, matricula do corpo diplomático. Ao lado direito, ao instante, uma gaivota que pousará numa antena de comunicações, levantou voo, desenhando a linha invisivel da ponte escondida e assim li,... uma grande pedra no veleiro, fez uma grande onda no mar e as comunicações do palácio das necessidades cortaram a ponte entre as duas margens, ou ainda,... uma história de uma onda gigante tinha cortado as comunicações entre as margens de Alcantara, a ponte que liga as margens.

Todo eu me espanto espantado perante o Amor, todo eu me espanto em Amar-Te, o Amor, tremendo espanto quando mergulho em Teus olhos verdes do Mar que me fazes a mim peixe, ansiar, neste longe perto nesta espuma dos dias que sem Ti passam sem passar.

A imagem continou a se desenrolar, na casa amarela toda arranjadinha, o nome do empreteiro sempre me recorda a Ti, pois tem nome próximo ao Teu, que não é Teu e reparao noutro nome, o de um arquitecto, com o mesmo de uma bela jovem menina que conhecera na noite da vespera e com quem a conversa súbita adquirira rápido uma profundidade verdadeira, uma tristeza em seu coração trazia, falou-me de dois jovens que se tinham morto, sendo a segunda filha de um médico que eu conheço, que curiosamente já mencionei neste livro, por um instante fiquei a pensar se não serias Tu que assim me chegavas, era e é bela, a jovem menina, depois no final a pomba de novo bateu palmas e me disse, bravo, hoje de manhã estás a ler bem... e eu lhe respondi, Tu sabes, é porque Amo muito Minha Amada e quando assim vou feliz, tudo se torna sempre mais Alvo e luminoso e eu e Tu, o Amor Voador dos Pássaros do Espirito Sempre a Voltear.

Eu não sou o teu demónio, eu não sou o teu demónio, eu não sou o teu demónio, eu não sou o demónio, poderás ser para mim com tua palavras mais gentil? se não te fecharem por isso as asas um milimetro que seja.

Hoje sou eu que te digo, segura-te rapariga, se já não for atrasado que o Amor não se Atrasa nem se Adianta, É Constante, pois a atender ao que ouvi o espirito dizer, mais uma ameaça me foi feita, rezava a reza demoniaca, está caladinho se não divulgamos as tuas preferências sexuais, divulgamos aquilo que eles acham ser as minhas tendencias sexuais a partir do que sabem do que vejo, tolos e estúpidos e estupidos e tolos insistentes e espiões, para não chamar pior, que isto é discurso de chantagistas, além de tudo cegos, pois deviam conhecer-me melhor, como se eu fosse em chantagens.
parece que está na moda, irra.

Depois numa revista um homem cansado agarrado a um braço com cabos coloridos num objecto do olhar, a sorrir, e um outro que costuma estar a trás com uma escultura atrás em sua casa, e eu a perguntar, mas esta gente, me quer avisar de quem meu amigo diz ser ou me avisa como meus amigos não ser, e lhes digo a todos, se me quiserem avisar de algo, façam favor de vir falar comigo, ou telefonem-me ou escrevam, que eu sou cego e vejo mal ao longe ou ao perto e depois não precisam de ter tanto trabalho e talvez se cansem assim todos menos, eu inclusive, mas se for amor, nada leva a mal e agradeçe.

Sabes Amada, o terror trouxe a Portugal um virús que ainda por aí no ar e que afecta a muitos seu pensar , em dia recente falei aqui de imagens truncadas e nem dá para acreditar, ninguém, nem nenhuma referência ao dito, a este assunto voltarei, depois destas férias que não ainda não terei, para isso, mesmo bom, seria estar ao pertinho de Ti.

Beijo como peixinho as conchas do mar se no mar as encontrar, aquelas que andam a ver, pois bem veem, cada uma para seu lado, sem estar a falar de estrabismo, claro está, que o cego sou eu, se não o fosse, já te teria encontrado, prova maior nem menor, há, ah na praia quente com a pele quente a faiscar, é bom, mesmo bom, já estou a delirar.

e não tens vergonha, perguntou-me um pássaro em cima da arvore
eu não
e não tens medo do que podem dizer, não tens medo de perder tua amada?

Medo do dizer alheio, não tenho não, e para minha amada sou como o mar, profundo e sempre claro e digo-te ainda, se para salvar o mundo tiver que me empalar ao vivo num grosso pau aqui ao vivo na rede, podes crer que não hesitarei em fazê-lo, sabes, em dia recente, vi aqui um enforcamento, depois disso, já três jovens se mataram, uma por revolta e dois por mimetismo e dois governantes já estão em divida, pois já se foram outros por eles.

Sabes, amado pássaro, antes deste livro ser fechado, parece-me que ainda vou ter que escrever umas compridas linhas sobre sexualidade, imagens da sexualidade, seu significado e significante e desmontar uns tantos mitos que alguns que querem rotular outros, tanto com lugar comum usam.
abriu as asas e voando ainda o ouvi dizer, sabes andam assustados contigo, com teu saber