terça-feira, setembro 30, 2003

aqui se declara
do encontro o querer
da mão o agarrar
não o bater
da emoção certa e quente
não a surdez
A minha mão direita avançou no espaço da mesa entre nós intreposta, dedos em ângulo a fazer o movimento de mim para ti e no meio, bate no tempo e no tampo a marcar uma fronteira, a dar a ideia da fronteira, enquanto a minha boca as palavras falavam, sabes, eu já não acredito que haja diferenciação entre o interno e o externo, vivo-os como uma única realidade e eu a ver o espanto a desenhar-se nos teus olhos, como um qualquer gozo incrédulo disse-me o teu sorriso a responder.
e assim fiquei neste assunto a meditar.

Sabes Mafalda, o facto de não existir diferença entre o interno e o externo, não invalida que simultaneamente existam os corpos, nomeadamente os alheios e muitas outras coisas de permeio que geralmente existem sem mim ou não. Contudo quando com elas me encontro, não só com aquelas que estão presentes no meu próximo espaço, mas também coisas tipo, um desejo que transporto dentro de mim que quero muito que aconteça, ou outra coisa ainda, como uma saudade, um pensamento,já as coisas não estão de permeio, que é como quem diz entre, são mais assim, como que permeadas por mim, nelas participo, elas me participam.

O espaço tempo em que me movimento não é aquele que os meus olhos abarcam, ou o relógio da sala a falar-me de um tempo contínuo sempre para a frente, como se não soubessemos que existem tempos para trás, tempos parados, presentes parados, futuros atrasados e todas as suas infinitas variações, mas isto não invalida tambem a existência dos horários de trabalhar. Falo-te da percepção da não existência de fronteiras da forma como habitualmente as pensamos, de que eu não sou só corpo e que mesmo ele é como que uma configuração energética, como modos de ser e agir que em muito ultrapassam o limite físico do meu corpo. O meu espaço não está limitado pelo alcançe da minha mão, mal entro na sala, a minha forma de expor que trago em mim naquele momento, já inter-aje com os empregados ao fundo, mesmo antes de nos ver-mos. Eu, o espaço do restaurante, as pessoas, todos bailámos, já, pelos ceús, mesmo que alguns teimem em não reparar como tudo se tornou de repente como que um barco bêbado, a abanar e ressoar. Alías é melhor dizer que mesmo antes de eu entrar já estava tudo como que misteriosamente conectado, havia mesmo um certo tipo de ambiente emocional, muito em consonância com o tempo no rio, mas que não se esgotava nele.

Sabes, estava mais a falar daquele tempo da escolhinha antiga, onde não tinhamos ainda a percepção dos falsos limites, antes de começarem a por as coisas em caixinhas e nos convidarem a ver assim, como que dizendo tão giro, vê lá como fica bem ali naquela caixinha, que arrumado e dá tanto jeito, resolve uma imensidão de questões, facilita, e então a não haver esta percepção dos limites, viviamos por assim dizer em vertiginosa expansão, os nossos corpos, que melhor será dizer, nós no nosso todo, eramos grandes, muito grandes, as nossas mãos pintavam estrelas em ceús distantes e outra magias que tais. Estava mais a falar de desejar voltar a ter um corpo muito muito grande, que me permita ter um horizonte muito grande.

E se eu aparentemente existo sem ti, é só verdadeiro em parte, porque há sempre uma parte um do outro que reside em nós, que fica a residir em nós quando nos cruzamos, como a indicar a possibilidade de se pensar tudo isto como um só corpo, com muitos corpinhos diferentes.

E o problema não são as caixinhas porque enquanto fazem sentidos e muitas assim o fazem, é de as guardar, uma coisa torna-se um problema, quando as nossos perguntas não têm respostas, daquelas que estão nas caixinhas.


Ora pois um beijinho para a Suave Mafalda

segunda-feira, setembro 29, 2003

mudar é como surfar
vai-se na onda
com a onda
aponta-se à
um ponto em terra
e depois é ziguezaguiar
Na onda
Não contra a Onda
Quando a Onda
me deposita na Terra
é sempre um bocadinho
novo ao lado donde tinha apontado
só depende ( o bocadinho) da escala com que o observar
ou da lente que usar
realidades da mecânica terrestre


No tempo recuado do liceu
uma vez ao entrar
Aquela Menina
Comigo veio Ter
Tem cuidado, tem cuidado
que hà facas para te apanhar
e a realidade assim era

Aquela Menina
que a Meus Olhos
era bela como o Sol
Com um belo sorriso
com sardas
que eram como estrelas
Onde o meu coração
Se perdia
a com ela
me cruzar

não vás por essse lado
disse-me ela naquele dia

O problema que desde
esse momento me deixou
de parecer problema
era mais ou menos assim


30 anos apenas, os dois
tempos quentes de meninices
em fantasmagóricas histórias
essencialmente inventadas por adultos
e nós todos Meninos a brincar
compenetrados nos seus guiões.

Aquela Bela Menina estava no grupo
do outro lado,
Aqueles que ainda hoje
se divide entre esquerda e direita

Terá sido das primeiras
ilustrações da não funcionalidade desta dictomia
que é como quem diz, que a realidade
não é esta dictomia
e que ver assim
pensar assim
é como utilizar
um instrumento incorrecto
que portanto não funciona bem.

e não deixa de ser, atrocidade às outras direcções do espaço e tempo, ou se se quiser, da

consciência.
houvera um dia em que tivera morrido
Tal Paz imensa, nunca sentira na vida
Conduzida pela mão da Senhora de Preto
fora de este espaço e tempo
tipo salto espaciotemporal
apontado ao Sol
como um buraco do céu
Estar além
da redoma
do último céu
um espaço infinito
sem qualquer pressa
sem qualquer tempo
Infinitamente Amoroso
Infinitamente Docê
Verdadeira Alma Gêmea
Depois a questão
e a resposta que o trouxe
de novo aqui

sexta-feira, setembro 26, 2003

O pimpampum agradeçe aos que deslindaram o mistério dos arquivos e por eles terem de novo regressado a esta casa
Sinal

gostei de saber que um grupo de aviadores israelitas se recusam a cumprir um determinado tipo de missão e disso dar conta ao mundo. Bem sei que esta atitude é sempre problemática e coloca em causa um dos princípios básicos do conceito de dever do Soldado enquanto obrigado pela sua Instituição.

naquela espiral de violência que aqui ao lado se vive, já ninguém sabe de onde partiu a primeira pedra, ninguém desse facto ainda transporta a memória. O acumular da dor, do ódio e da intolerância mútuos, já tudo envolveu, há muito tempo e o sangue não para de correr em ambos os lados, Iguais nos Mesmos Corpos dos Homens, Mulheres e Crianças que tombam. Jovens Flores Ceifados Antes do Tempo, promessa do amanhã.

A violência mora nos corações dos homens de cada lado, não lado a lado como deve ser. Por isso quando um Soldado directamente envolvido na questão
declara um limite na forma de matar, sustentado na crença comum aos Israelitas, Abre Verdadeiramente a Porta ao Tempo de Paz. Depois é entrar na Casa Comum e passar do limite no matar para a ausência do matar. Um tempo de paz já sem limite, porque cada um decide não matar e então se Faz a Paz.

Muitos serão os Isrealitas inspirados por este Acto, relembrando que muitos quer dizer os Suficientes para se interporem, criando o espaço da PAZ.

Eu dos Exércitos partilho com muitos outros a ideia de uma Instituição vocacionada para a PAZ, para a sua defesa e implementação, como Portugal tão bem Sabe Fazer. Eu nos Exércitos, vejo um tipo de escola, Veiculo de Formação Humana, Transmissor de Nobres Conceitos e Valores, por isso não me parece que esta Instituição ou os indivíduos que a compoêm devam escamotear as questões morais que o caminho coloca, porque o Bom Soldado é aquele que não quer guerrear, que não se deixa envolver em guerras, pois tem sempre a memória do Terrível Custo dessa via.
Até ao dia em que deixe de haver necessidade de Soldados deste tipo, daqueles que fabricam sangue e todos se transformem em Soldados da PAZ

quinta-feira, setembro 25, 2003

Confusão, o blog central diz que não perdeu nada mas os links para os arquivos tem que ser refeitos, a ver vamos, que de momento alguns foram passear. Se alguém os vir a passar, digam-lhes para voltar a casa
Obrigado
oh meu amor hoje amado
amanhã ver-te-ei nos braços de outro
os teus beijos não serão meus
o lençol em que te deitas
não o pûs eu a lavar
O teu sorriso
já não sou eu que o rio
o copo em que bebes
não é o meu
Oh meu amor ontem amado
não te vejo
oh meu amor amanhã amado
já te conheço o rosto
na pupila do coração

(este poema é uma variante do um poema do Poeta Khill Gibran, que uma vez eu fiz , o original, num programa de televisão)

Senhora das cumeadas
deixa-me estar em teu vale
pai, estás aí
sim
o que se passa
nada
nada como
passa-se só o que há a passar
mas eu não vejo nada
sim mas sentes
o quê?
o tédio
e o vento a agitar
o tédio
e a beleza a passar
o tédio
e o amor a dar a dar
o tédio

se a vida é mudança
deveriam os excêntricos
ser acarinhados em vez de batidos
porquê?
porque os excêntricos são imprevisíveis
como a própria mudança e por isso
mais aptos a com ela dançar
Mas tem problema
se são imprevisíveis
não se conseguem dominar
pois não
exactamente como a mudança
Pai, muda o filme que este está em reprise contínua
Lisboa 2005

Hoje, a convite da minha avó, fui passear ao Rossio, ouvir um jardim sonoro interpretando ao vivo Bach. Naquela praça sem carros desde há já alguns anos, fazia todo o calor deste verão. A minha avó começou a sentir-se mal e dirigimo-nos de imediato para a Casa do Cidadão, a antiga Loja do cidadão. A avó repousou-se na cadeira biomédica que, através de um conjunto de sensores, de imediato procedeu ao diagnóstico da situação. On line no ecrã à sua frente, uma médica tranquilizava-a dizendo-lhe que era só uma quebra de tensão, prescrevendo as necessárias precauções, e marcando, ali naquele momento, uma consulta no dia seguinte no hospital. Mentalmente tomei nota de na próxima vez que fosse à loja da Fátima Lopes em Paris de não me esquecer de comprar aquele tailleur, que tinha saído na última colecção. A avó já viu este tailleur, da Fátima Lopes, gosta, olhe que lhe ficava muito bem, disse-lhe ao mostrar-lhe no meu telemóvel a respectiva fotografia tridimensional. É bonito sim, mas não sei se me ficará bem, respondeu-me. Não se preocupe, que vamos já ver e, dizendo isto, modelei em 3D em tempo real a avó. Depois, foi só colocar o figurino na avó, como se de um espelho se tratasse e aí, ela disse, é muito bonito e fica-me mesmo bem. Deixe-me então oferecê-lo. Sabe avó, é que este tailleur incorpora as mais avançadas tecnologias bio médicas desenvolvidas em parceria entre diversas Universidades e Empresas e a família ficava muito mais tranquila sabendo que a avó estaria sempre monitorizada no plano da sua saúde.

Com tudo isto e porque me tinha esquecida da carga, fiquei sem o telemóvel. Ao sair-mos da Casa do Cidadão, dirigi-me a um daqueles postos videofone públicos que hoje se encontram em todo o mundo e marquei a viajem e estadia das férias da avó na nova estância submarina das Sete Cidades, aquela que dá para a Atlântida.

Ao voltarmos a casa no Smart a hidrogénio, último modelo desenvolvido pela Universidade Técnica de Lisboa em colaboração com a Mercedes Daimler, nos meus óculos de sol, apareceu-me uma mensagem , informando, aqueles que no projecto tinham colaborado, que o excelente concerto das Ruínas do Carmo, de ontem, conduzido pela belíssima voz de Teresa Salgueiro comemorativo da Paz entre Israel e Palestina, tinha sido visto por 200 milhões de pessoas no mundo inteiro. Tinha sido uma operação que integrara a RTP, a PT, RDP, e outras Entidades, diversas plataformas e tecnologias, desde televisão hertziana digital, cabo, Banda Larga, SMS e outras novidades móveis. Um sucesso, terminava o relatório, informando que em virtude de o Evento ter promovido a Imagem de Portugal, hoje, os operadores turísticos globais, tinham esgotado a oferta durante esta época de veraneio. Hoje, vou dormir contente. A avó pediu para passar no cemitério onde o avô repousava e na campa, a imagem em plasma tridimensional do avô, dizia à minha avó o quanto a amava. É que ele, tinha passado muito tempo no seu pc, a criar as suas mensagens para o futuro. Estranho mesmo, foi a forma de ele terminar a mensagem, quando me deu os parabéns pelo recente sucesso. Como é que ele sabia, fiquei eu a pensar, a relembrar-me que o meu avô era um homem de muitos recursos.

Tem um senão esta breve estória. É que tudo isto é tecnologicamente possível hoje.
estória da outra face do olhar

No balcão os flamingos e os jovens corvos enredam-se no baile dos risos e dos movimentos enervados que transcendem os próprios gestos, a anunciar como que o desejo da futura cúpula. Ele estava como que hipnotizado nos risos gorgolojantes, não sabendo rigorosamente do que se tratava. Um dos jovens corvos inclina-se e chama-o para próximo de si, para onde estás a olhar e ele a tentar pensar supreso na pergunta, que não sei, sei vagamente da direcção e é tudo, mais nada e mesmo antes de o poder verbalizar, chega a estalada à cara, como um peso real que não era o seu. Os Flamingos espantados, afivelam caras de negação ao corvo, enquanto que ele deu consigo a levantar-se do seu banco e a tentar atravessar os animais de permeio, que entretanto por ele tinham reagido. Deixa-o que ele é um animal porreiro, e ele face aquela muralha de corpos entretanto formada, resolveu sentar-se de novo como se nada se tivesse passado e a realidade é que pouco se tinha passado, só uma estalada, uma pequena marca do chamado real e isso o que era...não justificaria nenhuma acção de retorno, dou-lhe uma estalada, para quê, para andar-mos todos ao estaladão. Passados muitos anos o corvo veio habitar no prédio dele e quando se encontravam diariamente no café, ele pensava que estranho corvo é este, que afivela uma qualquer culpa no olhar ao cruzar o meu, e só passado outros tantos anos, já o corvo não era seu vizinho outra vez, que ele então percebeu que o corvo, era o mesmo daquele balcão. Consta que ele não era assim tão distraído com algumas outras coisas...

quarta-feira, setembro 24, 2003

coisas da mecânica terrestre

Inovar é basicamente muito simples. Olhar a coisa, perceber o pensamento de quem a criou e depois agradecendo a Deus toda aquela papinha já feita, ver como melhorá-la.
Inovar é tornar o complexo mais simples, tornar o difícil mais fácil.
Inovar é poupar energia na execução da tarefa
Inovar é como agradar a nós mesmos
Ao alcance de qualquer criança.
Conversa a várias vozes. Perguntava recentemente a Paula que desliza nos sonhos uma coisa que me ficou a ressoar cá dentro. Se se aproximavam tempos de intolerância. Mais ou menos síncrono a Pedra e a Espada trazia um belo axioma, num tempo onde se acredita que tudo é possível, tudo verdadeiramente se torna possível. Sim eu sei da ligação entre tudo, eu sei da imaginação activa e activante, eu sei da ausência da paradoxal fronteira entre o dentro e o fora, entre mim e o Outro e suspeito que se andarmos com medo, que é outra forma de dizer, ter-mos o medo a residir dentro dos nossos corações, então sim criamos condições para a intolerância, porque a intolerância anda sempre de mão dada com o medo.

Porque é que o axioma é então Belo?

Porque se em vez do medo, no coração de cada um Habitar o Amor e se formos bastantes que quer dizer os suficientes e porque tudo é possível, se transforme a Terra num Imenso Jardim.

E de repente vem-me visitar a D. Felismina que não gostava de ver filmes na televisão porque achava que as mortes eram a sério. Depois apareceu-me um tetra tetra avó que num domingo de manhã na praça dissera, ir à Lua, um homem ir à lua, impossível!. Depois dele veio Júlio Verne que o imaginou e daí até acontecer foi um passo porque imaginar e acontecer têm muito a ver, são como dois gémeos.

Ou então pensar naqueles guionistas, tais psicopompos a fazer um filme que antecipa o que se passou no 11 de Setembro, sabendo que todas as coincidências são significativas e a lembrar que Utopia é só o lugar daquilo que ainda não é visível, mas por já ter um lugar que é como quem diz um nome, uma substância, tem forte probabilidade de vir a Acontecer e às vezes acontece mesmo.

terça-feira, setembro 23, 2003

Como Agostinho da Silva costumava dizer, pés na terra e cabeça no Ar e coração a dar a dar , acrescento eu. hehehe

um pré pensamento da operação das coisas terrestres e celestiais

o problema básico de percepção sobre a Sida reside na não consciência e implicações da noção de Confiança nas relações interpessoais. Precisamos de Olhar para a palavra Confiança e sobre ela reflectir. Lavá-la de novo e estendê-la ao Olhar
O meu olhar cruzou-se com o do Veado e ficaram os dois parados, duas almas a olharem-se ou seria uma só?

O meu Irmão Veado não fala como eu
provavelmente não pensa como eu
Mas Sente como Eu
Isso eu na Sua Alma Vi

Provavelmente eu não falo a língua do Irmão Veado
não penso como ele
Mas Sinto como Ele

O irmão Veado Sabe coisas que Eu não Sei
e Eu outras que Ele não saberá?
Dou conta em mim que me apetece dizer muitas coisas a muita gente e a aperceber-me que aqui o faço. Há muita gente que eu quero dizer que Gosto e é bom viver a achar assim. A alguns deles, até Mestres Ousaria Chamar, ouvindo dizer por aí que não há mestres, que o Mestre, esse reside em nós e sabendo dos perigos das manipulações de Poder sobre o outro das pequenas magias.

Contudo sabe-me tão bem quando cruzo Alguém que me dá bons conselhos, que é como quem diz, me põe a pensar de uma nova forma face a uma velha questão. Alguns deles, deixam-me presentes para eu só abrir muitos anos mais Tarde, Oh como é bom ser avisado, que é como quem diz, alguém que avista as questões e que decide partilhar o que sabe e não sabe. Oh quantos respeito e desejo como companheiros, pela única razão do real respeito, que é a compreensão da Inteligência e do Saber do outro, a fundação da Verdadeira Autoridade

Não Será um Mestre, aquele que Sabe e partilha o Seu Saber, sem contudo nunca o querer impor?

Não Lembra o Mestre a figurinha do antigo pedagogo grego, de pele tisnada, que comigo caminhava de mão dada e cuja Única Dádiva consistia em Ajudar-me a Encontrar em Mim as Respostas, o que me ajudava a encaminhar as respostas de dentro de mim.
Eram e são gente como nós.

uma gentileza compensa 4 cigarros

segunda-feira, setembro 22, 2003

decididamente gosto de azul, desta vez saiu-me Cobalto, cor que a mim me inspira solidez e profundidade e assim me casei outra vez neste espaço que permite a bigamia múltipla com, mais uma vez não sei quem, pois o e- mail que do azul cobalto recebi era assinado por um asterisco antes do nome, talvez o Cobalto Seja múltiplo, como o é na proposta do seu sentir. Assim mutuamente honrados me decidi Anelar
Dizia a teresa em Lagos no fim do espectáculo do rodrigo, que ele tinha uma mistura de Sagrado e Carnal e bem razão ela tinha, pois ao deter-me neste pensamento, vejo o Sagrado na sua vertente de compositor que já vem de longe, dos tempos que integrava os Madredeus e que deu Origem àquela nem sei como chamar, música, A Ascensção Magistralmente Vocalizado pela Teresa Salgueiro e pelo Francisco, que abriu, digo eu, uma fenda no Tempo Eterno, no Tempo do Seu Acontecer, e que hoje continua em termos de composição e interpretação na Bela angêla da Sua Bela e Diferente Voz da teresa. Digo isto por que senti uma especie de baque assim que ouvi pela primeira vez a ângela, pois foi transportado para o Tempo Antigo da Madredeus e estabeleceu-se assim como uma comparação e comparar é como ter, uma dissonância cognitiva. Creio que a angela tem muito para voar, vejo versos em português cantados como em Cantata, vejo enfim muitas possiblidades e o rodrigo logo descobrirá a sua, e agrada-me Ter a meu lado no país onde vivo um compositor que viva a procura do Sagrado. Quantos mais melhor e felizmente ele não está sózinho. Carne no lado do Tango, um rodrigo que enlaça e dança acompanhado pelo Acordeão e Bela Voz da celina porque tambem foi com um grupo, todo ele a dançar, que se apresentou no final da tourne em Lisboa. Gosto da mistura de Carne e Sagrado, porque a Carne é Sagrada Também e por isso deito-me a imaginar por onde o rodrigo e os que com ele dançam irão chegar, sabendo que a volta da passíon, como o rodrigo decidiu chamar, foi grande, por terras de Espanha onde foi muito bem recebido, pois disso ouvi falar e é, a volta, prova provadinha que Tem Pernas para Andar. Por isso meu menino d´ oiro como gosto de te chamar, que os ventos te Acarinhem e Protejam, a ti e a todos ao Bailar.


Acabada a conversa entre um pai e um filho começado no sábado, contudo está com acentuações e coisas dessas completamente estranhas.já o corrigi de novo e aconteceu o mesmo, pois assim fica

domingo, setembro 21, 2003

aquilo que eu escrevo, não é o que eu sou. pois é belo Berlinde, as imagens ambivalentes, vibram, abrem os múltiplos significados que ressoam no infinito de nós, aquilo que ainda não está acabado, mas sim a espera de ser acabado, que adquira o seu único sentido, que enfim se torne finita e tudo de repente pare e pule.
adorei ver na tv a jam session das nações unidas. É com este espírito de Alegria que se deve partir para As Nobres Tarefas que tem neste momento pela frente, num tempo inaugurado, onde ela própria é atacada. É Grande a Tarefa de Acabar com as guerras, a fome a miséria do Mundo e Estamos Todos Cansados de Ver o Sangue daqueles que são Iguais a nós no Corpo, a escorrer um pouco por todo lado.
Ontem Foi Ver o Concerto do rodrigo leão no Ti Vo LI e fiquei com os pêlos em pé por variadas vezes. Para quem quiser hoje, o Rodrigo Leão dá um concerto extra que acaba a sua primeira tourne ibérica.
Conversa entre um pai e um filho (1)

Sabes eu nunca me preocupei muito com o aproximar da Morte, Sempre tive um sistema de crença para lidar com a questão, Sim, embora sabendo que é tão grande a Crença em Acreditá-lo como em não Acreditá-lo, ambas são indemonstraveis. Mas agora que se aproxima parece-me estúpido que acabe, gostava de viver pelo menos duzentos anos. Eu tambem, mas num corpo que se mantivesse sempre nos trinta.

Sabes é que eu acho isto cada vez mais Belo e é uma Pena, é como uma Tristeza a Assolar-me Pensar que irei perder isto tudo, parece-me um desperdício.

Sabes, eu últimamente ouço muito que seria uma chatice tal facto, ter a possibilidade de viver duzentos anos, mas sabes, o que eu vejo debaixo do tapete da afirmação, são as pessoas a dizerem que que não andam felizes, porque se estivessem, certamente não hesitariam em querer viver duzentos anos. E o problema é quando se anda Triste não se acha as coisas Belas, por isso Se Calhar é melhor não andar Triste, porque senão deixamos de Ver o Belo. Sabes, eu sinto essa Expressão do Belo como uma Emoção Sagrada, de algo que me transcende e simultaneamente não, tipo uma coisa que está dentro e fora de mim no mesmo tempo, que não é senão uma outra forma de o Nomear.

Sim percebo o que dizes, mas não pensas que é nesta idade que eu vou mudar o meu sistema de crenças. Eu não penso nado, estou só a conversar contigo, disseste-me uma coisa e eu dei-te a ver o meu lado. Lembra-te de mim em pequenino, não tinha qualquer formulação religiosa em que me enquadrar e agora considero-me um homem Religioso, o que me prova que as nossas convicções podem ser alteradas, mais, que se alteram pela própria acção das Coisas que connosco convivem, a que se chama, Eventos ou o Tempo da sua Expressão.

E se assim é, se tudo é movimento, não será mais lógico aceitar a mudança, querer mesmo a mudança, sem mais se preocupar com o fardo velho da crença que se deixou para trás, fazendo-lhe como que um enterro rápido e partir Firme para Estar de Braços Abertos ao Novo Que Investe.

É o que Sentes que é importante, não o nome que lhe chamas porque o inventaste assim ou porque alguem to sugeriu e pareceu bem no momento. Tambem já ouvi dizer que a Consciencialização do Religioso, Aquilo que Re-liga, que Nós Dá do Mundo uma Visãoo integrada, Não fragmentada, Sem rachas e o Doce e Belo viver, é só um grito, como um pedido de socorro, de quem se aproxima do fim da vida, como quem aponta, afinal ele não era assim tão corajoso nas suas crenças, está agora aflito e Deus Lhe Acuda.

Mas o que eu vejo no tapete da pergunta, é alguém que se encontra fragmentado, que não consegue estabeler as necessárias conexões para encontrar antes de mais a sua própria paz, pois a prova disso é a sua necesidade dos outros julgar e depois, a vida não é decidamente um jogo de algumas crianças a ver quem a tem maior.

Há mais Coisas para Fazer, do que perder tempo e energia a criticar ou a acusar o parceiro. Bem sei que Existem Razões de Sobra de Queixas ou por outras palavras para levantar-mos um bocadinho a questão e sairmos dos nossos ordenados e desemprego, há Crianças a morrer com ventre dilacerado pelas explosões, há Crianças a Morrer nesta Casa Comum onde Todos Temos O Mesmo Corpo por Falta de Comida, Há Crianças, muitas, A Quem Não Deixamos Serem Nem adolescentes, pelas Condições Que Lhes Damos Para Habitar.

E tudo isto está ligado, os ordenados, a produtividade e as Jovens Belas Flores CeiFadas Antes Do Tempo, As Promessas do Amanhã. E Uma Imensa Tristeza dos Pais de Todo o Mundo A Crescer e a Todos Contagiar. Um Enorme Urro a Elevar-se pela Atmosfera da Mãe Terra, que trás como companheiro o medo abismal, a Noção que Todos Sabemos Que Agora é a Doer, Que Aquilo que vemos lá ao Longe, Pode Aconteçer Aqui Dentro da Nossa Própria Porta, a de Cada Um.

São Tempos de Contágio Universal, As imagens como que estabelecem uma realidade instantâna e não local, entendido na perspectiva quântica. Mas mesmos as Imagens, sendo uma realidade ilusória, não deixam de activar Estados Emocionais em quem as Recebe, um quase, mesmo, numa terra que pela forma como se está a interconectar, permite a Criação de Estados Emocionais de tonalidade Idêntica e Simultãnea a Muitos.

Mas sabes, eu acho que estas questões podem ser resolvidas por Nós Mesmos, não me parece que o Homem não possua a Imaginação e Vontade para o Activar, mas sabes, quando falo com outros ao passar, vejo um enorme espanto nas suas caras como quem diz, este é Maluquinho, ou Criança, haverá sempre guerras e miséria no mundo, é o que lhes oiço dizer e as vezes até me fico a perguntar a mim mesmo se serei realmente eu, o Louco.

E sabes quando nos encontamos fragmentados, abre-se o tempo dos medos, da reação agressiva como forma de defesa, energia mal gasta por falta de Apontar à  integração, que é só Outra Forma de Dizer a Paz Interior que é Simultaneamente Exterior, porque quando andamos tristes, com medo e zangados é esse o Sentir que reside em nós e Se Assim Somos, que não é de coisa esóterica que se trata, é de Sermos Paz, Caminhar nos Seus Passos e Assim Alumiar, que é como quem diz, Promove-la, Fazer Um Tempo de Paz.

Sabes, uma tristeza é como uma pena, uma Asa Ferida, que lá está a moer e assim fico triste e Todo Este Belo como que se me tolda, por isso talvez seja sempre melhor não ter penas, porque elas tendem a não deixar que o Vôo Aconteça.

Deixa- Te ir no Doce Embalo se assim o Sentes, Se Dessa Maneira Se Te apresenta.
Pareces um catequista a falar
Estás a Brincar, Eu...
Olha e, se a morte faz parte da própria vida, que é coisa que aprendemos de desde pequeninos, as células mortas da pele a descascar para dar lugar à  nova e outras ilustrações de que Uma não Existe Sem a Outra e que Uma é a Outra.
Depois je juntar um Fio, que é, o pensar que se a Vida não é Eterna, a Morte também o Não Será.
Talvez Isto Acalme os Nossos Passos e nos permita andar Focados no que Verdadeiramente Importa
Ora, isso é um Silogismo formal do século 14
século 14?
Será?
depois Desceu o Silêncio
Pai Meu
Que estás no Céu e na Terra
Que eu sei que Tu estás também
Na Terra
Quando o meu coração é Plácido
Tudo o que desenrola
Os meus passos
É Sinal de Ti
Oh Pai, que Quando Assim Acontece
O Mundo Se Torna Todo Doce
Num Instante
Reina a Gentileza
e a Boa Disposição
Entre as Gentes

Porque sempre soube de Ti
mesmo quando O Esqueci
Peço-Te Pai,
Deixa-me Ser Guiado
Por Teu Passo

E Pai
Deixa-me dizer-te
Quão Feliz
O Amor
Que me Dás

E Pai
Deixa-me pedir-te
Que Me Retires As Nuvens
e Que Me deixes Ver-te
Aqui no Instante
quase glossa
Oh querido, desculpa, desculpa não te amar mais, vou partir, oh querida, desculpa-me de não te amar mais, desculpa-me do meu trabalho, da cidade em que vivo, desculpa-me de o céu não veres entre os tectos dos prédios altos, oh querido desculpa-me de não ir ao cinema, de não ir jantar a casa dos sogros, que eu te amo a ti, não a eles, que sim querido, que posso vir a amá-los, não te preocupes, desculpa-me de ter-me esquecido do teu corpo, das festas atrás da orelha, não faz mal querida, não faz mal, hoje assim, amanhã diferente, tudo começa e acaba e volta a começar, constante só a mudança. Oh querido perdoas-me? de quê Querida, que a culpa não existe, só fizeste aquilo que tinhas a fazer, o que a tua vontade ditava, se me dói, sim até sim, que sim dói, mas depois, culpa de me fazeres doer, e a dor que tu já sentias, a dor que teria de ser grande para sustentar o teu partir, se pensares no que seria ficar, e amanhã a dor, de que tamanho estaria? Oh querida esta dor no coração é mais dor do corpo do coração do que do coração mesmo, porque doi-me a ausência do teu corpo, do teu cheiro, do teu sorriso, do teu timbre de voz, a cor dos teus cabelos, a foma de a dormir enlaçar, porque a Tua Alma, está sempre dentro de mim, já estava antes de te encontrar e vai continuar até Todo o Sempre, não há nenhuma Separação que a separe. Por isso ninguém parte, ninguém parte de ninguém, é só como se, se afastasse para um longe que é perto, continua perto, tão perto, que se Uma das Vontades O Querer, tornam-se a encontrar, nem que seja para um café. Oh querida obrigado por teres partilhado os teus passos comigo por um instante, o Caminho Floriu. Agora vou-me pôr como um pássaro, a apanhar banhos de sol ao Sol, como que com toalha estendida sobre a relva do jardim e quietinho ficar à espera da nova flor que me vier beijar

sexta-feira, setembro 19, 2003

De como o Mundo dá um pinote quando Junta--MOs o Corpo Num só espaço

Oh querida, lembras-te, primeiro é a noção da diferença entre dois corpos, depois deixa de haver noção de cada um de nós, os corpos tornam-se um Outro corpo, Um só Corpo, maior que os nossos dois. Olho-o sem o Olhar e é como se Olhasse uma Bolha de Energia, um centro Radiante em expansão a interagir com Tudo O Resto Inteiro, a ele ligado por finos fios de prata que bailam no enlaçe. Suaves e rápidas ondas concêntricas Emitidas de Um Só Centro. O tempo então pára e um riso Selvagem doido de Alegria se solta no inteiro Universo, Revarba todas as agudezas, Dissolve todas as farpas e inaugura o Novo Tempo Onde nada se Perde e Tudo se pode Alcançar



Oh Querida queres ser minhã Irmã, Oh querido, não,que eu quero Ser a Tua Mulher, oh Querida para seres minha Mulher Tens de Ser minha Irmã

A minha pequena Irmã da minha infância, Aquela a quem eu tudo podia dizer, Aquela que tudo me dizia. A Irmã dos Mesmos Olhos, de um mesmo Desejo de Olhar, de Entender. A Irmã com quem o Mundo de repente se tornava Amplo e Estendido ao Infinito. O Irmã e o Irmão Corajosos, prenhes de Vontade, a Aceitar do Outro Nada menos que Toda a Verdade ou o Outro Todo Inteiro, sabendo que nessa Inteireza, não calharia pedaço de fora. A Irmã e o Irmão Sábios que Vêm na pequena Contrariedade,A Porta do Grande Anverso e que Transportam em Si a Certeza do Mecanismo e por isso não são por ela Afectados. A Irmã e o Irmão Quentes, do Grande Desejo, com Um só Coração Aconchegador e Aconchegante. A Irmã e o Irmão Interpretes da Grande Epifania, pois deles se conta que por Onde os Seus Passos passavam, as Flores Floresciam e depois Minha pequena Irmã que Reside na Minha Grande Irmã, se por Tudo Isto Juntar-mos O Corpo no Mesmo Espaço, certamente que o Mundo dará um Pinote.
estou para aqui encravado numa qualquer pestana, sem ainda saber porquê, a pesar e sopesar os jactos escritos e aqueles imensos que bailam dentro de mim, com urgência em sair, a minha? contribuição para o manual do encontro e desencontro. Todos eles se me afiguram na face do desencontro e por essa razão não os compreendo. Não me apetece escrevê-los, apetece-me sim mais o Encontrar ou melhor dizendo Estar Emcontrado, por outro lado sei das reverbações no alheio e fico-me a pensar nos Mistérios do Caminho, a Urgência Impoêm-se.
He HE HE

Bate, Pica
Picapau,
Pau o Pica
Pica o Pau
HE HE HE
faz o picapau
da Árvore
a Sua Casa
He HE HE
faz o picapau
com o Bico
a bater no Véu
He He HEE
faz o picapau alegre
a batucar como o bico
a Sua Árvore

oh Pai, deixa-me agradecer-te o quente colo
Oh Pai deixa-me agradecer-te a Viva Luz
Oh Pai deixa-me agradeçer a doçura do Mundo
Oh Mãe deixa-me agradecer a plena acção
Oh Mãe deixa-me agradecer o Doce Fruto, o Pleno Perfume
Oh Mãe, deixa-me agradecer a Suave Visão
diz o Pum ao Pim
muitas asneiras tinhas escrito
é verdade
pois é
saiu de esguicho
é preciso atenção
ao que estás a fazer
e agora
estou a rever e corrigir
então até logo
onde está o Pam?
Oh querida poê-me a mão no coração, oh querida sentes o alegre e rápido bater, o querida sente-me só, sente-me sente-me sente-me

quinta-feira, setembro 18, 2003

Oh querida, não me digas que é assim, porque foi assim, assim não, o que foi não volta a ser igual, oh querida esta é a impossibilidade, contudo querida, todo o futuro está para ser inventado, oh querida, não me digas que é o que os outros dizem, oh querida assim não, oh querida os outros não estão aqui, só eu e tu a bailar, oh querida, todo eu sou diferente com cada qual embora igual, oh querida, eu sou em relação, oh querida eu sózinho nada sou, por isso trata-me bem, oh querida Olha-me, Vê-me, oh querida gostas de mim, oh querida não parece, oh querida, tu és assim e devias ser assado, não, não que não sou eu e se não sou eu, como te amo?
Oh querida há um principe e um sapo dentro de mim, oh querida chega para lá, oh querida deixa essas caixinhas dos pequeninos sonhos lá fora, oh querida nada disto é o que nós queremos, oh querida quem és tu, oh querida como te chamas, oh querida ao que vens, oh querida chega para cá, vá lá, querida, vem cá. he, oh, hehehe, oh oh OOOOOOh
oh querida que ainda não és querida, oh querido que ainda não és querido, porque ficaste ao longe a olhar, oh querida porque não avançaste, oh querida, oh querida eu tambem sou mulher, oh querida eu sou homem, mas quero tambem ficar à espera, oh querida, eu quero sentir a tua vontade, oh querido, eu também, oh querida como se desempata, oh querida, oh querida Alguém tem de mover-se, oh querida, não como os Flamingos, não, como o fogo fátuo, só o Desejo e sua Vontade

Oh querida porque chegaste com o mapa todo na mão, oh querida porque no bolso trazes já todas as rotas. oh querida queres navegar sózinha, como que acompanhada, ou, querida, queres com-migo navegar, oh querida, já me perguntaste das minhas rotas, oh querida, estendeste o mapa todo sobre a mesa e estás tão embrenhada no teu compasso que nem dás de mim conta.
Oh querida porque me imaginas se me tens à  mão, oh querida olha as estrelas no Céu, deixa serem Elas a conduzirem os passos do Amor, que é Ele que nos fez encontrar, não foi eu nem tu, oh querida é uma ilusão, a nossa razão nos Jardins do Amor



oh querida que dizes ir partir, oh querida eu vou partir, como se as relações acabassem quando um parte. Era preciso o sincronismo de os dois deixarem no mesmo momento de querer, coisa, oh querida, que eu nunca vi. É sempre um que parte, o outro tem tendência a ficar, ooh querida que quem parte também nunca verdadeiramente parte, ninguém tem uma borracha para te apagar ao partir. oh queridas são impossiveis as borrachas, elas pura e simplesmente não existem, ou então nunca houve nenhuma chegada, Oh querida que quando partes ou eu parto, nada deixa de existir, seja ao Longe ou por Perto.oh querida deixar o quê, nada se deixa, só se diz ao outro, vou para longe de ti, retiro o meu corpo da tua paisagem, oh querida e espero não ter um baque no coração quando te encontrar a subir a calçada, oh querida, vou mesmo mudar de universo, viver noutro lado, por um polícia de giro a ver se me avisa dos teus passos para com eles não me cruzar, sem querer? Sem querer, sem o meu querer, mas com outro querer, O querer do Próprio Amor, que é por vezes diferente daquele que imagino o meu querer, e quando isso acontece, sou eu que lhe Volto os Passos, inutilmente para meu próprio bem porque Ele está sempre Lá. em toda a Parte
oh querida custou tanto a passar, o meu corpo de ti a lembrar, ai os corpos que mandam tanto como eu, sai do presente, do tempo presente me fiz ausente, vivi no meu passado de ti e sofri, mas foi essa travessia que me fez o futuro. A dor é sempre qualquer coisa que me falta. A Saudade Senhora me levou nos seus braços, o sol e a noite dos dias desaparecerem e diz-me baixinho repousa no meu quente colo, deixa o sono sarar, que assim chega à  futura Rosa, eu de mansinho, entrecortado me deixei nos seus braços por um pequeno instante que me pareceu longo. Depois A Sonhar, disse-me o Sonho, porque passar a vida a chorar, se podes ser alegre e eu a lembrar do tempo antigo de menino onde às páginas tantas se me afigurou, que ao limite, nunca poderia ser inteiramente feliz, eu, ou alguém outro, enquanto existisse alguém ao lado a sofrer. Era preciso ser verdadeiramente cego, como um cego nunca é, pois vê de muitas outras maneiras. Como se o sofrer alheio, ao cruzar os meus Olhos os não afectasse, não entupisse o coração e não se repercutisse nas artérias.
oh querida, o que é mesmo bom, é encaixar na plenitude,os corpos juntos inteiros a rir, o mundo no instante a Mudar, todas as sombras a afastar, tudo iluminar. Sem dúvida que o corpo é o perfume de Deus, mas o corpo só no encontro o que é? pouco, porque nele reside também a Alma e é quando o Corpo e a Alma se encontram que o encontro é então mágico, dinâmo de Alegria, pulsão de Vida, constante renovação.
Oh querida, quando isso a dois Acontece, Acontece o Amigo, Aparece o Terceiro, aquilo que já não é, só Eu e Tu.
Oh querida, o que é bom é viver o estar, não a ideia de futuro, que a ela,
se os passos assim quiserem chegaremos. E que Futuro há no Instante presente, é esse conta para fazer o futuro e depois seja o que Deus quiser ou o nosso eguinho, Oh Querida, depois partes, depois eu parto
mas ficamos sempre um dentro do outro até ao fim,se o fim existe, mesmo quando me pareces distante, não é. Oh Querida, é dificil de tansformar a dor em alegria, oh querida fomos embora jangados, oh querida isso é que não, que eu quero de Ti as doces recordações e depois seremos sempre queridos um do outro mesmo quando os corpos estão distantes. Oh Querida às vezes é bom como lobos famintos



vejo os teus joelhos no banho reflectidos nas gotas de água, como gotas de água. Antecipo a perfeita almofada e sorrio como Gato Displiciente a Lamber os Bigodes de Contentamento Contentado, sem nenhuma pressa de terminar o Prazer, que resiste ao lente lamber
AUNAR é usar o e em vez do ou
uma coisa é isto, aquilo e aqueloutro
Não, o se é isto, não pode ser aquilo.
uma coisa não é coisa por oposição a uma outra coisa.
uma coisa é sempre mais que uma coisa
é um conjunto de coisas
todas elas concorrem para a Grande Coisa
Por isso não amputemos as coisas
quando ao dizer-mos que uma coisa é isto,
lembremo-nos que é isto, aquilo e aqueloutro.
às vezes é só um problema nos oculos de sol

quarta-feira, setembro 17, 2003

A Menina Dança?


Sabes Querida Wendy

Escrever um manual de como um Homem deve tratar uma Mulher. Voto. Que cada um, escreva as suas regras, sem entender Regra como limite ou barreira, mas como sentido de direcção porque a Regra é isto, da forma de me conduzir e é só do equlíbrio que se trata. Que cada Menino e Menina conte de si a cada um de nós e depois que cada um julgue para si mesmo o que acha aceitar.

giro, giro era mesmo escrever não o manual de como um homem deve conduzir uma mulher, mas algo talvez como acontecem os encontros e os desencontros entre os Homens e as Mulheres ou mesmo como bailam uns com os outros, a dois ou no salão ou então, que baile é esse, que então fazendo Aparece.

Porque se o Professor do Baile tem razão ao dizer que o homem que agrada a uma mulher é aquele que se interessa por essa mulher. O contrário também me parece válido, o que só me diz uma coisa que é , tanto pode ser assim como assado, que é como quem diz, se o Interesse é o Condutor, tambem será válido para a Mulher Quando Nessa Vontade, ser Ela a Conduzir.

A mim a Bailar agrada-me mais que conduzir e ser conduzido, que me agrada também, a inventar contigo um outro baile, sem nenhuma pretensão de poder sobre o outro, ou como tu tão bem escreveste

... (Interessante é aquele que se interessa por nós, que nos olha, que sente prazer em saber o que o outro sente, sinceramente, sem medo de ser submetido ao desejo do outro, porque tem tranqüilidade suficiente em sentir a si mesmo. Que demonstra esse interesse quando ele é genuíno, não como uma forma de sedução, mas porque lhe dá satisfação acompanhar o outro.
Agora começo a entender porque dançar é tão lindo de se ver e de se fazer. Precisamos manter sempre nosso próprio ponto de equilíbrio, nunca o delegando ao outro, mas encontrando sempre o prazer de olhar, acompanhar, formar um par, para que os dois acertem seu passo em passos sempre distintos mas complementares...

Um Bailar Sem resistência
no Espaço Estelar
no Encontro das Vontades

Então para quê a estratégia, de que a Mulher deve oferecer uma suave resistência, porque dessa subtil forma desperta no Homem o desejo de a guiar?

Ou não será verdade que o desejo não se inventa, como quase todas as coisas, se não mesmo todas as coisas. Ele está lá ou não está, depois o que conta mesmo, sempre, é a vontade para o encontrar, que é como quem diz , levantar-se da mesa e ir ao seu encontro, ou Talvez ficar disponivel para Ele nos Encontrar, ou ficar na Orla da Praia a vê-lo passar ao fundo em Grandes Navios.

E é bom não esqueçer que o meu desejo é só o Meu Desejo, nada sei do Teu para imaginá-lo igual, e para que me o possas mostrar, te Convido ao Enlace

Ou esse obtruso conceito no tratar com Firmeza mas sem brusquidão, que só revela como o Desencontro entre os Homens e as Mulheres e os Outros todos , vem de longe, de muito longe, uma ferida aberta, dor a espichar.

Eu só quero da firmeza usar, quando a realidade dos dias me faz cruzar os passos de alguém que me tenta invadir, sem pedir licença, ou sem limpar os sapatos na soleira da porta, ou sei lá de que forma, porque ela é multipla na sua expressão, fála-nos de um Tempo onde ainda é preciso ser Firme para se poder ser e a mim faz-me pena.
porque o que eu gosto mesmo ao Bailar
É derreter numa vontade que é Minha, do Outro e de mais Quem a Agarrar, no Baile que se faz a Bailar. porque Bailar é não saber o que se vai encontrar mas ter a coragem de o encontrar

Não seria tudo isto mais simples se cada um fosse o que é, sem para isso ter necessidade de Firmeza usar?

A Menina Dança?


Uff, ainda bem que existes, para me levar a interessantes sítios e doces memórias. Obrigado Manel que Estás na Esquina do Rio
desde ontem que o meu pc, que é igual a mim, não me deixa abrir documentos em word. Diz-me ele, não sei o caminho para lá chegar ou faltam componentes. Fico a pensar, o caminho está lá, quais os componentes que faltarão?

Esta alegoria que o pc me oferece ao olhar. refere-se a mim ou ao Mundo, se é que existe alguma diferença entre os dois?
pode parecer-vos baboseira, mas deixem-me partilhar , aqui e agora que me sinto Feliz, Oh tão bom que é.
Ai, ai, diz o pam ao pim
O pum pisou-me

O que se passa com ele
Pergunta o pim ao pam
Diz lá, O pum.

Estou irritado
E ele aborreceu-me
Ai extravasou
E o pé entornou

Diz o pam
Lá por isso não
Era razão
Podias tê-lo dito

Tem razão o pam
Acrescentou o pim
E olha lá
Por que chateado estás

Há pedaços em mim
Que não sabem dos
Outros pedaços de Mim

Há coisas
Em mim
Que não sabem
As suas respostas

Pois diz o pam
É também assim
Que me irrito
Quando não
Percebo
A razão
Por que estou contente
Ou não.

Pois diz o pim
O problema
É quando essa coisa me irrita
Sem a sua razão
Eu saber

Pois se não sabes
Como te podes
Tornar feliz
Diz o pum
A intervir

Desculpa
Diz o pum ao pam

Desculpas aceites
reponde a mão do pam
a enlaçar a mão do pum
Amigo teu
Continuo
Pediste-me desculpa
Como quem
Verdadeiramente
Assume o que Fez
Mas magoaste-me o pé

Olha
Posso pedir-vos
Um Favor?

Se assim me virem
Avisem-me
Por favor

Tá bem
Respondeu
O pim
E o Pam

E o pim a acrescentar
A gente avisa
A gente até foge
Mas para a coisa
Resolver
Tens que ser tu a fazê-lo


De mãos dadas entraram de novo na floresta da brincadeira, ia o pim a dizer, isso do por favor na amizade, o que é?
Basicamente existem duas formas de bailar. Dirijo-me a ti, diriges-te a mim, ou um ao outro, que importa, encontramo-nos num qualquer meio, que nem meio tem de ser, que importa, e depois, depois, vem mesmo o importante, Se quando te enlaço te piso ou não.

Se te pisar, o mais provável e não dançar-mos. Como que nos nascem penas de ferro, farpas avermelhadas ou pés de chumbo que nos teimam manter no lugar da distância, sendo o inverso igualmente igual.

Se suavemente te enlaço e cinéticamente me enleio, começamos a desenhar o círculo, aí, sim, o ferro transforma-se em penas e as asas em pés, sem nenhuma distância de permeio. MAS, o universo expande-se no nosso espaço comum, revela-se o Infinito das múltiplas possibilidades combinatórias, a alegria do baile.

Entre, basicamente existem duas formas de dançar contigo, é o lugar do infinito, das múltiplas possibilidades, todas elas únicas e distintas entre si. Contudo, todas elas tendem basicamente para um lado ou para o outro. A vontade de Dançar ou a Vontade de Pisar.

Sejamos gentis uns com os outros. Um sorriso compensa 4 cigarros.

terça-feira, setembro 16, 2003

É hora de Despertar
Do Amigo Encontrar
Identificar os Laços
Laçar
Entrelaçar
Fiar
Nesta Rede
Tão Real
Como o meu Próprio
Existir
A Reconhecer Parentes
Que é como quem diz
Toca a Reunir, A Fadar
A Aunar.

Enterrar as Lanças antigas
Pesadas lanças
Que nos pesam o Andar
Até que Os últimos Dois Guerreiros
Cansados da última Batalha
Não mais tenham
Vontade de Lutar
E venha a Paz
Para Todo
O Sempre

Porque o Sangue é todo o Mesmo
É Meu Também.
As emoções são como energias fluidas, cujas formas se alteram em cada instante de um mesmo respirar. Alteram-se os Campos nas Permutas, como uma folha que acompanha o movimento do vento ou o Eterno mexer do Mar, como num Baile energético.

Entro no café, a imagem aparece como um Todo. Ela é sempre inteira, nunca chega aos pedacinhos, não está fragmentada, Todos os seres são nesse momento, antes mesmo, de lhes ler as formas dos corpos únicos, fluxos de energia emocionais, ou melhor dizendo centros que irradiam energia.

Na sala o Conjunto é como um Todo, uma configuração emocional dominante. É como sentir as cores e os gradientes que a compõem. Quando a Paleta é grande demais, quando as energias são de sinal negativo, ou se encontram descontroladas, que é uma forma de dizer, dissociadas da vontade de cada um, é como receber uma descarga eléctrica na Alma. O sistema sensorial sensitivo pode entrar rapidamente em sobrecarga. Incapaz de inteligir e absorver ou rebater, pode mesmo pifar o sistema operativo.

As energias emocionais, têm tom, têm cor, transportam um valor para quem as recebe. São absorvidas, também elas, ao nível emocional, por simpatia.

Emoções são vibrações e fenómenos de ressonância, se vem tristeza é essa a frequência emocional que em nós É activada. Podemos sempre contrapor energias emocionais, contrárias ou distintas, mas que sempre reverba, parece-me que sim.

Quantos de nós por ai a sentir igual, a ter que recolher para dentro das conchas na presença da sobrecarga.

domingo, setembro 14, 2003

há quem diga que a Anouk é uma Tágide, ninfa do Rio Tejo, que ama por dentro de cada um de nós.
Casei-me por impulso. Um impulso familiar com uma expressão familiar. Estou com os neurónios cor-de-rosa, que para mim sempre foi uma forma de dizer, estou a ronronar e feliz. Assim que “achei” a Anouk pedi-lhe casamento. Não sei se é rapaz, rapariga, ou outra coisa qualquer, mas não me parece que tenha alguma importância como de costume. As iludências sempre aparudem, pois é certo que Anouck terá dos neurónios cor-de-rosa uma outra visão, uma outra história. Pedi-lhe para linká-la e ela assim assim, com um ar displicente, hehehehe, disse que sim. Pois então aqui fica o Anel que une a todos em forma de link. Não deixa de ser curioso, pensar sobre as novas famílias de hoje, e sobretudo esta não distinção, nas relações, a lembrar em pequenino como era fácil aceitar o diferente na cara do desconhecido, sem nenhuma pedra no bolso e uma plácida curiosidade, tipo não sei quem és, mas também não importa, se calhar vamos conhecer-nos, melhor. O não saber, como ponto de partida para a alegre aventura e ficar contente sem qualquer pressa por tal ainda não ter acontecido.

quinta-feira, setembro 11, 2003

O Amor Está, O Amor é, O Amor parte, e volta, apanha comboios, vai- a- nado, seja o que Deus quiser. O Amor Está Sempre presente até nos Rostos outrora amados, vai e volta e vem a voltar. O amor vem pela frente e por detrás, o amor vem galopante ou de mansinho, trás todas as cores dentro de Si, pinta qualquer Céu e Cura.
O Amor Deixa Bilhetinhos Aos Enamorados. Assim com Eles viajam de Borla de Estação em Estação. Próxima Paragem, próximo Partir, para todas as Paragens, para onde se Quiser e Tudo isto num só bater do Coração.


Chegaste a mim dizendo, foste tu que dormiste com a mulher do teu amigo e eu a responder-te que não, que tinha sido o outro amigo do amigo, e que tinha uma tendência para não dormir com a mulher do meu Amigo. Essa ideia de que no Amor e na Guerra, vale tudo, sempre me pareceu um pouco bizarra. Vale tudo o quê no Amor, até raptar o outro, por Amor. Como se as pessoas fossem raptáveis, isto como se fosse possível o impossível, que é obrigar um coração e se os corações não são obrigados, vale tudo o quê? A invenção do Amor, O Simulacro em vez da imagem Radiante. O limite do Outro é o meu próprio Limite, vale ficar à espera, ir ali e voltar, mas pouco mais vale.

E Contudo onde mora o Paraíso? No Ceú ou na Terra, que o Céu é Céu da terra como a terra é noiva do céu, Um espelha o Outro e depois, ficamos juntos ou separados?
Tambem escritos entre 4 e 11
Eu quero,
Eu só quero
Eu só quero mesmo
É Amar
E Ser Amado
Que é como Quem Diz
Feliz

Querida Neyza
Querida
De querer a quem
Se quer bem

Do Grande Prazer
Que Tens Dentro de Ti
A Mãe
São Tuas
Qualidades
O Quente Aconchego
E A Amável Ajuda
Tua Impressão
Correcta
Que só
A Vontade de Ser
Abole
O Horror de
Não se Expor
Porque Ser é
Estar Exposto
E Se Aqui Estamos
Para Que?
Se Não para Ser.
Que Horror
Seria Não Ser!

Por isso Quando
Sentires Frio
Lembra-Te que o
Dilema, Habita em
Todo O Nós
É ele a Semente
Da Tua Vontade
E
Que O Passo do
Amigo Que Contigo
Caminha
Seja Leve e Feliz


Nesta Rede
Que é a Rede
Onde Tecemos
Cada um o Seu Fio
Na Única Tapeçaria

Conheço-te o Corpo?
Eu Não!
Estás Perto de Mim

Ou Não?

Prova, Provada, Provadinha
No tempo Distante
A Ilustrar Que o Perto
E o Que Está ao Longe
É Ilusão
A Ilustrar Quão Perto Se Está
Mesmo Quando
Se Estás Ao Longe
E
Meus Olhos
Não Estão Pra
Te Ver

10, 20, 30
Todos
Como Seria Melhor?
Que a Teia Tenha
O Tamanho do que Se Tece
Com Quem
Se Tece
Eu Próprio
A Tecer
Juntos Num
Mesmo Sentir
E quando Assim Acontece
Com que tamanho
Fica o Resto?
No andar de meus Passos, o Olhar que não é meu repousa numa jovem Mulher que está sentada na ombreira rente à Rua que é como um MAR. Acabo de Vê-La sem a ter visto primeiro a perguntar-me como tal é possível? Ela estava a Oeste de mim, que é como com quem diz na esquerda baixa da Cena. O meu Olhar a ela tinha sido conduzido pelo corpo de um homem sobre ela ligeiramente curvado, com uma estranha forma parada de estar na sua própria curva. Falava sem falar, num tom baixo sem expressão, não sabendo eu se era de conforto ou ameaça as palavras que a Ela dirigia. Ameaça, sim poderia ser, porque ao seguir o Olhar do Homem, à cara da Mulher cheguei, nela vi a sua dor. Repousei nela o tempo necessário dos meus passos, a Criar-lhe o Espaço de um Seu Pedido. Olhou-me um breve instante e fugiu com os Olhos, não me pediram qualquer apoio. O monólogo do Homem curvado de bigode era o seu momento. Assim os atravessei sem saber se a conversa dele com ela era

Menina, precisa de ajuda, posso ajudá-la?

Ou

Isto assim não pode ser, tu és uma Galdéria, eu não admito que te portes assim!

Ou

Ainda outra Coisa Qualquer?

No voltar dos meus passos do café, o Homem tinha desaparecido, mas a jovem mulher ali continuava, sentada na sua dor, os meus Olhos Olhando-a, a Vê-la com um ligeiro beri-beri, a abanar aos pequeninos, naquele estado que procede o ligeiro balancear do Corpo, que prepara o pequeno choro numa ligeira e repetida convulsão. Toda vestida de Branco, sobre o seu peito contrastava pela sua Negra cor, uma Cruz. Era a Tristeza, A Tristeza a Possuíra.

Ainda sem agora o Saber, não sei se lhe terei dado o Meu Espaço de Olhar, aquele suficiente que permitiria o Ajudar. Sei que no segundo cruzar, vimo-nos os dois a Olhar, de forma entrecortada pelas convulsões do seu Corpo. O que Eu vi Nela, já o disse, E Que Ela terá visto em mim? Isso é toda uma outra conversa, mas que viu algo? Algo viu.

E Contudo no afastar de seus Passos ia no seu Olhar pensando, Era Tristeza, era Tristeza, devias ter parado os teus passos e dar a mão que é como quem diz, primeiro ouvir as queixas e depois indicar a prescrição, de médico a fazer, de preferência sempre a sorrir, porque os verdadeiros sorrisos, o olhar quente do coração, a mão na mão, ou qualquer toque real no corpo do outro tem, esse poder de queimar as Feridas, de tirar da carne o prego encravado que entristece e faz doer. Ou aquele Olhar. Líquido, Transparente que faz o Outro, no seu Olhar Saber da Certeza das Coisas, Vês Tu sabes que é assim, a concluir a Demonstração, e Tu já és um sorriso a responder pois é verdade, Eu Sei. Sim, Tu Sabes porque o Saber Habita-te, reside sempre dentro de Ti, mora em Ti. Só é preciso recordá-lo e o problema é que esquecemo-nos tanto de o Fazer.

Neste Tempo, Já o manto da sua Tristeza me envolvera. Era como que num dos meus braços, ter ficado a Marca do Seu Sentir. Ela, já Era, a mais de vinte metros atrás, mas não pude voltar meus passos, porque para ser Médico é preciso ser Alegre.

Que Grave Problema o Meu, que me faz dormir dois dias entristecido, porque eu quero mesmo, é Andar Alegre e Alegria Exercer!

As coisas abaixo com o dia de hoje foram escritas entre 4 e hoje.
Ao lado do pais que eu habito, em todas as ruas de todos os mundos, a violência a rachar e eu ou o outro a acusar. Basta apontar o dedo para julgar. Basta dizer que tem sexo transgénico, que é louco para queimar, ou excêntrico para garantir que a violência não está no nosso lugar, mas sim no alheio. Tudo quebrado, fragmentado a estilhaçar. Mas eu sei que tudo isto é uma imagem de ilusão reflectida ad infinitum? na sua aparente multiplicidade, uma queda que todos demos, que quem nunca acusou que atire a primeira pedra, e que por a termos dado possibilita a redenção, uma queda de cima para baixo, sem a própria memória da queda, do porquê dela, só o sofrimento como resto. Uma ferida que existe, um pequeno fogo a queimar que possibilita o regresso à mesma única casa sem véus. São poucos os fios verticais. Contudo tudo é uno e é possível escapar aos fragmentos das imagens de um falso múltiplo como um duplo barato de um qualquer actor secundário.

Eu sei que o espelho dos meus olhos muitas vezes incomoda meu irmão, mas os olhos que vêm, não me moram na face e embora estejam na minha face não são meus, nem olhos são, são espelhos a reflectir quem neles se olha, por isso é mais o incómodo de quem se incomoda, que meu. Bem sei das regras dos olhares de soslaio, dos olhares diagonais a apontar o chão como quem finge não ver, mas não sou eu que vejo, nem é o outro que se dá a ver, é uma coisa no meio a imaginar e como que parado no espaço e tempo parado, de olhar fixo me quedo, e o olhar parado é como que um espelho perfeito sem névoa para o outro olhar.

Contudo a mim o Mito de Narciso, parece-me ter outro fim, Quem ele vê na Imagem É Deus, é por ele que se Apaixona, é pela Paixão que Então, Ele se Revela.

Apoiado no balcão olhava os morangos enormes na camisa da rapariga, padrão a berrar em verde e vermelho sobre fundo branco como um farol. E eu a estranhar tudo aquilo, sei lá, se a imaginar a rapariga como morangos, a ver se a rapariga era ela própria um morango, ou mesmo se eram morangos o invólucro da rapariga. No olhar que eu imaginava, ou na imaginação do meu olhar parado de encantado, chegou-se a mim o rapaz que se pensava dono dos morangos que a rapariga vestia ou seria o rapaz que pensava ser dono da rapariga dos morangos, ou ainda outra coisa qualquer? Não sei, porque não era eu o rapaz, ou melhor dizendo, era os morangos a que o meu olhar atendia. Contudo o rapaz dos morangos da rapariga pensaria que eles se comem com os olhos, pois o seu enlace tinha já promessa de bate-bate, que os morangos, a rapariga ou sei eu lá o que, se estragava ao meu olhar, ou seriam, os morangos da rapariga, ou a rapariga que se entregava ao meu olhar? Já o rapaz que era entre 4/3 e 5/3 da minha pequena aparência, batia como que chantily, numa dança de encosta e empurra e mete a mão, como que a ganhar a velocidade necessária à sua violência. Eu, dizia-lhe, olha que não, não se trata de nada disso, não quero nada com violência por cima de morangos, enquanto seus olhos eram já os olhos do urso que pensa ser maior que a bolota, no infantil e como se irá elucidar, errado gozo antecipado de quem pensa que por ter um corpo maior, se come, sempre o pequenino, pois as Aludências aparudem, que é outra forma de dizer, que as aparências Iludem, porque quando aparudem, as Ilusões são como Aparições, Aludem Outro na sua peculiar forma de se Manifestar, essa e mais nenhuma outra. E eu a pensar, não lhe quero Bater, não quero ser batido, como se batuca a Fera a pensar, a sentir o calor a chegar, como uma maré

Era daquelas situações de violência no extremo da sua questão, tipo empate técnico, eu não quero, mas ele quer, sabendo que nestas matérias basta um querer, sem possibilidade negocial. O calor e a maré, a subir desde os pés e de repente, eu todo dentro do circo romano com leão esfomeado à solta a toda a velocidade em direcção a mim. Lembro-me de pousar lenta e delicadamente o meu copo no balcão, e com um gesto de encostar da minha mão no centro do rapaz, no Instante o Afastei Ou Algo o Fez Afastar? Aquilo ressoara no profundo externo, o Mundo por um instante parou e o rapaz reapareceu-me nos olhos uns largos metros afastados, com cara de mudo e quedo espanto, a minha mão era já pau de permeio, preparado para batucar a fera, pois ela, a Mão, erguera o banco, na nítida imagem do Domador do Circo, com ele de permeio, leão a Afastar. Naquela fenda no tempo, Muitos que é quem diz, Suficientes, Apareceram para se Interpor, criando assim um Tempo de Paz.
Mind is a tricky thing
E as palavras também

No bazar que tudo pessoalizava
Pediste um isqueiro vermelho
Se fosse Bic, esclarecias
Pois os isqueiros vermelhos
Bic são lisos!

Não se lhe vê na válvula
Outra cor
São lisos de cor
De cor vermelha

Tem falha a teoria
A parede da tocha
Que envolve a chama
É prateada.
Mesmo no Bico Vermelho
È Prateada

Vê moinhos?
São moinhos!
Vê lisa a cor
Do arredondado Tubo?
É vermelho!

E o Problema
Mesmo
È Eu Saber
O que Me Falas
Se É Bic-Bico
Sé è Vermelho

Ou Ainda
Outra Cor
Qualquer.

O Problema Mesmo
É Quando Eu Te Falo
Prateado
E Azul Entendes

Não, não
Não, Tenho Nada
Contra o Azul
Porque Tudo Isto Está
Também No Azul
O Encontro Faz-se Em Cada Uma
Das Cores do Arco-Íris
No Momento
Em Que a Mesma
Como Igual
Para os Dois
Se Revela.
No tempo
Em que a Rosa
Floresce.
tinha ficado sem acesso ao ouro sobre azul desde dia 4.ufff!!!
O Amor Está, O Amor é, O Amor parte, e volta, apanha comboios, vai- a- nado, seja o que Deus quiser. O Amor Está Sempre, está ausente na presença dos rostos outrora amados, vai e volta e vem a voltar. O amor vem pela frente e por detrás, o amor vem galopante ou de mansinho, trás todas as cores dentro de Si, pinta qualquer Céu e Cura.
O Amor Deixa Bilhetinhos Aos Enamorados. Assim com Eles viajam de Borla de Estação em Estação. Próxima Paragem, próximo Partir, para todas as Paragens, para onde se Quiser e Tudo isto num só bater do Coração.

sexta-feira, setembro 05, 2003

É a Vez
De Um País
Encantado

Todo Encantado
Todo Eternizado

E no Caminho
da Cidade em que Vivo
Todos os Dias
O Sorriso Encontrar
He hE é
Por Cima de nós
O Nosso Amigo Papagaio
Do primeiro Andar
Num Alegre assobiar
he he he,
Hoje de novo
Na minha janelinha do rés-do-chão, lá estava o Gémeo de Oeste a olhar para mim, com o mesmo Sorriso de Ontem de Seu Irmãor. O Gémeo de Leste, no Suporte dos Braços da Mãe, ao fundo se encontrava com seus cabelos escuros dentro da Sombra mergulhados, enquanto o outro era o próprio Sol.
Caro P.

Por Vontade própria
Primeiro Inverto
O Caro por Querido
De Quem Se Quer
Bem ao Outro
Mesmo quando
Donzela me passeio

Para mim a Regra é simples

Até prova do contrário

Sem ao chegar
Nenhuma Pedra
Ter na Mão

Tens razão ao dizer
Que quanto mais
O mito aflora
Mais se Torna.

Sim, eu sei
Que tu sabes
Que eu sei

Não Escreves-te tu
Da diferença
Entre Original e a cópia
Entre o plágio
E a Criação
Nos Movemos

Meu Irmão
Tens Razão
Mais vale Ser
O que Se É
Do que parecer
Ser outrem
Eu Senhor
De Mim-Mesmo

Só depende
Onde Estamos

Rasgando
Como quem
Atravessa

Um ponto de vista
Velho e gasto

Recriando a
Original
Paisagem

Sim, eu sei
Que tu sabes
Que eu sei

Não foi Eu
Que na Escrita
Do meu Poema
Teu conselho
Gravei

Porque a Mim
Os Bons Conselhos
Serão Sempre
Bem Vindos
São como
Pérolas Preciosas

Amável Atenção
Conhecer que o
Outro me Quer
Que me Deseja
Que me Acompanha
O Caminho

Me mostra
A Pedra

O Caminho
Que Me Ajuda
A Caminhar

Quem
Oferece pérolas
De tal
Requinte
Amigo, Ouso
Desejar Tratar

Lembro-me mesmo
De Antigas Figurinhas
Que no Cavalo
Ao Caminhar
Andavam a Par

Pérolas
Não Te posso Oferecer
Porque essas
Sou Eu que as Pesco
Só para Mim.
Com o Amigo
Que O Abraça

Mas vai um café?

quinta-feira, setembro 04, 2003

Gargalhar, sorrir, contentado, contentar, ajudar, ser maravilhado, maravilhar, estar feliz, fazer feliz os outros, estar em paz, criar a paz, ler nas entrelinhas do mundo e da vida, tirar os véus dos nossos olhos e dos olhos alheios, partilhar o que se sabe e não sabe, apreender, religar, unar, viver no mistério, habitar na casa da Mãe e do Pai, inventar, ser inventado, Ver Belo e ser a própria Beleza, tudo isto são sinónimos do Amor.

Por isso perdoem-me aqueles, que acham que o excesso do Amor, ou nomear o Amor, como que mata o Amor, ou a Arte ou seja o que for, que eu o Quero Sempre Mais, que eu quero estar no jardim, ser o jardim, e a flor, porque um jardim cuidado pelas mãos do Jardineiro, será sempre um Jardim, que não descambará necessariamente em Selva desorganizada, por falta da minha própria capacidade em criar e imaginar as flores extraordinárias de encantar ou a mais Bela flor.

Não é de excesso que se trata, mas da ausência das Flores neste mundo, com isto certamente todos concordarão, ou não?

E depois eu, tu, ele, nós, vós, eles, de novo de mãos dadas a brincar, no dorso do alado unicórnio.

Não é o Amor Amável com a coisa Amada?
Se assim é como lhe poderá fazer mal?
Eu versus o não eu
Perene?
Dualismo ocidental
Sujeito versus objecto
Homem e mundo
Espírito e matéria

Imaginação fantástica
Serva da percepção
Símile, alusão
Simples memória
Imagem que vem a mente
Espontânea
Da impressão dos sentidos

Ou

Imaginação criativa
Imaginação primeva
Fora da ordem
Do tempo e do espaço
Poder vivo
Fonte da criação
Dissolve
Torna Difusa
Recria
Para de novo
Unificar

Uma forma de ver
O particular
Embebido no universal
Profundeza
Ou Próspero a dizer
O escuro avesso
E abismo do tempo

Ou Eu Próspero de mim
a dizer

Claro Carmesim
Aconchegado vale
Na Alegria de Viver
Sem tempo
A prender
ou a perder

( poema-resumo, inspirado no livro de Robert Avens- Imaginação é realidade. nota de 1 de Abril de 2004)

quarta-feira, setembro 03, 2003

Oh meu querido filho
Meu pequeno homem
Se soubesses como
O universo se põe tão doce
Quando a dormir
O teu braço estendes
E a tua mão
Me ampara o peito

É pequenina a mão
É infinitamente grande
O Amparo.

Oh meu querido filho
Espelho distinto de mim
A própria chave de mim

Oh meu querido filho
Comigo na cama a dormir
E o Sonho do mundo
Numa paz profunda
Doce enleio
do Pai

Oh meu queridíssimo filho
Meu pequeno Pai
Que me ensina a ser Pai
No saber sem saber
Que é o único saber

Oh meu querido filho
Dos seres alados
Desejado

Eu hoje
Sou como um sonho a dormir
Um acordar adormecido
Uma fada a passear

Anda por ai um gelado com nome de pistola a distribuir uns postais e eu a pensar a quem o enviar. Um deles que dá pelo nome, inveja, reza assim:
Eu queria, tu querias
Ele tem, nós queríamos
Vós queríeis, eles queriam
Como não sei o que ele tem, ponho-me a imaginar, será que ele tem dor?
Por outro lado, aquilo que eu queria será aquilo que tu queres? É o meu querer função de outro? E quando o é, por isso se torna igual? Quanto muito, diferente entre iguais.

Será este o texto do gelado postal? que eu a ninguém vou enviar!
Ao Pedro, a mim mesmo e a tantos outros.

O coração que não Vê, não sente, porque ver é Sentir. O que está distante dos olhos pode estar perto do Sentir, ou ser mesmo o Sentir. Uma ausência que se atenua é ainda uma presença que se sente e poderei mesmo perguntar-me se haverá ausências definitivas? Só da carne por enquanto, porque o Resto, que é Tudo está sempre presente, num tempo, esse sim ausente. Não nos esqueçamos que os relógios são invenções humanas, que regulam os ritmos humanos, não os das estrelas ou do céu. Qual é o tempo de um coração quebrado? Quanto tempo leva ele a se colar, ou melhor dizendo, quanto tempo a cola o leva a colar? Eu acho mesmo que o mundo vira num virar do nosso olhar que é o mesmo que dizer num virar de Sentir, é como mudar de posição, mas há tempo que o meça? Ou será o tempo a minha ilusão da vontade de não sofrer? E como ser alegre se não sofrer? E não nasceram e nascem os frutos no silêncio? Pelos frutos se vê a arvore, diz outro ditado popular.
Não vive o Teu Pai em ti? Não está ele presente dentro de ti?

um abraço quente e forte
Depois foi o meu braço a pensar, que os olhos esfomeados já estavam na porta do café onde iam lanchar. Dei por mim, ou melhor deu o braço em mim a estender-se ao encontro de outro que o queria alcançar, para se apoiar. Olhei o sorriso que vinha com o braço que abraçara o meu e que me disse, já ali estava ontem no mesmo lugar, e eu a olhar o que o fizera tropeçar. Já ele se ia, quando constatei, dobrado à procura, que era só uma pedra da calçada mais protuberante que as outras em seu redor. Pois já lá estaria ontem e talvez amanhã também. Não sei se terão sido os movimentos tectónicos, ou a força da água na pedra, ou mesmo o calceteiro, que no momento de a calçar, deslumbrado pela beleza paralelipipédica a quis ligeiramente realçar, contudo era-me estranhamente familiar a ideia de tropeçar uma e outra vez na mesma pedra, a Alma a ensinar doce como ela sabe ser, que os passos só mudam de direcção depois de entender cada tropeção. Por isso nos parece, às vezes, que os comboios não andam na nossa estação. Sagrado mistério da vida, que tudo encena, que tudo liga e ao Todo remete.

Depois, ao entrar no café, lá está o Senhor com as mãos em frente a uma máquina de aparar a massa fresca como cilindro redondo e a sorrir, quando a massa era já tirinhas, mostra-me a iguaria em camadinhas pronta a ir ao forno, como a ilustrar quão bom é ser padeiro, amassar a massa e fazer o pão, do principio ao fim sem solidão. Só pude mesmo pedir uma tosta mística e um galão.

terça-feira, setembro 02, 2003

Numa da minhas janelas de rés-do-chão, que é o mesmo que dizer rente ao chão, mas acima do horizonte do meu olhar, no outro dia vi, duas metades de luas, dois pequeninos crânios, alvos ainda sem pêlos como dois montes e um vale no quadrado que era a sua moldura. Não sei se para mim a olhar ou para o fundo da sua sala do seu estar.
Hoje ao sair da porta do prédio, ali estavam os dois de frente, cada um a seu lado, sentados a olhar. Iguais e diferentes e eu no meio a passar e a dizer com mãos e voz, ora bom dia. O que estava no leste de mim sorriu-me como quem me conhecia desde sempre, o de oeste via outra coisa qualquer, que é esta, a sabedoria dos gémeos, saber o que o outro vê e dessa forma poder ver a dobrar, que é como quem diz, ver o Sul e Norte no mesmo olhar com o passado e futuro num só olhar
Laranja de franja
Laço de cetim
Saia de veludo
Voa até mim
Cá vou a deslizar
No sonho de ti
No sonho de mim
Ou no sonho
Em mim
Que os Pomares
São grandes
Tem sempre fruta madura
E meninas e meninos
A entrelaçar
Como o cofiar
Tem sombras?
E se não
Como conheceria o Sol?
Como um cesto a deitar
Entrelaça e laça
O sonho de encantar
Não há borracha a apagar
Nada a perder
Tudo a ganhar

Qual é o sonho por mim desliza
Qual é o sonho que me desliza
Que me alisa
Nas unhas que teimam
Em não ser
Tece, tece
Entrelaça
Que o medo é aquilo que ainda não é
Vê preto e preto o é
Vê branco
Branco o é
Diz-me o azul do pássaro
A cantar
Na laranjeira
Do Pomar

Os anzóis
Esses são como
O pássaro azul
Do pintor
Sem cor
Porque na gaiola
Se deixa estar
Se deixa estar?
Ou fui eu
Que lá o pus?
A recordar
O que alguém
Me recordou
Se lhe abres a porta
Morrerá em breve
E a mão a hesitar
E agora a responder
Tem tempo o voo?
Precisa do tempo
O voar?
No breve instante do voo
Antes da fisga o apanhar
e se fisgado vou estar
Então mais vale voar

Gira, gira
Língua de fogo
Sem parar
As meninas a saltar
E os meninos a correr
Sendo o saltar o correr
E o correr
O saltar
Como o voar

Laranja de franja
Laço de cetim
Saia de veludo
Voa até mim
Fazes-me feliz
E eu Te agradeço
Tremente em mim
Oh querida
Como são belas as tuas coxas
Que desejadamente me enlaçam
Oh querida que licor, que mel
Oh querido
A tua vontade
Viva me faz
Oh querida que paz
Que jardim
De encantar
O riso a soltar
Entre os irmãos
A palavra é como uma telenovela
A palavra é audiovisual
É som que é imagem
Ou mesmo
imagem sem som
A palavra palpita
Nos seus tempos
Tal coração
A palavra dispara
A palavra trava
Aspira
Engata
A palavra é melodia
A palavra tem física
São partículas
Que se movem no espaço
Tal qual
Como eu
Tão improváveis
Na sua massa como eu
As palavras têm buracos
Dentro de si
Como eu
Porque se eu me ver
De muito pertinho
Sou como um passador
Onde à volta de cada furo
A carne teima agarrar
A palavra tem cheiro
Azedo ou doce?

E ao contrário do que seria de esperar
Não vai a minha mão esquerda
Para a direita passar
Ou o meu pé direito avançar
Para a impossibilidade
Do esquerdo
Todo se teima manter
Na aparente ordem
Que sou eu

A palavra é mais que uma telenovela
A palavra é energia
Provoca-me choques eléctricos
Na pele a atravessar
A palavra dissolve-me
E torna a solidificar
A palavra tem temperatura
Frio ou quente?

Morno é que não.

segunda-feira, setembro 01, 2003

Beleza exterior, beleza interior, forma e conteúdo, duas coisas distintas?
Como pode a estrutura existir sem o conteúdo
E como pode um conteúdo existir sem estrutura
Um coração sem pé
Uma cabeça sem mão
Ou a cabeça na mão
Que grande confusão
Donde irradia a beleza?
Da coisa ou do suporte
Ou do coração que a vê?
Como me chega a beleza?
Na profundidade da estrutura externa?
Na superfície da coisa interna?
Na superfície da estrutura interna?
Na profundidade da coisa externa?
Pirata do olho de vidro?
A metade de quê?

Encontro-te por fora ou por dentro
Abro a porta para entrar?
Ou para sair?
Ou não é a Porta
O sair e o entrar
E então ficar
Trás, pás, ca tra pás
Quem começou?
Foi ele, foi ele
Não, não, foi ele
Eu chamei-lhe batata
E eu um murro lhe dei
Batata ou murro
Qual a diferença
Nesta grande batatada
Mas eu tenho dói dói
No olho a queixar
O sangue a espichar
A pele a comprovar
E tu?
Eu, não sou batata
Eu sou barata
Mas tenho dói dói
Na alma a arranhar
Redonda a ferida
A sangrar.
É mentira, É mentira
É uma ferida de brincar
Não se vê
É de imaginar
Não é, não
Vê no meu olho
A ferida no coração
A chorar
A lágrima a rolar

Não tem o sangue
A água
Não é água
O sangue também

Não te chamo batata
E eu murro
Não te vou dar

Como numa salada
A água e o sangue
Se juntaram
Os arranhões
Sararam
E em Amigos
Se tornaram
O teste.

Chegaste a mim, dizendo algo na forma de uma pergunta com anzol de ponta retorcida ao que eu te respondi, como um peixe à nora no emaranhado do porquê da pergunta. Emaranhado, o certo é que te respondi, sem perceber a razão da pergunta e é por isso creio que o especifico anzol e a boca que o mordeu mergulharam nas águas profundas do esquecimento. Contudo lembro-me do que me disseste a seguir, afinal não és um cínico, e era tão grande o espanto na minha cara, que acrescentaste de forma doce, eu nada sei, apalpo para saber. Correcto, apalpa-se para saber, e no sorriso quente que então os dois nos tornámos, abraçamo-nos. Contudo não me recordo de nas poucas vezes que nos falamos do que em mim te terá dado essa ideia, se calhar não dei, mas tu achaste-la e se assim era, pois então assim é.

O contudo dois, foi a lembrança da forma de chegar ao outro quando éramos pequeninos, como aliás agora somos embora há quem nos faça pensar que somos maiores, ou se não há alguém, somos nós mesmos, ou o nosso cão.

A regra era simples, a regra é simples. Quando conhecia alguém, não levava um anzol na mão, provavelmente porque nem pescador me sentia, mas contudo 3, a coisa assentava numa outra consciência sabida. Era uma falta de respeito ao outro desconfiar à partida, era uma impossibilidade, porque o chegar do outro era a possibilidade da alegria e da amizade, mesmo que emergente baseava-se num dar e receber, não num acto de pesca de um qualquer pesca-dor avisado. Era mais, como vamos brincar, ou a que vamos, ou vamos. A questão resolvia-se com o apêndice de outra sabedoria, amigos até prova do contrário.

Se hoje estivesse amargo ou cínico se preferires, dir-te-ia, que os anzóis não pescam sempre os peixes, que esse pensamento é pequeno e parte de um princípio perigoso, de que o outro não dá pelo anzol, melhor dizendo que não vê o anzol no anzol. Como uma segurança falsa, que por sê-lo nada segura, um anzol que eu posso morder se quiser morder, ou um anzol que eu viro ao contrário para te fazer mordê-lo.

Bem sei que aqueles que se consideram crescidos, o fazem muitas vezes, mas eu prefiro os peixes au naturél . Bem sei que o fazem e é fazendo que nos tornamos cínicos. Depois percebemos que os anzóis têm acção limitada pelas razões apresentadas e esquecemo-nos de novo do que é sê-lo, voltamos de novo aquilo que os crescidos chamam assustados, quando pensam que a perderam, a idade da inocência.
Intróito deste Domingo

Dizia-me noutro dia, a Paula que desliza no sonho, apetece-me fazer qualquer coisa com as tuas palavras, ampliá-las e eu a responder-lhe que depois de escritas e reveladas já não eram minhas e que ela fizesse com elas o que desejasse, o que era meia verdade da coisa, pois nem reveladas precisam de ser para já deixarem de ser só minhas.

Eu disto sei, porque já vi as palavras a literalmente viajarem nos espaços físicos, reverberando em tudo o que estava à volta e depois é como perguntar, para onde vai o som quando a música acaba. Não me parece que ele acabe também. Mas isto tudo é uma outra estória para contar.

O que queria neste intróito dizer, é que a questão da Paula desde então ficou a viver dentro de mim. Não é para isto que se cruzam os nossos passos com os alheios. Só quando estou distraído, é que não vejo as óbvias razões do processo, porque se foi com estes passos que me cruzei, e não uns outros, está lá sempre uma razão. A bailar com a razão, que é como dizer, com a questão, ao apertá-la com o coração, pois no outro dia dei por mim a começar a conversar aqui, neste altar do mundo as conversas que até agora se mantinham em correspondências, na aparência individuais.

Aliás isto, vocês já o sabiam, eu é que não e tento explicar porquê. O pensamento, geralmente ocorre-me depois da acção. Melhor dizendo, a compreensão racional é como que retroactiva, pois o pensamento na acção é de uma outra natureza, não só o raciocínio está presente, ele tem por companhia outras “formas” e outros “órgãos” que em mim pensam, todos eles com linguagens distintas.

São eles a intuição, a emoção e o sentimento, funções tão certeiras se as soubermos compreender como o pensar. Não digo que uma, umas, devam excluir as outras, porque isso seria como tirar um braço de mim, e a mim todos os braços me fazem falta, para compreender o que encontro ou o que me encontra. E isto é só válido para mim e para muitos outros, pois a forma como utilizamos estas funções, varia de pessoa para pessoa a cada momento, (os Homens que escrevem este assunto nos propõem actualmente 16 diferentes tipos de personalidades, pelas diferentes combinações na forma de usar estas funções). A mim o que me parece mesmo importante, é diferenciá-las para o meu uso pessoal.

Diferenciá-las é como chamar o nome certo a cada gato, saber quais são os que a cada momento estão presentes e quais se encontram a dormir. A outra coisa que sei para mim importante é que nenhum dos meus braços é maior de que o outro, melhor dizendo, mesmo que num momento me pareça ser, saber também do que os outros braços me dizem, mesmo aqueles que por estarem a dormir, só me dizem, não me chateies que estou a sonhar. Da limitação da função do pensamento, ou dos seus limites, encontra-se na Espada e na Pedra um belo texto que cerca esta questão e que dá pelo nome, o dilema do prisioneiro. Diferenciar as funções é dar espaço ou presença a todas elas, usar todos os meus braços diferentes e iguais para conhecer, entendendo igual como não pensar um mais importante ou certeiro que o outro.

Contudo neste momento em que escrevo, um limite se me afigura. Quando converso neste altar do mundo com outro alguém, não devo expor aquilo que não sei se o outro quererá ou não expor. Se tiver dúvidas, que as pense antes antecipando as possíveis reacções alheias ou que me lembre sempre de lhe perguntar primeiro. Ou então que escreva em cifra, daquelas que só eu, a cumplicidade e outro perceberá. Pois cada vez que me aparece um limite é para ultrapassá-lo, o que não quer dizer magoar alguém, pois o limite que me aparece é diferente do que te aparece. E depois podes-me sempre dizer que te magoei e eu posso sempre emendá-lo.

Numa carta que hoje recebi, cuidado que a forma de ver o teu mundo pode ser só mais uma camada da cebola da ilusão. Obrigado por me lembrares a não me ver maior do que sou.
Sejamos gentis uns com os outros.