sábado, novembro 22, 2003

Não sei nada
E tudo penso
O tempo a não passar
Nem eu a alegrar
E depois
Sempre as mesmas tretas
As mesmas projecções
As mesmas ilusões
Sobre os Outros
Como teia de aranha
Na mosca a tecer

A tentar prender
Aquilo que não se
Pode prender
Outro alguém
Como se eu fosse
Dono de ti
Eu que nem de mim
O sei ser

Riam-se sabichões
Até ao dia
O vaso desconhecido
Vos caia em cima
Da cabeça
A passar

Esperança de Amor
Estás a brincar
Qual amor
Sentimentalismo
De pinga amor

Necessidade de companhia
Por não saber estar só
Mas relativa
Que amanhã está a ressonar
É feio, sem interesse
E cheira mal da boca
Não dá mais
Para beijar

O quando o desejo
Contudo
Está lá
É para apagar
Súbito
Tem que ser
Já conhece
O pescador
A rede do Apanhar
E o sinal do Mar

Não poderemos só falar
Não poderemos só estar
Iguais ao que somos
Não poderemos só brincar
Que a brincadeira é sempre séria
E se não é de brincadeira que se trata
Porque ela é séria
Então é mesmo a brincar
Como o aldrabar
Que adultos fazem

Eu calculo que tu não calculas
Eu obtuso
Creio que tu não tusas
Esdrúxulo de mim?
Não pode ser
Redondo como a laranja
Do bom trincar
Isso sim
É que é brincar

Como dizer entendermo-nos
É necessário algum tipo de contrato
Clausulas de exclusão
A excluir
A possibilidade de Integração
Como ilha impossível
No mar do imenso mundo
E desculpem
Qualquer coisinha
Que não quero ser
Boazinha
blá, blá, blá,
Vá lá?

Até o dia
Em que te encontrar
Lado a lado
Como família
Debaixo da terra
Dentro do cemitério
A ficar
Blá, blá, blá?





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