domingo, agosto 24, 2003

Participação mística na pista de dança
Todos ao molhe e fé em Deus
Não é bem assim
Deus, todos os Deuses no meio da pista
Ninguém
Um só corpo
Nenhuma consciência pessoal
Só um som de alegria
Que de mansinho
Se instala
Como o botão do volume
Que aumenta
E que tudo promete
O som de caos que tudo permeia
Que tudo anuncia
Num soundsurrond infinito
Em múltiplas direcções
Tudo é possível
Nada é possível
Da lotaria
Só se extraem
As pequenas terminações
Eu que sou o dado
O dedo
A terminação
O do olhar quebrado
O coração arrebentado
O Joker perdido
Fluxo e refluxo

Fugiram para dentro de mim
As palavras
Não estabelecem nenhum elo
Nenhuma teia com o exterior
E contudo continuam a bailar dentro de mim
Será?
Ou será a Alma que me fala
E eu sem perceber
Porque me fala ela de tempos passados
Me leva ao mergulho da memória
A reconstruir o passado

Às vezes, os dias são assim
As palavras não saiem
Não servem de pontes

Com uma presunção paradoxal
De que se elas
Fossem proferidas
Fariam todos os sentidos

Como uma presunção
De um qualquer papel
Que o ego teria de preencher

Se não sou eu que falo
Então restaria respirar
Numa atenção desatenta
À espera que os sentidos
Desta estória da Alma
Se revelassem
e eu de novo
Nada mais fosse
Que uma tremente folha
Cantante
A seu vento