terça-feira, outubro 07, 2003

mentes literais são as mentes que vêem na relva só o verde, que só vêem no passáro o voar, mentes literais são, mentes do isto ou do aquilo, não do isto, do aquilo e do aquele outro, mentes literais são mentes aprisionadas nos dualismos e se bem que eles existem, pois sem eles nada existia, não é isto, o dual, ele está lá para para a sua superação, que implica inclusão, harmonizar o isto com o aquilo e perceber tambem, que é como quem quer dizer não esquecer, o resto tembém. Colocar o e em vez do ou.
oh querida, sim que nos deixamos apanhar, sim que nos aprisionamos nas nossa próprias caixinhas construídas pelo nossos eginhos, sim querida, quantas vezes já esperei de ti isto e aquilo, sim querido , quantas vezes já te desejei assim ou assado e contudo querida, nada disso somos, sim querida que será melhor dizer, vamos sendo, um dia assim outro assado, por isso querido, é melhor não te ver como coisa parada, mesa de quatro pés assentes sem se mexer, por isso querida é melhor não emoldurar a ti, a mesa e os pés num quadro estático que coloco na gaveta dos meus desejos, sim querida, que os meus desejos são mais pequeninos que a realidade, os meu desejos são mais pequenos que tu, e eu e tu a imaginar os nossos desejos, sim querido, é como uma confluência, algo maior que as partes, algo entre as partes, algo para além das partes.
Aos meus amigos de pé de chumbo
que ficam presos
no local da imobilidade
mesmo quando
o protesto
ou a inquietação
existe

vamos fazer isto?
não sei, não sei se quero
embrenhados e emaranhados na vontade própria
não sei se será melhor
também não sei se será pior
de qualquer forma
ficar é que não
ambos não o queremos como está
se partirmos logo veremos
A onde chegar

só partindo
é que poderemos chegar
onde?

a algum lado
que será sempre distinto
daquele que imaginamos chegar
sempre diferente
do local onde estamos
é a única certeza
certeira

e depois tudo se move, não é
para quê ficar igual, imóvel
se ficarmos na orla da areia
é que não o saberemos

e para ir é preciso saber do querer
ter coragem de ultrapassar a questão do não saber
da dúvida e no junto querer
o fazer
É só imaginar o caminho
que se faz ao caminhar

em vez do chumbo no pé
as asas nas mãos
e se quando chegarmos
vermos que afinal não é o que queremos
poderemos voltar atrás
sim, poderemos ir para a frente ou para o lado
como quem diz outro lado qualquer
que então inventemos

e a delícia do caminhar no desconhecido
e as supresas no caminho
e as descobertas
e o novo
e os presentes que aparecem
áqueles que caminham

e sobretudo quão bom
sentir para nós mesmos
o sentir distinto
da habitual queixa
sobre onde estamos

Sim, deixa de haver
o conforto da queixa
o conforto do não movimento
o conforto do imobilismo
queixoso
de uma queixa que se eterniza como queixa

trocar a queixa
pelo prazer do risco de chegar
onde se pensou chegar
e saber chegar
sem queixar de novo
mesmo que seja
só uma estação intermédia
onde repousaremos
por um só instante

e depois pôr
de novo
a cada vez
um pé à frente
do outro