terça-feira, outubro 14, 2003

De qualquer forma é bom sempre que sai alguém da prisão
como é que podes dizer isso, tantas vezes que são libertados criminosos, ou outros que deveriam lá ficar mais tempo? Sim todo isso acontece, mas um dos bens mais preciosos do homem é a liberdade de poder julgar dos seus próprios passos, de caminhar para ali ou para acolá e viver é mesmo isto, caminhar, e quando se tira esse direito a alguém, que é o que acontece quando se está preso, é retirar a Possibilidade da Acção da sua Vontade, é como colocá-lo num tempo sem tempo, onde a mudança interior se a houver e que sempre necessita tempo, é sempre muito dificultada pelo contexto, como alías os próprios crimes, são tambem produtos de contextos.

As sociedades sempre tiveram tendência para tapar os olhos, a fingir que se não vissem, deixavam de existir, os seus prisioneiros e os seus loucos que é como pensar que longe da vista , longe do coração, coisa que sabemos impossivel.E aqui se me afigura uma primeira perturbação no real, se o objectivo da prisão é a reintegração na sociedade, não deixa de ser bizarro a vivência de um modelo caracterizado genericamente pelo virar das costas entre ambos, não parece ser muito propício à integração.


Sim,isso é verdade mas nós precisamos de proteger-nos, já lá vamos, deixa-me só retomar o fio à meada e voltar atrás um bocadinho. A percepção do mal que se fez, da vivência dos limites e da sua trangressão e das suas consequências, podem ser motivos, ou a trama base para a sua redenção interna, mas temos que concordar que as prisões na forma que existem, não são propriamente mosteiros, há sida e doenças afins como hepatites.