domingo, novembro 16, 2003

Como jornalista insistias no conceito da objectividade e eu a perguntar, qual objectividade e tu a responder, aquela que advém de não ser parcial face ao objecto da análise, e eu, o que é isso, e tu, não tomando partido por um dos lados da questão, e eu, como é isso possível, se é de interacção que sempre se trata, um processo em curso, no qual ambas as partes presentes se afectam, como quem diz se transformam, fruto dessa mesma interacção ou se preferires a física a dizer que o fenómeno é alterado pela observação do que observa, da mesma forma que o primeiro altera o segundo e que essa constante alteração provoca um continuum de alterações em todo o universo, que exagerado, dizes tu e eu, porquê, lá por não as ver, não quer dizer que assim não seja, quantas coisas existem sem eu saber delas, mas a mim parecem-me estar sempre todas ligadas, como o ricochete da bola nos mecos do bowling, ou quando jogo xadrez, antecipando as minhas três, quatro, cinco futuras jogadas, que já não são 3 nem quatro nem cinco, mas 6, 8 ou dez, pois implica também antecipar as tuas, sendo que umas condicionam as outras. E depois ao relatar não te podes apagar, acabas sempre por expressar um ponto de vista, a construção das coisas nunca é neutra nos seus sentidos, mesmo quando lhe falhamos a leitura ou sobre elas fazemos uma redução condicionada pelos nossos próprios limites de visão.
Não posso deixar, por questões que se prendem com os meus próprios passos profissionais ao longo destes últimos 22 anos e para quem se interessa por Serviço Público de Televisão deixar de referenciar um dos posts de hoje de Manuel Falcão, cuja visão subscrevo deixando os meus augúrios para que o cepticismo de João Botelho não se concretize. Pela primeira vez em muitos anos existe um projecto novo, que se traduzirá em meu entender em mudanças nos paradigmas como os conheciamos até hoje nestas matérias. E no meu entender bem assentes, que é o mesmo que dizer, bem pensadas.