segunda-feira, novembro 17, 2003

No deserto da existência
A areia escalda-nos os pés
Queríamos as Asas de Ícaro
Mas a Idade é como a gravidade
Gravemente nos prende

Resta-nos a Alegria
Essa imagem doce
Como que sobre exposta
Demasiada Luz
Que nos ofusca

Já andámos à beira mar
Já possuímos os oceanos
Já nos perdemos
Ousaremos Dizer?

Traímos as estrelas
Arquitectando Palavras
Como Castelos
Para melhor nos proteger?

Já não somos animais
Já esquecemos
A pele e os odores

Só nos resta morrer
De repente

Flores para a nossa campa
Nestes corações pequenos
Alegres
Na Esquina da felicidade

Por entre a luz trémula
Das velas
Descubro teu corpo
Centímetro a centímetro
Redondo

Já a Garça preta
Tinha outrora riscado o éter
Deixara na lembrança
Uma pequena semente vermelha
No cimo de nós

Quando A Mandrágora
Subiu pelos nossos pescoços
Cobrindo o Céu


Por entre a luz trémula
Das velas
Reparo
À ausência da tua Alma

Na impossibilidade
De os pássaros selvagens
Voarem nos teus lábios
O Sonho Comanda a Vida e Mundo É uma Bola Colorida nas Mãos de uma Criança , escreveu o Poeta António Gedeão, para nos convidar a todos a mergulhar nas memórias da Infância e relembrar que se comunica com os afectos, que é como quem diz, com eles que se aprende, que comunicar é sempre um acto pedagógico, que o étimo da palavra pedagogo, quer dizer aquele que connosco caminha, que o Saber é relembrar Aquilo que Está Dentro de Nós e que a atitude priveligiada do pedagogo eficaz é ser aquele que nos ajuda a Lembrarmo-nos do que já sabemos e que sempre Reside em Nós.