segunda-feira, novembro 24, 2003

Um homem que caminha sozinho de preferência ao sábado a noite pela madrugada da cidade, isto é não acompanhado por uma mulher é homossexual.

Uma mulher que caminha sozinha sem preferência de qualquer dia da semana é uma prostituta.

Oh amiguinhos, então não sabem que esse filme não existe mais e até o próprio cinema que o passava já fechou. Vejam lá com atenção o prazo de validade dos vossos bilhetinhos. E já me estou a rir do que a banana, perdão banner me vai trazer.
Claro está, aparece-me de seguida o detective do telefone espião, Mário Costa da Amadora, o que não sabe da coisa Amada.
Gosto, gosto muito destes algoritmos netianos a tudo tentar relacionar, como a vida e os seus ritmos. Escrevo a palavra deitar e lá em cima aparece 2000 hotéis de Portugal, páginas Amarelas, onde é mais fácil deitar, perdão, procurar. Depois a seu lado, Cascais, oito hotéis com reserva em linha, muito fácil, hotéis confortáveis, como sempre o deitar deve ser e económicos, como quando me deito contigo à borla. Belo país, de tanto deitar e fico a pensar como vou brincar no algoritmo do riso de mim e de ti. Reservei a linha inteira de Cascais e com ele, nela me vou deitar, cada quarto um conforto sempre em linha, como o meu vigésimo primeiro dedo se transforma.
A irmã dictómica é amiga do paradoxo, ou não?

Sim querida. Eu sei que em mim buscas a segurança, sim eu sei querida que em mim buscas a liberdade, sim querida eu sei que de mim buscas a liberdade, como pode ser, querida? Serão ambas irmãs ou inimigos profundos? Sim querido, que liberdade parece não rimar com segurança. Parece coisa disjuntiva, mas se em vez do ou colocares o e talvez tudo se resolva, não te parece? Sim querida liberdade com segurança, ou segurança livre, como casa bem o casar em vez do afastar. Sim querido que podemos inventar entre nós as duas como irmãs gémeas. sim querida, não deitemos uma fora pela janela, façamo-lhes um mesmo ninho para ambas deitar.
Oh deixa-me ser
Nem que por breve instante
A imagem de fora
De tua janela
Deixa-me ser
A breve nuvem
Que revela
A lua que ao cão
Uiva
No breve instante
Feito ternura
Por cima do Azul, Minha Senhora, em Círculo Doirado, na mesa ao lado a Senhora a fazer-me metáforas de mim e eu como que a almoçar-me.
O Amor é como nota endossada de elevados juros para quem em sua casa a recebe, e quem a tem, é o mais rico de todos. Mesmo quando o banco é falso e o ladrão a tenta roubar. Porque de tanto valor seu câmbio, não há mão que a leve, não há ladrão que a roube, nem o banco está, nunca fechado.
Oh meus queridos parvalhões, com a vossa ressaca de homens, na noite junta em magotes solitários, aspirando mulheres, que não vêem. No instante do primeiro a passar, é rabeta, aquele que ali vai a andar, dispara a dôr colectiva na espera de um pretexto que eu te não vou enterrar. Grandes homens, juntos como juncos secos, a murchar, belos a fenecer, que não há mais fazer, sempre aos molhos, sem fé em Deus, como dedos da mão que nada agarra, mas grandes nessa desunião, como grande ilusão.
Vagueava como um cão pelas alamedas da noite
Alçando a perna aqui e acolá
É como Sombra a passar
É um Amor de Dar
Cão batido
Por ele próprio
Escorraçado
Ao Sol

E Ele a Ladrar
Ao Vento
Do seu Pesar
Morde a própria perna
Ao Saltar

Já nada sabe de Si
Nem pernas têm
O Cão maneta
Cego à presença
Da mais bela Flor

Vive debaixo
Da cama alheia
Enroscado
A fugir do Pontapé

Até a Pulga
De Si foi passear
Aos saltos por aí
Pois seu sangue
Frio
Água Quente
Se Tornou
Sopra Vento em Flôr
Trás-me Novas do Meu Amor