sexta-feira, novembro 28, 2003

Á procura de um sorriso pela cidade saindo da rua do Paraíso.

Passáramos com a Lua a noite a rir, O Tejo a fazer-lhe cócegas e ela para cima e para baixo, numa terna brincadeira. De manhã cedinho saímos para a rua como a missão de encontrar o primeiro a rir. Descemos a rua do Paraíso, tal foi o nosso errar, a Santa Apolónia fomos dar. Está no comboio, disse um de nós, se calhar partiu com o maquinista a apitar e por isso não se deita ao nosso olhar. Depois rentinho ao rio, no Terreiro fomos espreitar, se calhar foi tomar banho e está debaixo das águas a navegar, grande deve ser seu pulmão que cá cima não, veio, não. Depois no Rossio já quase a chegar aos Restauradores, mesmo frente ao teatro, lá encontramos a primeira falta de siso. Na caixa aberta da carrinha que parecia ir à frente, uns Senhores de fartos bigodes num riso farfalhudo e eu que atrás ia conduzindo, com o dedo a apontar e nós todos a rir ao olhar, contentes de o ter encontrado. Nesse preciso momento os senhores que riam ao verem nosso riso, suas caras de novo petrificaram, num qualquer tipo de zanga expressado num olhar fixo e franzido sem bigode a dançar, como a quem de novo tinham posto o dente do siso, a pensar que está a ser gozado e os sorrisos deles e os nossos foram todos navegar para outras margens. Tiro pela culatra, a relembrar que só encontra quem procura sem procurar e depois seguindo, procurando como quem encontrou. Desde esse dia decidimos não mais procurar o riso alheio, só mesmo o nosso, a Soltar, que depois consta que ele é contagiante como vírus universal.
Ora hoje sexta-feira, vou-me outra vez casar, estão todos convidados para este copo de água a transbordar, não têm que comprar prendas para nos visitar, que cada um já tem a sua casa e por razões de economia amorosa a dois decido o meu casar. Aqui só há festas para quem as agarrar, é mesmo só namorar, oh que bela poligamia, neste espaço que não é espaço, pois é todo o espaço de encantar, sem distância outra que o Anel do querer linkar, um só click e já lá estou. Longa vida aos que se ligam, como casa bem o casar em vez do afastar

Assim foi o namoro pré nupcial

Quando no final da minha página vi vamos lixar tudo, escrito, tive uma
momentânea dissonância cognitiva, vamos lixar tudo? E só depois percebi que
era link e Blo e assim aqui vim, um pouco aos arrecuos, que vamos lixar
tudo, parece-me ser algo, como te o direi, estranho. Só se for para aplainar
as farpas das madeiras múltiplas, que nos ferem a todos. Mas afinal não me
piquei, hihihihi, mas está bem, vou linkar quem tudo lhe dá na Real Gana

Vamos lixar tudo?
E não tenhas crises ao casar, mesmo não sabendo se são tuas, minhas ou de quem as apanhar, que da crise tenha a tradução da breve paragem antes do novo andar

Do bichinho de conta a história assim o rezou na troca de folhas de amoreiras que os curiosos podem ler nos comentários de ontem

Só uma pergunta lhe faço, pois há muito tempo que não me punha a contar se o bichinho do belo contar, tem cem pezinhos no seu belo abraçar. O que importa mesmo é perguntar em qual deles o anel deve entrar.
o nada é o todo desordenado
Os corações nunca dão passos em falso, é como uma impossibilidade deles, congénita como seu eterno bombear, falsos como medo é o pensar, contudo às vezes é necessário pousar nos silêncios internos para ouvir de novo o sangue a correr e dessa unica forma encontrar a palavra que nos contem.
aquela que nos dá a luz que apaga a sombra do mundo inteiro no instante do seu falar
bombeia, coração bombeia pra melhor em silêncio eu te escutar
Reconhecer é como estremecer
Um leve corar
Um súbito Virar
Um Vivo Enrubes-Ser
Um Encantar
A Aquecer
Uma Onda
A Mexer
Um Sino a Cantar
Uma Fada a Voar
Um Doce
Ensandecer
Como Chocolate
A Derreter
Uma Pálpebra a Flutuar
Um Breve Enternecer
Como Só Coração
Sabe Tecer
hoje não me sai da cabeça um verso de Sebastião da Gama que reza assim e assim fica aqui rezado.
tens muito que fazer?
não, tenho muito que Amar