quarta-feira, dezembro 03, 2003

Vê a onda do mar, estende-se sobre a areia ao seu chegar e depois de lambê-la, que é como quem diz, deslizando com ela, volta de novo a contrair-se num mesmo deslizar.
Uma por cima outra por baixo, que importa a ordem do cimo e do baixo, se o deslize é o mesmo seu enlace, poderia dizer-te que cada uma reverba na outra, ressoa e torna a ressoar num mesmo passar, e sim ressoar, não é propriamente ressonar em que um pode incomodar o outro. Fecha os olhos por um instante e imagina o som através do espaço, permeado e permeando por ele em todo o seu andar, Imagina por um momento chegar a um lugar, que é o mesmo, do qual afinal nunca se partiu, Imagina por um momento tua mão em concha, que encaixa na concha da minha mão, imagina minha mão em concha deitada sobre teu seio, imagina por um momento os dedos entrelaçados naquelas vezes em que já não se sabe mais se são meus ou teus ou de quem lá os pôs, imagina por um momento dois aparentes corações no mesmo compasso, a bater, recorda a estranheza de quando sentado sobre o mar, aparece por dentro da água,um pé ao olhar, que afinal era mesmo o teu, ressoar é o mesmo eterno marulhar
Oh meu Deus, como as palavras estão gastas. Ai sim, então toca lá a limpá-las, e como elas se limpam, pois falá-las é o sujo em si, pois não é pelo pensar, não é pelo racionalizar que a operação se faz, falava-te de compaixão e teus pelos a eriçarem-se como gato assanhado, a mim não rapariga, não me ponhas essas unhas, outras sim,que são as mesmas, com a Tua mesma mão, como por exemplo quando me coças, essas sim, não te falo da falsa compaixão, da caridadezinha e coisas mais ou menos equivalentes, tentava relembrar-te só do seu étimo, capacidade de sentir, que é o mesmo de dizer, de ressoar, da ressonância que se estabelece quando algo se reconhece idêntico a outra em Algo, um mesmo eixo, como que parado para além, àquem e aqui, de toda a ilusão de todas as formas. Olho-Te e Sou Eu, Olhas-me é Ès Eu, mesmo que vestindo eu de azul e tu de doirado, como quando nos parece o azul ser doirado e o doirado azul. Por aqui vou chorando e rindo ao mesmo tempo, não não te aflijas, que não estou triste, bem pelo contrário, cada vez mais um é o outro, como duas faces da mesma moeda, uma a avivar a outra, que é a mesma. Como o dia de hoje ao passar, Um imenso Sol e um imenso frio, a revelar uma mesma beleza, como no campo das nossas meninices. No teu rosto desfila ora uma coisa ora outra, todas as inseguranças, todos os desejos e um só esquecimento. Oh Mãe,Teu Secreto nome È Amor pelo Amor chego a ti e eu sei que Me Amas como Eu a Ti e mais não somos dois, pois não
Oh, hoje vi muitos irmãos que se estão como a transformar em pássaros, penas que lhe aparecem em seus cabelos,continhas de cor a rodipiar, céus estrelados em seus corpos que começam a brilhar, um cão no banco de trás a conduzir e a canção a cantar, para os meus braços, oh Senhor