quinta-feira, dezembro 04, 2003

(Poema, antigo, tramado, a ser refeito, versão original.)


Contos da Lua Cheia


Vagas perdulárias de desejo
No espaço restrito de nós mesmos
Afogo-me em teu corpo
Afago-o
Distante
Ficando a meio caminho de mim
Sem encontrar a brincadeira de uma criança
Corpos semi sisudos
Na orla dos oceanos
Tão perto
Tão longe

A ausência dos teus beijos molhados
Como doce mel
Como doce fel
Cicuta-me
Sem as cascatas de teu sexo
Orvalhado
A cada vez que o despertei

As pontes estão velhas
Já não lhe passam os passos
O vazio do medo
A aranha tece a sua teia
Lua cheia
Talvez no meio dia
No meio da vida

A tristeza reflectia-se
Nos olhos
Sempre húmidos
Contido

As vagas na rebentação
Nas horas vagas
Já não se estendem nas areias
Como se um vidro frio
De permeio
As afastasse
Como se os desenhos
Já não fossem os mesmos
Os corpos
De puzzles diferentes

Ele roubou-lhe o destino
Vagueia nos limbos
Encontrando fogos-fátuos
Em qualquer lugar
Em universos distantes
Penando
O regresso ao futuro
Embalando os prismas da ilusão
Caleidoscópica
Refractanto cores invisuais

De que cor se pinta a dor

Uma guitarra ficou sem o lá
Quebrou-se
Estridente e surda
Como uma pedra no charco
Desafina

O coração dele pulsa-lhe
Nos ouvidos
Sobre almofadas solitárias
Ecoando, ecoando
Reverberações de angústia
Tal tam tam da existência
A recordarmo-nos que
Estamos paridos
Vivos em
Terceira dimensão

Tempos mexidos
De águas paradas
Que não movem moinhos
Pela ausência das velas e dos sopros

Levem-no lindos duendes e elfos
Deixem-me
Jazido por cima de uma cripta
Lancem-me o sortilégio
Deixem-no na quietude
Da poalha dos raios de luz

Será primevera
Haverá folhas verdes
Juncando o húmus

Deixem-me à espera de ouvir
O galope do cavalo branco
Que me traga a princesa Lorenin
E me beije a paz
E eu morra docemente

Meigamente
Com a resignação calma
Do pássaro
Que fugiu da gaiola

Dancem pequenos elfos
De mãos dadas em roda
Descuidem-se
Deixem chegar a maçã rosa
Com a minhoca pérfida
Sem ideia de maldição
Pois ainda não se terão
Inventado os símbolos

Será rosa a cor da tentação

Pousem as espadas
Deixam as setas
Silibar pelo éter
Uma se cravará
No velho castanheiro
O sangue
A seiva se escoará
O leão rugirá ao fundo
Antecipando os trovões

De que cor é o céu

Cristalizaremos
Com o açúcar da resina
Parecendo doces
Guarda chuva
Caramelos
Cristais de cor
Cuja luz será
Chamariz

Virão então os pássaros
Pousar nos silêncios
Construindo lugares de inocência
A que talvez venham a chamar Amor
Não percebo bem isto, afinal parece-me que no meu país ninguém se anda a deitar, mas os hotéis continuam por cima a aparecer, agora é o botânico, que segundo reza tem vista para três estrelas na Avenida da Liberdade, será que o seu céu é assim tão pequenino como reservas em linha, cada vez gosto mais desta expressão, que é como eu me imagino ao ver-te correr-me na linha de uma mecha, e um extra, help on line, socorro, quero mais estrelas no céu que em vez de um colchão fiquei espetado num cacto.
Ao bocado, vi uma cara de Fada que me falou, seria?