sábado, dezembro 06, 2003

Imagens da Alma


Ah Queridíssima Marta
Eu ontem vi-te Emoldurada
No Teu silêncio Escutante
Parada no Silêncio
Atento Aberto
Na Ombreia da Porta
Como Centro
Entre Os Dois
Pilares

Ah Queridíssima Marta
Ontem Tuas Palavras
Saíam dos Lábios
Como Poalha Luminosa

Língames de Fogo
Linhas Arredondadas
Elipses que se Entrelaçavam
Como Serpentes
Como Chama de Fogo
A Dançar

Doce Magia




Tu Que Leste
O Anverso
Que afinal
É o Próprio Verso
Doce são meus olhos
Disses-te

Oh Queridíssima Marta
Não são Doces meus Olhos
O que é Doce
É o Próprio Olhar

Aquele que Reflecte o Teu
Aquilo que Ele vê
Meus Olhos
Parecem-te Doces
Porque Neles Conheces a Ternura
Porque Neles Te Vês Doce
E Nesta Troca Muito Doce
Mais Doces Tornamos
Num
Um
Mesmo Olhar



Dissolve-se O Dois
E Aparece o Três

Vemos a Mesma Coisa
Dois Pares de Olhos
Que se Tornam Par
E O Mundo Uno
Pelo Mesmo Olhar

Oh Queridíssima Marta
Teus Olhos eram Todos
A Busca da Ternura
Teu Corpo Mexia-se
Todo Inteiro
Uma Suave Quente
Infinita Ternura
A Bailar
No Uno Mundo

Ai, ai, oé ,ohhhh, eaaa, eaaaa, eoooo

Só vim agora aqui
Agradecer
A Querida conspiração
De Toda a Luz
Só vim agora aqui
Agradecer todos os sinais
Só vim agora aqui
Agradecer
Todos os Abraços
Dos Braços
Que me têm
Abraçado
Oh queridos
Do mesmo Coração

Ai, ai, oé ,ohhhh, eaaa, eaaaa, eoooo
Clip, clip fez de repente o vidro da janela da minha casa, quem é, sou eu o pássaro negro, olá belo animal, a quanto tempo não me vinhas visitar, pois é, tenho andado muito ocupado no meu voar, mas não, que mesmo nessa ocupação, vejo o voar alheio, pois bem folgo em sabe-lo, o que queres, um café, um chá, algo de bicar, não, não te incomodes oh pim, só queria perguntar se foste tu que escreves-te aquele post da tarde de verão, pois convocaste-me e aqui estou eu com uma pergunta no bico, sim foi eu, explica lá então o que queres dizer com… tentando saber os sórdidos pormenores do amor de seu corpo com seu Amigo, olha esperto pássaro negro, também eu que estava a olhar para os espelhos das minhas palavras, já me estava a interrogar nessa mesma frase, queres ajuda para pensar, sim, então embora lá, começo eu disse ele
São sórdidos os pormenores dos amores dos corpos?
Não não são, são geralmente de todas as cores que os corpos os inventarem, na escrita secreta única das suas peles, do seu sangue, mesmo quando feito no meio de qualquer praça pública, com gente a passar, um cofre secreto desses mesmos corpos do qual só eles têm a chave, a tinta e a caneta
Quando falas de todas as cores, poderá então ser o sórdido ou a coisa sórdida, ou algo sórdido também uma das suas cores?
(espaço, onde se vê o pensamento que me pensa a pensar-me, como uma respiração)
NÃO
Pois não pimpampum, foste tu que os tornaste sórdidos, pois eles eram segredos alheios, sagrados daqueles únicos corpos, como quem diz , por eles consagrados, e mesmo sabendo que todos os corpos são como corpinhos de um mesmo corpo, fios de prata de um mesmo luar, recorda-te sempre pimpampum, que o medo tem muitas caras mas a raiz é sempre a dor, e foi a dor que sentiste que te fez vê-los como sórdidos, e recorda-te também…não digas mais que eu concluo,- que a realidade sou eu que a faço, pois é, disse o pássaro negro e agora asa que se faz tarde.
Obrigado meu Amigo, volta sempre mais, deixa-me agradecer, de certeza que não queres bicar nada, não pimpampum, que eu bico onde quero, fazes bem, mas deixa-me beijar-te o bico, isso sim, que eu gosto, até a próxima se a houver e depois deixa lá essa cara de espanto, que já ontem e anteontem me tinhas visto a voar perto de ti, pois é, eu sei.