segunda-feira, dezembro 08, 2003

Solve et coagula
(pensava eu de que não poderia pensar como acéfalo que sou, mas afinal aqui fica a segunda parte e respectivo epilogo)

Ni no ni , no ni ni, deixem passar os soldadinhos das belas penas de Pomba a correr, a voar, vão soprando o Fogo Sagrado que tudo irá dissolver

No largo do Poeta das Ilhas dos Amores, vi essas grandes cabeças às cabeçada umas contra as outras, como os carrinhos de choque da feira popular, pum, ca trá pum, ai, ai, dói, dói, (suavemente tipo turrinhas neste caso não amorosas mas sem verdadeiro dói-doi, que isso não se deseja a ninguém), que eu já não sei da minha cabeça, já não sei quem sou, onde estou e que faço aqui, para que servem socialmente as cabecinhas (banda sonora, A Desfolhada)

Desfiavam- se todos , como folhas de um final de Outono, e tentavam ler na escrita apagada, o que faziam neste mundo, justificando para fora o impossível, pois o único possível é mesmo para dentro de cada um.

Alguns, aportaram na bloglândia de todos nós, acompanhados de impressivas laudas sobre a sua função e desidério e com um nome muito curioso, entendendo aqui o curioso, como uma coisa que é muito transparente, como geralmente diga-se em passagem rápida, todos os nomes são. Não me recordo porém na exactidão se é nome de restaurante que serve cabeças Causa Nostra ou apendicite de causas nostras mais sinistras, que todos recordamos. Seria cosanostra, ou ainda que coisa é a nossa?

Segundo uma mosca me contou, reuniram-se todos num jantar a comer caviar e então dias a fios a discutirem, que aqui se recorda, que discutir não é o mesmo que Falar, suas cabeças maiores se tornaram, e seus corações sofreram de abuso de colesterol. Por fim concluíram, então vamos à causa, porque agora que existem estas tecnologias, onde cada acéfalo pode exprimir o que lhe vai no pé, arriscamos o nosso poder e os empregos. Imaginem lá, sem ré nem dó, se as pessoas deixam de comprar as nossas colunas de jornais e deixam de vir pedir as assinaturas nos nossos papéis. Uhhhhh, gritaram perante o susto que então apanharam, as gordas cabecinhas. Como fazemos, como começamos, bem, primeiro cada um faz um texto de apresentação e do que se propõem falar, que os acéfalos, no entender deles, não os conhecem.

Epilogo

Bem vindas Cabecinhas Intelectuais ao Mundo dos Acéfalos dos Grandes Corações, que a escrita vos seja o espelho próprio da Alma, como a mim. Vós são e sempre serão meus Irmãos e eu não gosto, nem vós desejo nenhum mal, como aliás a nada que exista, porque Toda a Vida é Sagrada, e não me tentem confundir a olhos eventualmente mais distraídos, que quer só dizer que andam a ver outras coisas, com Gobells, aquele que quando ouvia falar de cultura, dizia-se que puxava da pistola.
Todo o conhecimento é para aproveitar e explorar, mas mais que conhecer, é Saber, e tal acontece quando nosso próprio Coração sabe do nosso próprio Pé e do Sapato que o Calça.

Pois bem vindos como tudo e todos, que eu ninguém quero excluir, pois a casa que é a mesma tem que dar para todos e que o chapéu entre na cabeça de quem lhe serve, como alias sempre se diz. Bem vindos Irmãos e bons escritos com vossos corações nas grandes cabeças que tem.

Ni no ni , no ni ni, deixam passar os soldadinhos das belas penas de Pomba a voar, vão soprando o Fogo Sagrado na sua Irmã Agua que tudo dissolve