segunda-feira, dezembro 22, 2003

Eu venho de uma escolinha, onde a educação recebida estruturava-se em princípios básicos, como o descobrir qual a nossa vontade e aprender a sua concretização, num processo de auto responsabilização. Bem sei que isto pode parecer estranho aos olhos dos que pensam que as crianças não estão aptas para “carregar” as responsabilidades das suas escolhas, ou então que as suas vontades, não são ainda bem, como costumo ouvir, vontades, e que elas devem ser conduzidas pelas vontades alheias, ou que uma escolha é sempre um fardo e que tal fardo será pesado demais para seus pequenos ombros. Eu prefiro pensar que as crianças devem ser envolvidas no Amor, e que o Amor é sempre um Encontro de Vontades, não uma baixa ou alta manipulação ou cerceamento da vontade alheia, do outro, e depois a criança, na sua vontade não sente as escolhas como fardo, que geralmente quem assim o sente são os adultos, ao caminharem todos os dias para aquilo que entretanto decidiram ser as suas rotinas, de que sempre se queixam, mas que na maior parte das vezes não alteram, preferindo ficar numa eterna brincadeira de mau gosto, que acaba por ser muito parecida a um colinho aparentemente quentinho de vontade apodrecida. Um atitude adulta profundamente infantil, no mau sentido, aquele de que é bom poder sempre queixar-me que a vida não presta, ou o trabalho também não, pondo no alheio, como quem diz, no externo a mim, a causa dos nossos próprios males sentidos, irra, caramba que esta vida é feia, é triste, mas eu não sou culpado por assim ela ser, o que não deixa de ser meia verdade, porque as coisas já estão escangalhadas há muito tempo, mesmo antes de eu começar a trabalhar. Contudo a minha Vontade é infinita, o Mundo também, o espaço e o tempo e as minhas mãos, o meu coração e os meus pés, são as minhas ferramentas, o Mar da Vida é imenso, e as minhas rotas desejadas, que eu invento para me aquecer, alternativas ao que eu sinto como frio, expandem-se nos trópicos infinitos das suas possíveis concretizações.