sexta-feira, dezembro 26, 2003

Oh minha Amiga, devia ir morar mais vezes naquele lugar onde se perde, onde se gosta de perder, onde, disse, se pode perder, que felicidade Amiga ter um sítio onde se pode perder, já eu, ando sempre perdido, qualquer sítio é um sítio perdido, não desta terra, deste lugar, mas de um outro tempo, um outro sentir. Há contudo sítios mágicos, que já o eram ou que nós outrora os tornámos mágicos, sendo aqui a magia, os enlaces emocionais com que enlaçamos esses sítios, tipo fina teia invisível que os envolve, lhes dá uma outra qualidade, um outro sentir, os aura com espaços de harmonias atemporais. As emoções que lá criamos como puras formas de desejo evoluem no ar, ai passam a residir, outras expandem-se infinitamente a partir desse mesmo centro e que bem nos acolhem em cada novo chegar. È o mesmo ao contrário, há sítios que nós sujamos, há casas que são frias ao viver, mesmo quando lá estamos todos os dias, casas como que impessoais, onde não estamos estando e mesmo que se mudasse todos os móveis, ficaria sempre ausente o recheio.

Eu sei
Pezinhos para chupar
Dedinho a dedinho
À Beira Mar
Eu água do mar
Em Remoinho
A Te Apanhar

Remoinho em Mim
De Ti para Mim
De Mim para Ti
No Eterno Lá
Sem cá

Agua Santa
Riso Santo
Na Espuma
Do Mar





sabe o que eu gosto muito em si? você gosta de mulher, do corpo de uma mulher
gosto sim
é redondinho
Porque é que é que gosta muito?
Parece-me coisa normal
Porque há homens que não gostam do corpo da mulher
corpo é para se gostar
usam o corpo dela, mas não saboreiam, não usufruem
creio que todos lá no fundo gostam
todos lá viveram um dia
andam alguns disso esquecidos
ou algo os assustou
há mulheres também que não gostam dos corpos..
É geralmente isso que os assustou
pois há
percebo-te
mas sabes importante mesmo
é que saborear e usufruir
é acto a dois ou três ou seja lá como for, mas é sempre acto partilhado
não se pode fazer sozinho
tem que ser uma comum vontade
é gostar do cheiro, do toque, do sabor, da textura, é gostar de dar prazer
um mesmo desejo
isso
de resto não vale mesmo a pena, acho eu para mim mesmo


Como agua te cheiro
Entre rios das tuas pernas
Vejo seu grau de maresia
E o mel
Que das
Montanha irá escorrer
Oh como é bom
Fazê-lo escorrer




Oh, queridíssima, se temos corpos se não para amá-los, para tocá-los, para usá-los como instrumento de prazer, oh queridíssima, como é bom criar prazer contigo e comigo, com os dois corpos num só enorme pateo de brincar, quente enlaçar, doce sorrir, belo gargalhar, que corpo é sentir, só sentir, não é para usar, corpos não se usam, brincam-se. Corpos inventam as mais belas paisagens, são dínamos de amor, expelem ondas emocionais por sobe o tecido da terra, alegram e encantam quem vai a passar, são exilir de vida, o mais doce remédio da juventude eterna Oh queridíssima que no corpo reside o espírito, o meu e o teu a se encantarem no seu encontro, fazem florir como reflectir a mesma alma una e nua do mundo, aquela que sofre muito, muito, pelos desencontros de todos os seus irmãos. Aqueles que assustam ou assustaram alguns, ao ver que a aparente regra, que é aparente no sentido em que não é a verdadeira regra, mas mesmo assim, parece ser no mundo aos olhos de alguns, a regra, não é a do encontro, mas do ter, não do todo da coisa que se casa no amor, mas de uma só pequenina parte, como uma auto amputação por mim pré definida e eu burrinho a definhar, as rosas a não florir, o seu cheiro a não passear.

Oh queridíssima, a harmonia do todo, do todo inteiro, de um todo inteiro que já nos transcendeu, nos fez ultrapassar o limite dos nossos próprios corpos, aquele que pertençe a cada um, eu , tu, eutu, todos inteiros, nus um perante o outro, sem nada a esconder, sem nada a querer esquecer, todos presentes a inventar, a inventar o Amor. Encontro de verdades verdadeiras, verdadinha, puro imenso templo, a mais fecunda terra, a mais forte semente que se gera do confi ar, como um leve ar, não ter nada a perder nem a ganhar, só mesmo a encontrar, um com Ar em que se pode voar, hélice súbita, imensa que todo o mundo no instante faz voltear, novas paisagens de silêncios harmonias, setas felizes em alvos ausentes, quente quentinho como belo colo de mãe, um céu imenso para pintar.

Oh queridíssima, que a única regra no amor dos corpos dos espíritos e da Alma é não fazer mal a ninguém e depois é tão bom brincar com o corpo