quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Schiuuuuu, schuiiuuu

Diz-me baixinho
De Mansinho
Ao Ouvido
Sussurrante
E Sossegado
Porque Partiste
Antes De
Mesmo
Chegar

Oh Meu Amor
Não há Partir
Nem Chegar
Só Encontro
No Mar


No
Encontro
Com o Mar

Diz-me Suave
E Lenta
Porque
Partida Te
Encontro
No imenso Mar

Oh Meu Amor
Eu Sou Estrela
No Céu do Mar
Cinco São
As Pontas
Dos Dedos
Com Que
Te Vou
Abraçar


Oh Meu Amor
Eu Resido
Em Ti
É lá
A Minha Doce
Morada
Quando
Trazes
Teu coração
Aberto
Inteira
Me Vou
Abrigar
Um Mesmo
Enlace
Uma Mesma
Abertura
E
Um Mesmo
Entrar


Oh Meu Amor
Vês as Vagas
Do Mar?

Eu
O Vale
Tu
O Mesmo
Cume
Nós
Três
A Voar

Oh Meu Amor
Que Gume
Não Há

Não Me Ouves
Ao Perto
E ao Longe

Não Me Sentes
Ao Pé
Como
O Mesmo
Rodapé?

Diz-me
Sussurrante
Baixinho
Aconchegante
Porque sou
O Jardim
Tu Que És
Rosa
A Maça
E a Flor
E Eu
Nu
Em Ti
À Espera
No Pomar
Incompleta
A
Imagem
De Mim

Eu Sou o Cão
Que Nem Ladra
Nem Morde
A Tua Mão

Eu Aqui
A Atirar
Uma Pedrinha
Invisível
Ao Grande
Mar


Oh Meu Amor
Eu Sou a Moldura
E o Recheio
Todo Eu
Por Ti
Inteiro
Anseio
Eu Sou
A Luz
O Vento
A Pedra
O Mesmo
Mar
Eu Sou
O Grão
Do Areal
Como
Os Dedos
Da Mesma
Mão

Oh Meu Amor
Que Eu Sou
O Braço
Que Embala
Teu Corpo
No Céu
Que
Sempre
Acontece

Aproxima-Te
Suave e Lenta
Nas Letras
Do
Mesmo
Mar

Oh Meu Amor
Que Eu Sou
O Alfabeto
Do Mesmo
Ser
Verde
É o
Prado
Do Meu Amor
Borboleta
Sou
Asa que Bate
O Alegre
Respingar

Oh Meu Amor
Caíram
Todas
As Mascaras
Só há
Uma Face
Um Mesmo
RuberesSer
Um Só
Afoguear
Uma Cinza
A
Arder

Diz-me
Porque
Chego
Sem
Te
Encontrar
Procurava
Hoje o Amor
Como
Praia
Deserta
Na Ausência
Do
Teu Ser

Oh Meu Amor
Que Eu Sou
A Vaga
O Sal
O Mar
A Gota
Que Une
O Teu
Sempre Ser

Quente
Orvalho
Concêntrico
Ao Centro
Do Acontecer

Oh Meu Amor
Ressoa
No Vale
Do Meu
Ser
Escuta
A Eterna
Flauta
Junco Suave
Uma Nota
Um Instante
No Corpo
Ao Acontecer

Diz-me
Baixinho
Sussurrante
Em Montante
O Que
Eu Não
Quero Esquecer
No Fundo do Mar
Do Meu Ser
Uma Coisa
Me Aconteceu
Não mais Sabia
De Mim
Quando Aninhado
Em Teus Braços
Em Praia
Do Amor
Ficava


Oh Meu Amor
Que Eu
Sempre
Aqui Estou

Escuta A
Minha Chegada
Como Agua
A Correr

Mulher
E Homem
Num
Mesmo
Ser
Como
Único
Fragmento
Sem o
Saber

Diz-me Meu Amor
Eu Sempre
Aqui
Te Esperei
Pela Eternidade
Do Meu
Querer

Mas não é Meu
O Querer
É
Dele
O Amor
O
Ter

Espera
Como Quem
Não Espera
Procura
Como Quem
Encontrou
Na Ânsia de Mim
O Ser
Quando Esta
Dor Externa
Que Interna
Me Parece
Mais Não
Ser


Oh Meu Amor
Me Entrego
A Ti
Me Transporto
Em Ti
Me Desfaço
Em Ti

Por Ti

Como gota
Vaga e
Luminosa
A Irradescer

Ao
Sol
Que Te
Vejo Ser
A Tudo
Aquecer

Um Mesmo
Encontrar
Num Mesmo
Esquecer
Repentino
E Imediato
No
Acto
Do
Mesmo
Único
Ser







domingo, fevereiro 22, 2004

Teu cabelo
Cai em cachos
Qual onda
No
Mesmo
Grande
Mar

És Lago
Meu Amor
E minha mão
Ao tocar-te
Faz concêntricas
As Ondas do Mar

O Lago desagua
No imenso
Mar
E Suas Ondas
Em Margens
Vão-me
Transformar

Daí à terra
Em flor
Me leva
Como Lava
Teu cabelo
Qualquer
Minha dor


Basta um fio
Teu
Para
Ascender
Ao Mesmo
Querido
Céu

Cachos de Uvas
Doces
A exalar
O mesmo
Mel
Doce Alegria
De Ser





Todo
E tudo
A Escorrer
Eu a
Dissolver



E Eu
E Tu
A Ficar
Como Única
Onda
Do Mesmo
Único
Mar

Dom
Divino
Do Mesmo
Escutar

Forte
E
Frágil
Fio
Do
Mesmo
Eterno
Entrançar

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

As imagens são emoções. Ver uma imagem é senti-la, é viver uma emoção. Uma emoção é uma constelação de afectos que nos afectam. Que aparecem ali num preciso momento do tempo espaço, se atravessam a nós e atravessam-nos como, um súbito arrepio de prazer ao chegar.

És tu com quem me cruzo, o Sentir que Trazes e que És, o Sentir que eu Trago
e que naquele momento Sou, o Meu Sentir do Teu Sentir e o Teu Sentir
do Meu e ainda o Sentir de Todo o Universo que presente Nos Sente.

O meu sentir e o teu sentir só é diferente quando aparece desigual, tu a sentires uma emoção diferente da minha ou vice-versa, porque as emoções são as mesmas, já eu e tu outrora as sentimos, só por isso é que nos podemos sentir um no outro, como em cada um de nós.

As imagens mergulham na memória associadas a uma carga emocional específica. Um certo conteúdo, que relembro, a meu ver, é sempre também uma forma, fiado como quem diz tramado, pelo momento e circunstâncias do que se viveu, que é só outra forma de dizer, das emoções que então se sentiram.

Matrizes compostas por tons diversos, cores distintas que habitam numa mesma imagem.


Tu para mim foste a atenção
Tu para mim foste a amizade
Tu para mim foste a ternura
Tu para mim foste o carinho

Ou o seu Anverso
Ou uma outra
Obliqua qualquer

Porque a imagem de um conteúdo emocional é mais como uma constelação. Formada, por diversos sentimentos que se viveram e da valorização que na altura lhe atribuímos. Pode sem dúvida existir um planeta maior, ou seja, uma dominante como quem diz, o Tom mais forte da imagem, a cor mais viva, mas elas geralmente são compostas como qualquer cor o é. È como um bolo, 259g gramas de atenção, um ovo e meio de Imaginação curiosidade, 3 litros de água alisada e uma força para o amassar. Depois vai ao forno, cozer como quem diz, cristalizar e nesse estado desce a uma prateleira da memória.

Entre muitas outras maneiras, mergulhamos na memória através de um elo emocional, presente, mas que nesse momento se descobre familiar, a um outro, outrora vivido. É como uma remissão, um certo sentir presente desperta um certo sentir outrora sentido e aparentemente parecido. Então, se a imagem actual é diferente da que já passou, só a emoção é equivalente, mas se, uma imagem é uma emoção e uma emoção, uma imagem, o que acontece, é que trazemos para o presente a imagem passada colada ao sentimento equivalente àquele que no presente sentimos.

Da mesma forma, as imagens que dormem no fundo da nossa memória, despertam e vêem a superfície, interrompendo-nos por assim dizer, o nosso presente, atravancando-se no real do momento, como um véu, cobrindo-o por substituição e impossibilitando dessa forma o Ver.



quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Sabes, eu não tenho muitas histórias de futebol ao vivo, contudo recordo uma daquelas em que o real de repente se abre de forma desconhecida ou surpreendente. Uma daquelas que nos confirma, que às vezes, a chamada realidade ultrapassa aquilo que convencionamos chamar de ficção.

Na fila em baixo, um Senhor com ar de reformado, parcas posses mas remediado, kispo cintado cinzento, como aqueles que se deixaram de ver há uns anos e boné a condizer, assim, começara eu a vê-lo.

No relvado os guerreiros tentavam enfiar a bola no buraco alheio e protegido.

Os habilidosos guerreiros construíam emoções, rasgos de génio, momentos de acerto e desacerto e grandes ohhhs de quase, nãooooo, foi por um triz. Tanto eu como o Senhor, estavamos por assim dizer, banhados por aquela emoção colectiva que a todos perpassava.

Os olhares começaram a cruzar-se expressando os comentários de certa jogada, os corpos aproximavam-se chegando a tocar-se nos levantares exclamativos e um brilho nos olhos, que quando acompanhados, constroem no real um certo desejo, começara a acontecer.

Assim íntimo no sentir, com aquela emoção que une, chegara o intervalo. O Senhor retira do seu bolso uma sandes e virando-se para mim disse, é servido? Agradecendo declinei e fui dar uma volta.

Quando voltei o Senhor, retira então do bolso uma enorme e verdadeira pistola prateada tipo Colt 45, exibindo-a diz-me, eu estou prevenido, eles que venham, que eu os receberei. Atónito ao momento, pensei para os meus botões, quem seriam eles? Para depois perceber que se referia aos adeptos da outra equipe.

Estranho homem, tão gentil como mostrara ser e contudo eventualmente preparado na sua cabeça e acção para uma das maiores violências. De gentil a besta, tão fina a fronteira. Basta o medo residir no meu coração.

Espero que agora existam detectores de metal nos estádios.

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Curioso, ou estranho, como se preferir, é ouvir dizer que Espanha não é um risco, mas uma oportunidade.

O estranho em si mesmo é ouvi-lo dizer, porque se assim acontece com certa frequência, será porque muitos a pensam ainda como perigo.

Se assim não o fosse, tudo e todos, seriam vistos, como quem diz sentidos, como oportunidades e não é mesmo assim, a vida?

Oh, mais um belo dia de sol para aquecer os nossos corações
que bom ser girassol
Com o corpo
todo o dia
a rodar
para melhor
Ser
Seu
Espelhar

Oh, que bela luz
que torna
vivas
Todas as cores

Que fazem
de Teus Olhos
a minha
própria
luz

Oh que bela Luz



Meus amigos, perdi-me de mim, ou melhor tenho pedaços de mim perdidos por ai. Se um de
vós os vir a passar, digam-lhes por favor, que o pai perdoa tudo e que retornem a casa.
Assim, encontro-me sem me encontrar, estou intermitente, como um sinal de trânsito amarelo indeciso.

Razão tem o bichinho do belo contar no seu comentário. Foi de facto tão profundo que o resto do pensamento naufragou mesmo antes de ser aqui publicado.

Psicodrama é só o drama da Psique, nada mais do que isso, a forma como a Alma nos encena, se entender-mos estas palavras de alguma forma como intercambiaveis. São as molas drámaticas que nos aparecem na vida, com o que nós fazemos nela, ao participar nela, sempre com um fim, embora seja melhor dizer, fins hà muitos, pelo menos assim às vezes nos parece a nossos olhos, pois eles não são só dependem da Psique, mas tambem dos egos e seu derivados. Drama é acção, é movimento, possibilidade de mudança.


O contexto especifico desta reflexão era um que ainda é, e que a meu ver não vai desaparecer infelizmente tão cedo. É a forma como alguns intervenientes no nosso futebol e os media que os amplificam, preparam certos climas emocionais. Mais rigoroso será dizer, constroem, antes dos jogos e das consequências que dai advem.

A grande celebração colectiva, onde cada um, transferia para o guerreiro no relvado, o seu próprio desejo de vitória e sublimação das suas frustações, transforma-se hoje, em tempo de stress emocional colectivo, numa retroprojecção onde o celebrante se transforma ele mesmo no herói, da "razão" e do jogo da pancada, acrescente-se.

A grande celebração colectiva é grande, porque a energia colectiva emocional num evento desta natureza é de facto muito grande como sabe quem nele já participou. Uma enorme energia psiquica, toda juntinha a gerar fenómenos de ressonância e a criar direcções emocionais, tal como a onda na bancada, muito propício a contágios psiquicos a partir de um qualquer centro.

Já sobre o teu comentário de.. é assim a vida.., a propósito do texto da repartição, parece que é assim, mas não creio ser.

A mim parece-me que a vida é para viver com consciência espacial e das suas interdependências, nomeadamente com o tempo produtivo. São questões charneira para o desenvolvimento que todos almejam e implicará, a meu ver, visto que as actuais não são satisfatórias, criar novos modelos produtivos, onde estas noções básicas sejam equacionadas a outra luz.

A imagem breve que era o texto, é só a evidência do pouco que se anda desperto para tais assuntos em Portugal no dia a dia, pois esta imagem, recordo-a desde sempre, e então ponho-me às vezes a pensar, será que ainda ninguém reparou, porque é que a realidade continua assim?


hoje
Apetecem-me
Píncaros
Subir
Ao mais
Alto
Céu
E lá ficar
A ver
O teu olhar

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Psicodrama é alguém com outro alguém criar um clima que enforma o futuro daquilo que ainda não aconteceu.
Se essa conversa é amplificada pelos meios de comunicação
Rapidamente essa semente se instala na mente de muitos
Assim quando muitos se encontram no estádio está montado o cenário
de uma peça com muitas probabilidades de se tornar o que a semente continha
Na repartição de finanças do meu país

Imagem da relação entre espaço, organização e produtividade.

No lado direito trata-se dos assuntos e depois vai-se ao lado esquerdo pagar, voltando-se em seguida ao direito para mostrar o comprovativo do pagamento e dessa forma obter o papel.
Nos dias difíceis, tipo término de pagamentos, são duas as bichas
As ideias nascem onde?
Dentro de nós?
Se o nós é sempre
Também o outro
As ideias estão no espaço
Entre mim e ti
Não são minhas
Como me parecem
Andam por ai a navegar
Não são de ninguém
São de quem as apanhar

Sou Autor
Ou Interprete das Ideias?
Ou descem
Como se condensam
Por mim as ideias
À Terra
Como quem diz, corpo ganham
Quando alguém as pensa
Quando alguém as fala
Quando alguém as escreve
Quando alguém as pinta

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Amorosa
Tremente
A Atenção
Ao Ser

Atenção
Tremente
Que me
Faz
Ser

Se
Sou
Amo
Rosa


Em Rosa
Tremente
Me Transformo
Doce
Atenção
De Ser
O Arqueiro Apontou a Flecha
Depois parou o olhar
Desfocando-o
Deixou o dedo
Soltá-la
Já sem a ver

É um apontar apontado
Cheio de intenção

O Dele
O da Flecha
O do Vento
Que Vai
A passar


Um Só desejo
Uma Só vontade
Uma Só natureza

É um apontar desapontado

Sem Nenhuma
Expectativa
Quanto ao resultado
Que no Alvo Acerta
Entre o Espaço do Querer
E do Seu Acontecer