segunda-feira, março 22, 2004

Dentro de mim
Existe o Paraíso
E seu Irmão Inferno
Se um Muito me eleva
Seu Irmão Muito
Pequeno me torna

Dentro de mim
Existe a Luz
E Sua Irmã Treva

Se uma Muito Me Aquieta
Outra muito Me Perturba

Eu Sou
Juiz do Meio
Ouço Uma
Ouço a Outra
E Decido Qual
Me Acompanha
No Meu Passar

A Primeira Me Diz
Eu Ajudo-te
A segunda
Posso Ajudar-te?

E Não É a Ajuda
O Ajudar
E a Pergunta
O Não Saber

Ajuda de Ajudar
Ou a Dúvida
De Sim Ou não
Ajudar

E Não Deito
Porque Não Posso
Metade de Mim
Fora

E Tu
O Outro
És Igual a Mim
Ou Só a Metade de Mim


Terrorismo
Uma palavra sem género
Não
Tem um Género
Que é o Género Humano
Pois Entre Nós Acontece
Nas suas múltiplas configurações
O terrorista
A terrorista
Ou Um outro Qualquer
Um Outro Qualquer?
Sim
Porque Eu não o Sou
Se tu Também não o És
Terá que ser Um outro
Aquele Ali a passar ao fundo
Que Basta Meus Olhos
O Verem Como Estranho

Outro que Me Digo
Não Conhecer
Ou que Me Dou
Ao Luxo
De Não Querer
Conhecer

Porque não será um
Caro Luxo
Dizer-me Que não
Conheço As Minhas Trevas
E Chutá-las Para Um Outro
Que vai a Passar
Esquecendo
Que a Bola e a Baliza
São num Mesmo Campo
E Que Só Te Passo a Bola
Porque Ambos
Estamos a Jogar


Eu, Tu ou Um Outro
Não Seremos Todos
De Um Mesmo Género?
Humanos

Então como Um Outro
Poderá Ser a Besta
E Eu Um Anjo
Só Cheio de Luz?

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