sexta-feira, abril 30, 2004

pequeno enigma não muito enigmático, espero eu de que….hihihi

porque se ria de si como um cavalo o narrador do circo?

Quem acertar leva um beijo virtual
Beijos virtuais, o que é isso?
Oh são beijos como os outros
Dependem da mesma vontade
Só que tocam
Os outros lábios
Sem tocar
Mas mesmo assim
Tocam mesmo

( campanha promocional de primavera ao blog, hihihih )
Houvera um reino outrora, onde residia um carpinteiro que gostava muito de madeira.
Desde muito pequenino que se tornou hábil e imaginativo esse carpinteiro. Tão o era, que coube a ele, inventar a plaina, sim ouvis-te bem, é a história do carpinteiro que inventou a plaina, a única, a verdadeira,

hiiiii, hiiiii, hiiiii como um cavalo arir de si mesmo, fazia o narrador do circo o começo do narrar a história, em sua tenda de animais amestrados

A plaina que ele inventou era aquilo que mais tarde se convencionou chamar por plaina sapato, tal era o seu tipo, embora nem saltos altos usasse nem conste que trincava as pérolas, mas contudo, sapato, tem a ver com o coração desta história (espero eu de que… que só agora, o escrevi, hihihi), mas virá sem dúvida mais tarde na acção.

Uma plaina sapato assemelha-se a um paralelepípedo rectangular e aquele que ele inventou, foi feito em madeira rija que ele com a paciência que um gato em seu lento bigode, a cofiar faz, alisou, contra uma pedra dura que tinha ali à sua mão em seu próprio quintal.

Duas lâminas de metal
Então lhe colocou
Uma lisa como sola
Outra Biselada
Como Cunha
Em
Ângulo
Dispôs

Assim Anelado
Com a Plaina
Em Sua Mão
A Madeira
Que Sua Mão
Outrora
Directamente
Afagara

Não Mais
Era Sua
Própria Mão

Interposto Por Ele
Em Seu Próprio Criar
Assim se deu
A distração

Aiii, fez o carpinteiro na mão, quando a primeira farpa molecular, eu explico-te, mas olha que é a brincar, é mesmo a brincar, por isso não te zangues, uma farpa molecular, dizia eu, é um conjunto de moléquinhas muito pequeninas todas juntinhas com muita vontade de estarem juntas, por isso assim estão, e parecem-nos sólidas ao ver e ao tacto, embora assim não o sejam.

Aiiii, fazia o carpinteiro e um pouco de sangue pingava da farpa cravada em sua carne, tal alto gritava que apareceu um seu amigo que lhe fez um curativo e lhe pôs uma ligadura e a quem ele convidou para jantar.

O carpinteiro, que não te tinha dito ainda, porque o domador dos leões não mo comunicara ainda, gostava particularmente de fazer bancos mesas e camas.

No dia da invenção, estava a fazer um banco para a mesa da sua cozinha, pois esperava um hóspede e só tinha um.

Assim, ferido e com menos força, lá teve que penar por acabar antes da chegada do convidado, o banco, que ficou por assim dizer um pouco tosco, com arestas mais ou menos cortantes e pior que isso, sabes, isto confidenciou-me o domador dos leões, ficou coxo, assim passará balouçante e desconfortável, o carpinteiro, seu jantar.

No dia seguinte para sua grande tristeza, pois ansiava fazer uma cama para sua amada, realizou, que tinha primeiro que refazer o banco, pois ele assim não prestava, não servia bem seu fim por natureza destinado.

Também esqueci de te dizer, mas digo-te agora, e esta quem me contou, foi um macaco a passar, que este reino era o das moléculas gasosas, assim eram elas leves, bastava uma breve brisa e lá se alegrava seu bailar, estás a vê-las, ali ao fundo, veem para cá, são como borboletas brancas e de todas as cores vivas de tua infância

Agora, imagina lá o estrago de um agrupamento de moléculas sólidas constituídas como uma farpa, que como tal eram e assim se apresentavam, assim aprendeu na carne o carpinteiro inventor, quão frágil sua própria carne o é e quão fácil é ficar em dor.

Dor, sai da minha mão, falava para ela de manhã depois do pequeno-almoço o carpinteiro com sua mão e pensando como seus pregos, ia pregando ferrugento a quem ao lado ia a passar, isto não mais, não, como resolver, que a plaina sapato mais parece a plaina navalha e eu, a minha mão, não quero cortar, mais, não. Por outro lado, as pernas do meu banco têm que ser bem torneadas, equilibradas em sua altura e lisas, para não farparem, minhas calças ou meu corpo ao sentar.

Mas gostava muito o carpinteiro de seu pensar, não que ele acreditasse piamente dito, que o pensamento fosse seu, mas assim abreviando a coisa, lá ia ele puxando pelo fio dos pensamentos, vendo que precisava de melhorar sua protecção da plaina sapato, que ela própria se tornasse redonda como as pernas do banco que ele desejava fazer, isto para já não falar da almejada cama com sua amada, onde não poderia haver nenhuma farpa e teria que ser muito forte e estável para aguentar o que desejava.

Ora dilema complexo, diria mesmo quase convexo, de difícil verso, a plaina sapato que inventara, destinava-se a cortar a mais forte madeira, teria que ser simultaneamente radiante de energia e penetrante em sistema alheio, sem que a energia que gerava se voltasse contra ele e de novo o magoasse, um assim dizer, encaixe do concavo com o convexo

Onde portanto por a protecção, no dentro ou no fora, filosofava já o carpinteiro realizando, que aquilo tinha muitos aparentes níveis possíveis, e dizendo-se é no dentro que me dói, é lá que a ponho e pensava de seguida se ponho a protecção em mim, tenho que afastar a plaina e a farpa não mais tão bem cortar, mas eu quero tirar da madeira a farpa, quero a madeira arredondar, forjar

Já o carpinteiro vagueava e derivava como as pequenas nuvens que nesse céu se encontravam, a farpa de fora ou a farpa de dentro, atiro uma farpa para fora, à farpa que me furou, ou, deito mesmo todas as farpas fora. E onde estão as farpas, uma tenho cravada na mão, e outra na concha de minha mão, tal flecha pronta a lançar para fora, espera ai, e se vai, macaco a passar e se o macaco foi o que me mordeu a mão, merece, não merece uma farpa de retorno

Aqui, vem o porteiro que me informa que o circo já acabou e que não está mais ninguém na sala, o final da história, queres saber, pois não sei, só conheço os rumores

Há quem diga que ele inventou uma luva, outros disseram que ouviram contar que ele teria desenvolvido com seu engenho uma nova plaina com que construiu um leito ao seu Amor, com mais e maior engenho, melhor vendo com os óculos que de seguida inventou e portanto sem mais se magoar, outros ainda ouviram por um cigano que vinha montado num burro que aquilo a uma dada altura ficou uma grande salada, parece que o carpinteiro terá inventado uma maneira de por as moléculas duras moles e as moles duras, que tudo aquilo se mexia como uma nuvem ao fundo e diziam mais, que quando alguém lá por baixo adormecia encostada a uma árvore, tinha sonhos doces, que persistiam ao acordar, outros ainda lá se deitavam e deleitavam na esperança de engravidar, dizem que então corria leite de mel nas arvores e na terra.

Ainda ontem um menino a passar trazia consigo em sua mão um bocado de madeira, dizia que ele desaparecera sem desaparecer, umas vezes aparecia como madeira, outras igual ao que fora e que nunca mais se houvera falar de farpas, que seu coração não endurecera como a sua madeira amada, pois a ela, mole se apresentara e que foi seu engenho, o tanto que fez, que lhe trouxe, a amada, e torneado, torneador, madeira amado, sapato casado, de adiante, se chamou.
A propósito do comentário que me deixou a marta ataca, a quem eu espero de coração que não ataque ninguém nem a ela mesma, e seguro me fico de que tal não aconteça, pois suas palavras são da sua essência feminina que ela mesma faz destilar pelo crivo do seu Coração

Eu nem sei se mudar é crescer
Pois pode ser também decrescer
Ou outra direcção qualquer
Mudar é seguramente mudar
E um deixar ser para de novo ser
Um novo antigo ser
È como mudar a casca e o sumo
Às vezes pensa-se que já se mudou
Mas depois descobre-se que ainda não se mudou
Outras vezes não se sabe da porta do quarto
E outras nem do quarto

No chaveiro de mim
Trago as chaves
Experimento
Uma a uma
Até a fechadura
Abrir

Umas vezes
Estou cansado
Outras não

Mas não me deixo
A tristeza sorrir

Da porrada da vida
Que também sou eu
Nada encontro
Em meu coração
Nenhum bater
Nenhum tal desejar
Só mesmo o afastar
Sem esquecer
A minha e a tua dor

Pois se a paz prefiro
Nela a chave
Vou achar

O que é certo
O que é errado

Escuta dentro de ti
hehehe, belos textos na Pedra e a Espada, sobretudo o mais acima, se lá forem rápido, hehehe

quinta-feira, abril 29, 2004

hoje eu vi uma grama a passar

grama de relva?

essa não
grama de peso
de pesar

tens pesares?

Ai, esses não
Que não são
do coração não

Grama da familia
dos quilos

Ah bom
e como é ela?

é uma coisa pequena
e leve
que uns vêem
e outros não

A que eu
não vi
era leve
frágil e forte

Alguém que
com outro
Alguém
se cruzou
um breve
e sarcoteante
piparote lhe deu

Assim a senti
no espaço
seu passar
e o que ia
triste
e a recebeu
em contente
se tornou

uma só grama
de pensar
de sentir

de quê?

Uns chamam-lhe
gentileza
outros carinhos
outro atenção
uma outra
vontade

Espantoso mesmo
sabes o que foi?

Muitas gramas
trazia o triste
em seu passar

uma só grama
dada e entregue
e leve se tornou






também se mexeu o anúncio ao que se tinha mexido, pequenos pormenores, hihihi, que a vida nunca está quieta, que bom sabê-lo
Promessa interior no café

Oh a velocidade, oh a aceleração, às vezes tão ao lado do harmonioso fluir das coisas.

Sg ligth é aquele azul que está por debaixo dos vermelhos e a doce, calma Senhora em seu lento ser, a tirá-lo em acto de equilibrismo profundo, depois afasta o maço de seus olhos e eu a atropelar, salvo o seja, a responder-lhe o preço que ela procurava, e ela a responder-me que não, pois era ainda o antigo, para ventura minha, acrescentei.

Está frio
Pois começou ontem à noite o vento
Mas é preciso que chova pelos campos e suas colheitas
Sim, mas sem frio, que os pêssegos estão ainda pequeninos
E o frio pode destrui-los.

Pois Doce e Suave Senhora
Escuta Aquela Voz
Eu te peço, aqui, que assim seja
Que os pesseguinhos se possam todos afirmar
Com a agua e o calor que necessitem
Pois o Quanto, Sabes tu Senhora
Bem melhor do que eu

Depois ao subir a rua, como tinha sido ao descê-la as amigas pombas volteavam belos voos comigo num baile belo de ver e sentir, com as nuvens pequeninas brancas sobre o céu. Vi ainda ao subir a rua,as belas Quinas, impressas num saco na mão de uma mão

Oh que Bela Tarde de Abril
Chegaste a mim, amiga, assustada e correndo, correndo de ti para fora de ti depressa em demasiada aceleração em todas as curvas onde te metias, teus medos eram bolhas de gás que giravam à tua volta, desprendendo-se rápidas e súbitas de teu corpo e tua alma e tudo aquilo me desaquietou, me convidando ao abismo que eras, eu a tentar desfazê-las em ti e em mim, sem eu próprio, nelas me atrapalhar.


Oh quando estou perturbado
Me deixe de mansinho
Quietinho em mim
Retiro então o meu coração
E paro a escutá-lo
O que ele me diz
Daquilo que Sou

Oh quando perturbado estou
Me recolha em mim
Que minhas asas
Sempre agitam o Ar

Oh quando estou perturbado
Me aquiete a mente
E o pensar

Só olhando então
O espelho do Mar
Sinta e saiba
De novo
Meu Sentir
De novo
Amado
Amante

E contudo amiga, eras e nelas, não é bem verdade, pois nem eras tu o abismo, nem nas tuas bolhas, eu me poderia perturbar, quanto muito seria eu próprio o abismo e as bolhas e para complicar mais um bocadinho, o abismo e as bolhas, estão também fora de nós, deixa ver se eu te consigo explicar.

Sabes amiga, os medos são como elefantes nuvens negras em seu triste e a entristecer passar sob o céu da terra, formam-se a partir de todos os fiozinhos de medo que assim se juntam, assim se tornam maiores e cobrem um pouco do céu e depois há mais em meu ver, sabes,

É que nós, temos também, dentro de nós mesmos, algo desse mesmo elefante, ou por outras palavras, elefantezinhos de cores sombrias, que assumem múltiplas e únicas formas a cada um, há quem os nomeie por lagarto ou ainda outra coisa qualquer e depois amiga, se pensares que as partículas energia, são basicamente as mesmas, as de fora e as de dentro e que todas elas comunicam entre si, então, as nuvenzinhas interiores, lagartinhas ou outra coisa qualquer, interagem com os elefantes grandes e negros que passam nos céus e vice-versa por cima de todas as cabeças com que se cruzam.

Antes de mais deixa-me pedir perdão aos lagartinhos e elefantes, tão belos meus irmãos, por lhes dar seu nome a minhas figurinhas, mas o que eu pressinto é que nem um nem outro, se pode deitar fora, mas se então não nos podemos ver livre daquele que não gostamos, como fazemos e mais importante, o que temos de fazer?

O que eu acho que temos de fazer, minha amiga, é um equilíbrio dinâmico onde os dois estejam presentes, pois sou levado a crer que um não existiria sem o outro e para equilibrar, parar a contenda, e começar o baile da harmonia onde ninguém pisa os pés a outro ninguém e onde finalmente se está em Paz, é preciso antes de mais conhecer as suas naturezas, não fingir que o medo não existe, tentando varrê-lo para um qualquer exterior como se da porta da casa se tratasse.

Pede-se então ao Amor, a Coragem para lidar com seu irmão, que ele não morde, é só a sua outra face, aquela que deve andar oculta ainda que presente, pois não se pode deitar fora. Uma vai olhando a outra e conversando entre elas vão connosco

E Aqui se percebe a grande vantagem da Paz sobre os estados que provocam medo, pois se o Amor é também Coragem, sendo portanto natural que um ande de mão dada com o outro, os estados prolongados de contenda, anteriores a Harmonia são desgastantes. É mais fácil bailar do que pisar, e tem uma agravante, drenam a Alegria, que é a Vontade no seu estado e puro desejo, activo e activante, e assim tendem a tornar a vida toda mais complicada, mais difícil, mais lenta.

Oh, como vamos mais leves, como vestidos de verão esvoaçantes quando a Harmonia reside em nós, como então o Belo se revela, como em Belo nos tornamos, naqueles dias onde as sequencias dos eventos flúem na espantosa Harmonia, finos bordados e bordar, que delicadeza.

E não te esqueças amiga que os medos, tantos os de cima como os que residem em nós, provém de poucas famílias, são como uma árvore e seus ramos, facilmente se reconhecem e estão sempre prontos a fazer uma grande e desordenada festa, por isso convém usar um certo tipo de chapéu-de-chuva a separá-los, os que são nossos e os que escurecem os céus para não se contaminarem e se tornarem maiores por osmose.

Pois se a festa for grande e promíscua, ele é mesmo capaz de morder, de se tornar mordedura e o que é preciso, é ter Paz.

E Herói da Paz em Paz Te Tornarás Se Também Trouxeres a Alegria

Dorme
Meu Filho
Afago
Teu Cabelo
De Anjo

Eu Te Protejo
Esta Noite
Dos Medos
Velo pela
Tua
Segurança

Dorme Meu Filho
Em Paz
Sonhos
Alegrias
Arco Íris
Em Cor
E ainda a propósito do texto de 27 e como um Amigo a quem eu tenho respeito e crescente estima, me costuma recordar, mistério, é uma coisa que ainda não se entendeu
mais uma serie de textos que se "mexeram", alguns bem recentes e outros mais antigos, curiosa capacidade que os blogs nos dão, a possibilidade de uma permanente evolução medida nas coisas que vamos neste processo descobrindo em relação a nós próprios e aos outros, pelos outros e ainda por outras coisas.

terça-feira, abril 27, 2004

Sim amigo meu pequenino de infância, chega-te de novo a mim, quebremos nossos corpos por um instante dos instantes infinitos de ternura de então, encostados como prumos à parede, repousaremos os corpos cansados de adulto e nossos dedos acariciarão mais uma vez, como outrora, o pescoço do outro, doces Enleios, enquanto nos damos à leitura. O tempo foi-se, tudo se tornara doce, ficou residindo no ar uma onda de ternura, sem nenhuma ideia de sexo e contudo tão sexuada aos olhos de outrem, expressa na perturbação do adulto que no quarto entrara

Dois corpos meninos plenos e prenhes de sabedoria, aquela do viver, em quem os mistérios habitam e por eles são habitados como irmãos, abertos e bailantes em suas próprias mãos

Oh imensa sabedoria dos mistérios do tempo, imanência do tempo doce, suave e alegre com a sua única direcção do momento do seu acontecer

Oh imensa sabedoria do mistério do Amor, Concha do Ser e Onda do Mar, O Amor Além do Sexo mas que com ele habita a mesma casa, o corpo, o Amor para além do sexo, que é ele próprio, o sexo, um único sexo em múltiplas expressões. O sexo é uma parte do Amor, é a invenção suporte da ternura, do contacto dos corpos, das doces ou agitadas carícias, vaso recipiente do Amor, girândola raio de Luz, dínamo, Dínamo de Luz e da Vida

Oh Luz, que assim criaste o Universo, que Criaste os Corpos como Trono e Altar de Ti própria, o Amor, por eles Te Participo, e em mim Tu me Participas e eu te Agradeço

Oh Luz que me deste o corpo para melhor Sentir e Viver o Amor

Oh Luz, que o que não tem começo, não tem fim

Oh que o Amor flúi por todo o lado, apresenta-se de todas as cores, Está em Todo o Lado, Vai a Todo o Lado, Está em Todos os Tempos, rígido, só mesmo, a instituição.

Oh que o Amor Perpassa Tudo, não há felizmente como Contê-lo, ele é um Cavalo Selvagem, uma Asa Alada, um nascer do dia Contigo a ver.

Oh Luz, Eu te Agradeço o que me deste a ver em pequenino, que o Amor não depende do sexo, que o Amor é infinito, chega a todos.

Oh meu Doce Amigo Amado da Minha Infância

segunda-feira, abril 26, 2004

Sim, amiga chega até mim despida de qualquer máscara, nua e bela como tu és, não, não te assustes já, não é no sentido literal e se fosse também não seria para assustar, mas sim para deleitar, bem sei que não são os corpos que se procuram, mas sim as almas e quando elas se encontram trazem em si os corpos, como então furtá-los ao encontro, coisa impossível dizes, sim, meu amor, mas contudo são encontros distintos e complementares que podemos viver em diversos planos, oh como fazemos amor num mesmo olhar, isso, sim, um só breve olhar e todo o amor e desejo lá dentro de um tamanho infinito, uma clareza cristalina que nos envolve, uma certeza, sim amor, como quando te digo amar-te, oh, eu sei querido, sei o mesmo que tu, sei da nudez do ser que é, do amoroso sentir da mesma compaixão, não mais a mascara, sim o doce ser no doce acontecer.

Saudade, amiga minha que sofres pelo que já passou, é só uma forma de viajar no tempo e quem viaja no tempo, viaja nas suas direcções, tanto vai para trás como para a frente ou para uma outra direcção qualquer, há mesmo quem diga que a forma de viajar para a frente, onde residem as nossas mais secretas esperanças é sempre indo para trás, sofres amiga em permanente construção, quem te disse que a hora de te entregares chegou e contudo é esse sofrer que te faz, o encontrar, no futuro que então, já de novo pode ser.


Sim, amiga, que as coisas deveriam ser de outra maneira, para quê a pedagogia do sofrer, mas o que parece ser real é que uma não se alcança sem a outra, tudo aponta para serem um mesmo par, houve mesmo quem já as visse a passar de mão dada numa rua da cidade

E contudo Saudade não é sofrer, é mais o local onde acontece o sofrer, é o mecanismo do sofrer, agora olha bem meu amor, pois é aí que reside o futuro, todos os futuros possíveis e impossíveis, é esse sofrer, que não é mais do que outra forma de dizer, como construir-mos as pontes entre o que seremos, que é o que já fomos, neste presente onde não estamos quando embalados em seus braços.

Baralhada, amor, tambem eu e contudo amor, o que te faz doer hoje, se atenderes bem, é o mesmo que te fez doer ontem, a falta da verdade, lembras-te aquela da infância, certeira no seu saber, por isso o que seremos é o que já fomos, o que sempre somos, únicos á procura daquilo que nos é único, não fiques agora ainda mais baralhada, pois ser único não é limitação ao amor ou a amar-te e eu amo-te pelo único que és

A Saudade leva-nos para longe, um longe perto, leva-nos daqui, deste instante e diz-me sempre baixinho ao ouvido, há qualquer coisa que não vai bem no agora dentro de ti, olha escuta, repara no que é e compõem. Assim em seus braços, me embala a Saudade, muito de mansinho me cura e como que me torna o presente difuso.

A Saudade é um ir para trás para ir para a frente e habita dentro de cada um de nós e muito em particular no povo deste país, é uma imensa Saudade construída num perfume do paraíso na terra, casamento de todos os desejos dos que assim o desejaram, e meu amor, foram muitos certamente, pois a presença da Senhora dentro dos nossos corações é grande, muito grande nesta terra ao pé do mar quo o mundo une

Oh, meu amor, agora abre as asas do teu imenso voar, viaja no tempo onde queres chegar e recorda-te que as direcções são simétricas no teu apontar

Ah, Saudade, Saudade do Futuro como cantou um Poeta
Naquela tarde límpida de infância no norte do seu país, local dos cheiros da terra, do cinzento e dos azulejos dos locais mais ricos e de um azul do céu, imenso, do tamanho inteiro da aprazível inocência do mundo, soaram naquela tarde os sinos em seu coração.


Todo o instante cristalizara nas mais vivas e espessas cores, o próprio ar se tornara Inteiro, Cristal da Puríssima Luz, qual Luz da Aurora que Antecede a chegada do Silêncio que então Se Torna o Próprio Espaço e o Amor Se Expande Inteiro.

As cores ganharam doces relevos em suas formas vivas da Luz Todo Feita Ternura, Toda Feita Perdão

Harmonia desceu então de uma nuvem e elevou pela mão a mão daquele menino, a quem lhe foi mostrado o que não se pode descrever por fora de alguém.

Ao ser de novo deposto na terra reparou que as suas duas meninas companheiras do passeio de sua infância tinham sumido. Num longe perto, uma grande casa, para onde seus passos se dirigiram, no meio uma passadeira vermelha, um homem ao fundo vestido de branco, a quem ele se dirigiu, peço-lhe desculpa por o interromper mas estou perdido, por acaso o Senhor não viu a Anita e a Fatinha?

E naquele preciso momento, logo elas lhe aparecerem, que afinal tinham decidido esconder-se dele como um jogo, pois sabiam elas do valor de coisas que ele não sabia.

sábado, abril 24, 2004

São onze da manhã de mais um dia radioso de Sol, Luz e Calor.

Vou dormir depois de quatro noitadas sendo que esta última, em branco.
O programa a Preto e Branco e a Cores, está a ser neste momento em que escrevo, copiado para a cassete de emissão.
tem 50 minutos e vai ser exibido na RTP Africa, hoje pelas 19h e amanhã no Canal 1 pelas 23h00.
Estamos felizes, dizemo-nos uns aos outros, os que aqui estamos, a Filipa, o Gonçalo e a Teresa, sem grandes certezas devido ao adiantado da hora.
Contudo, uma certeza, ou quase certeza, que o fizemos com Vontade, Paixão e Saber, depois de dormir, lhe comecarei a ver as falhas, agora vou voltar a casa e dormir, descansar de duas semanas de imenso trabalho, uma de rodagem e outra de edicção.

Até já e Um Bom Dia de Sol para quem estiver acordado.

quinta-feira, abril 15, 2004

Oh Que Belo Dia de Primavera na Minha Cidade
A Minha Cidade é Um grande Imenso Coração
Que Bate Alegre e Descompassado
Quando Se torna Verão
Calor Contágio
E Contagiante
A tudo Aquecer
Num Mesmo Sorrir

Oh Hospitalidade
Do Imenso Coração
Que Então Sobe
Do Rio
Para
Todos
Beijar

Encantamento
Das Tágides
Ninfas
Elfos
E
Delfos
Do Belo
Entranhar



Um Sorriso
Doce
Então
Ondula
Uma Alegria
Que É
Bem Estar

Oh Gentil Curiosidade
De Ser
Alma do Meu Povo
Alegria
Com Que Abraça
A Diferença

Tudo Verte
Então
Doces Encantos
De Amor

O Tempo
Prazenteiro
Se Fixa
Em
Seu
Cuidar
Um Riso
A Soltar

Alma
Viva
A Galope
Seu Ser

Arco Íris
Espelho
Do Céu
Aqui

quarta-feira, abril 14, 2004

Sarava, Belos Irmãos viajantes
Que me deixam pérolas
De quentes afectos
Sarava pela percepção
Do Fruto do Gostar
Sarava Irmãs Mulheres
Por Essa Certeza Afirmada
Que as Crianças
São Fruto da Arvore do Amor
Que Eu Gostava
Que Este Mundo
Mais Feminino
Fosse
Mais Doce
Mais Paz

Contudo Estes Textos
São Tanto Meus Como Teus
Tu Deles Farás
O Que Quiseres
Sentidos Sim
Sentidos Não
Lhes darás
Por Isso Quando Me Elogias
Não Te esqueças de Fazer
O Mesmo a Ti

Se Sou Boa Pessoa
Já Sei Quão fácil
É Fazer mal
Sem Querer
Mais Fácil
Ainda
Quando
Querido

Tento Ser
Talvez
Seja
Nesta
Hora
Minha
Resposta
É mais fácil
Ser Bom em Paz



Aquele menino
Ali
Em si mesmo
Olha a realidade
Com os dedos de sua mão

Movimenta
Redondos e
Pautados Gestos
Ritmo das coisas
Do Acontecer

É Rápido
Como Um Vento
Seu Sentir
Sua Cabeça
Seu Pensar
E Seu Agir


Já não filmava a minha cidade, as gentes da minha cidade, as gentes que nos visitam, o sol, o calor daquela tarde, aquela luz, aquela água daquela precisa fonte, aqueles cartazes de pub que contavam a história que eu ia a filmar. Oh, dos Restauradores, descendo pela R. Augusta até ao Terreiro do Paço, bem, não bem isso, não passar do losango por debaixo do Arco que marca as horas e ficar a olhar ao longe o que não se via, o rio.

O Senhor engraxador que colocou o cachimbo quando o convidei a falar sobre o 25 de Abril, o que foi para si, que dispara um discurso rápido, de aparentes estranhos sentidos
Antes era mais físico agora é mais psicológico, se posso falar com Deus porque falar com os Anjos, Eu vim de lá da guerra, foi um dos últimos a sair e desde que aqui cheguei comecei a ter problemas, há alguns Senhores que não querem falar comigo, as listas, mas eu insisto, orgulhoso em já ter sido actor secundário de um filme, ia-lhe bem o cachimbo, um misto de marinheiro em sua barba.

Depois no fundo da boca do metro, o acordeonista cego, um mesmo que eu encenei em Madrid há talvez 20 anos, um com quem se cruza o rei menino a quem o cego pergunta o nome e responde, me llamo Madrid, e com quem no final caminham pela noite mais o ursinho de peluche para o horizonte, com a lua a pôr-se, o cego conduzido pelo menino ou seria o menino pelo cego, salta-me a memória que agora se encena no presente em que vou.

Em Madrid durante o dia o cego passeava nas avenidas de betão, sem vivalma à vista, cego ele e cega a cidade a ele e contudo o cego vê com os outros sentidos de uma forma que eu só recordo na meninice usar, um apuro no tocar, no cheirar, no ouvir, no degustar. Um cego vê muito, só não vê as imagens com os seus olhos, mas no seu sonhar, vê-as como nós os que vemos, as vemos.

Depois o voar das pombas
Depois as pessoas a passar
Depois as sempre conversas
O eu tiro a ti, tu tiras a mim com o estrangeiro louro com câmara como eu
A mesa dos asiáticos e os sorrisos de gato com viola ao vivo nas mãos de artista
Pop-off
Olha o paulo forte
O risco da água da fonte com céu azul por detrás
Os cartazes de publicidade revolução nas máscaras
Empréstimos para comprar casa em 45 suaves anos
Depois o cego da guitarra
Depois a florista
Depois o cheiro a castanha assada
Depois a Breve Entrada Na Igreja
O pedinte nos seus degraus
Depois os livros na tenda no meio da rua
Depois a simpática homem estátua com caveiras nos óculos
O Banco com o Veleiro de Pedra
A lingerie beije na montra
Os destinos de atinos turísticos

E depois
Aquele sempre criança negra que me aparece às vezes quando filmo, entre o Terreiro do Paço a ver-se já o rio e os Restauradores, que sempre se mete pela câmara dentro em alegre riso e serpenteante macacada, e que ali naquele momento volveu.

Pedacinhos de imagens de um dia qualquer de calor de primavera, onde a alegria e a boa disposição reinava quase como a competir com o azul do céu, eu a olhar pela câmara, ou as coisas a olharem-me através dela?
O príncipe em Madrid, esse conduzia a cegueira para o fim da noite, pois a seguir vem o Sol.

segunda-feira, abril 12, 2004

Mãe, Pai e Filho pequenino no meio aninhados numa mesma cama em hora de sesta

Diz o Pai à Mãe em laia de adormecer, gosto muito de ti Querida
Diz a Mãe ao Pai, também eu gosto muito de ti
Diz o Filho, e eu…um bocadinho para o aflito, tal foi a entoação
Pai e Mãe rindo mergulham em beijos sobre ele de permeio
Sim gostamos muito de ti
E foi por gostar-mos um do outro, o Pai e a Mãe
Que tu Nasceste
Tu És Fruto desse Gostar
Tu És o Gosto
Que Aqui Está

sábado, abril 10, 2004

Paixão do Cristo

Paixão do Cristo e não Paixão de Cristo, parece dizer-me uma coisa que sempre soube, pois substitui Ele, um homem que foi real como eu, por nós, ou seja, eu, tu e aquele outro ali que vai a pensar no seu sentir, e isto me conta de uma forma clara ao meu sentir, que a paixão, que é o Caminho, é uma mesma, que as questões daquele Homem, são no fundo as mesmas minhas questões e se calhar, ou melhor escrevendo, calhando como quem diz, quando se atravessam a nós, pressinto que são vividas, experimentadas, também por outros homens noutros tempos ou neste tempo ou noutros lugares.

Assim Cristo Está dentro de Mim, e Eu Dentro Dele

O Filho de Deus, realiza, que vai ser crucificado, Que a consequência lógica dos seus próprios actos o levaria a condenação pelos homens. E ela é brutal, não pela carne retalhada ou o sangue que jorra, ou as esferas de picos que se enterram para a depois rasgar, mas pelo Sadismo de quem a executa, um total desprezo perante aquele que ousou levantar-se acima do mortal comum que agora o tinha em suas mãos. Rei de quem, Rei de Onde, pimba. Milagres, poderes mágicos, mas se então estás aqui, pimba, toma lá mais esta.

Assim descarrego a minha frustração, tu que me prometeste o céu na terra, uma vida de Paz entre os homens e os animais, um sonho de respeito e de igualdade e afinal és apenas, agora, um cordeirinho atado às minhas mãos. Fizeste-me sofrer, ora toma lá, scrachkkkk, rasga meu chicote a tua mesma carne, afinal eras só igual a mim, nem isso, pois eu nunca tal o sonhei, não me quis fazer maior do que sou, pois sempre me ensinaram o meu tamanho.

Toma, que me fizeste sofrer, não sabes que não se deve incendiar os corações dos homens para depois abandoná-los, não sabes que seus corações são pequenos, que não suportam sozinhos os grandes voos, que precisam de pais, quanto mais alto os fizeste voar e de mais alto é agora, sua queda, levantaram-se da terra por um instante, abriram seus olhos um instante de luz e agora cegos de novo, não te posso perdoar, é o pior dos crimes, mostrar a luz e depois ocultá-la, traição das esperanças, a traição da traição, pumba, pega lá mais esta.


Perdoa-lhes, que eles não sabem o que fazem
Perdoa-lhes que eles não sabem que a alegria e prazer que têm em provocar a dor alheia, é a sua própria dor, só revela a suas próprias dores. São eles que sofrem, e quando me batem, estão só a responder a uma dor que nem eles próprios sabem que tem em seus corações. Se não podem ser deuses todos os dias, são-no no momento da brutalidade que lhes permitem executar. Ai sim, São como deuses zangados e terríveis na sua própria vingança, vingança de se esquecerem que poderiam ser deuses Bons, belos e do Amor.

O Filho de Deus Sofre uma Dor Brutal em seu corpo e está em silêncio como quem diz resignado. Mais do que isso ele levanta-se a cada vez derrubado, aumentando desta forma seu próprio sofrimento, bebendo o cálice até mesmo ao fim das suas forças.

O Filho de Deus é Homem como são Homens, seus carrascos e quem o julgou, eram homens no seu conjunto iguais ao conjunto do que hoje somos e se lá tivéssemos estado, éramos mesmo, os que lá estiveram. Enfim, poderia ter calhado a mim ou a ti, se tivesse nascido nessa altura do tempo, em vez de agora. Serão os tempos assim tão diferentes?

Brutal violência é também o que se passa no mundo de hoje, invadem-nos os corpos decepados, seres, iguais a nós, humanos como nós transportados em sangue, os rostos em dor ardente e a profunda estupefacção.

Em noite agitada entre oliveiras ao vento, um céu escurecedor e revolto, aquele homem sou eu ou tu. Adonai, Adonai, diz o filho de Deus em diálogo com o invisível Pai naquela imensa fragilidade de filho que ao ver seu destino, tudo ele treme perante o que vê, tudo ele assustado perante a coragem que vê necessária para cumprir o destino, como ele lhe Aparece. Assustado, tal qual eu ou tu o podemos estar.

Todo e todo ele é mesma tremura que eu ou tu às vezes temos, tão tremendamente humano, naquele instante entre a fragilidade e a força, entre balanços, como eu ou tu, às vezes, nos sentimos, sobretudo quando a Vida nos apresenta os Dilemas.

Oh Caminhante, Tu És o que caminha e o caminho
Os Dilemas do Caminho São os teus Dilemas
É Caminhar que Faz
O Caminho
É o Caminho que faz
O Caminhante
O Mundo
E O Céu
.
Naquela noite de vendavais, o Filho de Deus, tão assustado como eu ou tu, chega ao pé de seus amigos a quem na sua inquietação, pedira para vigiar e dando com eles a dormir, descarrega-lhes em cima a sua própria tensão, perante os estremunhados que assim acordam, porque é assim que o susto é, sempre pronto a saltar sobre outro, com ou sem razão, salta como quem existe. Por outro dito, salta como eu salto, é tão real como eu existir, e caso alguém esteja por perto, é para o colo do outro que geralmente salta.
Oh não me digas que há um tempo em que se perde a inocência, que eu estou cansado dessa mesma sempre estória, até houve um programa de rádio, que dizia o mesmo ao contrário, seu nome era, a idade da inocência e consequentemente seu outro nome irmão seria, a idade da não inocência, pois não posso definir uma coisa sem lhe entender seu contrário.

Oh não me recontes todas as teorias dos homens sobre a transição e o porquê da passagem de uma idade considerada de inocência para uma outra não mais inocente, de uma noite para um dia seguinte, como por artes mágicas, deitou-se inocente e acordou culpado ou outra coisa qualquer, um declive que se apresenta no passar dos dias, nos quais inexoravelmente teremos de escorregar para um sempre baixo, uma flor ao qual o tempo faz fenecer lentamente, pétala a pétala, eu te amo, eu não te amo ou talvez indiferente e morno?

Há sempre inocência e coisas más, ou expressões do mal, para melhor escrever, mas isso, nem nada outro, obsta à presença eterna da inocência, pois ser inocente é ter o belo dentro de si e assim o ver como quem o espelha, no alheio.

Deixar de ser inocente, que é coisa que nunca pode acontecer definitivamente, é só como andar com óculos de sol com a graduação e filtro errados. Está sempre dentro de mim e de ti com que me cruzar, sou eu que me faço e me torno a inocência, que nada tem a ver também com falta de percepção de como as coisas se apresentam na sua natureza íntima e verdadeira.

Nada mais, pois eu quero o Belo nas suas infinitas expressões, aquela nuvem, o calor do sol de hoje e de amanhã, um sorriso num olhar, eu sei lá, expressão em tudo e em todos, pois ela não é só minha, é tua também, lembra-te pois disso e escolhe de novo ser inocente, pois andar assim tem ainda outra coisa, influencia o redor.

Depois, fico-me a pensar, que mesmo que existam alguns entre mim ou mesmo no meu quintal que por não serem capazes de o ser neste momento, preferem então na sua perda, tentar-me à não ser mais inocente, que eu prefiro sempre o Belo e que não posso desculpar-me a mim mesmo, pelos outros, que residem comigo no mesmo único jardim, não serás tu que me retiras a imensa beleza da vida, a ti só posso dar-te a mão do coração se tu o quiseres também, pois não se dá, aquilo que não queres receber, e quando isso acontece, não é dar que falamos, é de desperdício, um imenso desperdício, que acaba por drenar as coisas belas se eu assim burramente insistir.


Não vou dar chance ao irmão anverso do Belo, cujo mil nomes são Terror.

Oh múltipla e infinita Beleza da Vida e do Viver
Eu te Agradeço por Nela Participar
Por Ser Por ela Participado
Oh inocência do Meu Ver
De todo o Ver
Oh Inocência do Meu Coração
Na Batida do Mesmo Coração
do Mesmo Único Mundo

sexta-feira, abril 09, 2004

O tempo da chegada do perdão deve ser curto, o mais curto possivel, pois aquilo que se sente como culpa, pesa, estraga os dias e o ser, e depois que cada um se perdoe a si e ao outro, pois Amor é perdão, não se pode Amar sem perdoar, a dor envevena tudo, espalha o Fel, não o Mel. Curto no seu chegar, infinito no seu estar.

Obrigado Tiago e já nesta mesma maré, esta pequena reflexão foi pensada por um comentário que o Pedro me deixou sobre o tempo da dor e do perdão. Bem Hajam os dois.
Ostande

Naquela tarde onde o céu se tornou de um dourado plúmbeo entre nesgas de azul, onde as nuvens adquiriram estranhas volumetrias tridimensionais, no mínimo do seu ver, tudo lá se passou, como tudo se passa num só momento do seu acontecer.

Aí o destino lhe apareceu e deu-se-lhe a revelar, estranho destino que por tanto tempo, ele teimava em não admitir.

Qualquer coisa quisera que aquele súbito encontro se tivesse passado pois ele foi súbito, de um reconhecimento súbito e imediato, que as coisas familiares em si transportam.

Ele a subir a duna vinda da estrada com sua flauta na mão é ela vindo em grupo lá ao fundo da praia. A flauta os fez encontrar, ele, ela e sua irmã. Seus pais, olharam uma vez para trás e continuaram caminho.

No alto da duna, o frio que se pusera era visível em seu rosto marcado de vermelho gelado. O vento agitava os cabelos solares que ele via e não havia camisola que protegesse aquela conversa que encenava uma história de amor entre um homem e uma mulher, que ia acompanhada por sua irmã.

Ali se encontraram e naquele momento se desejaram no impossível encontro, que ainda não estava aprazado, assim explicou o céu que em chumbo se foi tornando naquele entardecer e o Vento do Norte neles soprou a fria separação.

E Cada um, assim foi Arrancado, ao Outro, como a si mesmo

Partilharam nesse dia sobre o julgar dourado e frio de um céu agitado, um selo em duas metades e cada um ficou com a sua metade daquela moeda que estranhamente o cativara.

Era uma moeda partida em duas partes, por uma linha que serpenteava na sua metade e a dele foi roubada algum tempo depois por mãos invisíveis que com ele não se cruzaram.

Era o Selo, A Senha e o Passe, e agora encontrava-se para ele perdida.
Subtraída, Fora a Chave da Futura União.

Recorda ele de cantar a ela, com a mão fechada como quem tenta em vão reter um punhado de areia, que teimava sempre, em sair, grão a grão, a encenar a futilidade de reter da Vida e o Amor, que Ele Escorre sempre por entre os dedos de uma mão que o quer prender.

Ou dir-lhe-ia, Ele a Ela, que era escusado o Amor, que tudo estava condenado ao fracasso, aos braços do pó voltaremos, e que portanto era engano esse amor que pensávamos sentir

Não ele não lhe poderá te dito isso, porque ele sabia no momento antes de lhe oferecer metade.

A pergunta que Ela lhe trouxera, era se o Amor entre um Homem e uma Mulher teria o poder de derrotar a morte.

Poderiam dois Seres parar a queda dos grãos ao Aninhar o Amor em suas conchas mãos abertas sem reter, mas protegendo-o do vento frio do norte

Do futuro Nada Sei, o que Houver de Se Encontrar, Encontrar-se-á, pois nem selo, nem senha e passe, já ele o tem.
Chegou o pássaro, poisando em seu ombro e disse-lhe baixinho num tom próximo do encantar

Disse-me o vento a passar que rezas às Santas, nos lugares em que habitas os teus dias
Que imagens são essas, os Santos e as Santas de que falas?

Oh amigo pássaro repetitivo, que me obrigas a repetir-me

Santo, quer dizer, basicamente, reconhecido, que foi uma pessoa como eu ou tu, que aqui viveu ou vive e que é reconhecida por muitos por viver o Belo e o Belo Gerar, viver de acordo com seu próprio coração e quem assim vive, faz ou pode fazer os outros, o mesmo sentirem. Inspira os outros porque lhes aquece seus corações ao caminhar entre eles.

Se quiseres mais prosaicamente é aquele gesto de mão num breve encontro ao passar, que incendeia o sorriso daquele que o recebeu, uma ternura na face de uma criança amada, um sorriso comunicante, como que vasa o entre e cria o elo do Belo sentir, ou mesmo o alegre uníssono gargalhar.

Vai devagar, que se não abro já as asas e vou partir, alias, o que queria mesmo era pedir-te para partires essa caixa que defines como o Belo, que raio de noção é essa, como a colocas no real, cujos termos de valores, hoje dominantes, são tão diferenciados destes, não precisas que te faça um desenho, pois não?

Belo é ver a vida com os olhos da beleza, deixar que seja a visão do belo a pedra de toque no olhar, de onde ele parte, qual é a sua intenção e a direcção do mesmo, o seu ponto focal.

Mas deixa-me contar-te um segredo do meu ver, O Belo é o valor hoje, como sempre dominante, sabes porquê?

Por uma simples razão, se ele reside fora de mim e de ti, também habita ao mesmo tempo cada um, é portanto algo que cá está dentro, de cada um e quando algo está dentro de nós, meu amigo pássaro, ninguém de fora o pode tirar, mesmo que a aparência do fora seja contrário ao que dentro podemos sentir e asseguro-te sempre foi e será assim.

O Belo reside em Ti e fora de Ti e é Alma Que Tu Dá a Ver Como Sentir que Então se torna Saber.

Lá estás tu a brincar, quem é essa beleza, que me apresentas como coisa de fora, será por acaso aquela bela rapariga ali ao passar, hihihi, agora que me rio eu. E Alma, o que é?

Oh querido pássaro do meu amigo voar, deixa ver se te explico melhor. Ela está fora, porque é igual a que eu trago em mim mesmo, é uma capacidade de se ver igual, ou semelhante, se te perturbar por entenderes, igual, como perda de identidade. É por exemplo olhares aquela flor e vê-la tão bela como tu te vês a ti mesmo, ou se a flor te parecer coisa estática, que não te inspira, olha por exemplo a beleza de um pássaro a voar como tu, quando aqui chegas a mim, numa perfeita travagem com flaps accionados em semi torneau, airosa travagem no éter, que tu tão bem compreendes e que a mim me faz maravilhar nesse teu único baile do teu breve voar.

E para isso acontecer só tens que olhar o outro, seja homem ou mulher ou flor, como semelhante, seres capaz de te ver no outro, olha quem cruzas na rua, vê como vem vindo, qual é emoção básica que trás afivelada em seu corpo total, é tristeza, é zanga, medo e a sua filha desconfiança, ou doce, serena paz, alegria, euforia, abertura ao que acontece.

Se já as conheces, poderás então percebe-las no outro, sabes de imediato e de sempre, as causas que originam um ou outro sentir e podes então separar o homem que vês e com quem te cruzas do sentir que ele trás, podes ser solidário com as suas dores, porque já viveste de alguma forma as suas causas, e por isso sabes já do sofrimento que ele transporta e então porque sabes que não gostas de sofrer, quando tal te acontece, também podes dar ao outro a atenção, a mão, a palavra que cura.

Mas, sobretudo ao fazê-lo assim, separando o homem, por exemplo, da dor que naquele momento transporta, podes ver e sentir a sua beleza, pois é verdade que quando te dói, não deixas de ser tu mesmo Belo.

Belo é toda a vida na sua infinita expressão, mesmo quando dói, e mesmo assim sabemos que o Belo está por toda a parte, belo pode ser a nuvem que se vê da janela num dia triste interior, que anima numa figura de encantar ao seu passar

Belo é Toda a Vida e Tudo o que Vivifica A Própria Vida.
Belo é Amar e Ser Amado.
Belo é Amor Radiante
Belo é a Verdade em Meu Coração e no mando de meus passos.

Mas deixa-me por um instante voltar a breve flor, reconhecer-me semelhante nela, é ver no desenho das suas folhas um mesmo princípio de inteligência criadora, porque se reconhece uma mesma substância, uma mesma harmonia, uma mesma perfeição no seu ser, da mesma forma que tu és perfeito como pássaro entre os pássaros e eu entre os homens. Ou as suas cores, paleta de vida, imensas, que pintam tudo em cada diferente, ou ainda seus cheiros de belos inebriar, que encantam os olhos da tua amada, promessas de doçuras sem fim.

E a Alma, o que é, perguntou então pássaro

A Alma é o que È sem Ser, não tem um corpo, um suporte como eu ou tu, não é também o meu espírito que é aquilo que expressamos, o que pensamos a partir do que sentimos, a Alma possibilita o sentir como quem diz o entender, o inteligir.

Porque entre Ti e um Outro Ser, habita de permeio aquilo que te faz vê-lo, senti-lo, entende-lo, pois aquele que vês não é o mesmo que se deixa ver. A imagem que dele tens, não corresponde a ele mesmo, não é o mesmo que ele é. Não se vê nada em si mesmo, como coisa nua igual à sua própria nudeza, pois disso só pode saber quem lá propriamente habita, é um imaginar que imagina o ver e o que se vê, é um imaginar dos dois lados e ainda de todos os outros lados em volta, é um imaginar que te codifica perante mim e assim te descodifica também a meu olhar, é um imaginar, como um grande palco onde está tudo convocado em cena num mesmo instante, o que sei, o que não sei, em igual valor, não em proporção, pois sem dúvida, o que não sei é maior do que sei.

A Alma é como uma rede invisível, que tudo abarca, não tem tempo, pois em si reside o passado, o presente e o futuro, Alma é, Luz, energia, ideias, memórias, desejos, vontades de todo o tempo do mundo, expressas por todos os seres que aqui habitaram, e tem o tamanho infinito de toda a soma do seu tamanho, do que foi e do que há-de vir, como uma promessa de Amor, porque a Alma, faz-nos entender para além das aparências, dos véus, conseguimos de facto ver um por assim escrever, um terreno comum, familiar, que por sê-lo, nos permite vermo-nos, pois se assim não fosse, simplesmente não nos víamos, não nos podíamos encontrar, como quando rio contigo, pois eu de ti imagino sempre uma imagem, ou melhor escrevendo, há uma imagem de permeio, participada como quem diz elaborada, construída por tudo, eu, tu e o que está à volta, que nos vê e assim nos permite ver um ao outro.

Mas então a Alma é ela própria produto do teu imaginar, como a colocas de forma externa a ti, perguntou então o pássaro.

Sim que o é também, seja, mas o mundo é maior do que eu o imagino, habitaram muitas coisas, outras habitam e muitas outras irão habitar, estão em mim, porque eu estou no mundo ao participar nele e ao ser por ele participado, mas tem que estar fora também, porque se não lá estivesse, estaria para aqui a falar sozinho e não contigo, teria que ter concluído que tu não existes, que nada de externo me poderia existir, era quase como pensar que todo o mundo só existia dentro de mim, e é ela, a Alma, que me permite de ti ou daquela flor dar conta.

A Alma é a imagem que tenho de ti quando me espelhas, quando me dás a ver a mim em ti, e eu do outro lado, me espelho, me dou a ver-me e tu vês-te em mim e assim nos reconhecemos.

Talvez um dia aprendamos a fotografar a alma, a aprendamos a ver como alguns povos que desde sempre falam dos fios prateados que ligam todas as coisas até o dia em que se quebram, ou os deixamos quebrar, por os esticar demasiado.

Assim rezar a Alguém que fez o Belo, que por isso, foi por muitos reconhecido, é conversar com essa memória que está aqui neste preciso momento entre nós, é pensar porque o fez, e ao isto fazer, é fazer que essa ideia, esse Ser, se torne de novo activo como quem diz presente no aqui e agora. Mesmo as ideias são sistemas energéticos, diferentes de mim ou de ti nas suas configurações sem que isso obste a que sejam tão reais como a minha diferença para a tua.


Não há revoluções exteriores de mãos dadas como gostaríamos de recordar ou pensar, só há uma, a interior, a que faz modificar o exterior, que desperta o nosso Belo e o restante Outro Belo, e que nos faz aproximar, eu, de ti, tu de mim e do próprio Belo, que é então ele que se chega a nós, e então poderemos caminhar de mãos dadas para o poente do Sol, gozando cada uma das suas preciosas gotas, na dávida de Viver, de estar Vivo.

E contudo, todo este texto não passa senão de uma produção do meu imaginar, Será?

quarta-feira, abril 07, 2004

Que dizes, rapaz, ainda não conheces a minha amiga, tinha a impressão de ta ter apresentado há muito tempo atrás, quando eras mesmo novinho, nem cinco anos terias, lembras-te quando entrastes naquele palheiro onde tinhas descoberto uma recém nascida ninhada de gatos e tu lá ias de manhã, sendo a primeira coisa que fazias ao levantar e um dia abriste a porta e o gatinho que tu mais gostaste, dele, só estava a cabeça. E o teu Espanto, a Estupefacção, como aquilo poderia ter acontecido, só ficara uma cabeça.

Lembras-te, viste-me pela primeira vez na ausência do espírito, aquele rosto rígido de olhos abertos, sem mais nenhum sentir, feito silêncio para mais não se ouvir, fixo numa mesma imutável cara e o sangue e as entranhas visíveis na linha onde outrora fora seu pescoço, o que sustém e é sustentado, lugar onde o corpo se liga à casa do espírito.

E depois rapaz, foste pelo mundo investigar, quem teria feito isso e apareceu-te alguém nas vestes de um adulto que te disse que tinha sido a própria mãe por ciúmes das festas que tu lhe fizeras.

Lembras-te assim rapaz como te pus o sinete, como ferreiro de ti me tornei, tu pus a quente, bem gravado em tua carne para que dele te esquecesses que o amor pode ter consequências nefastas, foi assim que te retirei do Campo do Meu Irmão e tu decidiste não mais amar, com medo de magoar outrem, sim foi eu que trinquei o gato e deixei para ti a cabeça encenada. E tu por medo de poder vir a fazer mal, deixaste de escorrer o teu próprio mel de Amor, sim teu, porque eu e ele, o meu irmão, habitamos ambos dentro de ti. Já deves ter reparado ao longo da tua vida, na minha presença, como a Sombra que sempre acompanha o teu Sol.

Meu nome contudo tem muitas outras faces como já te deves ter dado conta, e já agora que perguntas, foi um rato que o comeu, sabes, eu uso o que está mais à mão.





Ali entre Santa Apolónia e Santa Engrácia, também conhecida pela Santa dos trabalhos inacabados, facto que segundo me contaram, prende-se com o imenso tempo que foi necessário à construção da abóbada do Panteão, muito eu Apelei à Segunda nos tempos em que vivi entre a Primeira e o Vale de Stº António, era quase oração, certa e segura, de cariz diário, tal eram sempre os afazeres que me prendiam ou melhor, que eu deixava que me prendessem em modo diário e quase contínuo e também não esquecendo, que eu e os meus afazeres, sou eu também.

Ufa, Lufa, Ufa

Seria contudo a reza a Santa Engrácia, uma forma de pedir protecção para a conclusão dos mesmos

Apolónia

Oh, hoje está um dia de imenso Sol e Calor, como bate quente meu Coração

Engrácia

Já Sabes, que me chamam inacabada, contudo na semana passada na última noite que aqui te encontrei a falar, fazia chuva e frio e alguns homens dormiam ao relento à Porta da Estação e debaixo das Arcadas do Exército.

Apolónia

Mas então, dormem às portas da CP e do Museu do Exército, ou seja uma empresa pública, de todos os homens e do Exército que serve o Estado. Já sei.

Sopra-lhes Santa, esta noite ao dormir, recorda-lhes que o Estado deve velar os seus, que são homens como os outros e que o coração dos homens que os vêem não dormem quietos perante tal acontecer.

Sopra-lhes Santa, esta noite ao dormir o engenho prático das cordas e das velas, as rotas do belo navegar, o carinho no outro tratar, ama-me com carinho e eu nunca partirei, que nesses dias abram as portas da Estação, local do estar se torne para a noite pernoitar, ah e recorda-lhes das coisa pragmáticas, que os infantes andam por vezes entretidos com coisas grandes, recorda-lhes que umas camas de campanha, uns cobertores e um sítio para os guardar, ajudaria muito e lembra-lhes também que se dorme melhor de bucho cheio.

Sopra-lhes Santa, esta noite ao dormir da natureza dos homens, que são homens que estão fora das coisas dos outros, que estão fechados ao mundo, muito deles acossados, outros perdidos, alguns encontrados, não se lhes force a sua natureza ao pretender que eles cumpram as coisas dos outros, sopra-lhes Santa do Pensamento Simples de Todas as Coisas, das soluções que solucionam, não se lhes mude o todo improvável.

Sopra-lhes Santa, esta noite ao luar, que todos dormirão melhor e mais felizes se souberem cuidar dos que ficam a dormir ao frio e à chuva, ali ao pé do Rio. E Sopra Santa aos Marinheiros, que os guardem e assim os sirvam.

Ufa, Lufa, Ufa

Fala Engrácia, que Santo António, aquele que amava os meninos e os animais, está a olhar




terça-feira, abril 06, 2004

Oh Mar
De Meus Olhos


Reparei na Senhora
Porque Outra Senhora
De alguma Forma
Me Chamou
A Atenção


Seus Cabelos Alvos
Alvura Branca
Do Seu Próprio Olhar

Já Reparou naquela Senhora
E naquela Criança
Ali naquele vão
Da Vida?

E eu que estava
Ao Seu Nível
Ainda Não

Mãe
Grande Mãe
Primeva Mãe
Só te peço
Que Me faças Sempre
Ver

Mãe
De Sempre
Para Todo o Sempre
Eu te digo
Prefiro Sempre Ver
O Sofrer
Não Me deixes
Nunca
Esquecer

Porque Mãe
Entre Aquela Senhora
E Aquela Criança
E eu
Não É
grande a diferença

Oh Mãe Eterna
Que Não Chegaste
Nem Nunca Partiste
Oh Mãe
Que Aqui Estás
Sempre Estás
Também dentro
Do Meu Coração
O Coração daquela
Criança
E Daquela Sua Mãe
É igual ao Meu

Oh Mãe Eterna
De Todo
O Inteiro
Mesmo
Mundo

Não é a Diferença
Que nos Afasta
É a Igualdade
Que Nos Faz
Oh Mãe
Dá-me Sempre
Os Olhos
De Ver
No Único
Mesmo
Coração

Oh Mãe
A Única
Diferença
Do Dia de Hoje
É que eu Tenho Pão
Uma Casa
Quente
Para Me
Deitar
E Elas Não

Oh Mãe
A Única
Diferença
Do Dia de Hoje
É que Saúde
Eu Tenho
E Aquela Mãe
Tremia Suas
Estendidas
Mãos

Oh Mãe
Foi quando lhe
Toquei nas Mãos
E Não quando a moeda
Desceu
Que ela me agradeceu
Oh Mãe Perdoa-me
Que Sei
Que foi a Ti
Que ela Agradeceu
Vi-o Em seu Rosto
E em Seu Tremente
Olhar

Oh Mãe
Nunca me faças
Esquecer
De Não ser maior
Do que
Em verdade sou

Oh Mãe
Oh Pai
Nunca me
Deixem a Mão

Oh Mãe e Pai
Que São Um Mesmo
Alumia meu pequeno
Coração
Diz-me quem sou
O que Devo Fazer
Como posso
Mais
Vos Servir
Como posso
Melhor
Vos Amar
finalmente acrescentei os links de alguns dos blogs que leio regularmente.
Tchim, Tchim
Que a Sorte
Proteja
Todos os Que
Estão Longe

São Jovens
do Meu País
Em Terras Distantes
Em Fogo e Guerra

Que a Sorte
Os Acompanhe
E os Traga a Todos
de Volta
Inteiros
De Coração
A Bater

Que a Paz
Vele Todos
Os Seus
Passos







segunda-feira, abril 05, 2004

Doce doçura do meu coração
Doce, adoçado
Um dia Amado
Outro Desejado
Doce Azulado
Alva Lua
Redondo Som
Calado
Não Sou

Doce
Doce
Doçura
Do Meu
Coração

A Tua
Mão
Em
Mim

Salve
Minha Mãe
Salve
Meu Pai
Por Me
Darem a
Existência
Este Luar
Neste Lugar

Oh Dia de Sol
Quente
A Me Abraçar
Gato Enroscado
A Lambuzar
Satisfeito
O Bigode
Grande É O Bocejo
A Tudo Esticar
Sem Nunca Partir
Maior o Espaço
Deste Habitar
Eterna Preguiça
A Dar a Dar






Risca menino o céu, corre na areia e com o dedo, segue as nuvens como que a riscá-las, desenha os mais belos desenhos do teu doce imaginar, recorda-te do Azul das calmas memórias dos grandes verões, os rios de se banhar, as asas das borboletas brancas de encantar, o abanar das folhas verdes transparentes, que o sol recorta nos mais finos odores, inebriantes seres que transportava na minha mão dada com a tua em ternos passear.

Lembra menino longe, ao fundo pequenino, grande do tamanho de uma estrela, teu verdadeiro ser, ser de todas as coisas, participado por todas as coisas, num mesmo amor ser. Risca menino de outrora, agora, o arco-íris no céu, estende-te agora sem hora, nas quentes areias, que aquecem toda a tua pele, torna-te a mansidão de todo o calor, tu és o calor, o calor és tu, tão e tudo à flor da mesma única pele.

Agora sente, deita-te de olhos fechados e traça a perpendicular directa ao centro do teu coração, cada bombear, cada bater, único, um só instante, uma vida inteira, que um dia se tornará, aqui, silêncio.

Traça a curva ao teu olhar, vê o calor do Sol, vindo da areia a espelhar, espalhar-se, por todo o teu corpo, que se expande nesse sentir e de repente és estrela radiante, em cada bater de teu próprio coração, belas areias coloridas de todas as cores a tudo esclarecer.







Fractal Democrático


Naquele País
Distante
Todo Coberto
Pelo Mar
Era
A Pergunta
No Concurso
A TV


Quem no Livro
Mãe das Leis
O Poder
Nas Suas Mãos
Tem

O Presidente
O Primeiro-Ministro
O Povo

Sabia a Concorrente
A Diferença
Entre Legislar
E
Executar
Burra
Não era
Não

Veio Depois
De Muito Pensar
Da Concorrente
E Do Publico
Todo Inteiro

No Povo Não

Dizia o Apresentador
Doce Senhora
É nas suas Mãos
Que Ele Está
A Cara
Da Concorrente
Essa Abanava
Que Convencida
Não
Estava
Não




Oh, sereno coração do mundo, expande-te por toda a casa, um imenso infinito bocejo a tudo tranquilizar, sopra sopro de encantar, abre todas as janelas do belo de todos os jardins, de todas as flores, oh sereno coração do mundo imenso, recorda-te do teu aquietar, recorda-te que estás em cada flor, um mesmo diferente e contudo igual, aquieta teu bater, para que todas as coisas se tornem doces ser, lança o som da harmonia interna ao teu bombear, oh sereno coração do mundo, lembra-te do verdadeiro amor, aquele que derruba todos os muros no seu gentil ser, oh coração do mundo, lembra-te das nuvens, do sol dos risos, dos mares e das luas cheias em seu eterno entretecer, oh sereno coração do mundo, aquieta todos os que sofrem, dissolve todas as dores e terríveis vinganças, inspira nos corações a paz que gera a vida e a flor, oh coração, cor da mais bela acção, rosa, rosado, do ser







sábado, abril 03, 2004

Oh meu Deus, como me crescem as Minhas Orelhas de Burro, por ter inventado e codificado até hoje, assim, o timbre das sirenes.


Não há silêncio Absoluto. Mesmo aquilo que não ouço, pela limitação das frequências do meu sensor, não deixa de cantar, ou por outro escrever, não deixa de ser Som. Tudo depende do Observador que observa, como quem diz, neste caso, escuta, e do som que é escutado, porque um não existe sem o outro e poderei em verdade dizer-te que o som me escuta também. Não há fenómenos puros, há interacções, pois se não as houvesse, como saberia eu dos fenómenos e da sua existência.

E contudo os sons que eu creio não audíveis, ouço-os na mesma sem deles estar consciente, no meu pensar, sem deles me dar conta, mas os sons que me chegam, ou que já lá estão, mesmo que não os saiba ouvir com o meu ouvido, ouço-os de outra forma, uma forma emocional, onde frequência que é vibração, ressonância ou dissonância, são os termos da língua em que se exprime e todos eles alteraram a frequência emocional do meu próprio coração.

São os chamados, subliminares, subliminar à minha consciência consciente. Vai ao clube de vídeo e trás por exemplo o filme de Scorcesse, “A última tentação de Cristo” e ouve-o com auscultadores.

Vais reparar que lá, no fundo do som, depois de passar a camada onde habitam os diálogos, a música e a sonoplastia realista, entendendo aqui realista, por exemplo, o som síncrono do bater do chicote com a sua imagem, que conseguirás ouvir sirenes de carros de polícia, bombeiros e ambulâncias, daquelas que existem nos dias de hoje.

Estranhas? Não estranhes, é só uma forma de excitar a atenção, ao repetir um som que associamos automaticamente a aviso, atenção e perigo e quando tal acontece, a nossa atenção é focada, tornamo-nos atentes, neste caso ao filme, mas tudo isto é pressuposto não ser dito, não se saber.

Existem sons agrestes, sons agudos, sons cavos e graves. Existem também sons dentro de nós, como o bater do coração tranquilo ou do coração agitado, da mente focada ou desfocada, da atenção e da doce desatenção e entre eles, variantes infinitas.

Na minha cidade de agora, diferente da minha cidade de infância, os sons de ambulâncias, da policia e dos bombeiros, que são sons agudos, estridentes que ferem, como quem escreve, dissonantes e que rompem a atenção, por exemplo ao que neste momento escrevo, são um constante tapete.

E depois em tempos de Medo e tensões colectivas, propícios a despoletar episódios psicóticos, seria talvez de toda a conveniência alterar as suas frequências dominantes, para um espectro, que sem perder os seus objectivos, (aviso e atenção), retirasse aquelas que provocam, como quem diz, acendem, o próprio Medo, pois todos sabemos que ele é contagioso assim como se Irmão Amor, o É.

Depois recordo a evolução do som das sirenes, vejo até a ligação entre a sonoplastia de séries televisivas americanas que passaram no meu país e a sua influência naqueles que compram estes equipamentos. Lembro-me de como “Hills Street”, para nomear uma, levou ao aparecimento de uma maior estridência na minha e na tua vida.

Até imagino, que uma empresa portuguesa, criasse um chip baratinho, capaz de vir a ser vendido para todo o mundo que alterasse as frequências que existem, e que de repente o nível global do Medo por excitação sonora diminuísse em todo o Mundo.

Estás mais uma vez a sonhar rapaz, como é que as pessoas levariam à séria, como reconheceriam de um momento para o outro uma outra frequência, um outro som, como o associariam, a aviso e a atenção.

Olha, se calhar bastava colocá-los naquela tal camada sonora, por exemplo na televisão, só com uma diferença, disso, se daria conta, do porquê e do objectivo a todos antes de fazê-lo.

Assim, eu e a minha agência de inovação, amanhã, vai reunir as gentes e os meios necessários, para o fazer no mais curto espaço de tempo.

E pensas, porventura rapaz, que isso alterará globalmente alguma coisa?
Mais do que tu pensas, mas mesmo que assim não fosse, porque não fazer algo que creio poder melhorar a Vida?

Pelo Som do Amor e do Coração Calmo e em Paz, que arredondasse de novo as minhas Orelhas ao Humano.
Com peso e medida


Outra das razões que leva à violência é a “hubris”, que muitas vezes aparece erradamente “traduzida” como Orgulho. Eu sou como muitos outros que traduzem o étimo desta palavra grega como excesso.

Excesso de confiança, excesso do uso da força, excesso na forma como te vejo, excesso na forma como te trato quando me considero mais inteligente que tu, maior de tamanho ou força ou seja lá de que ilusão com que me veja em meu próprio espelho, nessas alturas embaciado. Mais parece aqueles da feira popular, que nos deformam a nossa própria imagem, quando os olhamos.

A Criança simboliza o Espírito Santo, o bafo reconhecido como Agostinho da Silva o bem traduzia, pelas suas qualidades de imaginar. Espírito é assim, também, imaginação reconhecida, qualidade de imaginar, ou seja, capaz de ser comum como uma ponte que se estabelece entre mim e ti, porque faz sentido, torna-se Real a ambos.

Porque na Criança reside como em mim e em ti o Belo e o Terror, aliás onde poderiam residir eles, se são humanos como nós. Quantas vezes se vê na Criança, toda aquela força, vivacidade da vida e do viver, que quando mal dirigida, pode entornar nos mais feios actos.

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Aquele menino pequenino tinha uma pontaria dos diabos, sabia intuitivamente do cálculo dos ventos e do movimento e do peso das coisas que voam. O menino experimentava tudo isto, que incluía ele próprio. Sempre a tentar descobrir e ultrapassar aquilo que conhecia como os seus limites provisórios, ontem, fazia daquela lata a 5 metros o alvo certeiro da sua fisga, hoje daquela árvore na floresta a 20 metros de distância e no dia seguinte, um outro menino ao fundo, lá bem ao fundo, que a recebeu em cheio no meio da sua testa. Esse outro teve um traumatismo craniano e acabou por morrer por falta dos cuidados médicos que seus pais e seu país não lhe puderam dispensar.

Excesso de nos pensarmos melhor, mais altos, mais fortes, mais merecedores, mais louros, ou mais não sei o quê, do que Tu a meu Lado.

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A pequena traça volteava dentro da sala da sua habitação. Bela traça que traça as nossas roupas, com suas asas em delta, perfeito triângulo observável nos seus curtos poisares.
Olha a bela traça, dizia-lhe seu pai, tentando chamar a atenção a seu filho e ele logo que a detectou, fez surgiu na sua cara, aquela expressão típica que antecede os actos de violência e toda a sua energia de repente, ao vê-la, se focou na sua destruição, tal cavalinho relinchante aos pinotes na ânsia de lhe botar a mão, como uma garra de gavião. Todo o drama da escala e da força, aí se encenava naquele olhar e gestos de pequeno papão, mas se a traça lhe aparecesse a seu olhos como um dragão, seria outra a sua atitude. Seu pai, interponha-se às investidas enquanto o chamava à razão, pois até uma traça tem que comer e come, porque se não, não teriam, elas, a filhos e certamente nem ela existiria, pois a história dá conta delas desde há muito tempo atrás.

...

vrummm, vrummm, fazia a terceira redução, o carro que guiava com seus amigos lá dentro era uma perfeita extensão de si mesmo, sua visão era a visão do gavião que tudo crê ver na escuridão. Vrum vrummm, colado ao banco, seu centro de gravidade, sentia que as curvas da estrada melhor se ajeitavam ao passar das suas rodas, pois ele era a estrada, a roda e a curva também. Vrummm vrummm, fazia toda a excitação até ao momento que o pneu decidiu, ser ele próprio, por um instante, só pneu, ele pneu, rompendo toda aquela participação mística que ia pela estrada da vida, pensava o gavião no momento em que lhe faltou as asas e se estatelou com roda e tudo contra o muro quieto de terra onde ficou.

A violência é filha do excesso e tem como irmã a tristeza e a dor