domingo, junho 27, 2004

Oh Senhora
Que Vos Vejo
Cansada

Muito
És
Desejada

Oh Senhora
Doce
Oh Doce
Senhora


Eu Te
Vejo
Crucificada
Por Aquilo
Que Tu
Não
És

Por Isso
Te Dou
Minha
Mão
Meu
Coração


Homens
Cegos
Ou
Corações
Enegrecidos
Que Confundem
A Mensagem
E Os Mensageiros

E Tu Senhora
Lá Vais
Em Teu Passo
Bem Indo


Na rua
Eu
Ouvi
Os
Irmãos
Em
Descontentamento
A Assobiar
A Gritar

Perdão
O Meu
Perdão
Em Nome
Alheio
E
Múltiplo
Meu

Senhora
Que
Não
Se
Trata
Assim
Uma
Mãe
Uma
Mulher
Um
Homem
Um
Cão

Os
Homens
Estão
Carentes
De Amor
De Pão
Mas
Eu
Sei
Que
Não
Foste
Tu
Que
Criaste
As
Regras



Oh Senhora
Aqui
Tens
A
Minha
Mão
Para
Melhorar
Todas
As Regras
Que
Urge
Melhorar


E
Lembrai-Vos
Senhoras
E
Senhores
Que
Este
Nosso
País
Premeia
A
Competência

Não Se Afasta
Quem Bem Faz
Premeia-Se
Sendo
O Prémio
Melhor
Servir


Que
O Passado
Que
Sempre
Foi
Volte
A
Ser

Pois
É
Da
Mãe
A
Chave
Da
Vida
Dávida
De
Vida

Alimento
Aumento

Que
As Vozes
Nos
Sonhos
E
No
Sonhar
Se
Acordem
Para
Tal
Acordar


Mãe
Amor
Mãe
Eterna
Amor
Compaixão
Eterno
Dar
Eterno
Servir
Vida
Viva
Viver


Pensa
Irmão
Fiel
Da
Lei
Dos
Homens


Se
Cortas
O Fio
Do Sentido
Ou
O Sentido
Do Fio

Melhor
Será
Então
Não
Cortar
Tesoura
Não
Ter


Muda
A Regra
Do
Sentido
Acorda
A Proporção
Dos
Homens
Em
Seu
Governo

Que Se
Apresentem
Os Homens
Se Pesem
Suas Qualidades
Em Função
Do Seu Fazer
Por
Isso
Sejam
Escolhidos
Famílias
Diferentes
Sentadas
Num
Mesmo
Bodo

Assim
Lado
A Lado
Na
Mesma
Mesa
Comendo
Se Deram
Conta
Que
Era
Afinal
Uma
Mesma
Comida
Todos
Passaram
A Cozinhar
Cada Qual
Como Melhor
Sabia
O
Refogado
A
Apurar


E
Depois
Quando
O Mesmo
Pão
Passa
Ao
Outro
Ao
Lado
De
Mão
Em
Mão

Dão-Se
As Mãos
Calam-Se
As Zangas
Estéreis
Que
Esterilizam

Já Não
Posso
Dizer
Não
Porque
Não
O
Posso
Fazer
Já Só
Resta
Então
O
Sim


Felizes
E
Contentes
Iam
As
Gentes
Desse
Uno
Reino























quinta-feira, junho 24, 2004

Quando te leio, sinto uma espécie de proximidade virtual, uma proximidade que é também espaço no território onde temos nossos quatro pés. Terras do Norte de Meu País, uma Cidade, que viu nascer, minha Avó e Minha Mãe, terra da linhagem feminina da minha família. Uma parte dos ossos de minha família aí repousa também.

Terra das mulheres de olho cor de céu de azul, cabelos por vezes doirado bem como o ouro que em dia de festa transportam. Também o Azul de meus olhos vem daí, dessa terra, e como todos sabemos, os olhos e a sua cor ancoraram-se onde nascem seus antepassados.

Finos, fios, rendilhados, tecidos, entrelaçados, luminosos, coloridos, vermelho, preto, branco, valorosos, doces anseios, belos quebreios e quebrados, sinónimos do nome do Amor.

Aquele rio, que também conheces, local onde a memória se desenrola, como quem se lava e leva, onde eu nadei em pequenino, onde um dia por pouco não o consegui atravessar, meu priminho não, e foi então que meu Tio a ele se deitou para o ir buscar e buscou.

E aquela vez que lá estivera, como ele se sentira em casa, tão profundo, tão entranhado em seu corpo, que isso lhe fazia saltar à vista. Sentado com seu Amigo nas telhas daquela belíssima antiga casa que os acolhera, e olhando as estrelas naquela noite magnífica, tinham os dois imaginado o que seriam os primeiros planos de uma série que os levara por todo o País, descendo pela costa do mais alto norte até ao mais baixo sul.

Assim encenaram na manhã seguinte a Jovem Mulher Vestida de Branco que Lavava Seus Longos Cabelos em Vasilha Branca com água. Fora sem dúvida uma bela abertura daquela série, tão inspirada. Sabia ele que fora inspirada, pois inspirou um comentário de um amigo mais velho, a quem ele tinha estima e consideração, que às páginas tantas, começou a ver aquilo com mais atenção e depois virara-se para ele e dissera, …vocês, parece que reinventaram a ida à praia, ele sorrira, respondendo.

Gosto de ti pelo teu engenho, pelo engenho do teu pensar e escrever, da boa habilidade que demonstras-te ter, em colocar-te no outro lado de uma questão, de um certo humor, que reflecte a inteligência, que às vezes me faz rir, outras sorrir.

E depois sabes, eu e os teus comments, aquilo não funciona, nem aqui nem ali, por isso te escrevo, pois sou secreto admirador de uma das tuas amigas, que não conheço e que fala de uns números que são simétricos a outros meus, se me percebes, que os números não são de ninguém, sim, eu sei que ambos o sabemos, não te preocupes.

Como homem versado que és nos assuntos de sincronicidade, que em vulgo português se costuma desde há algum tempo traduzir-se sincreticamente, por, não há coincidências, pedia-te então o favor, se for essa a tua vontade de lhe oferecer estas minhas reflexões.

Efectivamente todos os blogs abertos, são públicos, e portanto de utilidade pública, pois é esse o uso que lhe damos, e como no outro dia alguém frisava, nestes espaço estavam muitos dos melhores corações do país, das melhores cabeças, as melhores, as mais avançadas, as mais ousadas, as mais vitais ideias, também aqui se encontram como se encontraram no redor da existência de cada um desses seres, que estão aqui ao nosso lado sem o estar.

Faria sentido. Teria lógica convidar, reunir um grupo, que se interessa-se por uma ideia de contributo, um grupo que criasse o sonho de que a mudança é possível, como ela sempre o é, um grupo que pelos seus pontos de vista contribuísse para a inovação do ver das coisas, um grupo criativo, a criar, a imaginar, a contribuir para o bem-querer e bem-fazer e que portanto lhe fossem criadas as condições para o seu existir.

Sobre a mecânica da coisa em si, minha Senhora, gostava contudo de lhe dizer que em meu ver, um projecto desta natureza não se faz contra ninguém, muito menos matando ninguém ou algo, faz-se a favor de todos, do todo, paradoxal dirá, parece, mas é assim mesmo a vida.

E depois como sabemos algo que visa o novo não deve começar a ser construído de forma torta, pois se assim acontecer, inevitavelmente o edifício padecerá das deficiências das fundações com que se erigiu.

Também sabemos, que calar algo, é sempre pior remédio que emenda, pois assim se aumenta a revolta nos corações dos homens. O novo não se impõem contra, o novo não é contra, é com.

Bem Agiram os cinco, pois quem o fizer, por isso será louvado e recordado, como aqueles que ousaram franquear a porta, por isso serão recompensados pelo Amor da Vida, pois como concordarás assim é a Vida, recompensa os que Ousam.

Eu também te agradeço o que houver a agradecer, que é sempre a Ajuda e o Ajudar

Meu Obrigado


Abraços Fortes deste teu leitor assíduo

quarta-feira, junho 23, 2004

Pois parecera-lhe em Infante muito novo que era também um problema de linguagem, de categorização, uma coisa que cedo reparara, se usava para facilitar aparentemente a compreensão do mundo, que traduzia o saber colectivo dos Homens e por eles, até então validado e que permitia, almejava a comunicação, a transmissão do conhecimento.

Fora sua Irmã Música que lhe trouxera esta equação de mão dada com ele na sua primeira escolinha, a escolinha do seu coração, a escolinha que ainda trás no coração, sem deixar também de nele trazer todas as outras escolinhas que existem no mundo, uma preferência, que não é preferência, é só a sua, a que a ele lhe calhou, a que ele Amou e feliz ainda Ama.

Já sem mão porque precisava das duas para segurar a flauta de bisel e portanto no colo da Música, recordava uma breve conversa sobre a compreensão do som, das notas,
a notação musical, as escalas e do seu porque.

Que ideia era aquela de dividir o som em notas, pois sempre ouvira o som como continuo, não lhe fazia portanto muito sentido que pudesse ser repartido por uma escala.
Os sons, que sim, que acabavam, geralmente quando acabava o fôlego que sustentava o lá da sua flauta, aquela que o sopro soprava, através dele.

Que sim, que um som teria eventualmente um começo e um fim, mas que a mudança de nota, da sua frequência, fosse feita por saltos, por ruptura, é que nunca tal ouvira, pois o que ouvira, era o começo, sustentação que era o seu tempo e fim de um som, que era quando ele se deixava de ouvir. Um som podia-se estender por todas as notas até deixar de ser aparentemente ouvido e para ele cada coisa, era também um múltiplo som.

Depois lá vinha outra nota que poderia ascender ou descender face à primeira, poderia até estar sobreposta à primeira no mesmo tempo ou em partes dele. Assim se estabelecera a relação entre a notas

Olhara, então sua flauta, seus buraquinhos que tapados ou destapados por seus pequenos dedos, faziam um som a que os adultos chamavam nota qualquer coisa e concluía, que a flauta que os homens fizeram, só permitia o som assim sair dividido, pois pela sua forma concebida, cada nota se separara de cada outra.

Mais tarde descobriu outros instrumentos, concebidos por outros homens com outro olhar, onde o som se fazia mais de acordo com o que ele via da natureza do som, contínuo, e mudando, versátil, ou seja, subindo e descendo nas suas frequências, montanha russa de si mesmo, hábil, numa vida rica fora de escalas porque sua natureza, não era a escala, pois a escala, qualquer escala era sempre o resultado do Amor entre o Homem que a criou e sua Música, mas Mesmo Assim Louvada e Merecedora de Todo o Louvor e Respeito.

Assim Louvada
E Merecedora
De Todo o Louvor
E Respeito
Porque
Aqui
Foi
Ousada
Tentada
Realizada

Existe
E
Todo
O Saber
Vem
Da Luz
É Luz

Como
Todos
Os Que
Ajudam
Ajudam
Fazem
O
Ajudar

E Eu
Agradeço
Todas
As Ajudas
Porque
Dar
É
Amar


Chouuuu, chouuuu, chouuuuu, contínuo, fazia o riacho nos silêncios dos campos do norte de seu País, em sua meninice, entre a natureza, se dera conta de uma outra Música que o embalara e entretera.

Fora muitas vezes, por ela levado, a Música da Natureza. Uma música rica de outro modo, outros instrumentos, outros sons, composta por todos os sons que o habitavam, e a esse mesmo, Redor.

A música era muito mais que o som, eram sons que se encaixavam sequencialmente num tempo que assim ocupava um espaço, tal e qual, a aula de flauta com as suas duas linhas de flautistas, assim recorda aquela fotografia. E que a permanência da memória da música e a sua comunhão, implicava ter com ela uma forma de a codificar, que permitisse essa mesma transmissão e as futuras execuções, e contudo cada vez que se tocara, que acontecera no mundo, sentia ele seguro dentro de si, teria sido de uma forma única, por isso totalmente diferente e irrepetível.

Por sincretismo, concluía então, que o Homem para fazer entender outro Homem sobre uma coisa invisível, tinha que criar uma linguagem, um sistema de codificar e um código, e que paradoxalmente tais operações, de certa maneira o afastavam, por assim dizer, da natureza da coisa que pretendia explicar. E contudo o Homem era também o som, pois se não o fosse, como o podia conhecer.

Era como em Infante pequenino, quando lhe ensinaram os primeiros significados das palavras, umas faziam-lhe sentidos, parecia que o som dos vocábulos, a sua vocalização, tinha a ver com o corpo da palavra, aquilo que ela representava, sobretudo se tratavam de palavras que designavam coisas concretas, mas outras havia, algumas mais do domínio das coisas não concretas cuja sonoridade e ideia não encaixavam tão bem, de forma harmoniosa.

Rapidamente se dera conta da necessidade de ir conhecendo as raízes das palavras, que lhe pareciam ser como metáforas da realidade, tentativas de aproximação à essência das coisas, pois assim perceberia a razão da forma que quem a criou trazia em si e da sua visão do mundo na altura do seu acontecer.

Todo seu crescer, vira estas discrepâncias entre o nomeado e o nomear e vira muitas vezes,

Ou por falta do entendimento da natureza das palavras e consequente seu uso com significado incorrecto

Ou pela natureza dos códigos e do codificado entre os Homens aparentemente confirmado,

O caldo se entornara umas vezes, outras não, pois a linguagem é a forma que estrutura o Ser, que condiciona o Ser, que o Ser, faz.

E que talvez conviesse, fosse de assim se prevenir, pela vida fora, e enquanto durasse a vida humana, ir fazendo frequentes, como quem diz, quando necessárias, revisões às próprias palavras e as formas de codificar, aos seus múltiplos sistemas.

Era também certo a existência, do que ele gostava de chamar, de hiato, entre a coisa e o que a nomeia e dessa forma se preveniu em seu andar.

Hiato é um sítio que não é sítio, pois a coisa não está lá, é como um espaço entre o observador e o observado, uma ainda dissonância entre os dois, porque não se estabeleceu ainda o contacto, a comunhão, onde a coisa e a imagem da coisa, como que anda sobreposta e com fantasma, como nalgumas fotografias, um sítio onde ainda não vê a verdadeira coisa, uma situação onde a coisa parece ser duas, coisa impossível para uma coisa una, onde o dois, se faz Um, quando o observador se identifica com o observado, se torna, o observador, o observado e o observado, observador, pois tal é a lei das coisas comunicantes.

É geralmente um lugar de confusão, do mal entendido, do ainda não entendido.
E bom mesmo e preciso, é, mesmo entender, entendermo-nos.

E todas as linguagens, o Infante as utilizara como ferramentas em seu aprender. Cedo os sons de seus amigos animais, lhe ensinaram a mais bela música, a da Vida, Toda expressão, no belo cantar de um pássaro, que assim o chamara à atenção e o entretera, no cocorocó da galinha, que fugia de sua avó, que lhe queria apanhar os belos ovos, nos porcos sempre porcos, seus grunhidos e ares inquiridores, do pato quaquá, do miar do gato, da perna da porca, do ladrar do cão e das Asas das Borboletas de Todas as cores, feitios, perfumes e amores-perfeitos.

Amores-perfeitos, perguntava-se, agora, recordando, alguns pontos como que mancham, já nessa altura, alguns pormenores do quadro idílico. A galinha que acaba no prato, o porco assado, o gato comido e outras coisas que tais. Parecia que aquela harmonia da quinta que sua Avó tinha, já tinha uns estragos.

Recorda-se de sua avó quando enxotava o galo, apanhava a galinha, apalpava-a, para saber se tinha ovos e às vezes os tirava. Menino espantado, como todo aquele saber, saber ver se a galinha tinha ovos, tirá-los? Que coisas espantosas, sabia sua avó.

Um dia perguntou-lhe,

Avó, se não tirasse os ovos o que é a galinha fazia com eles
Nasciam pintos, aqueles amarelos com os pelos todos espetados, percursores na sua vida das imagens de punks, que corriam muito rapidinho numas pernas baixinhas, com uma pata de três apoios mais garra anterior, estreladas, e muitos pius, piu, piu ansiosos, pela comidinha no seu chegar, como todos os filhos anseiam.

E o menino ficara muito pensativo a pensar, quem é que decidia sobre o ovo que dava o pintainho se a avó não o fosse antes lá tirar, pois de uns, saíam pintos, de outros não, se ovo estrelado se tornaria, se pinto e galo seria, se na panela acabaria.

E o Infante muito depressa aprendera, assim em terna infância, a linguagem dos irmãos Animais e assim Entre Eles se fizeram Amigos e diz o Homem que está triste porque hoje os homens vivem mais separados de seus Irmão animais, que os Infantes de seu País já não são rodeados nas suas infâncias por eles, pois já não há terra no campo a onde ir, já são poucos os avós que habitam ao longe, nas viagens da grande aventura das férias grandes, fora dos grandes e densos núcleos habitacionais.

Linguagem era uma coisa curiosa, era uma coisa total, tudo estava convocado à cena, um corpo de porco, bem olhado, dá uma indicação do tipo de movimento e de como se move seu dono, um olhar de galinha bem observado, dá o perfil de sua dona, um quá quá de pato, a ideia do seu carácter, um comportamento de gato, dá a ideia de felino e um cão, encena uma ideia de entendimento entre espécies distintas.

Linguagem era ver e partia do observar, interagir com o que no momento se encontra à volta. Linguagem era coisa criativa, feito com o que estava a mão, sem aparentes fronteiras delimitadas por códigos, já que se podia vivenciar uma acto comunicativo com um ser de uma outra espécie e por debaixo daquilo, das imagens, qualquer coisa de muito comum se lhe afigurava, sentia-a no cruzamento dos olhares, via a emoção, uma parecida emoção com aquelas que transportava dentro de si, que tão bem lhe parecia, serem aprendidas pelos seus Irmãos Animais.

Recordava-se o infante de ir caminhando para a sua escolinha acompanhado por seu Pai. Um dia parara naquele portão, onde por detrás vivia um pastor alemão com açaime, chegara ao pé dele como já fazia há muito e fizera-lhe um festa, e o cão gostara, já o conhecia, sabia que o Infante não lhe queria nenhum mal, sabia seu irmão cão que o infante gostava dele, se tinha dele aproximado, porque seu açaime o fizera triste.

Seu Pai lhe perguntou, não tens medo daquele cão e o recorda de lhe responder, sabes Pai, é só necessário perceber a psicologia canina

Vrumm, lá vai ele o Infante, transformou seu antigo carro de bebe de rodas altas num kart de corrida, pela rampa fora, aquilo acelera na descida acentuada, já o Infante fizera o calculo da trajectória, da velocidade, do ponto de impacto, pois aquilo ao chegar ao fim da dita rampa foi voar, sobre fosso com escadas e estatelar-se o carro e o Infante, que enquanto voava, deixara de ser Infante e passara naquele milésimo de segundo a Gato Infante e Pum, com velocidade e força no grande portão de madeira. Por um instante como gato colocara seu corpo ao encontro da porta que se aproximava, flectira-se como um para absorver com seu movimento de contracção alguma daquela energia do impacto, olhar o baixo, as escadas de pedra em baixo, vira a órbita descendente do veículo lunar, perdão do kart e aterra com a precisão e souplesse de um Gato.

E lá vai ele outra vez, e outra vez, levado naquela linguagem, invisível, não consciente e impossível de assim ser descrita por o infante que a viveu, numa linguagem que não é só linguagem, mas que remete a uma outra dimensão de linguagem, de ser, o Saber.

Como um conhecimento, não consciente, que não se sabe que tem, não se dá por ele, que se funda em níveis de leitura do real, e por isso funciona, que se ele se movia assim no espaço, como corpo aparentemente descontrolado, aterrava numa porta e caía no chão sem nenhum arranhão, era porque seria gato também, assim se lembrara de que já o era, quando conheceu seus irmãos gatos, o seu primeiro Amigo Animal


E então se sentirmos o Ser como Infinito, seremos levados a concluir, que serão também infinitas, as formas de o Ver. E que, a cada forma de ver, corresponde um único, Homem, e contudo a comunicação e o entendimento eram passíveis de serem alcançados, havia Algo que lhes é comum, uma natureza transversal e vertical que a todos irmanava, porque era uma mesma e particular, a cada um.

O Homem sabia que toda a Vida é contínuo movimento, perpetua mudança, de todas as partes que nela residiam, todas as partes que vivem, e que o Amor era a Comunicação, o Comunicado e o Comunicar, que desde sempre e até sempre, assim acontecia, assim Fora Estabelecido. Repetia tantas vezes para si um verso do Poeta Vinicius de Moraes, a vida é a arte do encontro, pena que haja tantos desencontros.

Infante, sempre ansiara o Encontro, e reparara que o movimento no seu espaço, podia ser às vezes, concordante, outras dissonantes, Harmonia ou Desarmonia.

E que a Harmonia era como um encaixe da emoção primeva Amorosa, a que cria a Vida, porque assim a deseja, e ao assim, Sê-lo, não concebe nem actua a sua destruição, e da Vontade em Ser no Ser, como uma palma da mão em concha, recebe em útero, uma outra mão, que reconhece ser a mesma mão.

E que tanto isto se passava, dentro de cada um, como entre cada um, ressoava, era para ele também a imagem de alcance, do corpo, do espírito que assim nessas alturas se agiganta, se torna maior, ocupa novos espaços, chega a novos espaços, Aumenta seu Ser e Seu Fazer, alimenta O BeloSer e o BemSer.

Parecera-lhe ser também o antípoda do egocentrismo, um indivíduo, que carrega pequenos objectivos, pequenas e nem vontades, algumas amarguras e infantis desejos, que nem nascem às vezes, fazem mais, como as bolhas, vaporosas, dolentes sem sair da superfície em que se encontram, uma meia intenção, nem meia intenção, um plof, só um plof.

O Puzzle que lhe aparecera na infância, esse estranho aparente não encaixar da razão com uma certa emoção, ou de como essa certa emoção lhe fazia perder a razão, sem que contudo a perdesse, ou perderia?

Quando se zanga perde-se a razão
Como é que se pode perder a razão, por estar zangado, retorquia
São duas coisas distintas, às vezes, só nos zangamos, porque temos razão
Sim, percebo-te mas a razão é um negócio
Um negócio?

Um acordo, um negócio, que eu faço entre as partes que se apresentam, que eu medeio com a minha Razão, sou eu a medir, a averiguar com peso conta e medida, e se tal acontece, com Outro ao lado, Razão só É, se se tornar por acordo, a razão dos dois, que frutifica então, a Vontade comum.

Parece então, que se, a razão serve a cada qual, também não serve, só para um, pois pouco com ela poderá fazer, se não tiver lá dentro a Certa Emoção, aquela que acerta as coisas, põem as coisas certas. Pois quando é zanga, quando dois se zangam, não pode perdurar ou nascer o entendimento, a razão tornada comum.

E o menino, decidido como sabia bem ser, Stº Tomé de si mesmo, vendo para crer, lá foi experimentar aquilo, e curioso mesmo e sem piada nenhuma, foi verificar, cada vez que mesmo tendo razão, quando com outro se zangava, de imediato a perdia, deixava de servir para dois, só para si.

Parecera-lhe em jeito de conclusão provisória, como todas as conclusões devem ser, pois as conclusões que tendem a tornar-se definitivas, dizia em seu ver, morriam, deixavam de funcionar no mundo, não serviam mais para a nossa compreensão dele, pois a Vida era contínua mudança, movimento e nada resiste a Ela, nem as conclusões.

Que então

Uma coisa era a sua Vontade e a Razão em que a Apoiava e outra coisa
A Vontade e a Razão de um Outro

Que o Objectivo seria tornar a Vontade Comum, pois assim se Fazia Aparecer a Harmonia

A Vontade era a Vontade do Encontro, do Encontrar da Visão Unificada, da Visão que Unifica, que Faz e Vivifica o Comum, o Entendimento das Coisas, Dos e Entre os Seres, o Ser, e que a Razão era a forma de medir o Mundo e a Vida, que lhe confirmava pela sua própria existência, pela forma com que o fazia viver, como se tornava ele próprio, essa Razão, essa mesma vontade de Unir, e a Existência dessa União.


A Razão era assim a Vontade que se manifestava como transcendente do eu e do tu, que os trazia para junto, força que os Unia, força Integrativa do Amor, pois essa é a Força que assim Opera. A Vontade era a Vontade que vem do saber, do viver, do presenciar dessa Força Inteligente, que assim a Vontade assumia como Lei, principio das coisas, o fazer das coisas, o porque, se fazem as coisas. Razão, Vontade, naturezas múltiplas, intercambiáveis, como todas as coisas, e Unas, Também.


Que por debaixo da vontade e da razão se moviam coisas poderosíssimas, que dão pelo nome de emoções, que estruturavam sentimentos, que participavam, na razão e na Vontade, que por vezes tendiam a fazer abalar a Vontade, de uma forma que às vezes até parecia determinar os eventos a que chamávamos, exteriores.

E que eu seu ver, seria então de toda conveniência, averiguar a profunda e verdadeira natureza das coisas, que possuíam também e sempre, uma expressão externa, como gostava de acrescentar. Averiguar o que a esse nível profundo do seu ser, tanto por vezes, influenciava sua Vontade, não a deixava alcançar, fazia atrapalhar, por vezes tropeçar.


Oh Poderosa emoção
Quem és Tu
Que Às Vezes
Me Tiras da Razão

Oh Poderosa emoção
Existem Duas Razões
Em Dois
Eu Sei
E Contudo
Uma É Só
A Razão
A Razão
Do Amor

Mas Esta
A Razão

É Um
Encontro
Interior
Que Se
Faz
Que
Então
Acontece

A Razão
Então
Se Torna
A Razão
Do Dois
Do Três
Do Todo


Fala Então
Emoção

Eu sou o medo
Eu sou
O Que
A Diferença
Assusta
O Que Não
Aceito
A Diferença
O Outro
Que Não
Vejo
Que
O Diferente
É Também
Igual
Eu sou
O Que
Trás
O Medo
Dentro
De
Si


Eu sou o medo
Do Desconhecido
Pois o Desconhecido
Neste Mundo
É Visto Como
Inimigo
Outro é Seu
Verdadeiro
Nome
Ignorância

Eu sou o Medo
De perder
A Vida
O Lugar
O Pão
As Convicções
Emprestadas


Eu Sou O Medo
Que o Medo
Do Mundo
Me Fez
Pois Armado
Eu Sempre Vivi



Não
Tu És
Aquele Que
Não Vive
Pois Armado
Não Se Vive
Combate-se


E Depois
A Verdadeira
Armadura
Aquela
Que não causa
Danos
Em Mim
E em Ti

É
O Amor
A Paz
A Não
Armadura

A
Não
Arma
Dura


Não a Guerra
E o Guerrear
Que Assim
Sendo
Te Tornas

Eu Sou
O Que
Levou
O Que
Não Foi
Beijado
Eu Sou
O Que Foi
Abusado
Violentado
Ignorado

Assim
Conhecendo
O Conhecido
O Desconhecido
O Assim o Fiz
Como irmão
Pois o Que
Conheci
Chegou de Pau
Na mão
Para me Bater


Eu Sou
O Que Sofre
O Sofrer
Que
Tanto
Sofre

Eu Sou
O Que Não
Foi Amado
O Que Não
Sabe Amar

Eu Sou
O Que
Quero
A
Paz
E
O Medo
Que Trás
Que Faz
As Guerras

Eu Sou
O Que
Quer
Seu Pedaço
De Terra
De Direito
Só Seu
A Sua Casa
O Seu Sustento
O Sustento
De Seus Filhos
Eu Sou
O Que Quero
Viver

Eu Sou
O Que Sendo
Tenho Medo
De Ser
E Assim
Sou
O Que Não Sou
E Assim
O Mesmo
Contigo
É

Porque Tu
O Que sendo
Tens Medo
De Ser
E Assim
Te Tornas
Aquele
Que
Não
És


Oh Irmão
Que Nada
É Sozinho
Tudo
É
Inteiro
Preciso
De Ti
No
Ser
Para
Ser
Inteiro

As
Armaduras
Os Ardores
Que Levamos
Os Odores
Que Cheiramos
Não São
Das Rosas
A Vida
A Florescer

E

A Armadura
È Uma Armadura
E
Eu Sou Eu
E Tu És Tu

Não Sou Eu
Nem Tu
A Armadura
A
Arma
Dura


Fala Emoção

Eu Sou
A Cólera
A Raiva

Eu Sou
A Seta
Lançada
Que
No Âmago
Do Ser

Se
Espeta

Que
Faz Vibrar
O Núcleo
Do Ser
No Mais
Profundo
Interno
Me Faz
Dizer
O Não
Que
Então
Não
Se Torna
Que
De Mim
Faz
Não


Mas Eu
Quero
Ser
O
Sim


Eu Sou
A Seta
Lançada
Que
No Âmago
Do Ser
Se Crava

A Seta
Rápida
A Seta
Mais
Violenta

A Seta
Que Rasga
A Seta
Súbita
Dor
A Carne
Rasgada
A Pedra
Na Mão
A Espada
Afiada

Mas Eu
Sou
Sim

O
Inteiro
O
Não
Rasgado
A
Cola
O
Que
Cola
E
O
Colar


Fala Emoção

A Seta
Do
Maior
Desdém
Do
Maior
Desprezo
A Seta
Cega
De Quem
Já Não Vê
Aquilo
Que É
E Será
Sempre
Igual

Um Mesmo
Dois

Pois
Arqueiro
E Alvo
São Dois
E Um
Não
Existe
Sem
Outro

Da Mesma
Forma
Arqueiro
E Alvo
São
Sempre
Três
Pois Algo
Em Eles
Que Não
É Só
Eles
Os Pôs
Em Relação

Um Arqueiro
Em Cólera
Cego
Procura o Alvo

O Alvo
Reflecte
A Vontade
Do Arqueiro
Pois
Se o Arqueiro
Não Procurasse
Não Existiria
Alvo

O Arqueiro
Reflecte
O Alvo
Pois
Se o Alvo
Não Existisse
O Arqueiro
Também Não

Arqueiro
E Alvo
Dois
Em Um
Em Três

O Arqueiro
Em Cólera
Dispara
E Como
Sempre
Acerta
Também em Si
E Fora de Si



Oh eu Sou o
Arqueiro
Do Amor
Da Beleza
Do Belo
Da Alegria
As Minhas
Setas
Não São
Setas
Dessas
Não

Minhas Setas
Não Perfuram
Não Rasgam
A Carne
Amamentam
Alimentam
A Vida
E o Sangue

Minha Setas
Não São
Minhas Setas
São Setas
Do Próprio
Amor

De Mim
A Inclinação
Da Mão
Que A Outra
Segura
Para
O Amor
Para
A Paz
Para
A
Alegria
Alegria



Bem alto lhe cobrara até então o Mundo e seus Pares, esta sua liberdade conseguida, que assim, por vezes, alguns diziam que assim a viam, mesmo todos sabendo que a liberdade quem a mede é o próprio, ninguém outro, poderá fazer sobre isso, julgamento.

Era alvo de inveja, como quem gritava um pedido de socorro, mas que pedia ajuda com uma espada cortante na mão.

Como é que Aquele tem aquela liberdade de viver, de agir e eu aqui espartilhado numa realidade sem horizontes, e contudo nenhum outro Homem saberá do preço, com que ele a pagou e continua a pagar, pois nenhum homem pode, só por si mesmo, pôr-se totalmente dentro de outro homem.

Mas sentia-se o Homem livre dentro de si neste momento da sua vida, no final da sua Infância e o rito de passagem sem saber para onde o levaria, antes de lá chegar. Não o Homem não conseguia dentro de si uma resposta linear a esta questão, um sim ou não, pois o homem já sabia como o infante soubera, que as coisas não se apresentam assim, mas sentia-se insatisfeito, preso a algo que lhe importava descobrir, para então fazer as contas que se apresentassem e ala, que já se faz tarde neste andor de uma certa dor.

Infante soubera, que a inveja é uma dor, por não saber resolver o que causa a dor, pois fora diversas vezes invejado.

A Inveja é uma dor, da família das dores raivosas, pois despoleta com frequência esta emoção violenta, a raiva, que pode até originar violência física e contudo é um pedido de ajuda que lá está, porque quem assim sente, está no fundo a desejar o mesmo, ele quer ou pensa querer, um mesmo querer.

Aqui a porca tem que torcer um primeiro rabo, pois se há dois haverá sempre dois quereres, que podem ser concordantes ou não, mas que são simultaneamente tão diferenciados entre si, naquilo que lhes é único, que esta generalização, como forma de entender a realidade, revela-se na mais das vezes, problemática ou originadora de problemas.

Parte-se para o desconhecido, o outro, pensando e convencidos que já o conhecemos, que já o topamos, que já o enfiamos previamente, em todas as nossas caixinhas, catálogos a preto e branco e a cores, etiquetas, códigos de barra. Em vez da abertura, da curiosidade de ver o que a vida nos trás, não, o fechar, o fazê-la pequenina e assim do tamanho das caixinhas que fazemos, nos vamos tornando.
mexeu-se um bocadinho o texto anterior...hehehe

sábado, junho 19, 2004

Perdoem-me todos aqueles que me amam, que eu sei que são muitos, mas há dias e noites assim.

Mãe e Pai, Guia-me, que eu por Ti, só me quero deixar guiar

Escrevera recentemente o homem sobre o Amor e aqueles múltiplos espelhos que o imitam sem nunca o serem, relembrando a si e aos outros, que basta ousar, e quando o ousado consigo vem ter, é ele mesmo, que o deita fora.

Perdoa-me Pai, quando essa Imensa Luz, Esse Imenso Amor, Essa Teia Invisível Que tem como Nome Bondade, é por mim mesmo de alguma forma como que perdida, pois bem sei que nada se perde, sou sou eu a sentir

Oh noites em que Senhora da Solidão me acompanha, mesmo quando caminho no meio de vós, pois sabe e afirma a Senhora, que não há solidão mais chegada, que no meio da multidão.

Sei que então deveria ficar em casa, mas se soubésseis, como um só breve sorriso, um olhar, uma pequena conversa, um toque não intencional dos corpos, se torna tão precioso, como pétalas que me agarram à vida, nas vezes em que nela pareço não estar.

Depois falara com seus Irmãos Pássaros, para levar seu pedido de perdão a todos os que o amavam, acrescentando, que ousassem sempre, e que quando assim o vissem, lhe chegassem muito doce e de mansinho, devagarinho, pois nesses momentos era ele, a própria fragilidade, que se assim se chegassem, seu coração de mansinho se serenava.

Oh Senhora da Solidão
Porque Me tomas
Em Teus Braços

Oh Senhora da Solidão
Porque Me Mostras
O Silêncio



Oh minha amada, se soubesses as vezes que o Amor não me deixou e o quanto então doeu. Chegar, entrar e ver muitos belos seres, disponíveis, sorrindo a abertura que o Amor não É.

Oh minha amada, se soubesses como tudo aquilo me perturbava, meus olhos no chão, o passo e acção estacada, perante tamanha beleza, tanto aparente desejar, tão perturbador, que me tolhia inteiro, pois se a beleza é expressão do Amor, não é o Amor só, essa mesma beleza.

Oh minha amada, se souberes como eu sei que o Amor não se colhe, nem mesmo oferecido, quando dessa maneira, se não oferece

Oh minha amada, se souberes como eu sei que o Amor, não se inventa, não é abertura porque é o Aberto

Oh minha amada, se soubesses, o ódio que eu na cara do meu irmão vi, por não colher, o que não se pode colher. Ódios de violência, funda, pesada e perigosa violência. Como eles não o percebiam e como eles assim me castigavam

Oh minha amada, se soubesses a mortal inveja que em seus olhos do coração, eu vi, quase dispostos por uma raiva imensa a tirar-me de meu corpo e porem lá seu espírito.


Oh minha amada, se soubesses às vezes que eu chorei, ao ver a multidão dos nossos jovens a fenecer, tão ao Lado do Imenso Mar de Amor, numa teia de encenação de estar montada, palco de uma imensa solidão, que a pouco e gratificante lado, leva.



Talvez então
O Aberto
Nos
Encontre
Nos Faça
Encontrar

Vem Doce
Com
Aquele
Olhar
Que
Eu Olharei
E Nele
Me
Reconhecerei

Vem
Dizendo
Afirmando
Que Sabes
Quem És
Quem
Eu
Sou

Finos Brocados
Entrelaçados
Cantantes
Versos
De
Promessas
De
Amor


Tu Que
Sabes
Quem
Sou
Eu
Que
Não
Mais
Me
Conheço


Deixa-me
Então fazer
Ninho
Em Ti
Deixa-me
Oferecer-te
Meu
Ninho

Cálidos
Fundos
Segredos
Secretos
Doces
Juras
De
Amor
Ternuras
Mil
Amor
De
Um

Vem
Livre
Como
Eu
Sou

Que
Eu
Fico
Livre
Como
Tu És

Pois
Livre
É
O
Amor


Minha
Amada
Chega
Feiticeira
Paixão
Sangue
Quente
Finos
E
Elegantes
Brocados
Vaso
Cheio
Da
Boa
Vontade

Quentes
Desejos
Desejados
Quentes
Doces
Afagos
Alados
Amplexos
Bolinhas
De Boa
Disposição
Alegria
Vertical
A Evaporar

E Se
Minha Amada
Trouxeres
Em Teu Peito
Um Certo
Jeito
Do Amor
Universal
Do Certo
País
Minha
Mais
Amada
Serás


O Amor
Em Seus
Braços
Eternos
Seremos

Amor
Seremos
Arquitectos
Servidores
Amor

E Rotas
De Amor
Serão
Então
Desenhadas

Pois
Falarás
De
Sabedorias
Antigas
Que
Trazes
Em
Teu
Peito





O Homem revia de novo as suas notas, lia o que escrevera,

A Minha Posição ao longo da estrada que me conduz hoje aqui a esta escrita
É de Pretender Ser um Homem Livre, livre na Consciência e no Agir, que creio ser Consonantes com Abril que Abriu as Aguas mil de todos os sonhos cumpridos, ainda por cumprir e ainda por de novo sonhar.

Convém talvez recordar que os sonhos não só são daqueles que se colocam à esquerda de uma qualquer linha imaginária no espaço de um hemiciclo, também são dos que se colocam noutro lugar dessa mesma imaginada linha. E contudo a realidade a mim, parece-me mais uma laranja inteira, que meia.

Um hemiciclo é assim como que uma figura geométrica, que saem como todas as pelo homem construídas, das cabeças dos que as pensam e equacionam, sendo bom não esquecer que os homens pensam como o que sabem e simultaneamente com o que não sabem, poucos são aqueles capazes de pensar no ainda impensado, ter do caminho a visão prospectiva do futuro, ah saudades do futuro, grafou um Poeta de Portugal, sabendo que ela se funda no Ido.

Recorda-se o homem do espanto que o assolou, quando pela primeira vez se dera conta que mesmo na assembleia da república, os homens se sentavam no espaço de acordo com a posição em que se colocavam nesse eixo imaginário no plano politico e da ideologia. Até na forma de sentar, aquilo era levado a sério, muito a sério. Mas era um sério também a brincar, pois se o ponto de vista escolhido para imaginar esse eixo que traçava a perpendicular à meia lua, fosse outro, aquilo resultaria na inversão das direcções.

O homem olhava aquela arquitectura do semi-círculo, das bancadas ascendentes, e do ponto central da sala, representante do poder. Os Homens subiam, ficavam de cima, para outros Homens, a falar e por baixo daqueles que conduziam os assuntos, detinham a lei, e sua execução, dentro daquela casa. Por debaixo dos que falavam em tribuna, ficavam aqueles que governavam.

O homem recordava de outras estruturas, outras forma de organização do espaço em tempos idos e actuais e mentalmente comparava-as. Havia uma que ele sempre preferira, pois se apresentara em terna infância, a dos cavaleiros e a mesa redonda, onde todos os que se sentam e o próprio sentar prefigura o círculo e o seu completar, onde cada um é um centro, que sabe dentro de si mesmo, que o é, não necessita de elevações da arquitectura humana, para o ser, pois dentro de si não reside a imposição, mas sim o Amor.

o homem sabia que formas, espaço e tempo, estão sempre entre si relaciondos, condicionam as formas de os homens serem, desde o tamanho da cama onde se deitam, às formas de organizar o trabalho, às formas de viverem uns com os outros. Geralmente bastava olhá-las para perceber o que percebiam os homens, dos seus medos,seus desejos,seus problemas.



...


E a visão prospectiva do futuro é cada vez mais urgente por três razões

Aceleração do Saber
Novos Espaços e Formas
Interacção Global

Ainda no dia 26 de Maio no Canal 2, Uma Senhora Em Luta Empenhada, por Isso Bem-haja, comentava o mesmo. 700 Crianças portuguesas desaparecidas no ano passado, um taxa de crescimento dos últimos três anos aterradora sobretudo se confrontada com a diminuição de recuperações.
Disse Ela, que eles, os raptores andavam a nossa frente.

...

Dir-me-ão, que Os Sonhos De Abril, só foram sonhados por metade, ou mais que metade, ou menos que metade, que importa o número, pois em matéria do limite da liberdade, a liberdade individual, bastaria mesmo ser só um que sonhasse um outro, ou então uma outra versão de um mesmo sonho, não é?

Dir-me-ão, que há, quem nunca os Sonhou, mas se eu compreendo o espírito que desceu em Portugal em Abril de 74, seria em primeira instância o que garante que cada um poderia Sonhar e sobretudo que cada um poderia Sonhar o que quereria, dentro das regras da sã cordialidade entre Sonhos.

E depois falemos um pouco de Sonhos, do que Sonhar

O Espírito de Abril, não foi interpretado pelos partidos políticos, foi feito por militares sendo que alguns teriam ligações a diferentes partidos que se encontravam na clandestinidade, pois sabido era, que naquele tampo anterior, alguns Homens não podiam exercer a sua Liberdade de Consciência, sendo que Alguns Deles pagaram essa Luta com a sua própria Vida.

Interpretaram os Homens o Sonho do Espírito Pois Assim É que o Espírito Acontece e Desce na Terra e Encarna-se nos Homens e Determina suas Acções.

É um bocado como a formação das nuvens e agua que cai do Céu, a Chuva. Condensam-se os Sonhos e as Dores no Momento Sentidas, e Quando muitas gotas se evaporam por um instante ao céu, Juntinhas, acordam Um novo Sonho maior que as Partes que o Sonharam.

Depois chega a Chuva que cai de Novo sobre os Sonhos dos Homens, Uma gotinha só, que vem da nuvem, que molha cada Homem, e que trás um secreto aos olhos dos Homens Acordo, e Assim cada Um homem, que quer sempre dizer, os suficientes, se Acorda dentro de Si, a Consciência e a Acção e de repente repara que o mesmo se passa com um seu Irmão, e então juntando as Vontades, os Corpos e os Passos a o movimento, Faz-se, e o Mundo dá Então um pinote.

Ás vezes figura-se na Consciência, como Um Basta, não violento mas Afirmativo Quanto O Baste.

Sobre o Tempo e o custo dos Sonhos cabe ainda dizer, que A Interpretação, que corresponde ao Movimento que despoleta a Acção Incerta, até Chegar ao Novo Porto Seguro, ou que se começa a tornar seguro, como quem segura uma criança, é por assim dizer, a Substanciação do Espírito, a sua corporificação na matéria, pois é ali que Ele então Actua.

A Interpretação parece ser então um momento, Expressa-se na matéria a partir dum dado momento do tempo, mas se atender-mos bem, o caldinho da sua formação é grande e antigo, e está cheio de ingredientes que já vêm de muito atrás, diria mesmo do princípio do tempo do mundo.

Assim em 1974 estariam no Ar da Condensação dos Sonhos, Todo o somatório das dores que vinham de trás, da imensa tristeza dos que sofreram, das guerras, das perseguições de Homens a Homens, De tudo o que não Era Fraternidade Entre Irmãos.

Recordo-me por volta dos finais de 60, ter visto com oito anos seria, as primeiras Imagens de Miséria do Mundo ao Longe.

Foi A fome do Biafra, consequência de uma guerra, e a Imagem daqueles meninos muito magrinhos, com a pele colada aos ossos todos, eram crianças esqueletos com umas barrigas estranhamente dilatadas.

Da Imagem da Alma ficou-me gravado a ferro em menino que eu era, a imensa tristeza e dor que vi em suas caras, pois aqueles meninos eram iguais a mim, na forma que então me via, e menino fiquei pela primeira vez com a Consciência que no Mundo noutro Lugar do Mesmo Uno e Redondo que a escolinha já assim mo ensinara, algo de muito mal se passava.

Foi a Televisão que me Trouxe Esta Imagem, num tempo em que ela própria principiava, o que lhe relembrava, que tudo é comunicação, pois qualquer sistema organizado é uma permanente comunicação, um permanente Acto de Comunicação, um Processo de Comunicar, em curso.

E se problemas Há, eles terão então que residir nos Processos de Comunicação e nos seus Intérpretes e de como a questão Nuclear de Hoje é a mesma de sempre, a Comunicação e é ai que se deve buscar pistas para perceber o mundo onde nos encontramos e mais do que isso criar a necessária antecipação do Amor, Fazer Prevalecer o Belo e não o Terror.

sexta-feira, junho 18, 2004

O homem na praia pensava naquele número que ouvira, como resposta externa ao seu próprio pensar e pesava o seu conhecimento, o conhecimento de que dele tinha.

70.000, era um número familiar, pois correspondia a uma média constante de pessoas que viam as séries que tinha feito. Uma média constante, era um número constante e o que era aparentemente intrigante, era ter reparado que esse número médio, se mantinha constante, independentemente da faixa etária a que a comunicação se destinava.

Ou as pessoas, umas mesmas cresciam muito depressa, ao ritmo dos programas que tinha feito, coisa impossível, ou então, aquilo apontaria para uma outra interpretação, um eco, que tinha um sempre mesmo tamanho, independentemente do grupo de idades que os via.

O homem também sabia das dúvidas que tinha relativas às médias, às estatísticas, que operavam reduzindo as pessoa a uma média, uma regularização da vida, se assim se pudesse dizer, que para ele se manifestava sempre, como estado excepcional, feita só de excepções, visto que cada ser lhe aparecia como distinto, excepcional, nessa identidade única e também, numa outra maneira, igual.

O homem por seus estudos sabia, por cálculo, que esse número, relativo ao seu País deveria ser um bocadinho maior, 200 a 300 mil, mas isso era só seu cálculo, pois o número que ouvira reduzira-lhe esse universo e remetia por semelhança para uma medição de impacto do que andara a fazer em mais de vinte anos de actividade.

Medição de impacto, sorria homem ao seu próprio saber destas matérias, sorria agradecendo à Vida as múltiplas indicações que em seu caminho lhe revelara sobre estes assuntos.

O homem recordava uma conversa com outro homem a quem ele tratara por Mestre, Lima de Freitas que lhe disse um dia

Na segunda guerra mundial, no pacífico os japoneses, fizeram um elevado número de prisioneiros aliados, cerca de 50 mil. Levaram-nos para uma ilha, meteram-nos num cercado como animais e ficaram a olhá-los durante três dias, ao fim dos quais separaram cinco mil.

Os restantes 45 mil, praticamente podiam andar à solta nessa ilha, não dando problemas de maior, e os japoneses dessa forma inteligente tinham sabido reduzir drasticamente o número de homens e meios que seriam necessários para os guardar.

Sentados na colina defronte, os japoneses limitaram-se a identificar aqueles, que formavam as rodas de homens, que organizavam coisas, que faziam mexer os outros.
Tinham tirado a cabeça e o corpo se tornara assim amorfo, incapaz de direcção e movimento próprio.

Um saber antigo, que nos fala de elites e dos comportamentos da massa humana, que Mestre Lima de Freitas apresentava como a regra dos 5%.


Mas também sabia o homem em seu ver, que no tempo de hoje, fruto do tempo que passou e da forma como a vida e a transmissão do saber, nesse entretêm evoluiu, que nem era necessário cinco por cento. Seus cálculos apontavam-lhe para um valor entre os dois e três por cada cento de homens.

Pensava o homem dentro de si, se as elites sempre existiram, onde estão elas, como é a sua participação no modelo de gestão da casa democrática. E aqui a porca tornava a começar a torcer um rabo, que era a sua consciência de que a maior parte dos seres que componham essa mesma elite, não se encontravam no por assim dizer, espaço político de intervenção organizada, pois tinham sérias dúvidas da operatividade do modelo, tal como se apresentava.

Sabia o homem, que ao limite essas mesmas elites não eram atreitas a formarem grandes grupos, pois a sua individualização, já a isso lhes apontara, não o fazer, como método privilegiado. E contudo eles existiam, aí estavam em seu País, nos locais onde moravam, onde estudavam e onde trabalhavam e todas as características que de alguma maneira os fazia su generis, actuavam no redor, nos locais onde estavam, inspirando os outros a seu lado. Vivos e actuantes.

A equação seria então, de que forma o poder politico, seus órgãos, poderão facilitar e potenciar seus desempenhos, suas vontades, num quadro organizacional, onde eles geralmente não se encontram e que também não os contempla.

Como reunir estas vontades, de que forma reunir esta imensa força, e torná-la alavanca do devir.

O homem sabia que estes seres estavam vivos, naquele preciso momento do seu País, sabia dentro de si mesmo, que havia uma força para navegar, mas que o sistema político não permitia essa mesma navegação, também dizia o homem, que era por ali que passava a solução.


O homem recordava dentro de si uma das questões que muito se discutia nos tempos a seguir a Abril. Quem é que fazia a história, se as massas, ou mais, seres individuais, certos seres individuais, que tinham, ou melhor assumiam, por assim dizer papéis determinantes na sua evolução.

O homem recorda que sempre tivera alguma dificuldade em explicar o seu ponto de vista sobre esta matéria, pois para ele eram mais os seres individuais, numa relação colectiva, com um Todo que os participava, nos qual todos nós participávamos.

Também se recorda de saber por alguém que vivera há muito tempo atrás, que terá dito em seu tempo, que naquele preciso momento do tempo calculava que seriam três ou quatro, os que assim existiam na terra.

Ficara o homem desde o momento que o soubera, a pensar, se as distâncias do mundo eram maiores, se o tempo que as coisas precisavam para atravessar as distâncias e chegar, era maior, como é que ele o poderia saber e tê-lo dito e subiu-lhe à memória, um outro dos ditos atribuídos, que Ele, costumava aparecer mais facilmente quando dois ou três se reuniam em busca de seu nome.

No seu caderno o homem escrevia um breve retrato, honrando um Homem a quem outrora chamara Mestre, Lima de Freitas, sua graça.

Oh, aquele franzino ser, quando com ele caminhava pelas ruas, pelos cafés, como tudo se Iluminava, como todo se fazia claro e preenchido por quentes emoções de Amor, seus olhos faiscavam as fagulhas da inteligência, sempre a sorrirem, bem-humorado, com boa disposição daquele que se torna contagiante

Muito amado e querido saudoso Mestre Lima de Freitas, Homem de faces mil, pensador, escritor, pintor, fazedor de símbolos, homem de ciência e visão, de Vida Esférica, que a praticou e viveu como o Todo que Ela Verdadeiramente É, Homem de uma Imensa e Infinita Bondade e Ternura, no Andar e no Trato com os Homens.

Homem da imaginação e do imaginar, activo e activante, de outros Mundos Visionários, ou Mundos Imaginários, onde entrava e saia como em sua casa, como bem reflectem as superfícies e profundidades de seus quadros. Homem da Geometria, da matemática, que transportava, estudou, aprofundou e publicou a herança da exploração numérica, da divina proporção, do 515, que Almada começara na sua aventura pitagórica, tudo sempre vindo mais bem de trás, do Painel de S. Vicente e do peculiar quadro Português, Ecce homo.

Homem que organizou o primeiro congresso mundial da transdisciplinariedade, que decorreu no convento da Arrábida, e que trouxe até ao nosso país um conjunto de sábios que eram como ele, amigos, que vieram de todos os lados.

Recorda um dos seus últimos encontro com ele, telefonara-lhe súbito, cheio de uma urgência interna, também relativa ao que então se passava em seu País, confessara-lhe meio perdido na sua agitação, as preocupações que lhe traziam o peito apertado, e voltando-se para ele perguntara-lhe, Mestre, o que se Faz?

E o Mestre vendo toda aquela agitação, interrompera a pintura dos seus azulejos, saíra com ele para fora do atelier, e mostrando a paisagem no outro lado do rio, começara a indicar-lhe as direcções das coisas ao longe, ali Palmela, ali o Atlântico, ali o…

Singela lição que nem lição o era, como era seu feitio, mostrava-lhe com infinita ternura e disponibilidade, que ele sabia orientar-se, saberia orientar, descobrir o que fazer.

Quando nessa tarde dele se despediu, disse-lhe uma coisa o Mestre que lhe ficou a ressoar, curioso, ainda ontem, apareceu um outro com as mesmas questões. Vendo que não era intenção do Mestre mais dizer sobre tal matéria, enterrei a minha curiosidade, de saber, quem seria.

Aquele Homem tanto dava, sem se preocupar com qualquer cálculo, um dar desinteressado, um dar de Amor, um Ser de Amor e Toda a Vida com ele Cantava em Seu Caminhar

A Vida Era Pródiga com ele, trazendo-lhe as mais belas coisas, embalando-o nos mais variados odores, sabores, saberes e calores, na mais das vezes, Mestres, conhecidos e outros não, tinha a Vida Com ele Feito Cruzarem-se, e Todos Eles, pois São Assim os Mestres, Tinham tocado seu coração, em seu espírito, cada um deles trouxera-lhe finas pérolas e rendas, que lhe deixaram em seu colo para toda a Eternidade. Amor, Actos de Amor, como as cartas de Amor.

E hoje no ponto da idade em que se encontra o homem na noite ao luar, na sua praia de mar preto e prateado à luz da Lua Cheia no Céu, correlaciona, encaixa o que sabe, vê o porquê das coisas terem acontecido assim de uma única maneira, Vê o que a Vida Lhe Disse e Lhe Diz e deseja ser o que sempre foi, exercer sua acção, dar seu contributo em Paz, andar nos braços do Amor, fazer da Alegria sua companheira.

O homem olha tudo o que sabe sobre as formas como os homens entre eles se organizam e vê nessas mesmas formas, nessas maneiras de se organizarem, nas estruturas que para tal fim concebem, as emanações do próprio olhar dos homens, que revelam um ponto de visto aceite como dominante, simétrico, ao que se convencionou chamar de real comum, e assim tornado, a todos como comum.

O homem vê as formas, os modelos dominantes que se encontram em representação, a actuar nos dias, um após o outro, sempre como eles são, e vê como no final desta era, essas estruturas de alguma forma, não são capazes de responder mais, e vê também as novas, que já existem e emergência de novas formas, aquelas que ele vê afirmar.

O homem sabe também que são nas formas que se configura o poder, seu uso, sua forma de usar, a sua eficácia e que formas resultam e são, olhares, formas de estar e trabalhar, de viver, de ser, espaço e tempo.

Em seu pensar, basicamente assiste-se a uma mudança no eixo dominante a vertical mediana que abre em cone para a base, para um eixo horizontal, com nítida alteração do espaço e tempo.

Depois lembrando-se do enunciado comunicante entre as partes, a que está em cima e a que está em baixo, via aqueles milhões de pontinhos que lado a lado formavam uma linha horizontal ao nível da terra, pois era lá que tinham seus pés, permeado por uma força que actuava de duas formas em duas direcções, pois se uma das suas direcções era horizontal, por cima de cada um desses pontinhos, são hoje visíveis, pequenos filamentos verticais.

Se pensasse a antiga dominante, via-a como uma espécie de cruz invertida, envolta por um cone, e o que se passava agora, era como se a trave horizontal de uma cruz direita, como um homem direito, tivesse descido até à terra da sua fundação, pela sua vertical mediana.

Fechando seus olhos e sonhando a sua imaginação, via que a trave que prendera os braços do crucificado descera, por assim dizer pela acção humana, que Cristo, aquele que por todos se sacrificara, saia finalmente de sua cruz humana, deixara de estar crucificado, pois parara, nesse preciso instante, as razões que a tal levaram.

Aeon, Era, final desta Era, um final por muito calculado, datado, previsto, anunciado e contudo uma Era é como a Vida de um Homem, tem um nascimento e um respectivo desaparecimento, Um nascimento trás em si desde seu inicio o anúncio do seu desaparecimento, e depois se o tempo da vida de uma Era for como o tempo da vida de um homem, poderemos por analogia deduzir as coisas, que afectam a vida das Eras, da mesma maneira que a forma como um Homem vive afecta sua própria vida a forma da sua morte.

Eras estruturam-se em termos de ideias dominantes, e estão segundo os antigos dizem relacionadas com o movimento das planetas, dos astros celestes, com o plano Divino do Universo.

E se ideias são visões, comportamentos, acções, não será difícil perceber, por onde esta Era começou a desaparecer, o que a condena ao desaparecimento. É ver os problemas que se manifestaram e as suas respectivas naturezas.

E contudo hoje o tempo era o da cegueira, o da falta de visão pois os homens sentiam-se perdidos, já não sabiam mais ver e quando tal acontece, quando os homens assim andam na mudança de um Aeon, as coisas tendem a ser um bocadinho mais agitadas, mais complicadas.

O homem concordava com outros homens que o problema da perca da visão vinha de muito atrás, de Nicéia 787 e depois Constantinopla 868, onde se começou a despotenciar as imagens, a não vê-las mais como presença real do divino, reduzindo-as as imagens a representações, e alegorias, depontenciando assim também o papel da Alma, que possibilita o ver, aí terá começado a perda da visão que conduzia a cegueira de hoje. Criando a divisão, o hiato entre o numênico e o fenomenal

Muitos outros erros se fizeram, muito ofendido foi o Amor, assim como muito foi Amado. com o Amor se Amou, com o Fogo, a tortura se matou, pelo fogo o anátema fora também proferido, e agora em tempo recente, um pedido de perdão tinha sido apresentado.

Se bem que no seu entender, gostava de frisar a morte era mais uma coisa do domínio da ilusão.

Dizia então, Imagina um círculo, desenha um círculo num papel, traça-lhe um equador, e nos pontos em que ele toca o círculo, reforça dois traços pequenos, como se duas portas em alçado se tratassem.

Por uma das portas nasceste, vindo do espaço entre as duas, circulas o círculo da tua vida e sais pela porta oposta para o sítio de onde vieste e depois tornas a vir e a ir, até, o tempo sem mais tempo, onde o infinito se tornará finito, Acontecer.

quinta-feira, junho 17, 2004

Cheiro a torradas e Quinto Império
Ou seria
Cheiro a torradas do Quinto Império
Ou ainda pequeno-almoço do Quinto Império
Hoje Aqui no Mundo, aquele onde temos os pés.



Mãe, Pai, Filho metem a mesma única chave na porta do prédio.
Diz o Filho com tom de cavalinho relinchante e contente

Ah quero aquela torrada, vou comer aquela torrada.

O Hall de entrada estava perfumado com um irresistível cheiro a torradas daqueles cheiros que dá para saborear o sal da manteiga, naquele crocante suave e neutro que o pão então se torna por acção do fogo e do calor. O cheiro descia lá do céu da caixa aberta do antigo ascensor.

Pai e Mãe entreolham-se e sorriem
Na mútua compreensão daquela imagem do mundo direito

A vontade, a alegria do menino, seu querer e seu consonante decidido, sem sombra, agir

Bom se queres, vai pedir a quem a está a fazer, se te oferece um bocado, já ele ia subindo o lance de escadas para no primeiro andar o ouvir, Se Faz favor, defronte de uma porta fechada, donde ele cria sair o cheiro das torradas.

Quando chegamos ao nosso patamar, disse-lhe, sabes se calhar a Senhora, não te ouviu, estava na cozinha ao fundo ao fazer as torradas e assim lá foi eu fazer uma torrada para os dois, pois eu próprio tinha ficado com esse mesmo apetite

quarta-feira, junho 16, 2004

Que Fazer

O Que
Sempre
Fiz

Criar

Crio
De
Mim
Para
Te
Dar

Crio
Porque

Posso

Sei
Criar

Só Crio
Porque
Eu
Existo
E
Tu
Existes

Mas
Não
Sou

Eu
Que
Crio

Tudo
Cria
Tudo
Me
Cria


Minhas
Amarras
Velhas
Cortar

Aprontar
O Novo
Velejar

Saber
Como
Me Dar
Como
O Dar
Como
O Melhor
O Dar

À Luz
Do
Que
Sei
E
Não
Sei

Servir


Com
Todos
Com
Quem
Me
Encontrar


AMOR
AMOR
AMOR



O Homem na praia sentado, viveu já o fim da sua história no ponto onde hoje se encontra a Vida, a Vida que o Tem, a Sua Própria Vida, a sua Oportunidade de Realização.

Recorda no outro dia ter subido à Cidade que se deita no Mondego, Bela Coimbra que começou a conhecer num tempo em que ainda não existiam auto estradas e as estradas então passavam pelas próprias cidades. Princípio de uma Bela História de Amor que por diversas vezes lá o levava.

Local, onde Foi Vivido Outrora o Amor, Um Grande Amor com um Fim Trágico, na quintas das lágrimas, são chorados, onde outrora se Amaram, que ensombrou em seu ver, seu reino, que começou pelo Valor e por um Dote de Amor. Por isso sempre soubera que o Amor habitava seu país desde sempre, desde a sua Fundação, pois Foi Assim Fundado.

Recorda uma conversa que falava do uau da nossa vida, do anseio que todos temos por um uau na nossa vida e ficara a relembrar o que sobre estas matérias sabia, pois foram diversas, os uaus que lhe apareciam e que se os uaus que lhe apareciam, apareciam, a coisa não era só dele, era mais da Vida, que parecia nessas situações encenar uma resposta.

A Vida tinha tido muitos uaus e ele suspeitava que poderia ter muitos mais, mas qualquer coisa, de um certo uau capital, superior, que ela lhe transmitira mais no sentir do que nas palavras, lhe ficara a vibrar dentro de si quando voltava a sua cidade. Aquilo batia certo

Aquilo acordara-lhe memórias de sua diferenciação, ou, do seu disso sentir, mas se alguns já o tinham isso feito sentir, já o tinham feito sentir como diferente, de que o destino dele era diferenciado, aquilo na altura não lhe fizera muito sentido, pois não se conhecia, nesse tempo infante ainda a si e ao destino que lhe fora fadado

Fora na praia que lhe aparecera o seu final provisório, que por outro lado ele sabia ser definitivo, pois era por assim dizer, uma consciência daquilo que sempre soubera de si, daquilo que ele era, daquilo que o movia.

Expressava-se, expressara-se, por assim dizer, noutro nível da sua consciência. O homem dera a volta ao tempo e ao mundo e curiosamente a coisa começara a clarificar-se pelo seu fim. Coisa estranha, mas sabia ele que a Vida era muitas vezes assim que se lhe apresentava, muitas foram as vezes que as histórias, mesmo antes de serem histórias, já de alguma forma indicavam, evocavam, revelavam, seu fim

Fora Uma Jovem Mulher que lhe Trouxera a Chave, e ele por isso lhe estava reconhecido, alias, ela sem o saber, trouxera-lhe até mais de que uma, mas houve uma que remetia ao núcleo de si e da sua vida, já por diversas vezes lhe tinha saltado ao seu caminho, diversas vezes o caminho e os outros caminhantes, já o tinham confrontado com ela, e contudo a chave era na forma de uma pergunta, cuja resposta, ela e ele ficaram fieis depositários


Na areia desenhara-se na borda da rebentação e de seu pés, duas figuras, dois desenhos, lado a lado

Num desenho, sete anéis em círculo se dispunham

No outro desenho, sete anéis em círculo se dispunham

E a pergunta que trouxera a onda do mar que os desenhara, era, o que faz o Oitavo Anel, o Amor, O Poder do Amor, de Que forma se Põem com os Outros sete.

Num dos lados, o Oitavo se pôs ligando-se e ligando os Outro Sete, Assim se Unindo e Unindo os Anéis, sem os prender, sabendo que o que os liga, sempre os trás ligados, mesmo nos momentos em que disso parecem se esquecer.

No outro dos lados, o Oitavo se pôs de outra forma e veio o mar lambê-lo para mais não se ver.

Assim se passou com o homem em seu centro, no centro das imagens e com sua Bela Amiga Tágide Por Companhia.

Oh Bela Tágide, Eu Te Agradeço, Minha Porta Está Sempre Aberta Para Ti

Sabe o homem que esta história, como algumas outras se lhe apresentou com um fim, um fim que ele entendia provisório, pois o núcleo de seus escritos e as suas vivências, que lhe apareceram, não estava ainda concluídas, escritas, sentia dentro de si, até uma certa impaciência sua conhecida desde longa data, mas sabia, que mesmo quando assim sentia, só havia uma coisa a fazer, meter as mãos à obra, sendo a obra o que ia como tal aparecendo, pois sabia também outra coisa mais, essa impaciência, essa ânsia, só se resolvia assim.

O homem avaliava um sentido uno dentro daquilo, que lhe re confirmava o que sempre soubera, que por isso lhe validava a nova, antiga forma de andar, que sobre ela já tinha algumas ideias, mas precisava de um bocado mais de tempo, precisava de apurar aquela imensa sopa, com um certo açucarado.

E depois aquilo apresentara uma estrutura, da qual ele não queria fugir. Havia Retribuições e Honras a fazer, a diversos Mestres e outras coisas que tal.

E contudo estava como sempre preparado para a acção, pois a acção era basicamente a sua vida até então e continuaria a ser, só os planos de sua intervenção poderiam ser distintos, quanto distinto podia ser o plano de intervenção de um Homem.

O Homem basicamente sempre fora um Servidor. Uma das questões que trazia em si, ainda em Coimbra o confessara, era perceber de que melhor forma se podia por a jeito, para o fazer, qual a melhor forma de o fazer, pois o que hoje sabia de si mesmo, das suas qualidades, dos seus defeitos, das suas múltiplas competências, do seu saber, já lhe criara desde muito um impasse naquilo que se convenciona chamar de carreira, mas que ele gostava de designar por Criar.

O que trazia dentro de si era já muito maior, o que sabia, ultrapassava os domínios onde se expressara até então e aquilo criara-lhe um problema de aplicação, pois seu domínio, o espaço se estendera.

O Homem sabe de uma forma bastante aproximado quem é, sabe do que o move e o que o faz mover e como não é invisível, também outros o conhecem. E numa relação, como em tudo, é necessário que ela se estabeleça, mas o Homem até tem uma certa vergonha de isto assim dizer, pois parece-lhe que poderá ser interpretado como presunção, que ele não tem, nem trás em si e diz isto no seu único jeito humilde, olhando o chão, com os olhos no chão.

O Homem sabe que Pode Servir de formas que sejam mais actuantes no Mundo, no sentido de resolver os problemas de Todos, do Todo e acrescentava neste ponto, que não pode dizer em rigor que sabe, o que ele pode dizer em rigor e que sabe como saber, sabe como navegar, e quem está à sua volta, como ele próprio sabe de si mesmo, saberá avaliar as suas capacidades de navegação, pois essa demonstração não tem faltado.

O que o Homem poderá contribuir é para a criação de uma forma horizontal, que intervenha no real e resolva o que houver a resolver. E que nada disto, neste ponto especifico do seu dizer, se apresenta de carácter ou natureza metafísica, aquilo parece-lhe basicamente, coisas muito simples de fazer, é começar por um lado e ir até ao fim

É evidente que uma ideia desta natureza, corresponde a uma coisa que ainda não existe, mas que a existir, se moverá inevitavelmente no contexto político, aqui entendido em seu sentido mais lato, a gestão da casa, vista como coisa Una e Harmoniosamente Comunicante entre as partes.

E decorrente disso e da sua natureza, ela só terá sentido se acordado entre todas as partes e esta é a falha no seu plano, não depende só da sua Vontade.

E depois pensa o Homem, que não se pede a um Príncipe que peça, pois são os Reis que devem dar, mesmo que suas ambas naturezas, sejam na essência a mesma, Servir. É esse o Papel dos Pais e os Príncipes são geralmente filhos, não sendo contudo este seu caso.

Depois uma aventura desta natureza, necessita de todos dentro das naus, os Pais, os Filhos, Os Netos, os Avoengos e Igrejos de preferência também.

E contudo um príncipe só se torna príncipe quando é reconhecido por seus pares, pois uma missão desta natureza precisa de franquear todas as portas que se necessitar de abrir.

E depois é estranho, este príncipe, é assim uma espécie de anacoreta, mas foi o que se arranjou na lista, foi o que o menu trouxe, nada nesse campo, portanto, a fazer.

Talvez se assim acontecesse, lhe dessem de novo o forte que lhe deram no passado, na altura de umas determinadas invasões estrangeiras, pois recentemente soubera que seu último nome sobre o penúltimo se pusera, pois todos tratavam seu antepassado como o Fernandes do Forte, assim lhe nascera um Nome, num tempo Outrora. Quanto ao sangue sabia de cruzamentos vários, um dos quais com um certo Rei da Índia

Concluía o Homem depois de ler o que escrevera. Se os planos dos Homens tem por vezes falhas, tal felizmente não costuma acontecer com a Vida, e por tudo o que tinha reflectido, chegara a provisória impressão de que se calhar as coisas se apresentariam de uma outra maneira, pois maneira era também chamar de forma horizontal a uma forma que se definia também pelo reconhecimento de uma certa vertical.



Aquele Homem à noite ao luar, entre duas arvores, realizara no somatório da descida ao seu Interior, As Imagens da Alma do Mundo Que lhe Apareceram até esse momento da suas vida, As Imagens que se Tornaram Suas Imagens, e o Seu Ser, a Sua Vontade.

Depois descera de encontro à sua própria fonte, despira todos os seus fatos e deixara a agua correr, tirar-lhe todas as peles até ficar nu e assim reconhecer a sua original natureza, muitos anos lhe levara essa busca e agora, naquele momento ao luar, sob o marulhar, segredaram-lhe as ondas do gentil mar, tu És um Criador, Cria. Imagina o Querer, o Teu Querer e Cria, Constrói, Faz, Mostra o Fazer, Ensina a Fazer, Ajuda a Compor


Naquele diálogo mudo e nocturno respondia então o Homem à gentil onda do Mar
Sabes minha amiga onda que me sussurras as verdades eternas, o ir e o voltar, o tornar a ir e o tornar a voltar, isso sei-o desde muito cedo, que sou um criador, e que um criador cria, com o que tem, ou junta à mão, um criador cria com qualquer coisa, porque qualquer coisa para um criador é sempre um pedaço de uma mesma coisa, e por isso pode representá-la inteira.




terça-feira, junho 15, 2004

Que
Bela
Borboleta
Hoje
Eu
Vi

Diversas
Coloridas
Almas
Numa

Alma
Eu Vi

Entre
Elas e
A Pele
Fios
De Rosa
Paixão
A Surgir

Belo
Algo
Opaco
E
Triste
Seu
Olhar
Tinha

Contudo
Tão
Belo


Alma
Gazela
Ferida
Seria

De Costas
Se Sentou

Borboletas
Almas
Numa
Só Alma
A Olhar
Não Ficou


Oh Alma
De Costas
Volta-Te
Vem Cá
De Novo
À Minha
Mão

Mão
Na
Mão
Almas Em
Borboletas
A Esvoaçar
Ficaremos
Nos Braços
Do Amor
Pois
Mesmo
Não
Sabendo
O que É
Sempre
Assim
É

Oh, as narrações alheias, dadas pelo outros como num jogo de cartas por quem vê as cartas alheias, aproximações diagonais que nem são uma aproximação, ficam um simples esperar, eu estou aqui, para quê as cartas, para quê o jogar, se se pode ter o que se quiser e o que se alcançar, ou será porque não se sabe o que se quer. Ah se tal fosse o caso, então seria meu Amigo Amor…

doces narrações próprias e reservadas de Amor, cálidas promessas, fundos desejos, quando
o Amor é uma Paixão que me Consome em Abraços

segunda-feira, junho 14, 2004

O homem na praia pensa no que escreveu, sobre o encontro dos cinco meninos perdidos. Olha aquela frase que ouviu como resposta externa ao contexto do seu pensamento, e tenta entender o seu significado.

Recorda-se de outros significados simbólicos, escritos por irmãos seus, que mencionam, ainda que com variantes, a mesma ideia simbólica de um encontro entre seres, que juntos desempenham e poderão completar uma missão.

Uma imagem permanente, recorrente, eterna da existência e do existir, em cada fracção do tempo linear, de um potencial, uma possibilidade de se concretizar, que está sempre nos homens, que se encontram numa mesma fatia do tempo no mundo.

Ouvira o homem também nas mesmas circunstâncias um outro número. 70.000, seria um número crítico, um patamar, pensava ele com seus botões.

Serão os cinco, um núcleo espiritual, que ao encontrar-se e reunir-se, influenciará o redor?

Perguntava-se que ideia de influência mas tinha em si, desde muito, a resposta a esta questão.

E depois realizava, que ao dizer estas coisas a seus Irmãos, muitos eram os que se assustavam, ficavam com medo de ser uma nova ideia de elite, de um poder, que se sobreporia, inevitavelmente ao poder de todos.

E contudo sabe dentro de si e dentro de si o afirma, que os meninos perdidos

São Fieis de Amor
São Do Uno
Pelo Uno

O Seu Poder
Não É Seu
Seu Único
Poder
É
Servir

Seu Poder
Vem
Do Bem
Servir
Do Bem
Servido

Bem-Querer
Bem-Fazer
Todos
O Todo

Amor
Amado
Amor


Sabe também o homem dentro de si, que num outro plano, o simbolismo e as implicações desta história, passam-se num plano, por assim dizer, mais interno, mas mesmo que assim o seja também, os números referem-se a coisas, a ele externas.

São seres que vivem holisticamente e que por isso conseguem novos sincretismos.
Percebem e actuam os mecanismos do conhecer e dessa forma apresentam-se aos outros com saber inato, pois inato, costumava ele dizer, era o Saber da Semelhança, saber-se que de alguma maneira aquilo ou aquele que está defronte, é-me igual, que eu sou igual a ele, e isto é mesmo a raiz quadrada do entendimento, pois se de alguma forma sou-lhe idêntico, como o poderei não perceber, assim se dá o Saber que já é sabido. E quem sabe isto sabe tudo o que quiser saber. Possuem vivências e linguagens transdisciplinares.


Trazem em si, o olhar e o agir do menino, mesmo que aos olhares de outros, parecem por suas idades físicas, adultos. São seres que já deram uma grande volta ao mundo. Possuem uma inteligência, de inte-ligir, desenvolvida e uma energia emocional forte. São passíveis de serem identificados e reunidos de diversas maneiras, mas sabe também o homem, que mesmo conhecendo alguns, não tem as condições de os reunir.

O Homem na praia vê os diferente níveis de implicação da coisa, e sabe que tudo isto, todo este Ser, toda esta forma de Ser está igualmente dentro de cada Um dos Seus Irmãos, e sabe também por a Vida assim lhe ensinou que há uns que estão mais despertos de que outros e que também, todos podem ser despertados, todos podem despertar, todos despertarão, pois é esse o limite do Sonho que se sonha desde longo Ido no seu País.

O Homem nem sabe como comunicar isto, pois vê já alguns dos seus Irmãos a dizerem ao fundo, eu não te disse, o homem tem é um sonho de poder, de poder absoluto, de domínio sobre os outros, sempre se achou diferente dos outros, é pavão, é só pavonear.

Mas o que quer o Homem é dar parte do que acha que tem de ser dado parte. Pois o Homem recorda-se do seu Mestre Agostinho da Silva, na sua faceta, de uma que sempre foi, a de professor, a quem uma vez um regime pediu para assinar um papel a ele e a todos os outros professores do seu país, que fazia prometer que eles não viriam a integrar nenhuma organização secreta no futuro de suas vidas. E a contas de algumas como esta lá foi ele espairecer para o Brasil. Perdeu-o sem o Perder, Portugal.

Não terão sido muitos se é que foram alguns os que recusaram, mas Agostinho da Silva assim o fez, pois só podia, recusar, pois sabia que os homens, habitualmente não podem saber em rigor o que amanhã lhe reserva, nem o que eles se Tornam. Uma resposta certeira, do que poderia assim escrever, ética, aplicada projectivamente.

Sabe o homem que hoje o regime é muito mais complexo do que o do tempo de Agostinho da Silva. Realiza, que um projecto desta natureza, tem que ter um acordo entre todos e sabe também que local desta rota é nos interstícios daqueles que a compõem, sem nenhuma excepção, naquele local, onde o ver das partes, quebra o colado.

Dizia o homem que em seu entender os problemas mais urgentes, seria a salvaguarda das crianças, acabar com a fome no seu país e que o segundo campo de intervenção seria a justiça e depois a educação. Olhar as coisas, por as pessoas certas a falar, encontrar, acordar e implementar as soluções.

Sabe também que não é este grupo que vai implementar, pois para isso tem que ser reunidos e apoiados os que em cada área querem o bem-querer e o bem-fazer, pois não se trata só da elaboração de planos que efectivamente permitam navegar, mas de criar as energias para que isso se concretize, o que só se poderá fazer por reunião.

O homem vê também vir ao longe outros irmãos seus, que dizem, olha, eu não dizia, ele quer formar um novo partido, quer fazer uma revolução, mas o homem sabe que não, que não é esse o caminho, mas vê com alguma preocupação o difícil que isto tem sido, pois no seu País vive-se numa sempre batalha entre partes politicas em detrimento de uma batalha de todas as partes por todas as partes, e que este mecanismo de oposição, não permite frutificar o bom, o bem pensado e o bem feito.

Era uma equação muito simples que ele trazia em sua cabeça. Ao limite, se uma parte estava, se punha a combater contra outra, não deixaria que a outra fizesse muito bem, coisa bem feitas, pois se o fizesse, não poderia governar outra vez, pois o prémio é em função do fraco desempenho de quem governa. Assim se ia adiando seu País, dizia ele, com tristeza.

Pensava às vezes o homem se não seria melhor, todos participarem no mesmo único governo, ainda que separados por suas respectivas famílias. As vezes gostaria de poder votar em todos, em percentagens diferentes, pois via nuns qualidades e noutros outras, eram basicamente assim os homens, já ele o sabia certo e seguro guardado dentro de si.
Não que os homens fossem diferentes, todos tinham em si a mesma inata e equivalente, igual e fundadora da igualdade, qualidade, a do Amor, só a ignorância variava, exactamente como dentro dele.

O homem na praia recordava cinco anos atrás quando no âmbito das suas actividades politicas, propôs a ideia de um pacto de regime sobre as matérias do seu sector e recorda a cara de espanto e desconfiança que então nalgumas caras se instalou. Que ideia essa, todos iguais, todos concordantes sobre a forma de resolver as coisas, coisa impossível, onde ficaria eu, qual seria a minha diferença, sabia o homem que o receio vinha de quem para ser o que é, só pode sê-lo, definindo-se por oposição a um outro, insistia o homem que não, não teria que ser assim, não era mesmo assim, a vida como ela a via.

O homem recordava que nesse tempo e em outro imediatamente anterior, reparara, ao estudar o problema, que era necessário novas forma de organização politicas, que fossem e assentassem em métodos transversais de trabalhar, pois se as coisas estavam todas ligadas, ou seja que um problema e sua respectiva solução, se desenrolava por diferentes níveis de organização do real e que portanto a sua solução passava muitas das vezes por necessidades e equações transversais, contrariada pela forma fraccionada com as coisas geralmente se organizavam e geriam naquilo que se convencionava chamar de real comum.

O homem tinha esvaziado seu saco cheio, recorrera à escrita de si mesmo para tal. Aquilo aparecera-lhe na forma de um longo texto, e ele estava de novo feliz, que bom era compreender, compreender-se a si mesmo, saber o que o libertava e o que o atava. Agora o homem queria de novo partir para o mundo, se bem que se dissesse nunca tre de lá saído, o homem dizia-se, que na realidade o que queria era entregar-se e viver de uma outra maneira, diferente e contudo igual a que sempre fora. Igual à sua natureza, diferente em seu estar.

Dissera o que achava que tinha de dizer, pois nem dele era o dito, mas sabia dentro de si que tinha de o comunicar e assim o começara a fazer e contudo se a mensagem era para ele e para os outros, também sabia o homem que as coisas dependem e dependeriam sempre em primeira e última instância de si mesmo, de si mesmo e da Vida, que ele Amava.

Dissera-o, disponha-se a mais dizer se alguém por isso se interessasse, mas não ficaria à espera, pois sabe dos diferentes níveis da coisa que se lhe apresentara. Agora queria, outro tipo de acção, sem as amarras que ele próprio tinha colocado em seu próprio pé.

O homem escrevera-se muito e decidiu dar conta de mais algumas coisas. Depois chegou à conclusão que era então tempo de mudança. Oh aquilo, era complexo, o homem sabia que se tinha modificado sem se modificar e contudo havia dias que a sua consciência nem lhe permitia pensar em dinheiro, passar uma factura, ou coisa do género, e era ainda também, empresário. Tinha que mudar algumas coisas na sua vida e sentia que era só o que agora faltava, no momento em que se encontrava da sua Vida, ou no momento que a Vida assim era. Não lhe apetecia ficar à espera de nada, embora dissesse, como sempre, quão belo era caminhar acompanhado.

O homem desmaterializara-se, vinha desmaterializando, ou a Vida assim o Fazia e ele percebia, não iria contrariar este seu desígnio, pois parecia-lhe maior riqueza a espiritualização que com ela viera e contudo continuava em seu, com seu, corpo Amado e Amante.

O homem revia notas esparsas daquele núcleo de escritos que entretanto lhe aparecera, se organizar em seu redor, no seu interior, e que era ele.



Mas olhemos um espaço de tempo mais curto (altura do 25 de Abril), o que então, se passava nesse tempo, na Altura da Condensação Dos Sonhos, que Dores originavam que Desejos em Portugal.

A Pior Dor, concordaremos Todos, Espero Eu, era a Morte associada a uma guerra com quase década e meia de existência, onde civis tinham sido mortos de ambos os lados e militares também.

Esse Guerra, que agora aparecia era a consequência e culminar daquilo que as Descobertas Tinham Iniciado, e contudo Este Não Terá Sido o Seu Sonho, Assim Eu o Creio.

Este Espaço de Tempo, quase meio século, teve também muito sangue, muita dor dentro dele.

Quero Crer, Porque Conheço Portugal e os Homens do Meus País, que eles são Sábios, e Escolhem o Lado do Amor, da Protecção da Vida, do seu Proteger e Alimentar

Quero Crer que Foi Toda A Dor das Mães e dos Pais que sofreram pelos filhos perdidos e desgraçados, que Inspirou então o nocturno sonhar de seus Homens, pela Paz.

E contudo em seu ver e no ver de muitos outros antes dele, a aventura terá corrido menos bem, algo falhara, o império do espírito, o quinto, o que faz o infinito finito, falhara no seu projecto de encarnação entre os homens e na terra. Não que O Espírito ou o Império Falhe, pois essa não será sua natureza, sim a contrária, que se Afirme

Oh Portugal, Oh Rainha Stª Isabel, que os joaquimitas e Joaquim de Fiore acolheu, com Ela o Espírito Santo, segundo nosso povo conta, Milagres de Transubstanciação fez, uma Rainha Que era Muito Amada Por Proteger os que Mais necessitavam e que distribuía alimentos em segredo a Seu Mais Severo Rei.


Não o Império do Ter mas o do Ser, onde Sendo Se Tenha o que Necessitar e se o Engenho o permitir o que Cada Um Quiser, um Império onde Cada Seja e pareça o que Quiser, Sem por Outro, Ser Levado A Mal. Um Império da Gentileza e do Bem Tratar Entre Todos, Da Franqueza do Ser que É, Do Bem e Belo Comportar e Estar com os Outros, Um Império Onde Cada Um se Preocupe e Ajude O Outro A seu Lado, e que por isso, não haja nada para ser ajudado, um Império do Espírito Universal do Amor, Que Todos Acolhe, A Todos Sempre Estende a Mão.

Um Império do Espírito, Um Império do sopro, do bafo, reconhecido, Um Império do Espírito Santo que caminha em Paz e com Amor no Coração. O Quinto Império, o último porque depois não há mais nenhum, o que virá para ficar, a terceira idade do homem como alguns lhe chamaram, a idade do entendimento entre o mundo, os homens e os animais, prodígio do Espírito Santo que cobrira a terra inteira e fará esse entendimento descer em todos os corações

Imensa Energia de Luz, Verdade, Compaixão, Perdão e Amor
Imensa Energia de Luz que curará a Dor
O Acabar das Guerras, das violências e das dores
A Paz e a Vida Eterna
O Reencontro com os Amados


A segunda Dor, era a ausência da possibilidade de agir de acordo com a sua própria consciência, pois por imposição de algumas sobre outras, e com a violência e o sangue, que sempre ocorrem em tais condições, se encontravam assim algumas incapacitadas em seu Agir, pois como se sabe, a consciência, ninguém de fora a consegue silenciar a não ser através da morte, coisa que o anterior regime assim por diversas vezes fez acontecer. Um peso em sangue, uma dívida de sangue como outrora em tempos remotos os homens convencionavam chamar.

O sangue corre fora das veias dos homens, fora do sitio da vida e morre e sempre que o sangue morre, que o coração para, morre também um pedacinho da vida e um regime como outra coisa qualquer humana, que muito acumular, acaba ele próprio por perecer.

Um regime, com uma guerra às costas, muitos mortos, feridos e inválidos, um regime que possuía uma ala interna liberal que indicava e propunha algumas pequenas medidas de mudança dentro do restrito quadro que mesmo assim, o sistema lhes permitia

Uma elite que começava a viajar no mundo, a cursar ou tirar especializações em países diferentes e que voltavam trazendo essas imagens de outros países aqui mesmo ao lado, na Europa mais desenvolvidos, com maior liberdade, assim o pensavam e entre eles comentavam, e era o início do tempo, onde o mundo começaria a ficar mais pequeno, todas mais perto, as comunicações, os transportes, as formas de viajar. E o nosso país atrasado, um grau de analfabetismo na ordem dos 18% da população. Umas elites com consciência social, que se iam tornando cada vez mais insatisfeitas, e que aprendiam a exigir e que se tornavam assim fonte de pressão.

E muito atraso, muito obscurantismo e mísera e muita gente humilde mal tratada e abusada, da mesma forma que muitos outros não o seriam.

Um Livro publicado naquilo que se convencionou então chamar Primavera Marcelista, por um militar, uma visão diferente da do regime, fora escrita e apresentada. Seu Título, Portugal e o Futuro, e seu autor, Spínola e verdadeiramente, o futuro estava naquele momento à porta.

Dizia ele, que em seu entender aquele livro com ideias que não agradaram totalmente nem a gregos nem a troianos, mas talvez por essa razão, tenha sido tão secretamente importante no acontecer da revolução, pois foram militares que deram o golpe de estado que derrubou o regime, e que lhe parecia às vezes que os aprendizes tinham de repente ultrapassado o Mestre, que sem apelar a nenhuma revolução, de repente fora chamado pelos seu filhos aprendizes que entretanto tinham feito uma, a negociar a rendição do regime e a tornar-se desta forma a primeira figura que intermediaria e de certa forma conduziria o MFA com as restantes partes da sociedade.

Curioso pensamento, se confrontado com a recordação de quanto tanta gente que se colocava à esquerda, o tinha odiado, ele o mentor desconhecido do Movimento?

E depois recordava que Spínola, não existia sozinho, houvera sempre um grupo de pensadores e homens de acção militares que conduziram a que na altura todos convencionaram chamar de Revolução do 25 de Abril, que foram tempos levados da breca, cheios de coisas belas e também muito feias, como quando uma balança anda desequilibrada. Muitas violências, muitas dores, muitos ódios. Ouvi mesmo dizer, ao Homem que aquilo de alguma forma, tinha sido uma guerra civil surda, com diversas vezes em ponto de se chegar a vias de facto, que teriam sido muito pesadas. Grupo dos Nove, foi um nome de alguns desses Homens e Militares que conduziram o Barco em tão agitados mares, um pouco na sua retaguarda

E contudo, uma coisa sabia o Homem sobre o Tempo e o progresso dos homens
E sabia também que os momentos que ao longo de toda a vida do Homem, quebravam as linhas dominantes do tempo e assim mudavam as coisas de plano, trazia geralmente a si associado muito sangue, muito dor, guerras inclusive, e que isso acontecia quando as partes em presença deixavam esticar o elástico demasiado que assim quebrava, voltando a chicotear de novos ambos, que o seguravam.

E a questão que lhe restara, mesmo a última depois de todo este assunto moer, era que a Revolução dos Cravos como também se lhe chamou, que foi figurada por uma criança a por um cravo no cano de uma G3, era a da Liberdade e da Paz e nesse mesmo dia, o medo de linchamento e o desespero de alguns, fizeram correr o sangue nas calçadas do meus país, da minha cidade.

Dir-me-ão então, que o preço foi curto para o que se alcançou
E eu pergunto-vos, começamos a contar desde onde
Pois a contagem está desde sempre no mundo
E então talvez possas concordar comigo
Que melhor
Era mesmo não ter morrido nenhum
Pois por tua vontade
Decides que nada é mais importante
Que uma vida, seja qual for.
O preço dos rs , é as vezes o Sangue, como o preço dos es, também as vezes o é. Em que ficamos então?
Que sangue é que não
Não há terceira via nestas matérias
Só guerra e guerrear
Só Paz e Amor
Há uma Lei Simples
Não Matarás


Em 1973 por episódios vários, já lhe tinham dado conta desta segunda Dor, recorda-se de ver os adultos sussurrando e preocupados com a sua segurança e a segurança dos seus amigos ao falar de certos assuntos de natureza politica, lembra-se dos adultos terem que ouvir alguns discos baixinho para não levantar suspeitas, na galeria 111, os discos, alguns, serem transaccionados sem capa. E seu País num Tal Atraso.

O vinil de 45 rotações, onde aparecia um círculo preto dentro do quadrado castanho de cartão, pois ainda não se tinha implementado a diferenciação, que hoje se vê na proliferação de desenhos, formas e cores de um CD e sua embalagem. Não era ainda a imagem da quadratura do círculo, mas mais, o buraco negro no meio do cartão amarelado.

O Mundo era mais normalizado, as formas padrões eram mais regulares, por assim dizer, e os seus tempos de vida eram mais extensos, também é nessa altura que no mundo se começa a falar nas necessidades de harmonização, a que chamaram na altura uma palavra que então me suou estranhíssima, estandardizado, como por exemplo o acordo entre os fabricantes de para choques quanto a altura da sua colocação.

Aos 13 anos, lembra-se à porta de entrada da sala de aulas do liceu, de procurar com o olhar e a aproximação, uma Amiga que lhe parecia ser de alguma forma activa em termos de acção, olhando de lado, olhos baixos a disfarçar, ontem aquilo no Rossio esteve feio, comentei-lhe e ela sim, que o tinha estado, falamos de uma manifestação, que tinha sido alvo de uma carga policial, pois elas estavam quase todas, proibidas.

Pensava o jovem menino triste em seu coração ao perceber o que se passava à sua volta, que algumas pessoas eram reprimidas, que não havia liberdade de expressão e de acção, e começava a imaginar-se a crescer naquele país, de que isso lhe poderia levar a grandes perigos.

Pensava o Infante, vendo seu futuro naquele país, que se provavelmente nada se alterasse, se tornaria ele um lutador, e via já seu futuro com possibilidades de vir a ser preso e pensava medindo por antecipação a sua coragem futura, como se tal fosse possível, pois ressoara-lhe já dentro de si as histórias de coragem, traição e delação.
Um dia apareceu um polícia à porta da sala de aulas para prender essa sua amiga e o menino, levantara-se pusera-se defronte dele e explicara-lhe que não a podia prender, o que felizmente não veio a acontecer, pois da ombreira não passou.

Activara a coragem o menino dentro de si, o mesmo género de coragem que tiveram que ter tido, todos os militares de Abril que participaram no golpe. Muitos deles, os mais puros, os de melhor coração, os que não se deixaram nunca de pensar e tentar agir por si mesmos, de acordo com suas únicas e próprias consciências, pois quem age em Verdade de Acordo com a sua consciência age, em prol do acordo com a consciência alheia, muitos dos quais viu serem mais tarde esquecidos e alguns até mal tratados.

Mesmo hoje, 30 anos depois da revolução a propósito de ordens e condecorações, o seu país continuava a ficar profundamente dividido, o que revelava em primeira ordem, que algumas feridas continuavam em aberto a gritar, e mais do que isso, que a forma de navegação não conseguia em termos práticos fazer as necessárias pontes curativas entre todos. Também houvera Homens que tinham recusado estas honrarias por razões diversas em diversos tempos.

Naquela Página do Capitulo, escrevera assim, o Homem em seu caderno.

Salve Os que Lutaram e Lutam em Todos os Tempos e em Todos os Lugares, pela Liberdade do Ser, para um Ser em Paz.

Abraço e Choro por Todos os que neste Combate Caíram, pois o sangue dos Homens corre fora das suas veias desde há muito tempo no mundo. Um manto extenso vermelho tinge a Terra em muitos lugares, por isso chora o Céu. A Todos Eles o Meu Respeito.

O Sangue Só Deve Correr Nos Corações, Deve Ser Rio de Vida, não de Morte.

Mas o Rio de Sangue e da Dor Não é Infinito, Assim Também o Creia a Boa Vontade e a Boa Acção de Todos Os Homens.

E contudo a questão central de, Sempre até Agora, é Luta. Luta ou Paz, continuidade da Luta, mesmo que Justificada pela Memória, pela dor sofrida, pela contagem dos caídos, ou Paz de Aqui em Diante?

Recorda uma conversa com um velho amigo seu, que lhe falava, então o passado, a luta, todo o que se lutou, os que caíram, não me digas que não há diferenças e vai buscar a primeira edição das cartas de despedida dos que vão partir, fuzilados na guerra civil de Espanha e lê que os sonhos desses Homens, que se despediam de seus filhos, das suas mulheres, que tinham abandonado à distância, para ir lutar com armas na mão noutras terras, de uma mesma terra, ao lado de Homens que falavam outras línguas de uma mesma língua comum, de terem lutado por um mundo melhor, com menos injustiça e aquilo era claramente o sonho de todos os Homens, pois todos os Homens aspiravam a liberdade e a poderem serem livres e se a aspiração era comum, alguns por ela morriam. Eram os Sonhos individuais e universais que aquelas cartas continham. Depois foram mais tarde censuradas em posterior edição soviética, assim meu amigo mo recordou.

Os Homens escreviam cartas de despedida, partindo da Vida por mão alheia, a dos próprios Irmãos que às vezes os matavam, e como se tal não chegasse ainda, outros vinham depois, na aparência amigos, alterar aquilo que não podia nem devia ser nunca alterado, e contudo assim o era frequentemente, a palavra alheia, o verbo único de cada um, Ser.

E o Homem insistia, ao reler as cartas, aquilo era, os Sonhos do Homem, o sonho da Humanidade Fraterna.

Os Homens Sonhavam Um Mesmo, e contudo tantos os que foram mortos, como os que mataram, optaram por tentar concretizá-los de armas na mão. Uma velha e eterna questão, os fins, justificam todos os meios?

Também sabia que até chegar outro tempo do homem, nada apagaria as mortes que se encontravam para trás e que nenhuma dor as conseguiria reverter, suspeitava que para isso, teria que ser mais da natureza do seu contrário, o Amor.

Conseguiremos perdoarmo-nos verdadeiramente a nós mesmos e uns aos outros

Conseguiremos aceitar totalmente um outro, sem o tentar, espezinhar, diminuir, torcer, puxar, comprimir, espremer ou dilatar

Conseguiremos dar as tão necessárias mãos, perguntava-se a si mesmo.

Amor
Amante
Amado

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