quinta-feira, junho 24, 2004

Quando te leio, sinto uma espécie de proximidade virtual, uma proximidade que é também espaço no território onde temos nossos quatro pés. Terras do Norte de Meu País, uma Cidade, que viu nascer, minha Avó e Minha Mãe, terra da linhagem feminina da minha família. Uma parte dos ossos de minha família aí repousa também.

Terra das mulheres de olho cor de céu de azul, cabelos por vezes doirado bem como o ouro que em dia de festa transportam. Também o Azul de meus olhos vem daí, dessa terra, e como todos sabemos, os olhos e a sua cor ancoraram-se onde nascem seus antepassados.

Finos, fios, rendilhados, tecidos, entrelaçados, luminosos, coloridos, vermelho, preto, branco, valorosos, doces anseios, belos quebreios e quebrados, sinónimos do nome do Amor.

Aquele rio, que também conheces, local onde a memória se desenrola, como quem se lava e leva, onde eu nadei em pequenino, onde um dia por pouco não o consegui atravessar, meu priminho não, e foi então que meu Tio a ele se deitou para o ir buscar e buscou.

E aquela vez que lá estivera, como ele se sentira em casa, tão profundo, tão entranhado em seu corpo, que isso lhe fazia saltar à vista. Sentado com seu Amigo nas telhas daquela belíssima antiga casa que os acolhera, e olhando as estrelas naquela noite magnífica, tinham os dois imaginado o que seriam os primeiros planos de uma série que os levara por todo o País, descendo pela costa do mais alto norte até ao mais baixo sul.

Assim encenaram na manhã seguinte a Jovem Mulher Vestida de Branco que Lavava Seus Longos Cabelos em Vasilha Branca com água. Fora sem dúvida uma bela abertura daquela série, tão inspirada. Sabia ele que fora inspirada, pois inspirou um comentário de um amigo mais velho, a quem ele tinha estima e consideração, que às páginas tantas, começou a ver aquilo com mais atenção e depois virara-se para ele e dissera, …vocês, parece que reinventaram a ida à praia, ele sorrira, respondendo.

Gosto de ti pelo teu engenho, pelo engenho do teu pensar e escrever, da boa habilidade que demonstras-te ter, em colocar-te no outro lado de uma questão, de um certo humor, que reflecte a inteligência, que às vezes me faz rir, outras sorrir.

E depois sabes, eu e os teus comments, aquilo não funciona, nem aqui nem ali, por isso te escrevo, pois sou secreto admirador de uma das tuas amigas, que não conheço e que fala de uns números que são simétricos a outros meus, se me percebes, que os números não são de ninguém, sim, eu sei que ambos o sabemos, não te preocupes.

Como homem versado que és nos assuntos de sincronicidade, que em vulgo português se costuma desde há algum tempo traduzir-se sincreticamente, por, não há coincidências, pedia-te então o favor, se for essa a tua vontade de lhe oferecer estas minhas reflexões.

Efectivamente todos os blogs abertos, são públicos, e portanto de utilidade pública, pois é esse o uso que lhe damos, e como no outro dia alguém frisava, nestes espaço estavam muitos dos melhores corações do país, das melhores cabeças, as melhores, as mais avançadas, as mais ousadas, as mais vitais ideias, também aqui se encontram como se encontraram no redor da existência de cada um desses seres, que estão aqui ao nosso lado sem o estar.

Faria sentido. Teria lógica convidar, reunir um grupo, que se interessa-se por uma ideia de contributo, um grupo que criasse o sonho de que a mudança é possível, como ela sempre o é, um grupo que pelos seus pontos de vista contribuísse para a inovação do ver das coisas, um grupo criativo, a criar, a imaginar, a contribuir para o bem-querer e bem-fazer e que portanto lhe fossem criadas as condições para o seu existir.

Sobre a mecânica da coisa em si, minha Senhora, gostava contudo de lhe dizer que em meu ver, um projecto desta natureza não se faz contra ninguém, muito menos matando ninguém ou algo, faz-se a favor de todos, do todo, paradoxal dirá, parece, mas é assim mesmo a vida.

E depois como sabemos algo que visa o novo não deve começar a ser construído de forma torta, pois se assim acontecer, inevitavelmente o edifício padecerá das deficiências das fundações com que se erigiu.

Também sabemos, que calar algo, é sempre pior remédio que emenda, pois assim se aumenta a revolta nos corações dos homens. O novo não se impõem contra, o novo não é contra, é com.

Bem Agiram os cinco, pois quem o fizer, por isso será louvado e recordado, como aqueles que ousaram franquear a porta, por isso serão recompensados pelo Amor da Vida, pois como concordarás assim é a Vida, recompensa os que Ousam.

Eu também te agradeço o que houver a agradecer, que é sempre a Ajuda e o Ajudar

Meu Obrigado


Abraços Fortes deste teu leitor assíduo

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