sábado, julho 24, 2004

Triste
Chora
Baixinho
Minha
Corda
Lamento
Em

No
Coração

 
Partiu
O
Mestre
Filho
De
Mestre

 
Imagino
Sua
Infância
Na
Oficina
De
Seu
Pai
Crescendo
Entre
Cheiros
Das
Mais
Belas
E
Puras
Madeira
Entre
A
Arte
Do
Cortar
E
Colar
Na
Arte
Do
Sublime
Fazer

 
Imagino
A
Corda
A
Afinar
O
Primeiro
Dedilhar

A
Mão
No
Coração
Do
Som
A
Voar
E
Ele
A
Desenhar

 

Instrumento
Tão
Portugal
Tão
Português

Imagem
Sonora
Do
Nosso
Sentir
E
Ser

Altas
Frequências
Cascatas
Infantis
Agua
Suave
Alegria
Melancólico
Ser
Rasgadas
Montanhas
Vales
Trinados
Alados
Ondas
Do
Mar
Rectas
Curvas
Rodas
Cedilhas
Redondilhas
Tramas
Finos
Sons
Matiz
Retrato
Emoção
Amorosa
Do
Ser

A

Subir

Descer
E
De
Novo
Voar
A
Vida
Música
Do
Acontecer

No
Exímio
Ordenar
Compor
Criar

Interpretação
Do
Coração
Dos
Dedos
Que
As
Cordas
Tangem

 
Carlos
Paredes
Sua
Graça
Sem
Parede

Carlos
Paredes
Mais
Um
Que
Se
Tornou
Imortal

Movimento
Perpetuo
Do
Dedo
Do
Coração

 

Oh como a Tua Música sempre me fez sentir a mim mesmo, como se fosse de alguma forma, que o é, fosse, música minha. Muitas vezes utilizei Tuas composições e interpretações com as imagens que então criei. E sei que isto é futuro também, pois serão mais as vezes em que tal irá de novo acontecer, pois a Tua música, somos nós.

Oh belo e exímio retratista apaixonado da nossa Alma, tímido e suave ser. Harmonia do teu desenhar, variável aceleração, movimentos perpétuos, mudanças súbitas de tempo e de emoção, canção, baile permanente, dança oculta das esferas tornada audível e visível. Como eu gosto de deixar embalar o meu olhar por uma câmara no roteiro do movimento, do espaço sentir que me propões.

Recordo a última vez que te cumprimentei, melhor será dizer que me cumprimentaste, pois quando primeiro te vi, fiquei a olhar embevecido e calado como fazem às vezes aqueles que estão presentes  aos que muito admiram e respeitam, silêncio sagrado, onde os olhos do coração inteiro falam através das línguas silenciosas em escritas secretas e mágicas.

Queria ter-te podido dizer tudo isto, falar-te de como me fazes bailar o olhar do meu coração, e se calhar lá tu fui dizendo, assim secretamente, pois foste Tu que te aproximaste de mão estendida à minha, que então se deram, selando num olhar de homem, toda a nossa história de Amor. Breve cumprimentar, e todo o Universo Inteiro do Amor lá dentro. E Tu dentro de mim para sempre, eu te Celebro e Agradeço tudo o que me deste de mim, homem entre os homens irmãos, pois sei que contigo posso assim falar, sem me entenderes como arrogante ou presunçoso.

terça-feira, julho 20, 2004

o texto de 16 mexeu-se.  sobre a possibilidade consensual, que existe para além a aquém dos códigos.  
  
 
Pai
O
Que
Me
Disseste
Que
Eu
Não
Teria
 
Que
Não
Seria
Aqui
Na
Terra
Amado
 
Pai
Não
Me
Poderias
Ter
Tal
Dito
Pois
Tu
És
O
Amor
 
Se
Não
Foi
Isto
Que
Me
Disseste
 
Que
Me
Disseste
Então
 
Naquele
Dia
De
Infância
No
Norte
Do
Meu
País
 
Quando
Galgando
O
Muro
Voando
Ao
Lado
E
Por
Cima
Das
Canas
 
À
Percepção
Da
Cegueira
 
Algo
Estremeceu
Algo
Em
Mim
Acordou
 
Que
Eu
Iria
Passar
Fortes
Privações
Muito
Sofrer
 
Sentença
Que
O
Amor
Terreno
Me
Estava
Negado
 
Foi
Esse
O
Destino
Que
Então
Me
Mostraste
 
Bem
Sei
Do
Que
Me
Falas
Te
 
Bem
Sei
Do
Amor
Universal
Que
Me
Mostraste
 
 
Muito
Eu
Me
Revoltei
Contigo
Na
Altura
Me
Zanguei
 
 
Mas
Tu
Sabes
Pai
 
Muito
Eu
Meu
Pai
O
Amor
Cantei
 
 
Canto
O
Amor
Pois
Das
Canas
Meu
Instrumento
Fiz
Para
Melhor
Cantar
O
Amor
 
Privações
Sofrer
Foi

Forma
De
Aprender
E
Por
Isso
Saber
Não
Me
Queixo
 
 
Assim
Faz
O
Moleiro
O Vento
As Velas
A
Moer
O
Grão
 
Esfarela
Qualquer
Réstia
De
Mim
Da
Minha
Pequena
Vontade
Faz
De
Mim
Papa
De
Farinha
Do
Amor
 
Eu
Te
Peço
Pai
Faz
Te
O
Ligante
Que
És
Aqui
No
Meio
De
Nós
 
Assim
Me
Fizeste
Apto
Assim
Estou
Apto
Neste
Meu
Anseio
 
 
 
O homem recorda-a. Oh que Amor tão grande lhe tem ela   que tanto Amou e foi Amada. Mas perguntava-se o homem se teria sido por ela Amada.
 
Recorda seu vislumbre inicial, seu inicial deslumbramento, coisa encantada de contos de príncipes e princesas, oh como ela era bela a seu olhos, como ela lhe iluminava o Universo, quando por perto. Com ela desejara no breve espaço de seu encontro ir com ela ao infinito e mais além.
 
Gostava muito dela, da sua maneira de ser, da sua vontade de caminhar por seus próprios passos, do sentir que dava expressão na sua criação, na busca de se conhecer, na busca de construir o seu próprio caminho, que por ser de criador, já à partida se tornava distinto do da maioria.
 
Recorda quase no fim desse primeiro cruzamento das suas vidas, uma fotografia na festa de anos. Estiveram toda a noite a discutir e aquela conversa correra às vezes de formas pesadas, afloraram as suas tristezas, que anunciavam o fim. E o fim fora simples, pois ela tinha decido dentro de si o partir, mesmo que disso ainda não estive convencida ou preparada para com ele falar. Eram nítidas as mágoas acumuladas, já grandes demais para serem revertidas, assim o sentia em seu íntimo, pois sabia da porta fechada que ela era para ele.
 
Clik, faz a máquina e o flash, tirando a fotografia do grupo de seus amigos, ela sentada em seu colo, no meio deles, ele surpreso consigo mesmo, fazendo o que geralmente não faz, impor sua vontade, lá lhe pedira a ela para se sentar e em seu pensamento, imagina o sentimento que irá em sua cara que não vê.
 
Também não a verá, pois esse rolo desapareceu, como outrora desaparecera um outro numa outra história terrena de seus amores. Estavam sempre a desaparecer, as coisas importantes para ele nos domínios dos amores, pois houvera momentos especiais em sua vida que calhara documentar, e depois puf, sumiam, no ar, metendo histórias estranhas, carros assaltados e coisas que tal. Parecia ao homem que os deuses com ele se entretinham, pegavam-lhe peças.
 
O homem sempre procurara numa relação, antes de mais a amizade verdadeira, sobretudo se fosse com a mulher Amada. Não lhe fazia jeito em seu jeito de Amar, de ver o Amor, como se ele pudesse existir sem ser em verdade.
 
O homem sabia dentro de si que esta questão nem era específica entre homens e mulheres, era uma equação universal do amor que se punha entre dois seres sempre que se amavam.
 
Mas sempre o que vira dominantemente à sua volta em jovem adulto e depois em adulto, era diferente desta sua ver forma de ver o Amor. Parecia-lhe que as pessoas não tinham a capacidade de se entregarem ao outro, de se abrirem, de se revelarem, tinham medo da opinião do outro, do seu apreciar, e das consequências, e assim preferiam meterem-se para dentro, em concha, criarem pequenas reservas de si mesmos, pequenos espaços, pequenos domínios, onde o outro nunca poderia entrar.
 
As pessoas pareciam construir muros, à volta de pequenos espaços, a que chamavam reduto da sua intimidade, da sua essência do seu ser, espaços secretos, para o outro feito intransponível.
 
 Que era assim que a vida era, que precisavam de ser assim para serem.
 
E contudo o homem via aquilo, um bocadinho ao contrário. Não lhe fazia muito sentido esse espaço de reserva para garantir seu ser, aliás seu ser estava sempre se desenvolvendo, portanto o que é que ele iria querer cercar.
 
Qualquer coisa que cercasse, resultaria sempre em cercar passado, passado, um atrás do outro e o que ele via no Amor era a partilha, a partilha da aventura de ser, estar com alguém com quem se tem o privilégio dessa mesma partilha, porque partilhar é aprender aprendendo e crescendo.
 
Por outro lado quanto mais fosse rica essa partilha, assim o via, mais a vida se tornava ampla, diversa, carregada dos mais múltiplos e subtis tons, oh alegria do poder partilhar, do dar e receber, das peças que colam, que o outro nos trás e que ao dar, nos permite a nós mesmos, o acto de colar.
 
Que sim, que numa relação entre dois seres, haveria sempre espaços privados, que decorrem do simples facto de terem quatro pernas, pois como se sabe, só podem andar duas a duas, mas que houvessem à priori, por assim dizer, áreas de concessão reservada, porquê, o que se escondia naquela necessidade.
 
 
E constatava o homem com tristeza que na mais das vezes, aquilo eram zonas semi-escuras onde germinavam as inverdades, as meias e as quarto verdades. A cercadura estava posta à volta daquele espaço que se afirmava como reduto necessário, fundamental ao ser, de tudo aquilo, que em seu ver e seu saber, seria mais seu contrário, mais do nome do não ser, ou do ser que não é ou mesmo do ser assim, assim, ou mesmo do assim assado.
 
Para o homem ser, implica a busca constante da sua verdade interior, face ao que a vida lhe trazia, daquilo que sabia, ou quando não sabia, ia descobrir, aprender. E isso não lhe parecia muito compatível com mentir a outro, pois sabia que para mentir a um outro, tem primeiro que se mentir a si mesmo, inventa-se de nós mesmos um diferente, um que não somos, uma máscara de afivelar, que por vezes, com tanto insistir se cola de tal maneira à nossa própria pele que não mais parece sair, tornamo-nos assim a máscara, deixamos de ser nós mesmos e só com grande esforço a conseguimos descolar. Mas sim, que ninguém se preocupe, é sempre possível, haja vontade, a tua, a minha, e a de cada um que o intente, pois a recompensa é grande e valiosa.
 
 
 Existe ou Não Existe Uma Diferença entre Ocultação e Mentira
 
 
Diziam-lhe na mais das vezes suas mulheres amadas, que sim, que existia uma diferença. A conversa como todas as boas conversas, lá afunilava às páginas tantas, para o seu travamento, ou cerne se se preferir.
 
Eu oculto-te isto ou aquilo para te defender, para te não fazer mal, para não te provocar dor.
 
Que sim, percebo a tua boa intenção, mas quem és tu para julgares que eu necessito da tua defesa, o que me é fazer mal, ou mesmo se não prefiro a dor que por vezes vem casada com a verdade das coisas.
 
E depois, pensa lá mais um bocadinho, achas mesmo que a tua vontade se pode estender sobre a vontade de um outro, isso resulta em arrogância, pois não tratas o outro como igual, não mais mano a mano, resulta num desequilíbrio entre as partes.
 
Fazes-te maior do que o outro, pois decides que a tua vontade, que te diz, não digo isto, não lhe faço aqueloutro, é superior à do outro, não tens que o consultar, não lhe dás tudo o que sabes e não sabes, para ele poder reagir, não mais o mano a mano, mão na mão, que frutifica, pois o frutificado, é aquilo que se torna e faz comum.
 
E contudo também lhe dizia, que a vontade de cada um é a vontade cada um, dizia o que dizia sobre o estender da vontade, mas aceitava a vontade que ao lado se manifestava.
 
É como ficar sozinho acompanhado, numa relação, sendo nós que assim o fizemos, assim com o que fazemos, ficamos sozinhos.
 
Ou pensa ainda se não será arrogância perante a própria Vida, pensar-mos que somos nós, superiores a dois, a um dois, que é Um, que o Amor sempre é. Tudo o que se passa contigo me toca, me afecta, me transforma, e o mesmo se passa em seu inverso.
 
E depois como gerir essa ocultação num desejo de encontro que ambos queremos como transparente, luz clara, diáfano, local do desejos, altar de reza e inspiração, local sagrado da vida, perfumes íntimos, transparência, pois era assim o Amor lhe fazia sentido.
 
Não poderia viver ao lado de alguém, como que sombreando partes de si, ou de o outro, pois o Amor é Livre, Quer-se Livre, o Amor permite ao Outro Toda a Liberdade Para Ele Ser, o que vai, sendo, como quando um de nós o faz, enquanto aqui na terra caminha.
 
Porque o Amor é Verdade, o Amor É um Acordo de Verdade, É um Acordo com a Verdade.
 
Gosto de ti pelo que és, inteira, não precisas de tirar nenhuma pequena parte, não tenhas medo, o meu amor é seguro de continuar sempre a gostar de ti, pois o Amor é Eterno, sempre Aqui Está, e eu trago-te em mim para todo o sempre.
 
E não te esqueças que a Amizade e o Amor são leais, só frutificam em verdade com nós mesmos e que nada de jeito se pode construir em não lealdade.
 
E depois dizes-me das boas intenções
E eu digo-te relembrando o que nosso Povo Sabe, de boas intenções está o inferno cheio, pois uma boa intenção que não é concretizada, nada abona em seu próprio favor, não santifica quem não a fez, não lhe dá nenhum maior valor e se a boa intenção, que será a coisa mais certa que há a fazer, não se faz, é porque provavelmente se fez, ou aconteceu, uma menos certa, menos boa.
 
Perguntas-me da transparência, transparência é ser, e como quatro pés não caminham o mesmo corpo, há sempre espaços por natureza privados a acontecer a cada um, se é que podia chamar de privados a esses momentos, pois sempre que caminhava sozinho, nunca estava na realidade sozinho, mas que cada qual tivesse a noção de seu corpo, de seu tamanho e do que o acompanha.
 
Dizia, ser transparente não implica andar com um câmara de vídeo em ligação permanente com um outro, mas implica a verdade na hora do encontro, o não cálculo, a coragem de assim ser, é como dizer, quando aparece o ponto onde a conversa se torna perigosa, em vez de ni nò ni, fecha o castelo a toda força. Aí, aí, ai, dizer e fazer, logo se vê, pois se estou nos braços do Amor, em verdade comigo mesmo, certamente a bom porto aportarei.
 
Não se reduzir, não mentir porque tenho medo que tu não me aceites como eu em verdade sou.
 
Um Amor que começa por ser a nós mesmos, o Amor àquilo que somos, que em cada momento sentimos, que a cada momento trazemos e queremos, o Amor à verdade do que somos, pois só Amamos, em Verdade de nós mesmos e do Amor
 
Age em Verdade, dizia-se o Homem a si mesmo.
 
E contudo foram diversos os amigos que ao longa da vida lhe alertaram que ele abria demasiado o flanco, que assim sendo, revelava muita coisa da sua vida, municiava àqueles que mal intencionados, contra ele poderiam querer agir.
 
E o homem sabia que sim, que o preço era elevado, mas não podia deixar que tais ocorrências lhe impossibilitassem o Amor, o tirassem dos braços do Amor, pois isso seria como não Viver.
 
O homem sabia também que estas coisas, infelizmente, não se passavam só nos espaços íntimos do Amor entre dois Seres na vivência do seu Amor, pois as vira em diferentes níveis da vida, tal como ela se apresentara, nos assuntos, afazeres e negócios dos homens também tal, muito acontecia.
 
Aquilo estava profundamente entranhado na pele dos homens, pulsava nos dias.
 
E o problema era que aquilo, as zonas de sombra, as mentiras e as mentirinhas, se repercutiam por todo o universo, como aliás acontece com todas as coisas e tendiam sempre a um mesmo cansado, repetido, pobre fim, minavam o acordo entre os homens, sobre as sombras e as meias sombras se fundavam as fracas fundações que sustentavam o acordo entre os homens, e então se tornava mais difícil fazer o que havia a ser feito, pois o que está mal fundado, vai, não vai, estatela-se.
 
E que se o Amor era coisa transcendente, a sua vivência na terra era também de carácter muito prático, ter ou não ter disponibilidade para Ele. Implicava tempo, tempo de entrega, tempo e espaço para se entregar.
 
Recordava as vidas de muitos dos seus irmãos, uma imensa maioria, sempre num ufa ufa, correndo de um lado para o outro, sem tempo nem para si mesmos, quanto mais para o outro, metidos em pequenas vidas nas maneiras que escolhemos para viver, sem grandes horizontes, pesadas rotinas e uma imensa solidão que fazia os homens sentirem-se perdidos, sem ânimo.
 
E depois dizia o homem, em seu ver, o que é para estar ocultado ao olhar dos homens, ocultado está, não lhe cabia a ele desempenhar essa ocultação que vinha com a própria coisa, fazia parte da natureza da coisa. E sua intenção era mais seu contrário, servir a Luz.
 
O homem relia o poema acima e sabia que aquilo que ele reflectia se passava em diversos níveis da realidade, por assim dizer, num interno e noutro aparentemente externo.
 
O homem roía a volta daquele núcleo de coisas que lhe aconteceram em terna infância, roía os véus, a madeira das portas, queria de novo entrar nesse local do saber, onde pressupõem que de alguma forma lhe fora dada uma chave de quem era, o que o trazia aqui a este mundo.
 
Oh via dolorosa, porque é que o caminho do Amor é doloroso, composto de vivências de dor, velha questão que sempre o perseguira desde que se recorda menino. Porque a vida, o viver, o aprender não podia ser feito sem sofrimento, pois por um forte lado parecia-lhe a vida toda talhada para a felicidade, mesmo sabendo quão fugaz e volátil, ela se pode tornar nas vezes. Mas podiam as coisas, ser melhores.
 
Emerge então uma imagem intuitiva sobre o aprender, que uma pessoa só aprende quando vive a situação, pois não há nenhuns bons ou mau conselhos e comentários, que substituam a própria experiência, o que não quer dizer que eles não existam, pois o conhecimento das linhas gerais da coisa, podia ser uma boa preparação no mais dos casos, quanto mais não fosse como exercício de manutenção física-intelectual.
 
E então quando tentava definir a sua postura dizia, as pessoas às vezes tem que bater com a cabeça na parede, o que podemos tentar fazer, quando nos encontramos ao perto e se assim decidirmos agir é no último instante, antes do galo, pôr a mão a amortecer, não obstar à queda, que pode ser a mais valia do aprendido, mas de certa forma ampará-la.
 
Ao luar, na praia nu ao mar o homem revive toda a sua vida e percebe que a via do Amor é uma via dolorosa, feita de muitas dores.
 
Porque o Amor é compaixão, capacidade de sentir o outro ao lado, e os passos no caminhar, cruzam-se com muita dor, e então o Amor reclama, se assim se pudesse escrever, pois o Amor nunca o faz, o Amor reclama do Homem a compreensão dessa dor, de uma mesma dor que o homem trás em seu peito, pois sabe o homem da Grande Irmandade que a Vida É.
 
O Amor mais exige, se tal coisa se pudesse escrever sobre a natureza do Amor, pois o Amor não Exige, Ele Se Dá, o Amor exige dos homens que lhe são fiéis, que criem no mundo as condições que frutificam o Amor.
 
Assim o Amor não é distraído com o sofrer, do homem que transporta o coração ou o do outro ao lado, que também transporta um mesmo coração. O Amor não se pode fazer de distraído, pois isso seria o seu contrário, o Amor, quer parar as dores, o Amor pára as dores, o Amor estanca o sofrer e faz a paz, o Amor Ajuda, o Amor dá a mão, o saber o pensar, o Amor Ama e Deixa-se Amar.
 
 
Os homens não são bons nem maus, mas podem actuar de infinitas maneiras entre estes dois extremos. Há sempre uma intenção e vontade que se faz prevalecente em seu agir, essa é a sua natureza, a sua força.
 
O homem que dá a mão ao outro, tem que conhecer-se igual àquele que está a ajudar, o homem que dá a mão, sabe que ajudando outro está também a ajudar-se a si mesmo.
O homem que dá a mão e ajuda a curar, é um homem que espelha em si a vivência do outro, ao outro de forma que ele a possa então entender.
O homem que dá a mão ao outro e que quer curar, tem que padecer muitos sofrimentos e muito sofrer, pois o Amor neste Mundo muito os Homens o fazem sofrer.
O homem que dá a mão ao outro, só pode dar a mão, porque impô-la e já estar fora do domínio do Amor e do Ser Amoroso, que não impõem.
 
Todo o homem que decide aproveitar a vida para fazer a sua grande viajem interior, é elevado, pelo Amor, a Mestre de Si mesmo e do Amor, apreende então os segredos do seu Amor Amado, a sua força e o seu sofrer.
 
 
O homem pode espiritualizar-se, tornar-se melhor homem de acordo com a sua natureza Unitiva, profunda e etérea.
 
Os dois amigos encontraram-se e puseram a escrita muito atrasada em dia. Confessavam mutuamente um sentir sobre cada uma das suas vidas que reconheciam simétrico, diziam-se, de como, para cada um deles a vida parecia muitas vezes funcionar num claro e imediato mecanismo de acção reacção, passível de ser lido, muitas das vezes com lembretes, parecia que existia uma mecânica entre as coisas, uma acção reacção.
 
Toca o telefone, do outro lado da linha, é das rectas curvas?
Não, não é
Que belo nome
Adeus
A Deus
 
Desataram os dois a rir.
 
 
 
 
Oh Meu Amor
Que Partiste
Ao Tempo
Antigo
Partiste
 
 
Oh Meu Amor
Que Partiste
Tu
Nunca
Partiste
Esqueceste

O
Corpo
Que
Morre
Doente
Cansado
 
 
Oh
Meu
Amor
Que
Nunca
Partiste
 
O
Amor
Nunca
Parte
 
 
Estamos
Para
Todo
O
Sempre
Um
No
Outro
 
 
O
Amor
Está
Nos
Corpos
E
Muito
Além
Deles
 
Minha querida, foi porque não te bem amei, que te foste
 
Não, meu querido, sempre me amaste ao teu jeito, da forma que és, amável e amante e menino ainda. Amaste-me o melhor que sabias e não sabias, assim é a vida, não há juízos de valor, julgamentos de amor a fazer, as coisas apresentam-se como são, com o que com elas e delas fazemos. Tudo passa, todas as formas são transitórias, só o Amor é imutável, não há por isso razão de lhe fazer julgados com associação à culpa, pois ele é via sempre aberta, podes fazer balanços, pontos de situação, se achares que isso te é útil, aos teus próprios passos, mas culpa, culpabilizares-te do Amor, não é da sua natureza, pois Amor é sempre larga compreensão do homem, e também do seu errar.
O Amor é muito antigo, conhece desde sempre os corações e as consciências dos homens, o Amor é também humano, assim participou em todos esses mesmos erros vezes sem conta, assim compreende o homem que cai, que erra, dá-lhe mesmo a mão quando o homem assim a deseja.
 
O Amor é integração, compreensão, aceitação, harmonização, paz. Se o Amor é também humano como poderia então, cortar uma parte de si mesmo, como poderia cortar uma perna ao homem onde habita, como se a perna fosse o seu erro, aquilo que o fez errar.
Não, não é esta a via do Amor, o Amor entende e por isso não castiga, e se não castiga se calhar nem mesmo tem de perdoar, pois o castigo reside no homem.
 
Mas que sim, se nas vezes que o homem se castiga si ou a um outro, então o Amor é perdão, transforma-se em perdão para o socorrer. Perdão é mais a consequência do processo que o processo em si. O processo é compreender, compreender o que se passou e o que estava por detrás do agir e isto faz-se por espelho de si mesmo, ou jogo de reflexo com um outro. Só posso compreender uma coisa que me participe, na qual eu participe, toda a experiência humana, tem de alguma forma de me ser perceptível, visto eu próprio ser humano. Quando me compreendo, quando compreendo um outro, estou a conhecer-me melhor a minha própria natureza humana. Perdão é então o resultado onde se pode chegar se assim se quiser, perdão é o que então se faz, tipo uma agua que dissolve um monte de terra dura e ressequida, que permite a paz interior, por integração e harmonização do que antes chocava. Porque enquanto as coisas nos doem no dentro e por dentro, tendemos a andar na vida zangados, assim falhamos mais vezes os constantes encontros de Amor.
 
Perdão, não é acto, processo, pieguinhas e de quem não tem coragem, alguém que não tem pulso firme, ou carácter decidido, pois quem na via do amor e do perdão se aventura, tem que ter mesmo uma vontade decidida. Tem que começar por não pôr no alheio, no outro, as causas da sua insatisfação, o que implica muita e constante vontade e mais, tem que ter a força e o engenho para navegar nas profundezas e nas alturas de si mesmo, pois só assim conhece a sua natureza, só assim conhecendo as peças as pode almejar integrar.
 
Tem que ter muita vontade, algum saber e ajuda para concretizar essa almejada integração.
 
Como se vê são requeridas qualidades de bravoso cavaleiro, nada acto piegas ou coisa de fracos.
 
 
Perdoas -me ter falhado o reencontro
Sim, meu querido, quando os reencontros
Falham, são pelo menos dois que assim os fazem não acontecer
E depois para quê preocupações, se aqui estamos a conversar,
Bem sei que doutra maneira, diferente do que fizemos no passado,
Mas com a possibilidade de exprimirmos
Um ao outro, o que sentimos.
Não há desencontros como coisas externas a nós
Somos nos que os fazemos bem como os encontros
Quando assim, como agora, temos vontade em nos encontrar
E nos encontramos.
E como vês não há perdão, pois não há nada que perdoar
E como vês não há castigo, há consequências
Há vontades é há encontros
Ou desencontros quando os homens trazem seus corações pesados
E as cabeças pensam menos bem, envoltas num qualquer nevoeiro.
 
 
Ainda no outro dia lhe chegara um homem que lhe dissera que gostava de o ler, que algumas coisas lhe davam pistas, menos naqueles escritos em que metia a palavra Amor, duas ou mais vezes numa frase, que aquilo então para ele era lamecha, lamechices.
 
O homem nem lhe respondera em profundidade pois deu-se conta que o outro não o perceberia e estaria a gastar seu latim em vão, pois tudo o que ele lhe escrevia, mesmo aquilo que não metia a palavra Amor, assentava Nele, esperava o homem em seu coração, pois para ele toda a vida era acto de Amor.
Chamar lamechas e lamechices à vida era uma forma de a ver, que ele respeitava como outra qualquer, mas decididamente não era a sua.
 
E contudo aquele homem cruzara-se consigo já algumas vezes, precisara de duas conversas para perceber qual era a questão de que falavam no emaranhado, que a coisa ao princípio parecera ser. A questão era, se era ou não preciso, necessária, uma certa agressividade para se obter o que se quer na vida. Era um homem que estava seduzido por uma ideia de paz, mas trazia ainda dentro de si a dúvida, se não seria mesmo necessário manter um certo grau de guerra, por assim escrever.
 
E nos seus encontros a conversar, a vida como de costume fora pródiga a encená-lo, pois foram distintos os episódios e as interacções que disso lhe deram conta aos seus olhares, numa curiosa simbiose entre o que se busca, o que se troca conversando e o que se manifesta.  
  
E o mesmo, essa simbiose, o Amor,  que revela o que está sempre Unido, que aumenta infinitamente o Homem, passava-se em todos os planos em que considera-se a Vida,  o Viver, o Vivo.

sexta-feira, julho 16, 2004

(estes fragmentos do que então chamei de um texto que aparecera, nesta forma que os escolhi , de partilhar, saem por vezes fora da sua ordem natural e de alguma forma temática, aqui entendendo por temática, os núcleos drámaticos onde a acção se organiza.) talvez uma futura revisão depois de conclui-los, os possa ordenar de outras formas)
 
 
 
Imagens da sua diferenciação, seriam portanto imagens únicas, suas, procurava o homem dentro de si, como que à pesca no pescar.
 
Blur, blur, blurb, nurve, curbe, faz a bóia à superfície, num jogo de pura, empurra as águas do mar, numa agitação, tensão vertical.
 
 
No palco do auditório, o duo Ouro Negro, punha os pequeninos infantes na festa do natal a cantar. Hábitos curiosos de grandes empresas nacionais, que faziam e fazem festas para os filhos dos que neles trabalhavam, aquilo metia presentinhos, cada um levava um e depois era feita uma troca, não se sabia o que calhava, e tudo aquilo era sempre uma grande excitação.
 
Aquela música, metera na sua mecânica participativa, a divisão da sala, a partir de uma linha imaginária traçada do meio do palco baixo e que subia perpendicular até ao cimo do auditório, onde ele se encontrava à direita.
 
O braço descrevia o que dizia, os meninos que estão à minha esquerda, ou seja à vossa direita, cantam lalala, e os que estão à minha direita, ou seja os que estão à esquerda cantam lelele
 
Aquilo acontecera porque as vozes dos coros tinha dado confusão, e aí, ele percebera que seria necessária uma explicação de direcção. Bem lhe Agradeceu o Infante, pois nunca sabia qual era uma e outra e aquele Homem tinha-lhe dado uma chave.
 
Assim, sempre que queria saber qual era uma ou outra, colocava-se mentalmente naquele palco, ouvia a minha direita é a vossa esquerda e sabia então qual eram seus lados, naquela linguagem dos adultos.
 
Complicado, todos concordarão, mas sendo ou não sendo, aquilo funcionava, permitia ao Infante responder por uma coisa que a ele, pelos visto, como alguns outros que foi descobrindo, e que era, a ausência do sentido de lateralidade.
 
O homem reflectia que a ausência do sentido de lateralidade, indica uma espécie de lateralidade total, que no fundo se tornava um círculo, ou uma bola que o envolvia.
 
Uma lateralidade total, que o envolvia como uma bola, pois os lados estavam no redor e o redor era apreendido pela participação de todos os sentidos, e com pelo menos mais um, que não era nenhum deles, mas que deles também participava.
 
A apreensão do redor que se podia fazer pelo cheiro, cheirando o vento que o trás e o leva em seu bailar, e que mesmo o cheirar concorria para a medição de uma distância num prado, ou do estado do tempo que estava ou que vinha.
 
Ou o conhecimento provado das belas coisas que habitavam nesse redor, oh, a mais suave no ponto do mel exacto, para seu paladar imagem do nosso ser português, daquela maçã, aquela maçã específica do norte de sua infância, a bravo esmofo. Maçã verde, de formas irregulares, nada polidas, normalizadas, como são outras das suas irmãs que os homens entretanto produzem. 
 
(Oh Senhores, aqui fica a pérola, cultivem esta maçã, nem que seja em terrenos alheios mas de uso fruto regular, dêem-na a conhecer aos Homens, seu paladar e vejam como seus corações se arregalam. Façam o teste cego, mas bem cego, ou seja não lha mostrem inteira, mas em pedaços regulares lado a lado. Ocultem-lhe a exterior forma para melhor sobressair a Interior.)
 
 
Ou a visão com os seus 230º, 250º graus de amplitude na sua horizontal, sendo que entre os restantes variáveis 130º ou  110º , se vê de outra maneira, com o tal outro sentido, aquele que nos faz virar a cabeça para trás quando alguém nessa direcção, de um certo modo, com um certo sentir, nos observa.
 
Parecia haver qualquer coisa invisível a seus olhos, de si mesmo, que via, que lhe permitia ver, uma energia subtil, um corpo subtil, que envolvia seu corpo físico, como uma esfera.
 
Lateralidade, esquerda, direita, se lhe tivessem falado no nascente e poente, talvez que sim, ou mesmo em, oriente, ocidente, que sim, talvez assim tivesse conseguido estabelecer uma consonância lógica com seu sentir, e aí se calhasse não precisaria de tão complicada mnemónica.
 
E contudo um homem sem sentido de lateralidade, implicava em seu ver, uma remissão para ele mesmo, já que como corpo total ao mover-se no redor, teria que ser a partir dele e como centro de si mesmo, o estabelecer das direcções, das coordenadas.
 
Mais uma vez, mordera a maçã da linguagem, uma outra diferente, de uma outra que ele conhecia, a que tinha acesso, onde também vivia.
 
Uma percepção e vivência do espaço como coisa total, envolvente, sendo que seu corpo consciência se já teria noção, saber, das direcções das coisas exteriores, das nascentes e fozes dos rios, do sol que se levanta e se põem, não teria na mesma, consciência delas a um nível só seu, a posição, dependia sempre da sua relação com elas, com as coisas exteriores.
 
Assim o menino não lateralizado era uma espécie de menino de todos os lados, sendo que as direcções dependiam sempre do movimento e da relação de posição entre as coisas
 
Ao limite para quê esquerda e direita, se a minha esquerda é a tua direita, quando me encontro de frente para ti. Já lado a lado, sim elas concordam, embora encostem os ombros, uma em cada seu oposto, bela analogia de vida, e acrescentava o homem, ele sabia donde as coisas vinham, onde estavam, mas que fosse esquerda, ou direita, aquilo era mais complicado, pois teria que se perguntar esquerda ou direita em relação a quê.
 
Muito mais interessante lhe parecera o sistema do major Alvega, uns anos mais tarde. Os Aviadores imaginam um círculo, dividido como as horas de um mostrador de relógio e assim indicam uma posição com mais precisão que direita ou esquerda, inimigo pelas x horas, seria mais preciso a indicar de posição e direcção de aproximação, do que dizer, esquerda baixa ou direita alta.
 
E tal deve ter sido inventado quando o homem descolou, deixou de ter o chão debaixo dos pés para se perceber no universo de outra forma e com outros poderes, o de voar, imitar seus irmãos pássaros, como era longínquo este sonhar dos homens.
 
E de analogia com sua posição vertical, sabia desse eixo que lhe atravessava todo o corpo vindo de mais além e indo mais além, cruzado com um que podia definir uma horizontal, feito por seus braços, e que se o homem afastasse as pernas, criava assim mais dois eixos, cinco eram então os pontos cardinais, cinco as direcções, extrapoladas num mesmo plano e se rodasse os braços esticados 90º, criava mais dois pontos cardinais e obtinha assim mais um eixo, que lhe permitia tornar-se esfera, esférico, coisa que ele sempre suspeitara, ao contrário do que os adultos lhe criam fazer crer, verdadeiramente, ser.
 
Subira à memória do homem, uma história de homens que outrora se tornaram esféricos, que por seu muito engenho, assustaram os Deuses, que assim assustados com um poder que pensaram que os podiam ofender, os cortaram ao meio, para lhes retirar metade do engenho e da capacidade. E o que se lhe afigurava mesmo como curioso, era que aqui, em sua vida, não eram os Deuses que tal faziam, mas mais seus próprios irmãos, pois alguns assim se preferiam comportar.
 
E se tudo isto era verdade em seu sentir, também era verdade a existência de convenções, que elas estruturavam uma forma de olhar supostamente comum, e que só assim parecia poder existir entendimento na conduta dos homens com os homens e que portanto não lhe restava que aprender a viver com aquilo, mas sem perder, o seu próprio e único, como a cada qual, ponto de vista.
 
Recorda-se em infante menino de começar a perceber que os códigos dependiam sempre de uma arbitrariedade definida e acordada previamente por alguém, ou conjuntos de alguns e que muitas eram as vezes, que ao indagar sobre o seu porquê, porque é que tinham sido construídas assim, daquela maneira, ao explicarem-lhe, aquilo, embora perceptível, não fazia para ele todo o sentido, ou melhor, não fazia o sentido integral da coisa, pois assim a seu sentido, se lhe apresentava a coisa diferente.
 
E lá ia ele tentando explicar seu ponto de vista, e complicado, era, que mesmo que o percebessem, não deixavam de lhe dizer que a realidade consensual, era da forma definida como lhe fora apresentada e o infante tinha então problema acrescido, pois também nunca se percebera como consensual a um outro, semelhante, que sim, mesmo muito, já era tal, o saber dentro de si, mas consensual não. E contudo sabia o homem que existem circunstâncias, que tornam a identidade completa, de certa forma consensual, mas essas encontram-se em outros dominios para além e aquém das convenções. 
 
Aquilo deverá ter sido para ele como uma queda, o contacto com a linguagem dos homens e seu pensar pré estabelecido, pois de repente se dera conta que o que sabia das coisas e os que os outros convencionavam como saber sobre essas mesmas coisas, era distinto, e tal lhe parecera na altura que iria tornar a sua vida um pouco mais complexa e também, como ele dizia, uma repetição de certo modo.
 
Teria que passar a ter uma interpretação que correspondesse aos códigos aceites, pois se não a tivesse, não poderia comunicar, nem aprender na forma que lhe era proposto aprender e depois teria que continuar a ter a sua, pois se não, arriscaria a não saber mais quem era.
 
Já conhecia o homem, o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura, o que o alertava para o necessário cuidado em não vir a perder o seu próprio ponto de vista, pelo peso e repetição das circunstâncias.
 
 Viver implicava andar com um certo estado de vigília, acordado, para não tomar só as coisas pelo que os outros lhe faziam crer que eram, mas sobretudo vê-las, Vê-las por si mesmo, sendo que isso não rejeitara à priori o que de bom lhe trouxessem, e o bom para ele, era sempre algo que se apresentava como um convite, que o convidava a um certo sentir, a um pensamento, a um saber, a um agir, a um aprender.
 
 
Descubra as diferenças.
 
Quando se diz que ele que se coloca a esquerda, quer-se dizer o quê, ou posto de outra maneira, o que quer dizer esquerda, que conceitos imutáveis, que verdades, que querer, que diferente agir se esconde por detrás desta palavra, talvez o tudo e o nada e o entretém, no entre. Posso assim definir Alguém, posso assim conhecê-lo melhor.
 
Quando se diz que ele que se coloca à direita, quer-se dizer o quê, ou posto de outra maneira, o que quer dizer direita, que conceitos imutáveis, que verdades, que querer, que diferente agir se esconde por detrás desta palavra, talvez o tudo e o nada e o entretém, no entre. Posso assim definir Alguém, posso assim conhecê-lo  melhor.
 
Depois ficara o homem a pensar que a noção espacial da consciência, ou do espaço da consciência, como gostava mais de dizer, era como a diferença que recentemente se dera na vida humana, na  passagem do raciocínio analógico para o digital.
 
Podia ver um raciocínio como algo, assente numa linha de tempo. Por exemplo três palavras seguidas, uma primeira, uma segunda e uma terceira.
 
Podia ver simultaneamente passado, presente e futuro, mas a limitação do raciocínio analógico era visível quando se deu por si, a editar vídeo nos equipamentos analógicos, que como todos os equipamentos, espelham o pensamento e a consciência de quem os fez e o tentam sempre imitar.
 
E aquilo tinha fortes limitações, a construção narrativa estava condicionada numa só direcção com uma interdependência muito restrita
 
Palavra A       Palavra B       Palavra C
 
Ou
 
Plano A          Plano B         Plano C
 
E o pensamento para ele, permitia-lhe todas as direcções, todas as peças, as palavras ou planos podiam ser ligados entre si de múltiplas maneiras, tanto no espaço como no tempo, c, podia vir antes de a ou de a no meio de c e b. Dava-se muito até o caso de poderem ser paralelas no mesmo tempo.
 
É certo que esta imagem é só reveladora do dominante do pensar, e das condicionantes que as técnicas colocam ao pensar, pois mesmo esses sistemas de edição analógica permitiam uma certa alteração na ordem de montagem.
 
Foi isso que o digital trouxera, uma maior consonância com o modo de funcionar do cérebro humano e do pensar, uma maior liberdade criativa, uma maior facilidade em ligar as palavras da forma que se entender e também uma outra, a capacidade de refazer e refazer, experimentar, bem à imagem e semelhança do Homem.
 
Um enorme aumento da multiplicidade de construção possíveis, se visse estas coisas como por exemplo, peças de lego.
 
 
 

terça-feira, julho 13, 2004

O menino ficara muito triste, e assustado com a morte do gato pelo que o homem dissera

Conversara, então com os seres que o acompanhavam visíveis até essa altura de sua infância, muito triste como tal poderá acontecer, como é que Deus assim o tinha deixado acontecer, zangou-se perante a resposta que na altura entendeu, que era assim que as coisas se passavam.

O menino sairá da conversa, decidido a bater o pé, a dizer que assim as coisas não podiam ser, e lá vai ele no início de uma história que não conhece, mas que está toda traçada, naquilo que ele em seu livre arbítrio, naquilo que ele pensa ser a sua busca, lá vai ele na busca do curar, do compor.

E o Amor com quem se zangara, como ele podia assim deixar.

Recorda do que sempre respondeu, há pergunta que todos sempre lhe trouxeram ao longo das diferentes idades sobre o modo como os homens cresciam, e que era a imagem que sempre lhe aparecera

Desenha um risco vertical que depois divides em três outros, como os ramos de um castanheiro, assim se nasce pela raiz, vai-se menino crescendo e depois imagina que vais pelo ramo que desenhaste no meio.

Se observares mais ao perto, verás que desse ramo partem outros que alteram o caminho se tu os seguires, mas que dependem sempre de uma direcção dominante, mas sempre ancorados a um dos três principais donde os outros nascem.

Difícil, dizia ele então, parecia-lhe difícil que a vida assim fosse, pois primeiro a vida era simples na mais das vezes, as pessoas é que a complicavam muito, mas que difícil, seria de repente, num qualquer momento dessa mesma vida, passar, como se um pulo se tratasse, para um dos ramos ao lado. Livre arbítrio humano, movia-se necessariamente em território humano e assim sendo, baseava-se numa percepção e avaliação constante de quem somos em cada momento do que acontece, do que nos acontece.

Livre arbítrio parecia ser mais, pequenas correcções ao curso, pequenas invenções de rotas que se ancoravam sempre numa mesma rota. Toda a vida lhe transmitia, o fazia viver esse sentir e essa ideia de re ligação, re ligação que só seria possível por semelhança, por afinidade entre todas as coisas, uma por assim dizer trama ou fado maior, que a todas perpassava.

Também encontrara em seu passos quem galhofasse deste seu ponto de vista, que não o livre arbítrio era coisa do ilimitado do infinito, que o ser por definição é evolução, constante movimento

Possuía memória, coisa complexa, feita por muitas camadinhas, cada uma, com uma porta e chave secreta de acesso, que reside sempre dentro de cada um de nós.

Assim ia percebendo um caminho numa certa orientação, a sua, a própria sua e de alguém mais, e via que muito dificilmente tanto pelo enredo, como pelos dramas, como ainda pelos actores, se poderia inverter essa direcção dominante, o sentido único de si mesmo, que se ia reconhecendo.

Também sabia, que às vezes assim acontecia, as pessoas como que pulavam mudando de ramo, pois já vira assim acontecer com outros, embora em seu ver mais raro.

Era esta a imagem intuitiva que sempre o acompanhara, se bem que com variantes ao longo do tempo, era a dominante até então.

Reflectia agora, o Amor não se Zanga, Amar não é zanga nem zangar, é dar e receber, coisas que não acontecem, quando nos deixamos tomar pela zanga. Ou seria que Deus era duplo, tinha dois lados, ou então não seria Deus e os Anjos com quem tinha falado mas sim outras forças de um mesmo ou diferente lado, pois nem isso ele sabia em rigor nesse momento.

A linguagem do Amor era a linguagem da intuição, uma linguagem invisível, maior que as partes que a compõem, formado por todos os sentires, todos os ausentes sentires, todos os presentes saberes e todos os que estão ausentes.

Recorda quando a conversa com alguém a teu lado, se encavalita uma na outra, quando o teu pensar e o pensar do outro, se lê antes mesmo da sua formulação, jogo de montada, que duplica o homem, o faz maior, sem o ser por oposição a outro alguém ou algo. Quando assim, acontece, se vai longe, linguagem que se encontra sustentada nas leves e diáfanas emoções de amor, a calma, o escutar, o entender, o respeitar, o dizer, o mostrar a diferença, a busca e o alcançar do estabelecer comum. Corações tranquilos, no tempo de se darem, no tempo em que se cruzam e mutuamente se entregam. Oh Paz, Oh Doce Regaço, Doce Regato do Amor

Quando dois ou três se juntam em Seu Nome, que quer dizer quando dois ou três que se encontram, trazem dentro de si a emoção do Amor, Um outro Ser invisível entre todos aparece, o Espírito de Deus, o Espírito Santo. Oh como esses dois ou três então se transcendem, quando tal acontece, como a vida se transcende, como adquire as mais brilhantes cores, como se torna verdadeiramente a Casa, a quente e aconchegante Mesma Casa.


Deus e os seu Anjos são Deus e os Anjos Bons, pois Vê na Natureza do Amor, também grafada, a Compaixão e o Perdão. Não consegue imaginar que Estes seus Amigos possam ter em si um lado maldoso, desse jeito. Que sim, que até o poderiam ter, mas ao faltar a compaixão e consequentemente o perdão, então não, ele pensava que nesse ponto podia saber que teria de ser uma força distinta, pois não operava na mesma consequência de princípios que a outra. Uma força distinta ou um outro lado de uma mesma una força?

Velha questão que os homens falavam ao longo dos séculos. Se o mal era uma ausência do bom ou se teria ou adquiriria substância própria.

Recorda todo o que sabe sobre os homens e sua humanidade, e vê, que num coração preto, por muito preto que esteja, há sempre um mesmo ponto de luz.

Recorda que um coração preto enegrecido pelo mal, assim não nasceu, algo, coisas, acontecimentos houve, que o puseram assim, o que lhe alargava de imediato a fronteira da responsabilidade de cada um no deixar que alguns dos corações assim pudessem enegrecer.

Já vira violência com homens possuídos de negro em seus corações, mas tudo isso acontecia numa interacção, era preciso pelo menos haver dois, para que essa violência se transbordasse.

Já vira homens bons com corações negros e homens apelidados de maus com corações brancos e suspeitava que entre estes dois pólos existiram uma gama de matizes e depois os homens oscilavam, uns mais que os outros, é certo, mas oscilavam em função da emoção que lhes acompanhava o agir.

Se dera conta menino que a energia, a força de que falava, era espírito, ou melhor, partes do espírito e que o espírito tinha a propriedade de se incarnar em todas as coisas, através de todas as coisas, pois era assim que ele às vezes se revelava. E que se embora sempre lá, o espírito, que é composto por múltiplos espíritos, por vezes tinha o dom de como escrever, se sobrepor no tempo da sua aparição, substanciação, ao carácter da coisa ou pessoa que lhe servia de suporte de encarnação.

As coisas e as pessoas adquiriam uma dimensão simbólica, radiante, mais profunda na forma de entender a realidade da natureza das coisas, os significados ampliavam-se, as coisas ou pessoas, tornavam-se portas para outras dimensões, níveis de percepção e entendimento. Por ai se podia ir transportando.

A Rosa a florescer, a Flor a Abrir, o Segredo do Ouro a Aparecer

Espírito canto do corpo, presente de Deus, subtis energias que se movem nos interstícios do visível, corpo subtil e emocional, sussurrante vento em folha de carvalho, afagante a afagar

Espírito produto dos homens, de seu sentir, de seu pensar, de seu saber, de seus existires, Espírito, ideias que são possíveis, porque assentam nas mesmas cinco forças que hoje se reconhecem actuar no universo e assim sendo partilharão de uma mesma semelhança.

Espírito e a emoção do Espírito, porque todas as coisas são também emocionais, e a cada expressão do espírito está sempre sustentada no desenhar de uma emoção, um sentir, um saber, uma vontade.

As vezes eram ideias, arquétipos, certas expressões de faces do espírito, que se encarnavam ao redor, reconhecera-os pela alteração de intensidade emocional que pelo breve momento da sua manifestação produziam no veículo que utilizavam, lhe perdoassem todos aqueles que eram gentes, de assim os chamar.

Eram caras e vozes que discorriam e de repente uma alteração facial, um esgar, uma alteração do tom, com uma certa marcação emocional específica, especifica como dominante, pois aquilo que ao chegar se manifestava sempre com um pum, pico energético e emocional, chegava na paleta inteira do arco-íris de todas as emoções, mas em suma cada uma, apresentava-se como cada uma.

A energia era uma mesma, tinha vontades diversas, cada manifestação, correspondia a cada uma, e nesse sentido única e irrepetível. Essa energia manifestava-se tanto em si, como através de si, e do mesmo modo actuava naquilo que lhe estava em redor.

E depois, se o Amor que vivia não era perfeito, pois ao acabar a vida, partiam dela Aqueles que tínhamos Amado, bem como já sabia que um dia partiria, algo se tinha estragado ou se encontrava mal desenhado no plano Divino, do qual ele tinha conta, vivia-o, vivia a imensa e constante, participação participada de toda a vida que se expressava em si e em seu redor.


Tanto berrou o menino, que lhe apareceu Deus uma tarde vindo dos céus. Ouvi-o pacientemente, mostrou-lhe outras coisas que existiam, por assim dizer, outras aparentes dimensões, onde tais coisas não se passavam e convidou-o a ficar. O menino perguntou-lhe então se seus Amados viriam também naquele momento viver naquele bela pradaria ao que Deus lhe respondeu que não, e assim o menino agradecendo o convite, foi de novo depositado no chão onde habitualmente vivia.


Belo Homem de Barbas Brancas, como o vira nas estampinhas, Bondoso, carinhoso, seu rosto radiante e quente como o Sol, mas sem nunca queimar, belo amigo homem avô que lhe mostrara que havia outros lados numa mesma paisagem, onde as coisas eram diferentes. Que Amável fora para com ele, assim quente em seu quente e amoroso colo se sentira

Voltara contudo o menino pois não quis abandonar aqueles que conhecia e que por isso Amava. Seres que não estavam naquela outra paisagem, e com a promessa de aí voltar, mais tarde.

Tinha saído de lá mesmo um pouco zangado, se era possível, porque não podia acontecer para todos, porque é que esses tempos tinham que andar desencontrados.
Porque não fazia Deus aquilo inteiro de uma vez só.

Porque não o poderia fazer, visto que sua natureza é dar, é fazê-lo.

As questões tinham por assim dizer, subido de nível, pois para ele, aquelas duas aparentes paisagens, ele o sabia por experiência própria, residiam numa mesma e mais, que se podia comunicar entre elas, por assim dizer, passar em certas circunstâncias de uma a outra.


Pensava então se Deus nos fizera a sua imagem e semelhança, seríamos de certa forma, ou em parte, idênticos a Ele. Então este sofrimento não poderia existir somente dentro dele, o menino, teria que estar também em Deus, pois para além de tudo uma das suas características era a capacidade de compreender o sofrimento, pois nessa compreensão, nessa capacidade de comunhão, se baseava, se abria, a porta para qualquer perdão, que enquanto não existe, enquanto não se faz no acordo interno entre o coração e a razão, se traduz sempre num acto de guerra pelo menos interior em quem o transporta. O Pai, Deus, Era Amor, Era Perdão

Perguntara a harmonia enquanto desciam de novo para a terra, porque estava o Pai triste, pois num relance, lhe parecera assim também o ver. Harmonia respondera-lhe, sabes o Pai é o Amor, O Amor não se Impõem, E assim o Pai sofre quando vê os Homens viverem em tanto desamor. O Livre Arbítrio do Homem é feito à Semelhança do, do Pai, também. Não Pode o Pai descer aos Homens sem Eles Primeiro Subirem a Ele.

Olha, harmonia, se não te esqueceres, dá-lhe um beijinho meu quando voltares a subir, mas responde-me a uma coisa, isso da morte como é então, se eu já sei das outras paisagens e lugares que existem neste mesmo mundo, onde as coisas se cruzam, comunicam entre si, como me demonstras-te agora sobre o porque da dor do Pai, e se são intemporais tais espaços, não é morte, que a morte que aparece, assim parece crer ser.

Sobre essas matérias nada te posso dizer, terás que ser tu a descobri-las, assim será teu caminho.

Pensava então que mesmo Deus não se encontrava imune ao sofrimento à própria dor, visto que as nossas dores o afligiam. Era preciso Ajudar Deus, e ajudar a Deus era compor as dores dos homens, visto que de novo, à terra voltara.

Talvez se assim acontecesse, O Aparente Afastado, Ocultado, se revelasse Inteiro de novo e se restaurasse a primeira e límpida manhã.

Depois pensara, e a Mãe, onde estava, pois não a tinha visto e em se pequeno entender das coisas, tinha sempre, que existir uma Mãe, pois mesmo um Pai vinha de uma Mãe, estava habituado a ver sempre uma Mãe com um Pai.

Onde andaria ela, que a trazia ocupada de forma a não remediar, o que se apresentava mal, com dor, a doer, pois são essas suas qualidades, a cura. Porque não curava a Mãe o Pai, ou seria que Ela estava na mesma como ele, em dor, em seu sofrer, que podia ser um mesmo ou até, um outro.

Mãe, Pai, eram também dois nomes de dois princípios desde sempre pelos homens conhecido, o Feminino e o Masculino, polaridades que se encontravam em todas as estruturas e que possuem energia com cargas opostas, que quando uma frente à outra,
Embora opostas se equilibravam em movimento em redor de um núcleo.

Aqueles princípios com suas características distintas, encontravam-se em todos os lados, viviam em diferentes realidades, permeavam todas as coisas, o mesmo se passava dentro de si, pois todo o espírito do homem assim o concebera, desde tempos muitos idos, em todos os quadrantes do mundo.

Basicamente feminino era uma energia atractora, que atraia, uma capacidade de absorver em direcção a si a energia alheia e masculino era uma energia que irradiava a partir de si, uma energia apontada para fora. Uma energia que perfurava, ou se encontrava em equilíbrio estabelecido por sinal contrário com seu oposto feminino.

Pois aqui parecia que as duas energias se encontravam separadas, pois não se sabia do mediador.


O homem sentado ao luar relia um poema antigo sobre esta matéria

Se a Vida
É a Morte

Se a Morte
É a Vida

Se a Vida
E a Morte
Não
São
Duas

Mas
Lados
De Uma
Mesma
Moeda

Se
Uma
Não
Dura
Para
Sempre

A
Outra
Também
Não
Dura
Para
Sempre

Pois
São
Dois
Lados
De
Uma
Mesma
Moeda


Se
A
Vida
Acaba
A
Morte
Também


Assim
Se Afirma
A
Transmutação

Se
A
Vida
Continua
Então
Nem
Esta
Vida
Será
Única
Vida
Nem
Esta
Morte
Será
Morte



Se
A Vida
Vai
Mais
Alem
Do
Finito
Visível

Então
A
Morte
É
Ilusão




E
Se
Uma
Ilusão
É
Algo
Que
Ilude
Que
Esconde
O
Que
Em
Verdade
É


E
Se
Vendo
Mal
O
Homem
Em
Seu
Caminhar
Seu
Agir
Se
Engana

Quem
Assim
O
Tenta
Dispor
Quem
És
Tu
Diz
Teu
Nome


O homem recorda que naquela altura ninguém lhe respondeu. A conjuração tinha ficado sem efeito. Nada ou ninguém se manifestara.

O ambiente era de semi escuridão, quando entrou na sala, deu por si à espera que os olhos se habituassem aquela meia-luz, formas humanas estavam sentadas pelos sofás, algumas circulavam entre eles.

De repente viu-a, dirigiu-se certeiro a ela e quando se aproxima como um vento súbito, ao chegar ao perto, já muito perto dá-se conta que não é ela, balbucia desculpas e retira-se sentando num dos sofás ao fundo da sala.

Pensara que tinha visto a cara do seu Amor, enganara-se e enquanto estava pensando para si mesmo o que o fizera assim dirigir-se. Que semelhança lhe reconhecera ele, se é que se podia falar em semelhança, que identidade tinha reconhecido, que o fizera ansioso daquela maneira.

Estava entretido neste pensar, quando a rapariga chegou, sentara-se e perguntara-lhe, como é que se sabe que o Amor é Verdadeiro, como é que se sabe se é a nossa Alma Gémea.

Só lhe ocorrera uma resposta rápida e breve, sabe-se, quando é sabe-se.

Poderia ter-lhe falado sobre o assunto, discorrido sobre o que está verdadeiramente escondido nas suas duas perguntas, mas é assim que no seu confuso sentir emocional, assim sai, e ela também, sai, então de cena.

Nesse momento, sente que começa a morrer, sente dentro de si, que vai morrer naquele preciso momento. Quer pedir ajuda, mas não consegue, seu corpo invadido por um grande calor, incapaz de se mover, seus músculos não respondem, sua voz não fala nem chama. Realiza então que não vale a pena resistir, acalma seu medo e deixa-se ir, entrando numa outra dimensão física, que mais verdade seria dizer o seu contrário.

Uma figura feminina vem ao seu encontro ficando a seu lado, enquanto ele tenta ver mais coisas naquele espaço onde está. Repara então que não tem mais corpo, só consciência, ou pelo menos Aquilo que pensa a sua consciência, que inclusive lhe permite ter uma.

De qualquer forma, mesmo sem corpo, ao lado daquele meio indefinido ser, sabe que continua de alguma forma a ser ele, pensa e sente como sentia antes de morrer, se é que entretanto morrera.

Outra coisa sentira ao lado dessa figura feminina, que ele vira por diversas vezes ao longo de sua vida, que se lhe apresentara, uma paz, uma paz em seu sentir como nunca se lembrava de ter tido em vida, se é que estava morto. Era uma paz profunda, por assim dizer, radical, algo que nunca tinha até então sentido.

Uma Senhora aparecera-lhe, e dessa forma, ao reconhece-la, mostrara-lhe que continuava consciente de si naquele mundo diferente. Depois houve entre eles uma conversa, onde uma questão lhe foi posta, a que ele respondeu, e que o fez de novo trazer a este mundo, pelo menos, assim, ele o cria.

Aparecia-lhe o outro lado da questão, fechava-se um círculo. Voltou para não provocar dor, àqueles que o amavam. Da primeira vez não lá ficara, pois não queria a dor de os perder. O circulo estabelecia-se começando em não querer sofrer e acabara completando-se, em não fazer os outros sofrer. Não sofrer nem fazer sofrer

Ele agradecia à vida o que ela lhe mostrara, às vezes contava esta história mas ficava com a sensação que a maior parte das pessoas ficava a pensar que ele era maluco ou que teria tido um ataque de pânico, uma hiper ventilação ou algo do género. Também sabia que aquele saber só era válido para si mesmo, e se calhar para alguns outros, pois constava que existiam.


E contudo não sofrer nem fazer sofrer, não era atitude passiva, pois se fosse essa a atitude na mais das vezes, o sofrer acontecia, o não sofrer nem fazer sofrer, implicava uma atitude curativa e de preferência orientada para a prevenção.

Por outro lado confirmara em seu sentir, em seu vivenciar, que pelo menos alguns podiam ter acesso a uma por assim dizer espécie de continuidade, visto que isso lhe ficara, bem como aquela profunda paz nunca antes sentida, dentro de si marcado.

Enganara-se em sua busca, com uma Mulher, Aparecera-lhe e Encontrara Outra

O homem ouve a onda do mar, serenara de encontro ao ritmo de seu embalar, seu coração é agora o mar, seu bombear é a própria vaga, amar o mar, tornar-se mar
E nesse momento dá de caras com uma figura que lhe aparece por detrás

Ora viva estava à tua espera, pois se a morte é vida, pelo que me foi dado a conhecer, continua-se, alguém tinha que estar por aquilo que a morte aparenta ser.

Quem é que poderia ter interesse em corromper o Amor, quem é que poderia ter interesse em afastar alguns dos caminhos do Amor, que os assustava e para quê, que os assustava.

Fala criatura

Certo, aqui estou eu, nu como eu próprio sou. Mereces-te que eu aqui te aparecesse, já muitas vezes tinhas soado distintos apitos, mas nenhum ainda com o engenho suficiente para que desça a teus pés, simples mortal.

Desculpa minha amiga de longa data, que eu já te vi diversas vezes de relance ao contrário do que crês, mas os homens são imortais, tu melhor do que eu, o sabes, pois é essa a tua ilusão, a ilusão que lhes vendes, para os afastar do Amor, tu que és inimiga do Amor, ou seu irmão?

Já te vi de em diversas vestes, múltiplas companhias, múltiplas expressões, até te vi uma vês como tu és. Recordas-te foi em Bruxelas, há muito tempo, numa noite de neblina, espelhavam-se estranhos reflexos da lua por entre a névoa como nuvens rasante às águas do lago e eu descuidado em meu sentir, sendo entranhado por toda aquela atmosfera húmida e silenciosa, vejo de costas um vulto com capa sentado num banco de jardim, pelo qual eu acabara de passar e que se encontrava vazio. Tinhas aparecido do vazio como por artes mágicas.

Assim me fizeste olhar para trás e vi teu rosto, e assustei-me, dei um pulo, deixei de te conseguir ouvir e tu desapareceste e eu fiquei muito aparvalhado comigo mesmo a pensar quem serias.

Sim era eu, sempre a perguntar, sempre com perguntas, reduz-te a tua insignificância, treme perante mim, que aqueles assuntos naquele dia não eram só contigo, alias tu não deverias ter visto o que viste, estranhas habilidades possuis.

Porque hei-de tremer, se não és tu que me levas e quando for será o momento de ir, e para quê mesmo tremer, se eu de alguma forma já lá estive, não tenho esse receio em mim e espero nunca o ter de novo, mas não me respondeste ainda.

Eu sou seu inimigo declarado, faço-lhe luta, quero a divisão no coração e no agir dos homens, assim armo a grande confusão, coração dividido, pensamento incompleto, homens crêem então na vida como algo que acaba, a ao assim viverem, perdem a possibilidade de viverem no Mundo onde têm seus próprios pés, o Amor, o Paraíso, A Ilha dos Amores, A Eternidade.

Assim o adio, no mundo, no mundo dos homens através do coração e dos pensamentos que racho ao meio, dos corações que assim torno enegrecidos para melhor me servir.

Já me viste actuar, faço-o por dentro e por fora dos homens. Dentro de seus espíritos existe sempre uma balança, que são como dois filtros oculares. Um negro e sombrio e outro branco e solar.

Consoante o homem escolhe o filtro com que vê, assim vê a realidade e age em função do que ele próprio, assim escolheu ver, e quando o homem dúvida da sua própria intenção, face a um outro, desconhecido, turva-se a sua própria intenção, seu desejo de confiar é substituído, ou pende então para a suspeição.

Como sabes, todas as coisas comunicam entre si, suspeição em mim, suspeição em ti, assim, longe dos campos do amor. Chego por dentro, sentando meu peso nesse prato da balança, sussurra meu espírito baixinho ao seu coração, desconfia, que ele vem para te fazer mal, que ele te quer mal.

Desculpa interromper-te, mas não podes ser seu Inimigo, pois Ele não tem nenhum Inimigo, não é da sua natureza fazer inimigos e para fazer inimigos são precisos dois, como ambos sabemos e Eu que o Conheço, sei que ele sofre por nós, assim ele próprio sofre.

O Deus
De
Que te falo
Habita
O Sorriso
É o Sorrir
E O Sorriso

O Deus
De
Que te falo
Habita
A Abertura
É o Abrir
É o Aberto

O Deus
De
Que te falo
Habita
O
Sentir
É
O
Que
Sente
O
Ser

O Deus
Que te Falo
Não
Castiga
Não É
O Castigo
Mas
É
Sempre
Perdão

O Deus
Que te Falo
É
Deus
Do
Querer
De
Amar
Do
Ajudar



Porque
Ele
É
Uno
E
Múltiplo
Está
Em Ti
Por
Isso
Ele
Te
Conhece
Te
Compreende
Sabe
Quem
És



Sente
E
É
Contigo
Tua
Dor
Ele
Sofre
Por
Ti

O
Deus
De
Que
Te
Falo
É
Deus
Do
Amor
Da
Liberdade
Do
Respeito

O Deus
De
Que te
Falo
Não
Se
Impõem
Pois
O
Amor
Não
Se
Impõem


O Amor
Alcança-se
O Amor
Alcança


O
Deus
De
Que
Te
Falo
Aceita
Tudo
Aceita
Todos
Sua
Mesa
É Grande

Para
Todos
O
Que
Nela
Se
Queiram
Sentar

O
Deus
De
Que
Te
Falo
Não
Se
Entretém
A Julgar
A Mal
Dizer
A
Cuscar

Entretém-se
A Amar
Deus
Menino
Amado
Curioso
Amável
Criador


O
Deus
De
Que
Te
Falo
Tem
Uma
Mãe




A
Mãe
De
Deus
Viva

A
Mãe
Que
Cuida
Dos
Mais
Fracos
Dos
Mais
Necessitados

A
Mãe
Que
Inspira
Alimento
A
Mãe
Que
Alimenta
A
Mãe
Que
Cura


E depois, quando falas da intenção ou que vontade do homem se turva, estás a admitir implicitamente, que existe uma constante, por assim dizer um fundo e um padrão comum, e essa padrão é o padrão do Amor, daquilo que integra, para isso não escolhe a suspeição, pois suspeitar é pôr-se à defesa, e por a defesa, certamente concordarás comigo, não é a melhor forma de conhecer as coisas e se eu não te conheço como então, te integro em mim.

Pois deste-me um dos meus nomes, o vento da suspeição e do desconfiar. Sabes muito mas não me alegras. Eu continuo aqui

Pois como poderia eu te alegrar, se o que és e o que fazes é o contrário da alegria, o que te aconteceu para perde-la, porque fazes luta ao amor.

Porque assim lhe roubo adeptos
O que ganhas com isso
Nada
Nada?
Nada como, não é uma guerra uma pretensão de ter mais qualquer coisa

Já que insistes, é uma velha história, mas abreviando dir-te-ia que quem vive pelo Amor a ele se entrega em vida, escapa à morte, torna-se eterno, e aqueles que não o conseguem, aqui voltam outra vez, o meu papel é só de mestre-de-cerimónias, sou eu que os faço falhar.

E que ganhas com isso
Alimento
Alimento?

Sim eu existo e sou alimentado por todas as indiferenças, por todas as confusões, por todos os ódios, por todos os possuíres, por muitos quereres, por muitos exageros. E sabes gosto muito de carne, gosto muito de possuir, não amar, vê lá se percebes, gosto muito de dor, de sangue, eu sou a vaidade, eu sou a ganância, eu sou a inveja, eu sou o desamor, a indiferença. Sim que quem assim vive, dá-se muitos prazeres a si mesmo, pois pensa geralmente em si, como distante e diferente dos outros, e eu dentro deles, prazer tenho, assim o obtenho para mim.

Não me tentes confundir, vai mais devagar, pois Amar é também prazer, os corpos para isso também existem, e se a morte não existe, porque não poderemos viver aqui em pleno Amor.

Bem sei que existe uma ideia de pôr o paraíso fora desta realidade, numa outra, mas por que não pô-lo aqui, no hoje e no agora. Sabes, eu acho que o teu trabalho o contraria, penso que os homens viveriam melhores consigo mesmo e com os outros se te conhecessem melhor, se, se lembrassem de te encarar, quando lhes apareces e o que vejo muitas vezes fazer é o contrário, como as avestruzes, enfiando a cabeça na areia, vivendo despreocupados a fingir que não conhecem a preocupação.

Esses nomes que te deste, são só exageros das coisas boas, e ambos sabemos que os exageros tendem para um lado de uma coisa, os exageros prejudicam a visão e a existência, vê-se menos, vê-se mais um lado em detrimento do outro, vive-se só num pé, porque se, se vir os dois, e caminhar com os dois, então nem existirá, mesmo, exagero.

É só uma questão de equilíbrio, para que as coisas e o andar não tendam para a sua enunciação no extremo errado.

Lá estás tu com as tuas veleidades, nunca mais as abandonas.

Pois como eu te conheço, também tu me conheces, não finjas surpresa com elas, já mas conheces desde sempre, ambos nos pertencemos de algum modo.

Aqui sob a luz do luar, posso olhar-te, e ver-te como uma emanação de mim, como a sombra projectada que parte de meu próprio pé, se estende horizontal no chão e adquire tronco de encontro à parede branca

Afinal somos muitos mais próximos e parentes do que sempre o julgáramos.
Chega aqui ao pé de mim, lê as minhas notas, aliás nem precisas de as ler porque as conhecerás tão bem como eu, falam sobre a ilusão que tu és, tiro-te o capuz, neste momento e observo-te.

Não, nem isso, não te posso observar porque és invisível na mais das vezes, mera sombra noutras, assim te vejo, vazio, esvaziado, espantalho de ar e vento.

Sim, eu sou invisível e teu irmão, mas não tenho teu corpo, embora o use, como uso todo que está a mão de semear e que me der jeito aos meus propósitos. Ah pois, aqui te confesso, se eu tivesse um corpo, não precisaria de o sentir pelos outros.

Olha, parece-me uma boa ideia, porque não vens habitar o meu corpo, comigo, arranjo-te uma casa interior bem mobilada e ofereço-me como companhia, assim poderemos os dois, ir sempre falando, e tu és sem dúvida um espírito muito sabedor, cheio de vivências, posso aprender muito contigo.

Assim te preocuparás pelo bem do corpo, e para isso terás que deixar de fazer e inspirar o mal e o mal feito, também deixarás de povoar os pesadelos dos homens, porque ficas comigo contente em meu corpo, inspirarás então a verdade da vida, lhes deixarás em seus sonhos sementes do Amor.

Mas para que esta relação de entortada passa a direita, tenho que em verdade te dizer, que a minha via não é essa que falas tanto gostar, passarás a ter um corpo, também teu, uma divisão para habitar e a participação através de mim e comigo nos prazeres que a Vida e estar vivo me proporciona, percebes-te?

Sim, que chatice, logo tinha que me calhar um franciscano ou quase, ainda bem que vou viver dentro dele, sempre lhe posso contrariar estes exageros, pensou ele consigo mesmo sem o dizer, mas esquecera-se que ao aceitar o negócio, o pensamento passara a ser audível.

Respondeu-lhe, mentalmente o homem, que belas conversas vamos ter, pois isto é uma espécie de verdade, verdadinha, no tempo do seu existir. Olha lá, mudando de assunto, porque não vamos até às estrelas e mais além, vamos visitar o Pai, dizer-lhe que não tem mais razões para estar triste, que agora tem mais um aliado, tu, e quem sabe, assim ele recupere a sua Alegria.

Devagar meu rapaz, isso temos que o fazer de outro modo, porque eu, ainda agora cheguei ao corpo, talvez quando largarmos este corpo, continuaremos juntos por outras paragens, quem sabe visitemos as estrelas e as galáxias

Firmaram o negócio, sim, ambas as partes pegaram o lacre, os seus respectivos símbolos, e selaram o pacto.

Ia o homem dizendo-lhe, se sempre foste parte de mim, se reconheces em meu corpo tua morada, porque um dia te foste embora

Um dia apanhei um susto e a partir daí para sobreviver comecei a usar o mecanismo que me assustou para me proteger…..

segunda-feira, julho 12, 2004

Estabilidade
Ou Mudança
Falso
Paradoxo
Estabilidade
Para
A Mudança
Estabilidade
Em
Contínua
Mudança
Outro
Outro
Melhor
Paradoxo


Pensa
As Regras
Da Democracia
Como
Peças
De
Lego
Tudo
É
Feito
Por
Pecinhas
Que
Se
Juntam
Se
Encaixam

Agora
Estás
Na
Tua
Democracia
Na
Democracia
Interior
Acalmas
A
Tua
Respiração
E Podes
Brincar
Como Te
Apeteça
Com
Elas

As
Peças

Ninguém
Te
Vem
Dizer
Proibido
Ver
Ou
Pensar
Ou
Experimentar

Estás
Na
Casa
Ínfima
Do
Com
O
Outro
Relacionar


Estás
Na
Casa
Íntima
Do
Coração
Em
Paz
Contigo
E
Com
O
Outro



A estabilidade justifica-se por

Não quebrar os ciclos, pois isso possui custos elevadíssimos para todos e todo

A estabilidade justifica-se quando o desempenho é bom.

A instabilidade justifica-se por

Um sentimento verdadeiro que a maioria dos que votaram não está contente com o rumo das coisas da forma como, o leva, a maioria.

Mas este sentimento tem seu próprio tempo para se expressar, de acordo com as regras acordadas.

Depois houvera mais dois sentimentos, impossíveis de enquadrar nas regras, pois habitavam outro espaço, o espaço do julgamento feito por cada um dos homens, ou seria melhor dizer, um julgamento, onde uns pendiam para um lado e outros para outro, que era a avaliação do futuro, face à cara da continuidade.

Pensando para o futuro talvez fosse de interesse tentar encontrar formas mais criativas, mais consentâneas com o que os erros da experiência no real nos indicam. Podia-se tentar outras equações na forma de montar estas duas, irmãs e nobres aspirações.

Coisas simples que nem fossem muito complicadas de fazer, pois como sabemos a Beleza apresenta-se na mais das vezes em simplicidade, a beleza trás dentro de si a simplicidade.

Bem, era preciso alterar a constituição, lembrando que cada vez que se mexera nestes trinta anos naquele texto fundador e elevado à categoria de Sagrado, quase sempre soaram as cornetas, as partes antagonizaram-se, nalgumas com alguma virulência.

E se, se alterasse a constituição, então que se alterassem muitas coisas de cada vez, pois se é importante ter uma lei fundadora, é bom não esquecer que esta corresponde a um tempo de 30 anos na história de Portugal, muitas outras houvera, que duraram muito mais tempo, mas isto seria toda uma outra grande conversa.

Muito importantes se sentem alguns ao aqui andar, como se tudo isto desaparecesse depois de deixarem de cá estar, pois só assim, se podiam imaginar maiores do que são.
Ou então olhar para uma Lei e por vê-la , pensar que o real se comporta de acordo com ela.

Não sendo momento de tal avaliar em profundidade,

Podia-se aumentar o tempo de governação, para por exemplo, 7, 10, ou 12 anos
E sujeitá-lo a avaliação de dois em dois anos por referendo de maioria simples com carácter vinculativo, ou continua ou sai, e ajustando desta forma, os ciclos eleitorais, ao ciclos da vontade dos homens, permitindo assim a possibilidade de uma mais rápida mudança nas situações onde a maioria crê insustentável a manutenção de um certo rumo.

Pois se pensarmos bem, os ciclos eleitorais são só fruto de um pensamento do homem, que é independente dos tempos em que sente dentro de si as necessidades de mudança.

É um caso de aplicação do pensamento abstracto que se faz prevalecente no real e sobre ele, e que por isso choca necessariamente com a natureza das coisas.

Bem sei que esta pequenina alteração, aumentar o horizonte do ver, e do fazer e simultaneamente um controlo temporal em ciclo mais pequeno, levaria em cascata a todo um outro milhar de alterações, na percepção das coisas e consequentemente no agir dos Homens.

Também poderemos pensar que as tecnologias que hoje dispomos poderão permitir a curto prazo um sistema de voto electrónico generalizado, rápido e sem os custos tradicionais que tem as eleições e as campanhas na forma como hoje as conhecemos.

Assim virá a ser possível ao limite votar-mos cada uma das leis, um parlamento de muitos mais, em continuo plebiscito, pois espero eu que concordaremos todos que mais é melhor que menos.

Depois recorda-te da evolução do contrato não assinado, entre os partidos e as pessoas ao longo deste 30 anos

Nas primeiras eram seus próprios programas ideológicos

Depois foram os rostos e as medidas específicas

Agora é o tempo do Ser, do Saber, do Bem-querer e do Bem-fazer, dos Homens Que Agem Pelo Belo, das acções transparentes e diáfanas, das medidas específicas calendarizadas, das metas propostas claras e passíveis de serem avaliadas objectivamente, dos mecanismos de permanente participação e avaliação. E não esquecer que a maior parte disto ainda se encontra por inventar.

Sendo que tudo isto implica uma outra linguagem de falar sobre as coisas politicas, uma linguagem que por ser transdisciplinar consegue ser sincrética, o quanto o baste para que todos a possam entender, tem que ser uma linguagem que vire a forma de olhar as coisas, numa procura mais consonante com as suas naturezas íntimas, que visualize e concretize as necessárias novas visões no real.

sexta-feira, julho 09, 2004

O Filho de Deus, chegara ao Templo, perguntou ao cambista se tinha um bom lucro, ao que ele respondeu, sim um lucro justo, justo de quem tinha o corpo bem sentado, bem tratado, uma balança para pesar a prata, um local a que pertencer. Pumba, Faz o Filho de Deus, que trás em si gravada a quente em seu Coração a memória dos pobres, daqueles que não tem de comer, e vai entornando todo aquele negócio.

O Filho de Deus, é um homem que se apresenta como eu ou tu, acabou de ter um ataque de fúria, rodeado por outros homens, alguns que se movem em grupo com interesses entre si afinados e que, o olham, o rodeiam, o tentam controlar e influenciar em função das suas próprias rotas.

Judas que a si chegou com ordens para matá-lo, pois Cristo tornara-se perigoso àqueles que pretendiam fazer uma revolução de sangue ao Império, pois o que ele dizia e fazia não se enquadrava nos planos da revolução, que era como geralmente as revoluções são, metem sangue.

Judas foi-se tornando Amigo do Filho de Deus, foi ficando maravilhado por aquele homem, os seus milagres e acções, mas tendo dentro de si um dilema, tal espada sobre o pescoço do Filho de Deus, pronta a cair, se ele se afastasse um milímetro sequer do que ele consideraria o caminho certo, que já não era o da revolução que inicialmente o trouxera.

Judas trás em si a via da violência, da luta violenta sem quartel como única forma de se opor e derrubar o império, judas está contente com a primeira cena no mercado, Judas ficou contente quando o Filho do Homem anunciou que vinha com uma espada e também por isso se tornaram os maiores íntimos, é a ele que o Filho de Deus pede contra a vontade dele, que o entregue nas mãos dos que o prendem, julgam e condenam e matando executam a sentença.

Judas trás em si a via da violência, é a única que acredita, e como acredita muito, muito fundo é seu desejo de violência, e assim é atraído proporcionalmente por igual força à via do amor que é paz, como borboleta para a luz, dentro de si em seu mais intimo ressoa a dúvida, será possível sem ser pela espada.

Da segunda vez que chega ao templo já não vem montado no burro da humildade, vem apressado, bramindo a Espada da Revolta, que espera Vitoriar, acompanhado por muitos, que o fazem ainda maior do que já é, ou assim pode primeiro parecer, pois se me chegar ao meio dessa multidão e com ela caminhar ouvirei uma conversa entre Pedro e um outro.

Pedro, o que abandonara os seus rebanhos de ovelhas, para caminhar ao lado do Filho de Deus, pois algo lhe tocara seu coração humano, As palavras do Filho de Deus tinham feito sentido dentro de si quando pela primeira vez o encontrou como se uma mesma ideia, renascera dentro de si, onde ela tinha sempre estado sem ele saber.

O que o Filho de Deus dizia era semelhante àquilo que sentia dentro de si e contudo se o vêem seguindo quão diferente ele e muitos outros, lhe são. Sua conversa, sabes, quando isto estiver resolvido, vou querer muitas ovelhas, mesmo bom seria ter muitos pastores em quem mandar, isso, um chefe de pastores, era o que eu quero vir a ser.

A ele, dizia-lhe o Filho de Deus com toda a ternura do mundo, aquele que é pastor sem nunca o ser, sem nunca possuir as ovelhas, pois aquele seu discurso, que eu agora ouço a seu lado, tem um outro lado, é também uma forma de afugentar o medo e de ganhar coragem à medida que se aproximam do templo e o Filho de Deus sabe da natureza íntima e profunda dos homens e as múltiplas formas da basófia, do que a cada momento lhes acompanha os passos, pois para isso, seu Pai o enviou entre eles.

Quem canta, seus medos e males espanta, seria outra forma de o dizer, mas mesmo um provérbio não deixa de ter todo o mundo de toda a substância possível, ou seja, a sua raiz, que é o seu coração, a sua ideia mestre, a chave da porta de onde vem é, uma, especifica, poderia ser outras mil infinitas, mas é aquela, que é o tema recorrente de Pedro, a sua preocupação por aquilo que não tem, neste caso os cordeiros.

Este tema é também o lema de quem acompanha as revoluções em grupo, na esperança que elas tragam e cumpram o que se deseja, não só por ela e para ela, mas para si, no plano mais individual, onde o homem mais se afasta do outro homem e por essa forma se torna mais pequeno ou maior.

Dir-me-ão como quem me relembra que cada homem tem direito ao que é seu desejar dentro dos limites naturais das coisas, que sim como é óbvio, mas a primeira não determina a não existência da segunda, põem sempre o e em vez do ou, lembra-te sempre de o fazeres, eu isto e tu aquilo, não eu isto por oposição a ti, pois tem que dar para os dois e todos os outros, nem eu nem tu somos mais importantes ou valemos mais de que um outro e depois cada um define-se por aquilo que é, a sua singularidade única, irrepetível, não por oposição a outro, pois é pobre em saber aquele que para se conhecer, o faz em oposição a outro, tão pouco se conhece a fundo, tão pouco ainda conviveu consigo mesmo, tão pouco ainda explorou o seu imenso jardim que desde sempre o acompanha, à espera da mão do jardineiro e do regador, a sua, o seu.

Mas dir-vos-ei também, como quem relembra, que as revoluções em grupo tendem a viabilizar os interesses materiais daqueles que a fazem, que geralmente em grupo, são muitos e por isso difíceis de compatibilizar no plano das posses das coisas terrenas.

As revoluções em grupo tendem ao ter, não ao ser, que é coisa íntima de cada um, individual e individualizada que quando assim acontece, todo o mundo inteiro ao redor, como que dá um pinote.

Mas isto sou eu, agora a dizer, que o Filho de Deus tem outras questões noutros níveis de consciência distintos deste.

Dentro do templo, o Filho de Deus tem consigo a multidão, de cima dos degraus onde se encontra vê também os guardas armados que defendem o império a tomar posição, para conter aquela revolta que se lhes apresenta ameaçadora e de mãos nuas.

Este é o momento chave da revolução e do seu abraçar sem retorno do destino que com Seu Pai Criara.

Num tempo por um instante suspenso, vê a pólvora e o rastilho que Ele próprio se Tornara, um gesto seu, um só gesto, uma só forma de falar à multidão e todo o sangue correria pelos canos a ar aberto, hábito num templo onde por dia se sacrificavam milhares de animais, só que desta vez seria humano, como Ele era também.

A via da Espada ou a via do Amor, não anunciara Ele a viva voz que aqui vim ao mundo com a Espada, que ele empunhava invisível na mão.
Não dissera a sua mãe a caminho do templo que Ele não lhe era nada, não afastara assim de seu caminho Àquela que lhe dera a vida.

Violência, morte e sangue a correr por fora dos corpos para impor o Amor?
Não é esta a sua antítese?
O Amor está acima da justiça, o Amor não se impõem por decreto, o Amor Está Dentro de Cada Um, num dentro que é mais, dentro e fora, e fora dentro.

Não cura ele a orelha que Pedro cortou na vã tentativa de resistência a sua prisão, que ele próprio procurara

O Filho de Deus naquela refeição, em que se despedia dos seus, dos que o acompanhavam, fazia-o de coração pesado pois só Ele e seu Amigo Judas, sabiam que seria a última, já um secreto adeus e uma cumplicidade se tinha instalado dentro de si.

Assim terá partido um mesmo pão que distribui entre eles dizendo-lhes este é o meu corpo, pois o Amor Que vedes em mim, reside em meu corpo igual ao vosso, um corpo que se Alimenta de Amor, esta foi a lembrança que lhes deixou, do Amor como imagem de Corpo Partilhado e Alimentado pelo Acto de Partilhar.

E que o Amor é também alimento restrito como o pão, e onde há fome de pão é mais difícil o Amor, pois aí encontra-se uma casa vazia, inabitada pelo Belo.

O Filho de Deus ofereceu aos Seus seu sangue como vinho, como sangue que corre no próprio corpo e dessa forma se reparte por todos, porque é idêntico em todos e que todos têm que ter o seu próprio sangue, pois só assim, um mesmo corpo, o do Amor, pode funcionar

O Pão
Partiu
Como
Se
Seu
Corpo
Se
Tratasse

Um
Pedaço
Deu
A Cada
Um
Assim
O Inteiro
Dividiu

Meu Corpo
É O Corpo
Do Amor
Assim
Me
Divido
Convosco
Exemplo
Do Que

De
Vir



Meu Pão
Alimenta
Meu Corpo
Alimento
Do Mesmo
Único
Múltiplo
Amor


Meu Sangue
Vida Corpo
Vida Amor
Sangue
Do
Único
E
Múltiplo
Corpo
Que
Por
Todos
Se
Reparte

Meu Pão
Meu Sangue
Meu Corpo

Assim
Estou
Em
Vós
E
Vós
Em
Mim

...

O homem sabe que cada coisa tem múltiplas faces, que se estendem até onde se estende o olhar de quem olha. Cada coisa é uma coisa e ainda outra coisa, desmultiplicada, ampliada até ao infinito, assim as coisas participam umas nas outras, extravasando os aparentes estreitos limites de seus corpos.


O homem pesa um dizer de william blake, que define a visão dupla como a capacidade de ver pelo menos duas coisas numa só. Repara que aquilo é um método, é uma proposta de ver, ou melhor, de como se vê, por analogias e metáforas sucessivas da coisa assim se amplifica o visto e o ver. Duas coisas numa só, quatro coisas em duas, oito coisas em quatro.


Um complemento de Janus, o bifronte, cada uma das faces da mesma cabeça, olhando sua direcção oposta, também direcção de tempo, vendo os opostos, aquilo se opõe, aquilo que se opondo, ou dançando, que me parece fraseado mais amável, que está no que se vê, naquilo que a coisa é, no visto e no ver. Pois só vendo os diversos, múltiplos lados de uma coisa é que poderemos conhecer verdadeiramente a sua natureza.


O homem sentado na praia, olhava o que sabia da morte humana, sabia que ele se lhe apresentara muito cedo, várias vezes tinha vindo e parecia-lhe agora, ao olhar para trás que ela trouxera sempre uma espécie de companhia.

O homem está cansado das suas visitas e quer pôr-se de acordo com ela, o homem quer dela fazer sua Amiga.

O homem recorda sua primeira introdução na morte do seu Amigo gato bebé, e apercebe-se que a resposta que o homem lhe deu, não foi ele que a deu, pois não é resposta humana, que tem que existir ali uma força, que tem a força suficiente para forçar um homem a dizer aquele género de barbaridades, que a Mãe Gata o teria comido por ciúmes ao Amor, que eu lhe dera.

Nenhum homem assim o poderia ter dito a uma criança, pois tal ensinamento é contrário à Vida, ao Amor e contudo dissera-o, ou seria que algo o dissera através dele?

O homem, agora homem, outrora infante, já nem se lembra desse homem nem se lhe afigura de alguma importância, pois não trás em si nenhuma intenção de julgamento, só mesmo averiguar para si o que acontece, o que lhe aconteceu em sua vida e experiência nesta matéria.

Relembra o homem uma história de um outro homem, que se encontrara em aparente semelhante situação, bailava à sua volta uma pergunta, entrego-me ao Amor, será que tenho forças para o que me dizes que irá me acontecer, sim eu sei que estou em teus braços, que a força vem de ti, bem como o querer, esse preciso querer que me deste a mim transportar, e eu sigo o Acordo, eu agradeço-te o que vi, o que me mostras-te das coisas e dos homens.

O homem no mercado pela segunda vez, em cima de um púlpito, com a multidão a seus pés, pronta para a imediata revolta, observa por cima a chegado dos soldados que rodeiam as hostes e antevê, que se a faísca se soltasse, seria um banho de sangue, que os soldados carregariam a matar, uma carnificina aconteceria.


O homem tem o bastão invisível na mão, um só gesto seu mais brusco e tudo aquilo aconteceria assim como ele estava a ter consciência de que se poderia passar. Nesse momento, baixa os braços, pois consciencializa dentro de si que esta não é Via do Amor, que a Via do Amor, não é conduzir outros homens à morte, mesmo que pretendendo ser em nome do Próprio Amor, que a Via do Amor não é o jorrar e o correr do sangue por fora dos corações, que o Amor não se impõe, embora esteja sempre presente.

É então das suas mãos que correm os fios de sangue, uma tremura o acomete, as forças falham-lhe no momento em que vê assim confirmado seu destino, e assim se entrega a ele.


Mas a questão continuava a bailar em sua cabeça. Se o Amor poderia trazer a Morte, se Amar era coisa perigosa para si e para os outros, esta foi aquilo que ele mais tarde convencionou chamar para si mesmo, a primeira ilusão, que a ilusão da morte lhe apresentara.

Homem pensa, que quem comeu o gato, não foi sua mãe num acto de ciúme, mas provavelmente um grande rato esfomeado. Não fora o Amor o causador daquilo que não pode ele causar, pois é contrário à sua própria natureza.

O infante fora obrigado nessa altura a ter consciência que se o Amor, era o que via da Vida, a forma como vivia a vida, parecia contudo existir ali um outro lado, como que um lado escuro da vida, onde se passavam as dores, maldade em acção, e outras coisas estranhas como a morte, se é que não seriam dois lados distintos. A vida versus a morte, como coisas distintas, separadas.

E contudo já vira as formigas comendo e carregando um besouro pelos carreiros, já vira por diversas vezes a morte de animais, pássaros mortos nos caminhos dos campos. O que fora diferente ali, foi que ele amava aquele Gato. Aquilo configurava uma outra realidade, já não era mais a Vida e a Morte mas o Amor e a Morte, se bem que o Amor e a Vida sejam em seu ver sinónimos

Recorda as primeiras metáforas da una palavra vidamorte, vida é morte, as unhas que depois de cortadas, tornam a crescer, as células da pele que mortas se desprendem sob o chuveiro no banho e podia ir de imagem em imagem até, a imagem da respiração, do respirar e do não respirar.

Reparara também, que algumas formas de morte, não doíam e ao que parecia havia outras que doíam.

O que morria, era o que se ia, para dar lugar ao novo, pois se não se fosse, não se renovaria a pele, até ao momento em que não mais não precisasse de se renovar.

Depois lembra-se do grande mistério das borboletas e dos bichinhos de conta, aquelas belos seres listrados de branco e negro, que comem como todos sabemos folhas de Amoreiras.

Em menino observara por diversas vezes aquele mistério profundo da vida, tão diferente do que conhecia ser a vida dos homens, seria assim tão diferente, ficara fascinado a pensar.

Havia um dia que o bichinho começava a fazer um casulo, concluído, enfiava-se nele, morria e passado um tempo, que ele passava de nariz enfiado na caixa de sapatos, nascia uma borboleta. Um Ser morria e desaparecia, para continuar transformado noutro diferente Ser. E com uma grande diferença na sua maneira de se deslocar, num estádio só caminhava e no outro voava. No casulo eram observáveis restos do corpo da minhoca de outrora.

Depois investigara o que acontecia a borboleta, se ela se transformaria de novo em alguma outra coisa, mas não, breve é a vida dessa espécie, depois cai no chão e não voltava a transformar-se de novo em minhoca, não.

Mas deixava ovos, que recomeçavam todo o mesmo processo circular, iam-se perdendo sucessivos corpos, alcançando-se diferentes formas, mas uma coisa era constante, a Vida. Vida era como cobra que de vez em quando muda de pele.

Haveria breves momentos, que correspondiam aos períodos de transformação, em que a mudança era tão radical, quanto ao corpo, que provavelmente nem se os veria, pelos menos da forma como a minhoca o vê enquanto é minhoca e com olhos de minhoca, e antes de se deitar a sonhar borboleta, hibernar, perder seu corpo, e renovar-se, renascendo.

Parecido com nós, humanos que não vemos a morte, não a conhecemos, olha-mos para lá e aparentemente nada vemos.

Era um verdadeiro mistério ali aos olhos revelados de transmutação, mudança contínua de estados de Ser, do Ser.

Bastava-lhe saber falar e fazê-lo, para se dar conta da existência de coisas invisíveis, como o som, e se assim era com ele, provavelmente não seria o único. Ele era muito mais que seu corpo de minhoca, pois pensava, falava, pulava e fazia coisas extraordinárias que tais, que o faziam ultrapassar o que via de seu corpo.


Não Vida e Morte, mesmo que pudessem parecer duas coisas distintas ou dois lados de uma mesma coisa, mas a equação reduzira-se. Amor e Morte.

Sim senti-a evidente, dentro de si, que a vida era contínua, sujeita a continuas alterações, que se vivia e morria num mesmo respirar, que vida e morte eram faces de uma mesma coisa, a vida.

Que existia uma mudança maior a que chamávamos de morte e que a morte era o momento da transição. Esta mudança trazia muitos de nós assustados, havia diversos e contraditórios pontos de vista, como sempre alias, e reparara algumas tendências.

As pessoas procuravam segurança e liberdade, pois essa é a uma das pedras de toque da humanidade, contudo parecia que às vezes as pessoas se tornavam ansiosas face à necessidade dessa segurança, que projectavam então no material esse mesmo desejo de protecção, como se ter muitas coisas pudesse alterar o desfecho, se bem que o ter ou não ter condicionava também em grande parte o caminho e sobretudo a qualidade do caminhar.

Mas porquê, como tal poderia acontecer, o que estava quebrado. Como é que os seres que amávamos podiam desaparecer, porque se sofria, porque havia sofrimento, o que fazia sofrer o Amor, assim tinha desenhado a Vida.

Todos ansiando o Amor, e depois ele, aparentemente, desaparecia

O homem revê seus apontamentos antigos e procura um determinado trecho.

A Morte, essa minha já de longa data conhecida a quem hoje eu torno amiga, já me tinha feito a cortesia do seu aparecimento aí, por volta dos cinco anos no norte de um dos dois meus países na história do gato, fora o Primeiro de muitos encontros que com ela se seguiram.

Morte que lhe aparecia sempre de forma indirecta e acompanhada, com outros seus amigos pela mão, violência, era um deles, injustiça entre os homens um outro, entre muitos dos seus outros nomes.


Assim ela chegou outra vez, estendendo a armadilha, pelo tapete da violência. Vem a mim, entrega-te em meus braços, deixa levar-te da vida e mostrar-te que o Amor é fátuo é falível, fenece e não passa de uma ilusão. Vem a meus Braços, não nos braços do Amor.

E contudo o resultado fora outro, o Amor vencera, a vida defendera a vida e aquele que se apresentava nas vestes da morte se retirara de cena, até próximo encontro

O desafio fora lançado por vontade de apropriação do alheio, a escaramuça aconteceu, o sangue por um instante ferveu, a ameaça foi proferida ficando no ar de um qualquer amanhã. A inveja do que o outro tem, numa ilusão de um mesmo querer, um grito de quem também quer.

No segundo encontro, a batalha da destreza à distância, as pedras e as fisgas, pois era assim que os meninos nessa altura guerreavam e o outro que ficara magoado, e ele preocupado porque o magoara, aí ficara a conhecer, que magoar alguém cria a mágoa em nós mesmos e que as batalhas são sempre violentas, ás vezes mesmo como sangue, que não foi felizmente, aquele, o caso.

Sua avó lhe pegara pela mão e assim o levara a pedir desculpas à mãe daquele menino que ele magoara, e o homem perante tal memória, só podia agradecer em seu coração à sua Avó. Ele lá fora, chegara ao pé daquela casa de zinco estranhamente entortada de encontro a uma árvore, como se a ela estivesse ancorada, e apresentara desculpas à mãe do menino, do que tinha feito. Assim se entenderam as mulheres, que já se entendiam pois minha Avó geralmente ajudava com comida essa família.


A terceira batalha ocorrera ao lado da linha dos caminhos-de-ferro. Vinha com outro menino seu companheiro de brincadeiras pela linha quando reparara nos outros dois correndo ao fundo em sua direcção, vê que é o menino com que andou à fisgada, que vem acompanhado e já mais de perto, lê-lhe a imensa raiva que na cara trazia afivelada. Tratava-se da vingança do primeiro acto, a batalha da destreza, da pontaria e das fisgas.

As desculpas não tinham sido aceites, e ele ali vinha na sua sede de vingança.

O menino alcançou-o já em cima da ravina de gravilha que em v se estendia pelos lados das linhas. Foi quando lhe aplicou um pontapé com a necessária força para parar a agressão cega em que vinha.

O menino com o impacto, começara a rolar pela gravilha em direcção à linha do comboio. Recorda-se de ver a iminência de ele bater com a cabeça numa das pedras já maiores, quando algo interveio ou se manifestou, que tal não permitiu.

O comboio que entretanto se aproximara, fora parado pelo alarme. O menino observa o outro menino, vendo que embora combalido, ele está bem, quando a voz de uma Senhora que apareceu numa das janelas, a gritar para ele.

Em três tempos agitara e unira a multidão que entretanto saira do comboio. Uns ajudaram o menino combalido a levantar-se enquanto a Senhora, procedia a um julgamento, que era o que ela vira, o menino a pontapear um outro pela ravina abaixo.

O outro menino bem tentava explicar que fizera aquilo em auto defesa, pois sabia a zanga e a vontade que o outro trazia quando o quis apanhar, mas não conseguia, nem isso explicar, porque sabia que ninguém o entenderia, pois só ele o tinha visto e o outro não o iria dizer, pois já lhe tinha visto uma certa maldade.

Aquilo começava-se a tornar inquietante, dirigida pela energia emocional daquela Senhora, que ele não conhecia, a multidão começava a ter ânsias de castigar por suas próprias mãos. Salvou-o o Amigo Barbeiro de seu Avô que passava na rua de cima, e apercebendo-se do que estava a passar, o resgatou, com promessas de chamar a guarda e assim o menino de guarda pelos populares na barbearia ficou até que outra guarda chegasse.

O homem percebia agora, que em menino não tivera a força nem o saber para se opor, contrapor àquela que da senhora emanava. Deu-se conta que julgamentos havia feitos entre Irmãos, que eram muito rápidos na sua inquirição e condenação, que não davam a mínima hipótese de defesa.

Mais uma vez, saltava de dentro de si, a questão da justiça entre os Homens, ele que desde sempre sentira dentro de Si e Mundo a Presença do Divino, a Luz, o Principio Inteligente da Vida e do Amor, da compaixão, que em seu ver era a capacidade de perceber a verdadeira natureza das coisas.

Uma Certa Tendência Humana para a rápida acusação e julgamento Alheio, a Partir de um Só Ponto de Vista, que de forma por vezes estonteante se alastrava, se é que se poderia chamar a estas situações, meros pontos de vista, pois parecem ser mais da natureza dos linchamentos.

Contudo, havia algo naquela memória que intrigava o homem, que não batia certo. Assim se colocara visualmente no mesmo local e revia em imagens o que tinha acontecido.

Aquela violência emocional que aquela Senhora adquirira e expressara não era normal, tudo aquilo era demais violento, do que deveria ter sido, não fazia sentido, aquela potência que se expressara.

Revia então o homem a sequência dos acontecimentos, como um filme que passava ao retardador.

O homem tentava perceber a força que actuara, pois o menino que fora tinha observado e antecipado a trajectória do outro menino, por isso realizara, sendo que só ele possivelmente o realizara, o perigo eminente. Enquanto o outro deslizava, ele ia dizendo para si mesmo, não assim não, olhando seu corpo e imaginando por desejo, as diversas posições de seus membros naquele rolar, como que lhe propondo à distância, uma rota alternativa, e facto era, que o pior, não tinha acontecido.

Punha-se a pensar se aquele seu desejo de ajudar, aquela vontade e aquele actuar, de alguma forma interfira com o que se passara, se teria contribuído de alguma forma para que o mal não ocorresse.

E que mesmo que assumisse, que a sua vontade tinha sido irrelevante para o bom desfecho, algo teria decidido aquela situação, já que observara que o outro não tinha consciência activa da sua queda, pois não a conseguia travar nem orientar.

Poderia ter sido o desfecho, outro, e contudo felizmente fora aquele.

De qualquer forma algo de profundo tremeu dentro desse menino, apercebera-se de repente, que uma acção sua, daquela violenta natureza, podia por outro, em sério perigo. Apanhou um susto ao perceber que a sua força, o seu saber, a sua agilidade, a sua inteligência, podiam tornar-se armas muito perigosas.

E a Vida se expressara naquela Vez pela Vida, não lhe houvera ofensa. O Homem agradecia à Vida este ensinamento que ela lhe dera, e agradecia à Vida Toda a Protecção que ela Lhe Dava, que a ele chegava nas mais variadas formas, nos gestos dos corações das pessoas.

A Segunda visita da Morte, se bem que seus pais protegessem o que houvera a proteger, levara junto de si um menino, seu jovem tio, com poucos anos mais, com ele cruzado pelo sangue, que era para ele uma espécie de tutor, de irmão mais velho, que o guiava, o conduzia e que se gostavam muito, um do outro, ele recorda-se com ternura, como uma ternura, da muita paciência que ele tinha tido com ele.

A Morte esta vez, cuidara bem da sua entrada, vestira os seus mais ricos trajes, dor prolongada, muito sofrimento para um menino, muito mais do que um Deus Bondoso e do Amor deveria permitir, e contudo a Morte, assim o Fizera, retirando-lhe progressivamente a sua autonomia, até a comunicação passar a ser feita por escrito.


E uma das últimas coisas que o menino escrevera foi em desvario e exaurido na sua resistência, pedir então ele mesmo, a chegada da Morte. Um Menino cheio de vida como são todos os Meninos, a pedir ele próprio a chegada da sua Morte, para lhe aliviar o sofrer.

Falara a Morte, vê até onde vai o meu poder, a extensão do meu sofrer, do que faço sofrer, aos seres da vida que tu tanto amas, vê como toda a vida fenece, Não há nada que me pare, nem mesmo o Amor me vence, assim te digo e te provo que ele não existe. Para que Amar, perca de tempo como te mostro, aproveita, tira o que quiseres, pensa em ti, na satisfação da tua breve passagem pelo mundo, um dia virei te buscar

E o Menino Pensara Por Amor, o menino pensara que aquela dor não devia existir, que ninguém deveria sofrer assim, pois tudo o que via da vida lhe era belo, mesmo quando se apresentava feio, pois para ele, belo, bela, era a vida, estar vivo e viver, o que viesse à rede, que viesse, pois assim, então teria que acontecer, mas a Morte reservara-lhe outras lições.

E depois uma coisa era já certa, naquele mundo segundo tudo indicava, passavam-se coisas boas e outras menos boas, para quem tinha um sentir sobre essa matéria, um pensar, felicidade tornava-se um projecto complicado, pois cedo se deu conta que as coisas se encontravam ligadas, não podia ter felicidade numa ilha num meio do mar com dor, com dores, ou poderia?

Aquilo soara mais como desafio que axioma, pois esse, no entender do menino e no seu imaginar, no seu querer resolver, como achava que a vida era, ainda se poderia vir a provar o contrário, pelo menos era uma hipótese que por muito ínfima que fosse, não poderia deixar de se pôr a partir do momento em que a pensou.

E depois o Menino crescera e vira a Morte noutras mortes, as dores nas suas múltiplas formas e feitios, cresceu vendo seu mundo cheio de dores
Tudo Parecia Levar a Melhor, a Morte vencedora
Mas o Menino Decidiu-se pelo Amor
E então partiu a investigar sua amiga, como na escolha pequenina, se faziam as caças ao tesouro e viu que havia tipos diferentes de morte.

A morte pacifica em repouso rodeado pelos que o aqui o amaram e amam, um cansaço e um quer partir, num tempo certo, por ser ele, que o marca

A morte violenta que homens provocavam noutros homens em qualquer tempo e fora do tempo da própria morte, mas que mesmo assim matava.

A morte sem repouso, por vezes extensa agonia e extenso e grande sofrer

Muito Perguntou o menino então ao Amor, como É que Ele deixava tal acontecer e o Amor respondeu-lhe, pois viu tão aflita suplicação e disse-lhe atenta, nas diferenças que encontras-te.

Qual a diferença?

Uma
É
Vontade
Dos
Homens
Outra
Não
Se
Os
Homens
São
Divinos
E
O
Divino
Homem
Também

Uma Parte
Está
Na Vontade
Do Homem
A
Outra
No
Destino
Divino

Se Contudo
A Natureza
Una
É Dupla
Sendo Três
A Vontade
De Uma
Afectará
A Outra

Visto
Que Ambas
Nascem
No
Mesmo
Campo

O Três
É o Espírito
Que
Então
Encarna
Se Faz
A Paz
Paz

Assim É, Assim Será
Falou o Amor

Quando
A Vontade
Humana
Parar
Sua Parte
Pare
A Outra
Porque
Se Ambas
São
UMA
Mesma
De Ambas
Será
Meia
Vontade
Meia
Causa
Meia
Consequência

E Agora
Medita
Porque
Há Mortes
Suaves
E Outras
Violentas


Se
A Morte
É Uma
Mesma
Se
Os Autores
São Dois
Em Um
E Se
Os Vasos
Entre Si
Comunicam
A Dor
Também

Assim
Te Mostrou
A Morte
A Grandeza
Da Dor
De Todos
Num Só

A Morte Esta
Imagem
Por Teu
Sangue
Familiar
Outrora
Imprimiu

E o menino prometeu ao Amor, que se Fazia Seu Secreto Cavaleiro, que Lutaria por Ele na Terra Para Parar a Dor, mas que guerra era esta que prometia travar, uma guerra contra o quê e mais importante ainda, como faze-lo.


O menino fizera o secreto pacto e assim em sua adolescência, a Morte de novo apareceu honrando seu convite ao combate lançado.

Com outra face, outro lembrete e ainda outro recado.

Com seu amigo estava sentado na paragem de autocarro, acompanhando-o enquanto esperava o autocarro. Gostava daquele amigo grande, com quem vivia aventuras no liceu, gostava dele da sua forma brincalhona de ser, punha-o bem disposto.

Assim estavam num calmo final de tarde, quando seus olhares se torceram viram na distância em que se encontravam um carro que vinha chiando lá ao fundo e quando com olhar o acompanha entrando depressa demais na curva, apercebe-se de uma senhora idosa que começara a atravessar a rua, a colisão acontece e ele se quedou estupefacto e arritmado ao que acontecera.

Seu amigo subira ao autocarro que naquele momento chegara, e ele que tinha que lá passar de retorno a casa, viu outra vez, ausência do espírito, o sangue derramado a crescer sobre o alcatrão, os gritos de sua filha, minha mãe, minha mãe que correndo se aproximava, a dor, a dor gritada e ouvida, a cara vazia do condutor, perante a consciência do que acontecera.

Lembra-se de pesadelos nas noites seguintes, lembra-se de estar sentado a 100 metros do local, e contudo não ter sido capaz de fazer nada para que tal não acontecesse, viu aquilo acontecer sem ser capaz de fazer nada, nem ele nem ninguém, tal era a declaração da Morte, vê como és impotente para me travar, abandona as veleidades.

Não só as desigualdades matam, não só as doenças, vide aqui quão fútil é a vida, como se morre por simples desperdício que eu acordo, assim, o Infante na altura a entendeu. Contudo a coisa, a explicação não ficava por aqui

Tudo aquilo se entranhara profundamente, aquele encontro tinha-o ferido com alguma gravidade, pois residira em seus sonhos nocturnos durante algum tempo, acordara nos primeiros tempos com suores nocturnos, onde a cena se desenrolava, em níveis muito distintos da sua consciência.

Pensava então o Infante como é que aquilo podia ter acontecido. Como é que o Homem vinha assim, lançado, em descontrolo iminente, e sobretudo entrara na curva naquela maneira, como o condutor não teria se apercebido da Senhora, enquanto ela estava ainda no passeio e depois pensava do lado dela, como é que ela não o ouvira, não o vira.

E depois aquela vazia expressão na cara do condutor, sem qualquer emoção, como seria possível, nunca vira até então tal ausência de expressão em cara humana. Como que uma ausência de Alma num estado de choque. Pairava sobre aquilo como se estivesse ao retardador, e não se lhe via nem sentia um pingo de emoção, parecia zombie, nem vivo nem morto. Esta foi a Imagem, que a Alma lhe deixara, o que se passa com aquele que mata.


Naquele dia não colocara o capacete na cabeça, ao contrário do que habitualmente costumava fazer, pois ia só ali até ao café, 500 metros adiante e assim lhe deu para fazer.

Quando entrou na curva em baixa velocidade, nem 40 iria, fez contacto visual com uma Senhora que se encontrava no passeio, fê-lo porque algo nela de imediato lhe terá chamada à atenção, por estar estranhamente parada mesmo na beirinha do passeio, ele, então olhou-a, ela olhou-o, ambos se reconheceram, tácito acordo que ele ia a passar quando dá com ela a atravessar.

Para não lhe acertar, atira-se ao chão em trajectória que não a apanhe. E consegue, perdendo os sentidos de imediato. Quando os recupera, deitado no chão a olhar o céu, sente uma estranha sensação como se o seu pescoço, que corresponde à vertical de seu corpo, aquele ponto onde ele sente os extremos dos lados, tivesse sido deslocado horizontalmente para um dos lados e enquanto estava neste sentir, vê a cara da Senhora, por cima da sua a olhar para ele que então diz, desculpe, e ala, vai dali para fora.

Felizmente chegam entretanto os amigos e lá vão eles para um hospital público da capital, sua primeira visita recordada a tais sítios, onde percebeu o imenso tempo que as pessoas lá demoravam a ser atendidas e as condições, ou melhor a falta de condições com que as pessoas esperavam, pessoas que entravam nas urgências, que não tinham maca para se deitar, algumas deitadas no chão.

Também sabia que os Homens que não tem tecto onde dormir, mas noites mais frias das suas capitais, sabem sempre que hospitais os acolhem sem acolher, aqueles onde se podem fingir de doentes, mesmo quando estão doentes, à espera da urgência, onde as pessoas do hospital os deixam estar, onde assim podem dormir pelo menos nessa noite protegidos do imenso frio que por vezes acontecesse. Outros, comportam-se de forma mais problemática e eles deles se afastam

Oh Gentes
Do Meu País
Oh Mulheres
Do Meu País
Oh Homens
Do Meu País
Tanto
Coração
Tanto
Dar
Tão
Invisível
Dar
O Maior
Dar
Tantos
Pequenos
Gestos
Os
Maiores
Gestos
Os
Que
Bem Agem
Os
Que Protegem
Os
Que
São
Protegidos

Pensava o Homem, teria alguma lógica, que os hospitais tivessem espaços específicos para o acolhimento nocturno de quem dele necessita e que não tem meios para o ter. Talvez assim casasse mais facilmente também, a higiene e saúde.

Realizara ainda outra coisa, que o capacete que não tinha posto, e que transportava no braço abraçando o cotovelo, protegera-o na queda, pois esse foi o primeiro contacto, como o sabe qualquer motociclista, que tenha caído em curva, e se aí não estivesse, talvez tivesse ficado dai para adiante, com o braço disfuncional, mas não se livrou de um traumatismo craniano, muita sorte tivera, pois mesmo assim, batera no lancil do passeio, que lhe terminara assim, ou respondia a uma questão para a qual ele próprio não tivera ou não encontrara resposta, que era voltar de novo ao liceu e acabá-lo.

E mais uma vez ficara a pensar na expressão culpabilizada na cara da Senhora que lhe pedira desculpa e que por vergonha se afastara, em vez de lhe dar a mão. Aquilo não batia certo. Tinha havido contacto visual, tinha a certeza disso, Ela vira-o, e então, o que lhe mudara a vontade?

O que retirara a vontade, o ver, ao homem que conduzia o carro com que atropelou a Senhora? Seria uma mesma coisa?

E se é que aquilo, agora pensando em maior profundidade não teria sido intencional, mas se o fosse teria que ser feito por quem o conhecesse muito bem, pois aquilo era jogo arriscado, para quem o protagonizasse, se a mota não se desvia podia acertar-lhe.

Tinha que o conhecer muito bem, que soubesse que ele optaria por tentar não atingi-la, em seu eventual próprio sacrifício, e que acreditava na muita habilidade dele para o conseguir fazer, e para saber isto tinha que ser algo ou alguém que o conhecesse, na palma da sua mão.

Recorda-se no tempo em que as imagens ainda não eram instantâneas, de seu Pai sempre voltar com diversas das suas viagens profissionais. Contou-lhe ele na década de setenta, que uma equipe de televisão, escondida tinha posto uma Senhora em cimo de uma árvore, à hora de lusco-fusco pedindo ajuda aos transeuntes. Segundo se concluirá só a trigésima sétima pessoa, lá foi perguntar, um bocado a medo e de forma redundante se ela precisava de ajuda.

Aquilo dera-lhe muito pensar, a indiferença, o medo ao ajudar, o Ajudar e sabe que a sua conversa ainda não acabou