terça-feira, julho 13, 2004

O menino ficara muito triste, e assustado com a morte do gato pelo que o homem dissera

Conversara, então com os seres que o acompanhavam visíveis até essa altura de sua infância, muito triste como tal poderá acontecer, como é que Deus assim o tinha deixado acontecer, zangou-se perante a resposta que na altura entendeu, que era assim que as coisas se passavam.

O menino sairá da conversa, decidido a bater o pé, a dizer que assim as coisas não podiam ser, e lá vai ele no início de uma história que não conhece, mas que está toda traçada, naquilo que ele em seu livre arbítrio, naquilo que ele pensa ser a sua busca, lá vai ele na busca do curar, do compor.

E o Amor com quem se zangara, como ele podia assim deixar.

Recorda do que sempre respondeu, há pergunta que todos sempre lhe trouxeram ao longo das diferentes idades sobre o modo como os homens cresciam, e que era a imagem que sempre lhe aparecera

Desenha um risco vertical que depois divides em três outros, como os ramos de um castanheiro, assim se nasce pela raiz, vai-se menino crescendo e depois imagina que vais pelo ramo que desenhaste no meio.

Se observares mais ao perto, verás que desse ramo partem outros que alteram o caminho se tu os seguires, mas que dependem sempre de uma direcção dominante, mas sempre ancorados a um dos três principais donde os outros nascem.

Difícil, dizia ele então, parecia-lhe difícil que a vida assim fosse, pois primeiro a vida era simples na mais das vezes, as pessoas é que a complicavam muito, mas que difícil, seria de repente, num qualquer momento dessa mesma vida, passar, como se um pulo se tratasse, para um dos ramos ao lado. Livre arbítrio humano, movia-se necessariamente em território humano e assim sendo, baseava-se numa percepção e avaliação constante de quem somos em cada momento do que acontece, do que nos acontece.

Livre arbítrio parecia ser mais, pequenas correcções ao curso, pequenas invenções de rotas que se ancoravam sempre numa mesma rota. Toda a vida lhe transmitia, o fazia viver esse sentir e essa ideia de re ligação, re ligação que só seria possível por semelhança, por afinidade entre todas as coisas, uma por assim dizer trama ou fado maior, que a todas perpassava.

Também encontrara em seu passos quem galhofasse deste seu ponto de vista, que não o livre arbítrio era coisa do ilimitado do infinito, que o ser por definição é evolução, constante movimento

Possuía memória, coisa complexa, feita por muitas camadinhas, cada uma, com uma porta e chave secreta de acesso, que reside sempre dentro de cada um de nós.

Assim ia percebendo um caminho numa certa orientação, a sua, a própria sua e de alguém mais, e via que muito dificilmente tanto pelo enredo, como pelos dramas, como ainda pelos actores, se poderia inverter essa direcção dominante, o sentido único de si mesmo, que se ia reconhecendo.

Também sabia, que às vezes assim acontecia, as pessoas como que pulavam mudando de ramo, pois já vira assim acontecer com outros, embora em seu ver mais raro.

Era esta a imagem intuitiva que sempre o acompanhara, se bem que com variantes ao longo do tempo, era a dominante até então.

Reflectia agora, o Amor não se Zanga, Amar não é zanga nem zangar, é dar e receber, coisas que não acontecem, quando nos deixamos tomar pela zanga. Ou seria que Deus era duplo, tinha dois lados, ou então não seria Deus e os Anjos com quem tinha falado mas sim outras forças de um mesmo ou diferente lado, pois nem isso ele sabia em rigor nesse momento.

A linguagem do Amor era a linguagem da intuição, uma linguagem invisível, maior que as partes que a compõem, formado por todos os sentires, todos os ausentes sentires, todos os presentes saberes e todos os que estão ausentes.

Recorda quando a conversa com alguém a teu lado, se encavalita uma na outra, quando o teu pensar e o pensar do outro, se lê antes mesmo da sua formulação, jogo de montada, que duplica o homem, o faz maior, sem o ser por oposição a outro alguém ou algo. Quando assim, acontece, se vai longe, linguagem que se encontra sustentada nas leves e diáfanas emoções de amor, a calma, o escutar, o entender, o respeitar, o dizer, o mostrar a diferença, a busca e o alcançar do estabelecer comum. Corações tranquilos, no tempo de se darem, no tempo em que se cruzam e mutuamente se entregam. Oh Paz, Oh Doce Regaço, Doce Regato do Amor

Quando dois ou três se juntam em Seu Nome, que quer dizer quando dois ou três que se encontram, trazem dentro de si a emoção do Amor, Um outro Ser invisível entre todos aparece, o Espírito de Deus, o Espírito Santo. Oh como esses dois ou três então se transcendem, quando tal acontece, como a vida se transcende, como adquire as mais brilhantes cores, como se torna verdadeiramente a Casa, a quente e aconchegante Mesma Casa.


Deus e os seu Anjos são Deus e os Anjos Bons, pois Vê na Natureza do Amor, também grafada, a Compaixão e o Perdão. Não consegue imaginar que Estes seus Amigos possam ter em si um lado maldoso, desse jeito. Que sim, que até o poderiam ter, mas ao faltar a compaixão e consequentemente o perdão, então não, ele pensava que nesse ponto podia saber que teria de ser uma força distinta, pois não operava na mesma consequência de princípios que a outra. Uma força distinta ou um outro lado de uma mesma una força?

Velha questão que os homens falavam ao longo dos séculos. Se o mal era uma ausência do bom ou se teria ou adquiriria substância própria.

Recorda todo o que sabe sobre os homens e sua humanidade, e vê, que num coração preto, por muito preto que esteja, há sempre um mesmo ponto de luz.

Recorda que um coração preto enegrecido pelo mal, assim não nasceu, algo, coisas, acontecimentos houve, que o puseram assim, o que lhe alargava de imediato a fronteira da responsabilidade de cada um no deixar que alguns dos corações assim pudessem enegrecer.

Já vira violência com homens possuídos de negro em seus corações, mas tudo isso acontecia numa interacção, era preciso pelo menos haver dois, para que essa violência se transbordasse.

Já vira homens bons com corações negros e homens apelidados de maus com corações brancos e suspeitava que entre estes dois pólos existiram uma gama de matizes e depois os homens oscilavam, uns mais que os outros, é certo, mas oscilavam em função da emoção que lhes acompanhava o agir.

Se dera conta menino que a energia, a força de que falava, era espírito, ou melhor, partes do espírito e que o espírito tinha a propriedade de se incarnar em todas as coisas, através de todas as coisas, pois era assim que ele às vezes se revelava. E que se embora sempre lá, o espírito, que é composto por múltiplos espíritos, por vezes tinha o dom de como escrever, se sobrepor no tempo da sua aparição, substanciação, ao carácter da coisa ou pessoa que lhe servia de suporte de encarnação.

As coisas e as pessoas adquiriam uma dimensão simbólica, radiante, mais profunda na forma de entender a realidade da natureza das coisas, os significados ampliavam-se, as coisas ou pessoas, tornavam-se portas para outras dimensões, níveis de percepção e entendimento. Por ai se podia ir transportando.

A Rosa a florescer, a Flor a Abrir, o Segredo do Ouro a Aparecer

Espírito canto do corpo, presente de Deus, subtis energias que se movem nos interstícios do visível, corpo subtil e emocional, sussurrante vento em folha de carvalho, afagante a afagar

Espírito produto dos homens, de seu sentir, de seu pensar, de seu saber, de seus existires, Espírito, ideias que são possíveis, porque assentam nas mesmas cinco forças que hoje se reconhecem actuar no universo e assim sendo partilharão de uma mesma semelhança.

Espírito e a emoção do Espírito, porque todas as coisas são também emocionais, e a cada expressão do espírito está sempre sustentada no desenhar de uma emoção, um sentir, um saber, uma vontade.

As vezes eram ideias, arquétipos, certas expressões de faces do espírito, que se encarnavam ao redor, reconhecera-os pela alteração de intensidade emocional que pelo breve momento da sua manifestação produziam no veículo que utilizavam, lhe perdoassem todos aqueles que eram gentes, de assim os chamar.

Eram caras e vozes que discorriam e de repente uma alteração facial, um esgar, uma alteração do tom, com uma certa marcação emocional específica, especifica como dominante, pois aquilo que ao chegar se manifestava sempre com um pum, pico energético e emocional, chegava na paleta inteira do arco-íris de todas as emoções, mas em suma cada uma, apresentava-se como cada uma.

A energia era uma mesma, tinha vontades diversas, cada manifestação, correspondia a cada uma, e nesse sentido única e irrepetível. Essa energia manifestava-se tanto em si, como através de si, e do mesmo modo actuava naquilo que lhe estava em redor.

E depois, se o Amor que vivia não era perfeito, pois ao acabar a vida, partiam dela Aqueles que tínhamos Amado, bem como já sabia que um dia partiria, algo se tinha estragado ou se encontrava mal desenhado no plano Divino, do qual ele tinha conta, vivia-o, vivia a imensa e constante, participação participada de toda a vida que se expressava em si e em seu redor.


Tanto berrou o menino, que lhe apareceu Deus uma tarde vindo dos céus. Ouvi-o pacientemente, mostrou-lhe outras coisas que existiam, por assim dizer, outras aparentes dimensões, onde tais coisas não se passavam e convidou-o a ficar. O menino perguntou-lhe então se seus Amados viriam também naquele momento viver naquele bela pradaria ao que Deus lhe respondeu que não, e assim o menino agradecendo o convite, foi de novo depositado no chão onde habitualmente vivia.


Belo Homem de Barbas Brancas, como o vira nas estampinhas, Bondoso, carinhoso, seu rosto radiante e quente como o Sol, mas sem nunca queimar, belo amigo homem avô que lhe mostrara que havia outros lados numa mesma paisagem, onde as coisas eram diferentes. Que Amável fora para com ele, assim quente em seu quente e amoroso colo se sentira

Voltara contudo o menino pois não quis abandonar aqueles que conhecia e que por isso Amava. Seres que não estavam naquela outra paisagem, e com a promessa de aí voltar, mais tarde.

Tinha saído de lá mesmo um pouco zangado, se era possível, porque não podia acontecer para todos, porque é que esses tempos tinham que andar desencontrados.
Porque não fazia Deus aquilo inteiro de uma vez só.

Porque não o poderia fazer, visto que sua natureza é dar, é fazê-lo.

As questões tinham por assim dizer, subido de nível, pois para ele, aquelas duas aparentes paisagens, ele o sabia por experiência própria, residiam numa mesma e mais, que se podia comunicar entre elas, por assim dizer, passar em certas circunstâncias de uma a outra.


Pensava então se Deus nos fizera a sua imagem e semelhança, seríamos de certa forma, ou em parte, idênticos a Ele. Então este sofrimento não poderia existir somente dentro dele, o menino, teria que estar também em Deus, pois para além de tudo uma das suas características era a capacidade de compreender o sofrimento, pois nessa compreensão, nessa capacidade de comunhão, se baseava, se abria, a porta para qualquer perdão, que enquanto não existe, enquanto não se faz no acordo interno entre o coração e a razão, se traduz sempre num acto de guerra pelo menos interior em quem o transporta. O Pai, Deus, Era Amor, Era Perdão

Perguntara a harmonia enquanto desciam de novo para a terra, porque estava o Pai triste, pois num relance, lhe parecera assim também o ver. Harmonia respondera-lhe, sabes o Pai é o Amor, O Amor não se Impõem, E assim o Pai sofre quando vê os Homens viverem em tanto desamor. O Livre Arbítrio do Homem é feito à Semelhança do, do Pai, também. Não Pode o Pai descer aos Homens sem Eles Primeiro Subirem a Ele.

Olha, harmonia, se não te esqueceres, dá-lhe um beijinho meu quando voltares a subir, mas responde-me a uma coisa, isso da morte como é então, se eu já sei das outras paisagens e lugares que existem neste mesmo mundo, onde as coisas se cruzam, comunicam entre si, como me demonstras-te agora sobre o porque da dor do Pai, e se são intemporais tais espaços, não é morte, que a morte que aparece, assim parece crer ser.

Sobre essas matérias nada te posso dizer, terás que ser tu a descobri-las, assim será teu caminho.

Pensava então que mesmo Deus não se encontrava imune ao sofrimento à própria dor, visto que as nossas dores o afligiam. Era preciso Ajudar Deus, e ajudar a Deus era compor as dores dos homens, visto que de novo, à terra voltara.

Talvez se assim acontecesse, O Aparente Afastado, Ocultado, se revelasse Inteiro de novo e se restaurasse a primeira e límpida manhã.

Depois pensara, e a Mãe, onde estava, pois não a tinha visto e em se pequeno entender das coisas, tinha sempre, que existir uma Mãe, pois mesmo um Pai vinha de uma Mãe, estava habituado a ver sempre uma Mãe com um Pai.

Onde andaria ela, que a trazia ocupada de forma a não remediar, o que se apresentava mal, com dor, a doer, pois são essas suas qualidades, a cura. Porque não curava a Mãe o Pai, ou seria que Ela estava na mesma como ele, em dor, em seu sofrer, que podia ser um mesmo ou até, um outro.

Mãe, Pai, eram também dois nomes de dois princípios desde sempre pelos homens conhecido, o Feminino e o Masculino, polaridades que se encontravam em todas as estruturas e que possuem energia com cargas opostas, que quando uma frente à outra,
Embora opostas se equilibravam em movimento em redor de um núcleo.

Aqueles princípios com suas características distintas, encontravam-se em todos os lados, viviam em diferentes realidades, permeavam todas as coisas, o mesmo se passava dentro de si, pois todo o espírito do homem assim o concebera, desde tempos muitos idos, em todos os quadrantes do mundo.

Basicamente feminino era uma energia atractora, que atraia, uma capacidade de absorver em direcção a si a energia alheia e masculino era uma energia que irradiava a partir de si, uma energia apontada para fora. Uma energia que perfurava, ou se encontrava em equilíbrio estabelecido por sinal contrário com seu oposto feminino.

Pois aqui parecia que as duas energias se encontravam separadas, pois não se sabia do mediador.


O homem sentado ao luar relia um poema antigo sobre esta matéria

Se a Vida
É a Morte

Se a Morte
É a Vida

Se a Vida
E a Morte
Não
São
Duas

Mas
Lados
De Uma
Mesma
Moeda

Se
Uma
Não
Dura
Para
Sempre

A
Outra
Também
Não
Dura
Para
Sempre

Pois
São
Dois
Lados
De
Uma
Mesma
Moeda


Se
A
Vida
Acaba
A
Morte
Também


Assim
Se Afirma
A
Transmutação

Se
A
Vida
Continua
Então
Nem
Esta
Vida
Será
Única
Vida
Nem
Esta
Morte
Será
Morte



Se
A Vida
Vai
Mais
Alem
Do
Finito
Visível

Então
A
Morte
É
Ilusão




E
Se
Uma
Ilusão
É
Algo
Que
Ilude
Que
Esconde
O
Que
Em
Verdade
É


E
Se
Vendo
Mal
O
Homem
Em
Seu
Caminhar
Seu
Agir
Se
Engana

Quem
Assim
O
Tenta
Dispor
Quem
És
Tu
Diz
Teu
Nome


O homem recorda que naquela altura ninguém lhe respondeu. A conjuração tinha ficado sem efeito. Nada ou ninguém se manifestara.

O ambiente era de semi escuridão, quando entrou na sala, deu por si à espera que os olhos se habituassem aquela meia-luz, formas humanas estavam sentadas pelos sofás, algumas circulavam entre eles.

De repente viu-a, dirigiu-se certeiro a ela e quando se aproxima como um vento súbito, ao chegar ao perto, já muito perto dá-se conta que não é ela, balbucia desculpas e retira-se sentando num dos sofás ao fundo da sala.

Pensara que tinha visto a cara do seu Amor, enganara-se e enquanto estava pensando para si mesmo o que o fizera assim dirigir-se. Que semelhança lhe reconhecera ele, se é que se podia falar em semelhança, que identidade tinha reconhecido, que o fizera ansioso daquela maneira.

Estava entretido neste pensar, quando a rapariga chegou, sentara-se e perguntara-lhe, como é que se sabe que o Amor é Verdadeiro, como é que se sabe se é a nossa Alma Gémea.

Só lhe ocorrera uma resposta rápida e breve, sabe-se, quando é sabe-se.

Poderia ter-lhe falado sobre o assunto, discorrido sobre o que está verdadeiramente escondido nas suas duas perguntas, mas é assim que no seu confuso sentir emocional, assim sai, e ela também, sai, então de cena.

Nesse momento, sente que começa a morrer, sente dentro de si, que vai morrer naquele preciso momento. Quer pedir ajuda, mas não consegue, seu corpo invadido por um grande calor, incapaz de se mover, seus músculos não respondem, sua voz não fala nem chama. Realiza então que não vale a pena resistir, acalma seu medo e deixa-se ir, entrando numa outra dimensão física, que mais verdade seria dizer o seu contrário.

Uma figura feminina vem ao seu encontro ficando a seu lado, enquanto ele tenta ver mais coisas naquele espaço onde está. Repara então que não tem mais corpo, só consciência, ou pelo menos Aquilo que pensa a sua consciência, que inclusive lhe permite ter uma.

De qualquer forma, mesmo sem corpo, ao lado daquele meio indefinido ser, sabe que continua de alguma forma a ser ele, pensa e sente como sentia antes de morrer, se é que entretanto morrera.

Outra coisa sentira ao lado dessa figura feminina, que ele vira por diversas vezes ao longo de sua vida, que se lhe apresentara, uma paz, uma paz em seu sentir como nunca se lembrava de ter tido em vida, se é que estava morto. Era uma paz profunda, por assim dizer, radical, algo que nunca tinha até então sentido.

Uma Senhora aparecera-lhe, e dessa forma, ao reconhece-la, mostrara-lhe que continuava consciente de si naquele mundo diferente. Depois houve entre eles uma conversa, onde uma questão lhe foi posta, a que ele respondeu, e que o fez de novo trazer a este mundo, pelo menos, assim, ele o cria.

Aparecia-lhe o outro lado da questão, fechava-se um círculo. Voltou para não provocar dor, àqueles que o amavam. Da primeira vez não lá ficara, pois não queria a dor de os perder. O circulo estabelecia-se começando em não querer sofrer e acabara completando-se, em não fazer os outros sofrer. Não sofrer nem fazer sofrer

Ele agradecia à vida o que ela lhe mostrara, às vezes contava esta história mas ficava com a sensação que a maior parte das pessoas ficava a pensar que ele era maluco ou que teria tido um ataque de pânico, uma hiper ventilação ou algo do género. Também sabia que aquele saber só era válido para si mesmo, e se calhar para alguns outros, pois constava que existiam.


E contudo não sofrer nem fazer sofrer, não era atitude passiva, pois se fosse essa a atitude na mais das vezes, o sofrer acontecia, o não sofrer nem fazer sofrer, implicava uma atitude curativa e de preferência orientada para a prevenção.

Por outro lado confirmara em seu sentir, em seu vivenciar, que pelo menos alguns podiam ter acesso a uma por assim dizer espécie de continuidade, visto que isso lhe ficara, bem como aquela profunda paz nunca antes sentida, dentro de si marcado.

Enganara-se em sua busca, com uma Mulher, Aparecera-lhe e Encontrara Outra

O homem ouve a onda do mar, serenara de encontro ao ritmo de seu embalar, seu coração é agora o mar, seu bombear é a própria vaga, amar o mar, tornar-se mar
E nesse momento dá de caras com uma figura que lhe aparece por detrás

Ora viva estava à tua espera, pois se a morte é vida, pelo que me foi dado a conhecer, continua-se, alguém tinha que estar por aquilo que a morte aparenta ser.

Quem é que poderia ter interesse em corromper o Amor, quem é que poderia ter interesse em afastar alguns dos caminhos do Amor, que os assustava e para quê, que os assustava.

Fala criatura

Certo, aqui estou eu, nu como eu próprio sou. Mereces-te que eu aqui te aparecesse, já muitas vezes tinhas soado distintos apitos, mas nenhum ainda com o engenho suficiente para que desça a teus pés, simples mortal.

Desculpa minha amiga de longa data, que eu já te vi diversas vezes de relance ao contrário do que crês, mas os homens são imortais, tu melhor do que eu, o sabes, pois é essa a tua ilusão, a ilusão que lhes vendes, para os afastar do Amor, tu que és inimiga do Amor, ou seu irmão?

Já te vi de em diversas vestes, múltiplas companhias, múltiplas expressões, até te vi uma vês como tu és. Recordas-te foi em Bruxelas, há muito tempo, numa noite de neblina, espelhavam-se estranhos reflexos da lua por entre a névoa como nuvens rasante às águas do lago e eu descuidado em meu sentir, sendo entranhado por toda aquela atmosfera húmida e silenciosa, vejo de costas um vulto com capa sentado num banco de jardim, pelo qual eu acabara de passar e que se encontrava vazio. Tinhas aparecido do vazio como por artes mágicas.

Assim me fizeste olhar para trás e vi teu rosto, e assustei-me, dei um pulo, deixei de te conseguir ouvir e tu desapareceste e eu fiquei muito aparvalhado comigo mesmo a pensar quem serias.

Sim era eu, sempre a perguntar, sempre com perguntas, reduz-te a tua insignificância, treme perante mim, que aqueles assuntos naquele dia não eram só contigo, alias tu não deverias ter visto o que viste, estranhas habilidades possuis.

Porque hei-de tremer, se não és tu que me levas e quando for será o momento de ir, e para quê mesmo tremer, se eu de alguma forma já lá estive, não tenho esse receio em mim e espero nunca o ter de novo, mas não me respondeste ainda.

Eu sou seu inimigo declarado, faço-lhe luta, quero a divisão no coração e no agir dos homens, assim armo a grande confusão, coração dividido, pensamento incompleto, homens crêem então na vida como algo que acaba, a ao assim viverem, perdem a possibilidade de viverem no Mundo onde têm seus próprios pés, o Amor, o Paraíso, A Ilha dos Amores, A Eternidade.

Assim o adio, no mundo, no mundo dos homens através do coração e dos pensamentos que racho ao meio, dos corações que assim torno enegrecidos para melhor me servir.

Já me viste actuar, faço-o por dentro e por fora dos homens. Dentro de seus espíritos existe sempre uma balança, que são como dois filtros oculares. Um negro e sombrio e outro branco e solar.

Consoante o homem escolhe o filtro com que vê, assim vê a realidade e age em função do que ele próprio, assim escolheu ver, e quando o homem dúvida da sua própria intenção, face a um outro, desconhecido, turva-se a sua própria intenção, seu desejo de confiar é substituído, ou pende então para a suspeição.

Como sabes, todas as coisas comunicam entre si, suspeição em mim, suspeição em ti, assim, longe dos campos do amor. Chego por dentro, sentando meu peso nesse prato da balança, sussurra meu espírito baixinho ao seu coração, desconfia, que ele vem para te fazer mal, que ele te quer mal.

Desculpa interromper-te, mas não podes ser seu Inimigo, pois Ele não tem nenhum Inimigo, não é da sua natureza fazer inimigos e para fazer inimigos são precisos dois, como ambos sabemos e Eu que o Conheço, sei que ele sofre por nós, assim ele próprio sofre.

O Deus
De
Que te falo
Habita
O Sorriso
É o Sorrir
E O Sorriso

O Deus
De
Que te falo
Habita
A Abertura
É o Abrir
É o Aberto

O Deus
De
Que te falo
Habita
O
Sentir
É
O
Que
Sente
O
Ser

O Deus
Que te Falo
Não
Castiga
Não É
O Castigo
Mas
É
Sempre
Perdão

O Deus
Que te Falo
É
Deus
Do
Querer
De
Amar
Do
Ajudar



Porque
Ele
É
Uno
E
Múltiplo
Está
Em Ti
Por
Isso
Ele
Te
Conhece
Te
Compreende
Sabe
Quem
És



Sente
E
É
Contigo
Tua
Dor
Ele
Sofre
Por
Ti

O
Deus
De
Que
Te
Falo
É
Deus
Do
Amor
Da
Liberdade
Do
Respeito

O Deus
De
Que te
Falo
Não
Se
Impõem
Pois
O
Amor
Não
Se
Impõem


O Amor
Alcança-se
O Amor
Alcança


O
Deus
De
Que
Te
Falo
Aceita
Tudo
Aceita
Todos
Sua
Mesa
É Grande

Para
Todos
O
Que
Nela
Se
Queiram
Sentar

O
Deus
De
Que
Te
Falo
Não
Se
Entretém
A Julgar
A Mal
Dizer
A
Cuscar

Entretém-se
A Amar
Deus
Menino
Amado
Curioso
Amável
Criador


O
Deus
De
Que
Te
Falo
Tem
Uma
Mãe




A
Mãe
De
Deus
Viva

A
Mãe
Que
Cuida
Dos
Mais
Fracos
Dos
Mais
Necessitados

A
Mãe
Que
Inspira
Alimento
A
Mãe
Que
Alimenta
A
Mãe
Que
Cura


E depois, quando falas da intenção ou que vontade do homem se turva, estás a admitir implicitamente, que existe uma constante, por assim dizer um fundo e um padrão comum, e essa padrão é o padrão do Amor, daquilo que integra, para isso não escolhe a suspeição, pois suspeitar é pôr-se à defesa, e por a defesa, certamente concordarás comigo, não é a melhor forma de conhecer as coisas e se eu não te conheço como então, te integro em mim.

Pois deste-me um dos meus nomes, o vento da suspeição e do desconfiar. Sabes muito mas não me alegras. Eu continuo aqui

Pois como poderia eu te alegrar, se o que és e o que fazes é o contrário da alegria, o que te aconteceu para perde-la, porque fazes luta ao amor.

Porque assim lhe roubo adeptos
O que ganhas com isso
Nada
Nada?
Nada como, não é uma guerra uma pretensão de ter mais qualquer coisa

Já que insistes, é uma velha história, mas abreviando dir-te-ia que quem vive pelo Amor a ele se entrega em vida, escapa à morte, torna-se eterno, e aqueles que não o conseguem, aqui voltam outra vez, o meu papel é só de mestre-de-cerimónias, sou eu que os faço falhar.

E que ganhas com isso
Alimento
Alimento?

Sim eu existo e sou alimentado por todas as indiferenças, por todas as confusões, por todos os ódios, por todos os possuíres, por muitos quereres, por muitos exageros. E sabes gosto muito de carne, gosto muito de possuir, não amar, vê lá se percebes, gosto muito de dor, de sangue, eu sou a vaidade, eu sou a ganância, eu sou a inveja, eu sou o desamor, a indiferença. Sim que quem assim vive, dá-se muitos prazeres a si mesmo, pois pensa geralmente em si, como distante e diferente dos outros, e eu dentro deles, prazer tenho, assim o obtenho para mim.

Não me tentes confundir, vai mais devagar, pois Amar é também prazer, os corpos para isso também existem, e se a morte não existe, porque não poderemos viver aqui em pleno Amor.

Bem sei que existe uma ideia de pôr o paraíso fora desta realidade, numa outra, mas por que não pô-lo aqui, no hoje e no agora. Sabes, eu acho que o teu trabalho o contraria, penso que os homens viveriam melhores consigo mesmo e com os outros se te conhecessem melhor, se, se lembrassem de te encarar, quando lhes apareces e o que vejo muitas vezes fazer é o contrário, como as avestruzes, enfiando a cabeça na areia, vivendo despreocupados a fingir que não conhecem a preocupação.

Esses nomes que te deste, são só exageros das coisas boas, e ambos sabemos que os exageros tendem para um lado de uma coisa, os exageros prejudicam a visão e a existência, vê-se menos, vê-se mais um lado em detrimento do outro, vive-se só num pé, porque se, se vir os dois, e caminhar com os dois, então nem existirá, mesmo, exagero.

É só uma questão de equilíbrio, para que as coisas e o andar não tendam para a sua enunciação no extremo errado.

Lá estás tu com as tuas veleidades, nunca mais as abandonas.

Pois como eu te conheço, também tu me conheces, não finjas surpresa com elas, já mas conheces desde sempre, ambos nos pertencemos de algum modo.

Aqui sob a luz do luar, posso olhar-te, e ver-te como uma emanação de mim, como a sombra projectada que parte de meu próprio pé, se estende horizontal no chão e adquire tronco de encontro à parede branca

Afinal somos muitos mais próximos e parentes do que sempre o julgáramos.
Chega aqui ao pé de mim, lê as minhas notas, aliás nem precisas de as ler porque as conhecerás tão bem como eu, falam sobre a ilusão que tu és, tiro-te o capuz, neste momento e observo-te.

Não, nem isso, não te posso observar porque és invisível na mais das vezes, mera sombra noutras, assim te vejo, vazio, esvaziado, espantalho de ar e vento.

Sim, eu sou invisível e teu irmão, mas não tenho teu corpo, embora o use, como uso todo que está a mão de semear e que me der jeito aos meus propósitos. Ah pois, aqui te confesso, se eu tivesse um corpo, não precisaria de o sentir pelos outros.

Olha, parece-me uma boa ideia, porque não vens habitar o meu corpo, comigo, arranjo-te uma casa interior bem mobilada e ofereço-me como companhia, assim poderemos os dois, ir sempre falando, e tu és sem dúvida um espírito muito sabedor, cheio de vivências, posso aprender muito contigo.

Assim te preocuparás pelo bem do corpo, e para isso terás que deixar de fazer e inspirar o mal e o mal feito, também deixarás de povoar os pesadelos dos homens, porque ficas comigo contente em meu corpo, inspirarás então a verdade da vida, lhes deixarás em seus sonhos sementes do Amor.

Mas para que esta relação de entortada passa a direita, tenho que em verdade te dizer, que a minha via não é essa que falas tanto gostar, passarás a ter um corpo, também teu, uma divisão para habitar e a participação através de mim e comigo nos prazeres que a Vida e estar vivo me proporciona, percebes-te?

Sim, que chatice, logo tinha que me calhar um franciscano ou quase, ainda bem que vou viver dentro dele, sempre lhe posso contrariar estes exageros, pensou ele consigo mesmo sem o dizer, mas esquecera-se que ao aceitar o negócio, o pensamento passara a ser audível.

Respondeu-lhe, mentalmente o homem, que belas conversas vamos ter, pois isto é uma espécie de verdade, verdadinha, no tempo do seu existir. Olha lá, mudando de assunto, porque não vamos até às estrelas e mais além, vamos visitar o Pai, dizer-lhe que não tem mais razões para estar triste, que agora tem mais um aliado, tu, e quem sabe, assim ele recupere a sua Alegria.

Devagar meu rapaz, isso temos que o fazer de outro modo, porque eu, ainda agora cheguei ao corpo, talvez quando largarmos este corpo, continuaremos juntos por outras paragens, quem sabe visitemos as estrelas e as galáxias

Firmaram o negócio, sim, ambas as partes pegaram o lacre, os seus respectivos símbolos, e selaram o pacto.

Ia o homem dizendo-lhe, se sempre foste parte de mim, se reconheces em meu corpo tua morada, porque um dia te foste embora

Um dia apanhei um susto e a partir daí para sobreviver comecei a usar o mecanismo que me assustou para me proteger…..

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