terça-feira, agosto 31, 2004

alterações no último texto
O dilema que os franceses vivem, não é só um dilema francês

Os franceses decidiram criar uma lei que proíbe um costume de um grupo de pessoas de origens distintas da França, mas que lá habitam.

Penso no que terá motivado a criação desta lei e parece-me que ela será entre outros factores, consequência do medo e da desconfiança que se vive face aos povos que praticam estes costumes que são diferentes, pois vivemos tempos de medo individual e colectivo de grande consistência e de expressão quotidiana através do terror que hoje se expressa no mundo.

Não será difícil de pensar que o facto de não se ver um rosto, que anda tapado, poderá na óptica da cultura ocidental, habituada à leitura e ao conhecimento do ser através da visão de seu rosto, que o facto de ele se encontrar tapado, agrave o medo e a consequente paranóia.

O nosso imaginário associa também rostos tapados, às imagens de máscaras, tipo passa montanhas e similares, a actos menos próprios, assaltos a bancos, tropas especiais, coisas secretas, actos de terror nos filmes de acção e violência.

Rosto tapado, gestos suspeitos, costumes e hábitos diferentes, tornam-se hoje muito facilmente coisas suspeitas, e a história da humanidade está pejada de inocentes que foram espezinhados e mortos por multidões que assim os decidiram ver ou assim foram levados a ver.

Recordo ainda, que quando do aparecimento publico do caso Casa Pia, de sentir no dia a dia em Lisboa, uma mudança nos gestos e expressões de carinho entre os adultos e crianças. Felizmente passou, para bem de ambos.

Quem não terá pensado em seu íntimo, no quente daquelas primeiras notícias, se seus gestos habituais, expressão de carinhos e ternura não poderiam a vir ser mal interpretados, pois a desconfiança veio tambem com o conhecimento do caso. Como o escrevi na altura, quem primeiro sofreu foram as crianças, a eles naturalmente habituadas, e como comprovei por observação, seus sentires, eram ao tempo intrigados, como quem se perguntava, o que se teria passado no mundo dos adultos, para que tal acontecesse.

Depois penso, onde se encontrarão os limites do direito que tem um indivíduo, um grupo, um país, mesmo quando não concorde ou não aceite esses ou outros costumes, de o impor sobre outros, quando esses outros habitam seus países, são seus vizinhos, muitos deles já franceses.

Recordo-me de outros tempos de terror que antecederam grandes guerras e de como me parece ser constante, nessas alturas, a tendência para obrigar determinados grupos a mudar seus comportamentos e as consequências de tal fazer.

Estrelas pintadas nas portas de suas casas, fachadas, janelas, antes e depois em crescendo, a argumentação da sua superioridade como raça, a sua maior pureza, género, as suas mais certas e correctas ideias, comportamentos ou costumes, a sua diabolização e os funestos desenlaces de tais práticas.

Depois penso que as leis que os homens acordam entre si, são para cumprir, que alguns decidem ou a isso são levados, a não as cumprir, como o que rouba de faca na mão, para alimentar um filho que doutra forma não tem de comer, ou aquele que assalta sentado em sua secretária, sem necessidade, para acumular riquezas pela riqueza, pensando que assim atravessará a vida mais protegido, que a gozará melhor que uns outros, ou que quando daqui se for, lhes serão úteis, ou ainda, porque a sua descendência assim ficará mais protegida para o futuro.

Hoje, perguntava a um homem, se as crianças e os adultos que estavam feridos se encontravam melhor, e se já se sabia o que tinha originado o acidente de ontem com o autocarro.

Disse-me ele, que o carro que ia à frente, tinha perdido a sua carga, ou por ignorância, porque ia mal acondicionada, era volume ou peso a mais, oferecia demasiada resistência aerodinâmica.

Parece que tinha sido o próprio suporte, a grade do tejadilho a se soltar ou partir, talvez por peso a mais, ou por a carga ir mal acondicionada, e que depois disso se aperceber, o condutor teria parado para tentar remediar a situação e passado pouco tempo deu-se o acidente onde ele também faleceu.

Terminou acrescentando em tom rápido que … era marroquino o condutor do carro, e eu a sentir naquele tom final, algo como quem dizia, é ignorância, na melhor das interpretações ou um qualquer laivo de superioridade e desprezo na pior.

O que faz partir um suporte de metal num determinado momento do tempo em que um autocarro se aproxima, mesmo quando uma carga é correctamente transportada?

Há coisas que os homens podem prever e outras não, há coisas que os homens podem fazer e outras não.

Podem os homens saber da durabilidade média dos materiais e do tempo de sua fadiga e assim encontrarem sábias formas de fazer a sua manutenção ou mudança de forma a diminuir o risco do acidente acontecer.

Mas se um homem pode perceber a chegada da tempestade, não pode prever onde cai o raio, e por isso inventou os para-raios para sua proteger. E não há dinheiro nenhum que possa impedir um raio de cair em cima da pessoa que o transporta.

Uma minoria cuja cultura leva as mulheres a usar véu na cara, habita num país onde uma grande maioria o decidiu proibir.

Depois penso que a democracia se baseia na opinião maioritária e que há muitas regras que muitas minorias não gostam, mas que as suportam e as cumprem, porque é a lei arranjada entre os homens, mesmo quando decidem actuar para as mudar.

Em França, a questão assume contornos de diferenciação entre duas culturas e raças distintas numa mesma casa.

Se pensar que um país é uma casa grande, que por sua vez é composta por pequeninas casas posso chegar à minha casa individual, aquela onde habito. Imagino que lá dentro habita noutro quarto um homem de outra raça com outros costumes.

Direi então para o homem a meu lado, que a casa é minha porque a herdei e que ele é um convidado, que não aceito mais seu hábito e que ele tem de mudar se quer continuar a viver dentro da minha casa, ou poderia dizer-lhe para sair da minha casa.

E contudo ele não é um convidado. Na Europa, está integrado, é célula criativa, produtiva, reprodutora, é contribuinte e na mais das vezes, vive em piores condições globais que os naturais dos países que os acolhem

Também em meu ver, só há diferenças de raça no plano das características físicas, da cor da pele, da forma dos olhos, mas não do olhar, do bater do mesmo coração, de um mesmo sangue, de uma mesma forma de respirar, uma mesma forma humana.

A vida humana, o homem, é por assim dizer, uma raça composta, a da vida, a da terra, a dos nossos irmãos animais e depois existem homens que se vêem iguais, que se querem tratar como iguais em respeito mútuo e em paz, em ajuda e no ajudar

Aparece-me a imagem da tolerância da vida, ou do amor da vida como um elástico à volta de dois dedos. Cada dedo está assim ligado por ele, se aproximar os dedos, o elástico deixa de fazer força sobre cada um e assim cada qual pode-se mover livremente dentro de seu próprio espaço e de acordo com sua vontade.

Se começar a abrir os dedos, eles começam a ficar imobilizados na tensão do elástico e se os continuar a afastar, pode-se até quebrar, quebrando aquilo que os unia.

No outro lado do mesmo mundo, homens armados, mantêm em cativeiro e na eminência de uma execução, dois homens de um outro país, de uma outra cultura e condicionam a sua execução à mudança da lei no pais dos cativos.

A vida é sagrada, deve ser nutrida e não destruída.

E este é um novo mundo, onde um grupo, um pequeno grupo, pode desta forma questionar um país e a todos nós no mundo, num mesmo momento do tempo. Foram já diversos os países que assim foram confrontados com distintas mas semelhantes questões, como o retirar de exércitos ou participações em guerras e ocupações.

Assim, este mundo novo, obriga-nos, a pensar seriamente nas causas do terror, e sobretudo acabar com elas.

As guerras fazem a morte e a miséria, a ignorância leva à guerra, a ambição desmedida, a ganância, fazem a guerra, a miséria leva à guerra, a falta de liberdade dos homens
leva à guerra, a discriminação leva à guerra, o rancor e ódio leva à guerra

São também tempos, que aconselham a não esticar muito o elástico na convivência entre os homens.

O medo é mau conselheiro, diz nosso povo, das acções também, mas são tempos de medo e é preciso aprender melhor, como com eles, lidar. Maior conhecimento do outro versus o anátema, maior proximidade, mais integração, maior tolerância entre os homens, uma vontade de amor e da paz que ele tambem é, e alcança, e assim faz frutificar a vida.

E talvez um dia quem sabe, os homens possam prever onde caem os raios e ter dessa forma tempo de lá saírem.

Que os que estão feridos recuperem e os que estão de boa saúde a mantenham, assim fico a desejar.

quarta-feira, agosto 25, 2004

on, off, out

Eu estou a dizer-te uma coisa, depois digo-te outra e depois digo-te ainda que não te a estou a dizer.

Faz sentido?

Off quê
Ou boca calada
Quando mais
Não quero
Dizer

Não seria mais simples só, on ou out?


...


Sem nenhuma ideia de infância de que quando chegasse aos 18, aos 33, ao meio da vida, que entretanto já passei, as questões, a busca cessasse, como se tudo se encontrasse definitivamente resolvido dentro de mim numa certa hora num certo lugar.

Parece-me ser sempre assim a vida, na melhor das hipóteses renascimentos, dados, obtidos por golpes de asa do coração, do pensar, do Grande Mar. Peso o meu caminho, que faz parte de um mesmo caminho, olha minha alma sentada e com ela me ponho a conversar, tento perceber o que me faz morrer a cada vez para então morrer de vez, naquilo que morto já está e renascer uma e outra vez ainda.

Aterro em Lisboa, no meio do verão. Assuntos pesados a tratar, sim, que me são pesados e contudo comparados com outros de muitos outros, serão rosas. Quantas vezes me esqueço da comparação que relativiza o peso das coisas e contudo vivo num mesmo mundo onde as coisas, por assim dizer, mais pessoais condicionam pelo menos, a e energia e vontade que menos dou a outras, paradoxo de mim no outro, em qualquer outro, em qualquer outro mesmo lugar.

Bem sei que são tempos de mudança nalguma forma de estar nomeadamente na minha forma produtiva, por assim dizer. Que ninguém entenda que me quero tornar indigente, ou deixar de trabalhar e fazer coisas, mas sim encontrar uma nova forma de as fazer, o que implica balanço e algumas mudanças.

De qualquer forma, avalio, aquilo que se me afigura como novas prioridades, os meus novos compromissos internos, se assim puder dizer. E muito disto tem a ver com a possibilidade de ser empresário em Portugal, e esta questão anda a deixar-me muito confuso, pois não quero chegar a uma conclusão de impossibilidade ao Amor.

Eu
Tenho
Dois Países
Um em
Que nasci
Outro
Em
Que
Vivo
E
Depois
Tenho
O
Mundo
Inteiro
Para
Viver
Pois
Todo
O
Mundo
É
Minha
Casa
Uma
MesmaCasa



E contudo este livro que se escreve na minha vida em Portugal, com a minha vida, neste capítulo específico da existência, é um longo livro que tem um título longo, como este calvário, porque voam as borboletas, porque se vão embora, ou porque perdem a vontade de voar.

Embora?
Perder a vontade
De voar
Certamente
Não


Outras
Formas
De
Voar

Disto
Conta
Aqui
Darei


...


Oh
Minha
Amada
Que
Me
Visitas
Como
Eu
Gosto
Contigo
Conversar

Quando
Acordado
Estou
Te
Vejo
O
Olhar

Mas
Tu
Também
Me
Visitas
Na
Terra
Dos
Sonhos
No
Sonhar



Nem
Sempre
Te
Vejo
Clara
Como
És

Mas
Deixas-me
Presentes
Ao
Acordar
Bálsamos
Que
Me
Trazes
No
Sonhar

Assim
Saí
Para
Almoçar
Lágrimas
Correndo
Em
Meu
Mar
Do
Meu
Olhar

Para
Dentro
Do
Meu
Coração


Depois
Dou
Conta
De
Que
Posso
Então
Chorar

Depois
Penso
Minhas
Lágrimas
Outras
Lágrimas
Que
Às
Vezes
Nem
Lágrimas
São
Em
Outro
Olhar

Eu
Choro
Minhas
Dores
Ou
As
Dores
Do
Mundo

Será
Diferente
A
Dor?

Como
Posso
Eu
Chorar

Darfur
As
Mesmas
Crianças
Do
Biafra
Que
Nem
Chorar
Choram
Porque
Desde
Que
Nascem
Sempre
A
Vida
Assim
Foi

Não
Lhe
Chamam
Dor
Pois
Nem
Sabem
Que
Isso
É
Dor

Para
Eles
É
A
Vida
Nem
Se

Nas
Vezes
Suas
Lágrimas

Uma
Imensa
Tristeza
Olhares
Fundos
Em
Rostos
Corpos
Mirrados
Da
Sub
Nutrição

No
Mesmo
Mundo
Que
Destrói
Comida

Como
Posso
Eu
Chorar
Minha
Dor
Pessoal

É
A
Dor
Assunto
Pessoal
?

A
Guerra
Continua
As
Bombas
As
Mortes
As
Atrocidades

E
Aquelas
Crianças
Iguais
Às
Minhas
Morrem
Muitas
Delas
Nem
Aos
Cinco
Anos
Chegam


Dores
Diferentes
?
Num
Mesmo
Único
Mesmo
Mundo
?




Aqui fica esta pérola sobre gatos e afins que me chegou a mão, para todos os que amam os irmãos animais. Ainda só li a primeira, síncrona, no tempo de seu chegar, numa mesma ideia escrita de texto anterior. Perdoem-me os Toranja cuja letras tanto gosto, pelos sentidos que me fazem

http://www.planeta.gato.nom.br/textos.htm,

Um belo miar de verão.


...

silly season, you said?


...


Duas belas pérolas sobre transcendência do sexo em Rosa Leonor, Mulheres e Deusas

Inspirou-me
A
Transcendência
Fora da Carne
No
Desejo
Dela

Carne
Será?


Oh
Minha
Amada
Oh
Meu
Amado
Oh
Meu
Sapo
Amado

Não
Tenho
Pressa
Em
Tocar
Te


Combinamos
A
Entrega
Complemento
Corpóreo
No desejo
No
Nosso
Frente
A
Frente
Olhar

Não

Pressa
A
Cumprir

Prazer
E
Amor
A
Dar
A
Dar

Vamos

Acordar

Toco
Te
Toda
Todo
O Sapo
Não
Esquecer
Que
Também
Quer
Tocar
Ser
Tocado

Toco
Te
Leve
Afago
No
Sorriso
Em
Sorriso
Dos
Corpos
Que
Lenta
Se
Vão
Lembrando
Ser
Um

Pressa
Para
Quê
Se
Nossos
Vinte
E
Um
Dedos
Ou
Vinte
E
Dois
Ou
Vinte
E
Três
Se
Contar
Com
O
Sapo
São
Como
Pontos
Estrelas
Na
Imensidão
Do
Nosso
Corpo
Céu

Pressa
Para
Quê
Se
O
Encontro
É
Certo
Como
O
Rio
No
Mar
Se

Transformar

Esqueço
Me
De
Mim
Esqueces
Te
De
Ti
Magnetizamos
Docemente
Agitadamente
Meio-soprano
Tornando-nos
Dínamos
De
Prazer
De
Amor

Agora
Meu
Amor
Se
Bem
Que
Ninguém
Perde
Seu
Corpo
Os
Dois
Juntos
São
Agora
Um

Maior
Que
Cada
Um

Sol
Radiante
A
Faiscar

Agora
Meu
Amor
Repara
Que
Nosso
Corpo
É
Um
Mesmo
Universal
Corpo
Uma
Inteira
Galáxia
Um
Uni
Verso

Agora
Que
O
Mar
Se
Aproxima
Façamo-lo
O
Mesmo
Mar
Desejo
Bem
Estar
Alegria
Muito
Prazer
Muita
Paz
Muita
Vontade
De
Paz

E

Quando
A
Onda
Quebra
Na
Areia
Do
Universo
Espalha
Todo
O
Nosso
Amor
Pois
Assim
O
Quisemos
Fazer

Tempo
Que
Foge?
Ou
Tempo
Sem
Tempo
No
Doce
Estar

Vamos
Experimentar?

Lembrança da unidade primeva, da mulher que também sou, do homem que também és, um mesmo corpo, uma complementaridade, um equilíbrio entre o feminino e o masculino, entre o interno e externo, entre o que penetra e o que recebe e fecunda o novo ser que então nos tornamos quando assim nos encontramos

Os sapos também existem como nós e também Amam, só por isso ele apareceu, dizia seu amigo gato ao passar.




Perdoar, aprender a perdoar, optar por perdoar, não implica nem tem como consequência esquecer.

Noticia no telejornal. O burro ibérico está em vias de extinção. Engano com certeza, esqueceram-se de mim. Também disse o Senhor que eram teimosos, iam sempre no mesmo lado, e ainda, que eram inteligentes. Vá-se lá perceber os burros ou o Senhor
Que deles gosta.





Autocrítica marxista-leninista do tempo das células dos estudantes comunistas, sem ml
(hihihi)

A realidade é um mil folhas
A Intervenção pode-se
Fazer em qualquer
Das mil

Mil folhas
Mil formas

Sózinho
Acompanhado
De
Preferência
Bem
Acompanhado

E

Claro
Está
Nem
Todo
O
Colectivo
Tem
Que
Falhar
Se
Bem
Que

É
Colectivo
Enquanto
Eu
E
Tu

Andar

Colectivo
Regras
Lealdade
A
Si Mesmo
Portanto
Aos
Outros
Pactos
Juras

Eu
Um
Dia
Partirei
O
Colectivo
Não

Tu
Também
Partirás

Haverá
Contudo
Outros
A
Chegar

O
Que
Lhes
Vamos
Deixar
?



Na feira tocava a cassete pirata. Pirata era o nome do autor que a tinha feito, pois consta que a fez à revelia dos cantores. Mas no mar em que os piratas e os cantores navegavam
Havia uma lei de bordo, que dava o bordo a tal carência de previamente o cantor informar, Se caso da protecção do Pirata se tratasse. E se o pirata, precisa de protecção que a lei lhe dá, então se calhar nem mesmo pirata o é. Será tal possível, perguntam as sardinhas em seu nadar, e contudo ninguém se não o pirata tal pode navegar, perdão, pode tal avaliar, em primeira instância, aquela que determina ou não se o acto é acto de piratar.

O cliente na banca da feira da ladra dos peixes, sopesando a cassete e sua ficha técnica, não sabia também tal averiguar. Lera nos promocionais, que se queixara o pirata de ter sido piratado, roubado e truncado. Pirata que rouba pirata tem mil anos prá nevegar. O tema do pirata fora como seta lançada à volta do redondo do mundo e assim chegara de novo a ele, se é que alguma vez a seta teria partido, secretos mistérios da inépcia de saber, pois como sabemos, cassetes, piratas, roubos, cedências, dito e não dito que dito, mares navegados e nunca antes navegados, são coisas etéreas e transcendentes, mas que depois de manifestadas se conservam imutáveis para sempre como o viver dos piratas e dos cantores

O cliente olhava a cassete e tentava avaliar se era a verdadeira original cassete pirata, mas depois chegou um outro que lhe disse, que o pirata tinha destruído o original piratado, foi um tubarão de boca grande aberta, truz, a comeu, disse o capitão gancho que estava na praia, em verão entretido a ver os bikinis.

Entropia, confusão, parece a experiência do verão, o teletransporte do fotão, que sim que se move de um lado para o outro sem remos para se mover, mas que chega diferente do que já fora, helás, como as cassetes que se extraem. Disse a foca que mo contou, estou a rimar, que não sou ignorante, sou poeta, nas vezes.

O cliente de férias, não ouvira nenhum cantor nem nenhum extracto do canto, alias teria que se perguntar, extracto do extracto, de que extracto, daquele que foi cantado, ou mesmo do que não seria nunca cantado, mas cliente ao lado houvera que dissera, só tem faixa A, coisa bizarra, que secretas intenções se estendem por debaixo da rebentação no quebra-mar, pois como se sabe e sabem todas as sardinhas, os extractos extraem-se a si mesmo de formas aleatórias.

E depois deste episódio nos mares do sul, ao sul, onde estamos no norte deste processo.
E já agora, como, e aonde se julgam os homens e quando é previsível um veredicto, pergunta a barba que entretanto crescera ao peter pan.


Mas recorda peter pan, é passível averiguar uma montagem, um corte, uma colagem em áudio, sobretudo pela análise do chamado ruído branco, aquele que não se ouve mas que se pode ver por exemplo em forma de onda de frequências e por variação de volume, corpo, caso o tal atelier inteligente na lapa tenha feito corte e colagem por mix, pois como se sabe, são os ateliers e as máquinas que o fazem, não os piratas, muito menos os meninos perdidos. O cliente em férias não recorda de ouvir na novela se alguém procedera mesmo a uma peritagem.



Cada vez que passar ao lado de uma baliza, vou lá abaná-la para ver se está bem fixa, será que podias fazer o mesmo, não?





opps o meu atelier é ao pé da lapa, ainda me aparece um capitão gancho a dizer que foi eu que o fiz. Minhas amadas máquinas de imagem e som, estiveram a dormir, enquanto eu estive na praia, não fizeram nenhum trabalho na minha ausência, pois não? E depois as máquinas não sabem fazer facturas por si mesmas, seria um caso trabalhoso de fuga ao fisco.

...

Andas a reler Kafka?

Não

Haaa, é um ataque de surrealismo agudo de verão.

….

Já não se abandonam animais no verão, assim quero crer, agora só automóveis. Volto a Lisboa e lá continuo a ver alguns abandonados em sítios estranhos. Sempre é melhor abandonar carros que animais, mas convenhamos que deixá-los no meio da estrada, ou é uma forma de protesto poético ou sinal de retoma.

Ontem de manhã na Praça de Espanha em Portugal, lá está um sem tampa traseira, tipo abre latas aberto, fiquei a olhar de espanto, aquele buraco. De manhã, na mesma manhã, dois carros de polícia ali parados ao pé, que bom já o devem ter visto, fui-me contente. Depois voltei lá a passar mais tarde e o carro continuava lá. Depois no túnel do corte inglês, um outro carro inteiro coxa de uma roda por algo amarelo estava na eminência de ser rebocado e concerteza terá sido mesmo, pois esse é certo destino da tal doença amarela.

Bem sei que os abandonados, não se encontram abandonados em zonas de zebras pintadas com marcianos verticais comedores de cêntimos e euros, mas que diabo, não poderiam dar uma mãozinha em rebocá-los também.

O rapaz está louco, cheio de pretensão de si mesmo, não tem noção?
Pois não, é caso perdido


Hoje continua lá




Barco do Amor
Barco do Aborto
Aurora
Seu
Verdadeiro
Nome
No
Telejornal
Leram
Mal
Seu
Nome

Porque
Será
Pergunta
O
Inocente
Pássaro
Em
Seu
Canto
A
Voar


...


Dizia um amigo ao outro na praia da vila, és bruto.
Não sou não, respondia-lhe o outro
É ironia, fina ironia
Retrato
Da inteligência
Da
Coragem
Do Gosto
Do
Saber
E
Do
Saber
Pensar

Obrigado pela
Demonstração
Dos Olhos
Do Povo
Que esses
Olhos
São
Do Povo
Sem o Ser
Mas
Sim
Está
Bem

Alguns
Assim
Disfarçados
Com
Certeza
Esqueceram-Se
Do
Próprio
Rosto


400

Leites
2o
Pecados
Vezes
15
Nós
40

noves fora nada


Nada
Sei
Como
O
Poderia
Saber


Mas tudo
O que cai
Se levanta
Nem
Se
Levanta
O
Levante
Em
Repouso
Fica
Como a
Seta
Que uma vez lançada
Volta ao que a lança
Depois de dar a
Volta inteira
Ao
Redondo
Mundo
Cair
Subir
Depende
Do Ponto
De
Vista
Do
Local
Do
Ver
Como
Disse
Arquimedes
Uma
Alavanca
E um ponto
De
Apoio
E
Faço
O
Mundo
Mover

Obrigado
Por
Existires
Bem
Ajas





Todo eu sou Amor
Todo eu sou Ardor
Todo eu sou
Fogo
Invisível
A
Arder
Sem
Nada
Queimar
E
Zanga
Sem
Zanga
Sem
Vitima
Sem
Vontade
De
Nada
Vitimar

Paradoxo

Há dias assim

furacão

dentro

de

Mim



Força
Portugal




Dois amigos na praia há muitos, muitos, anos atrás

Ora, ora, cálculos redondos, mais ou menos 500 km na vertical, talvez 200 na horizontal, 100 000 Km2.
País à beira mar plantado
Gentes doces
E suaves
Muito Sol
Muita
Luz
Todo
O Ano


Vende-se
O último
A
Sair
Que
Feche
A
Porta
Que
Apague
A Luz


Anúncio cíclico como bolha sulfurosa que vai aparecendo de vez em vez no tempo de cada seu plof.




Parabéns ao luís ene, que fez dois anos de escrita, não te importes com o número pois ele é falso e depois há sempre a velha questão e seus dois lados, quantidade e qualidade.

chamas-te mesmo, ene?




Maré de verão, onda de Outono, morangos, bananas e coisas afins, quem brinca com o fogo pode-se queimar. Desejo-te o dobro do que me desejas, só mesmo Amor, que te fique tão claro como Ele o É e Tudo Torna, Tudo Faz.




E assim vai este leve retorno a Lisboa Muito Amada
Portugal
Europa
Mundo
Galáxia
Solar
No
Meio
Do
Uni
Verso



Distribuição enigmática de direitos de autor
Mais umas horas, se calhar dias, quem sabe meses,
Minha memória ram durante esse tempo ocupada em lembrar em dar seguimento ao averiguar, que ainda nem comecei, pois me sabe a língua de antemão a um certo fel,
Mas contudo eu que sou abelha sem o ser, não me alimento só de mel.



Sabes porque é que o país não vai para a frente
Porque se gasta quase todo o tempo
A responder às coisas mal feitas
E depois
Não resta tempo para fazer as
Que são necessárias
As
Bem
Feitas
Para
O
Bem
Feito
O
Bem
Fazer

De que te queixas
Tens que comer
Tens saúde
Não andas
Numa guerra
És feliz
A vida
É
Bela
E está
Cada
Vez melhor

Relativiza
Relativiza
E
Levanta-Te
E Ri





Muitas, muitas, saudades dos que estão ausentes deste espaço
Neurónios cor-de-rosa, clube das almas inquietas, e tantos, tantos outros,
Alguns que ainda não conheço

eu agradeço, todo o Amor que me dão
todo o aconchego
todos os carinhos
Toda
A
Força

Que
A
Força
Seja
Convosco


Ah tanta boa musica portuguesa. Camané, hoje ouvi na rádio um concerto de 30 de Março.

Ah Fado
Ah
Homem
Fado
Ah
Belas
Certeiras
Letras
Antero
De
Quental
José Mário Branco
Manuela de Freitas
E tantos
Mais
Tantos Belos
Verdadeiros
Poemas
Do
Fado
Maior

Oh Toranja, oh Rui Veloso, oh Carlos Té, Oh Manuela, oh Mísia, Oh Mariza
Oh Rui Reininho, Oh Xutos, Oh, belle chaise hotel, oh todos, oh tantos
Cada vez melhores

Sarava

Todos
Meus
Irmãos

A
Revolução
Permanente
A
Revolução
Impermanente
A Ovulação
A Evolução
Faz-se
Pelo
Som
Pela
Palavra
Pela
Música
Das
Esferas
Lusitanas




Vida, aborto, eutanásia
Nem tanto
A terra
Nem
Tanto
Ao mar

Como
De
Costume

Mais
Ao
Mar



oh blog this
you came
and
change
my template
without
saying
nothing
first

Yes
I
Accept
Your
Apologies
My
Site
Meter
Disappeared
And
One
Of
This days
I will
Bring
It
Again

I always
Treated
You
Well

I Gave
I Give
My
Thankful
Wand
My
Thankful
Heart
For
This
Creation
That
You
Have
Done

Hi
Blog
This
And
That


Perguntou-me uma vez uma amiga
Porque tinha um site meter
Se era para ver quantos vinham
Respondi-lhe
Serve para muitas outras coisas
Uma das mais divertidas
É ver por exemplo
As referências
Nos motores de
Busca
Quão
Complementar
Se tornam
As
Coisas
Que
Imensa
Riqueza
Nesse
Descobrir

Site meter
Cada um
Como
Cada
Qual
Pró
Menino
Prá
Menina
Cada
Qual
Como
Quer
Usar
Não
Assim
Será
?

E
O
Que
Eu
Tenho
A
Ver
Com
Isso

Nada

Mas
Amiga
Pergunta
Sempre
O
Teu
Perguntar
Mesmo
Que
Não
Seja
O
Próprio
Teu


Pergunta
Bem vinda
Resposta
A
Que
Me
Calhar
Mesmo
Que
Seja
Dizer
Não
Te
Respondo

Pois
Sei
Que
Não
Vais
Levar
A
Mal


terça-feira, agosto 24, 2004

Um dia encontraram-se dois amigos numa das ruas do Bairro Alto.
Um deles dizia então ao outro, qualquer dia apanham-te
Quem?
O sistema
Apanham-me como?
E o que é o sistema?
Apanham-te, vais ver

Que ideia tão estranha, aquela que o outro lhe dissera, fora em seu caminho a pensar.
Então o sistema existia para apanhar pessoas?
E apanhar pessoas, caso fosse esse o caso, para quê?
Para que serviria apanhar as pessoas?
Para alimentar o próprio, sempre houvera escutar

Seria uma ideia autofágica ou um ver mal, na forma como se apresentava a realidade?

Ou

Infeliz hipótese, seria assim na mais das vezes a realidade?






Meu
Menino
Querido

Tão alvo
Daqueles
Que
Se
Movem
Pelos
Interesses

Próprios
Não
Me
É
Difícil
Imaginar
As
Setas
Teu
Sangrar
Teu
Quase
Ensandecer




Descobre
Meu
Menino
Querido
Transparente
Desejante
Amante
Amado
Verdejante
A Vida
É
Mesmo
Assim

Para
Ser
Amada
Para
Se
Amar
Sem
Fronteira
Sem
Limite
Com
Ou
Sem
Dôr

Descobre
Meu
Querido
Menino
Quanto
Medo

Em
Teus
Irmãos

O
Medo
Que
Assim
Os
Impele
Assim
Os
Torna
Nas
Vezes


Mas
Meu
Querido
Menino
Aprende
A
Tua
Protecção

Coração
Tranquilo
Mente
Aberta
E
Atenta


Não
Deixes
Meu
Querido
Menino
Menino
Querido
Que
Se
Ofusque
Teu
Coração
Nem
Tua
Mente
Escureça


Pois
Tu
És
A
Tua
Própria
Luz

A
Luz
Está
Dentro
De
Ti

É
Fruto
Do
Casamento
Entre
A
Orelha
E
O
Coração


Assim
A
Orelha
Escuta
O
Coração
O
Desejo
A
Vontade
Que
Nasce
No
Saber
O
Querer
O
Que
Querer

E
Como
Fazer
Para
Obter
Esse
Querer

Este
É
O
Desafio
O
Jogo
O
Jogar



São
Muitos
No
Nosso
Povo
Que
Uma
Vez
Te
Sagraram
Vencedor


Meu
Querido
Menino
São
Muitos
Os
Que
Te
Amam
Porque
Se
Reconhecem
Iguais

Ou

Semelhantes
Para
Espíritos
Mais
Sensíveis

Pois
Quem
Em
Ti

A
Beleza
Do
Ser
Da
Vida
E
Do
Viver

Realça
A
Semelhança
Como
Natureza
Da
Igualdade


Mas
Meu
Querido
Menino
Quem
Ama
Não
Se
Impõem

Nem
Tem
Nas
Vezes
Qualquer
Particular
Razão
Para
Perto
Chegar



Meu
Querido
Menino
Meu
Menino
Querido
Procura
Tu
O
Que
Tu
Queres
Averigua-te
Averigua
Tu


Olha
Meu
Querido
Menino
A Vida
Pode
Ser
Sempre
A
Aprender


Fecha
As
Janelas
Pelo
Instante
Do
Retemperador
Descanso
Nós
Aqui
Os
Que
Nos
Sentimos
Iguais
Porque
Semelhantes
Traremos
Em
Nós
O
Amor
Que
Te
Temos
A
Protecção
Um
Mesmo
Ardor


E
Meu
Querido
Menino
Eu
Que
Sou
Pai
Te
Conto
Infeliz
Segredo
Pois
Remete
Ainda
A
Tempo
Futuro?


Um
Dia
A
Terra
Vai
Viver
De
Forma
A
Que
Ninguém
Necessite
De
Pisar
Alguém

Eu
Que
Sou
Pai
Que
Como
Qualquer
Pai
Ensina
A Ser
Verdadeiro
A
Seus
Filhos

Pois
Cabe
Aos
Pais
Que
Assim
Agem
A
Chegada
Desse
Dia



Pois
Como
Pai
Sofro
Na
Tua
Dor



Meu
Querido
Menino
Meu
Menino
Querido
Aqui
Te
Deixo
Este
Colinho



Os que verdadeiramente vencem são autênticos, e como autênticos terão maior propensão para dar mais o flanco, para serem mais facilmente pelos que assim decidem caminhar, abusados ou denegridos.

Os que verdadeiramente vencem são aqueles que procuram o que são, que não preferem viver, sem essa permanente busca de si mesmo que é a vida e o viver

E quando o coração é misto de vermelho da paixão, do sonhar, do querer, do acreditar que é possível e do branco da paz é paz o que então sentimos, quando não, nos sentimos abusados.

E é possível

Embora difícil, pois parece que muitos assim decidem andar, e sabes, é como dar um tiro nos nossos próprios pés, nos de todos, pois assim se prefere abater os que vencem, quando vencedores, e vencedores, necessitávamos que fossem todos.

Assim aprenderemos os dois, a ser mais selectivos no dar, que tu tanto gostas de actuar. É como pensar em pérolas e aprender a melhor distinguir os porcos, que nem porcos são, mas às vezes assim se comportam ou os fazem comportar, eu próprio, que grunho.

E pensando que selectividade não é necessariamente uma redução no dar, no que se dá, só pensando a palavra, como um dar, que não nos faça sofrer, que não abra a porta à pisadela alheia que recai sobre nossos próprios pés, quando é caso disso, pois assim se move a intenção alheia, dos que, alheios de si mesmo, andam.

Meu menino querido, meu querido menino
Corações puros têm as portas abertas
E pelas portas abertas entram todos
Os animais
Uns chegam com sorrisos e flores
Outros com medo
A fugir
A se esconder
Uns são leves
Como pássaros
Outros
Com
Medo
E
Dor
Pesados
São
Como
Elefantes
Em Lojas
Exíguas
De
Porcelanas

Partem tudo
Ao poisar
Ao pisar
Os corações
Quentes
E
Abertos

Aqueles
Que
Acreditam
Que
A
Vida
É
Para
Viver
Para
Valer
Para
Bem
Estar
Para
Bem
Passar

Oh Alegria
Da Amizade
Oh Alegria
Do Amor
Oh Desejo
De Vida
Oh
Vontade
De
Luz
Da
Luz

Não
Deixes
Meu
Menino
Querido
Meu
Menino
D´Oiro
Que
A
Dor
Te
Escureça
Teu
Céu

Não
Deixes
Meu
Menino
Querido
Meu
Menino
D´Oiro
Que
A
Dor
Te
Tape
O Sol
Que
Alumia
Que
Guia
Que
Te
Aquece
A pele
Como
Gato
Lento
Em
Doce
Ronronar
Alegre
E
Feliz
Miar


Pois
Essa
É
Lei
Das
Estrelas
Daquelas
Que
Residem
No
Céu
Dos
Nossos
Corações
De
Cada
Coração
Em
Todos
Os
Corações
Por
Debaixo
Do
Mesmo
Único

Outro
Mesmo

Céu




Quem vem assustado, porque não sabe a força que tem dentro de si como suficiente e bastante para alcançar o que se propõem, ou pensando curto na sua ignorância adquirida e lhe dada pelo mundo ao seu redor, de que a única forma de obter o que quer é à custa de um outro, ou ainda míope, como se dois pudessem verdadeiramente querer uma mesmíssima coisa de uma milimétrica mesma maneira, pois haverá espaço para todos, espero, desejo e entendo eu.

Sabes
Meu menino
D´Oiro
Aqui te conto
O que já vi
Me acontecer

Coração
Quente
Aberto
De
Manteiga
Queijo
Da
Serra
Todo
A
Derreter

Porque
Tudo
Derrete
Tudo
Faz
Derreter
Assim
Vêem
Os
Afortunados
A
Vida
No
Seu
Ser
Em
Seu
Ser

Depois
Chegam
Frios
Deslizantes
Em
Todo
Aquele
Derreter
Calor
Inebriante
Outro
Perfume
De
Ser
Do
Ser


E
De
Repente
A
Faca
Fria
Que
Quem
Tem
Medo
Tem
Volteia
No
Ar
Rápida
A
Espetar
O
Coração
Do
Queijo
A
Derreter

Disse
Nas
Vezes
A
Mão
Que
A
Empunha

Oh
Parolo
Não
Pensante
Campo
Todo
Aberto
Verde
Em
Flor
Belas
Rosas
Que
Me
Faltam
Eu
Vou
Poder
Colher


Oh
Não
Parolo
Nem
Não
Pensante

Irmão
Porque
Destróis
Rosas
Alheias

Não
Sabes
Tu
Que
És
Um
Jardim
Uma
Rosa
Um
Jardineiro
?


Mas
Nas
Vezes
A
Faca
Desceu
A
Manteiga
Fendeu
O
Coração
De
Queijo
Sofreu
A
Ferida
Abriu
E
A
Dor
Sentiu

O
Tempo
É
Amigo
Do
Pensamento
Do
Conhecermo-Nos
Da
Cura
Do
Curar
Da
Cicatriz
Que
Resta

Breve
Lembrança
Do
Que

Foi
Do
Que
Então

Não
Mais
Dói
Pois
Não

Nenhuma
Dor
Que
Vença
A
Vida





Se
Bem
Adivinhar
Que
Eu
E
Tu
Somos
Diferentes
A Mim
Quando
Tal
Aconteceu
Passei
Muitas
Vezes
Do
Muito
Calor
Ao
Muito
Frio
Às
Vezes
Quase
Mesmo
Enregelar

Assim
Conheci
Na
Face
De
Meu
Irmão
O
Espanto
Face
O
Olhar
Arregalar
O
Rápido
Recuar
O
Rápido
Retirar
Da
Foice
Com
Que
Vinha
Colher
Mandar
No
Alheio


Assim
Também
Nas
Vezes
Conheci

Na
Língua
De
Meu
Irmão
Que
Pelos
Ouvidos
Ouvi

Ser
Visto
Como
Hipócrita
Frio
Calculista
Bom
Gestor
De
Oportunidades
De
Afecto
Ou
Melhor
Será
Dizer
De
Oportunistas
Afectos


Também
Me
Recordo
Do
Dia
Que

Conta
Disto
Eu
Próprio
Me
Disse
Não
É
Justo
Usar
Os
Que
Outros
Não
Tem
Fazendo
Assim
Minha
Vontade

Tropeçava
Em
Meus
Próprios
Pés

Recordo
Cristalina
A
Questão
Em
Seu
Chegar

Poderia
Usar
Meu
Natural
Charme
Para
Fazer
Negócios?

Visto
O Juízo
Chegado
Soprado
Ser
Aquele
Que
Eu
Ouvi

Não
Tem
Valor
É Só
Charme
E
Sedução
Habilidade
De
Habilidoso
Reles
Prestigi-a-dor

Outros
Ventos
Outras
Dores
Assim
Ele
É
Também
No
Amor
Na
Amizade
No Trabalhar
Variantes
Do
Mesmo
Tema
Original
Que
As
Nuvens
Disseram

Original?

E
Sabes
Meu
Menino
D´Oiro
Doirado
Radiante
Nas
Vezes
Em
Que
Não
É preciso
Muito
Tempo
Ou
Muito
Falar
Para
Um
Homem
Conhecer

Tua
Natureza
É
Plácida
Pacifica
E
Vibrante
Desejante
Conheço
Teu
Desejo
Teu
Desejo
De
Amor
Em
Teus
Olhos

E
Meu
Menino
Querido
Meu
Querido
Menino
O
Amor
Não
Tem
Fim
Não
Tem
Fronteiras
E
O
Problema
E
Às
Vezes
As
Caixinhas
Falsos
Reinos
Em
Que
Às
Vezes
Nos
Metemos

Parece
O
Amor
Não

Bem
Caber



Meu
Menino
D´Oiro
Meu
Menino
Querido
Meu
Querido
Menino

Nos
Salões
Famílias
Apresentam
Dicionários
Que
Traduzem
Coisas
Inexplicáveis
Boas
Maneiras
Em
Boas
Maneiras
Se
Apresentam
Como
É
Ser
Esta
Família
É
Giro
Somos
Giros
Damos
Muitas
Festas
E
Temos
Livros
De
Cheques
Recheados
Corajosa
Correcta
Descrição

Tiro
Meu
Chapéu
A
Tal
Engenho
Tamanhas
Virtudes


Meu
Querido
Menino
Meu
Menino
Querido

A Alma
De
Portugal
Sagrou-te
Uma Vez
Pois
Viu
Nele
A
Alma
Do
Menino
Infante
O Amor
A Paz
O Bem
Querer
E
Uma
Vez
Sagrado
Sagrado
Sempre

Sabes
Meu
Menino
D´Oiro
São
Muitos
Os
Que
Contam
Sempre
Contaram
Desde
Tempos
Antigos
De
Um
Tempo
Antigo
Que
Breve
Voltará
Em
Que
Os
Homens
E os
Animais
As Pedras
As Flores
As Rosas
Hão-de
Viver
Lado
A
Lado
Sem
Receio
Sem
Medo

Esse
Tempo
Essa
Via
Está
Dentro
De
Ti
Assim
O Farás
É
Meu
Desejo
Que
Te
Expresso
Que
O
Farás
A
Bom
Porto


Lembra-te do teu desejo, donde o fundas, daquela fundura e cais onde ancoras a inocência que também és, lembra-te da beleza de ver a beleza numa pedra, a amizade dos animais, os espaços amplos de horizontes largos, a calma do tempo, o tempo calmo, daquele que nos faz apreciar a vida em redor

Tu és um menino homem, coisa de rara beleza, um menino homem que já vive nesse tempo, nesse local, nesse ser, uma inspiração para quem Ama, que por Amor, e em Amor, assim Te Ama.

sábado, agosto 14, 2004

Recorda o homem em tempo de tentar com outros homens organizar a sua casa no seu sector de actividade.

O homem sabe que estas preocupações sempre o acompanharam durante mais de vinte anos de carreira, pois o homem foi dos primeiros. Calhou ser seu tempo simétrico com o aparecimento do sector, como actividade independente.

Dessa vez decidiram actuar nos planos políticos da assembleia da república, e do governo.

O homem acreditava que naquele momento, as coisas podiam mudar. Assim retirou-se para Trás os Montes durante 15 dias e escreveu um livrinho como que sabia e não sabia sobre o seu sector, que pela primeira vez se encontrava de alguma forma ligado.

Aquele livrinho servira-lhe antes de mais para por as ideias em ordem, pois ao escreve-lo construíra o seu ponto de vista, sintetizando o que lhe parecera mais importante daquela sua experiência, nos domínios que se propusera abarcar.

O olhar que o livro estruturava tinha sido orientado sobre uma perspectiva transversal, pois para ele a realidade apresenta-se sempre interligada onde todas as coisas se relacionam por múltiplos sistemas e formas de conexão, estabelecendo entre si variadas interdependências.

A problemática do sector atravessava diversos domínios e competências em termos de governação. Um politica integrada, que por essa visão tivesse a possibilidade de ser auto sustentada e geradora de desenvolvimento, implicava o acordo e coordenação política entre diversos ministérios, e inclusive, actuação ao nível da vontade e execução legislativa.

E o problema dera-se no real, exactamente aí, pois a governação que encontrara pela frente, não encarava a realidade dessa forma, a estrutura de poder e o seu modo de funcionar encontrava-se na mais das vezes fragmentadas, como quintas e quintais cercados de muros, onde só entra quem lá tem a chave e o vizinho do lado, não, o que veio a tornar entre outras razões, impossível de implementar uma politica, um conjunto de ideias e medidas que fossem transversais como a realidade geralmente o é, e que por contemplar essa transversalidade criasse as condições de uma visão e praxis integrada.
As formas existentes não favorecem a visão integrada e integradora.

Imaginava o homem por um momento este diagrama versus aos existentes, cada ministro continua responsável por uma área específica do governo, mas a forma de trabalhar, ou seja perceber os problemas, encontrar e implementar as melhores soluções é feita em conjunto quotidiano com os outros ministérios, averiguando-se assim passo a passo as interligações e dependências, e garantindo desta forma a sua harmonização, sendo aqui o harmonizar encontrar uma forma de resolver que contemple todas as implicações da questão.

Imagina criar os métodos para que tal aconteça e se corporifique como prática quotidiana.

As outras razões prendiam-se com o trato dos Homens entre os Homens. Era visível nesse tempo de que o homem recordava, oito anos atrás, coisas, formas de estar, de actuar, de fazer, eivadas de um conjunto de velhos problemas.

O problema de não saber pensar de forma integrada, nem conhecer os métodos para o fazer.

Que sim, que era muito interessante o cruzamento dos olhares entre os diversos sectores, pois um olhar de fora, de alguém do sector ao lado, sobre uma mesma problemática quotidiana, que por o ser, às vezes tende a ser vista como igual, trás frescura, é facilmente olhar que pode transportar a inovação do ver, pois não está condicionado nas habituais fronteiras daquela realidade, mas que as luminárias não pretendessem ser luminárias, pois as luminárias não precisam de pretender, limitam-se a sê-lo.

Cada sector deveria fazer a sua própria viajem, que cada grupo analisasse a sua via, identificasse os problemas e pensasse as soluções, que fossem cruzando os olhares, e que o somatório daquele pensar se tornasse então a acção comum.

O problema mais grave da brasa à sua sardinha, no contexto de uma prática negocial que assim dominantemente funciona ou assim parece funcionar, e que se traduz na mais das vezes, em aumento de poder pessoal dos protagonistas e das consequentes vantagens que assim adquirem, pois é assim que a coisa funciona.

Se funcionasse de outra maneira, como outros valores, como a brasa à sardinha de todos, a realidade consequentemente se passaria de outra maneira. Dizia isto, só para frisar que a realidade pode ser diferente, não terá que ser sempre assim.

Os dois problemas andavam de mão dada, pois certos comportamentos assim o eram porque corresponde a este modo de funcionar em função dos objectivos descritos.

Tudo isto lhe parecia estúpido, desperdício de energia finita dos homens com corpo aqui, esta prevalência do eu versus o tu, um pensar muito pequenino, que para eu me safar no mar da vida, isto tem que ser às custas do outro ao lado, assim te elejo como inimigo, como posso então dar-te as mãos, pois as mãos não se dão por quem assim se coloca.

Um País na mais das vezes, pequeno, com sectores produtivos frágeis em dimensão, por isso mesmo mais necessitados de se darem as mãos.

Ah se este sentir Portugal se mantivesse no dia a dia, se a visão da união que faz a força prevalecesse, como Portugal Se Desenvolveria, como se Tornaria este Reino Feliz, Este Reino Talhado Para o Amor.

Aquilo, era mais que estúpido, dizia, geralmente era perigoso, essa incapacidade de dar as mãos, acordar o essencial e superar no acessório, era muito perigoso e tinha consequências muito funestas para o desenvolvimento de todos e do país.

Porque todas as variantes ambientais, por assim dizer, contribuíam para a precariedade do viver e assim a vida se tornava, por acção dos homens, mais precária do que já é.
Os problemas grassavam naquele terreno fértil das coisas precárias e das casas mal arrumadas e vendo mal os campos ao longe. Os problemas, faziam-nos assim os Homens maiores do que eram, e tornavam-se muros considerados intransponíveis, ao tempo, resignação.

Tudo aquilo se tornava então fonte de diversas entropias, contribuindo em círculo fechado em rotação repetitiva, para o repetir do mesmo cenário, da mesma cena e do mesmo drama, a eternização da precariedade, das coisas adversas, dos escolhos que já se sabem estar no caminho, e para os quais repetidamente contra navegamos. Ah cansaço, nas vezes, quando é possível a alegria, o bem estar e o bom obter na mesma navegação, escolhe-se o perigo pelo perigoso.


E depois tudo aquilo, lhe fazia muito doer, pois seu sector, por sua natureza é um dos sectores com maior potencial de crescimento, como nunca outro antes o tivera, na história da economia humana, facilmente verificável por um conjunto de indicadores económicos mundiais. Existia no seu País um tremendo potencial na sua área, e a forma como ela se desenvolverá nas suas primeiras décadas, vertiginosas, provara por afirmação esse mesmo potencial. A apetência foi de tal ordem, que apareceram escolas técnicas para formar um enorme número de jovens crescente que ficou cativado pela comunicação audiovisual.

Estavam reunidas, os meios, as competências, e o sector, se percebido como estratégico, poderia traduzir uma mais valia em distintos planos para o País. Recorda-se o Homem de dizer em diversas reuniões, que provavelmente este seria um dos sectores que poderia contribuir positivamente para reequilibrar a balança externa e para atenuar o seu eterno deficit.

Não crê o homem que terão sido muitos os outros homens, que terão levado à séria esta visão.

Por outro lado é um dos sectores na nova conjuntura económica mundial, na qual obrigatoriamente hoje nos inserimos, menos susceptível por natureza a um conjunto de características que se tendem a tornar calcanhares de Aquiles em outras áreas produtivas.

Um Enorme Potencial e as empresas protagonistas nacionais sujeitas a tempos de produção médios entre os três e seis meses, depois logo se via, nas vezes em que se conseguia ver alguma coisa, pois noutras não se via mesmo nada. Acontecerem-lhe na sua faceta de empresário, as coisas mais bizarras, a vida tendia sempre a superar as suas piores expectativas, neste domínio.

Como é que se podia ter uma ideia empresarial, uma empresa, estando confinados a prazos produtivos tão curtos, sobretudo na quadratura das diversas leis sobre empresas e trabalho e normas de relações de trabalho.

Como se podia ter uma politica de desenvolvimento, como se podia planear as relações de trabalho, como se podia planejar a necessidade de renovação, de aprendizagem constante e contínua, a decorrente avaliação, que garantisse a longo prazo a viabilidade da empresa.

Como se poderia contemplar uma politica de formação, como se poderia proceder aos elevados e frequentes necessidades de actualização de equipamentos, que nesta área são sempre de ponta, ou pelo menos assim o deveriam ser, pois seria sinónimo da existência de uma boa navegação, com resultados à vista.

Era necessário ser equilibrista para ser empresário neste seu País. Não que a imagem do equilibrista como metáfora da sua vida não lhe fosse agradável, pois para ele vida era assim mesmo, mas neste caso e nesta realidade aquilo era mais parecido com o equilibrista louco.


Recorda-se do princípio da década de 90, tinha sua empresa 112 colaboradores, era o pico do crescimento que se vinha a manifestar desde o seu início. Três programas originais feitos de raiz, semanais e um diário. Aquela casa produtora não parava, dormia ele, e alguns outros, por vezes lá dentro, umas horas no intervalo de uma edição, com um saco cama. Aproximavam-se do fim, os contratos, todos acabavam no mesmo tempo.

Tentara então por diversas vezes falar com a televisão para saber do seu interesse em renovação de algumas séries, ou se estariam mesmo abertos à apresentação de novas propostas.

Por fim lá acontecera um encontro onde lhe disseram, que o trabalho da sua empresa era visto como muito bom, inovador, que tinha sucesso, que não sabiam ainda ao certo, mas que sim, era firme a intenção de continuar a colaboração, visto ela ser profícua.

As séries acabaram, e o homem na esperança que as coisas que se clarificassem de acordo com aquela conversa, lá foi ao banco contrair um empréstimo para poder pagar aos seu colaboradores, que acabou de pagar seis anos depois.

A empresa ficara sem trabalho, e como acontecia muitas vezes naquele tempo, ficara sem trabalho sem que ninguém se tenha dado ao trabalho de lhe dar qualquer explicação e ele bem a tentara obter.

Escrevera uma carta de 21 páginas, dizendo o que lhe ia na alma, lacrou-a, entregou-a e nunca teve resposta, tentou o gabinete para saber se a tinha recebido mas nem isso, conseguia com precisão averiguar. Dera-a a ler a uma amiga, que quando acabara começara a chorar. Ele perguntara-lhe porquê e ele respondeu, pela coragem que aqui vejo, pela coragem que és e ele ficara intrigado a pensar, coragem, ela, vira coragem onde ele vira somente o dizer o que lhe ia na alma.


Na apresentação da nova grelha da estação, o homem, tinha feito um desenho como símbolo da sua empresa crucificado, e com um frase do género, em memória do serviço público de televisão e com alguns dos seus mais chegados colaboradores, fora distribui-la à porta em fotocópias e tentando explicar a quem se interessava o que na sua opinião se passara.

Chegara entretanto a pessoa que ele contactara previamente sobre seu assunto, que lhe perguntou se não queria entrar, ao que ele respondeu agradecendo, que não, pois em seu ver, não seria lá no meio daquele evento que alguém lhe daria explicações sobre o que se passara. Talvez se tenha enganado, talvez, num corredor, numa antecâmara, como às vezes era hábito fazerem-se os escondidos negócios, obterem-se os esclarecimentos e forjarem-se as alianças, as trocas de promessas e benesses.

E isto que por muitos era interpretado ao longo do tempo como falta de coragem e de carácter, era em seu ver, mais do contrário, mas antes disso, de uma outra coisa, da dignidade das coisas. Não se deveriam tratar assim, os assuntos, as pessoas, as empresas, os projectos, os sonhos, os outros. Este era o outro lado da moeda que muitas das vezes era lida como falta de carácter, ou carácter que fraquejava nas situações difíceis, onde a prova, como lhe chamavam se manifestava.

Aquelas festas onde se vai para se mostrar, que sim, que ele compreendia a necessidade e importância das festas, as apresentações, tudo aquilo lhe parecera serem normais actos de comunicação entre pares, mas, o resto, não, o jogo da vedeta, o vedetismo, e seus tristes hábitos e vestes, não, não estava na sua natureza ser assim. Sempre dissera que ele fazia programas, e para que fazer tinha que os estar fazendo, pois assim não restava muito tempo para muitas festas, o que não quisera dizer que o homem não se divertisse, mas com outro tipo de festas, mais em locais públicos com pessoas variadas.

O homem pensara muitas vezes que ao não participar regularmente naquelas actividades gregárias de classe, lhe trazia alguns inconvenientes, pois era muito normal, quase um estilo, os negócios fazerem-se em almoços, jantares e coisas que tais, mas o homem não gostava daquele fazer, nem tinha feitio nem jeito para aquela forma de fazer e depois fazia, fazia mesmo.

O homem recorda de pequenino a noção que tem do trabalho e quanto ela é diferenciada da maior parte dos seres da sua geração que pelo caminho se lhe tem cruzado. E era isso que acontecera com o sonho da empresa que com um seu amigo fez nascer. Para ele, o trabalho era coisa gostosa, pois era fazer o que se proponha fazer, e como diz o povo, quem corre por gosto, não cansa.


O problema era que no ponto de vista do homem tal não se passava infelizmente só no seu sector de actividade, esta forma de trabalhar, de estar uns com os outros no trabalho, a falta de clareza nas intenções, as coisas que se faziam sem serem minimamente explicadas, uma falta de respeito básico pelo outro, e as decisões, estranhas decisões fundadas em motivos subterrâneos, alguns inconfessáveis.

Ainda hoje passado estes anos todos aquele mistério, o acompanhava. Dizia agora a brincar às vezes, que se calhar morreria sem nunca o saber, e estava neste dizendo a seu amigo, quando ele lhe disse

E isso não foi na altura em que a empresa mudou globalmente de equipamentos
Sim, e não te recordas de se ouvir então dizer, que muito do antigo desaparecera
Sim, recordo-me
Se calhar foi tão simples como isso, pois não foi nessa altura que apareceram outras novas empresas a funcionar.
Se calhar o que te aconteceu, foi tão simples como isso, para dar trabalho aos novos, tiveram que deixar de dar a alguns dos que com quem trabalhavam.

Talvez tivesse sido assim tão simples, mas no entender do homem as coisas apresentavam-se um pouco mais complexas, pois sempre se dera conta de quão sensível e quantas interdependências e vassalagens, o chamado 4 poder, tinha com o chamado terceiro.

Tudo aquilo se podia ilustrar no paradoxo não integrado, como outros mil infelizmente houvera.

Uma televisão, não é só informação, os conteúdos de uma televisão, salvo nos canais específicos dessa natureza, não são só informativos, mas a situação dominante na forma de os homens e o poder politico gerir o assunto, na maior parte do tempo, fora colocar jornalistas em cargos de direcção editoriais.

Pois se os conteúdos maioritários que compõem o canal são outros que informação, seria então mais lógico, sempre lho parecera, que esse cargo fosse ocupado tendencialmente por alguém com perfil e experiência no domínio dos conteúdos de produção, outros, que não necessariamente os informativos.

Ou poderia ser por outra razão qualquer, afinal nada complexa como uma inimizade que se criou ou ganhou sem dar conta, alguém com poder para exercer desta maneira, ou mesmo um pensar, que os conteúdos daquela produtora eram sempre como um caixa de bombons, só abrindo e provando se sabia ao certo o que se passava e talvez isso preocupasse alguns

Voltando a este seu último arroubo colectivista e associativo, propusera a seus pares, como em outras ocasiões no passado, a ideia de que deveria existir, deveriam todos acordar e praticar uma politica de preços, e de custos, que tornassem transparente estas matérias pois assim em seu crer se melhorariam as condições de existência para todos, mas que não que grande espanto, os fantasmas corporativos a virem ao de cima, a concorrência, que não, não, podia ser.

Recorda-se o homem na década de oitenta no seu outro país de ter visitado a já existente associação de produtores independentes, e ter visto o seu modo de operar. Aquilo estava organizado à séria, havia investimento à séria, e muito bom pensar e muito bem-fazer. Vira tabelas de preços, negociadas com os sindicatos que já anexavam taxas de crescimento anuais, enfim, qualquer um que quisesse aí começar a sua actividade, pelo menos não teria que se defrontar com o conhecimento nebuloso que aqui sempre se rodeia estes mistérios profundos e transcendentes dos negócios

Em Portugal, nas associações, as quotas eram sempre mínimas, que lhes asseguravam o funcionamento minimalista, e depois era sempre um problema para as cobrar, o que revelava o quanto as pessoas criam nestes métodos como forma de resolver o real. Assim às páginas tantas, propusera aos seus pares outros mecanismos de financiamento, que permitissem ter uma associação com quadros técnicos necessários à boa dança.

Era muito simples o mecanismo, uma percentagem sobre contratos de produção dos produtores, com rácio variável em função do montante, mas nunca excedendo os 3% e ele tivera feito as contas mentalmente, aqueles 1,5% médios, fariam toda a grande e necessária diferença em termos da capacidade de actuar.

A situação era complicada, pois a maior parte vivia ou sem trabalho ou em continua situação de indefinição face ao amanhã. Seriam os mais desafogados a terem que mais suportar o barco, mas também eram eles os mais desafogados. Pois não se conseguiu fazer, pois os homens, decidiram não o fazer.

Este mecanismo nem era novo nem era de sua lavra, funcionava em muitos países aqui ao lado há muitos anos e tinha dados bons resultados, por isso se mantinham.

O homem recorda na década de oitenta, frequentar diversas reuniões internacionais sobre o seu sector. A coisa acontecera assim, pois os seus projectos profissionais, desenhara-os no território europeu. Os seus congéneres, só o conheciam a ele como produtor independente português e assim o convidavam amiúde. Uma espécie de representação não oficiosa.

Recorda-se uma vez no encontro em Edimburgo, que dava pelo nome curioso de pequenos países, pequenas televisões, durante a primeira manhã, ver com olhos espantados, que as questões que aqueles por assim auto denominadas pequenos países, tratavam, o nível das preocupações expressadas se encontrava numa outra galáxia. Ninguém o tinha interpelado, ninguém embora tendo-o convidado, lhe perguntava como eram as coisas no seu país.

Nessa noite de recepção acabara numa mesa, onde às páginas tantas se falou do suicídio, e ele falara do que sabia e não sabia sobre esta matéria. O curioso é que aquele grupo de gente daquela terra, confundiu o seu discurso com ele, e mais, que ele eventualmente por ter reflectido sobre o suicídio, estaria tentado a fazê-lo. Desde aí, tratavam-no com um misto de preocupação que o fizera sentir-se muito esquisito.

No dia seguinte pedira a palavra, agradecera o convite e por essa mesma razão se sentia na obrigação de explicar ao congresso como era a pintura no seu país, coisa que então fez.

Tudo isto se passava nos primórdios da fundação da União Europeia, e também como é óbvio nas visões, métodos e organizações que dariam a realidade destes novos modelos de trabalhar.

Recorda o homem de um dia ao acabar uma dessas participações, de se aperceber, da enorme diferença entre ele e os outro produtores independentes europeus. Ele era um simples produtor do seu país, enquanto que seus colegas se encontravam organizados, existiam todos o género de organizações, os próprios estados se encontravam representados e pasme-se, já tinham ideias, possuíam políticas sobre este sector e executavam-nas.

Algo descera abismal na sua compreensão, a diferença de estatuto e consequentemente de nível de voz, não justificava aquele seu investimento pessoal, num tempo onde viajar custava consideravelmente mais caro que nos dias de hoje. Aquela conversa, era levada a outro nível, com autoridade e representações consignadas e adquiridas.

Assim, vira em seu olhos, seu País partira atrasado para a fundação da Comunidade Europeia, no seu sector como em muitos outros e por essa razão desperdiçara, não soubera concretizar, os diversos apoios que existiam de apoio ao desenvolvimento, durante a primeira década, o seu aproveitamento foi largamente inferior ao potencial.

As razões tinham sido várias e distintas ao longo dos tempos e eram basicamente as mesmas que se identificaram em outros sectores produtivos.

Mas a grande razão em seu ver fora, que os diversos governos, ao não terem uma politica definida, não agiram em termos políticos em Bruxelas naquilo que se poderia chamar, uma intervenção e defesa activa das nossas particularidades consagradas e condicionar as politicas para o consagrar em termos quotidianos e práticos.

Inicialmente a informação não chegava a quem de direito, ou atrasada ou incompleta.
Depois as regras criadas não se adaptavam à realidade portuguesa, excluindo-nos à partida por critérios mínimos que não preenchíamos.
Depois por os apoios calharam andar em contra ciclo com as nossas necessidades de desenvolvimento, por exemplo, quando na Europa se decidiam politicas e apoios a áreas como a distribuição, ainda não tínhamos nós produção para distribuir, ou quase.

E ele sempre dizendo o que via, nas reuniões, nos diversos encontros que se realizavam, dizendo do mal que via e tentando simultaneamente apresentar propostas, mas quase nem aí chegava às vezes, pois só o facto de apontar, criava inimizades, pois parecia que ninguém gostava de ser confrontado com as suas responsabilidades, assim aumentava a sua fama de rude, e de ser sempre do contra, em suma o louco que vê as coisas ao contrário da maioria. E o homem continuava a achar que não, que não era louco, também não achava que os outros o fossem, mas aquelas formas do não bem-fazer, e o tempo a passar, irritara-o nalgumas das vezes.


E contudo, tudo o que aquele homem e outros homens fizeram, acabaria por ser vertido no texto fundador da comunidade nesta matéria, Televisão Sem fronteiras, que salvaguardava por reconhecimento, a disparidade das situações do sector entre distintos países, que consequentemente afirmava um princípio de descriminação positiva, dado a pequenos países como Portugal, a Grécia, a Irlanda e em particular aqueles que possuem limitação de expansão linguística no espaço comunitário, o que se aplica a Portugal e à Grécia.

Tinha ficado uma fechadura, Portugal era um dos que tinha uma chave própria, por assim dizer, mas depois, houvera algo que fizera disso esquecer os homens.

Politicas no trinómio que caracteriza o modelo produtivo do sector, formação, produção, distribuição, foi assim que ele conceptualmente o manteve durante duas décadas na cabeça, na fala e no escrito, pois era este que melhor correspondia em seu ver às áreas onde era necessário actuar

Tal fora a conclusão do projecto ibérica que organizou em 87, onde se cruzaram pela primeira vez, olhares ibéricos sobre o vídeo, dos seus autores, dos seus protagonistas, seus sistemas produtivos, suas necessidades. As conclusões finais dos debates que redigira dos três dias de debate e que apresentara aos participantes eram extensas e acabara-as mesmo antes da sessão, pois aquilo fora uma roda viva, decorria a primeira mostra de vídeo arte espanhol feito em Portugal e no País, depois fez-se pela primeira vez uma, de autores nacionais no Centro Reina Sofia em Madrid, bem como um conjunto de documentários, que apresentavam rupturas e inovações face aos modelos narrativos pré existentes e que foram exibidos em diversas estações europeias.

Mas possibilitaram, aquelas laboriosas de anotação e síntese, a capacidade de todo aquele desejar se ter tornado real.


Tudo aquilo começara com uma viajem a Madrid, aí ficara espantado quando dera de caras com uma escola municipal, com estúdios, pós produção e equipamento profissional, grafismos, ele nem queria acreditar nas condições que aí via, numa escola, todo aquele equipamento, acessível nas mãos dos jovens. Mais tarde, vê um concerto, gravado como exercício em régie directa com 4 câmaras, projecção para ecrãs, o que naquela altura era ainda raro de ver e sobretudo numa estrutura daquela natureza, de ensino para jovens feito por eles próprios.

A ensinar como sempre deve ser nesta sua área, com meios técnicos. Não o ensino demasiado carregado na vertente teórica como muito sempre se vira em seu País, mas isto era toda uma outra história. Conhecera aquelas gentes, ficou a semente no ar, o sonho a germinar do posteriormente chamado projecto ibérica.

O homem recordava na praia, o início da sua carreira profissional, jovem revelação como criador em dois anos em sua área, diversos prémios no início da sua actividade e um outro livrinho que escrevera na altura e que correspondia às suas ideias de programas que queria fazer e uma empresa para isso a nascer.

A empresa nascera para poder fazer aquilo que se propunha, embora neste ponto tenha que falar em diversas vezes em plural, visto que a fez com muitos outros. Mas sua intenção fundadora era clara, a empresa nascera para poder realizar os seus projectos.

Metera-se no carro, durante alguns dias andou a ver armazéns, caves e coisas que tais que lhe pudessem servir de instalações, até encontrar o espaço. Depois das obras feitas, pintou e construiu as mesas para os equipamentos, fez uma régie de edição, comprara equipamentos, e começara pelos manuais e pela experiência a aprender a trabalhar com eles.

Nesse tempo, quando lhe perguntavam o que fazia em termos práticos, respondia de tudo, desde faxina, pinturas a criação, produção, realização passando por aprendiz de gestor e sempre professor, pois na altura não existiam outras escolas de formação exteriores à da própria televisão e assim sendo, a formação recaía também na empresa e muitas das vezes em si.

Nesse entretêm, fez com muitos outros, o “Lusitânia Expresso”, nome do comboio onde tantas vezes viajara durante o projecto ibérica, uma série, fruto dos seus contactos internacionais com seus pares, um projecto desenhado em co-produção a sete parceiros que assentava num desafio muito simples.

Confrontar a criação contemporânea entre países, partindo do pressuposto que Portugal também podia dar cartas. Parece que se deram algumas, pois a série foi reconhecida por muitos como inovadora e deu a ver a alguns portugueses o que mais moderno na altura se fazia um pouco por todo o mundo, abordado numa perspectiva transdisciplinar que ia desde, as, na altura recentes imagens de síntese, até à moda ou ao humor de síntese.

O Lusitânia Expresso assentava em conceitos de um projecto de comunicação, por parte de uma empresa que fora concebida em consonância com uma ideia, e intenção de serviço público de televisão. Conteúdos originais de criação por autores portugueses, espaço de afirmação da cultura contemporânea, espaço de cruzamento de olhares e de propostas e espaço de revelação de novos valores.

Programas sobre criação e cultura contemporânea, que só pela sua própria existência como espaço de comunicação entre as partes, potencia o seu próprio desenvolvimento. Tudo isto era observável, através de outros programas que viria a fazer, como o Pop off que era um bom exemplo do impacto que tiveram nas respectivas áreas de criação nacional. E os programas infantis, pois como diz seu povo, de pequenino é que se torce o pepino.

O homem sempre achara fundamental a existência de programas nacionais para este público, baseados em conceitos inovadores face ao que então se apresentava. Uma excelente série, a rua sésamo, mas orientada para uma aprendizagem restrita. Não nos esqueçamos que ela, na altura que foi concebida, era uma tentativa de resolver um problema de integração dos porto-riquenhos na língua e cultura americana. Alguns dos seus conteúdos eram pois orientados para coisas básicas e importantes como aprender a ler e escrever.

Ele imaginara a série Ícaro como uma série de aprendizagem de uma forma lúdica e com conteúdos para isso orientados, contos tradicionais, jogos, participação das crianças na elaboração dos próprios conteúdos, num mundo de magia e imaginação, que desafiava e estimulava a compreensão de quem o via, assente na ideia que sempre tivera que não era necessário utilizar violência para contar histórias que interessassem aos mais novos

Entendia já nessa altura, que era um público muito sensível, e por isso tivera como sua colaboradora nesse programa, uma psicóloga que procedeu à monitorização e avaliação do seu impacto nas escolas que a tal ajudaram.

Mas nem mesmo, toda essa forma de fazer as coisas com os respectivos cuidados no pensar e no agir, parecia que não abonava positivamente, pois se embora pioneiro neste pensar, mas nada disto, garantira a continuidade de um projecto que chegou a interessar a outros países com outras línguas.

Hoje era o tempo do pop-up, bela evolução semântica, transformar o off em up.

Esta foi a via que aquele primeiro projecto do seu livrinho abriu, e o homem possuía hoje ideias muito complexas sobre estas matérias que ao longo dos anos e por diversas formas tem vindo a partilhar, como é seu jeito, com outros.



Um dia de manhã, o homem ao barbear-se durante aquela recaída associativa, realiza que passaram seis anos da sua vida a fazer aquela luta, pois era uma luta que se tratava, assim ele se tinha posto a vê-la e dos outros lados, alguns também assim o viam. Enquanto toma seu duche, faz mentalmente um balanço do alcançado e do não alcançado e vê em seu ver, quão pouco o é.

Durante aquele tempo o homem dedicara gratuitamente, uma grande parte do seu pensar, do seu escrever, e da sua acção aqueles desígnios, feitos daquela precisa maneira. Aquilo chegara ao ponto de reescrever um decreto-lei, de forma a contemplar o inicialmente acordado entre seus Pares. E vira, no final dessa especifica viajem, mais uma vez, os homens a quebraram o dito pelo não dito, muda-se uma virgula, sim que as vezes basta mudar o lugar de uma virgula e todas aquelas boas intenções dão em nada ou algo ainda pior do que eram antes do desejo de Ajudar.

Não que a vida fosse assim na forma como a vivia, era sempre de trazer consigo em seu coração, o nobre desejo de ajudar, a questão está sempre em como ajudar, pois nem mesmo Ajudar, escapa a regra da neutralidade das coisas, mesmo quando representadas por palavras. É a intenção que lhe dá o tom, pois sabemos quão fácil é uma boa intencionada ajuda, sair pela culatra.

Recordava uma conversa com um presidente de uma instituição, que lhe dissera um dia, tu é que não consegues fazer negócios no meio destas actividades, se calhar nem consegues produzir e ele respondera, que sim, que produzia, que criava coisas como sempre, pois essa era a sua natureza, mas que quando assim andava em representação de todos, mais difícil as coisas se tornavam, pois não queria disso aproveitar-se e isse sentir, cortava-lhe os próprios passos.

Quanto mais poder se tem, maior deve ser a consciência em usá-lo, em constante atenção a si mesmo, em não usar esse mesmo poder para seu proveito próprio em detrimento alheio, daqueles que não o tem. Era um facto que aquela consciência o coíba, mas não a outros a seu lado, pelo que via ao longo da sua vida.

O homem, quando se esfrega, já tomou uma decisão, e em poucos dias se afasta com uma explicação sumária aos outros.

O homem sempre apoiara os jovens, os novos projectos que com ele vieram ter ao longo de vinte anos, durante os quais sponsorizou muitos outros jovens como ele e suas iniciativas, pois trazia bem marcado dentro de si o quanto costuma o começo aos jovens e tinha prometido a si mesmo lutar contra tal estado de coisas.

Já sentira por diversas vezes uma ideia dominante que existia em seu País que só muito tardiamente abria as portas aos jovens do fazer. E se então o quer fazer se apresentava já fora das normas, a coisa tornava-se deveras complicada. Lembra-se de ter o seu primeiro contrato com a televisão pronto e ter estado na iminência de não o poder assinar, pois fora difícil encontrar uma entidade que desse uma fiança garantia.

Naquele tempo, não existiam ainda mecanismos financeiros criados para estas ópticas de risco e de apoio aos novos, e foi sentindo já a ironia profunda de ter um contrato e estar em risco de o perder, que lá conseguiu um depois de diversas reuniões com seguradoras e já quase em desespero. Um começo bem a Portuguesa, a ter que provar ao mundo, o quão bom somos por sabermos navegar nos escolhos que já lá estão e que os que vem de trás também já conhecem, mas deixaram estar, na melhor das vezes porque ainda não sabem como o retirar, nas piores, mais no género, tropeça e marra lá que eu também, já a isso foi obrigado.

Enfim, uma óptica de gastar a energia dos homens em seu assuntos como outra qualquer mas que talvez fosse de pensar se será das mais úteis, pois o que sempre acontecia, era que País, levava mais tempo em renovar-se geracionalmente, do que lhe seria mais útil. Aproveitar a força, a inovação dos jovens, enquadra-la da forma mais correcta, e obter dessa forma o futuro um pouco mais antecipado.

E aquilo passava-se assim qualquer que fosse o lado que encarasse a sua sociedade. Sempre um conjunto de dificuldades para que o novo e os novos se pudessem afirmar e isso trazia em seu ver, uma consequência nítida, um atrasar na velocidade da navegação de todos e do País. Tudo aquilo se repercutia nas formas e linhas de poder entre os homens acordadas.

Paradoxalmente a sociedade tendia a tratar mal os mais crescidos, a morte era coisa que parecia que se lidava melhor, se posta ao longe como as prisões, quase como escondidas, enfiavam-se os mais crescidos em lares, muitos eram os abandonados e que viviam sem condições. Tudo indicava, que entre os dois extremos do tempo produtivo, os que lá estavam, a ele se agarravam talvez com força demasiada, talvez condicionados pela antevisão dessa forma de passar da vida, o saudável sentimento e desejo de segurança que todos buscavam, se transformava em limitação ao novo.

Podia ser assim que as coisas se passassem, mas em seu ver, aquilo era a má forma de se pensarem e passarem, pois o novo vem para ajudar o que já cá está, trás nova e mais energia, energia renovada, potencial de resolver as charadas que a vida às vezes parece ser, ao ver-mos os moldes em que a vivemos.

E para complicar mais as coisas, viviam-se tempos de mudança, mudança no mercado, mudança na forma das pessoas encararem a forma de viver, o tempo de trabalho, o tempo livre e a reforma, onde o acordado que vinha de trás, não parece ser mais sustentável em termos do futuro.

Era pena, pois as regalias que os homens obtiveram, foram bem pensadas e merecidas, mas o tempo do um só emprego para a vida, cada dia era mais coisa do passado. A geração de seus Pais fora provavelmente a última a tê-la.

E contudo dentro do tecido produtivo, só a máquina do estado, o maior empregador, servia em termos práticos para ganhar eleições, o que originou algumas distorções, bastava contentar os funcionários públicos, com pequenos aumentos regulares e outras quantas pequenas medidas, para angariar seus votos e de suas famílias, pois era imensa a massa humana que vivia de trabalhar para o estado.

Até o fazer politico estava assim por vezes hipotecado, à relação básica da máquina do estado que é por ele governada e da consequente outorga de benesses. E manter aquele axioma e dependência empenhara por diversas vezes ao longo das décadas o desenvolver do País.

E todas estas questões do humano, da necessária e urgente compreensão do sentido de como as coisas estão a evoluir, eram e seriam cada vez mais fundamentais no capital domínio da solidariedade e da harmonia social, das áreas do cuidar, onde o estado tem o papel por todos acordados de ser vigilante e de bem actuar.

Era em seu ver das áreas onde os novos e grandes desafios se colocariam e já estavam a colocar-se.

Releu o homem, passados uns anos, o livrinho que escrevera em trás-os-montes e contente sorriu para si mesmo de como a realidade em muitos aspectos se tinha vindo a aproximar das suas e de alguns outros, visões. O homem tinha impresso o livrinho na sua própria impressora, duas tiragens de 12 exemplares, comprara um belo cartão e argolas, encadernara-o, e ofereceu-o a quem o achara útil e a quem ele achou que seria de utilidade. Não o ofereceu, por nenhum critério politico ou partidário, ia-o oferecendo à medida dos encontros e do seu julgar. Era uma visão integrada e que via o sector como coisa Una.


Ficara a pensar, se calhar aquele livrinho teria contribuído mais pela realidade, do que toda a sua acção, mas para o escrever, necessitara de toda aquela acção, de todo o seu saber e não saber, que se fundara como sempre, na sua própria acção.
Dizia-lhe
Seu Amigo

Agua
Benta
E
Presunção
Cada
Um
Toma
A
Que
Quer

Cada
Qual
Tem
A
Que
Escolhe


Eu
Próprio
Não
Escapo
Presunção
Do
Que
Creio
Nas
Vezes
Saber


Vida
Miríade
Possibilidade
Infinita
Do
Jogo
Do
Espelho

Ou


Flor
Do
Ser
Revelado
Revelador
Revelação



Alguma lei, algum deus, me disse que ao vir aqui a este mundo, teria por ventura de andar disfarçado daquilo que sou. Representar não é antónimo de verdade de Ser, pois até a verdade pode ser representada, é representação do espírito do coração de quem aí a concebe.

Alguma lei, algum deus, algum homem, me ensinou a mentir, a ser mentiroso?

Preso por ter cão e preso por não ter

Dizia o Amigo, Amigo verdadeiro sendo, não sei se reparas, se te é consciente, mas estás com um tique, provavelmente de origem nervosa de levar as pontas dos dedos ao nariz, que pode levar quem te veja a pensar que tomaste cocaína.

O outro Amigo, agradeceu, a imagem que ele lhe devolvera, reparou que efectivamente não sabia a origem daquele tique e tomou consciência de que o fazia e fazendo-o continuou a fazê-lo para ver se percebia a sua origem.

Contou-lhe então, sabes, uma vez chegou-se a mim um homem que me disse, sabias que há vinte anos corria por aí na cidade que tu tinhas sida e ficou espantado por tal dizer que nunca lhe tinha chegado aos ouvidos. Não saberia se era verdade ou não, se, se o dissera, mas de repente alguns afastamentos que acontecerem, mesmo antes de terem começado, poderiam ser explicados à luz daquela informação que lhe chegava com todos aqueles anos de atraso.

Sabes, eu acho que nem é preciso nenhum tique, quando um homem se mete a inventar sobre um outro, qualquer coisa serve e as leis dos boatos, amplificam e solidificam as falhas da história para com a realidade, mas isso só serve para quem se deixa emprenhar, como aqui se diz, pelas orelhas e quem se deixa emprenhar pelos ouvidos, emprenha-se com o que for, pois a diferença reside em sim ou não o fazer e ser e sendo, não ser desta forma.

Pode-se sempre dizer, não me interessa ouvir, pode-se sempre só contar a verdade do que sabemos sobre outrem, ou não contar nada mesmo, ou não ouvir nada, dizer que não se quer saber de tais saberes, e depois pode-se em casos de grande curiosidade ao anzol apresentado, quando pensamos que temos algo a ver directamente com o assunto, ir perguntar directamente à pessoa.

No dia seguinte, quando fazia a barba percebeu então a razão do tique, tinha cortado á uns dias atrás, os pelos do nariz mas sem os cortar rente a pele, ficara uma espécie de cabelo máquina dois, em que ele perante aquela estranheza, passava os dedos. Assim os cortou de novo

E assim se fazem nas vezes as reputações dos homens por outros homens
Dois amigos conversavam entre eles
Porque é que ele escreve estas coisas?

Para demonstrar que é boa pessoa?
Porque se preocupa e quer ajudar a resolver?
Porque é teimoso?
Porque tem vontade, força de vontade e exerce-la?
Para polir a sua boa imagem de cavaleiro?
Porque é homossexual?
Porque é drogado?
Porque é do contra?
Porque é do, a Favor?
Porque é um bufo?

Dizia-lhe o outro, ponha a cruzinha na resposta certa, se quiser, claro está, que a escolha de pôr ou não pôr cruzinha, é sempre sua.
A quem de direito, dois e três em um

Dois

Fiz sinal de parar a uma viatura da polícia com que me cruzei e informei-os da história e lá foram eles decididos resolvê-lo, pois agora quando lá passei, três e epilogo, o carro já se fora.

Não sei avaliar como aconteceu, qualquer planeamento, qualquer causa efeito ou consequência e nem tem o mínimo interesse, o facto é que sim.

quinta-feira, agosto 12, 2004

No paraíso encontraram-se
Dois amigos vindos de terras diferentes.
Cada um em cada lado da margem do mesmo provável rio
Como se poderão juntar, como o rio atravessar
Perguntas profundas, fez um deles, ao outro
Como quem pensava a condução de uma canoa
Num rio que se calhar não existe
Porque não é verdadeiro
Astúcia mãe das perguntas
Mas se a astúcia, vista e percebida
Deixa então de ser astúcia
Que nem era
Pois nunca chegará a ser
Pois como percebeu o Amigo
O outro Amigo
Fala em verdade do seu coração
Pôs-lhe depois perguntas directas
E recebeu respostas directas
Como as coisas são
Sem outro qualquer
Calculo de consequência
De que a consequência
Da coisa em si
E foi a pensar
Que ingénuo ele é
O outro ficou
A pensar o mesmo
E assim
Ficaram cada um
Em sua
Margem
Até
Ao
Próximo Encontro
A quem de direito

Está ali, na bifurcação que dá para a ponte e a av. de Ceuta, um carro mal parado, com um pedaço da traseira metida na estrada, há já pelo menos dois dias. Agora mesmo encontrei dois policias a quem perguntei se já lhes tinham comunicado o facto, ao que fui informado, que sim, e que não sabiam porque ainda lá estava . Eu tambem não, mas talvez fosse conviniente ir buscá-lo antes que um acidente aconteça.


terça-feira, agosto 10, 2004

chegou
a hora
em
que as
crianças
entram
nos prédios
e
esta
é sem
sombra
uma
das horas
mais
felizes
dos dias
mesmo
os
que
nos
parecem
tristes

todos
os dias
ecoam
nas
escadas
dos prédios
o arrulhar
dos
risos
Altos
Infantis
Música
das
Esferas
do
Amor

Vida
Vivendo
Em Si


Como
Pequenos
Pardais
Alegres
Riscados
Trinados
Vôos
Pequeninos
Seres
Frutos
Nossos

Desde
Que
Nascem
Voltam
A
Casa
Nas
Horas
Dos
Adultos
Como
Se
Adultos
O
Fossem



Fogos de verão
A temperatura
Média
Sobe
Portugal
É
Pequeno
Em Território
Em Meios
Em Praticas
Nalgumas
Formas
Da
Posse
Da
Terra



Fogos de verão
Problema
Português
Espanhol
Grego
Italiano
Talvez
Norte
Africa


A Temperatura
Média
Da Participação
Do Crer
Dos
Cidadãos
Na Europa
Desce

Se
União Faz
Força
Se Ajudar
Ajuda
E
Contentar
Faz Crer

Porque
Não
Uma
Europa
Ou
Mesmo
Uma
Aliança
Mediterrânea
Sinal
Boa Vizinhança
Com Africa
Contra
Os Fogos
De Mãos
Dadas



Dividido
Por todos
Equidistante
Ao Centro
Do Circulo
Dos
Territórios
Mais
Quentes
Mais
Afectados

Um Sistema
Um Investimento
Um Financiamento
Comum
Aviões
Dos
Exércitos
De Cada Um
No Bem de Todos

Objectivo

A Partir do
Ponto
Central
Poder
Sempre
Fazer
Os
Necessários
Contínuos
Carrosséis
Do Ar
Em
Tempo
Útil
E
Eficaz

Somaríamos
Todos
Vitória
Vitórias
Que Fazem
O Crer
Porque
O Crer
Então
Se Torna
É

Talvez
Assim
Subisse

A
Temperatura
Do
Amor
Entre
Seus
Filhos
E
A
Mãe
Europa


Ontem vi uma coisa espantosa num telejornal. Dava-se conta que outrora os c130 do exército português, poderiam ser instrumento do combate aos fogos, tendo mesmo sido feita uma demonstração da sua adaptabilidade à função. Segundo informação, a opção politica tinha sido entregar este serviço aos privados. O espanto é, quais privados? Sim que eles existem, freta-se aviões e helicópteros, mas não chegam, pois não?

Depois posso pensar que uma das funções de um exército, que nunca é de fazer a guerra, pois melhor do que ninguém conhecem os militares o seu preço, deveria e poderia ser de serviço público ao país como é sua essência por natureza. Assim vendo, parecia lógico que tal tarefa pudesse ser por ele feita, da mesma forma, que a boa ajuda que deram no ano passado, se calhar poderia ser estendida durante o resto do tempo (tarefas de manutenção das florestas, limpezas, desbravamentos…)

Por outro lado a adjudicação de tarefas desta natureza a instituições que são públicas, donde financiadas por todos nós, pudesse contribuir para uma melhoria tão necessária das condições que geralmente tem.
Esta cordenação e envolvimento comum poderia ser estendida a outros níveis da actuação para além dos carrosseis de aviões.
Lembro-me de nas ultimas grandes cheias que afectaram os paises do norte, a espantosa quantidade de meios que esses mesmos paises pela dimensão que tem possuiam e bem fizeram actuar. um me ficou na memória, comboios hospitais alemãos que serviram para tratar as vitimas e recolher os desalojados. Se o Fogo é no Sul , Pois a Agua é mais a Norte e assim sendo se se pensar a Europa como um todo, constituido por distintas partes com carateristicas e necessidades especificas, se possa resolver de formas mais dinamicas e poderosas, porque construidas no dar das mãos, para que cada qual possa resolver os seus e dos outros seus irmãos, problemas.

Se calhar ficava um problema para resolver, se os necessários C130 dos exércitos dos países participantes estivessem envolvidos nestas tarefas, se calhar não poderiam levar os homens às guerras, mas como elas não existem, então certamente está tudo bem.


sexta-feira, agosto 06, 2004

Da mecânica das coisas terrestres e da queda dos prédios.

As nossas cidades estão cheio de prédios devolutos, muitos em perigo e em acção de derrocada, se tal se pudesse dizer dos prédios, que eles, neste sentido, agem.

A situação arrasta-se à mais de trinta anos e nunca se conseguiu um acordo funcional para esta matéria e o resultado à vista, não agrada a ninguém, correcto?

Não, incorrecto, pois sabe-se que uma das razões porque assim os prédios ficam, é também uma forma de resolver um problema ou uma determinada vontade por parte dos proprietários que assim agem.

E também, que todas as partes envolvidas, salvo a excepção descrita, não beneficiam desta situação, pois,

Os Senhorios não podem fazer obras de manutenção, pois o sistema de rendas não gera em muitos casos as receitas para tal.

Os Inquilinos vêem assim diminuída a sua qualidade de vida, e por vezes existem mesmo casos extremos, onde a casa vem a baixo com a gente lá dentro.

O Estado também não tem um quadro legal, nem financeiro, com condições que permitam resolver o problema, ou mesmo nas vezes, as consequências destes problemas, como o realojamento das pessoas, que por vezes, perdem todos os seus parcos haveres acumulados ao longo da sua vida.

Se houvesse uma Ideia de Polis, e de que forma recuperar estes imóveis que grosso modo se concentram em zonas especificas em cada cidade

Se a ideia de Polis, nascesse da própria Polis, de quem nela participa, das suas necessidades, das suas intenções, da forma como se gostaria de viver nos espaços, juntando-se os diversos saberes nesta área, jardins japoneses, internos, janelas grandes rasgadas em fachadas antigas típicas lisboeta, espaços comuns habitacionais, que espaços, para quê, enfim é mesmo só Imaginar, seja em japonês ou marcianês.

Passo do Geres à Galiza, e meus olhos espantam-se, pois se as casas continuam na sua base e idade as mesmas, grandes pedras grossas de granito, já a sua recuperação, a forma moderna criativa e integrada com a tradição, os novos materiais e métodos de construção e muito sentido do Belo, as diferencia das que no meu País deixeia cair.

Se as Autarquias fossem habilitadas a tomar posse destes edifícios, por processos e mecanismos curtos, oleados e transparentes em que o quadro dos direitos dos proprietários fosse obviamente respeitado, mas que não empenassem em eternos arrastares da não solução Real.

Se as Autarquias estabelecessem contratos programas com firmas de construção civil, integrada numa ideia de recuperação e manutenção a cinco, dez anos (visto que a dimensão do problema acumulado é enorme), que traria vantagens ao nível da estabilidade dessas empresas e consequentemente do trabalho e dos rendimentos do próprio País

Se a engenharia financeira desta recuperação fosse feita pelo financiamento na óptica das vendas ou aluguer, caso se prove que isto é rentável. Uma percentagem da mais valia, poderia ser reencaminhada para o proprietário original.

Todos poderiam ganhar, se, se desenhar o modelo para que tal aconteça, em vez de o jogo de responsabilidade e de empurra empurra, habitualmente desequilibrado, a favor do Estado versus o Cidadão, uma solução que fosse mais mano a mano, e mão na mão da Ajuda, a Favor de Todos.

Podiam assim as cidades, desenvolver politicas de habitação para jovens e outras faixas etárias da população, onde a solidariedade e a protecção aos mais desfavorecidos estivesse bem presente e activa, politica que contemplassem objectivos em termos da proposta de vida que oferecem, e que as faz distinguir umas das outras.


Talvez pensado assim e por diante, se conseguisse uma solução de agrado para todos.

Depois lembro-me do estacionamento em Lisboa, recordo-me de uma lei de 59, salvo erro, que obrigaria daí em diante a que todos os prédios construídos em Lisboa, tivessem garagens para automóveis e fico a ver que algo de estranho se terá passado, devo ser eu que vivo numa Lisboa em universo paralelo, pois assim não me lembro de ter acontecido na mais das vezes. Uma lei Antecipativa, medida com visão projectiva, pois recordo-me de só por volta de finais de 80 e com o aparecer dos sistemas de aquisição por leasing, é que começaram os problemas de circulação em Lisboa, na minha subjectividade de condutor.

Poderia ficar então a pensar, se valeria mesmo a pena, pensar, escrever, ou o que fosse, sobre estes assuntos e porém já está.

Depois lembro-me de quando vivi em Bruxelas no final de setenta, das casas desabitadas e ocupadas, algumas em más condições, que os jovens ocuparam e arranjaram, muitas das vezes por eles mesmos ou por aqueles que entre eles tinham os conhecimentos para o fazer.

As autarquias de lá, eram inteligentes, viam ao longe e o que aconteceu é que toda aquela situação foi sendo regularizada, comprometiam-se os jovens às obras e ao pagamento de uma renda baixa e as casas e seu modo de viver, de abandonadas, passaram a não mais se distinguir das outras.

Mas também nesse tempo em Bruxelas, qualquer jovem antes mesmo de acabar a universidade ou o que fosse, já pretendia viver fora de casa dos seus pais, e geralmente assim fazia por acontecer. Provavelmente os Pais também a isso ajudavam, nas suas formas de desenhar o mundo dos adultos.


…..

Retorno
À
Terra
Inteiro
Dentro
De
Uma
Mala
Cheia
De
Pequenas
Múltiplas
Gavetas

Outro
Seu
Nome
Labirinto

Como
Saio
Eu
Para
Aqui

Procuro
O fio
No
Ponto
Onde
Estou

….




País que sempre peca por falta de visão ao longe, integrativa e unitiva.
País que não junta as peças bem, e se esquece do que já sabe da arte de marear
Pois não se partia para o mar, sem calcular as provisões e mesmo assim, nas vezes se morreu

E depois, na redução drástica da realidade a exemplo nuclear, daqueles que assenta nas fundações, ou nas práticas das fundações.

Fala-se de politicas de aprendizagem e educação mas nunca se conseguiu acertar as previsíveis necessidades evolutivas de quadros, com a oferta de formação, a par e par, existente.

Há sempre à mais alguns e outros sempre a menos e vão variando entre si, os grupos profissionais, ao longo das décadas.

Se quem desenha as politicas nem isto consegue acertar, o que quer dizer que a forma de desenhar, está mal concebida, como poderá acertar em todo o resto do que é, Aprender e Educar e suas múltiplas realidades contínuas ao longo da vida de qualquer um de nós.

Pois se um desenho, uma solução, um conjunto de práticas, não responde bem a um dos grandes objectivos, certamente que tambem existirão deficiências no mesmo desenho e suas componentes que se reflectirão em muitos outros níveis da mesma realidade.

E mais uma vez aqui o escrevo, a responsabilidade, a responsabilidade de isto ser assim é tanto minha como tua, mas nunca só tua, mesmo que tu sejas o Governo, ou o Estado e sendo que o Estado somos todos nós. Somos nós que deixamos passar assim a nossa própria vida inteira. Estranho sentir e pensar, ir-me daqui embora e ver as coisas mais ou menos como as encontrei, como sem melhoras drásticas, e contudo, nada disto é em meu ver de resolução transcendente.

Recordo o Mestre Agostinho da Silva, que um dia farto de Portugal, sentindo-se sem ar, foi para o Brasil viver e criar entre muitas outras coisas, com seus irmãos brasileiros, Universidades, sendo que para ele, Universidade, era um local que ele achava que devia estar sempre aberto, para alguém que lá se dirigisse na ânsia de aprender, em qualquer idade ou altura de sua vida. Coisas que as pessoas necessitassem, que quisessem mesmo saber, conhecer, aprender, consta-me que entre os primeiros cursos entre todos acordados como necessários, estava a culinária. Aprender a cozinhar, coisa básica e tão fundamental, tão passível de provocar as mais belas e raras sensações, certamente uma matéria à altura de uma mesma, outra ideia, de Universidade. Outra?


Felizmente desta vez ninguém se magoou