terça-feira, dezembro 14, 2004

Boa Tarde

Aqui estou eu em casa de uma amiga a escrever este post. Agora foi-se a electricidade.

Foi um prazer estar junto de vós este tempo todo e partilhar tão boas emoções, saberes e aprenderes.
A todos, que são muitos os Meus Agradecimentos do Meu Coração.

Bem Hajam Todos

e até uma próxima aqui, se a houver.

quem me quiser contactar, poderá fazê-lo através de 96 280 77 46, enquanto houver saldo. hihihi.

(Se algum me poder emprestar uma tenda e um saco cama, será bem vindo)

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Hoje meti o cartão na ranhura, e o saldo era o mesmo que já lá estava, nenhuma dávida, nenhuma moeda plástica ou visível. Não há almoços grátis, diz alguém, e parece mesmo afronta pedi-los, vai trabalhar malandro, vai trabalhar malandro, fala o silêncio da resposta e eu digo-lhe então, se temos cabeça e mãos é para pensar, para experimentar e se a experiência não funciona, faz-se outra e contudo eu sempre crio, talvez possa a isso chamar trabalho, quem sabe, que eu não.

Convido-te para almoçar na minha casa de campo, aquela precisa da minha imaginação. Cultivei as sementes e sirvo-te uma salada. Seu preço foi o do meu trabalho, das sementes que comprei e do prazer que tive em te servir, em comer contigo um almoço que afinal, bem feitas as contas e mesmo que a água venha do céu e que a luz seja a do sol, sempre me custou em dinheiro alguma coisa.

Agora vou pedir uma tenda emprestada e acampar num qualquer jardim da cidade, com um letreiro em cima, estou em greve geral pela vida, e a quem lá quiser passar e perguntar, lá explicarei os porquês.

Porque há guerra, porque há fome, porque há miséria, porque há ignorância, porque há desamor, porque este sistema fede. Não voto em mais nada, não quero um bilhete de identidade, não quero um número de contribuinte e não quero ser um escravo, carne de canhão de um sistema que nem existe, nem sei para que serviria se existisse mesmo, mas a vida é aqui também.

200 mil com fome, 20% das Gentes do meu país a viver com dois euros por dia e vivam os intelectuais das opiniões deles que tentam fazer alheias, e os que governam, embora não saiba o quê.

Então rapaz, era tudo mentira?
Não, é tudo verdade

E depois se Deus o ama, ele tem que ter tudo o quer, pois se se apresentar frágil e derrotado aos olhos do mundo, então Deus não estaria com ele nem ele com Ele.

Seja feita a Tua vontade, que eu não estou zangado, nem pouco mais ou menos, mais que menos abaixo da linha de qualquer zanga e a bitola de Deus é toda uma outra, a sonda dos corações no coração, espaço íntimo da Tua presença em mim, em nós e de mim em Ti.

Não sei porque, parece que andam muitos a rirem-se. Ainda bem, pois sempre é bom, rir, e para além de tudo, hoje e daqui em diante é dia de festa cósmica.

Pensam que ganharam alguma coisa, peguem lá todos os prémios a que tem direito e riam-se muito, muito, pois a vida é talhada para a felicidade.


…..





Carta ao Senhor Presidente do País Onde Moro


Senhor, eu penso que gosto de si, pois vejo-lhe a emoção nas vezes nos olhos, lágrimas de compaixão, que me provam a existência de Deus, mesmo nos olhos de um Ateu, pois a consciência do coração é uma mesma, em si, em mim e no outro ao nosso lado e como se poderia ficar inalterável ao mesmo sofrimento que se espelha no irmão ao nosso lado, só mesmo, se fossemos autistas e nos víssemos como ser único no mundo.

Os homens que se emocionam e nas vezes choram, tem um canal aberto ao coração e o coração é sempre um mesmo em corpos múltiplos, iguais, distintos e infinitos e é esse canal, o sítio onde mora a consciência.

Somos todos filhos da Vida, que nos anela e anelando em seus braços nos vamos, assim, mais ou menos se exprimiu um poeta, e eu quando nasci, trazia uma carta branca em meus olhos e meus passos e uma caneta que a Vida me deu para com Ela a escrever, nada mais, nada menos, um projecto de ser em liberdade do Ser.

Muito admirei vossa geração de homens, essa que lutou como é comum dizer-se, pela liberdade dos homens na nossa terra, alguns por essa luta outrora caíram e a memória nos faz sempre recordá-los e amá-los, pois são grandes aqueles que concretizam essa mesma liberdade.

Já por diversas vezes nossos passos se cruzaram, a primeira vez ainda o Senhor era o Presidente da minha Cidade Amada, e assim uma vez entrou numa das minhas casas. Não o fiquei esperando à porta como se fosse um momento eterno de êxtase, pois o telefone tocava e não parava e nesse dia havia como noutros outrora muito que fazer, mas não creio que tivesse ficado ofendido com esta minha falta de protocolo, pois acabamos cumprimentando-nos em alegria depois da sua gravação, assim o recordo e ambos por cá ainda andamos, a viver todos os momentos que a Vida assim nos quiser agraciar.

Creio que se recordará sempre dos meus afectos quentes e sorriso grande aberto e contagiante que sempre me surgiu quando consigo me encontrei.

A última vez que consigo estive, foi em Belém em nossa bela casa, onde habita, e recordo a estranheza que se me entranhou, pois informou-nos que voltaria ao assunto uma semana depois, coisa que não creio ter acontecido, ou pelo menos assim os homens que comigo estavam, mo disseram, não o ter feito.

Não quero julgar ninguém, mas saberá também como eu, como os homens se entregam à mentira e a facilidade com que às vezes o fazem, na mesquinhez com que assim aviltam outros e os viram uns contra os outros, nos chamados combates em favor dos seus pequenos bolsos próprios ou mesmo políticos.

E são rápidos os homens em seu julgar, pois todos vimos nos últimos tempos como aqueles que num dia defendem e dizem respeitar o poder que lhe está atribuído, quando com suas decisões concordam, e no momento seguinte o criticam, quando já não estão de acordo com os seus pressupostos, tão rápidos como o vento inconstante que lhes sopra nas vezes em seus corações.

E contudo não sou eu um homem perfeito e santo, como aquele que creio ter sido seu amigo e que no outro dia se foi de seu corpo junto de nós em provecta idade e longa vida. Um homem que era entre muitas coisas o médico que deixava seu próprio dinheiro na mesa dos seus doentes sem posses para comprar os remédios de que necessitavam, e que segundo me constou, disse publicamente no final da sua vida que nunca tinha feito intencionalmente mal a ninguém.

Em meu ver, a justiça dos homens se imperfeita, é ainda necessária e é por esta razão que também lhe escrevo esta carta do fundo do meu coração, pedindo seu conselho, que me dará ou não, mas por favor não me diga que a quadratura do circulo das leis nada lhe permite fazer, que não tem poderes executivos ou que sua acção está manietada, pois eu sei das duas mãos e pés que tem, do coração que bate dentro de si, como eu, ou aquele ao nosso lado.

Que os tempos estão difíceis, bem sei, alias pelas suas próprias palavras no acto em que recebeu o prémio pecuniário pela sua acção na compreensão entre os homens no Mundo, quando disse, que desta vez o dinheiro ia ser para si, pois a situação estava difícil e eu que o vi dizer tais palavras, vi seu rosto e pensei para mim mesmo, isto está mesmo negro pois até o Presidente o diz, e contudo concordará comigo que são muitos mais os que estão bem pior.

E me recordo de um outro homem do nosso País, que também desempenhou as mesmas funções e quem depois de exercer seu cargo, todos nós, por decisão dos nossos representantes, lhe foi atribuído se não me erra a memória, 800 mil contos para digitalizar os arquivos de sua fundação.

Mas é da justiça humana, o assunto que hoje me leva a escrever esta carta e aqui hesito, pois se me sinto injustiçado, entre e por alguns do homens meus irmãos, sei de todos os outros bem piores do que eu. Assim como poderei pedir justiça, como poderei pedir justiça para mim mesmo sem a pedir para todos os outros, não dá, não dá na minha consciência, e depois são tantas as injustiças que seria preciso escrever um livro muito maior que esta carta. Não sei se começo por mim, ou pelos outros, mas começo desta vez por mim, que sou homem como um outro.

O Senhor é um homem como eu, também, com a diferença de encarnar a mais alta figura do estado do meu País e como não acredito mais na funcionalidade da justiça dos homens em tempo útil e real e porque não tenho com que pagar a nenhum advogado, nem tenho tempo para esperar por duas vezes dez anos e as prescrições dos processos, porque não sei de nenhum advogado que salte a terreiro para processar o estado português, pois parece num primeiro olhar, que a coragem se afastou do coração dos homens aqui na nossa terra e contudo não é assim pois é no coração que ela sempre reside.

O que vejo são os secretos compromissos, as secretas benesses inconfessáveis que na coisa pública e privada uns outorgam a outros, dentro dos seus clubes mais ou menos secretos, um dar por debaixo da mesa de todas as regras aparentemente acordadas entre os homens e digo que se tornam aparentes, pois esses actos que vejo nas vezes praticar, acabam por tornar uma espécie de regras do real, que esvazia o próprio real na hipocrisia que contém e que assim o espalham como doença contagiosa, o descrédito no Mundo e o que fazer quando as regras aparentemente acordadas deixam de funcionar, como posso então pautar a minha conduta, sabendo sempre a resposta, em Amor e Pelo Amor.

Sacos azuis, corrupção em todos os níveis das coisas pública, compadrios em todos as direcções, benesses de todo o género para aqueles que aparentemente são poderosos, pelas ligações que têm e pelos cargos que ocupam, e uma sensação baseada na percepção real, que a esses, que assim agem, nada lhes acontece a não ser a impunidade e a permanência de seus actos e um sistema judiciário que não dá resposta que pelas leis deveria ser dada, porque não tem meios, porque não lhes dão os meios, para isso, pelo contrário os sonegam, os que sabem que assim é mais fácil a permanência de este estado das coisas.

E no País da Republica Portuguesa, aqueles que não pactuam, que não fazem as vénias nem aceitam este constante estrupo das regras, são marginalizados, postos nas prateleiras, cozidos em vida em banho-maria, estrangulados ao nível do seu trabalho e da contribuição que querem dar, e aqui entre estes, muitos, me incluo eu, também.

Sobe-me à memória algumas questões lapidares, infeliz palavra que em relação a algumas delas é mesmo verdade profunda, pois é de lápides que se põem sobre os corpos das Gentes, que se trata.

Recordo que depois do 25 de Abril, eram 24% os analfabetos em Portugal. Assim fizeram num verão, os estudantes, campanhas de alfabetização, recorrendo a um inovador método inventado por Paulo Freire e como muitos outros, fui ensinar pelas terras do interior do País. Em dois meses foi-me possível como a muitos outros, ensinar a ler e escrever a cerca de 17 pessoas e levar e passar a exame da 4ª classe uns outros sete, que passaram. Estava em Amêndoa, uma vila onde as pessoas nessa altura, por não terem estradas, tinham que levar os doentes em padiola, montanha e vales acima e abaixo, em pleno Inverno, para chegar ao médico mais próximo. Recordo ainda que Amêndoa, embora se encontra-se a cerca de 70 km da cidade do distrito mais próximo em linha recta, demorava-se nessa altura um dia inteiro a lá chegar, de comboio, camioneta e a pé, pois esta era a solução do movimento.

25 escudos, era, se não me falha a memória, o valor que cada um tinha para viver durante a semana. Ficamos numa casa paroquial, que nos foi gentilmente cedida para o efeito e assim vivíamos, ajudando as pessoas nos campos, que nos trataram nas palmas de seus corações, que nos convidavam sempre para comer, nos ofereciam queijos, legumes, couves e que estavam muito felizes, por nos terem lá. Na casa paroquial, que se encontrava fechada há alguns anos, encontrei um projector de 35 mm e uma impressora de setêncil manual, que tentei compor sem sucesso durante as noites.

Recordo também uma noite, onde comecei a ouvir gatinhos a miar, incessantemente e assim sai para a rua e encontrei-os fechados no saco de serapilheira, e os soltei levando-os para casa, onde uma das raparigas acabou por adoptá-los e traze-los para viver consigo em Lisboa. Perguntei no dia seguinte às Gentes, o porquê de tal acto e disseram-me que não os podiam alimentar e que assim os abandonaram e depois falamos, de que se fosse para abandonar, então que lhes dessem hipótese de se mexerem, quem sabe se tornariam selvagens, o quanto bastasse para sobreviverem nos campos.

Nem uma centena de quilómetros mais ao norte, um grupo de alfabetizadores, tinha sido corrido à pedrada, pelas gentes que pensavam ou tinham sido levadas a pensar, que eram comunistas, daqueles que comiam criancinhas ao pequeno-almoço e assim chegaram um dia a nossa casa, escorraçados. Era um tempo no meu País, onde coisas dos géneros se passaram.

Mas o que foi revelar para mim, de que os caminhos da democracia, não iam bem, foi o facto de que, se a campanha teve sucesso, como pude comprovar directamente, com a mão na massa, como não se fizeram depois nos anos seguintes e porque dessa forma não se erradicou o analfabetismo em Portugal.

As estatísticas e os números em Portugal, variam estranhamente, como todos já nos apercebemos, mas é um facto que ainda hoje existem creio que 14% de analfabetos, último número de que ouvi falar, e a conclusão que tirei, é que o novo regime, a democracia, preferiu por um véu sobre este problema à frente dos olhos, como quem diz, o problema resolve-se, a número diminui, porque com o tempo as gentes se vão embora de seus corpos. Estranhas opções, e feitios, como muitos outros que sempre se viram em democracia. Bem sei da herança do regime anterior nesta matéria, pois os 24% já existiam antes do 25 de Abril, mas no fundo, bem no fundo, nesta matéria, terá havido assim por escrever, uma tão grande diferença entre os dois regimes?


Entre-os-rios. Veio a justiça dizer que a queda da ponte não dependeu directamente da extracção das areias e que sim, que poderá ter mesmo sido assim, mas também é verdade que muitos avisaram em seu tempo e repetidamente que ela se encontrava em condições muito degradadas, e que o Estado e consequentemente o governo, não actuou como deveria ter actuado, na primeira vertente que é a da prevenção pela normal manutenção das estruturas, que na altura como muitos disseram, foram desmembradas e esvaziadas das suas funções, por quem na altura governava.

Depois esses políticos, afastaram-se das luzes públicas durante um tempo e agora de novo alguns se apresentarão a votos de novo e a pergunta, meu Presidente, ou melhor, Presidente do meu país, é, como é que eu poderia de novo neles votar, como posso de novo confiar num sistema e estruturas politicas que assim agem e que não são responsabilizadas e sendo que não estou a pretender julgar ninguém, pois são as consciências de cada um que se julga a si mesmo, antes de mais e que o que é importante é que tais situações não aconteçam, porque as formas de fazer e governar, as previnem de acontecer e sabendo que mesmo assim, por vezes elas acontecem.

Recordo como muitos vem dizendo à muito tempo de se esvaziar, de não dar meios ao combate à corrupção e aos crimes de favorecimento e de evasão fiscal.

Recordo e tenho presente em mim, que à data no meu País e constatado já há alguns meses que existem 200 mil pessoas com fome e que 20% da população, pelo menos dois milhões vivem naquilo que se convenciona chamar de limite de pobreza, ou seja com menos de 2 euros por dia, que como alguém me dizia, não podia acreditar como é que as pessoas podiam viver com esse rendimento diário.

Recordo e trago presente em mim, as queixas ao longo do tempo sobre a situação da saúde, da educação, dos rendimentos, dos flagelos e doenças epidémicas no meu País, e pergunto-me todos os dias como é que este sistema as deixa assim arrastar a piorar de dia para dia, com a agravante de na mais das vezes se gastar cada vez mais dinheiro para as suas respostas sem que os resultados se melhorem.

Recordo e trago presente em mim, o caso das crianças abusadas de que já muitos ouviam falar há mais de vinte anos e que foi também o tempo necessário, para que tal viesse à luz pública, tempo exagerado, para um assunto de tal natureza e que ainda não se encontra averiguado.

Recordo e trago presente em mim, uma conversa com um Juiz do organismo encarregue da verificação e auditorias das actividades económicas dos organismos do estado que me disse um dia, há muito tempo atrás, da falta de meios que tinham para cumprir a sua missão e não deixo de frisar mais uma vez a necessidade para que a justiça se torne real, de ela poder ser feita em tempo aproximado ao real, e de sentir mais uma vez, pois só posso ainda sentir e não verdadeiramente saber, como é estranha a coincidência no tempo, de nesta última crise politica se ter afirmado publicamente, que o Senhor que figurava o primeiro-ministro, terá contas a prestar relativas a outro dos seus cargos públicos desempenhado há alguns anos atrás, pois se assim é, primeiro revela que esse tempo de averiguação não é o certo, pois deveria ter acontecido antes e depois não deixa de se insinuar em mim, a dúvida de que tal eventual facto, visto ainda não ter sido definitivamente averiguado, ter vindo agora à luz pública, não seja mais uma vez, argumento da tal batalha politica que os partidos entre si fazem com regularidade e constância, desde que a democracia foi fundada e que reforça um sentir que todos sentem, que é isso que mais conta, não verdadeiramente o apuramento da verdade do que se passou ou se vai passando.

Por mim Senhor Presidente do Meu País, o que me tem acontecido é ser estrangulado em vida por nem sei quem, nem sei que grupos organizados, que me torpedeiam com alguma constância o meu caminhar, nomeadamente ao nível do meu percurso profissional. Muitos são as ideias, os projectos, desaparecidos, que depois aparecem feitos por outros, com a habilidade necessária do roubo juridicamente inatacável. Mistérios cobardes daqueles que assim preferem agir, sem mesmo dar a cara, quando enterram os punhais.

E o que é isto, se atender a outros que forma mortos nessa altura conturbada e que ainda hoje não se sabe, nem se concorda, se foram mesmo mortos e quem os matou.

E depois Senhor Presidente do Meu País, a relação entre o cidadão e o estado tem que ter algum equilíbrio e quando assim não acontece, como não acontece, o cidadão tem o direito moral de não cumprir o acordado, pois a relação é de mando e subserviência, que não são as traves, no qual o estado deve assentar. E equidade de tratamento ou na relação não existe.

Assim Senhor Presidente, gostaria de lhe perguntar, se com o poder que tem, nomeadamente o de averiguar, se me pode ajudar a compreender, porque tais coisas me tem acontecido e quem são os responsáveis. Perguntar-me-á para quê e eu lhe respondo, para os perdoar, e para os perdoar, preciso de saber quem são, só isso. Perdoar e obter um pedido de desculpas do estado, extensível a todos os quantos tem sido perseguidos e injustiçados por este regime, a que se chama de democrático.

Depois gostaria que o estado criasse um fundo de indemnização para todos aqueles que têm sido perseguidos, torpedeados, diminuídos em vida por este regime. Eu aceitaria de bom grado, quatro cheques do estado, um para mim, cujo valor deveria ser o cálculo médio dos rendimentos dos que operam na minha área, vezes os anos que a minha empresa não teve acesso regular e normal ao trabalho e que são para efeitos de cálculo, 12 anos de penosa sobrevivência empresarial, mais o dobro mais um, repartido nos três restantes cheques endossados, um a Unicef, outro a Ami e o último às Organizações que em Portugal combatem a fome. Explico-lhe o porquê deste mecanismo, é simples, é que eu de acordo com a minha consciência, decidi dar desde há algum tempo atrás metade mais um dos meus rendimentos aos outros, a quem dele necessite.

Eu por mim, vou brevemente acampar ao lado daquela árvore de natal, que está montada em Belém, no primeiro dia que lá estiver irei depositar no Palácio, nas mãos de quem o receber, o meu Bilhete de identidade e o meu cartão de contribuinte, e uma cópia desta carta, entrando desta forma em greve geral pela democracia. Não greve da fome, pois para mim a vida é sagrada, e portanto não me parece lógico actos que contra ela atentem, seja a minha ou a de outros, fome só passarei aquela que tiver de passar por não ter rendimentos, não por opção.

Lá ficarei, aberto a quem passar, explicar as minhas razões e se me quiser enviar algumas sobras das refeições do palácio, as aceitarei de bom grado. Vou verificar se o mandamento de Jesus, funciona ou não nos dias de hoje, preocupa-te só com o pão de cada dia, ou seja, sem interesse em acumulação para o amanhã, pois para alem de tudo a validade dos alimentos é curta como sabemos. O tempo o demonstrará.

Estarei também à disposição de todo os que me solicitarem ajuda para resolver os problemas da vida. Gostaria mesmo de começar por ajudar a resolver os problemas da fome no meu País, reunindo se quiserem, passar por lá, as entidades que a combatem e ver de que forma se poderiam criar as necessárias sinergias, inovações e integrações que permitissem uma solução definitiva para este flagelo.

Também possuo conhecimentos em outras áreas nas quais poderei ajudar

Na expectativa da sua resposta ou comentário, subscrevo-me com consideração


Paulo Forte



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Carta Aberta ao Presidente da Câmara da Minha Amada Cidade de Lisboa e aos Comandantes das diversas Forças da Ordem.


È Natal e uma árvore de natal foi montada em espaço público, na zona de Belém. Entendendo espaços públicos, como espaços de todos, eu, como ser, como qualquer outro ser, tenho direito a ter tanto respeito como uma arvore, que mesmo sendo de metal, não deixa de ser minha irmã, pois a celebração do natal é também humana e feita pelos humanos.

Venho assim pela presente pedir todas as autorizações que entendem para lá acampar, montando uma pequena tenda, que certamente ocupará menos área do que a dita arvore e sendo certa que não custará ao contrário desta, nenhum dinheiro à comunidade.

As razões do meu acampar encontram-se explicadas em carta aberta ao Presidente do meu País, publicada em espaço público no meu blog ourosobreazul.blogspot.com

Com os meus cumprimentos, aguardo se assim o quiserem, vossos comentários.

Se me quiserem levar preso, que me levem, mas autuar é que lhes pedia para não fazerem, pois não tenho dinheiro, para pagar multas e depois se não as pago vou para a cadeia e sendo assim é melhor que me levem logo para lá.

Paulo Forte


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Carta Aberta aos Agentes da Justiça do Meu País e ao Senhor Ex bastonário da Ordem dos Advogados.

Diversos tem sido os processos que a minha empresa tem sido alvo e todos eles foram a julgamento num espaço médio de dois anos. O único que a empresa pôs, acabou de prescrever sem ter chegado ao tribunal.

Sem alongar tudo isto, pois passou no entretanto dez anos, gostaria de lhes pedir um comentário ao que passo a expor.

Nos primeiros três, quatro anos, o processo encontrava-se na secretaria do tribunal. Comecei a perguntar ao advogado, o que se passava e ele me foi respondendo, que era assim, até que um dia ele me explicou, off the record, como muito está em voga fazer-se, que sabe, os processos estão em pilhas, e basta alguém dar qualquer coisa, para que a posição relativa na pilha seja alterada. Atónito, perguntei, está a propor-me que pague algo mais para além das taxas dos preparos e de justiça, para que a coisa ande mais depressa? Que não, mas que era assim que se passava. Mais um ano ou dois e lá o convenci a ir-mos os dois ao tribunal para ver a pilha e perguntar o que se passava e lá vi a pilha, e lá perguntei ao funcionário e depois a um juiz, se se passava algo estrambólico, por assim dizer, como o processo, ao que me disseram que não.

Nos entretantos do passar dos anos, e mais ou memos de ano a ano, um telefonema do meu advogado, sabe não se consegue citar o Senhor, as moradas que temos dele, não correspondem, por acaso não pode saber onde é que ele está, e eu que não o sei, mas o que o Senhor diz, é que eu me devo transformar em meirinho, ou agente de justiça, já agora aconselha-me a fazer o julgamento por minha conta, que não, e eu, olhe, é não é possível pela segurança social, pelas finanças saber onde ele mora, que não, que a lei não permite tais cruzamentos de informação, e eu, era bom que sim, pois assim saberia o tribunal como o citar. Adeus, até para a o ano.

Depois para aí, no nono ano, lá se fez o julgamento sem a presença do acusado, tendo o tribunal procedido a condenação e mais uma vez não se encontrava o Senhor. Depois apareceu um advogado da outra parte para chegar a um acordo com o meu advogado, afirmando a outra parte que não tinha recebido as notificações e que por essa razão iam impugnar a decisão.

Depois, depois e depois, o tempo lá foi passando, as horas, os dias, e os meses até que mais uma vez, um mesmo telefonema, não sabe onde ele está, e eu, que não, mas olhe lá, não houve uma reunião entre os dois advogados, se assim foi certamente que o advogado dele terá uma morada, ah, boa ideia, mas há o sigilo profissional a que estou obrigado e assim só o poderei fazer se a ordem me der autorização, para isso e eu, então e vai pedir, e ele que sim, e depois passado uns tempos, mais um telefonema, que o Ordem, o conselho e o próprio presidente, não lhe tinha dado a autorização e entretanto, no entretanto, dez anos passaram e o processo prescreveu, quer pôr outro, e eu, deve estar a brincar, mais dez anos, para quê.

Estão bem montados os processos!

Quem protege tal Senhor, se é que houve alguma protecção especial, ou se é assim mesmo, só por consequência de como as coisas estão montadas e porque é que a Ordem não deixou a meu advogado levantar o sigilo sobre esta matéria final, e já agora que solução têm os especialistas nestas áreas para resolver estas realidade e já agora também, porque ainda não o foi feito?

Com os meus cumprimentos e na expectativa de um esclarecimento de tais transcendentes mistérios

Paulo Forte

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Carta Aberta As Finanças, à Segurança Social, A Burocracia e aos Burocratas.


Porquê?

À Segurança Social.

Mais ou menos em Junho, que foi o ultimo trabalho remunerado que a minha empresa teve, disse-me a RTP na altura que em virtude de a empresa não ter declarações de ausências de dívidas à previdência, procederiam à retenção dos 25% através de um cheque que me davam para ir entregar directamente a SS. Bem sei que é assim, se bem que antes acontecera o seguinte.

Como sócio gerente da minha empresa tinha tomado a alguns largos meses atrás a decisão de suspender os meus salários, à espera de um novo mundo melhor, para ser mais prosaico, à espera de tempos mais desafogados e perguntando a técnica de contas, ela me disse, que deveria fazer uma acta. Depois mais tarde, tempo ido à segurança social, me informaram, que tinha uma divida, pois não pagara os descontos, e eu , pagar descontos de quê, visto que eu não recebo? Mas a lei diz, que tem que ter pelo menos o salário mínimo, e eu, mas eu não recebi nenhum salário, quanto mais o mínimo e de repente lá tinha mais uma divida.

Quando recebi o cheque lá foi a SS e disse-lhes, mesmo partindo do principio que eu devo algo, este cheque é de montante superior, vão-me devolver o restante, visto que eu não tenho dinheiro, a empresa também não e portanto faz falta, ah, não fica em conta corrente, e eu, que conta corrente, mas olhe se o valor é superior como é que o banco o aceita, ah aceita não se preocupe, e eu desconfiado, mas o banco aceita geralmente um cheque no valor exacto das folhas de pagamento. O Senhor preenche as 12 folhas em falta e depois vá ao banco.

Trouxe as 12 folhas para casa e fiquei a olhar para elas durante três dias sem a mínima vontade de as preencher, pois saberão que elas demoram muito tempo a serem preenchidas, pois a inteligência de quem as pensou seria certamente extraordinária. Só para dar um exemplo, o campo do nome, para quem tem nomes compridos obriga a usar uma lupa e fazer uma letra microscópica, sendo que aquilo me demorou mais ou menos umas três horas a ser preenchido e lá foi ao banco para entregar que não as aceitou nem ao cheque porque o valor não batia com o montante das folhas.

De novo foi a SS e me disseram então, entrega aqui as folhas e depois vai levar o cheque ao IGFSS (banco da segurança). Chego à caixa da SS e o Senhor que recebe as folhas, diz-me, não precisava de ter preenchido as 12 folhas, bastava só uma, e eu, obrigado pelo esclarecimento, foi pena não o terem dito logo e lá parti para o IGFS.

Chego ao IGFSS e ninguém percebe o assunto, ninguém quer aceitar o cheque, até que lá vem um quadro técnico superior, que me diz, a RTP deveria ter-lhe dado uma declaração, tem que lá a ir buscar, para eu poder aceitar o cheque e eu lá foi buscá-la a RTP, que mo deu, se bem que me disseram não saber de tal procedimento.

Deixei também lá uma carta a pedir que fizessem as contas e me devolvessem o excesso e até agora, não obtive nenhuma resposta. O dinheiro está lá a render juros e a tapar deficits.

E já nem vou agora contar o relativo às finanças, pois só o escrever isto, me retirou a o resto da paciência, pois já não tenho paciência para estas coisas, esta forma de não fazer bem as coisas a que me obrigam e obrigam os Portugueses e já estou fartinho. Façam o que entenderem e adeus.


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Meu Pai, Ajuda-me a ter paciência, inspira-me a paciência do coração, pois no outro dia, sem moedas no bolso, quando um irmão me veio pedir uma, eu respondi-lhe meia oitava acima do meu normal eu, género, não lhe possa dar, pois não tenho nem para mim e reparei dentro de mim quão mais difícil é dar quando não se tem mesmo nada para dar.


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Ontem um Amigo, disse-me que tem uma tenda e um saco cama e que se calhar me vai emprestar. Fiquei contente. Um outro me deu 20 euros, foi comer uma sopa e um pão com chouriço e agora tenho de acordo com o que acordei com a minha consciência de dar os outros 11 a quem eu achar que precise.


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Todos somos iguais e diferentes e portanto o caminho de cada qual é o de cada qual. Não me passa pela cabeça impô-lo a ninguém à minha volta, mas convido quem quiser a vir acampar comigo em Belém.

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Alguém averigua porque razão a AXA, segundo me informaram, retirou recentemente das apólices, a cobertura sísmica. Será que sabem mais alguma coisa sobre terramotos, sua previsão, do que eu ou tu?


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Carta Aberta à Portugal Telecom



Antes de mais, os meus agradecimentos por me ter recebido.


Como combinado, através de si, à Pt.Com me dirijo, numa última tentativa de chegar a uma conclusão dinâmica sobre o relacionamento entre a primeira e o Canal Zero, pois com substância posso dizer que sem a Portugal Telecom existir, não existiria o Canal Zero, na forma que se veio a conhecer.

São ambivalentes os sentimentos que transporto neste momento do tempo, mais de dois anos passados do lançamento do Canal Zero, televisão on-line, e ao olhar a relação com a Portugal Telecom, pois este pouco profícuo trajecto de parceria negocial, tem acompanhado as vicissitudes da reorganização da empresa e dos seus negócios, pois recordo-lhe, que começou em parceria com a Netcabo.

Por um lado,

Só posso agradecer o apoio que a PT foi dando ao longo deste tempo, através dos protocolos que permitiram o aparecimento do Canal Zero sustentado tecnicamente em parte pela própria PT.

Por outro lado, quando me fez a demonstração da nova versão SapoXl, não deixei de sorrir, ao verificar que muitas das ideias que o Canal Zero desde seu início, concebeu, implementou ou visualizou, acabaram agora por aí, ser concretizadas.

Sorrio por ver mais uma vez, agora o que já sabia ontem, entristeço ao perceber a pobreza da relação que temos, a falta de visão pragmática que permite melhores desenvolvimentos para as partes mutuamente envolvidas.

Há mais de dois anos que tento em nome do Canal Zero, estabelecer os parâmetros de uma relação que permitisse a solidificação do já feito e seu desenvolvimento, que fosse benéfica para ambas as partes. Escrevi diversos documentos estratégicos, apresentei diversos powerpoints, estudos, projecções financeiras e mecanismos de negócios, memos, pensei e formulei diversas propostas, cheguei mesmo a apresentar uma proposta de clausulado de contracto.

E sei também que esta informação que foi sendo produzida, bem como o aparecimento do Canal Zero, por si mesmo, foram factores que contribuíram para o desenvolvimento da vossa praxis nestes domínios.

Triste fico, quando um projecto pioneiro e inovador em termos mundiais no tempo do seu aparecer, com destaque mundial em sites do outro lado do mundo, como aconteceu no Japão, ao lado das grandes cadeias mundiais como a CNN, algumas das suas ideias norteadoras, são depois por outros concretizadas nem dois anos depois, como por exemplo o projecto da Telefónica, parceira da Portugal Telecom, que já lançou serviço semelhante na zona de Catalunha a titulo experimental.

E mais triste fico quando vejo desperdiçar receitas, no meu País que tanta falta tem delas, onde empresas de grande porte, como a Portugal Telecom, são actores fundamentais pelo seu peso relativo na nossa economia, tanto para o bem como para o menos bem.

Atendendo ao que lhe disse no encontro,

Que a Latina Europa é co-proprietária conjuntamente com a Empresa Senso Comum, da Aplicação e da Gestão dos Conteúdos que lhe estão associados, não continuará a existir como empresa, visto que ser esta a minha vontade, na qualidade de sócio gerente da primeira.

Que o Canal Zero, possui uma concepção, filosofia e intenção diferenciada do SapoXL, mais aberta, vocacionada para conteúdos outros, que os vossos, que aposta na área da divulgação mundial da cultura e criação nacional e que tal, poderá ser equacionado e sustentado também, como sempre o afirmamos, numa perspectiva de criação de receitas e lucro, se bem que esta exploração comercial, só tenha sentido se integrada na existente pelo vosso lado.

Pois convêm recordar o Canal Zero, pugna por automatismos e não visa a criação de estruturas pesadas para a sua execução, pois este é um dos aspectos e eventual vantagem, caso disso se saiba extrair vantagem, da natureza destes novos negócios.

O Canal Zero, viu reconhecido a sua qualidade e inovação pois foi premiado com um financiamento via candidatura ao POSI, numa perspectiva complementar, a 50% do respectivo financiamento das empresas proponentes, que se encontram uma em fecho, e ambas sem possibilidade financeira de acompanhar a parada, pois suas capacidades de investimento se esgotaram na prossecução do Canal Zero até ao momento.

O que eu proponho a Portugal Telecom é basicamente o seguinte. Se tem sido tão frutífera a relação indirecta, poderia assumir a Portugal Telecom a administração e continuidade executiva do Canal Zero, entendendo-o na sua natureza mais vasta, como instrumento outro, complementar, não concorrente, e não contraditório, aos que já tem.

Eu por mim, como já o afirmei repetidamente, continuo interessado em pensar e criar as condições para a concretização do pensado, minhas ideias não se esgotam no domínio exclusivo do Canal Zero, como diversas vezes já o especifiquei, e esta poderia ser a linha da continuidade da minha colaboração.

Especificamente nas áreas de criação, direcção de concepção e desenho do projecto, planificação, agenciamento e produção e controlo de conteúdos.

Eu estou plenamente convencido que muito poderiam continuar a ganhar com semelhante modelo, pois estou por perfil, experiência profissional e saber, num local único para poder fazer as necessárias sínteses entre conteúdos, formas de os comunicar e TI.

Devolviam a capacidade financeira as empresas que suportaram os custos do projecto comparticipando em metade do investido. 75.000 euros.

Seria também uma demonstração cabal, do que a meu ver, é a correcta atitude das grandes e motoras empresas, positivamente valorizada por todos, pela sociedade, porque potencia, ajuda a concretização de ideias inovadoras que as pequenas e inovadores pequenas empresas lhe apresentam, ou o outro caminho da asfixia, do de diferente escala, da diferente ideia, pelo desejo único do elefante em maior elefante se tornar, sem deixar espaço ou possibilidade ao alheio.

Pois é um facto, que um dos problemas estruturais no desenvolvimento destes novos negócios é ainda uma definição pouco clara sobre a cadeia de valor, nomeadamente aquela que advêm da relação do tempo da duração do tráfego, nas redes internas, versus as externas. Velha questão que a parceria, com seus diversos interlocutores, veio falando e ao longo do tempo. Por outras palavras e em termos deste caso, boi que tem ido à frente puxando carroça, não viu de alguma forma, em pasto, seu esforço reconhecido.

É certo que agora, que o futuro anunciado e de alguma forma protagonizado pelo Canal Zero se tornou presente, as condições ambientais também se alteraram, progrediram e estamos no momento, em que algumas das ideias de negócio de inovação, como a inserção de spots publicitários (televisivos), são ou serão a curto prazo sustentáveis e a Portugal Telecom certamente encontrará os caminhos para tal, o fazer.

Os recentes desenvolvimentos de certificação e de confiança publicitária, por assim escrever, a isso tem ajudado.

Tem a Portugal Telecom, de certa forma a espada de Damocles na mão, sendo o pescoço, aqui, salvo o seja, o do Canal Zero, pois cabe também à Portugal Telecom, o reconhecimento ou não, daquilo que o Canal fez, da validade da sua contribuição, e da sua justa ou injusta retribuição e do interesse na continuação das sinergias.

Muito de acordo com os sinais do tempo e as conversas sobre concentração e suas repercussões no real, na iniciativa dos outros agentes produtivos, da sua capacidade ou não de singrar, do papel dos grandes face aos pequenos, se há uma pratica de entreajuda nacional ou não.

Uma proposta.

Exploração comercial do Canal Zero, feita por vós de acordo com a natureza do Canal Zero e seus planos e objectivos comerciais.

Dotariam o Canal Zero dos restantes 50% do investimento complementar ao fundo aprovado (50.000 euros) e passando a ser vossa a responsabilidade administrativa, para um ano de actividade nas condições genéricas anteriormente propostas, ou outras que se venham a acordar.

Por motivo de encerramento da empresa, e de forma a salvaguardar um património único no domínio do audiovisual, proponho a aquisição do arquivo, suportes e direitos a ser disponibilizado via o Canal Zero.

Esse arquivo é constituído por obras completas, algumas nunca exibidas em televisão, uma biblioteca de clips nacionais e estrangeiros, material em bruto nunca visto, nas áreas da criação cultural. Este arquivo deveria ser integrado no Canal Zero, também numa perspectiva que contemplasse e garantisse futuros negócios vod e pay perview.

Bem sei que aqui haverá por assim dizer um pequeno cisma entre nós pelo que me foi dado a ver, pois não entendeis que estes conteúdos correspondam aos que consideram nucleares e estruturantes e onde consequentemente apostam, mas por isso mesmo, não serão concorrentes, não se farão mutuamente dano, serão mais complementares e permitirão ampliar e diversificar a oferta, pois sabemos que a reprodução de conteúdos equivalentes em multiplataforma é solução que puxa a carroça por pouco tempo.

E de qualquer forma, tudo o que se fizer nas TI, estará cada vez mais dependente do que se fizer e da forma que se fizer ao nível dos conteúdos.

E de qualquer forma uma parceria com alguém criativo e visionário como eu, se bem definida e com sabedoria orientada poderá ser muito profícua em termos de novos produtos e negócios, pois as ideias vão geralmente à frente e são elas que desenham e criam as possibilidades dos novos negócios.

O Canal Zero é um projecto de comunicação horizontal entre Portugal, através e explorando o potencial de banda larga, e deste para o Mundo e sendo que comunicação engloba tudo, cultura, informação e negócios.

Uma ferramenta da língua, da criação e do conhecimento português, uma ferramenta de comunicação e um conjunto de produtos e serviços em cascata a derivar, se tal for a vontade e a habilidade.

Um parceiro inteligente verá no Canal Zero, um laboratório do qual se alimenta, e um Protagonismo de serviço público a Portugal através da Difusão Mundial da Sua Identidade, da sua criação, da cultura e do conhecimento e com este poderá contribuir para a criação de redes cujos níveis de cruzamento e efeitos transcendem em muito o seu sentido inicial, pois é um facto que a Portugal Telecom se encontra em 22 países.

Um parceiro inteligente verá também no Canal Zero, um negócio.

Uma PT inteligente sabe da equação cada vez mais pertinente, que regula a aferição da oferta, e dos compromissos e agires que empresas desta natureza e dimensão tem e serão cada vez mais chamadas a protagonizar e que seu sucesso dependerá da forma como o desempenharem.

Vai longa a missiva, e não quero abusar mais da sua paciência e assim sendo, a termino, pedindo então que se aconselhe com quem de direito para me puder comunicar a aceitação desta, ou uma outra que queiram entender formular, ou ainda um adeus, passe bem.

Esteja e sinta-se perfeitamente à vontade em qualquer das hipóteses, que escolham a melhor, aqui fica meu desejo, e terminava pedindo-lhe o favor de ser breve na sua resposta, pois como sabe tenho ainda um conjunto de outras questões e parceiros que aguardam respostas em função desta nossa definição.

Mais uma vez agradeço à Portugal Telecom e a todos aqueles com quem contactei directamente até ao momento, todo o apoio dado ao Canal Zero, Agradeço em nome de Todos a oportunidade que ajudaram a criar para divulgar a música nacional nestas novas tecnologias, aqui e além-mar.

Na expectativa da V. resposta
Com os meus cumprimentos


Paulo Forte
Autor e em Nome do Canal Zero


sábado, dezembro 11, 2004

Disse hoje a UNICEF que morre uma criança a cada três segundos e nós aqui emaranhados nas nossas crisinhas politicas, reles impermanências de soluções adiadas, que não compõem os dias, muda-se mais uma vez sem nada mudar. Sim que Portugal tudo possa resolver, pois seu espírito tudo resolve, mas podia-se começar por resolver o problema aqui na nossa terra, nas nossas margens e fronteiras daquilo que não as têm, e depois quem sabe se espalhasse em todo o redor. Mas é a fasquia alta de mais para a nossa politica de vistas curtas, pois, que não assenta no campo sem fim do coração, e assim nos resignamos, lá vamos nós andando como escravos na vida, cabeça no chão, deixando de olhar e sentir os horizontes abertos do amor, assim me dizes tu e o repetes na boca dos que encontro e disso me falam, chegam e dizem-me, vendi-me, sou como uma puta, de luxo, bem sei, mas assim me sinto, e eu que não, não o és e se o fosses que seja por opção de desejo, não curvatura de uma qualquer impotência, pois cada um pode ser o que é, menos talvez aqueles que não o podem, pois não tem o tempo para tal, não tem que comer, ou não tem medicamentos para combater a sida, ou não tem condições mínimas para viver e assim se vão, e todo este povo dá e torna a dar como sempre, corações grandes, que mais dão, mesmo quando os bolsos se esmifram e as moedas são poucas. Damos, dás, dou, mas não chega ao que parece para resolver o irresolvido e assim me absolvo, numa falsa paz de meu próprio espírito e amanhã e outro dia igual e daqui a um tempo qualquer, serão quatro que se vão antes de seu tempo em cada segundo, tempo inferior a uma batida de meu coração, tempo menor do que eu a respirar, se as coisas no entretanto, não mudar.E enquanto escrevi estas palavras, a atender à média da constatação da Unicef, se foram lá ao longe, num aparente longe de meu coração, fora da distância de meu olhos mais umas setenta crianças. Conto o tempo da minha escrita assim, na medida dos homens, à medida mal medida de nós, um mesmo, a vida, e tu vens vindo ao fundo, dizer-me mais uma vez, pela ultima vez, sempre foi assim, sempre será, devias pensar em ti e não nos outros e eu, eu, e eu, que te escuto faço orelhas moucas às tuas palavras que conheço e sempre me chegaram desde que me lembro dos meus passos aqui na terra, e penso em momentos negros da hesitação, será que tens razão, será que sempre terá que ser assim e de repente, uma palavra imensa rola e se agita dentro de mim, como uma onda grande a crescer que grita por fim, NÃO, um grito de um pássaro selvagem imenso que se estende na abobada do Mundo e grito e choro por todas as Flores ceifadas por todos nós antes do seu próprio tempo, ou acharás porventura, que por não lá estares naquele ao fundo perto, nada tens a ver com isto.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Naquele ponto ao fundo
Onde o Arco-Íris se deita na terra
Um pote de moedas doiradas
Eram teus olhos arco-íris
Íris em Arco dos teus Olhos
Teus Olhos o Arco
Íris Arco a Olhar
Um desejo imenso
Um Enorme Barco a passar
Do tempo e do tamanho do nosso universo
Que se apresentava sem fim

Refractava-te entre todas as cores
Era límpida a manhã de silêncios puros cantantes
Não tinham ainda nascido as sombras nem as ervas
Era tudo caule em Flor
Tudo à volta era um imenso Jardim
E nós dentro deles como pássaros
Chilreando seus brincares e volteios
Nada era cego ao olhar
Nada cegava nada
Tudo via como sempre vê

Oh, encontro dos quatro olhos
Que se olharam e se viram
Em toda a eternidade
Como mesmo eterno par
Par eterno na liberdade do amor
Companhia eterna do complemento
Da união quente aconchegada
Como dedos unidos de uma mesma mão
Num mesmo coração que habitava
Dois pedaços de corpos
Num mesmo corpo
Dois pedaços de espírito
Num mesmo espírito
Dois pedaços de alma
Numa mesma alma

Cada um esperara o outro pela eternidade
E a recompensa da flor à mão
Fé nunca perdida
Amor Achado
Beijos Selados
Agua
Sol
Terra
Sal
Lua
Mar





As moedas velhas decidiram substituir as velhas e contudo ainda não tinham acordado dentro de si o reconhecimento que as fazia afirmarem-se como novas, pois se novas se consideravam, teriam que ser distintas daquelas a que chamavam velhas e contudo ambas, eram moedas no tempo de seus existires, aquele preciso tempo que ninguém por um outro decide ou deve decidir, pois o tempo das moedas, é o do mealheiro.

E se umas se consideravam novas e outras se calhar velhas, não por que as primeiras assim as tivessem chamado, mas por elas mesmas, em seus verdetes próprios exalados, assim se tornaram.

As moedas todas
São azuis
E reflectem os sóis.

…..


Teoria económica

Eu sou a moeda boa
Tu és a moeda má
Ou mesmo
Seu contrário
Eu soua moeda mau
Tu és a moeda boa
As boas
Substituem
As más
Tão simples
A ilusão da realidade
Seria assim tão simples
Meu Amor,
Minha Metade Moeda
Esta dicotomia
Como uma fractura
Impossível de nós mesmos

…..


Ergue-te antigo timoneiro
Que a barca assim o urge
De novo ao leme
Os arrais

Recorda-te Timoneiro
Que Vontade não é exagero
Nem firmeza Autismo
Ao não ver o que se passa

Não te descaia o Pé
Pela mesma agua de outrora


Vento Novo
Novas Velas
Velhas Rotas
Novo Destino

…..


Imaginação ao governo
Novas cartas do marear
Claras e concisas em
Seu saber e ser
Prioridades das acções
E dias de fazer

Chegando a onde
Como chegando
Com quem ir
Como ir
Qual a hora
Do chegar


…..

O tom profético dos últimos dias tornara-se demasiado elevado. Era como se tudo aquilo de repente, se desligasse do real rente das coisas, algo que se tentava soltar, algo que se pretendia elevar, mas sem suporte para tal, sem mola interna e assim ficara, como meio pulo no ar, num ponto onde nem é terra nem é céu. Uma construção imagética que se descolava das unhas como verniz.


…..

Mas meus Irmãos, observai ao longe para ver bem ao perto, pois quando se vê muito ao perto não se vê, tal é a proximidade do nariz, que pelo seu cheiro, ou mesmo paladar, se esquece nas vezes do ver o que se apresenta, como tal se apresenta, a coisa em si, não fruto do meu olhar ou mesmo da minha cegueira, aquela que às vezes me faz virar os olhos ao ver, como a tentar fazer de conta, que aquilo que se manifesta no cruzar dos passos, não existisse. Cego a ver, cego como um cavaleiro cego que serpenteia entre todos e todas as ideias do que ele próprio serpenteia.

Que imagem temos e valorizamos do outro. Um politico, não se pode divertir, não pode ter na cabeça, um belo chapéu de capitão do mar em sua cabeça, não pode ir a discotecas e beber uns copos, apaixonar-se por uma mulher, sendo casado, ou ter duas ou mais mulheres, uma a oficial que se veste de pijama anódino sem consequências mínimas eróticas, que lhe entretêm a vida, e a outra em cinto de ligas de desejos ardentes, que lhe agradará sempre porque não o tem, ou mesmo se calhar, ainda fazer outras coisas, que nos parecem mais feias, mais ilegais, de consequências mais estranhas.

Relações de posse, daquilo que não tem posse, daquilo que não tem posse, pois nenhum Ser é dono de Outro, e todos se recordarão do quanto já é difícil ser-mos donos de nós mesmos. Relações de posse que geram nas mais das vezes a hipocrisia, a mentira, a velação do véu sobre as coisas, a verdade do viver, a vida que é verdade, embora as vezes se pareça vivê-la como permanente mentira, onde tudo escurece, ou tende a escurecer, e assim se queixam de perder o sentido do rumo da vida, a alegria do viver.

Para quê tudo isto, para quê estas enorme confusão tornando a vida simples e feliz em coisa complicada e infeliz, nas vezes.

Pois tudo isto é estranho, e estranho, é só o que não percebo, e se um homem é homem, ele que faça o que quiser e daí extrairá as suas consequências, pois as consequências como os homens, são sempre distintas. Sim não esquecer ao exaltar a liberdade do ser, de exaltar também os seus limites, na sã convivência com os outros seres, todos os seres, não como aqueles dois irmãos que enforcaram um cão numa árvore, porque seria um cão, mas se tivessem a oportunidade de ser um homem, e de tal acto, poder passar secreto aos olhos dos outros homens, ou impune, no sentido de para eles não ter consequências por acção de outros homens, se calhar ao homem faziam o mesmo. Mas não terá tal acto consequência na consciência daqueles homens que o praticaram, para além daquelas que teve para o cão?

E somos levados a exaltar a liberdade com o seu limite, pois da liberdade temos conceito errado, pois dois homens são sempre dois homens, iguais e diferentes, o que afirma por sua natureza intrínseca, que cada um tem a sua própria rota, e que as rotas, por natureza não chocam, pois são inteligentes para o fazer e o espaço sideral do ser é imenso e infinito, o que prova no limite que eu próprio ponho no ilimitado, coisa impossível de fazer, que os caminhos são infinitos, e o espaço também o é, e que portanto a liberdade de um Homem por Sua Natureza, Têm e Terá Sempre, Todo o Espaço que Quiser e Alcançar.

Coisa simples, aparentemente tão difícil de perceber, de encaixar?

Que cada um seja e vá onde quiser e na companhia de quem quiser, que as companhias lhe sejam de Amor, e nos Braços do Amor Vá.


Moedas não são homens e homens não são moedas, e uma teoria sobre uma parte do homem não o pode representar devidamente inteiro.

Mais do mesmo, ou mais uma oportunidade, que está sempre em cima da mesa a cada momento do existir, que é encontrar e concretizar uma outra forma de fazer as coisas.
Hoje, creio um Avó que em Avó se tornou, faz anos, e aqui lhe deixo os meus parabéns e meus votos de vida feliz e longa de acordo com sua vontade.

Os avós, são homens que antes eram pais mais novos, como nós, sabendo menos da vida do que hoje sabem. Crescem para a compreensão, para a tolerância, e até se tornam amigos da poesia e por vezes mesmo, se tornam eles próprios poetas. E os poetas são seres aparentemente frágeis, pois curvam-se com o vento que passa pelas flores e os distraídos não vem neles a firmeza vertical, com que confundem a força, pois força, molda, curva-se no baile eterno do ser e dança em suaves e belas vénias de Amor e ao curvar-se não se torna de alguma forma mais pequeno do que é. A idade confere aos homens uma abertura e percepção da enorme fragilidade que a vida também é, que transporta por natureza em si.

Os avós passam a vida inteira desde pequenos em clubes. No outro dia, perguntavam a uns avós de clubes diferentes mais reunidos pela poesia, onde estavam os maus políticos.

Já a pergunta tem uma certa bizarria, pois pressupõem que há uns bons e outros maus e pergunta bizarra geralmente obtêm resposta bizarra, um dizia, mais à direita, o outro dizia mais à esquerda e assim vai a realidade, na dictomia do mais do mesmo, se fala e se equaciona uma ideia e uma apreciação de justiça.

Oh Meus Avós Sábios, dêem todas as mãos, ou ainda não perceberam que não há inimigos, mas só homens, ponham em acção o que sentem, reúnam os homens pelo seu valor e competência, não pelas cores politicas a que pertencem, ousem o novo, pois sabem todos que o velho deixou de funcionar

Só vos peço isto Avozinhos, pois vós vivem nesse reino, não eu, não conseguirão entre todos os necessários, estabelecer um novo acordo, mas novo mesmo.

Ou irão continuar a insistir na fórmula caduca e usada, com a mesma consequência de sempre, vai funcionar pouco tempo e mal, ou ainda não perceberam um padrão distinto que se afirma e já se afirmou na discrepância real com os acordos do tempo e da gestão politica dos homens, ou será que ainda vamos todos tropeçar mais umas vinte vezes, se ainda cá estivermos, para depois começar-mos a dizer-nos, ah, estava ali uma pedra.


Do largo, saia o homem encarregue de produzir o novo plano do novo futuro governo, caso assim venha acontecer. Imagem reveladora de como se fazem as coisas, primeiro a crise e depois os planos, primeiro a tempestade e depois as velas, de um mesmo que parece sempre. Belas palavras alinhavadas à consciência dos homens, do pensar e do pensamento inteligente, convincentes palavras, que tranquilizam os corações dos homens e sossegam as consciências, será?

E depois as moedas amarelas diferentes das azuis, no mesmo único cardápio das cores, as listas a fazer, a correr fazer as listas, as estratégias de comunicação, para ganhar as eleições

E porque se foi embora o homem, a metáfora certa no local errado?
Ou a metáfora errada no local certo, pois certo são sempre os locais onde as coisas acontecem e que mal tem a metáfora?

Como alguém disse e bem, se o bebe vai para a incubadora, é porque nasceu com problemas, mas problemas de nascimento sempre existiram e não é caso que não se Ajudem a sobreviver e a viver. Viva o Génio dos Homens que a Criaram, de todos aqueles que contribuem para que a vida se torne melhor e mais fácil e se salvem as Vidas e o Viver.

Donde metade da metáfora é pelo menos certa, vejamos então a sua segunda parte.

A metáfora é dura para quem se põem no local do médico ou de inventor, ou de intérprete da incubadora, mas as metáforas por si, não são duras nem moles, pois nunca apertei a mão a uma.

E ela é dura, para quem se sentiu alvo dela, se esse, a julgar como dura.
E a metáfora diz a quem ajuda, que a queixa é maior do que o valor que atribui à ajuda.
E o que faz, o que ajuda?
Ajuda mais e melhor ou sente-se ofendido com a queixa e usa-a como pretexto para cortar a máquina.

E nada disto, é só assim, pois muito tempo, muito fazer, bom e mal fazer foi feito durante o tempo em que incubadora esteve ligada, a coisa não se resume a esta metáfora.

Agora homens façam planos, seguros, certos e certeiros, vão desenhar rotas para me convencer, diz o povo inteiro, ponham cada uma numa pequena folha de acção, sintetizem em poucas linhas, diagnóstico, rotas proposta e seus porquês, objectivos, calendarização, fina, com dias e consequências de incumprimento, e apresentem os homens para honrar e levar a bom porto tal desafio.

Podiam começar por um quarto de a4 e dizer como se propõem resolver a fome no país, digamos assim, no espaço de três meses, com uma solução sustentada, que permitisse que amanhã não nos levantássemos com esta consciência dos nossos irmãos que aqui connosco e nós com eles vivem, continuam com fome, e não esquecendo, que três mais cinco meses de interregno, mais uns para reestruturar os aparelhos outra vez, já lá irá um ano, talvez tenham então diminuído os que tem fome, pois terão ficado com mais no entretanto.

Talvez se ninguém gastar dinheiro em campanhas e o usar em vez para resolver o problema.

Alguém me explica, como é que pode acontecer no meu país, seres como eu, com fome e nada se faz para resolver esta situação definitivamente?

Alguém me explica, como é que pode acontecer no meu país, um sistema, instituições de governação, um regime, que não resolve esta básica questão e que continua por aí, na aparência dos dias, a governar como se nada se passasse?

E muito se queixam zangados os que queriam aumentos de 4%

Concerteza que este regime e governo, estas estruturas de fazer politica, existirão numa outra realidade, que não é a Real, pois se o fosse, não existiriam estas coisas, e então será bom pensar onde verdadeiramente a politica actua e se faz.

O Inferno não é para depois da vida dos corpos, o inferno está aqui entre os homens e por eles criado

Unam-se os Avós, Os Pais, Os Filhos, e Espírito Santo, pois todos, os somos


No céu entre o rio Tejo e o céu, apareceram as duas cruzes do Império
Dois XX lado a lado se desenharam no poente na direcção do mar.
Dupla Cruz do Império, A nossa Cruz, para nós connosco mesmo que nos crucificamos e a Cruz que pomos nos outros, quando os crucificamos, crucifixação que se repete e repete entre os homens, pois é uma mesma imagem da Primeira

Saltai da Cruz, crianças cordeirinhos, pois já Um o Fez por Todos e para que o Eterno Se Tornasse o Sempre, pois ao Saltar, deixa de Haver Cruz Interna ou Externa e se o Exemplo É Eterno, Ele é Só Exemplo do Eterno, Não A Face do Eterno.


Sermão de António Vieira na Igreja de São Roque Em Lisboa sobre a Paixão do Cristo.
segundo nos conta António Sá em seu livro do qual eu tomei a liberdade de transcrever este extracto.

Hoje, não vos chamo a um sermão, convoco-os a um capítulo. E, no capítulo a que aqui vos convoco, se há-de tirara conselho, ou concluir juízo, sobre se a morte de Cristo não é a mesma ainda que se tem sabido neste desgraçado reino, onde por falta de virtude quem porventura a tenha a mais, ou decerto a não tem a menos, do que os juizes da santidade alheia que tão mal cuidam da sua.

Não temam esses nem o pregador nem Deus em nome de Quem fala. Quem háo-de, pois, temer se fora de Deus não há justiça, que toda a justiça que haja fora Dele é arremedo ou ruim imitação dela, mas não é justiça verdadeira? Que se Temam a si mesmos, pois são morada do mal, e por se condenam pelo peso de tantas condenações injustas e, mais aindam, pela vontade de as fazer e pelo empenho que nisso tem posto.

a maior parte da assistência não movia um só músculo, não fazia um único ruído, não deixando perceber qualquer condenação ou assentimento às palavras que ouvia. Estava claramente entendido que era a inquisição o alvo dos dados penetrantes de Vieira, mas o temor desses cães raivosos que o Papa amordaçara, sabia-se lá por quanto tempo, não permitia a ninguém o atrevimento de mostrar acordo.

os inquisidores presentes, e o mais do Santo Oficio, pareciam vigiá-los a todos com um não disfarçado incómodo de se ouvirem acusados publicamente. O Povo era-lhes submisso, rejubilava nos auto de fé, não condenava nunca a inquisição e até lhe louvava o zelo protector da Fé, mas n~so se sabia quanto de verdadeiro ou falso haveria nisso, pois que o medo de uma acusação e julgamento por odfensas ao Santo Oficio seria decerto maior do que a vontade de falar contra os seus crimes.

António Vieira calara-se por breves instantes.

Que tendes ouvido do modo como foi o Cristo Senhor, nosso julgado e condenado? Quem O acusou? Quem testemunhou contra Ele? Quem Ditou a Sentença? Quem O Fez sofrer o suplício e a morte?

Vieira descreveu longamente os passos de Cristo desde o Jardim das Oliveiras até ser levado à presença de Pilatos. Depois, como se o assunto fosse ainda o mesmo e a personagem principal não tivesse mudado, continuou a pregação.

"Novissimi venerant duo falsi testes"

E finalmente vieram duas testemunhas falsas. E já está o justo, em quem não havia culpa nem traição conhecidas, pronto a ser-lhe feito o processo por que há-de ser condenado. Vede que iniquidade, cristãos! Duo falsi testes. Foi entendido que um homem só não basta para testemunhar, que se requerem ao menos dois para ser aceite como verdadeiro aquilo que testemunham. Desgraçadamente, porém, é mais fácil encontrar dois homens dispostos a mentir postos de acordo, do que um somente a dizer a verdade que não convém. E, poque são duas as testemunhas, ainda que, meus irmãos, duo falsi testes, aí vai o justo levado ao tormento, sem conhecer quem o acusa e sem saber de que o acusam. Rebentam-lhe os ossos na polé ou esmagam-lhos no potro, e o triste não percebe, e o desgraçado não entende com que mentiras o acusam ou que mentiras há-de inventar, nem que arrependimentos fingir que o libertem de ser atormentado, condenado e levado à fogueira.

Havia uma rigidez de cadáveres nos assistentes, escondendo uns o temor, outros a ira.

Quem condenou Cristo?...Os sacerdotes, que eram a religião desse tempo. Quem O setenciou?....Pilatos, que representava o imperador de Roma. Como se despediu Cristo dos Seus amigos? Ceando com eles. E Como se despedem os inquisidores das suas vítimas?... Com grandes banquetes em que nem a pena pelo mal que fizera nem o temor da pena que háo-de sofrer eternamente lhes diminuem a vontade de comer. Cristo ceou com um Judas, e todos estes são Judas à volta da mesma mesa.


Os da inquisição mostravam, claramente agora, a inquietação que lhes causava o pregador, e murmuravam ameaças. Vieira percebeu-o, mas prosseguiu o sermão, indiferente a eles, embora os olhasses de vez em quando.

Temos, pois, que foram sacerdotes os que condenaram Cristo, e sacerdotes são os que condenam os infelizes de que vos tenho vindo a falar. E foi o poder do imperador, que é sememlhante ao poder real, que O setenciou, sendo que quem cumpre a sentençanos ditos infelizes são os representantes de El-Rei. Vedes diferença nisto, irmãos?....Eu não a encontro, por mais que a busque. Condenaram os Judeus, mas não mataram; mataram os romanos, mas não condenaram. Mas será porventura que quem condena não mata e que quem mata não condena? Ou não virá tudo ao mesmo, que é serem uns e outros cúmplices na condenação e na morte de Cristo. Aos sacerdotes do Templo importava calar Cristo, cujas verdades temiam; a Pilatos, convinha evitar levantamentos contra Roma, que era o crime de que perante ele vinha acusado. Mas nem os secerdotes O mataram, ainda que muito o quisessem, nem Pilatos o condenou, ainda que preferisse mandá-lo ao suplício para eviataro risco de deixar em liberdade um revoltoso que pusesse em perigo o poder de Roma e, mais que o de Roma, o dele.

Tenta Pilatos fingir que tem piedade do Galileu, dando em troco de Cristo Barrabás, tenta o inquisidor fingir que espera piedade para aquele que já está condenado, pedindo que seja tratado com misericórdia. Mas já sabia Pilatos o destino que haveria de ter Cristo, e já sabe o inquisidor o fim que há-de ter o seu réu. E é neste passo que são outra vez iguais Cristo e o relaxado pela inquisição ao braço secular; e é neste passo, irmãos, que outra vez é o mesmo pregar de Nosso Senhor e uma condenação do Santo Ofício.

Bem podeis dizer-me que os diminutos agora são eles, os que tão longamente têm servido o mal em nome do mesmo Bem, que é Jesus Cristo. Bem podeis cuidar que lhes não restam forças de mando que muito vos assustem, porque foi clemente para os portugueses o papa que de Clemente tomou nome, proibindo os auto de fé em que tudo se fazia menos defender por eles a verdadeira Fé. Porém eu vos previno,irmãos. Pode acabar a inquisição, mas nunca se hão-de acabar os inquisidores. Pois que sen é uma e a mesma morte a de Cristo e a dos acusados
que eles tanto mataram, uma é, e a mesma, a inquisição que houve e as outras que hão-de vir.

Porque o mal acampou nos corações de muitos homens, e, sentindo-se bem nesse arraial, nesses corações e nesses homens, não os deixa facilmente ou não há-de largá-los nunca. Sempre vos hão-de pedir contas de coisas que não devem, sempre vos hão-de julgar pelos crimes que não cometestes, sempre vos hão-de condenar pela diferença que fazeis deles e não por mais razões que essa. Haveis de ir às prisões, aos tormentos e à morte: por não jejuar em dias de preceito ou por jejeuar em outros que são de festa. Haveis de ir às prisões, aos tormentos e à morte: porque sois negros entre brencos ou brancos entre negros. Haveis de ir às prisões, aos tormentos e à morte: por dizer sim e por dizer não. E, se isto não vos acontecer a vós, há-de acontecer aos vossos filhos, ou aos filhos dos filhos de vossos filhos.

Hão- de mudar-se estes inquisidores e esta inquisição. Hão- de mofar de nós os homens do futuro, tendo-nos por néscios, brutos e insensíveis. Hão- de dizer que fomos como cordeiros ao matadouro, sem culpa alguma, mas eles mesmos hão-de degolar rebanhos.Cristo há-de voltar a morrer mil vezes , muitas vezes mil vezes, em nome do bem do Templo oude Roma, mas nem o Templo nem Roma hão-de ter nunca o direito de matar , porque um só é o Senhor da vida. Hão-de mudar os nomes dos que têm defendido as leis de Roma ou do Templo, e, se os de agora não são Nero, nem Tomás de Torquemada, nem Carlos Quinto, nem João Terceiro, ou Henrique, cardeal, são os mesmos, sendo embora outros e chamando-se com outros nomes. E os que hão-de vir, ditos os seus nomes na nossa ou noutra língua, num lado ou outro da Europa, numa margem ou noutra do mar oceano, em nada hão-de mudar a vossa condição porque será a mesma maldade que os condenará justamente depois de muito injustamente terem perseguido, condenado e matado.

Calou-se um momento. Olhou as assistentes, uma vez mais, um a um, homem a homem e mulher a mulher, como que tentando ler nos seus olhos mais que o espanto, mais que o temor que escondia a satisfação percebida na maior parte deles, e o ódio que via noutros. E, dando um brado não muito forte, anunciou: "Ecce Homo!"


Preparou-se a assistência para as manifestações do costume. Já as mulheres se aprontavem para arrepalar os cabelos, já os homens se despunham a bater no peito, já todos iam levar a cara ao chão, já corriam lágrimas em muitos olhos, já assomavam os gritos às gargantas, já as faces se ofericiam às próprias mãos para serem esbofeteadas.

Mas ao correr a cortina que revelaria a imagem de Cristo como quando Pilatos O apresentou à multidão, não se viu com um manto de escárnio, uma cana por ceptro nem uma coroa de espinhos. A imagem, que era de Crsito, tinha, em vez do manto, um sambenito com chamas pintadas; no lugar da coroa, o barrete vergonhoso dos condenados à fogueira; e, nas mãos, um círio aceso.

Houve um clamor de espanto na assistência, um clamor a uma só voz, mas com diferentes sentidos. Veio, do grupo dos homens da inquisição, o escãndalo e a repulsa, num grito de "herege! herege!" que alguns, mais perto deles, repetiam. António Vieira fixou-os. Os seus olhos pareciam anunciar um castigo divino, pareciam ferir-lhes a própria alma com o ferro em brasa de uma terrivel condenação. Olhou-os desafiador, seguro de si, com a certeza absoluta de que não haveria de arrepender-se por não ter dito o que convinha. Fixou-os até que se calaram. Depois, demoradamente, foi olhando os restantes, temerosos e indecisos entre olharem eles também o pregador ou aquele estranho Cristo condenado do Santo Ofício. Alguns punham os olhos no chão, incapazes de fixarem um e outro.

António Vieira deteve-se no padre Paulo, que sorriu. E, sem desviar os olhos do companheiro, movendo a cabeça e o braço esquerdo a apontar a imagem de Cristo, deu o maior brado que alguma vez se ouvira num sermão da sua boca, a que limpou depois a saliva e o sangue: " Eis o Homem!"


isto se terá passado, ouvido e visto na nossa Amada Lisboa aí por volta de 1600 a caminhar para setecentos, acresecento a laia de até já, se continuar a electrecidade.

Eu Celebro e Honro Aqui Padre António Vieira.

Bem Hajam Todos E Que Surja o Tempo do Quinto Império, sem as duas cruzes, Assim o Ordene o Pai no Seio da Mãe