terça-feira, março 16, 2004

Ontem a cidade levantou-se com o Irmão Sol, quente a nos aquecer de uma forma, que eu por mim já não me lembrava que podia existir, de tal forma fria e triste tem estado a Alma em minha companhia. Sol, de uma Luz Cruíssima, quase ofuscante, como quem nos lembra que a Primavera se sucede sempre aos Invernos se a vontade dos homens assim o determinar.

A Luz simboliza a Verdade

Obrigado Irmão Sol por me aconchegares neste dia e em todos os adiante, por começares a derreter este imenso choque emocional que paira sobre toda a terra de há uns dias para cá e que nos trás a todos de coração pesado, entristecido e preocupado.

Irmão Sol, deixa-me pedir-te que me aqueças amanhã também, porque o que hoje senti foi ainda pouco para apagar a dor que trago em meu peito e vi nos dias que passaram as caras vazias, olhos e olhares baços, as almas ausentes, os corpos como autómatos sem saber para onde ir ou de como ir, em muitos dos meus irmãos.

Fui de carro de Lisboa a Cascais e decidi ir pela marginal com os seus severos limites de velocidade, 50, 60, pois não tinha pressa e depois quando a fragilidade da vida de cada ser humano, nos cai em cima desta forma, parece que de repente a pressa se aquieta e damos valor a outras coisas como ao andar a essa velocidade poder usufruir da paisagem, participar nela pelo olhar, pelo sentir. Ah estava quente, estava um cru azul, estava o rio, estava o mar. Ah estava quente e foi assim o quanto eu me apercebi que estava com frio, parecia mesmo que o frio teimava em resistir ao Sol, assim ia e assim vim.

Olho o mar, o eterno mar, as praias da linha cheias de gente jovem a aproveitar aquele belo dia e tudo é lindo de se olhar, sereno e tranquilo, apetecível e muito.

Vi também muitas entidades policiais em diversas acções de controlo, junto ao tráfico dos Tir no rio, na estrada e na auto-estrada e senti-me de alguma forma protegido por aquela vigilância em acção que observei.

Ao voltar ao chegar no mesmo habitual sítio onde habitualmente está uma patrulha, um outro condutor na via contrária, faz-me o clássico sinal de luzes a avisar, e nós próprios, sempre os primeiros a tentar facilitar, a tentar a argúcia mal aplicada, passar ao lado a assobiar baixinho fazendo batota.

e são tempos para Todos andarmos vigilantes no plano pragmático das coisas e dos dias. E ser vigilante é de certa forma andar com a Verdade dentro de nós