terça-feira, março 30, 2004

Oh, tanta coisa dentro de mim, para a mim me dizer, que ainda não sei por onde começar, mas começarei quando o souber porque o prometido é para cumprir, só que seu tempo não é só meu.

Será sempre verdade que o prometido é para cumprir. Eu, por exemplo, quando te prometo uma coisa, obrigo-me sempre a cumpri-la?

Tens que cumprir, porque se não não haveria entendimento nem acordo, se tu mudasses a virgula, minuto a minuto que passa.

Sim, mas os minutos continuam a mudar minuto a minuto e eu com eles e assim aquilo que te prometi, pode no segundo seguinte, deixar de me fazer sentido cumprir. Quantas vezes, já mudaste de opinião sobre um assunto, uma ideia, um sentir.

Sim entendo-te, mas é sempre necessário regular o meu com o teu relógio, para que o entendimento se faça, e assim aconteça. Se tu me prometeres uma coisa e depois no dia seguinte não a quiseres cumprir, poderás sempre de novo chegar ao pé de mim e dizer-me, ontem fiz-te esta promessa, e aqui hoje estou a dizer-te que por estas razões que te apresento, quero e modifico a minha promessa. Aí dirás, ou não dirás de mim, é inconstante, o rapaz, não se pode confiar, ou então és como a própria vida, que te faz.

Poderás dizê-lo, uma ou outra coisa qualquer, e a escolha será sempre tua, mas a questão do cumprir ou não cumprir uma promessa, é sempre antes de mais connosco mesmo. Uma promessa para ser feita a Outro, terá sempre que ser feita a mim mesmo primeiro.

Oh naquela noite, numa cidade, como tantas outras, que é também a minha cidade, desciam meus passos em direcção ao largo do Poeta do Amor, quando a voz que ia à frente, me prendeu olhar.

Belo jovem de cor chocolate, cabelos em finas tranças, parecia juba de leão.
Olhas-te a frase, vermelho grafada na parede de uma casa, que é a mesma casa que habitamos e gritaste a quem te quisesse ouvir, temos que parar com ele, temos de o matar, e aquela frase foi a suficiente para eu te ouvir e apressando meu passo te alcancei.

E queres matá-lo, porquê?
Porque anda a matar gente
Ele? Propriamente não, que não empunha a arma nem aperta o botão da bomba que cai do céu, mas sim, manda fazê-lo e o resultado, assim, é o mesmo, Morte.
Mas se o matasses, não estavas a fazer o mesmo que condenas que ele faça, não te tornarias igual a ele?
…. (os quatro pontinhos do pensamento que se pensa e se vê a pensar)
Por debaixo do Poeta do Amor e Seus Amigos, disse-te, dizendo a mim mesmo, a ti e a Outro, que se o soubesse, a parava nesse preciso momento e as minhas lágrimas correram para fora dos meus olhos.
Quando as viste, reconheceste algo, reconheceste-te, e de repente aí parado me disseste eu sou o … e puxas-te do passe social com foto, aproximando-o de meus olhos para mo confirmar, eu a dizer-te não é preciso, e depois estou sem óculos, de nada serviria, acredito em ti, no que me estás a dizer, que o teu nome é o dizes, pois era o sentir o saber, não as suas palavras.
Depois disseste-me, reconhecendo-me de um qualquer outro lugar, tu és o ….
E eu que sim, aperta-mos a mãos, apresentaste-me quem contigo caminhava e juntos descemos até ao rio.
Contava ela, como tinha sido inútil o apelo do nosso presidente, num caso de uma jovem portuguesa que foi presa e executada num outro país distante, onde as leis assim ainda o são e eu que nem de tal me tinha apercebido…

Esta promessa, Que Te Fiz, se a Quiseres Considerar, Eu não a quebrarei, pois sou eu que meço e julgo e vivo as consequências das minhas próprias promessas, o seu não cumprir ou o Cumprir.

Imagina agora que a promessa é dupla, fruto de um acordo comum, imagina que tu rompes o teu lado, justificará isso, que eu rompa a minha também?