quinta-feira, abril 29, 2004

hoje eu vi uma grama a passar

grama de relva?

essa não
grama de peso
de pesar

tens pesares?

Ai, esses não
Que não são
do coração não

Grama da familia
dos quilos

Ah bom
e como é ela?

é uma coisa pequena
e leve
que uns vêem
e outros não

A que eu
não vi
era leve
frágil e forte

Alguém que
com outro
Alguém
se cruzou
um breve
e sarcoteante
piparote lhe deu

Assim a senti
no espaço
seu passar
e o que ia
triste
e a recebeu
em contente
se tornou

uma só grama
de pensar
de sentir

de quê?

Uns chamam-lhe
gentileza
outros carinhos
outro atenção
uma outra
vontade

Espantoso mesmo
sabes o que foi?

Muitas gramas
trazia o triste
em seu passar

uma só grama
dada e entregue
e leve se tornou






também se mexeu o anúncio ao que se tinha mexido, pequenos pormenores, hihihi, que a vida nunca está quieta, que bom sabê-lo
Promessa interior no café

Oh a velocidade, oh a aceleração, às vezes tão ao lado do harmonioso fluir das coisas.

Sg ligth é aquele azul que está por debaixo dos vermelhos e a doce, calma Senhora em seu lento ser, a tirá-lo em acto de equilibrismo profundo, depois afasta o maço de seus olhos e eu a atropelar, salvo o seja, a responder-lhe o preço que ela procurava, e ela a responder-me que não, pois era ainda o antigo, para ventura minha, acrescentei.

Está frio
Pois começou ontem à noite o vento
Mas é preciso que chova pelos campos e suas colheitas
Sim, mas sem frio, que os pêssegos estão ainda pequeninos
E o frio pode destrui-los.

Pois Doce e Suave Senhora
Escuta Aquela Voz
Eu te peço, aqui, que assim seja
Que os pesseguinhos se possam todos afirmar
Com a agua e o calor que necessitem
Pois o Quanto, Sabes tu Senhora
Bem melhor do que eu

Depois ao subir a rua, como tinha sido ao descê-la as amigas pombas volteavam belos voos comigo num baile belo de ver e sentir, com as nuvens pequeninas brancas sobre o céu. Vi ainda ao subir a rua,as belas Quinas, impressas num saco na mão de uma mão

Oh que Bela Tarde de Abril
Chegaste a mim, amiga, assustada e correndo, correndo de ti para fora de ti depressa em demasiada aceleração em todas as curvas onde te metias, teus medos eram bolhas de gás que giravam à tua volta, desprendendo-se rápidas e súbitas de teu corpo e tua alma e tudo aquilo me desaquietou, me convidando ao abismo que eras, eu a tentar desfazê-las em ti e em mim, sem eu próprio, nelas me atrapalhar.


Oh quando estou perturbado
Me deixe de mansinho
Quietinho em mim
Retiro então o meu coração
E paro a escutá-lo
O que ele me diz
Daquilo que Sou

Oh quando perturbado estou
Me recolha em mim
Que minhas asas
Sempre agitam o Ar

Oh quando estou perturbado
Me aquiete a mente
E o pensar

Só olhando então
O espelho do Mar
Sinta e saiba
De novo
Meu Sentir
De novo
Amado
Amante

E contudo amiga, eras e nelas, não é bem verdade, pois nem eras tu o abismo, nem nas tuas bolhas, eu me poderia perturbar, quanto muito seria eu próprio o abismo e as bolhas e para complicar mais um bocadinho, o abismo e as bolhas, estão também fora de nós, deixa ver se eu te consigo explicar.

Sabes amiga, os medos são como elefantes nuvens negras em seu triste e a entristecer passar sob o céu da terra, formam-se a partir de todos os fiozinhos de medo que assim se juntam, assim se tornam maiores e cobrem um pouco do céu e depois há mais em meu ver, sabes,

É que nós, temos também, dentro de nós mesmos, algo desse mesmo elefante, ou por outras palavras, elefantezinhos de cores sombrias, que assumem múltiplas e únicas formas a cada um, há quem os nomeie por lagarto ou ainda outra coisa qualquer e depois amiga, se pensares que as partículas energia, são basicamente as mesmas, as de fora e as de dentro e que todas elas comunicam entre si, então, as nuvenzinhas interiores, lagartinhas ou outra coisa qualquer, interagem com os elefantes grandes e negros que passam nos céus e vice-versa por cima de todas as cabeças com que se cruzam.

Antes de mais deixa-me pedir perdão aos lagartinhos e elefantes, tão belos meus irmãos, por lhes dar seu nome a minhas figurinhas, mas o que eu pressinto é que nem um nem outro, se pode deitar fora, mas se então não nos podemos ver livre daquele que não gostamos, como fazemos e mais importante, o que temos de fazer?

O que eu acho que temos de fazer, minha amiga, é um equilíbrio dinâmico onde os dois estejam presentes, pois sou levado a crer que um não existiria sem o outro e para equilibrar, parar a contenda, e começar o baile da harmonia onde ninguém pisa os pés a outro ninguém e onde finalmente se está em Paz, é preciso antes de mais conhecer as suas naturezas, não fingir que o medo não existe, tentando varrê-lo para um qualquer exterior como se da porta da casa se tratasse.

Pede-se então ao Amor, a Coragem para lidar com seu irmão, que ele não morde, é só a sua outra face, aquela que deve andar oculta ainda que presente, pois não se pode deitar fora. Uma vai olhando a outra e conversando entre elas vão connosco

E Aqui se percebe a grande vantagem da Paz sobre os estados que provocam medo, pois se o Amor é também Coragem, sendo portanto natural que um ande de mão dada com o outro, os estados prolongados de contenda, anteriores a Harmonia são desgastantes. É mais fácil bailar do que pisar, e tem uma agravante, drenam a Alegria, que é a Vontade no seu estado e puro desejo, activo e activante, e assim tendem a tornar a vida toda mais complicada, mais difícil, mais lenta.

Oh, como vamos mais leves, como vestidos de verão esvoaçantes quando a Harmonia reside em nós, como então o Belo se revela, como em Belo nos tornamos, naqueles dias onde as sequencias dos eventos flúem na espantosa Harmonia, finos bordados e bordar, que delicadeza.

E não te esqueças amiga que os medos, tantos os de cima como os que residem em nós, provém de poucas famílias, são como uma árvore e seus ramos, facilmente se reconhecem e estão sempre prontos a fazer uma grande e desordenada festa, por isso convém usar um certo tipo de chapéu-de-chuva a separá-los, os que são nossos e os que escurecem os céus para não se contaminarem e se tornarem maiores por osmose.

Pois se a festa for grande e promíscua, ele é mesmo capaz de morder, de se tornar mordedura e o que é preciso, é ter Paz.

E Herói da Paz em Paz Te Tornarás Se Também Trouxeres a Alegria

Dorme
Meu Filho
Afago
Teu Cabelo
De Anjo

Eu Te Protejo
Esta Noite
Dos Medos
Velo pela
Tua
Segurança

Dorme Meu Filho
Em Paz
Sonhos
Alegrias
Arco Íris
Em Cor
E ainda a propósito do texto de 27 e como um Amigo a quem eu tenho respeito e crescente estima, me costuma recordar, mistério, é uma coisa que ainda não se entendeu
mais uma serie de textos que se "mexeram", alguns bem recentes e outros mais antigos, curiosa capacidade que os blogs nos dão, a possibilidade de uma permanente evolução medida nas coisas que vamos neste processo descobrindo em relação a nós próprios e aos outros, pelos outros e ainda por outras coisas.