sábado, maio 15, 2004

Porquê sempre a exclusão, o reducionismo, porque amar e dizes também odiar, como um se fundasse no outro, como se um existisse em função do outro, como se fosse frágil a fronteira, como se a fronteira os tornasse irmãos.

Não, não creio, não creio que o ódio, ou amar algo restrito, corresponda ao que a vida verdadeiramente é

Repara quando caminhas na rua, como os olhares, sendo o teu um deles, se cruzam, uns sim outros não, agora experimenta cumprimentares aqueles que se cruzam e se sustém, nem que seja por um par de segundos, verás então, surpreso, como eles falam nesses olhares, como desse olhar se faz o que quiseres, toda a potência do encontro lá habita, basta ousar, basta ouvir, basta começar a falar, pôr a pergunta que ele te suscitou que é aquilo que sentiste e pensaste, o que o cruzar dos passos alheios nos trazem. Tudo fala com tudo, tudo está ligado entre si, não sejas pequenino, sê grande e a Vida se mostrará em teus olhos e coração grande, imensamente grande e infinita e diversa como ela é.

Só me apetece escrever repetindo, a Vida é imensa e que hoje me parece estúpido, mais do que isso, sem sentido, senti-la como algo em que partes têm que se excluir

Em que acreditas tu, pára um momento, olha dentro de ti, a zanga só que serve, veneno e envenenar, dizes dar-te ao luxo de não gostar de ou de qualquer coisa, e no fundo quando assim se é, tanto faz, hoje porque teus cabelos são diferentes, amanhã porque sonhas-te o que eu não te disse, amanhã por uma unha qualquer.

Agora dizes-me que não, que as tuas razões de zanga e do zangar são sérias, que a razão e a justiça estão ou estavam do teu lado, que tens a certeza, mesmo não conseguindo estar dentro de um outro, que tens a razão, que ele foi maldoso para ti, que te magoou e aí fundas na tua dor, a tua própria zanga.

Já pensas-te que o aqui e agora é breve, tudo se vai nesta forma, não, que a vida não seja eterna, porque o é, mas quererás passar para um outro lado com as mágoas e os rancores que tu próprio adquiris-te?

Achas que eles continuarão a fazer sentidos, como uma espécie de deve e haver, depois do lado da curva que não se vê como o poeta escrevia.

E tem outra coisa mais, a zanga é sempre uma coisa interior, que transportamos nós mesmos dentro dos nossos corpos e do espírito, que embacia o que a Alma dá a Ver da própria vida, às vezes cria-nos mesmo as chamadas doenças de carácter físico.
Assim, quando nos damos ao luxo de trazer dentro de nós esse sentir, a vida cá dentro e lá fora, como que se empobrece, se torna miserável e infeliz. É assim que queres ir andando?

Agora imagina-te ao lado daquele que mais dizes odiar, no momento da morte, coisa que rapidamente me vais dizer pouco provável, mas imagina que assim é, que está ao teu lado, aquele que consideras-te o teu maior inimigo nesta vida, vão morrer os dois e calha que será lado a lado no mesmo momento, o que farás?


Os dois deitados lado a lado em camas, cada um com o seu próprio punhal do ódio pronto à agressão dentro de cada um dos seus corações, pronto a ser enterrado no outro.

Depois vem vindo todos os que vós amaram, para se despediram nesse último instante, e vós, com um olho no cigano e outro no burro, não dizem nada, não ouvem nada, do amor que vem vós visitar, sempre a olhar o outro, aquele que decidis-te tornar tu próprio o inimigo, a ver quem é que puxa o punhal primeiro, e assim, sem ouvir, sem ver, nem sentir, não ouvem, vossos amados, vossos filhos que se vem despedir, triste forma de partir, não?

A vida é retribuição, sê grande
A vida é retribuição, sê gentil
Estalo, mesmo que não seja estalo leva a estalo que é continuidade de estalo anterior
Beijo leva a beijo e ao de novo beijar
Pois se fores grande e gentil, assim a Vida é contigo
Aposta por mim, que eu só quero é a Paz e o Amor
Que quero da Vida todos os segundos que ela decide de me dar, zangas para quê, exclusão para quê, se posso tirar dela tudo o que ela tem para me oferecer, sendo mais correcto escrever tudo o que ele me Oferece, dávida dá a vida e eu que dela faço parte, o que faço? Agradeço-Lhe ficando contente e feliz

Transporta a paz interior e verás a paz, transporta a guerra e guerra estalará e nós, estamos sempre dentro dela, somos nós que a fazemos também, quando assim o queremos, ou acharás que a guerra é sempre coisa lá ao longe, interpretada por marcianos, diferentes do humano que tu próprio és?

Vai-te embora se não gostares, se a situação te incomoda, mas não faças dentro de ti um inimigo, passa ao lado, não gostas, não tens de comer, e o outro pensará o mesmo de ti, quem tem então, a razão?

Porque me penso mais seguro e certeiro do que um outro. Arrogância, só arrogância em meu pensar, que não é nem o meu, pois eu já não tenho nenhuma dentro de mim, eu já não sou mais seguro do que tu ou um outro e agradeço à Vida por assim mo ter mostrado.

O que sei eu do tamanho da taça do sofrimento do outro? E cuidado, porque às vezes podes mesmo sem intenção ser a gota que faz entornar o copo alheio da vida, pois basta quando está cheio, uma só gota mais. E mesmo quando se diz que foi sem intenção, que é outra forma de às vezes dizer, que não o sabias, que não o pressentiste, que o não viste. Então paro e penso, que intenção é superior à não intenção, que intenção é aquela que não fará nunca me tornar perante outro a gota que o faz transbordar e a resposta clara é a minha vontade de Paz no meu andar, Paz que faz parte do Amor.

Dizes que não podes fazer isto ou aquilo, porque alguém não to deixa?
É tão sempre mais fácil chutar para o alheio, um belo compromisso como o teu não ser. Intrigado, não não fiques, pois é sempre mais simples pôr a responsabilidade em mãos alheias, isto é uma injustiça, é uma injustiça como diria o eterno chorão calimero, chorando como quem chora à espera de consolo. Vítima, mas vítima de mim, que fique claro e depois quem te garante, que o consolo chegará, que o outro virá um dia pedir-te desculpa, dizer-te que te quer de novo Amar e se assim não acontece, onde está a solução, pois há uma, há sempre uma, que está dentro de ti, na alterar do teu próprio ponto de vista, que altera o teu sentir e a consciência desse mesmo sentir. Ou ficarás à espera da vontade alheia?

E até podes ter toda a razão, pois há vezes em que nos aparecem outros e suas vontades de não nos deixarem, ou melhor escrevendo, de pretenderam não nos deixarem fazer o que queremos, mas aqui o que farás? A guerra que podes perder, ou recorres à tua imaginação e a necessária inteligência, de forma a encontrar sem oposição a maneira de te cumprires.

Os limites da minha liberdade acabam onde começa a de um outro, qual, qualquer outro, aquele que no momento está ao teu lado, só isso.

Não me digas então que tens inimigos, não me venhas dizer que odeias e sobretudo não me digas que precisas do ódio para conhecer o Amor

Agora revelo-te o segredo cloreto que encerra em si a esperança

Chegar, aqui pode demorar tempo e sobretudo engenho, sendo o engenho sobretudo estar atento ao sopro do vento, não à minha pretensão de engenho, mas é possível aqui chegar, à paz interior que se faz então externa

Eu Te O Juro

E já concebi em tempos idos em meu coração, fundas inimizades, Oh pretensões avariadas de um peso que a vida não tem
Também eu que te escrevo, já me zanguei, mesmo muito, muitas vezes, e hoje, por tanto sofrer, com tanta força do meu querer, já não há esse primeiro querer

Ódio, porque sem ele não poderia existir o Amor, b, versus a, como forma de definir o a e o b, deixem-me rir, não de escárnio, mas de Amor, pois cada coisa tem o seu tamanho, o tamanho em que se torna, que ela própria se faz, que a Vida a Torna, pobre a coisa que para ser coisa tem que se comparar com coisa alheia, numa vida grande, mesmo muito grande, maior do que a minha imaginação e o meu saber, embora esta afirmação seja paradoxal, pois ela é sempre também à nossa medida, ao nosso tamanho.… E falarei eu, de pássaros?

Sente por ti
Pensa por ti
Age por ti
Não compares nem julgues o alheio
Vai-te sim averiguando a ti mesmo em teus próprios passos
Oh Marta, e não estaremos sempre a falar de Amor, mesmo quando fazemos parafusos. Olha o parafuso, lembra-te da cornucópia, do penetrar, do ligar o que está desligado, do que porquê da invenção do ferro, só para começar…

Oh Marta que o Amor em meu ver, não quer ser interferido, nem violado, nem mesmo sei se pode ser transformado a cada instante, como escreves. Talvez em meu ver te pudesse escrever que Ele interfere, e ainda bem, pois é essa a sua natureza, mas transformado, pergunto-me ou tenho que me perguntar em quê, e fico-me a pensar em que é que o Amor se poderá transformar a não ser no próprio Amor. Violado, já esta palavra não a entendo mesmo, apetece-me súbito, desfazê-la aqui nesta escrita em por exemplo, viola em lá, a nota da Harmonia Natural, mas desculpa-me ou não, tu o saberás e julgarás por ti mesma, mas estes termos, interferido, violado e transformado, parece-me ser mais o seu contrário, como que uma pretensão de Amor, que será a meu ver, sempre falsa, pois em meu sentir, não se pode pretender aquilo que É, aquilo que está simultaneamente por Fora e Dentro de Nós, antes durante e depois de mesmo nós, que aqui nesta forma, estamos e nos cruzamos.

Falas ainda, que quando pretendemos caminhar em linha recta, nos tornamos contrários ao Amor, que dessa forma o subestimamos e que Ele não pode ser subestimado. Não pode ser subestimado porque ele não se deixa por nós subestimar, ele é Grande, Infinito, muito maior do que eu, por isso concordo, só com metade. A outra, metade, desta minha divisão, não, porque, Ele é também a nossa Vontade, ou pode Ser se assim o quisermos, talvez quando isso acontece, caminhemos em linha recta de mão dada e até já houve quem me contasse que já os viram juntos a tornearem curvas.

Quando digo que é o meu coração que sente o Amor é também a minha Alma, o meu Espírito e mesmo a Grande Alma do Mundo, que a meu ver não tem assim tanto de dionisíaco como à primeira vista, ou pulsar, o posso assim o pensar e depois, marta, todas estas coisas existem porque existe o Amor e se com isto concordarás, se calhar darás conta que então estas coisas estão todas ligadas entre si, são como diferentes nomes que nomeiam uma só coisa, a Mesma Grande Coisa, o Amor.

Não me venhas dizer, mas di-lo na mesma, tu também, que não dá para falar do Amor, como tantas vezes ouço dizer, que Ele o Amor me confidenciou que gosta muito que nós dele falemos, sabes, fica feliz e contente. Falar de Amor não estraga o Amor, não lhe faz dano nenhum, Amplifica-o e então Vivê-lo…

Até já me contaram histórias em que ele por tanto ser cantado, desceu dos céus em variados corpos para melhor Amar quem Assim o cantava.

Encontrando-o como quem não o procura e continuando buscando como quem o encontrou

Não sei o que se pode pedir em troca ao Amor, pois em meu sentir, a sua natureza não calcula, não possui um deve e haver, não procura um resultado equivalente e estável, ele Dá-se de dentro e de fora, por isso nem tem dentro nem fora, está em toda a parte, é toda a parte, é um todo das partes, de todas as partes
1+1= 3


Constou-me mesmo, que ele se afasta, quando assim o abordamos, quando Lhe pedimos uma troca. Disse-me Ele um dia, porquê me queres Trocar, pelo quê, se eu sou Dar, o Dar, e eu fiquei a meditar sobre estas palavras no deserto onde outrora me encontrava.

Se amar é apenas carne, dizes e eu pergunto-me, uma flor é feita de carne, sim da carne que as flores são feitas, prima da carne das Mulheres e dos Homens, irmã da carne das Nuvens e sei lá mesmo onde acabará a semelhança, se é que acaba, pois parece-me que não acaba, não.

E contudo as carnes existem, então porque pô-las de fora, se uma das faces do Amor é o prazer, que também se obtém no encontro das carnes, como por exemplo quando se faz ou recebe uma festa, sendo contudo cada carne a fazê-lo como entender em concordância, como quem escreve mútuo entendimento num mesmo desejar, com a carne do lado, ou por cima ou por baixo, ou por onde for. Pois se assim não fosse para que existiriam os corpos, que certamente não foram feitos só para usar roupa. Não é nas carnes que reside o espírito e a alma, trono da vida e do Amor nesta forma em que aqui estamos.

E se o Amor é também Humano, porquê estranhar que ele ande associado, ao que comunicamos, ao que consumimos, é só formas de o exprimir e consta-me que ele se dá da forma que o vemos, que o queremos sem querer e quando ele está em nossos corações e passos, quando lhe abrimos o coração onde ele gosta de residir, inventa então as mais belas frases de Amor, de Alegria de contentamento a contentar, a contagiar. Às vezes vai um publicitário a passar e ao ouvir tão belas palavras, as pega para enfeitar um seu produto e contudo os contextos são diferentes, portanto não tendem à sua exclusão, nem um apaga o outro, como se as palavras da verdade do Amor pudessem alguma vez ser apagadas. Mais depressa se acabariam os Amantes e os Poetas, que fazem às vezes bela publicidade e aqui me vem à memória Fernando Pessoa, que concebeu o primeiro lema, quando aqui nestas terras lusas, aportou pela primeira vez a coca-cola.

Imagino-o sentado na brasileira, a provar a primeira, sua cara por um instante estremunhada àquele saber e depois de apreciar com atenção seu sabor, escreveu em seu caderno de apontamentos, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Certamente que estaria a falar de Amor.

Como tu, também eu não sei o que é o Amor, só sei mesmo é Amar