sexta-feira, maio 21, 2004

Sim mas para quê dar, se sabemos que das dez latas de leite em pó que chegam aquele país, só duas chegam a quem delas em verdade necessita. As outras oito, vão parar ao governo que as vende por exemplo para comprar mais armas para continuar a guerra ao seu próprio povo.

Sim, podes ter razão no que dizes, pois infelizmente muitas das vezes assim se passa, mas de qualquer forma chegaram duas, que se calhar salvam duas pessoas, naquele preciso dia de sua fome, mesmo que as oito amanhã sirvam para as matar. E então o que é melhor, salvar duas num dia, ou nenhuma em nenhum dia, porque pela razão que apresentaste te escudaste então não as dar?

E depois se esses governantes fazem isso com latas de leite, certamente farão com outras coisas, aquilo que estiver mais à mão do seu colher, não do seu semear.

E contudo é também importante verificarmos o que se passa na embalagem, se a direcção é a correcta e se os carteiros as entregaram.
certo, parece-me uma boa precaução
mas olha lá
deste 10 latas de leite em pó?
Sim
Bem na realidade deste duas
Sim
E se eu te disser que as restantes oito do mesmo lote, serviram para comprar armas, que mataram nesse mesmo dia outras duas.

a um Amigo meu, ele sabe quem...



Que fique aqui claro e expresso pois é esta a minha vontade, que se entenda que eu não entendo estes problemas como politicamente de circunstância restrita, da responsabilidade deste governo, pois à mim me parece bem melhor em termos de controlo financeiro e em outras matérias do que outros anteriores.

Mas este país em que vivo, mostrava nos rostos de jornal que a nossa Ministra das Finanças tinha-se esquecido de declarar x rendimentos. Poderiam ter posto a tónica, no facto da Senhora ter rectificado a sua declaração ao dar pelo esquecimento e lembrarem-se que assim ficamos todos mais ricos, pois o Estado dessa forma encaixou mais algum em juros de mora, mas com certeza que quem os fez, esses rostos de jornal, que é a forma de se olhar e destacar e enformar as coisas do real, nunca se esqueceu de nada, serão todos perfeitos, e nem lhes pareceu mais importante, de realçar e louvar e usar como exemplo, Alguém que corrige um seu próprio errar, pois não se diz aqui nesta terra Lusa que até ao lavar dos cestos é vindima. Bem Agiu e Bem Haja, é meu voto que Lhe Deixo.

Para mim, para além do facto de a ter conhecido num breve momento em que com ela me cruzei e que me deu dela a Imagem de uma Senhora Inteligente, Doce, Calma e de Bem, fico muito mais tranquilo só pelo simples facto de ser uma Senhora a tratar destas matérias no meu país, pois uma Mãe sabe como governar uma casa e uma família, pois a isso está desde sempre habituada, muitas das vezes, mais que muitos homens.

Mas este meu país é também o país onde em dia bem recente um outro rosto de uma visão do real, era dada num jornal. Tratava-se de uma fotografia onde a Nossa Ministra
Dos Negócios Estrangeiros, num acto de recepção e acolhimento, aparecia com uma malha de suas meias com um pequenino buraco, tão pequenino, que uma outra foto ao lado destacava através de uma ampliação, circulada, este facto. Francamente!
Que raio de pensamento por detrás de uma coisa sem nenhum significado! Tão absurdo que já nem me lembro do escabroso comentário que a acompanhava. E que importância tem isto?

Não é a Vida também, fruto da forma como a olhamos, como a vemos e a retratamos, e não é o nosso ver que condiciona o nosso caminhar?