sexta-feira, junho 11, 2004

Interlúdio

O Homem na praia pensava se passava de Infante a Rei e contudo declarara-se Rei, pois sabe já em Infante, que é Rei, que Real é sua Natureza, por isso se afirma como Rei que um dia irá Ser, Quando a Vida Assim o Ditar, e que por felizes razões de Sangue da Muito Amada Vida, ainda não o é, e percebendo todas estas coisas, entende, que se calhar se trata da passagem de Infante a Príncipe, ou talvez mais certeiro, o tempo em que o Príncipe se Revela a Si Mesmo e eventualmente a Outros.

E contudo a coisa não se lhe afigurava tão simples à luz do que até ali vivenciara.
Sempre lhe fizera sentido, uma ideia de que o próprio Homem tem dentro de si três tempos, três períodos na sua vida, à imagem da regra do tempo trinário. Uma dimensão de Filho, de Jovem Pai e por isso de novo Filho também. Um Filho que é Filho, Sem verdadeiramente o ser.

O Homem recordava que enquanto Infante não sabia quem era, que como Príncipe já Homem e Pai, o começara a perceber. Muito tempo se demora a Fazer Um Rei, Bem Aja, Vida que o Faz.

Ou seria

Em Infante sabia quem era, sem o saber, e o agora Príncipe Homem, com essa parte desconhecida a si mesmo, compreendia que precisa de ir para trás dentro de si mesmo, até àquele tempo, do Saber, que não se sabe que se tem

O Homem sabe que toda a infância é habitada por uma chave de um segredo, que encerra uma preciosa recompensa, e anda há muito em sua busca. Quer recordar esse segredo, esse mistério, e retirar para si mesmo, a recompensa que trás enterrada bem dentro de si, como em cada qual.

O Homem passa a mão repetidamente em seu cabelos, num mesmo movimento, para trás, penteia-se repetidamente para trás tentando pelos fios de cada um dos seus cabelos descer à memória de si mesmo. O Homem, aflora, aflora a flor e aflora as dores, pesa e mede e avalia suas naturezas.

Porque o Homem trás em si, coisas avariadas, como gostava de dizer na sua forma divertida de ser. Era um homem, muito brincalhão, gostava de brincar, apreciava a vida dessa maneira. E sabe também, que as dores, as coisas que agora procura dentro de si que ainda estão avariadas, é como um saco de lixo cheio que arrasta e que simultaneamente o prende em seus passos.

Sentado na praia o Homem sabe que tem de o abrir mais uma vez, pois encheu-o de novo, assim deixou acontecer, pois o saco é só seu, e sabe também que tem que fazer a separação entre as coisas, um decantar das coisas, observá-las com um prisma de novo e embora pesado como lixo, nem tudo lá dentro o é. Aí, residem as pedras preciosas, as safiras e os rubis.


Também sabe este Homem por seus estudos, que a ideia teórica de alcance de um self imutável, ou que se torna Imutável, não é por assim dizer, consensual, mas Trás em Si, em Lugar Privilegiado, Dentro de Si, a Fé de Um Sonho do Imutável, Do Que Então Se Torna Imutável, o Amor, e põe claramente dentro de Si este Acto de Fé.

No mesmo sentir, com todos os que assim o desejaram e desejam, apoiando-se nessa imensa invisível força, que é mais forte que si e seus estudos, e tem também que concluir, que se bem que saiba, que está em trânsito, o para onde, só depois de aportar, e se aportar, o saberá. O Homem, Jovem Príncipe, Jovem Pai, sabe que é isso e Filho também, que Há um Rei Vivo, Saúde Rei e Rainha, Que Longas e Belas Sejam Suas Vidas.Principe Jovem Pai se Trataria.

Subira-lhe um pirulito memória, plop, fez no instante do seu submergir. Instado a idade que trazia em seu corpo, em sua juventude muito respondera, a minha idade, oscila, entre os oito e os oitocentos anos e tem dias em que as sinto às duas dentro de mim.
Alguns de imediato o acharam louco, nesse instante, outros foram os que compreendendo se riram.

No tempo e na idade da sua quinta oitava de ser, do Ser Infinito, em seu duplo quaterno. O tempo andrógino, do Homem esférico com oito membros, outrora cortado ao meio e à procura da sua outra metade

Fim do interlúdio primeiro


Aqui se fecha este laço das coisas que foram lançadas e pescadas e se retoma a ideia da narrativa na primeira parte, onde o Homem falara o seu dizer sobre a emoção Unificadora do Amor, do fenómeno da sua propagação, a que chamava de ressonância, encaixe do ser e dos seus limites e do estado de perpétuo de movimento da Vida e do Vivido.

II

Recorda-se Infante de numa altura desejar ser adulto para ver seus problemas, seus não encaixares resolvidos, para depois pela vida perceber, que a coisa não era bem assim, que a passagem a uma maioridade definida pelas lei e costumes dos Homens, não correspondia automaticamente a alcançar um estado estático de Paz interior.

Desapareciam, no melhor dos casos, alguns velhos conhecidos conflitos, e novos sempre nasciam, esta era a natureza para si, da sua vida, no ponto onde se encontrava.

Também sabia que por vezes depois de muito acumulares, a vida como que dava um salto, muitas coisas dentro de si, se mudavam nessas alturas, uma espécie de mudança de patamar de consciência e do sentir, se assim se poderia dizer, que eram coisa bruscas, momento de ruptura, por isso se calhar deles tínhamos uma consciência, que os diferenciava, os sublinhava, construindo assim uma ideia, de movimento continuo da vida, aprendizagem do ser em contínuo, mas sujeita a umas espécies de ruptura nesse contínuo. Como se um copo se fosse enchendo de água até ao seu limite, até que uma gota de água a mais o fizesse entornar

Amor, a Paz do Amor e sua Irmã Ignorância e a Guerra. Assim o Mundo bem pronto se revelara, depois de uma breve estadia no tempo de inocência do paraíso primevo. À sua volta, no Mundo e por vezes dentro de Si. Coisas poderosas e aparentemente complexas se moviam em seu mundo, naquele onde lhe calhou o existir.

Coisas que desde cedo reparara que interagiam sempre consigo e com cada qual, ousava postular, o ciclo da Lua e dos Planetas se influencia as marés, que fazem parte de uma coisa muito maior e mais forte que ele, como não poderia de deixar de o influenciar a ele também, pois também se apercebera da tal influência nos ciclos menstruais femininos. Ele próprio sentia seu sentir, seu pensar em ciclos, que na sua expressão mais emocional, muito às Mulheres se assemelhava ,e estava mesmo convencido com seus botões, que o Homem teria também de certa forma um ciclo menstrual, mas de outra espécie, que regulava de outra maneira, mas que regulava também.

Muito Amor lhe tinha e lhe trazia a Vida sempre em seus Passos, a Ela Agradecia-lhe e Agradecia-lhe a vivência do Uno, que vivia, que lhe dava de si consciência de parte, pertença e pertencente, participante e participada do Inteligente Universo

Ansiava o Homem a sua Paz interior. Ansiava o Homem a Paz Exterior, porque ambas, fortemente suspeitava, andariam de alguma forma de mãos dadas.

O Homem entendia que a Vida era contínuo movimento, qualquer que fosse o plano em que o entendesse, desde o átomo, no movimento das partes que o faz existir, à consciência humana e divina de cada um, ao movimento das vivências, daquilo que se vive, e dos conflitos que aquilo que se vive, apresenta.

Seriam como diversos pólos que provam o Homem, põem o Homem à Prova, lhe pedem o equidistante equilibrado e equilibrante Ser, o resolver, a parar da dor, para então poder acontecer, outra forma de dizer Ser, O AmorSer, o Ser em Amor.

Sabia o Homem que os limites que conhecia do Ser, eram os limites em que o via, sendo o ver aqui entendido, como provavelmente a operação mais complexa que o Homem faz ou produz.

Uma vez olhara um osciloscópio, e vira a forma de uma onda sonora, e contudo sabia que uma onda sonora, não se via, geralmente, se estivesse em seu espectro audível, ouviria-a, ouviria um som.

E o osciloscópio, em verdade se diga, também não a via, ele é só um instrumento feito pela mão e à medida do Homem. Uma das formas que encontrámos para Analisar o Som, sabendo que um som nasce de uma oscilação, uma vibração da substância por acção de uma força, que interage com tudo à volta.

O Homem frequentemente através de instrumentos que construía tentava a compreensão de uma coisa que se encontrava dentro de si e simultaneamente fora de si, o lugar do Imaginar. E se o instrumento era uma extensão de si à procura de si, qualquer coisa mais entre si e o resto se punha, e que quanto maior fosse esse braço artificial, mais de si mesmo também se poderia vir a afastar

Pensava o Homem, as frequências não audíveis ao ouvido Humano, comportariam-se basicamente como as que eram audíveis, pois sua natureza vibratória, era uma mesma, e se então, o som penetrava e permeava o espaço e as formas, deveríamos ouvir essas mesmas frequências, se bem que não com os ouvidos, como um tipo de audição invisível que fosse invisível a certos sentidos.

E nem isso sabia, se, se tratava de invisibilidade aos sentidos, porque por assim dizer, se escapavam ao sentido, nem isso lhe parecia ser assim, pois o sentir, residia sempre numa qualquer forma, o corpo, que por sua vez, era plausível de ser permeada, atravessada, tocada por uma certa vibração, uma certa frequência.

Ah conceitos, ideias que se formam a partir da forma como olhamos as coisas, e a Vida Inteira, nos seus múltiplos aparentes fragmentos, que quebram o Ver por mais não se reconhecerem

Ah conceitos, ideias, agrupamentos de ideias, coisas temporárias com prazo de validade, umas vezes apertado, outras, curto, como tudo o que na vida assim se põem, pois a Vida é mais sem limites do que os limites do nosso pensar e da nossa linguagem.

Ah Terrível Desunião
Ah Terrível Embaciar
Tristes Tempos
Em Tristes Corações

Oh Poder do Amor
Oh Poder da Alma
Oh Poder Cristalino
Oh Poder Radiante
Oh Poder Unitivo
Oh Poder Vivificante
Dissolve
A Névoa
Com O Colar
O Calor
Da Vida
Que
Tu
És
Oh, de manhã ao acordar, meu filho sarapintado em casa, que doçura de Acordar, meu pequenino Filho como um gato, todo desejoso de ternuras, enroscado em mim, eu nele, e nós no Amor, tantos os beijos, tão grande o aconchego, tão bom, tão quente a Vida se tornou no meu Acordar e eu a Louvo por isso.

Oh Amor da Mãe, Oh Amor do Pai, Oh Amor do Filho, de todos os Filhos, de Todos os Pais por todos os Filhos.

Depois no café olhando a televisão ao fundo, apercebo-me da notícia da morte de Sousa Franco, perguntei ao Senhor atrás do balcão, que se passara, respondeu, que teria havido uma confusão qualquer na campanha, uma conversa mais emocionada sobre deficiências físicas, que o Senhor se sentira mal e que acabara por Falecer.

Ainda perguntei, que deficiências físicas, já suspeitando dentro de mim que provavelmente teria sido uma conversa em torno das suas orelhas, pois o Senhor limitara-se a encolher seus ombros e seu corpo, como exangue resposta. Aquilo poderia ser ao limite uma resposta gentil, mas que raio, aquilo não era uma deficiência física

Assim de novo na rua ia pensando, aquele Homem muito deveria ter sofrido em sua infância por ter aquelas orelhas, imaginava-o na escola, alvo de troças de seus colegas, naquela forma de troça que as crianças sabem também ser, mas que geralmente magoa sempre outro alguém. Que elege o diferente, como objecto de troça, que se aproveita da expressão do diferente físico, para achincalhar quem o transporta e reduzindo dessa forma, uma coisa que não é passível de ser reduzida, tentando reduzir um Homem, que é muito mais do que seu corpo, a uma parte dele. Parecia-me pouco inteligente, como modo de ver.

Tenho um Amigo que é coxo de nascença e reparei quando comecei a andar com ele que alguns de nós, por esse facto o olhavam de forma um pouco mais estranha. Depois perguntei-me porquê, e pensei que esse meu Amigo, espelhava no olhar desses, o medo de assim serem, de assim como Homens Iguais que são, se poderem tornar, e que por causa desse medo que sentiam, expressavam uma qualquer repulsa, uma qualquer rejeição, sabendo que se esse medo não lá estiver, a compaixão se estabelece, e o Agir que então acontece, é de ajudar a quem mais, se for esse o caso, precisa.

Meu Amigo conseguiu com a Ajuda da Vida, transformar essa deficiência e a sua relação com o Mundo de uma forma positiva e ouso imaginar que assim o Terá Feito Sousa Franco.

Não tive oportunidade de conhecer Sousa Franco em Pessoa, Assim a Vida não o Dispôs, mas imagino que para um Senhor que esteve a vida ligado ao ensino, aquela orelha provavelmente terá tido as suas vantagens, mas que importa este deduzir, se toda a expressão da vida e por ela criada, é igual e diferente e múltipla, merecedora para além de qualquer distinção, de um mesmo Integral Respeito.

Por memória, recordo-me de dois momentos em que dele me apercebi. Um primeiro como Ministro das Finanças, onde me parecera pela imagem que transmitia, ser um Homem de poucas palavras e que depois recordo, comecei a ver com alguma tensão, algum desconforto em seu andar, se calhar por hipótese, relacionado com as condições de seu trabalho, na altura.

O segundo momento, era o de agora, renascera o Homem político, candidato e cabeça de lista às eleições europeias pelo Partido Socialista e observava com crescente estima, seu revelar de Homem a meus olhos, começava a aperceber-me, do seu Saber, na forma como facilmente comunicava com o meu Povo, que se expressava no conhecimento e uso de ditados, que já lhe ouvira empregar, e sobretudo da sua força, de uma entrega que pela primeira vez, lhe estava a ver.

Pouca memória, a minha de um Homem que se Foi. Mas uma outra coisa sei sem necessitar de o saber, talvez aquela que me dê dele a imagem mais segura, pois Sousa Franco foi Professor durante a maior parte de sua vida profissional, e quem dedica uma vida a Ensinar, a Tão Nobre Tarefa, é certamente um Homem de Grande Coração.

Muitos outros, aqueles que tiveram o privilégio do seu convívio, aqueles que aqui Amou, os que aqui o Amaram, seus estudantes, seus amigos e seus pares, traçarão e recordarão dele seu justo e completo retrato, pois este que faço, é por assim dizer muito ao longe. Que poderei dizer, que era um Homem que eu estava a descobrir e a começar a gostar, e que assim apresento as minhas condolências a sua Esposa, à sua Família, Aos Seus Muitos Amigos e em respeito pela dor, na tristeza que em mim também trago.

Fica-me contudo neste Homem que daqui partiu, uma sensação de desperdício, que os que assim o sentem também que sobre as suas causas reflictam, se for essa a sua vontade.

Nem sei neste momento, nem provavelmente saberei as causas da discussão se a houvera, ou se teria sido mesmo, falta de sono, falta de alimentação, correrias e banhos de multidão a mais, calor a mais, pequenas grandes coisas importantes a requerer particular atenção num candidato naquela idade.

Uma tristeza que ultrapassa, sem ultrapassar, o Homem que foi António Sousa Franco, pois reside também em mim, e que aqui quero comungar, pois há já algum tempo, que a Vida me vem trazendo à minha consciência estas matérias.

Os Homens são frágeis, muito frágeis e muitas vezes esquecemo-nos disto, que a Morte quando aparece, nos vem assim lembrar. Lembra-nos também que a própria vida é frágil e necessita sempre da protecção do Amor, dos Homens, e entre Eles, do gentil trato e da concórdia.

Pois se o Homem tem seu coração e influencia seu bater, o seu parar não está em primeira instância e só, em suas mãos. Dizem os Antigos, que os Deuses levam da terra, os que mais Amam, para assim os poderem melhor Amar. E se o Homem tem o Amor em seu Coração, ele também tem dentro de si a zanga e o zangar, disto falo por conhecimento próprio, sabendo que se a Vida me trás esta consciência, está-me a oferecer a possibilidade de eu próprio alcançar a paz, me tornar paz e esta é uma questão importante para mim mesmo, sobretudo num tempo, que é aquele que vivo, rodeado de tantas zangas, de tanto zangar, muitas vezes meu também, de tantas guerras, de tanta dor, de tanto morrer em vão.

Muito tenho meditado e escrito sobre a natureza da zanga e do zangar, das suas causas, e do seu acontecer. Me desmonto a mim mesmo e às minhas experiências, para perceber o que então nessas ocasiões se expressa, que emoções aparecem e donde vêm. Da sua Natureza Humana, que para mim também é Divina e do tempo da sua expressão no tempo da minha vida no País onde Vivo, que é também o tempo de todos Vós que aqui comigo estão.

No plano político penso hoje em profundidade que a falta da Harmonia que todos sentem e desejam, se prende muito com o efeito destas zangas na operação politica, pois o que recordo desde púbere, é uma dominante de zanga, que se encontrará em muitos dos casos ainda por resolver e que afecta a todos nós e o País que somos, de uma forma profunda e negativa.

Sei também que esta questão entronca sempre com uma outra que é a base das duas, formas da organização politica que propiciam um mau entendimento das coisas, que é ao limite, Ignorância.

E ainda antes de ontem, me dei por mim nesta situação.

Fui à Assembleia da SPA, onde se iria discutir o relatório de contas de 2003, que passara por um processo complicado, litigioso e que agora depois da auditoria externa que se fizera, ia ser apresentado aos cooperantes.

Meus objectivos, eram claros, tentar perceber o ponto da situação da casa e actuar em favor do entendimento entre as partes conflituosas, pois o que me fora dado a ver em anteriores assembleias, era um clima de grande tensão, acusações mútuas e pouca parra, ou seja, pouca ideia de futuro, pois o futuro comum só se frutifica quando os ânimos estão serenos e concordantes.

Li o relatório com a explicação da auditoria e fiquei como que dizer, banzado. Havia um só parágrafo que me dava a resposta clara. Afirmava ele que se tinham gasto em 2002 com custos de pessoal 120% dos proveitos correntes, ou seja as receitas foram todas para custos de pessoal e não chegaram, pois ultrapassaram as receitas em 20%.

As primeiras intervenções dos lados em litígio, acontecerem, num mesmo sentido das anteriores, acusações mútuas, algumas directas e outras indirectas e eu pensava para mim, ai, ai, ai, que temos o caldo entornado outra vez, ou pelo menos em vias disso.

Depois quando falei pela primeira vez, só avançado no discurso, é que dei conta de como estava, depois dei-me conta das questões à volta de mim mesmo e acabei então, por calar-me.

Disse muito e cheguei a pouco.

Disse que não tinha estado na outra reunião, pois tinha-me esquecido, aqui acrescento que estava a escrever e quando me dela lembrei, já ela já tinha sido.

Disse que tinha ficado muito contente, por um lado de ter recebido uma acta da reunião anterior, pois era boa prática que se tinha perdido, mas que por outro, seu teor parecera-me, uma acta do PREC.

Que a cada vez em que se discutia contas e se pedia aprovação aos presentes, quase toda a gente ficava sempre com dúvidas, pois a maior parte das pessoas não sabe ler balanços e relatórios de contas e as pessoas votavam desconfortáveis, quase por acto de fé, que nem isso o era, e que se calhar, era preciso apresentar esta informação de outra maneira, por assim dizer, traduzida para leigos nestas matérias, de forma a facilitar a compreensão das mesmas, que as pessoas se sentissem mais à vontade nestes assuntos.

A vida é comunicação, toda a vida é um acto de comunicação, toda a vida permanentemente comunica, e para quem a vive assim, cedo reparará que basicamente os assim chamados problemas do Real, das coisas que entre os Homens e em suas vidas não funciona muito bem, assentam em má compreensão desse mesmo Real, tipo chamar a um carro de bois, um automóvel, porque se reparou que ambos têm rodas, e ou na transmissão dessa mesma percepção do Real, que aqui acumula, soma em valor negativo, pois se já é difícil transmitir, se o transmitir, que é o partilhar, é também ele sujeito a por assim escrever, limitações, se o ponto de partida, o que se viu, não é aquilo que a coisa é, aproximado e em consonância com a sua natureza, mais difícil se tornam assim as coisas, o comunicar que almeja o entendimento, o tornar comum, o fazer de dois veres o terceiro, aquele que então se torna uno, que unifica o Real e o Redor.

E que todo isto se reflectia assim em todos os domínios da Vida, até no escrever e comunicar um balanço e uma demonstração de resultados. Basicamente o problema era que quem o faz, expõem e constrói a partir do que sabe, esquecendo que outros não sabem essa mesma base. É muito fácil a solução destes casos, basta que quem o faz, disso se recorde e então tenha a habilidade de se por do lado de quem não sabe e perguntando-se a si mesmo, isto é compreensível porque quem não sabe aqueloutro, ou vou ter que o explicar de outra maneira.


Falei então do que lera, dizendo, em minha opinião isto bateu no fundo e agora a primeira pergunta é se a situação seria ainda recuperável e qual o plano que existe por parte da direcção

Depois, que estava cansado destas discussões e zangas intermináveis, que tinha que se por uma pedra no assunto, que não estava ali a julgar ninguém e que se houvesse alguém ou alguns que tivessem responsabilidades civis ou criminais nesta situação, que elas seriam assacados em sede própria, e mais uma vez insisti, que não era decididamente aquela.

Se é que havia Justiça em Portugal, pois como todos sabiam um processo desta natureza pode-se arrastar durante dez anos, fatia de vida dos Homens muito grande, e que às vezes as coisas chegavam a um aparente fim sem se resolverem, e que este era o nosso paradoxo, aquele onde vivíamos, mas mesmo assim, fazendo-se ou não se fazendo justiça, não era ali o tribunal.

Falei da natureza humana, de como os homens evoluem, das suas fraquezas e do seu caminho de espiritualização permanente, do disparate de tentar sempre por no alheio as responsabilidades, que mais uma vez, era o que se estava passar, e que alguns de ambas as partes tinham convivido entre si em direcções anteriores e que portanto, o desconhecimento da situação, não poderia ser assim tão completo.

Falei do meu exemplo na minha faceta de empresário, pois tinha-me deparado com situações semelhantes, disse que estava cansado desta história, e que se ninguém tivesse nunca errado, que atirasse a primeira pedra (coisa que ninguém fez. Foram mais rosas)

Disse que era vergonha o que sentia, falar-se de honorários superiores a milhares de contos, num país onde havia fome, era vergonha o que sentia, e acrescentei, que contudo esta questão, dos honorários era para mim um assunto da consciência de cada um, que acreditava que a remuneração deveria ter a ver com o valor de cada um, e também com a sua contribuição para criar riqueza comum, que se eu recebesse um ordenado daquela natureza, provavelmente daria directamente dois terços a quem dele precisasse, mas que isso era assunto meu do meu modo de ver, e relembrei que contudo era preciso também não perder a noção da realidade, o relatório dos auditores confirmava-a, que a situação financeira da sociedade na era comportável com tais despesas. Relembrei ainda situações que tinham ocorrido em Portugal, recentemente, sobre matérias de salários e de uma falta de proporção e razoabilidade que todos se apercebiam e comentavam.

Que estava cansado daquelas conversas e que proponha que a assembleia, aprovasse uma resolução, a título de pedra no passado e nova pedra para fundar o futuro, que se publicasse na sociedade, todos os ordenados, todas as remunerações distribuídas pelos autores, pois a coisa parecia-me continuar na mesma, mais uma vez as obras que registei, não geraram nenhuma remuneração, que como se prendiam com exibições no cabo, onde recordava terem existido no passado problemas relativos à sua cobrança (cobrança de direitos de autor, interpretação e execução pública das obras), mas que acabara de confirmar no relatório, que essas receitas tinham existido e portanto mais uma vez não percebia, como alias diversas vezes no passado, o que acontecia.

Mais uma vez insisti, na informatização deste processos, mais uma vez expliquei que no meu ponto de vista, qualquer empresa de recém licenciados do meu País, olharia um desafio destes como um figo, um figo maduro, que ficariam todos contentes em o morder, em fazer uma aplicação que resolvesse estas questões, e que era assim que em meu entender acabariam estas confusões, esta surda sensação que muitos sentem na sociedade, desde há muitos anos, que não há justiça na repartição e distribuição dos direitos, uma suspeição de que por vezes os critérios objectivados nos estatutos, seriam aplicados de formas subjectivas. Que todos falamos de transparência, em meu ver, ainda bem, mas que não bastava falar, era preciso substancia-la. Oh, aos anos que eu digo isto nas assembleias-gerais.

Congratulei-me pela concretização de uma coisa, a criação de um lugar já preenchido de director geral com perfil para essa área, que é uma coisa que eu ando a dizer há anos, que este tipo de organizações, onde por natureza os que a compõem não estão vocacionados para questões de gestão, deveria ter pessoas com formação nesta área. Se tal tivesse acontecido há mais tempo, talvez a situação hoje não fosse esta.

Disse mais uma vez, que eu nem autor me considerava, mas sim um criador, e que ficava a pensar se não seria de ir embora da sociedade, pois para além de tudo às vezes punha-me a pensar que esta energia que despendíamos em questiúnculas, poderia e deveria ser consagrado a outros assuntos, o criar, pois não é isso que um autor ou criador faz, na forma que o faz.

Apelava pois a Paz entre as partes zangadas e litigiosas, que se chegasse a um acordo, para resolver o aberto passado e se partisse de novo para o futuro.

Enfim, dizia eu estas coisas e outras quando dou conta de mim. Vejo o meu braço direito, pois o esquerdo estava ocupado com sua mão segurando o relatório, a gesticular regularmente num mesmo movimento, quebrando pelo cotovelo, lá ia descendo e subindo, com o dedo indicador muito esticado, a bater um ritmo, ritmo, sim que também consciencializara que meu corpo tremia com aquela energia, e a voz, aí, parecia um pai zangado, que zurzia tudo e todos, a minha voz ressoava como a ideia que tenho de algumas personagens bíblicas do antigo testamento

E quando assim me dou conta de mim novamente, vem-me à cabeça um pensamento que eu ando a pensar, ou um pensamento que me tem vindo a pensar, as relações entre a emoção, e o despertar ou a condução dos Homens, aquela emoção, aquela força, que se expressa e que tem o condão de ressoar nos Outros e assim lhes propor o movimento, vide parlamento, assembleias de partidos, comícios.

E naquele momento, fechei minha própria boca, espantado em mim, dizendo-me, que diabo, paulo, então isto são maneiras de se falar. Para meu espanto, quando o fiz, a sala estalou numa forte ovação.

E contudo a única proposta que era meu objectivo fazer, a da publicação da distribuição das receitas pelos autores bem como dos ordenados e horários, passou ao lado da realidade, nem sequer foi votada, terá sido este, meu preço pela emoção

Muitos foram os que me vieram cumprimentar, que se apresentaram, eu pensando e sentido o que ainda pensara sobre a minha figura, surpreso,fiquei. Aquilo tinha-me deixado recarregado e leve,aquilo não me esgotou, e apreciei muito toda aquela expressão de afectividade.

Aproximou-se então um Senhor muito crescido, de quem venho gostando de falar, pois tem uma inteligência de fino recorte, que se expressa num modo de brincar com uma subtil ironia e diz-me você enganou-se, você está enganado, Homem, você devia ser parlamentarista, e eu a responder, vade retro… e ele a sorrir pelo canto do olho.

Que fique claro que não considero tal actividade satânica ou interpretada por satânicos, o vade retro, aplicava-se só a mim, pois não me parece ser esse meu caminho.

Aproximáramo-nos naquele entretém os dois, do presidente da mesa, cada um com um seu comentário, que cada um das consciências assim ditava de fazer, mesmo depois de encerrados o trabalho. Ouvi a dele e depois disse da minha.

Quando se chegou à votação, houve duas ou três pessoas que levantaram a questão de a votação ser secreta, e o Senhor passou por cima disso, e não é verdade que se alguém requer uma votação secreta, mesmo que a maioria não o queira, não será lógico de respeitar essa vontade, porque quem vota em aberto, também vota em fechado, embora eu por mim prefira em aberto, gosto de Homens e coisas claras, mas não posso impor a minha forma e vontade a outrem. Ficou o Senhor a olhar para um boi, um seria um boi a olhar um palácio, a falar-me de voto nominal, e eu caramba, o que é que isso tem a ver com o que lhe disse, mesmo os de representação serão nominais, que eu saiba todos os votos deviam ser nominais, nunca votei que me recorde por representação, alias mecanismo tão em uso naquela sociedade desde sempre e que ainda hoje tinha dado o que se poderia chamar de caricata situação se não envolvesse o falecimento de um cooperador, que tinha delegado seu voto antes, que inicialmente foi contado e depois para meu maior espanto retirado.

Pois se ele delegou seu voto, seria de o respeitar, mesmo tendo ele desaparecido a seguir, ou não? Deve ter sido a memória inconsciente e colectiva a pregar uma das suas peças, aquela memória das chapeladas e dos mortos que outrora segundo ouvira contar no meu País, tinham mesmo assim, o hábito de votar.

Eu, mais uma vez me abstive.

Agora aguardo, a acta a ver o que lá ficou gravado, na dúvida se com aquela emoção a que me entreguei não me terá levado a dizer alguma asneira. Se assim o fiz, o rectificarei em seu devido tempo e lugar.

Do que não ficou, foram as duas conversas finais que tive, com por assim dizer, ambas as partes, à direcção, disse que me parecera, pelas intervenções da outra parte, que havia uma certa abertura ao entendimento e apelei mais uma vez que fizessem as Pazes e chegassem aos necessários acordos. À outra disse o mesmo. Ainda à primeira, ofereci meus préstimos para servir de servir de ponte entre ambas, coisa que por eles foi declinada.

No final, ainda veio falar comigo um director, cujas intervenções na assembleia eu tinha apreciado, mais do que o conteúdo, a ele mesmo, à sua forma de ser e perguntou-me prontificando-se a ajudar o problema especifico que eu referia numa das minhas intervenções.

Agradeci, dizendo-lhe, mas porque ajuda a mim, se o problema é certamente comum a muitos outros. Sua resposta inteligente, decidiu-me a aceitar a ajuda e irei assim dom ele averiguar.

Sabes, é assim através das situações práticas, que eu vou descobrindo onde estão os problemas, se soubesse o que eu assim já descobri de erros nas coisas…

Só tive pena que a direcção não tivesse respondido a quem pôs a pergunta e explicado o milagre dos pães, feitos com carros, porque trocar dois automóveis usados, média alta gama, por sete carros, gama média, também eu queria saber operar, se bem que deles não precise.

Vida é muito curiosa, muito curiosa mesmo, analogia, analogia entre meu pensar interior e o que acontece no exterior, que bela lição Ela me Deu s

Ah poderosa emoção, que reside na Vida e em mim e em ti e em tudo o que Vive.
Aqui que ninguém nos ouve, sempre suspeitei que as emoções, se somos nós que as sentimos, como nas vezes em que sobe um calor vertical no corpo, ou que um joelho treme, elas residem também na Unidade que a Vida É, provavelmente também por isso num espaço corpo que não é só o meu.

Oh, Senti-me Amado
E foi Bom,
Eu Vos Amo
Também
Que a Paz
Entre as
Partes
Se Faça
e o Bom
Futuro
Aconteça