segunda-feira, junho 14, 2004

O homem na praia pensa no que escreveu, sobre o encontro dos cinco meninos perdidos. Olha aquela frase que ouviu como resposta externa ao contexto do seu pensamento, e tenta entender o seu significado.

Recorda-se de outros significados simbólicos, escritos por irmãos seus, que mencionam, ainda que com variantes, a mesma ideia simbólica de um encontro entre seres, que juntos desempenham e poderão completar uma missão.

Uma imagem permanente, recorrente, eterna da existência e do existir, em cada fracção do tempo linear, de um potencial, uma possibilidade de se concretizar, que está sempre nos homens, que se encontram numa mesma fatia do tempo no mundo.

Ouvira o homem também nas mesmas circunstâncias um outro número. 70.000, seria um número crítico, um patamar, pensava ele com seus botões.

Serão os cinco, um núcleo espiritual, que ao encontrar-se e reunir-se, influenciará o redor?

Perguntava-se que ideia de influência mas tinha em si, desde muito, a resposta a esta questão.

E depois realizava, que ao dizer estas coisas a seus Irmãos, muitos eram os que se assustavam, ficavam com medo de ser uma nova ideia de elite, de um poder, que se sobreporia, inevitavelmente ao poder de todos.

E contudo sabe dentro de si e dentro de si o afirma, que os meninos perdidos

São Fieis de Amor
São Do Uno
Pelo Uno

O Seu Poder
Não É Seu
Seu Único
Poder
É
Servir

Seu Poder
Vem
Do Bem
Servir
Do Bem
Servido

Bem-Querer
Bem-Fazer
Todos
O Todo

Amor
Amado
Amor


Sabe também o homem dentro de si, que num outro plano, o simbolismo e as implicações desta história, passam-se num plano, por assim dizer, mais interno, mas mesmo que assim o seja também, os números referem-se a coisas, a ele externas.

São seres que vivem holisticamente e que por isso conseguem novos sincretismos.
Percebem e actuam os mecanismos do conhecer e dessa forma apresentam-se aos outros com saber inato, pois inato, costumava ele dizer, era o Saber da Semelhança, saber-se que de alguma maneira aquilo ou aquele que está defronte, é-me igual, que eu sou igual a ele, e isto é mesmo a raiz quadrada do entendimento, pois se de alguma forma sou-lhe idêntico, como o poderei não perceber, assim se dá o Saber que já é sabido. E quem sabe isto sabe tudo o que quiser saber. Possuem vivências e linguagens transdisciplinares.


Trazem em si, o olhar e o agir do menino, mesmo que aos olhares de outros, parecem por suas idades físicas, adultos. São seres que já deram uma grande volta ao mundo. Possuem uma inteligência, de inte-ligir, desenvolvida e uma energia emocional forte. São passíveis de serem identificados e reunidos de diversas maneiras, mas sabe também o homem, que mesmo conhecendo alguns, não tem as condições de os reunir.

O Homem na praia vê os diferente níveis de implicação da coisa, e sabe que tudo isto, todo este Ser, toda esta forma de Ser está igualmente dentro de cada Um dos Seus Irmãos, e sabe também por a Vida assim lhe ensinou que há uns que estão mais despertos de que outros e que também, todos podem ser despertados, todos podem despertar, todos despertarão, pois é esse o limite do Sonho que se sonha desde longo Ido no seu País.

O Homem nem sabe como comunicar isto, pois vê já alguns dos seus Irmãos a dizerem ao fundo, eu não te disse, o homem tem é um sonho de poder, de poder absoluto, de domínio sobre os outros, sempre se achou diferente dos outros, é pavão, é só pavonear.

Mas o que quer o Homem é dar parte do que acha que tem de ser dado parte. Pois o Homem recorda-se do seu Mestre Agostinho da Silva, na sua faceta, de uma que sempre foi, a de professor, a quem uma vez um regime pediu para assinar um papel a ele e a todos os outros professores do seu país, que fazia prometer que eles não viriam a integrar nenhuma organização secreta no futuro de suas vidas. E a contas de algumas como esta lá foi ele espairecer para o Brasil. Perdeu-o sem o Perder, Portugal.

Não terão sido muitos se é que foram alguns os que recusaram, mas Agostinho da Silva assim o fez, pois só podia, recusar, pois sabia que os homens, habitualmente não podem saber em rigor o que amanhã lhe reserva, nem o que eles se Tornam. Uma resposta certeira, do que poderia assim escrever, ética, aplicada projectivamente.

Sabe o homem que hoje o regime é muito mais complexo do que o do tempo de Agostinho da Silva. Realiza, que um projecto desta natureza, tem que ter um acordo entre todos e sabe também que local desta rota é nos interstícios daqueles que a compõem, sem nenhuma excepção, naquele local, onde o ver das partes, quebra o colado.

Dizia o homem que em seu entender os problemas mais urgentes, seria a salvaguarda das crianças, acabar com a fome no seu país e que o segundo campo de intervenção seria a justiça e depois a educação. Olhar as coisas, por as pessoas certas a falar, encontrar, acordar e implementar as soluções.

Sabe também que não é este grupo que vai implementar, pois para isso tem que ser reunidos e apoiados os que em cada área querem o bem-querer e o bem-fazer, pois não se trata só da elaboração de planos que efectivamente permitam navegar, mas de criar as energias para que isso se concretize, o que só se poderá fazer por reunião.

O homem vê também vir ao longe outros irmãos seus, que dizem, olha, eu não dizia, ele quer formar um novo partido, quer fazer uma revolução, mas o homem sabe que não, que não é esse o caminho, mas vê com alguma preocupação o difícil que isto tem sido, pois no seu País vive-se numa sempre batalha entre partes politicas em detrimento de uma batalha de todas as partes por todas as partes, e que este mecanismo de oposição, não permite frutificar o bom, o bem pensado e o bem feito.

Era uma equação muito simples que ele trazia em sua cabeça. Ao limite, se uma parte estava, se punha a combater contra outra, não deixaria que a outra fizesse muito bem, coisa bem feitas, pois se o fizesse, não poderia governar outra vez, pois o prémio é em função do fraco desempenho de quem governa. Assim se ia adiando seu País, dizia ele, com tristeza.

Pensava às vezes o homem se não seria melhor, todos participarem no mesmo único governo, ainda que separados por suas respectivas famílias. As vezes gostaria de poder votar em todos, em percentagens diferentes, pois via nuns qualidades e noutros outras, eram basicamente assim os homens, já ele o sabia certo e seguro guardado dentro de si.
Não que os homens fossem diferentes, todos tinham em si a mesma inata e equivalente, igual e fundadora da igualdade, qualidade, a do Amor, só a ignorância variava, exactamente como dentro dele.

O homem na praia recordava cinco anos atrás quando no âmbito das suas actividades politicas, propôs a ideia de um pacto de regime sobre as matérias do seu sector e recorda a cara de espanto e desconfiança que então nalgumas caras se instalou. Que ideia essa, todos iguais, todos concordantes sobre a forma de resolver as coisas, coisa impossível, onde ficaria eu, qual seria a minha diferença, sabia o homem que o receio vinha de quem para ser o que é, só pode sê-lo, definindo-se por oposição a um outro, insistia o homem que não, não teria que ser assim, não era mesmo assim, a vida como ela a via.

O homem recordava que nesse tempo e em outro imediatamente anterior, reparara, ao estudar o problema, que era necessário novas forma de organização politicas, que fossem e assentassem em métodos transversais de trabalhar, pois se as coisas estavam todas ligadas, ou seja que um problema e sua respectiva solução, se desenrolava por diferentes níveis de organização do real e que portanto a sua solução passava muitas das vezes por necessidades e equações transversais, contrariada pela forma fraccionada com as coisas geralmente se organizavam e geriam naquilo que se convencionava chamar de real comum.

O homem tinha esvaziado seu saco cheio, recorrera à escrita de si mesmo para tal. Aquilo aparecera-lhe na forma de um longo texto, e ele estava de novo feliz, que bom era compreender, compreender-se a si mesmo, saber o que o libertava e o que o atava. Agora o homem queria de novo partir para o mundo, se bem que se dissesse nunca tre de lá saído, o homem dizia-se, que na realidade o que queria era entregar-se e viver de uma outra maneira, diferente e contudo igual a que sempre fora. Igual à sua natureza, diferente em seu estar.

Dissera o que achava que tinha de dizer, pois nem dele era o dito, mas sabia dentro de si que tinha de o comunicar e assim o começara a fazer e contudo se a mensagem era para ele e para os outros, também sabia o homem que as coisas dependem e dependeriam sempre em primeira e última instância de si mesmo, de si mesmo e da Vida, que ele Amava.

Dissera-o, disponha-se a mais dizer se alguém por isso se interessasse, mas não ficaria à espera, pois sabe dos diferentes níveis da coisa que se lhe apresentara. Agora queria, outro tipo de acção, sem as amarras que ele próprio tinha colocado em seu próprio pé.

O homem escrevera-se muito e decidiu dar conta de mais algumas coisas. Depois chegou à conclusão que era então tempo de mudança. Oh aquilo, era complexo, o homem sabia que se tinha modificado sem se modificar e contudo havia dias que a sua consciência nem lhe permitia pensar em dinheiro, passar uma factura, ou coisa do género, e era ainda também, empresário. Tinha que mudar algumas coisas na sua vida e sentia que era só o que agora faltava, no momento em que se encontrava da sua Vida, ou no momento que a Vida assim era. Não lhe apetecia ficar à espera de nada, embora dissesse, como sempre, quão belo era caminhar acompanhado.

O homem desmaterializara-se, vinha desmaterializando, ou a Vida assim o Fazia e ele percebia, não iria contrariar este seu desígnio, pois parecia-lhe maior riqueza a espiritualização que com ela viera e contudo continuava em seu, com seu, corpo Amado e Amante.

O homem revia notas esparsas daquele núcleo de escritos que entretanto lhe aparecera, se organizar em seu redor, no seu interior, e que era ele.



Mas olhemos um espaço de tempo mais curto (altura do 25 de Abril), o que então, se passava nesse tempo, na Altura da Condensação Dos Sonhos, que Dores originavam que Desejos em Portugal.

A Pior Dor, concordaremos Todos, Espero Eu, era a Morte associada a uma guerra com quase década e meia de existência, onde civis tinham sido mortos de ambos os lados e militares também.

Esse Guerra, que agora aparecia era a consequência e culminar daquilo que as Descobertas Tinham Iniciado, e contudo Este Não Terá Sido o Seu Sonho, Assim Eu o Creio.

Este Espaço de Tempo, quase meio século, teve também muito sangue, muita dor dentro dele.

Quero Crer, Porque Conheço Portugal e os Homens do Meus País, que eles são Sábios, e Escolhem o Lado do Amor, da Protecção da Vida, do seu Proteger e Alimentar

Quero Crer que Foi Toda A Dor das Mães e dos Pais que sofreram pelos filhos perdidos e desgraçados, que Inspirou então o nocturno sonhar de seus Homens, pela Paz.

E contudo em seu ver e no ver de muitos outros antes dele, a aventura terá corrido menos bem, algo falhara, o império do espírito, o quinto, o que faz o infinito finito, falhara no seu projecto de encarnação entre os homens e na terra. Não que O Espírito ou o Império Falhe, pois essa não será sua natureza, sim a contrária, que se Afirme

Oh Portugal, Oh Rainha Stª Isabel, que os joaquimitas e Joaquim de Fiore acolheu, com Ela o Espírito Santo, segundo nosso povo conta, Milagres de Transubstanciação fez, uma Rainha Que era Muito Amada Por Proteger os que Mais necessitavam e que distribuía alimentos em segredo a Seu Mais Severo Rei.


Não o Império do Ter mas o do Ser, onde Sendo Se Tenha o que Necessitar e se o Engenho o permitir o que Cada Um Quiser, um Império onde Cada Seja e pareça o que Quiser, Sem por Outro, Ser Levado A Mal. Um Império da Gentileza e do Bem Tratar Entre Todos, Da Franqueza do Ser que É, Do Bem e Belo Comportar e Estar com os Outros, Um Império Onde Cada Um se Preocupe e Ajude O Outro A seu Lado, e que por isso, não haja nada para ser ajudado, um Império do Espírito Universal do Amor, Que Todos Acolhe, A Todos Sempre Estende a Mão.

Um Império do Espírito, Um Império do sopro, do bafo, reconhecido, Um Império do Espírito Santo que caminha em Paz e com Amor no Coração. O Quinto Império, o último porque depois não há mais nenhum, o que virá para ficar, a terceira idade do homem como alguns lhe chamaram, a idade do entendimento entre o mundo, os homens e os animais, prodígio do Espírito Santo que cobrira a terra inteira e fará esse entendimento descer em todos os corações

Imensa Energia de Luz, Verdade, Compaixão, Perdão e Amor
Imensa Energia de Luz que curará a Dor
O Acabar das Guerras, das violências e das dores
A Paz e a Vida Eterna
O Reencontro com os Amados


A segunda Dor, era a ausência da possibilidade de agir de acordo com a sua própria consciência, pois por imposição de algumas sobre outras, e com a violência e o sangue, que sempre ocorrem em tais condições, se encontravam assim algumas incapacitadas em seu Agir, pois como se sabe, a consciência, ninguém de fora a consegue silenciar a não ser através da morte, coisa que o anterior regime assim por diversas vezes fez acontecer. Um peso em sangue, uma dívida de sangue como outrora em tempos remotos os homens convencionavam chamar.

O sangue corre fora das veias dos homens, fora do sitio da vida e morre e sempre que o sangue morre, que o coração para, morre também um pedacinho da vida e um regime como outra coisa qualquer humana, que muito acumular, acaba ele próprio por perecer.

Um regime, com uma guerra às costas, muitos mortos, feridos e inválidos, um regime que possuía uma ala interna liberal que indicava e propunha algumas pequenas medidas de mudança dentro do restrito quadro que mesmo assim, o sistema lhes permitia

Uma elite que começava a viajar no mundo, a cursar ou tirar especializações em países diferentes e que voltavam trazendo essas imagens de outros países aqui mesmo ao lado, na Europa mais desenvolvidos, com maior liberdade, assim o pensavam e entre eles comentavam, e era o início do tempo, onde o mundo começaria a ficar mais pequeno, todas mais perto, as comunicações, os transportes, as formas de viajar. E o nosso país atrasado, um grau de analfabetismo na ordem dos 18% da população. Umas elites com consciência social, que se iam tornando cada vez mais insatisfeitas, e que aprendiam a exigir e que se tornavam assim fonte de pressão.

E muito atraso, muito obscurantismo e mísera e muita gente humilde mal tratada e abusada, da mesma forma que muitos outros não o seriam.

Um Livro publicado naquilo que se convencionou então chamar Primavera Marcelista, por um militar, uma visão diferente da do regime, fora escrita e apresentada. Seu Título, Portugal e o Futuro, e seu autor, Spínola e verdadeiramente, o futuro estava naquele momento à porta.

Dizia ele, que em seu entender aquele livro com ideias que não agradaram totalmente nem a gregos nem a troianos, mas talvez por essa razão, tenha sido tão secretamente importante no acontecer da revolução, pois foram militares que deram o golpe de estado que derrubou o regime, e que lhe parecia às vezes que os aprendizes tinham de repente ultrapassado o Mestre, que sem apelar a nenhuma revolução, de repente fora chamado pelos seu filhos aprendizes que entretanto tinham feito uma, a negociar a rendição do regime e a tornar-se desta forma a primeira figura que intermediaria e de certa forma conduziria o MFA com as restantes partes da sociedade.

Curioso pensamento, se confrontado com a recordação de quanto tanta gente que se colocava à esquerda, o tinha odiado, ele o mentor desconhecido do Movimento?

E depois recordava que Spínola, não existia sozinho, houvera sempre um grupo de pensadores e homens de acção militares que conduziram a que na altura todos convencionaram chamar de Revolução do 25 de Abril, que foram tempos levados da breca, cheios de coisas belas e também muito feias, como quando uma balança anda desequilibrada. Muitas violências, muitas dores, muitos ódios. Ouvi mesmo dizer, ao Homem que aquilo de alguma forma, tinha sido uma guerra civil surda, com diversas vezes em ponto de se chegar a vias de facto, que teriam sido muito pesadas. Grupo dos Nove, foi um nome de alguns desses Homens e Militares que conduziram o Barco em tão agitados mares, um pouco na sua retaguarda

E contudo, uma coisa sabia o Homem sobre o Tempo e o progresso dos homens
E sabia também que os momentos que ao longo de toda a vida do Homem, quebravam as linhas dominantes do tempo e assim mudavam as coisas de plano, trazia geralmente a si associado muito sangue, muito dor, guerras inclusive, e que isso acontecia quando as partes em presença deixavam esticar o elástico demasiado que assim quebrava, voltando a chicotear de novos ambos, que o seguravam.

E a questão que lhe restara, mesmo a última depois de todo este assunto moer, era que a Revolução dos Cravos como também se lhe chamou, que foi figurada por uma criança a por um cravo no cano de uma G3, era a da Liberdade e da Paz e nesse mesmo dia, o medo de linchamento e o desespero de alguns, fizeram correr o sangue nas calçadas do meus país, da minha cidade.

Dir-me-ão então, que o preço foi curto para o que se alcançou
E eu pergunto-vos, começamos a contar desde onde
Pois a contagem está desde sempre no mundo
E então talvez possas concordar comigo
Que melhor
Era mesmo não ter morrido nenhum
Pois por tua vontade
Decides que nada é mais importante
Que uma vida, seja qual for.
O preço dos rs , é as vezes o Sangue, como o preço dos es, também as vezes o é. Em que ficamos então?
Que sangue é que não
Não há terceira via nestas matérias
Só guerra e guerrear
Só Paz e Amor
Há uma Lei Simples
Não Matarás


Em 1973 por episódios vários, já lhe tinham dado conta desta segunda Dor, recorda-se de ver os adultos sussurrando e preocupados com a sua segurança e a segurança dos seus amigos ao falar de certos assuntos de natureza politica, lembra-se dos adultos terem que ouvir alguns discos baixinho para não levantar suspeitas, na galeria 111, os discos, alguns, serem transaccionados sem capa. E seu País num Tal Atraso.

O vinil de 45 rotações, onde aparecia um círculo preto dentro do quadrado castanho de cartão, pois ainda não se tinha implementado a diferenciação, que hoje se vê na proliferação de desenhos, formas e cores de um CD e sua embalagem. Não era ainda a imagem da quadratura do círculo, mas mais, o buraco negro no meio do cartão amarelado.

O Mundo era mais normalizado, as formas padrões eram mais regulares, por assim dizer, e os seus tempos de vida eram mais extensos, também é nessa altura que no mundo se começa a falar nas necessidades de harmonização, a que chamaram na altura uma palavra que então me suou estranhíssima, estandardizado, como por exemplo o acordo entre os fabricantes de para choques quanto a altura da sua colocação.

Aos 13 anos, lembra-se à porta de entrada da sala de aulas do liceu, de procurar com o olhar e a aproximação, uma Amiga que lhe parecia ser de alguma forma activa em termos de acção, olhando de lado, olhos baixos a disfarçar, ontem aquilo no Rossio esteve feio, comentei-lhe e ela sim, que o tinha estado, falamos de uma manifestação, que tinha sido alvo de uma carga policial, pois elas estavam quase todas, proibidas.

Pensava o jovem menino triste em seu coração ao perceber o que se passava à sua volta, que algumas pessoas eram reprimidas, que não havia liberdade de expressão e de acção, e começava a imaginar-se a crescer naquele país, de que isso lhe poderia levar a grandes perigos.

Pensava o Infante, vendo seu futuro naquele país, que se provavelmente nada se alterasse, se tornaria ele um lutador, e via já seu futuro com possibilidades de vir a ser preso e pensava medindo por antecipação a sua coragem futura, como se tal fosse possível, pois ressoara-lhe já dentro de si as histórias de coragem, traição e delação.
Um dia apareceu um polícia à porta da sala de aulas para prender essa sua amiga e o menino, levantara-se pusera-se defronte dele e explicara-lhe que não a podia prender, o que felizmente não veio a acontecer, pois da ombreira não passou.

Activara a coragem o menino dentro de si, o mesmo género de coragem que tiveram que ter tido, todos os militares de Abril que participaram no golpe. Muitos deles, os mais puros, os de melhor coração, os que não se deixaram nunca de pensar e tentar agir por si mesmos, de acordo com suas únicas e próprias consciências, pois quem age em Verdade de Acordo com a sua consciência age, em prol do acordo com a consciência alheia, muitos dos quais viu serem mais tarde esquecidos e alguns até mal tratados.

Mesmo hoje, 30 anos depois da revolução a propósito de ordens e condecorações, o seu país continuava a ficar profundamente dividido, o que revelava em primeira ordem, que algumas feridas continuavam em aberto a gritar, e mais do que isso, que a forma de navegação não conseguia em termos práticos fazer as necessárias pontes curativas entre todos. Também houvera Homens que tinham recusado estas honrarias por razões diversas em diversos tempos.

Naquela Página do Capitulo, escrevera assim, o Homem em seu caderno.

Salve Os que Lutaram e Lutam em Todos os Tempos e em Todos os Lugares, pela Liberdade do Ser, para um Ser em Paz.

Abraço e Choro por Todos os que neste Combate Caíram, pois o sangue dos Homens corre fora das suas veias desde há muito tempo no mundo. Um manto extenso vermelho tinge a Terra em muitos lugares, por isso chora o Céu. A Todos Eles o Meu Respeito.

O Sangue Só Deve Correr Nos Corações, Deve Ser Rio de Vida, não de Morte.

Mas o Rio de Sangue e da Dor Não é Infinito, Assim Também o Creia a Boa Vontade e a Boa Acção de Todos Os Homens.

E contudo a questão central de, Sempre até Agora, é Luta. Luta ou Paz, continuidade da Luta, mesmo que Justificada pela Memória, pela dor sofrida, pela contagem dos caídos, ou Paz de Aqui em Diante?

Recorda uma conversa com um velho amigo seu, que lhe falava, então o passado, a luta, todo o que se lutou, os que caíram, não me digas que não há diferenças e vai buscar a primeira edição das cartas de despedida dos que vão partir, fuzilados na guerra civil de Espanha e lê que os sonhos desses Homens, que se despediam de seus filhos, das suas mulheres, que tinham abandonado à distância, para ir lutar com armas na mão noutras terras, de uma mesma terra, ao lado de Homens que falavam outras línguas de uma mesma língua comum, de terem lutado por um mundo melhor, com menos injustiça e aquilo era claramente o sonho de todos os Homens, pois todos os Homens aspiravam a liberdade e a poderem serem livres e se a aspiração era comum, alguns por ela morriam. Eram os Sonhos individuais e universais que aquelas cartas continham. Depois foram mais tarde censuradas em posterior edição soviética, assim meu amigo mo recordou.

Os Homens escreviam cartas de despedida, partindo da Vida por mão alheia, a dos próprios Irmãos que às vezes os matavam, e como se tal não chegasse ainda, outros vinham depois, na aparência amigos, alterar aquilo que não podia nem devia ser nunca alterado, e contudo assim o era frequentemente, a palavra alheia, o verbo único de cada um, Ser.

E o Homem insistia, ao reler as cartas, aquilo era, os Sonhos do Homem, o sonho da Humanidade Fraterna.

Os Homens Sonhavam Um Mesmo, e contudo tantos os que foram mortos, como os que mataram, optaram por tentar concretizá-los de armas na mão. Uma velha e eterna questão, os fins, justificam todos os meios?

Também sabia que até chegar outro tempo do homem, nada apagaria as mortes que se encontravam para trás e que nenhuma dor as conseguiria reverter, suspeitava que para isso, teria que ser mais da natureza do seu contrário, o Amor.

Conseguiremos perdoarmo-nos verdadeiramente a nós mesmos e uns aos outros

Conseguiremos aceitar totalmente um outro, sem o tentar, espezinhar, diminuir, torcer, puxar, comprimir, espremer ou dilatar

Conseguiremos dar as tão necessárias mãos, perguntava-se a si mesmo.

Amor
Amante
Amado

….
Ai as contas

Alguém disse
Em jeito de rescaldo
Que a votação
Tinha sido
A Condenação
Da governação
Que a Maioria
Castigou a governação

Desculpem
Qualquer
Coisinha

Mas a Maioria
Não Votou

E se o Voto
E o Votar
É Garante
Democrático

Democrático
É também
Não Querer
Votar
E
Não
Votar
Mesmo
Sabendo
Que
A Lei
Isso
Castiga
Sem
Nunca
O Castigar


O Voto
Da Maioria
Que Não Votou
Só Diz
Que Não
Quiseram
Votar

Mais não se Pode
Deduzir
Porque
A Dedução
Implicava
O voto
Que
Não
Deu

Democracia
Principio
Da Vontade
Da Maioria
Sobre a Minoria

Se a Maioria
Não Vota
É a Minoria
Que Manda
Sobre
A Maioria

Afinal
Democracia
Vontade
Da Minoria
Sobre
A Maioria

Qual será
Então
O número
Inferior
Limite
Para
De
Democracia
Se passar
A Ditadura

O que Se
Passará
Com a Maioria

A maioria
Sente
Que seu voto
Não importa
Pois essa
Maioria
Tem vindo
A Crescer

E Porque
Sente
Assim
A Maioria

A Maioria
Não se Tornou
Mais Ignorante
Do que já foi


Hoje
É
Mais
Seu
Contrário

A Maioria
Acredita
Cada
Vez
Menos
Na
Democracia
Nas Suas
Formas
De
Governar


Pois a Minoria
Que dentro
Da Minoria
Assim o
Contrário
O viu
Nele
Também
Verá
A Justificação
Do Redobrar
Do Seu Ardor
De Combate
Ao Seu
Inimigo
Político


A Maioria
Sempre
Se afasta
Do Mau
Combate
A Maioria
Quer Paz
Quer Melhor
Democracia
Mais
e Melhor
Fazer

Será
a
Amorcracia