quarta-feira, junho 23, 2004

Pois parecera-lhe em Infante muito novo que era também um problema de linguagem, de categorização, uma coisa que cedo reparara, se usava para facilitar aparentemente a compreensão do mundo, que traduzia o saber colectivo dos Homens e por eles, até então validado e que permitia, almejava a comunicação, a transmissão do conhecimento.

Fora sua Irmã Música que lhe trouxera esta equação de mão dada com ele na sua primeira escolinha, a escolinha do seu coração, a escolinha que ainda trás no coração, sem deixar também de nele trazer todas as outras escolinhas que existem no mundo, uma preferência, que não é preferência, é só a sua, a que a ele lhe calhou, a que ele Amou e feliz ainda Ama.

Já sem mão porque precisava das duas para segurar a flauta de bisel e portanto no colo da Música, recordava uma breve conversa sobre a compreensão do som, das notas,
a notação musical, as escalas e do seu porque.

Que ideia era aquela de dividir o som em notas, pois sempre ouvira o som como continuo, não lhe fazia portanto muito sentido que pudesse ser repartido por uma escala.
Os sons, que sim, que acabavam, geralmente quando acabava o fôlego que sustentava o lá da sua flauta, aquela que o sopro soprava, através dele.

Que sim, que um som teria eventualmente um começo e um fim, mas que a mudança de nota, da sua frequência, fosse feita por saltos, por ruptura, é que nunca tal ouvira, pois o que ouvira, era o começo, sustentação que era o seu tempo e fim de um som, que era quando ele se deixava de ouvir. Um som podia-se estender por todas as notas até deixar de ser aparentemente ouvido e para ele cada coisa, era também um múltiplo som.

Depois lá vinha outra nota que poderia ascender ou descender face à primeira, poderia até estar sobreposta à primeira no mesmo tempo ou em partes dele. Assim se estabelecera a relação entre a notas

Olhara, então sua flauta, seus buraquinhos que tapados ou destapados por seus pequenos dedos, faziam um som a que os adultos chamavam nota qualquer coisa e concluía, que a flauta que os homens fizeram, só permitia o som assim sair dividido, pois pela sua forma concebida, cada nota se separara de cada outra.

Mais tarde descobriu outros instrumentos, concebidos por outros homens com outro olhar, onde o som se fazia mais de acordo com o que ele via da natureza do som, contínuo, e mudando, versátil, ou seja, subindo e descendo nas suas frequências, montanha russa de si mesmo, hábil, numa vida rica fora de escalas porque sua natureza, não era a escala, pois a escala, qualquer escala era sempre o resultado do Amor entre o Homem que a criou e sua Música, mas Mesmo Assim Louvada e Merecedora de Todo o Louvor e Respeito.

Assim Louvada
E Merecedora
De Todo o Louvor
E Respeito
Porque
Aqui
Foi
Ousada
Tentada
Realizada

Existe
E
Todo
O Saber
Vem
Da Luz
É Luz

Como
Todos
Os Que
Ajudam
Ajudam
Fazem
O
Ajudar

E Eu
Agradeço
Todas
As Ajudas
Porque
Dar
É
Amar


Chouuuu, chouuuu, chouuuuu, contínuo, fazia o riacho nos silêncios dos campos do norte de seu País, em sua meninice, entre a natureza, se dera conta de uma outra Música que o embalara e entretera.

Fora muitas vezes, por ela levado, a Música da Natureza. Uma música rica de outro modo, outros instrumentos, outros sons, composta por todos os sons que o habitavam, e a esse mesmo, Redor.

A música era muito mais que o som, eram sons que se encaixavam sequencialmente num tempo que assim ocupava um espaço, tal e qual, a aula de flauta com as suas duas linhas de flautistas, assim recorda aquela fotografia. E que a permanência da memória da música e a sua comunhão, implicava ter com ela uma forma de a codificar, que permitisse essa mesma transmissão e as futuras execuções, e contudo cada vez que se tocara, que acontecera no mundo, sentia ele seguro dentro de si, teria sido de uma forma única, por isso totalmente diferente e irrepetível.

Por sincretismo, concluía então, que o Homem para fazer entender outro Homem sobre uma coisa invisível, tinha que criar uma linguagem, um sistema de codificar e um código, e que paradoxalmente tais operações, de certa maneira o afastavam, por assim dizer, da natureza da coisa que pretendia explicar. E contudo o Homem era também o som, pois se não o fosse, como o podia conhecer.

Era como em Infante pequenino, quando lhe ensinaram os primeiros significados das palavras, umas faziam-lhe sentidos, parecia que o som dos vocábulos, a sua vocalização, tinha a ver com o corpo da palavra, aquilo que ela representava, sobretudo se tratavam de palavras que designavam coisas concretas, mas outras havia, algumas mais do domínio das coisas não concretas cuja sonoridade e ideia não encaixavam tão bem, de forma harmoniosa.

Rapidamente se dera conta da necessidade de ir conhecendo as raízes das palavras, que lhe pareciam ser como metáforas da realidade, tentativas de aproximação à essência das coisas, pois assim perceberia a razão da forma que quem a criou trazia em si e da sua visão do mundo na altura do seu acontecer.

Todo seu crescer, vira estas discrepâncias entre o nomeado e o nomear e vira muitas vezes,

Ou por falta do entendimento da natureza das palavras e consequente seu uso com significado incorrecto

Ou pela natureza dos códigos e do codificado entre os Homens aparentemente confirmado,

O caldo se entornara umas vezes, outras não, pois a linguagem é a forma que estrutura o Ser, que condiciona o Ser, que o Ser, faz.

E que talvez conviesse, fosse de assim se prevenir, pela vida fora, e enquanto durasse a vida humana, ir fazendo frequentes, como quem diz, quando necessárias, revisões às próprias palavras e as formas de codificar, aos seus múltiplos sistemas.

Era também certo a existência, do que ele gostava de chamar, de hiato, entre a coisa e o que a nomeia e dessa forma se preveniu em seu andar.

Hiato é um sítio que não é sítio, pois a coisa não está lá, é como um espaço entre o observador e o observado, uma ainda dissonância entre os dois, porque não se estabeleceu ainda o contacto, a comunhão, onde a coisa e a imagem da coisa, como que anda sobreposta e com fantasma, como nalgumas fotografias, um sítio onde ainda não vê a verdadeira coisa, uma situação onde a coisa parece ser duas, coisa impossível para uma coisa una, onde o dois, se faz Um, quando o observador se identifica com o observado, se torna, o observador, o observado e o observado, observador, pois tal é a lei das coisas comunicantes.

É geralmente um lugar de confusão, do mal entendido, do ainda não entendido.
E bom mesmo e preciso, é, mesmo entender, entendermo-nos.

E todas as linguagens, o Infante as utilizara como ferramentas em seu aprender. Cedo os sons de seus amigos animais, lhe ensinaram a mais bela música, a da Vida, Toda expressão, no belo cantar de um pássaro, que assim o chamara à atenção e o entretera, no cocorocó da galinha, que fugia de sua avó, que lhe queria apanhar os belos ovos, nos porcos sempre porcos, seus grunhidos e ares inquiridores, do pato quaquá, do miar do gato, da perna da porca, do ladrar do cão e das Asas das Borboletas de Todas as cores, feitios, perfumes e amores-perfeitos.

Amores-perfeitos, perguntava-se, agora, recordando, alguns pontos como que mancham, já nessa altura, alguns pormenores do quadro idílico. A galinha que acaba no prato, o porco assado, o gato comido e outras coisas que tais. Parecia que aquela harmonia da quinta que sua Avó tinha, já tinha uns estragos.

Recorda-se de sua avó quando enxotava o galo, apanhava a galinha, apalpava-a, para saber se tinha ovos e às vezes os tirava. Menino espantado, como todo aquele saber, saber ver se a galinha tinha ovos, tirá-los? Que coisas espantosas, sabia sua avó.

Um dia perguntou-lhe,

Avó, se não tirasse os ovos o que é a galinha fazia com eles
Nasciam pintos, aqueles amarelos com os pelos todos espetados, percursores na sua vida das imagens de punks, que corriam muito rapidinho numas pernas baixinhas, com uma pata de três apoios mais garra anterior, estreladas, e muitos pius, piu, piu ansiosos, pela comidinha no seu chegar, como todos os filhos anseiam.

E o menino ficara muito pensativo a pensar, quem é que decidia sobre o ovo que dava o pintainho se a avó não o fosse antes lá tirar, pois de uns, saíam pintos, de outros não, se ovo estrelado se tornaria, se pinto e galo seria, se na panela acabaria.

E o Infante muito depressa aprendera, assim em terna infância, a linguagem dos irmãos Animais e assim Entre Eles se fizeram Amigos e diz o Homem que está triste porque hoje os homens vivem mais separados de seus Irmão animais, que os Infantes de seu País já não são rodeados nas suas infâncias por eles, pois já não há terra no campo a onde ir, já são poucos os avós que habitam ao longe, nas viagens da grande aventura das férias grandes, fora dos grandes e densos núcleos habitacionais.

Linguagem era uma coisa curiosa, era uma coisa total, tudo estava convocado à cena, um corpo de porco, bem olhado, dá uma indicação do tipo de movimento e de como se move seu dono, um olhar de galinha bem observado, dá o perfil de sua dona, um quá quá de pato, a ideia do seu carácter, um comportamento de gato, dá a ideia de felino e um cão, encena uma ideia de entendimento entre espécies distintas.

Linguagem era ver e partia do observar, interagir com o que no momento se encontra à volta. Linguagem era coisa criativa, feito com o que estava a mão, sem aparentes fronteiras delimitadas por códigos, já que se podia vivenciar uma acto comunicativo com um ser de uma outra espécie e por debaixo daquilo, das imagens, qualquer coisa de muito comum se lhe afigurava, sentia-a no cruzamento dos olhares, via a emoção, uma parecida emoção com aquelas que transportava dentro de si, que tão bem lhe parecia, serem aprendidas pelos seus Irmãos Animais.

Recordava-se o infante de ir caminhando para a sua escolinha acompanhado por seu Pai. Um dia parara naquele portão, onde por detrás vivia um pastor alemão com açaime, chegara ao pé dele como já fazia há muito e fizera-lhe um festa, e o cão gostara, já o conhecia, sabia que o Infante não lhe queria nenhum mal, sabia seu irmão cão que o infante gostava dele, se tinha dele aproximado, porque seu açaime o fizera triste.

Seu Pai lhe perguntou, não tens medo daquele cão e o recorda de lhe responder, sabes Pai, é só necessário perceber a psicologia canina

Vrumm, lá vai ele o Infante, transformou seu antigo carro de bebe de rodas altas num kart de corrida, pela rampa fora, aquilo acelera na descida acentuada, já o Infante fizera o calculo da trajectória, da velocidade, do ponto de impacto, pois aquilo ao chegar ao fim da dita rampa foi voar, sobre fosso com escadas e estatelar-se o carro e o Infante, que enquanto voava, deixara de ser Infante e passara naquele milésimo de segundo a Gato Infante e Pum, com velocidade e força no grande portão de madeira. Por um instante como gato colocara seu corpo ao encontro da porta que se aproximava, flectira-se como um para absorver com seu movimento de contracção alguma daquela energia do impacto, olhar o baixo, as escadas de pedra em baixo, vira a órbita descendente do veículo lunar, perdão do kart e aterra com a precisão e souplesse de um Gato.

E lá vai ele outra vez, e outra vez, levado naquela linguagem, invisível, não consciente e impossível de assim ser descrita por o infante que a viveu, numa linguagem que não é só linguagem, mas que remete a uma outra dimensão de linguagem, de ser, o Saber.

Como um conhecimento, não consciente, que não se sabe que tem, não se dá por ele, que se funda em níveis de leitura do real, e por isso funciona, que se ele se movia assim no espaço, como corpo aparentemente descontrolado, aterrava numa porta e caía no chão sem nenhum arranhão, era porque seria gato também, assim se lembrara de que já o era, quando conheceu seus irmãos gatos, o seu primeiro Amigo Animal


E então se sentirmos o Ser como Infinito, seremos levados a concluir, que serão também infinitas, as formas de o Ver. E que, a cada forma de ver, corresponde um único, Homem, e contudo a comunicação e o entendimento eram passíveis de serem alcançados, havia Algo que lhes é comum, uma natureza transversal e vertical que a todos irmanava, porque era uma mesma e particular, a cada um.

O Homem sabia que toda a Vida é contínuo movimento, perpetua mudança, de todas as partes que nela residiam, todas as partes que vivem, e que o Amor era a Comunicação, o Comunicado e o Comunicar, que desde sempre e até sempre, assim acontecia, assim Fora Estabelecido. Repetia tantas vezes para si um verso do Poeta Vinicius de Moraes, a vida é a arte do encontro, pena que haja tantos desencontros.

Infante, sempre ansiara o Encontro, e reparara que o movimento no seu espaço, podia ser às vezes, concordante, outras dissonantes, Harmonia ou Desarmonia.

E que a Harmonia era como um encaixe da emoção primeva Amorosa, a que cria a Vida, porque assim a deseja, e ao assim, Sê-lo, não concebe nem actua a sua destruição, e da Vontade em Ser no Ser, como uma palma da mão em concha, recebe em útero, uma outra mão, que reconhece ser a mesma mão.

E que tanto isto se passava, dentro de cada um, como entre cada um, ressoava, era para ele também a imagem de alcance, do corpo, do espírito que assim nessas alturas se agiganta, se torna maior, ocupa novos espaços, chega a novos espaços, Aumenta seu Ser e Seu Fazer, alimenta O BeloSer e o BemSer.

Parecera-lhe ser também o antípoda do egocentrismo, um indivíduo, que carrega pequenos objectivos, pequenas e nem vontades, algumas amarguras e infantis desejos, que nem nascem às vezes, fazem mais, como as bolhas, vaporosas, dolentes sem sair da superfície em que se encontram, uma meia intenção, nem meia intenção, um plof, só um plof.

O Puzzle que lhe aparecera na infância, esse estranho aparente não encaixar da razão com uma certa emoção, ou de como essa certa emoção lhe fazia perder a razão, sem que contudo a perdesse, ou perderia?

Quando se zanga perde-se a razão
Como é que se pode perder a razão, por estar zangado, retorquia
São duas coisas distintas, às vezes, só nos zangamos, porque temos razão
Sim, percebo-te mas a razão é um negócio
Um negócio?

Um acordo, um negócio, que eu faço entre as partes que se apresentam, que eu medeio com a minha Razão, sou eu a medir, a averiguar com peso conta e medida, e se tal acontece, com Outro ao lado, Razão só É, se se tornar por acordo, a razão dos dois, que frutifica então, a Vontade comum.

Parece então, que se, a razão serve a cada qual, também não serve, só para um, pois pouco com ela poderá fazer, se não tiver lá dentro a Certa Emoção, aquela que acerta as coisas, põem as coisas certas. Pois quando é zanga, quando dois se zangam, não pode perdurar ou nascer o entendimento, a razão tornada comum.

E o menino, decidido como sabia bem ser, Stº Tomé de si mesmo, vendo para crer, lá foi experimentar aquilo, e curioso mesmo e sem piada nenhuma, foi verificar, cada vez que mesmo tendo razão, quando com outro se zangava, de imediato a perdia, deixava de servir para dois, só para si.

Parecera-lhe em jeito de conclusão provisória, como todas as conclusões devem ser, pois as conclusões que tendem a tornar-se definitivas, dizia em seu ver, morriam, deixavam de funcionar no mundo, não serviam mais para a nossa compreensão dele, pois a Vida era contínua mudança, movimento e nada resiste a Ela, nem as conclusões.

Que então

Uma coisa era a sua Vontade e a Razão em que a Apoiava e outra coisa
A Vontade e a Razão de um Outro

Que o Objectivo seria tornar a Vontade Comum, pois assim se Fazia Aparecer a Harmonia

A Vontade era a Vontade do Encontro, do Encontrar da Visão Unificada, da Visão que Unifica, que Faz e Vivifica o Comum, o Entendimento das Coisas, Dos e Entre os Seres, o Ser, e que a Razão era a forma de medir o Mundo e a Vida, que lhe confirmava pela sua própria existência, pela forma com que o fazia viver, como se tornava ele próprio, essa Razão, essa mesma vontade de Unir, e a Existência dessa União.


A Razão era assim a Vontade que se manifestava como transcendente do eu e do tu, que os trazia para junto, força que os Unia, força Integrativa do Amor, pois essa é a Força que assim Opera. A Vontade era a Vontade que vem do saber, do viver, do presenciar dessa Força Inteligente, que assim a Vontade assumia como Lei, principio das coisas, o fazer das coisas, o porque, se fazem as coisas. Razão, Vontade, naturezas múltiplas, intercambiáveis, como todas as coisas, e Unas, Também.


Que por debaixo da vontade e da razão se moviam coisas poderosíssimas, que dão pelo nome de emoções, que estruturavam sentimentos, que participavam, na razão e na Vontade, que por vezes tendiam a fazer abalar a Vontade, de uma forma que às vezes até parecia determinar os eventos a que chamávamos, exteriores.

E que eu seu ver, seria então de toda conveniência, averiguar a profunda e verdadeira natureza das coisas, que possuíam também e sempre, uma expressão externa, como gostava de acrescentar. Averiguar o que a esse nível profundo do seu ser, tanto por vezes, influenciava sua Vontade, não a deixava alcançar, fazia atrapalhar, por vezes tropeçar.


Oh Poderosa emoção
Quem és Tu
Que Às Vezes
Me Tiras da Razão

Oh Poderosa emoção
Existem Duas Razões
Em Dois
Eu Sei
E Contudo
Uma É Só
A Razão
A Razão
Do Amor

Mas Esta
A Razão

É Um
Encontro
Interior
Que Se
Faz
Que
Então
Acontece

A Razão
Então
Se Torna
A Razão
Do Dois
Do Três
Do Todo


Fala Então
Emoção

Eu sou o medo
Eu sou
O Que
A Diferença
Assusta
O Que Não
Aceito
A Diferença
O Outro
Que Não
Vejo
Que
O Diferente
É Também
Igual
Eu sou
O Que
Trás
O Medo
Dentro
De
Si


Eu sou o medo
Do Desconhecido
Pois o Desconhecido
Neste Mundo
É Visto Como
Inimigo
Outro é Seu
Verdadeiro
Nome
Ignorância

Eu sou o Medo
De perder
A Vida
O Lugar
O Pão
As Convicções
Emprestadas


Eu Sou O Medo
Que o Medo
Do Mundo
Me Fez
Pois Armado
Eu Sempre Vivi



Não
Tu És
Aquele Que
Não Vive
Pois Armado
Não Se Vive
Combate-se


E Depois
A Verdadeira
Armadura
Aquela
Que não causa
Danos
Em Mim
E em Ti

É
O Amor
A Paz
A Não
Armadura

A
Não
Arma
Dura


Não a Guerra
E o Guerrear
Que Assim
Sendo
Te Tornas

Eu Sou
O Que
Levou
O Que
Não Foi
Beijado
Eu Sou
O Que Foi
Abusado
Violentado
Ignorado

Assim
Conhecendo
O Conhecido
O Desconhecido
O Assim o Fiz
Como irmão
Pois o Que
Conheci
Chegou de Pau
Na mão
Para me Bater


Eu Sou
O Que Sofre
O Sofrer
Que
Tanto
Sofre

Eu Sou
O Que Não
Foi Amado
O Que Não
Sabe Amar

Eu Sou
O Que
Quero
A
Paz
E
O Medo
Que Trás
Que Faz
As Guerras

Eu Sou
O Que
Quer
Seu Pedaço
De Terra
De Direito
Só Seu
A Sua Casa
O Seu Sustento
O Sustento
De Seus Filhos
Eu Sou
O Que Quero
Viver

Eu Sou
O Que Sendo
Tenho Medo
De Ser
E Assim
Sou
O Que Não Sou
E Assim
O Mesmo
Contigo
É

Porque Tu
O Que sendo
Tens Medo
De Ser
E Assim
Te Tornas
Aquele
Que
Não
És


Oh Irmão
Que Nada
É Sozinho
Tudo
É
Inteiro
Preciso
De Ti
No
Ser
Para
Ser
Inteiro

As
Armaduras
Os Ardores
Que Levamos
Os Odores
Que Cheiramos
Não São
Das Rosas
A Vida
A Florescer

E

A Armadura
È Uma Armadura
E
Eu Sou Eu
E Tu És Tu

Não Sou Eu
Nem Tu
A Armadura
A
Arma
Dura


Fala Emoção

Eu Sou
A Cólera
A Raiva

Eu Sou
A Seta
Lançada
Que
No Âmago
Do Ser

Se
Espeta

Que
Faz Vibrar
O Núcleo
Do Ser
No Mais
Profundo
Interno
Me Faz
Dizer
O Não
Que
Então
Não
Se Torna
Que
De Mim
Faz
Não


Mas Eu
Quero
Ser
O
Sim


Eu Sou
A Seta
Lançada
Que
No Âmago
Do Ser
Se Crava

A Seta
Rápida
A Seta
Mais
Violenta

A Seta
Que Rasga
A Seta
Súbita
Dor
A Carne
Rasgada
A Pedra
Na Mão
A Espada
Afiada

Mas Eu
Sou
Sim

O
Inteiro
O
Não
Rasgado
A
Cola
O
Que
Cola
E
O
Colar


Fala Emoção

A Seta
Do
Maior
Desdém
Do
Maior
Desprezo
A Seta
Cega
De Quem
Já Não Vê
Aquilo
Que É
E Será
Sempre
Igual

Um Mesmo
Dois

Pois
Arqueiro
E Alvo
São Dois
E Um
Não
Existe
Sem
Outro

Da Mesma
Forma
Arqueiro
E Alvo
São
Sempre
Três
Pois Algo
Em Eles
Que Não
É Só
Eles
Os Pôs
Em Relação

Um Arqueiro
Em Cólera
Cego
Procura o Alvo

O Alvo
Reflecte
A Vontade
Do Arqueiro
Pois
Se o Arqueiro
Não Procurasse
Não Existiria
Alvo

O Arqueiro
Reflecte
O Alvo
Pois
Se o Alvo
Não Existisse
O Arqueiro
Também Não

Arqueiro
E Alvo
Dois
Em Um
Em Três

O Arqueiro
Em Cólera
Dispara
E Como
Sempre
Acerta
Também em Si
E Fora de Si



Oh eu Sou o
Arqueiro
Do Amor
Da Beleza
Do Belo
Da Alegria
As Minhas
Setas
Não São
Setas
Dessas
Não

Minhas Setas
Não Perfuram
Não Rasgam
A Carne
Amamentam
Alimentam
A Vida
E o Sangue

Minha Setas
Não São
Minhas Setas
São Setas
Do Próprio
Amor

De Mim
A Inclinação
Da Mão
Que A Outra
Segura
Para
O Amor
Para
A Paz
Para
A
Alegria
Alegria



Bem alto lhe cobrara até então o Mundo e seus Pares, esta sua liberdade conseguida, que assim, por vezes, alguns diziam que assim a viam, mesmo todos sabendo que a liberdade quem a mede é o próprio, ninguém outro, poderá fazer sobre isso, julgamento.

Era alvo de inveja, como quem gritava um pedido de socorro, mas que pedia ajuda com uma espada cortante na mão.

Como é que Aquele tem aquela liberdade de viver, de agir e eu aqui espartilhado numa realidade sem horizontes, e contudo nenhum outro Homem saberá do preço, com que ele a pagou e continua a pagar, pois nenhum homem pode, só por si mesmo, pôr-se totalmente dentro de outro homem.

Mas sentia-se o Homem livre dentro de si neste momento da sua vida, no final da sua Infância e o rito de passagem sem saber para onde o levaria, antes de lá chegar. Não o Homem não conseguia dentro de si uma resposta linear a esta questão, um sim ou não, pois o homem já sabia como o infante soubera, que as coisas não se apresentam assim, mas sentia-se insatisfeito, preso a algo que lhe importava descobrir, para então fazer as contas que se apresentassem e ala, que já se faz tarde neste andor de uma certa dor.

Infante soubera, que a inveja é uma dor, por não saber resolver o que causa a dor, pois fora diversas vezes invejado.

A Inveja é uma dor, da família das dores raivosas, pois despoleta com frequência esta emoção violenta, a raiva, que pode até originar violência física e contudo é um pedido de ajuda que lá está, porque quem assim sente, está no fundo a desejar o mesmo, ele quer ou pensa querer, um mesmo querer.

Aqui a porca tem que torcer um primeiro rabo, pois se há dois haverá sempre dois quereres, que podem ser concordantes ou não, mas que são simultaneamente tão diferenciados entre si, naquilo que lhes é único, que esta generalização, como forma de entender a realidade, revela-se na mais das vezes, problemática ou originadora de problemas.

Parte-se para o desconhecido, o outro, pensando e convencidos que já o conhecemos, que já o topamos, que já o enfiamos previamente, em todas as nossas caixinhas, catálogos a preto e branco e a cores, etiquetas, códigos de barra. Em vez da abertura, da curiosidade de ver o que a vida nos trás, não, o fechar, o fazê-la pequenina e assim do tamanho das caixinhas que fazemos, nos vamos tornando.
mexeu-se um bocadinho o texto anterior...hehehe