quinta-feira, julho 01, 2004

Voava
O Pássaro
Em Alegre
Copula
Com
Seu
Amigo
Ar

Que
Ao
Passar

Disse
Aqui
Fica
A
Receita
Para
Tirar
A
Situação



Por Sortes diversas, o ciclo pela segunda vez se contrai,
De quatro a quatro anos, de dois a dois, em dois já estai
Porventura diria a Truta
Melhor Seria
Referendar
Os Próprios Ciclos
Ciclos de 2 a 2, já

Qual a Vantagem
Indaga o Rato

Olha, se Pensares
Que Cada Vez
Que a Coisa
Corre Mal
Seja Por
Que Razão
For

Que Razões

Muitas
Mais do
Que
As
Que
Se
Pensa
Saber

Para
Além
Das
Que
Nos
Parecendo
Certas
São
Erradas

Ou Mesmo
Aquém
Das
Que
Parecendo
Erradas
São
As Certas


Assim
De Um
Lado
Se Passa
A Outro
Lado
De
Um
Mesmo
Lado


Quando
Se Passa
De Um
Lado
A Outro
Demora
O Aparelho
Do Estado
A Mudar
Dois
Anos
Bem
Contados

Se
Por
Bem
Contar

Contar
Parar
Mudar
De Novo
Arrancar


Assim
Se Chegará
Ao Quinto
Império
Pois
Mais
Não
Se
Governará

Será?
Amiga
Truta

Quem
Então
Faz
Funcionar
O Mundo

Quem
Põem
A Comidinha
Na Mesa

Pois
É Sabido
Que Se
O Quinto
É do Espírito
Império
As
Barrigas
Tem
Que
Estar
Cheias
Pois
Sem
Elas
Não
Frutifica
O
Próprio
Espírito


Via
Errada
Amiga
Truta
Dizia
O Rato
Em
Seu
Pensar
É Como
Por a Carroça
Á Frente
Dos
Bois





Houvera naquele reino uma profecia anunciada, que falava da existência de uma janela espácio-temporal com a duração de doze anos, que naquele preciso momento do tempo, se encontrava sujeita a um estremeção. O agente galáctico sabia que as profecias são como telescópios, permitem trazer para perto o que parece ao longe e difícil de ver, mas uma janela, que vê uma paisagem, é vista também pela própria paisagem, quer isto dizer, uma não existe mais sem a outra e vice-versa, pelo facto que a relação as fez participar uma na outra. Se assim for, concluía então, o que uma fizer afectará a outra e vice-versa, ou seja, tudo isto dependerá da vontade e do agir dos homens nos planos que lhe são de competência. Recordava o agente galáctico xpto, um breve poema que escrevera na altura da publicação daquilo que vira, mas que já muito não lia, mas qualquer coisa, o fizera de novo reemergir.

Atenção aos que sorriem
De tranquilidade face aos augúrios
Que os Mil Olhos que Vêem
Em qualquer das direcções
São Mil Olhos que Têm Mil Mãos
Mil Mãos e Olhos que Torcem A Seu Querer
O que Vêem do que Virá
Quando a Graça do Ver É Sua



O agente galáctico tinha um fraco por aquele país, viajara no tempo diversas vezes até lá, preparava uma tese sobre Portugueses e baixa auto estima

Aquilo resultava muitas vezes em castigo do Povo, os que governavam e a forma de governar, as coisas sempre adiadas, ou paradas, ou de novo a arrancar, sem ser para nenhuma direcção concreta e concretizante, tipo uma fé vaga num amanhã melhor.

Era como as promessas bem intencionadas feitas no ontem das boas intenções, mas a quem depois, a vida pelas suas artes, trocava as voltas ao baile, e depois se tornavam assim eternamente adiadas. Tantas daquelas promessas, vira fazer. Eram tantas as incumpridas, que às vezes pensava que seriam necessário zerar umas quantas para que as coisas pudessem de novo voltar a funcionar, o tempo passava, os homens desgastavam-se nas lutas, optavam por se jangarem, pois as contas assim por muito tempo às vezes se mantinham em aberto

Dizia a mulher galáctica ao seu amante, estás-te a tornar um cínico com a idade, e ele que não, mas sempre se desperdiçava as oportunidades, parece que os portugueses eram especialmente destros para a falha, para o falhar, especialmente em duas situações, ou no arrancar das coisas, por nervosismos vários, ou insuflação egótica, ou então na derradeira tensão, o último minuto antes do fim do evento, aquele onde o resultado se encontra já definido, sem apelo nem agravo, ah é bom de mais para ser possível, fico tão ansioso na expectativa do triunfo, será que o mereço?, que me encolho, me faço mais pequeno do que já demonstrei ser ao aqui chegar, e pumba de joelhos me dou bronca, me faço a bronca, me torno a bronca, ou então, já está no papo, canto o galo cedo de mais pois até ao lavar dos cestos é sempre vindima. Já cá está no papo, é meio caminho para o deslize, e vontade, atenção, focagem, concentração, coragem, inteligência, criatividade, e uma mão sem luva, que sempre está, é o que se necessita

O agente galáctico, como qualquer outro agente galáctico sabe das regras do jogo, sabe que não pode intervir, nas dimensões do tempo que ocorre, assim limita-se a observar, a registar, a documentar, a aprender, como aquelas gentes deixam seu país sempre um bocadinho mais adiado. Lera recentemente num jornal que havia um plano para combater a fome nesse país e ficava-se a perguntar, como já, por variadas vezes no passado se perguntara, o que se passaria com esse plano nesse entretêm que se lhe afigurava, se o país de novo parasse.

Depois lembrara-se que coisas estranhas eram aquelas que se passavam naquele país, pois os homens desperdiçavam em média dois anos de gestão da casa comum, após cada mudança no poder. Se cada ciclo era de 4 anos, afinal só dois é que contavam realmente, havia mesmo uma tendência no real instalada, de que os primeiros eram sempre piores, de sacrifícios, e que depois viria sempre a bonança. Se pensasse que cada homem, viveria 70 anos, 26 seria o total dos anos mais ou menos desperdiçados, fruto deste modo de funcionar das coisas a que se chama democracia, parecia-lhe assim que as coisas se tornavam mais complicadas, pois tinha-se que fazer quase em meio, o que era suposto fazer-se no total, visto que o homem é homem enquanto que aqui está. Aquilo parecia-lhe pouca parra, para pouco vinho, que era o que faltava.

Vinho de Amor