sábado, julho 24, 2004

Triste
Chora
Baixinho
Minha
Corda
Lamento
Em

No
Coração

 
Partiu
O
Mestre
Filho
De
Mestre

 
Imagino
Sua
Infância
Na
Oficina
De
Seu
Pai
Crescendo
Entre
Cheiros
Das
Mais
Belas
E
Puras
Madeira
Entre
A
Arte
Do
Cortar
E
Colar
Na
Arte
Do
Sublime
Fazer

 
Imagino
A
Corda
A
Afinar
O
Primeiro
Dedilhar

A
Mão
No
Coração
Do
Som
A
Voar
E
Ele
A
Desenhar

 

Instrumento
Tão
Portugal
Tão
Português

Imagem
Sonora
Do
Nosso
Sentir
E
Ser

Altas
Frequências
Cascatas
Infantis
Agua
Suave
Alegria
Melancólico
Ser
Rasgadas
Montanhas
Vales
Trinados
Alados
Ondas
Do
Mar
Rectas
Curvas
Rodas
Cedilhas
Redondilhas
Tramas
Finos
Sons
Matiz
Retrato
Emoção
Amorosa
Do
Ser

A

Subir

Descer
E
De
Novo
Voar
A
Vida
Música
Do
Acontecer

No
Exímio
Ordenar
Compor
Criar

Interpretação
Do
Coração
Dos
Dedos
Que
As
Cordas
Tangem

 
Carlos
Paredes
Sua
Graça
Sem
Parede

Carlos
Paredes
Mais
Um
Que
Se
Tornou
Imortal

Movimento
Perpetuo
Do
Dedo
Do
Coração

 

Oh como a Tua Música sempre me fez sentir a mim mesmo, como se fosse de alguma forma, que o é, fosse, música minha. Muitas vezes utilizei Tuas composições e interpretações com as imagens que então criei. E sei que isto é futuro também, pois serão mais as vezes em que tal irá de novo acontecer, pois a Tua música, somos nós.

Oh belo e exímio retratista apaixonado da nossa Alma, tímido e suave ser. Harmonia do teu desenhar, variável aceleração, movimentos perpétuos, mudanças súbitas de tempo e de emoção, canção, baile permanente, dança oculta das esferas tornada audível e visível. Como eu gosto de deixar embalar o meu olhar por uma câmara no roteiro do movimento, do espaço sentir que me propões.

Recordo a última vez que te cumprimentei, melhor será dizer que me cumprimentaste, pois quando primeiro te vi, fiquei a olhar embevecido e calado como fazem às vezes aqueles que estão presentes  aos que muito admiram e respeitam, silêncio sagrado, onde os olhos do coração inteiro falam através das línguas silenciosas em escritas secretas e mágicas.

Queria ter-te podido dizer tudo isto, falar-te de como me fazes bailar o olhar do meu coração, e se calhar lá tu fui dizendo, assim secretamente, pois foste Tu que te aproximaste de mão estendida à minha, que então se deram, selando num olhar de homem, toda a nossa história de Amor. Breve cumprimentar, e todo o Universo Inteiro do Amor lá dentro. E Tu dentro de mim para sempre, eu te Celebro e Agradeço tudo o que me deste de mim, homem entre os homens irmãos, pois sei que contigo posso assim falar, sem me entenderes como arrogante ou presunçoso.